JPediatr(RioJ).2016;92(3):220---222
www.jped.com.br
EDITORIAL
Optimizing
bone
health
in
Brazilian
teens:
using
a
population-based
survey
to
guide
targeted
interventions
to
increase
dietary
calcium
intake
夽
,
夽夽
Otimizando
a
saúde
óssea
em
adolescentes
brasileiros:
utilizac
¸ão
de
um
levantamento
de
base
populacional
para
orientar
intervenc
¸ões
direcionadas
para
aumentar
a
ingestão
alimentar
de
cálcio
Neville
H.
Golden
FaculdadedeMedicina,StanfordUniversity,PaloAlto,EstadosUnidos
O cálcio é necessário para a saúde dos ossos, func¸ão cardiovascular, conduc¸ão nervosa, contrac¸ão muscular e hemostasia. O cálcio é o mineral maisabundante encon-tradonocorpoe99%docálciototalnocorpoéencontrado noesqueleto,ondeforneceaforc¸aàmatrizsubjacentede colágeno.Duranteosurtodecrescimentonaadolescência, ademandaporcálcio éalta,tantocomrelac¸ãoao cresci-mentolongitudinalquantoaoacréscimodemassaóssea.1,2
Opicodemassaósseaéatingidopróximoaofimdasegunda décadade vidae é umaimportante variávelpreditora do futuroriscodefraturas.Osanosdeadolescênciafornecem, portanto,umabrecha deoportunidadesparaintervenc¸ões paraaprimoraraaquisic¸ãodepicodemassaóssea.
Nestaedic¸ãodoperiódico, deAssumpc¸ãoetal. exami-narama ingestão decálcio em adolescentes com relac¸ão a diversas variáveis socioeconômicas e comportamentos relacionadosà saúde.3 Em umestudo transversalde base
populacionalconduzido comcuidadoem 913adolescentes
DOIserefereaoartigo:
http://dx.doi.org/10.1016/j.jped.2016.02.002
夽 Comocitaresteartigo:GoldenNH.Optimizingbonehealthin
Brazilianteens:usingapopulation-basedsurveytoguidetargeted interventionstoincreasedietarycalciumintake.JPediatr(RioJ). 2016;92:220---2.
夽夽VerartigodedeAssumpc¸ãoetal.naspáginas251---9.
E-mail:[email protected]
residentesemCampinas,SãoPaulo,Brasil,comum recorda-tórioalimentarde24horas,osinvestigadoresdescobriram que88,6%dosadolescentestinhamumaingestãodiáriade cálcio abaixo da necessidade média estimada (EAR) para adolescentesentre9-18anos.Oconsumoeramaisbaixoem meninas,naquelescomhistóricosocioeconômicomaisbaixo e naqueles emque o chefedafamíliaapresentava menor nível deescolaridade.A baixaingestão decálcio também foiassociadaàingestãoreduzidadelaticínios,bemcomoà baixaingestãodefrutasevegetais.
Emseurelatóriode2011,oInstitutodeMedicina(IOM) estabeleceu a EAR, a ingestão diária recomendada (IDR) e os níveis máximos de ingestão toleráveis (UL) como 1.100mg/dia, 1.300mg/dia e 3.000mg/dia, respectiva-mente, paraadolescentes dossexos masculinoe feminino na faixa de 9 a 18 anos.4 Essas recomendac¸ões tiveram
comobaseestudosdeequilíbriodecálcionometabolismo, bem como estudos de acúmulo mineral ósseo com o uso de absorciometria com raios X de dupla energia e téc-nicas semelhantes.5 A EAR é a ingestão média diária de
nutrientesestimadadeformaaatenderàsnecessidadesde metadedosindivíduosdessafaixaetária.AEARreflete,na verdade, a exigência mediana estimadae, como tal, por definic¸ão,aEARémenordoqueasnecessidadesdemetade dapopulac¸ão.Em contrapartida,aIDRrepresentaa inges-tãodiáriadecálcioque atendeàsexigências de97,5%da populac¸ão.Deacordocomorelatóriode2011doInstituto deMedicina,aIDRdecálcioparaadolescentesde8-19anosé
OptimizingbonehealthinBrazilianteens 221
de1.300mg/dia.4AousaraIDRemvezdaEAR,aprevalência
dabaixaingestãodecálcioseriaaindamaior.
Asprincipaisfontesdeingestãodecálciosãolaticínios, vegetais folhosos de cor verde-escuro, legumes, nozes e algunstipos de peixe,como sardinhae salmão. Nos Esta-dos Unidos,70%do cálciona dieta provêmdelaticíniose osvegetaiscontribuemapenascom7%.6Cadaporc¸ãode8
oz.(240mL)deleiteouxícaradeiogurteeumaporc¸ãode 1,5 oz.de queijo branco contém 300mg decálcio. Tanto noBrasilquantonosEstadosUnidos,ocálciotambémestá disponívelemalgumasbebidasecereaisenriquecidoscom cálcio.Abiodisponibilidadedecálcioemvegetaisfolhosos decorverde-escuro normalmenteé alta,porém a quanti-dade devegetaisnecessáriaparaatender àsnecessidades égrande.Combasenasrecomendac¸õesdoIOM,os adoles-centesprecisamdequatroporc¸õesdelaticíniosoualimentos enriquecidoscomcálciopordia.AAcademiaAmericanade Pediatria recomenda que os pediatras avaliem periodica-menteaingestãodecálcioduranteosanosdecrescimentoe incentivemaingestãomaiorparaaumentaraquantidadede laticíniosouincorporaralimentosenriquecidoscomcálcio nadieta.7
Embora alguns estudos tenham demonstrado que a suplementac¸ão de cálcio em crianc¸as e adolescentes aumenta a densidade mineral óssea,8,9 uma metanálise
recentedeensaioscontroladosrandomizadosconstatouque asuplementac¸ãodecálcioresultouapenasemumaumento marginal da densidademineral óssea e concluiu que esse pequeno aumento provavelmente não resultará em uma reduc¸ão clinicamente significativa do risco de fraturas.10
Portanto,asuplementac¸ãodecálcioderotinanãoé reco-mendada,porémoconsumo alimentarmaiordealimentos ricos em cálcio é recomendado para atingir os níveis de ingestãorecomendados.7
Como de Assumpc¸ão et al. demonstraram, não é fácil atingir a ingestão alimentar recomendada de cálcio. Os achados doestudobrasileirosão semelhantesàquelesdos EstadosUnidosquenormalmente mostrammenoringestão de cálcio em meninas e consumo alimentar reduzido em todososadolescentes,masprincipalmenteemmeninas.11,12
Nãorelatadonesseestudo,tantonosEstadosUnidosquanto noBrasiloconsumoderefrigerantesebebidasac¸ucaradas por adolescentes aumentou, ao passo que o consumo de leitediminuiu.Issosugerequeosrefrigerantessubstituíram oslaticíniosnessafaixaetária.11---13 Algumasadolescentes,
conscientesdaspreocupac¸õescomaimagemcorporal, con-sideramincorretamentequelaticíniosengordametendem aevitá-los.Umcopodeleitedesnatadode8oz.nãocontém gordura,tem80kcaleéumaboafontedeproteínae vita-minaD.Emcontrapartida,umalataderefrigerantecontém 140kcal eé desprovidadeoutrosnutrientes.Ospediatras podemdesempenharumimportantepapel ao educarseus pacientesedissiparanoc¸ãodequelaticíniosengordam.
NoestudodedeAssumpc¸ãoetal.,osachadosdoimpacto daclasse socioeconômica e daescolaridade dos pais ofe-recemdadosadicionaissobreacomplexidadedasituac¸ão. Os laticínios podem ser mais caros do que as fast foods
dealtoteor calóricopreferidas pormuitosadolescentese alimentos enriquecidoscom cálcio podem custar mais do que alimentosnão enriquecidoscom cálcio, o que coloca umacarga adicional em pessoas de grupos socioeconômi-cos mais baixos, que poderão ter inseguranc¸a alimentar.
Oestudo dedeAssumpc¸ãoetal. fornecedadosricos que oferecemoportunidadesparaintervenc¸ãodirigida. Inques-tionavelmente,amelhoria nascondic¸õessocioeconômicas éimportante,masissonemsempreéfacilmentealcanc¸ado casoosrecursossejamlimitados.Contudo,asintervenc¸ões naeducac¸ãonutricionalpodemdesempenharoimportante papeldeaumentaroconsumodecálcioporadolescentes. Essasintervenc¸ões podemser na formade campanhasde saúdepúblicasobreaimportânciadebeberleiteelaticínios, garantiadadisponibilidadedeleiteelaticínios,limitac¸ãoà facilidadedeacesso a refrigerantese bebidas ac¸ucaradas nosalmoc¸osescolareseintervenc¸õesnaeducac¸ão nutricio-nalnasaladeaula.Essasintervenc¸õesseprovarameficazes noaumentodaingestãoalimentardecálcioemadolescentes quevivememdiversospaíses.14---17
OsachadosdoestudodedeAssumpc¸ãoetal.demonstram queaingestãoinadequadadecálcioemadolescentesé asso-ciadaaoutroscomportamentosdealtorisco,comofumoe ingestãoinadequadade outrosalimentossaudáveis,como frutaseverduras.Aslic¸õesaprendidasdoestudopodem ori-entarintervenc¸õesdirigidasàquelesemmaiorriscoeindicar queasintervenc¸õesdevemabordarvárioscomportamentos deriscoàsaúde.
Conflitos
de
interesse
Oautordeclaranãohaverconflitosdeinteresse.
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