www.bjorl.org
Brazilian
Journal
of
OTORHINOLARYNGOLOGY
ARTIGO
ORIGINAL
Speech
perception
performance
of
subjects
with
type
I
diabetes
mellitus
of
noise
夽
Bárbara
Cristiane
Sordi
Silva
a,
Erika
Barioni
Mantello
a,∗,
Maria
Cristina
Foss
Freitas
b,
Milton
César
Foss
b,
Myriam
de
Lima
Isaac
ae
Adriana
Ribeiro
Tavares
Anastasio
aaUniversidadedeSãoPaulo(USP),FaculdadedeMedicinadeRibeirãoPreto(FMRP),DepartamentodeOftalmologia,
OtorrinolaringologiaeCirurgiadeCabec¸aePescoc¸o,RibeirãoPreto,SP,Brasil
bUniversidadedeSãoPaulo(USP),FaculdadedeMedicinadeRibeirãoPreto(FMRP),DivisõesdeEndocrinologiaeMetabologia
eNutric¸ão,RibeirãoPreto,SP,Brasil
Recebidoem5demaiode2016;aceitoem17dejulhode2016 DisponívelnaInternetem26dejunhode2017
KEYWORDS
Type1diabetes mellitus;
Speechperception; Hearing;
Auditoryperception
Abstract
Introduction:Diabetes mellitus(DM) isa chronicmetabolic disorderofvarious origins that occurswhenthepancreasfailstoproduceinsulininsufficientquantitiesorwhentheorganism failstorespondtothishormoneinanefficientmanner.
Objective:ToevaluatethespeechrecognitioninsubjectswithtypeIdiabetesmellitus(DMI) inquietandincompetitivenoise.
Methods:Itwasadescriptive,observationalandcross-sectionstudy.Weincluded40 partici-pantsofbothgendersaged18---30years,dividedintoacontrolgroup(CG)of20healthysubjects withnocomplaintsorauditorychanges,pairedforageandgenderwiththestudygroup, con-sistingof20subjectswithadiagnosisofDMI.First,weappliedbasicaudiologicalevaluations (puretoneaudiometry,speechaudiometryandimmittanceaudiometry)forallsubjects;after theseevaluations,weappliedSentenceRecognitionThresholdinQuiet(SRTQ) andSentence RecognitionThresholdinNoise(SRTN)infreefield,usingtheListofSentencesinPortuguese test.
Results:Allsubjectsshowednormalbilateralpuretonethreshold,compatiblespeech audiome-tryandAtympanometrycurve.Groupcomparisonrevealedastatisticallysignificantdifference forSRTQ(p=0.0001),SRTN(p<0.0001)andthesignal-to-noiseratio(p<0.0001).
DOIserefereaoartigo:http://dx.doi.org/10.1016/j.bjorl.2016.07.003
夽 Comocitaresteartigo:SilvaBC,MantelloEB,FreitasMC,FossMC,IsaacML,AnastasioAR.Speechperceptionperformanceinsubjects withtypeIdiabetesmellitusofnoise.BrazJOtorhinolaryngol.2017;83:574---9.
∗Autorparacorrespondência.
E-mail:[email protected](E.B.Mantello).
ArevisãoporparesédaresponsabilidadedaAssociac¸ãoBrasileiradeOtorrinolaringologiaeCirurgiaCérvico-Facial.
Conclusion: TheperformanceofDMIsubjectsinSRTQandSRTNwasworse comparedtothe subjectswithoutdiabetes.
© 2016 Associac¸˜ao Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia C´ervico-Facial. Published by Elsevier Editora Ltda. This is an open access article under the CC BY license (http:// creativecommons.org/licenses/by/4.0/).
PALAVRASCHAVE
Diabetesmellitus tipoI;
Percepc¸ãodefala; Audic¸ão;
Percepc¸ãoauditiva
Desempenhodapercepc¸ãodefalanoruídoemindivíduoscomdiabetesmellitus tipoI
Resumo
Introduc¸ão: Odiabetesmellitus(DM)éumdistúrbiometabólicocrônicodeváriasorigens,que ocorrequandoopâncreasdeixadeproduzir insulinaemquantidadesuficiente ouquandoo organismonãoconsegueresponderaessehormôniodemaneiraeficiente.
Objetivo: AvaliaroreconhecimentodefalaemindivíduoscomdiabetesmellitustipoI(DMI) nosilêncioenoruídocompetitivo.
Método: Estudodescritivo, observacionaletransversal.Foramincluídos 40participantesde ambos os sexos entre18 e 30 anos, divididosem um grupocontrole (GC)de20 indivíduos saudáveissemqueixasoualterac¸õesauditivas,pareadosporidadeesexocomogrupodeestudo, compostopor 20 indivíduoscom diagnósticode DMI. Inicialmenteaplicou-seuma avaliac¸ão audiológica(audiometriatonal,logoaudiometriaeimitanciometria)paratodososindivíduos;a seguir,osmesmosforamavaliadosparaoLimiardeReconhecimentodeSentenc¸asnoSilêncio (LRSS)eLimiardeReconhecimentodeSentenc¸asnoRuído(LRSR),emcampolivre,pormeio dotesteListadeSentenc¸asemPortuguês.
Resultados: Todos os participantes apresentaram audiometria tonal dentro dos padrõesde normalidade bilateralmente, logoaudiometria compatível e curva timpanométrica do tipo A. A comparac¸ãodos grupos revelouumadiferenc¸a estatisticamentesignificantepara LRSS (p=0,0001),LRSR(p<0,0001)earelac¸ãosinal-ruído(p<0,0001).
Conclusões: OdesempenhodosindivíduoscomDMIparaLRSSeLRSRfoipioremcomparac¸ão comosindivíduossemdiabetes.
© 2016 Associac¸˜ao Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia C´ervico-Facial. Publicado por Elsevier Editora Ltda. Este ´e um artigo Open Access sob uma licenc¸a CC BY (http:// creativecommons.org/licenses/by/4.0/).
Introduc
¸ão
Odiabetesmellitus(DM)éumadoenc¸ametabólicacrônica
deváriasorigens,queteminícioquandoo pâncreasdeixa de produzir insulina em quantidade suficiente ou quando o organismo nãoconsegue responder a esse hormônio de maneiraeficiente.Issolevaa umacondic¸ãocaracterizada porhiperglicemia,quepodedanificardeterminadosórgãos, especialmenteosolhos,rins,nervos,o corac¸ãoeosvasos sanguíneos.1,2
Uma das consequências menos exploradas ou relata-das para pacientes com diabetes é a disfunc¸ão do órgão auditivo.3OspacientescomDMInãosecretaminsulina endó-genaouofazemdemaneirareduzida devidoàdestruic¸ão das suas células beta pancreáticas. Essa situac¸ão afeta cerca de20% dos casos e é mais comumenteidentificada em crianc¸as e adolescentes.2 No Brasil não há estudos querelatemaprevalênciaexatadascomplicac¸õescrônicas empacientesdiabéticos,taiscomoretinopatia,nefropatia, neuropatia,hipertensãoarterial,alterac¸ões cardiovascula-resesintomasotoneurológicos,comozumbido,vertigeme perda auditiva.4---6 Isso pode ser causado por dois fatores específicos:pessoasacometidasquenãotêmconsciênciade
suasdoenc¸aseofatodeque,emboracientesdeseus dis-túrbiosmetabólicoscrônicos,váriosindivíduosacometidos nãoprocuramcuidadosmédicos.4
Alguns estudos tiveram como objetivo determinar a relac¸ãoentreDMeperdaauditiva,masnãoháconsensona literaturainternacionalsobreacorrelac¸ãoentreessasduas condic¸ões.Nenhumarelac¸ãodecausa-efeitodefinitivafoi confirmadaentrediabetesesurdezeaindahácontrovérsias sobreosachadosaudiológicosehistopatológicosatribuídos aodiabetes.2,3,7---9
significativamenteodesempenhonormaldaorelhainterna, considerandoquetantoahipoglicemiacomoahiperglicemia poderiamprejudicaroseufuncionamentoadequado.18,19
Atualmentenãoexisteconsensonaliteratura internaci-onalsobreaetiopatogeniadaperdaauditivaemdiabéticos. Algunspesquisadorestêmargumentadoquealterac¸ões audi-tivaspodemocorrerdevidoaneuropatia,enquantooutros alegam que elas ocorrem devido a angiopatia. Algumas investigac¸õestambémassociamasduascausas.7---13,15---19
Aintegridadeperiféricaecentraldosistemaauditivoé essencialparaumapercepc¸ão defalaapropriada.A maio-riadasperdasauditivasneurossensoriaisinicialmenteafeta frequências ultra-altas, necessárias para a discriminac¸ão consonantal e o reconhecimento de fala. A deficiência da percepc¸ão de fala ocorre porque, embora sons de vogaissejamcompostospor muitaenergia,elesfornecem informac¸ões acústicasprecárias, enquanto sons consonan-tais,emboraenvolvam poucaenergia,sãoricos em pistas acústicas.Ossons consonantaissãoimportantespois apre-sentamqualidadetonaldealtafrequênciaesãoessenciais paraacompreensãoauditiva.20
Tambémdevesersalientadoquemesmoindivíduoscom audic¸ão normal podem apresentar comprometimento do reconhecimentodefalaemsituac¸õesderelac¸ãosinal-ruído (S/R)adversas.21,22
Testesdereconhecimentodesentenc¸asnosilêncioeno ruídopossibilitam medic¸õesmaisdiretasparaas habilida-desdecomunicac¸ãodosindivíduos,23---25representamassim valiosasferramentasdeavaliac¸ão audiológica paraa aná-lisedashabilidades auditivas em situac¸õessemelhantes a experiênciasauditivasdiárias.26---28
Oestudo tevecomoobjetivoavaliaro reconhecimento defalaem indivíduoscomDMtipoInosilêncioenoruído competitivo.
Método
Oestudofoiaprovado peloComitêdeÉticadainstituic¸ão envolvida(protocolonúmero12.609/2012).Aaplicac¸ãodos examesaudiológicosdurou,emmédia,umahorae30 minu-tosefoiconcluídaemumúnicodia.
Pacientes
Estudo descritivo, observacional e transversal feito com 40indivíduosdeambosossexosentre18-30anos.Os par-ticipantesforamdivididosem doisgrupos:Grupo Controle (GC),20adultosjovenssaudáveissemqueixasauditivasou alterac¸ões e sem doenc¸as sistêmicas; e Grupo de Estudo (GE),20pacientescomdiagnósticodeDMtipoI,pareados poridadeesexocomogrupocontrole.
O GC foi recrutado por meio de cartazes pendurados nas paredes da Faculdade de Medicina e de convites fei-tosàspessoasqueacompanhamospacientes,enquantoos indivíduosdoGEforamrecrutadosnoAmbulatóriode Endo-crinologiadainstituic¸ãoenvolvida.
Os critérios de exclusão para ambos os grupos foram: história de exposic¸ão contínua a níveis elevados de pres-sãosonora, históriadeotitemédiarepetidae/oucrônica, cirurgia otológica, traumatismo de osso temporal, uso
prolongadodefármacosototóxicos,perdaauditiva condu-tiva,mistaouneurossensorialdegrauleveaprofundo.
Materialeprocedimentos
Todososparticipantes foramprimeiramentesubmetidos a entrevista clínica e inspec¸ão do meato acústico externo, seguidasporavaliac¸ãoaudiológicabásicaqueconsistiaem AudiometriaTonalLimiar(ATL)(250-8000Hz), Logoaudiome-tria(PesquisadoLimiardeReconhecimentodeFala---LRFe doÍndicePercentualdeReconhecimentodeFala---IPRF)e MedidasdaImitânciaAcústica.Alogoaudiometriafoifeita sob fones de ouvidoe a viva voz.29 A imitanciometria foi feitaparadescartarqualquerdoenc¸adaorelhamédia.
Todososprocedimentosforamfeitosemcabine audiomé-trica,comaudiômetrodigitaldedoiscanais(modeloAC40, Interacoustics), fones auriculares (TDH39P,Telephonics®); um sistema de amplificac¸ão para audiometria em campo livre,alimentac¸ão110/220VoltsAC,50/60Hz,potênciadas caixasde100Wattscadaeimitanciômetro(Otoflex100,GN Resound)comfonesdeinserc¸ão(EARTone3A).
Apósaavaliac¸ãoaudiológica básicafoiaplicadooteste Lista de Sentenc¸as em Português --- LSP. O teste LSP é constituído por uma lista de 25 sentenc¸as em português brasileiro(Lista1A);setelistascom10sentenc¸ascadauma (1B a7B) e o ruído com espectro defala.28 As sentenc¸as eoruídoforamgravadosem canaisindependentesemum CDeforamexecutadasemumCDPlayerPanasonicdigital, modeloSL-SX430acopladoaoaudiômetro.Uminstrumento medidor de nível de pressão sonora digital, modelo Ins-trutherm DEC-420, foi usado para determinar o Nível de PressãoSonora(NPS)dasfrasesedosruídosemcampolivre. Paraestabelecerosparâmetrosdecalibrac¸ãodocanaldas sentenc¸as foiusadocomo referência otompuro presente naprimeirafaixadoCD,nocanalum.Oruído,porsuavez, porsetratardeumsomcontínuo,teveopróprioruídocomo referênciaparaacalibrac¸ão.Asaídadecadacanalfoi cali-bradacomoVU-meterdoaudiômetro,colocou-senonível zerotantootompuro(canal1)quantooruído(canal2).
OLSPfoipesquisadoemcampolivre,emcabina audiomé-trica,comoparticipanteposicionadoaummetrodafonte sonora,nacondic¸ão0◦azimutesemdeslocamentosnoplano horizontalouvertical.Oparticipantefoiorientadoarepetir cadasentenc¸adamaneiraqueacompreendera,logoapósa apresentac¸ão.Inicialmente,foifeitoumtreinamentopara familiarizac¸ãodoparticipantecomotesteeacompreensão dadinâmica. Osdadosdafase detreinamentonãoforam consideradosnaanálisedosresultados.
mudanc¸a notipoderespostaatéo nível deapresentac¸ão daúltimasentenc¸adalista.Paraobtenc¸ãodarelac¸ãoS/R, subtraiu-seoníveldeintensidadedeapresentac¸ãodoruído (fixoem 65 dBNA)daintensidade médiade apresentac¸ão dassentenc¸as. Dessaformaa relac¸ão S/R correspondeu à diferenc¸a,emdB,entreovalordoLRSReovalordoruído competitivo.Arelac¸ãoS/Rfoicaracterizadanasituac¸ãona qual o participante foicapaz de reconhecerem torno de 50%dassentenc¸asapresentadas.Ousodelistasdiferentes pretendeueliminarapossibilidadedemelhordesempenho devidoàmemorizac¸ãodassentenc¸as.28
Analiseestatística
Os limiares audiométricos médios foram analisados de acordo com asfrequências debanda, ouseja,L1 (250Hz a1kHz),L2(2-4kHz)eL3(6-8kHz).Aanálisedevariância (Anova)commedidasrepetidasfoiusadaparacompararos limiaresaudiométricos,oslimiaresderecepc¸ãodefalaeo índicedereconhecimentodefalaentreosdoisgrupos.
Nacomparac¸ãodasmédiasdoLimiardeReconhecimento deSentenc¸asnoSilêncio(LRSS)e doLimiarde Reconheci-mentodeSentenc¸asnoRuído(LRSR)intragruposfoiusado o teste t de Student para dados quantitativos pareados, enquantoqueparacompararasmédiasdoLRSSedoLRSR intergruposusou-seo testetdeStudentparadados inde-pendentes.Oníveldesignificânciafoifixadoem5%.
Resultados
Foramavaliados40participantes,entre18-30anos(23em média):20 diabéticostipoIe 20 saudáveisdogrupo con-trole, pareados por idade e sexo. A durac¸ão da doenc¸a foi<5anosem15%,5-15anosem55%e>15anosem30% dospacientes,respectivamente.
Todososparticipantesapresentaramlimiares audiométri-cosbilateraisnormais.29Quandooslimiaresaudiométricos, os limiares de recepc¸ão defala e o índice de reconheci-mento de falaforam comparados entreasorelhas direita e esquerda dos dois grupos, nãohouve evidência de uma diferenc¸aestatisticamentesignificativa(Anova),oque pos-sibilitouoacúmulodosresultadosparacadaorelhaemuma únicaamostra.
Não houve evidência de diferenc¸a estatística entre os limiares audiométricos, por bandas de frequências, entre ambososgrupos(250Hza1kHz,p=0,12;2-4kHz,p=0,79; e6-8kHz,p=0,89).
Ostesteslogoaudiométricosforamcompatíveisaos limi-ares da audiometria tonal limiar, fato esse esperado à medidaqueambososgruposapresentavamacuidade audi-tivanormal.29
Todososparticipantesapresentaramumacurvade timpa-nometriadotipoA,indicavamobilidadenormaldosistema timpano-ossicular.30
AmédiadoLRSS,doLRSRedarelac¸ãoS/RparaoGCfoi de25,79;49,03e-15,96dBNAeparaoGEde35,69;62,62 e-2,38dBNArespectivamente.
Houve diferenc¸a significativa (p = 0,0001) quando da comparac¸ãodasmédiasdosLRSSedoLRSR,entreoGCeo GE(figs.1e2).
50
Limiar de Reconhecimento de Sentenças no Silêncio (LRSS)
(dBSPL-A)
45
40
35
30
25
20
GC GE
Figura1 Comparac¸ãodasmédiasdoLRSSentreoGCeoGE. Nota:GrupoControle(GC);GrupodeEstudo(GE).
Limiar de Reconhecimento de Sentenças
no Ruído (LRSR) (dBSPL-A)
70
60
50
40
30
GC GE
Figura2 Comparac¸ãodasmédiasdosLRSRentreoGCeoGE. Nota:GrupoControle(GC);GrupodeEstudo(GE).
Houvediferenc¸asignificativa(p <0,0001)quando com-paradaarelac¸ãoSinal/RuídoentreoGCeoGE(fig.3).
0
–10
Razão Sinal/Ruído (S/R) (dBSPL-A)
–20
–30
GC GE
Nacomparac¸ãoentreasmédiasdosLRSSedosLRSR intra-gruposparatodososparticipantes(n=80orelhas),pormeio dotestetdeStudent,ocorreudiferenc¸asignificativa(p< 0,0001).
Discussão
Não há consenso na literatura especializada do pontode vistaaudiológicoehistopatológicoemrelac¸ãoàcorrelac¸ão deDMcomperdaauditiva,ouseja,nãoháevidência cien-tífica suficiente para caracterizar uma relac¸ão nítida de causa-efeito.
Váriosestudosinvestigaramseháperdaauditivainerente ao DM e quais os fatores poderiam ser associados a essa perdadeaudic¸ão.Osestudossãocontroversosealtamente variáveisquantoàincidênciadeperdaauditivaempacientes comdiabetes.5
Nopresenteestudonãohouvediferenc¸aentreasmédias doslimiaresauditivostonaisentreosparticipantes diabéti-coseogrupocontrole.
EmumestudosobreainfluênciadoDMIsob aaudic¸ão em adultos jovens, Doricci6 aplicou a audiometria tonal limiaremparticipanteshígidosediabéticoseencontrouum aumentoestatisticamentesignificativonamédiados limia-resaudiométricosemtodasasfrequênciaspesquisadas.
Marchiorie Gibrin31 identificaramummaiornúmerode indivíduos diabéticos com perda auditiva em comparac¸ão comindivíduossaudáveis.Noentanto,asuaamostra con-sistiuempacientesentre33-84anos,em contrastecomo presenteexemplo,queconsistiuemindivíduosjovenscom médiade23anos.
DeacordocomMaiaeCampos,5odeclíniodaacuidade auditivaemindivíduos diabéticosidosos éainda maiordo queoesperadoparaasuaidadeporcausadapresbiacusia. Quandoindivíduos jovens comDMI, com curtadurac¸ão dadoenc¸aesemmanifestac¸õesauditivasclínicasevidentes foramavaliados,verificou-sequeseuslimiarestonaiseram significativamentemaioresem altasfrequênciase parcial-mente maisaltos em frequências médias em comparac¸ão comindivíduossaudáveis.3Achadossemelhantesforam obti-dosemoutrosestudos.1---3,5,6
Henriques e Costa32 alertaram para o fato de que a obtenc¸ão dos limiares tonais e testes com palavras isola-dasnãosão suficientesparauma constatac¸ãomais ampla e fidedigna dacapacidade comunicativa deumindivíduo. Frenteaisso,édesumaimportânciaarealizac¸ãodetestes dereconhecimentodesentenc¸asnosilêncioenoruído,uma vezqueessespossibilitamaanálisedashabilidadesauditivas emsituac¸õesqueseaproximamdasexperiênciasauditivas reaisediárias.
Houve neste estudo diferenc¸a estatisticamente signifi-cativapara as médias dos LRSS,dos LRSR e das relac¸ões S/R entre os participantes com e sem DM I. Não foram encontradosna literatura consultadaestudos que tenham investigadoapercepc¸ãodafalanosilêncioe noruído em participantes diabéticos, por meio da aplicac¸ão do teste LSP.20 Testes de percepc¸ão de fala em participantes com DMIforamaplicados com palavrasmonossílabasno silên-cioe no ruído. A habilidadede percepc¸ão de fala nesses sujeitosesteve diminuída parapalavrasno silêncioe par-ticularmente,na presenc¸a doruído, em relac¸ão ao grupo
controlecomescores20%menores.33 Essesresultados cor-roboraram aimportância daanálise dapercepc¸ãode fala comruídocompetitivo,emboraousodesentenc¸assejamais apropriadocomomaterialquemaisseaproximadodiaadia dosparticipantes.
Ashabilidadesauditivasderesoluc¸ãotemporaldos indi-víduos com DMI podem ser prejudicadas e podem assim explicar comoessesindivíduos sãomenoscapazes deusar períodosrelativamenterápidosdesilêncioemmeioaruído ambienteoscilanteparacompreenderosinaldafala.33,34A diferenc¸aestatisticamentesignificativaobservadanos tes-tesdereconhecimentodesentenc¸asnosilêncioenoruído aplicadosaosparticipantescomesemDMInaausênciade queixas auditivas, perda auditiva ou ambas revela que o comprometimentodapercepc¸ãodafalaemambosos con-textos (silêncioe ruído)pode ocorrerdevido aalterac¸ões nofuncionamento dosistema auditivocentral,como uma consequência do DM. Mais estudos são necessários para investigar a percepc¸ão defala com umamensagem com-petitivaemindivíduosdiabéticos.
A diferenc¸a entre o reconhecimento de sentenc¸as na presenc¸aounãoderuído tambémfoi observadanogrupo controle.Jovensnormo-ouvintesesemqueixasclínicasde dificuldadesnacompreensãodafalapodemapresentar pre-juízos no reconhecimento dessa, nas situac¸ões em que a relac¸ãosinal/ruído(S/R)fordesfavorável.Essadificuldade podeseratribuída,emparte,aosefeitosnegativosdoruído na sincronia neural, que resulta em uma representac¸ão degradadadafalanosníveiscorticalesubcortical.35
Quandoaavaliac¸ãoocorrenoruído,aocontráriodo silên-cio,sãoexigidasdiversashabilidadesauditivasparaalcanc¸ar omesmoníveldereconhecimentodefala,oquedemonstra queinformac¸õessensoriaismaisdetalhadassãonecessárias em condic¸ões deescuta difícil.36 Mais estudossão neces-sários para elucidar a presenc¸a de comprometimento do sistema auditivo periférico e central, especialmente em relac¸ãoa possíveisdanosaoreconhecimento defala para diferentescondic¸õesdeescutaemindivíduosdiabéticos.O acompanhamentoaudiológicodeindivíduoscomDMé reco-mendado.
Conclusão
Odesempenhonoreconhecimentodefalanosilêncioena presenc¸aderuídocompetitivofoipiornosparticipantescom
diabetesmellitustipoIquandocomparadoscomos
partici-pantessemdiabetes.
Conflitos
de
interesse
Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.
Agradecimentos
BolsadaFundac¸ãodeAmparoàPesquisadoEstadodeSão Paulo(Fapesp):2012/07490-0.
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