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Cad. Saúde Pública vol.13 número1

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Academic year: 2018

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Cad . Saúd e Púb l., Rio d e Jane iro , 13 (1):14 5 -15 5 , jan-mar, 19 9 7

Uma conversa

com Frederico Simões Barbosa

A c o nve rsatio n

with Fre d e ric o Simõ e s Barb o sa

1 Escola N a cion al de Saú d e P ú b l i c a , Fu n da çã o Os w a l d o C r u z , R u a Le op old o Bu l h õ e s 1 4 8 0 , R io d e Ja n e i ro, R J 2 1 0 4 1 - 2 1 0 , Bra s i l .

Ca rlos E. A . C o i m b ra Jr.1 A h ist ór ia d a saú d e p ú b lic a e d a ep id e m iolo gia n o Bra sil está in t im

am en te ligada ao d esen volviam en to das in vestigações sob re as gran d es en d em ias in fectop ara s i t á ri a s. Fre d e rico Ad olfo Sim ões Barbosa é um im p o rtan te p erson agem n a con strução deste cam po do saber n o p aís. Te n -d o in icia-d o suas ativi-da-des -de p esq u isa n a -d éca-da -d e 40, foi u m -d os p ri-m e i ros a con d uzir estu dos epid eri-m iológicos d e lon ga d u ração n o Bra s i l , seu n om e estan do estreitam en te associado à con solidação da ep idem io-logia com o cam p o d e in ve s t i g a ç ã o, tan to n a a cad em ia com o n os ser v i-ços d e saú d e p ú b lica.

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De n t re os tópicos d e in vestigação sob re os q u ais se debruçou, desta-c am -se os e stu d os so b re e p id em iologia d a e sq u istossom ose. Qu a n d o in iciou su as p esq u isas, h avia p ou ca c lareza ac erc a d a d ete r m in açã o e n o m e n c l a t u ra das espécies de m oluscos ve t o ras; a esqu istossom ose n ão h avia ain da sid o tam p ouco recon h ecida com o u m a en dem ia im p ort a n t e n o Brasil. Neste sen tid o, as con tr ib u iç ões d e F. S. Bar b osa ao con hec i-m en to d os ve t o re s, d in âi-m ica d e tra n s i-m i s s ã o, ep id ei-m iologia e estra t é-gias de c o n t role d a esq uistossom ose foram decisiva s.

Co m o ep id em iólogo, su a ên fase foi sem p re n o cam p o, n a p esq u isa realizad a n a/ co m a c om u n id ade. Neste toca n te tam b ém fo i u m in ova-dor pois, em u m a época qu an do a m aior p arte d os estudos era re a l i z a d a com p acien tes em con textos clín icosh osp italare s, F. S. Barb osa d esen -vo l veu estu d os de lon ga d u ração a n ível com u n itári o. Os artigos q u e re-s u l t a ram dere-sre-sare-s in vere-stigaçõere-s p erm i t i ram um n ovo olh ar re-sob re a ere-squ ire-s- is-t o s s o m o s e, d im e n sion an do o rea l p eso d esis-ta p arasiis-tose n a d eis-term i n ção d os p er fis d e m orb i- m or talid ad e n as p op u lações e lan çan d o as b a-ses p ara os trabalh os d e p articip ação pop u lar n o con trole d e en dem ias.

F. S. Barb osa p ub licou cerca d e 220 artigos em revistas cien tíficas n a-cio n ais e e st ra n g e i ra s, vá rios cap ít u lo s d e livro em o b ra s ed itad a s n o Brasil e n o ext eri o r, a lé m d e trê s livro s e in ú m er os re l a t ó rios té cn icos. Em recon h ec im en to a seu t ra b a l h o, r eceb eu vár ias h on ra ri a s, com o a Medalha Cu l t u ral Pirajá da Si l va, Professor Hon oris Ca u s apela Un i ve r s

i-d ai-d e i-d e Brasília e p ela Escola Nacion al i-de Saúi-d e Pú blica, além i-d e ter ti-do du as espécies de in setos e outra de trem atódeo n om eadas em su a ho-m en ageho-m : Cu l ic o ides ba rbosai(Wi rth & Blan ton , 1956), Sep ed on ea ba r-b o s a i (Kn u t so n & Bre d t, 1976) e E c h i n o st om a ba rbosa i (Lie & Ba s h ,

1 9 6 6 ) .

Nesta en trevista n ão tive a in ten ção d e ser exau stivo n o q ue se re f e re à cobert u ra d a vida e d a obra d e Fre d e rico Sim ões Barbosa. Pro c u rei en -focar algu n s p eríod os d e su a form ação qu e con sid erei p art i c u l a rm e n t e re l e van tes p ara com p reen d er su a tra j e t ó r ia in t electu al e, obv i a m e n t e, em sua p rod ução cien tífica, p rin cip alm en te n o q ue se re f e re aos seus es-tu d os em ep id em iologia da esq u istossom ose. A en trevista foi re a l i z a d a em du as etap as (m aio e jun ho de 1996) em seu apartam en to em Boa Vi a-gem , Re c i f e.

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C o i m b r a Fa le-n os u m p ou c o sob re o in íc io

d e su a car re i ra, su a o p çã o p ela m ed ic in a e d e sua vid a estu d an til.

B a r b o s a Eu m e form ei em 1938, com 22 a n o s,

e n essa ép oca ain da n ão existia a un ive r s i d a d e. O q u e tín h am os era a Fac u ld a d e d e Me d i c i n a d o Re c i f e , u m a in stitu iç ão p ri vad a c om p osta d e p ro f e s s o re s selecio n ad os n o p ró p rio m eio p e rn a m b u c a n o. Era u m a faculdad e q ue d isp u -n h a de p oucos re c u r s o s, -n a qu al os estu d a-n tes p a g a vam um taxa (n ão a exorb itân cia d e h oje) e os p ro f e s s o r es gan h avam m u ito p ou co. Esta faculdad e tin h a a área clín ica b em desen vo l v i-da, de for m ação alem ã e fran cesa. Min ha d ecisão d e estu d ar m ed icin a foi m ais p o r in fluên -cia p atern a. Meu p ai e m eu avô foram gra n d e s c l í n i c o s. In tim a m en te eu sab ia q ue n ão t in ha vocação p ara a clín ica m éd ica e p reten dia faze r ciê n cias b iológicas, qu e n a ép o ca se ch am a va h i s t ó ria n atu ral. Co n t u d o, m eu p ai n ão con cord ou co m m in h a icord a p ara São Pau lo p a ra estu d ar b io logia e eu en tão acab ei estu d an d o m e -d icin a, m as se m p re c om u m a visão b ioló gica d os fe n ô m en os. Segu i en tã o a ca rre i ra, t ra b a-lh a n d o n o lab or a t ó rio d e an álise s c lín icas d o Hosp ita l d o Ce n t e n á ri o, criad o p or m eu p a i, e q u e h oje p er ten ce ao In stitu to d e Pre v i d ê n c i a d os Se rv i d o res d o Estad o. Foi a form a qu e en -c o n t rei p ara es-cap ar da -clín i-ca, q u e eu a-chava e n t e d i a n t e.

C Com o era o am bien te aca dêm ico em Re c

i-fe? Qu e estím u los h avia p a ra u m estud an te d e m ed icin a segu ir carre i ra cien tífica?

B Co n t á vam os c om p o u cos rec u rsos e n ão ha via u m am b ien te ac ad êm ico p ro p ri a m e n t e d i t o. Tam p ouco havia estím ulos p ara qu e se se-gu isse c arre i r a cie n tífica. Co m igo a co n tec eu u m fato fortu ito q u e m arcou m in h a vid a. Foi a vin d a de Sam u el Pessôa a Recife p ara m in istra r um curso de p arasitologia m éd ica. Isto acon te-ceu a n te s d e eu m e fo rm a r, em 1936. O cu rso foi excelen te e, p ela p ri m e i ra vez, tive um con -tato realm en te ín tim o com o p rofessor Sa m u e l Pessô a. Su a visita fo i m u ito im p ortan te e logo com eçam os a tra b a l h a r. Fun d am os en tão a So-cied ad e Pe rn am b ucan a d e Biologia, m uito p e-q u en a, c on gregan d o estu d an tes e p r o f e s s o re s j ove n s, e for m am os um p eq u en o gr u p o p ara t rab alh ar em p arasito logia. Nessa é p oca, c h egam o s a p u b lica r a lgu n s a rt i g o s, eu a in d a co -m o estu dan te.

C Com o foi su a vivên cia com Sam uel Pessôa? B Sam u el era u m a p essoa extrem am en te ext rove rextid a, extin h a um carism a fan extásextico e con -d u zia o t ra b alho c o m m u it a lib er-d a -d e -d en t ro do lab ora t ó ri o. Era um s c h ol a rde fato. Ele foi o

f o rm ador de um a Escola, u m a figu ra re a l m e n t e e x t ra o rd i n á ri a .

C An t es d essa visit a d e Sa m u el Pessôa h avia

algu m trab alh o d e p esq u isa n a Faculd ad e q u e con tem p lasse a p arasitologia ou foi a vin da de-le q u e realm en te estim u lou o in ício d esses es-tudos em Pe rn a m b u c o ?

B Fo i a vin d a d e Sa m u el, p o rq u e a á rea d e

ciên cias básicas n a Facu ldade era m uito p ob re. Havia o labora t ó rio de an atom ia p atológica d o p r ofessor Agge u Magalh ã es q u e fazia a lgu n s t rab alhos em p atologia de doen ças en dêm icas, com o a esqu istossom ose. Era talvez o ú n ico la-b o ra t ó rio m ais ativo em p esqu isa, ten d o com o assisten tes Ba r ros Co e l h o, Aggeu Magalh ães Fi-lho e ou tro s. Mas foi Sa m u el Pessô a qu em m e d e s p e r tou p ara a p arasitologia. Esta im por t a n -te in iciativa p artiu do p r ofessor Argên io Ta va-re s, ciru rg i ã o, qu e, com o am igo d e Sam uel Pe ssôa , foi q ue m p ro m oveu su a vin d a . Foi ta m -b ém o p rofessor Ta va res q uem con seguiu com Assis Ch at eau b r ian d , d os Di á r ios Assoc iad os, b olsas d e estu dos em São Pau lo p ara seis estu -d an tes p ern a m b u can os se esp ecializarem n os d i f e ren tes c am p os d a s ciên cia s b ásica s. Lem -b ro -m e a in d a d e a lgu n s n om es q ue, alé m d e m im , p art i c i p a ram d esse trein a m en to : W l a d i-m ir Lob ato Pa ra e n s e, Du r va l Lu cen a e ou tro s. D estes seis, ap en as e u e Du r va l re t o r n am os à Re c i f e. Pa ra m im foram dois an os d e m u ito tra-b a lh o em Sã o Pa u l o, e st u d a n d o p ara s i t o l o g i a sob a orien tação de Sam uel Pessôa e m icologia sob Fl o r ian o d e Alm e id a . Um d o s p ed id os d a Faculd ad e foi de que eu tam b ém fizesse um es-tágio em m icologia p ois, n esta ép oca, n ão ha-via n e n h u m m ic ologista em Re c i f e. En tã o e u assu m i este com p ro m i s s o. Ap esar d e ter ficad o m ais te m p o n a p a ra sito lo gia, m eu s p r i m e i ro s t rab alh os d e in vestigação acab aram sen do em m icologia. Ao re t o rn ar a Recife fui m u ito solici-tado n o sen tid o d e p restar serviços à d erm a t o-logia. Mon tei u m la b ora t ó rio d e m ic ologia n a Facu ld ade d e Med icin a e da va ap oio à derm a-to logia, n a ép oca com o p rofessor Jo rge Lob o, q ue d esc re veu a b last om icose q u eloid ia n a o u l o b o m i c o s e. Du ran t e esse p e r íod o c h egu ei a p u b licar algu n s trab a lh o s em m ico logia e e m en to m ologia . Era o qu e eu p od ia fazer n a oca-sião fa ce à falta d e estru t u ra , d e rec u rsos e d e am bien te m esm o.

C De n t re seu s trab alh os em m ico logia, q u al

t e ve m ais im p acto?

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Ap roveitei essa ép o c a p a ra cu rsar, d u ran t e as f é rias d e ve r ã o, um cu rso de lim n ologia e ou tro d e en to m o logia n a est aç ã o b io lógic a d a Un iver sity o f Mich iga n , p róxim a ao s Gran d es La -g o s. Qu an do voltei ao Brasil a d itad u ra d e Ge-túlio já agon izava e fu i trab alh ar com o p ro f e s-sor assisten te d e p arasitologia n a Faculdade de Medicin a, on d e tam bém e n sin ava m icologia.

C Um fato qu e cham a a aten ção em su a tra j

e-t ó ria é a su a p ro d u ç ã o. O sen hor pu blicou m u i-tos artigos du r an te esse p eríod o, a p esar d e jo-vem . Co m o era a q ue stão d o "p u b lic ar" n essa é p o c a ?

B É d ifícil dize r. Eu tin h a um a in clin ação p ara a p rod u ção in telect u al, n a á rea d a p ar a s i t o l o-gia qu e foi m u ito estim ulada pelo grupo do Sa-m u el Pessôa. É ve rd ad e q u e, n aq uela é p o ca, p oucos pe sq uisadores p ublicavam com re g u l a-ri d a d e. Não h avia estím u lo fin an ceiro ou p re s-são de q ualq uer n atu reza. Por ou tro lad o, as li-m itações fin an ceiras qu e li-m arc a rali-m o in ício d a m in h a carre i ra fize ram com que eu m e lim itas-se m ais à sistem ática, ap esar d e n un ca ter sido m u ito am igo d esse tip o d e tra b a l h o. Mas a ca-bei trab alh an d o n a sistem ática d e fu n gos e de i n s e t o s. Este tip o de m aterial estava m ais facil-m e n te a o a lc an ce d e facil-m in h as facil-m ão s e eu n ão p re c i s a va d e m aiores recur sos ou eq u ip am en -tos p ara estu dá-lo. Os trabalh os de cam p o aca-b a vam sen do aca-b an cados com m eus p róp rios re-c u r s o s. Viajei m uito ao in terior para re-coletar Cu

-l ic o id e s, gên ero d e Ce ra t o p o g o n í d e o s, e re c e-bia tam b ém m aterial d e outros p esq uisad ore s. Havia m uito in terc â m b i o. Aqu i m esm o em Bo a Viagem , p ró xim o a m in h a atu al resid ên cia , eu m o n tei arm ad ilh a s em algun s m a n gu es, q u e hoje n ão m a is existem , e as vistori a va m en sal-m e n t e. Foi sal-m eu p ri sal-m e i ro estu do de p opu lação. Os resu ltados desses estu dos foram p u blicados em um a revista local de m odo q ue n ão tive ra m m uita re p e rc u s s ã o. Ma s, com o q uem tra b a l h a-va com Cu l ic o id e sf o rm a va u m gr u p o m u ito

p e q u e n o, o in te rcâm b io e ra in t en so e h a via m u it a troca d e sep ara t a s. Nessa ép oc a a tro c a de sep a ratas era m u ito im p ort a n t e.

C Vê-se n a su a b ib liogra fia u m salt o m e io

a b ru p to en tre o q ue se p od eria cham ar d e p rim e i ra fase, d orim in a d a p e la rim ic olo gia e e n to -m o logia -m éd ica , e se gu n d a fa se, d ed ica d a à m alacologia m éd ic a, e q u e o en cam in h ou aos estud os so b re e p id em iologia d a esq u isto sso -m o s e. Essa tran sição coin cide co-m su a id a p a-ra o en t ão re c é m - c r iad o Ce n t ro d e Pe s q u i s a s Aggeu Ma g a l h ã e s. Fale-n os u m p ouco sob re es-se m om en to.

m o t i vad o a p artir de u m a situação d e con flito q u e existiu en tre Fl o ria n o d e Alm eid a, d e Sã o Pa u l o, e Olym p io d a Fon seca , do In stitu to Os-wald o Cru z, n o Rio de Ja n e i ro. Nessa ép oca h a-via m u ita con fu são com resp eito à sistem ática d est es fu n gos, e Olym p io d a Fon seca p re t e n -d eu cr ia r u m n ovo gên e ro – Lu tz i o m yc e s. Os t rabalh os d e Fl o rian o de Alm eid a foram fun d a-m en ta is p a ra d ete r a-m in ar a esp ec ificid ad e d o fu n go d a p ara c o c c i d i o i d o m i c o s e, d ist in gu in -d o-o -dos agen tes etiológicos -da coccdiodom i-cose e d a b la st om ic ose n o rt e - a m e r ic an a . Eu en tão tom ei a p osiç ão de Fl o rian o de Alm eid a e p u bliq uei u m artigo que ajud ou a com p re e n -d er a q u estão -d a n o m en clatu ra -d este fun go, d efe n d en d o a va lid ad e d o gên e ro Pa ra c o cc i

-d i o i-d e se d em on stran d o o equ ívoco d o p ro f e

s-sor Olym p io da Fo n s e c a .

C Com o o clim a p olítico dessa ép oca in flu en

-ciou seu tra b a l h o ?

B Há fatos p essoais q ue m e leva ram a sair d e

Pe rn am b u c o e q u e in flu íram sob r e os ru m o s d e m in h a atu ação p rofission al. Nos an os 30 ti-vem os a d itad u ra d e Ge t ú l i o, t ão san gre n t a q u an t o a segu n d a d ita d u ra oco rr id a n o p aís, n os an os 60. Nós, estud an tes, fizem os um a re a-ç ão m u ito gran d e e eu fiq u ei em evid ên c ia, p o rq ue m eu p ai foi m u ito visad o d u ran te esse t em p o p ela d it ad ur a lo ca l, e n ca b eç ad a p or Agam en on Ma g a l h ã e s, ir m ão d e Aggeu Ma g a-lhães qu e, p or sin al, n ão se d avam m u ito bem . As p er segu ições fo ra m m u it o gra n d e s, e m e u p ai ch ego u a ser p reso d u ra n te u m a sem an a , vin do a ser lib erado graças a in ju n ções de am i-g o s. Em virt u d e d e sse s a co n te cim e n tos, eu e m eu irm ão tivem os de sair de Pe rn a m b u c o. Eu sai an te s d e m e for m a r, em 1938. Po s t e ri o r -m e n t e, tive de voltar escon did o a Pe rn a -m b u c o p a ra m e form a r. Em 24 horas con segui fazer os exam es fin ais e, n a secre t a ria d a Fa c u l d a d e, co-lei grau . Feito isso, voltei im ed iatam en te a São Pa u l o, já com a b olsa o ferec id a p elo s Di á ri o s A s s o c i a d o s.

C Quan do o sen h or re t o rn ou a Re c i f e ? B Até o fim d o gove rn o d e Agam e n o n Ma g a-lh ãe s fiq u ei e n tre o Rio e São Pa u l o. Co m a 2a

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B Meu in te resse p ela esq u ist ossom ose d eu

-se a p ar tir d a cr ia çã o d o Ce n t ro d e Pe s q u i s a s Aggeu Ma g a l h ã e s, em 1950. Este cen tro foi fu n -dad o p elo con h ecido san itarista Am ílcar Ba rc a Pellon q u e, n o in ício dos an os 40, re a l i zou u m t rab alh o m on u m en t al p ar a a q u ela ép oca – o exam e cop ro p a rasitológic o d e qu ase m eio m ilh ão d e p essoas – qu e trou xe im p or tan te con -t rib u iç ão ao e s-t u d o d a esq u is-t osso m o se n o Bra s i l2. Pela p ri m e i ra vez d eterm in ou -se a

ex-ten sã o d a área en d êm ica d a esqu isto ssom ose n o p aís, ten d o sid o re veladas taxas de in fecção qu e su rp re e n d e ram o m un d o da saúde p úb lica d a é p o c a. A p a rtir d a p u b licaç ão d este t ra b a -l h o, Ba rca Pe-l-lon con seguiu verbas p ara a con s-t ru ção d o p ri m e i r o cen s-t r o d e p e sq u isas em d oen ças en d êm icas do p aís, a ser in stalado em Re c i f e.

Ba rca Pellon e Aggeu Magalhães eram m ui-to am igos e, p ossive l m e n t e, este últim o vir ia a se r o p ri m e i r o d iret or d o Ce n t ro, caso n ã o ti-vesse falecid o p ouco an tes do térm in o da obra . Com isso fu i in d icado p ara d irigir o Ce n t ro, n ão sei b em p or qu e, m as creio q ue p o r in flu ên cia do san itar ista p ern am b u can o Gi l b e rto d a Co s-ta Ca r va l h o. Ha via u m p ro b lem a , n o en t an to, co m relaç ão à m in h a in d icação p ara este c ar-g o. Eu n ão era p essoa b en q u ista p or c au sa d e m in h as p osições políticas, p art i c u l a rm en te n o qu e se re f e r ia ao gove rn o d e Agam en on Ma g a-l h ã e s. Na ép oca, o gove rn ad or e ra Barb osa Li-m a So b r in h o q u e, ap esar d e t er sid o ap oiad o p or Agam en on , sem p re fora u m a p essoa in d e-p e n d e n t e, com o ain d a o é até o s d ias d e h oje. O gove rn o fed eral n ã o n om eava sem con sulta aos p olíticos locais, m as Lim a So b rin ho ap oiou m in h a in dicação.

Foi p or isso qu e m ud ei d e ra m o, p ois o ob -j e t i vo do Ce n t ro, segun do Ba rca Pellon , era cla-ro, n o sen tid o d e e st u d a r a s en d em ias re g i n a i s, com p articu lar aten ção à esqu istossom o-s e. Tr a t a va -o-se d o q ue p o d er íam oo-s ch am a r d e um c en tro d e p esq u isas a p lic ad as. Co m o, a p a rtir do trab alho d e Ba rca Pellon , a esqu istosso m ose h a via saíd o vito rio sa, c on c en t ra m o -n os -n esta e-n dem ia. Eu -n ão ti-n h a -n e-n h um a ex-p e riê n cia com esq u istosso m o se. Na ve rd a d e, p ou co se con h ecia sobre a esqu istossom ose n a ép oca, in clu sive n o qu e se re f e ria ao p arasita e às esp écies d e tra n s m i s s o re s. Havia p oucos tra-b alh os p u tra-b licad os n o Brasil, destacan do-se os d e Lu tz, q u e re a l i zo u estu d os sob re p la n o rb í-d e o s, ten í-do in clu sive visitaí-d o o n orí-d este e re a-liza d o coleta s de ca ra m u j o s. Co n t u d o, a siste-m ática era ain da basead a n a con ch a e as esp écies ve t o ras esta vam m al d efin id as. Co n h e c i a -se m u ito p o u co sob re an atom ia in tern a, m or-fo logia, b io logia e ec olo gia d e sses m olu sc os.

Re s o l vem os q u e p a rt iría m os d o in íc io, e st u -d an -do o caram u jo e o p ara s i t a .

C No que se re f e re à epid em iologia da esqu

is-t o s s o m o s e, er a p r i o rid a d e n a é p o ca o esis-tu d o taxion ôm ico dos p lan orb íd eos?

B Sim , p ois d e fat o n ós d esc on h ecía m o s o s ve t o re s, in clu sive su a n om en clatura. Eu com e-cei a p ar tir da í e, se você revir m eu s tra b a l h o s, ver á q ue com ecei co m a sist em á tic a, d ep ois p a ssei p ara a biologia , a ecologia d e m o lu sc os e só d ep ois in iciei os estu d os d e ep id em iologia p ro p riam en te ditos.

C Mais ou m en os n e ssa ép o ca co m eçaram a s u rgir vá rios tra b alhos em taxion om ia d e p la-n o r b í d e o s, h a vela-n d o ila-n clu sive ce r ta p o lêm ica e n t re os m a lac olo gist as. Co m o foi a evo l u ç ã o d esses tra b a l h o s ?

B Eu n ão m e d efin o com o u m a taxion om ista,

n em n u n ca fu i u m m orfologista p ro p ri a m e n t e d i t o. Com o d isse, en trei n este cam p o m ais p elo c o m p rom isso qu e assu m i n o Ce n t ro e n ão p o-d ia o-deixar o-d e fazer sistem ática o-de m olu scos. Al-gun s an os dep ois en tra va em cen a com o m ala-cologista o Dr. Wlad im ir Lob ato Pa ra e n s e, q ue f ez estu d os m in u ciosos n esse cam p o, e eu en -tão m e sen ti, gra d a t i va m e n t e, d esligad o d essa á rea , p od e n d o d ed icar-m e a ou tros a sp ec to s q u e m e in tere s s a vam m ais com o, por exem p lo, o s est u d os sob re p oten cia l d e tr an sm issão d e m olu sco s d e d ifere n tes regiões d o Brasil e d e o u t ros p aíses d a Am érica Latin a (Cu b a, Chile, Pa ragu ai, etc.). Nessa ép oca, p ar ticip ei d e d ois estud os fin an ciad os pela OPAS e qu e con tara m c om a c olab o ração d e Lou is Olivier e Ch arl e s D o b ro l vo n y. Fo i q u a n d o c om eçam o s a tra b a-lh ar co m m olu sc icid as q u e, n a q u ela ép oc a , e ram t id o s co m o o m eio m a is im p or tan te d e c o n t ro le d a e sq u isto ssom ose. Olivie r era u m ecólogo e, ju n tos, p u b lic am os d iversos art i g o s s o b re ecologia dos ve t o res da e s q u i s t o s s o m o s e.

C De n t re se us e stu d o s so b re a b iolo gia d e

m olu sco s aq u át icos, são m u ito c it ad as su as o b s e r vações sob re a d orm ên c ia d o caram ujo e d e sua capacid ade d e m an ter a in fecção den tre a s m ais im p or tan tes d e sta sé rie d e in ve s t i g a-ç õ e s3. Fale-n os m ais sob re estes tra b a l h o s.

B A ve rdad e é q ue sem p re ch am ou n os aten

-ç ã o a c a p a c id ad e q u e estes m o lu scos tin h a m p a ra sobre v i ver fora d 'á gua. Algu n s ch egava m a so b re v i ver p or 3-4 m eses n esta s c on d ições, tan to n o cam p o com o n o labora t ó ri o. Im a g i n a-m os en tão o q u e p od er ia ocorrer coa-m os cara-m u jos in fectados sob con d ições de d essecação. Ve rificam os que as fases larv á rias do S c h i st os o

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s-Cad. Saúd e Púb l., Rio d e Jane iro , 1 3(1 ): 14 5 -15 5 , jan-mar, 19 9 7

d ic in a Tr op ical n aq u ela c id ad e, on d e h a via u m a co leç ão d e m olu sco s vivo s. Co m o to d o m a l a c ó l o g o, tam bém tin h a a vaid ad e de ter em m in h a co leção esp écim en s d e ou t ra s re g i õ e s. Era a Bi o m p h al aria p feifferiqu e eu ain d a n ão tin h a. Pedi en tão ao d iretor d o in stituto algun s e x e m p l a res d esta esp éc ie e fu i p r o n t a m e n t e a t e n d i d o. Ele en tão disse que, há p ou cas sem a-n a s, tam bém havia p assado pelo ia-n stituto o Dr. Pa ra e n s e, q u e p ed iu u m a am ostra d o m esm o m o l u s c o. Com o n ão tin h a o in teresse im ed iato em e stud á-los, apen as queria ter u m a p equ en a c ri a ç ã o, d e ixe i-o s d e la d o e só m e in tere s s e i realm en te p or eles qu an do saiu p u b licado u m a rtigo de Lobato colocan d o esta esp écie em si-n osi-n ím ia d e Bi o m p h al aria stra m i n e a, sob a de-sign ação d e Tap hiu s p feifferi. O trabalho estava m u ito bem feito, d em on stran do um a id en tid a-de m orfológica en tre os d ois e tam b ém o in terc r u za m e n to tercom a p r od u ç ão d e h íb rid o s fé r -t e i s. No en -tan -to, ac h ei -tu d o m u i-to es-tr an h o e su sp eitei d a p ossib ilid ad e d e q u e p u d esse t er havido m istu ra aciden tal das d uas esp écies n os a q u á rios do lab ora t ó rio de m alacologia em Lisb oa. Man d ei en tã o Lisb u sc ar n a África exem p la -res d e B . p f e i f f e r io b tid o s n os m esm o s loc a is

on d e a esp écie havia sido d escrita p ela p ri m e i-ra ve z. Ao e xa m in á-los, c o n state i q ue ei-ra m com p let am en t e d iferen t es d e B . s t ra m i n e ae n ão c ru z a vam . Pu b liq u e i en t ão u m tr a b a l h o co n testa n d o o a rt igo d e Pa raen se e im agin o que isto deva ter p rod uzido u m cer to d esap on -tam en to n ele6.

Ou t ra gran de disp u ta foi gerad a a p ar tir de u m trab alh o d e gr u p o, en vo l ven d o p arc e ri a com vários m alacólogos estra n g e i ro s, e qu e ti-n h a c om o o b je tivo colo car o rd em ti-n a eti-n t ão con fusa sistem ática d a fam ília Pl a n o r b i d a e. Sa-bíam os qu e Trop ic o rb i se Au st ra l o rb i sn ão p

o-d e riam se m an ter com o gên eros o-difere n t e s. De rep en te Lob ato p u blicou um trabalh o re i n v i d i-can d o a u n ificação d estes gên eros sob o gên e-ro Tap h i u s. Era u m a d ec isão qu e n ão p od e ri a

ter sido tom ad a isoladam en te, p or se r d e m u i-to p eso in ter n acion al. Passei en tão 30 dia s em L o n d res trabalhan do n a coleção do Museu Brt â n i c o, ac om p a n h a d o p o r C. Wrigh Brt, e xa m i-n ai-n d o os tip os e tod a a litera t u ra. Co i-n c l u í m o s qu e ou tros n om es eram n a ve rd ad e m ais an ti-gos d o qu e Tap h i u se qu e p oderiam ser

utilizados p ara ab ran ger este gru p o de m oluscos. Pu b licam os en tão u m tra b alh o – eu , Wrigh t, Hu -b en d ic k e Malek – con testa n d o o gên ero Ta

-p h i u se p rop on do Bi o m p h al ar i a(q ue n ão era o

n om e m ais an tigo) com o ú n ico gên ero de m luscos p lan orbídeos ve t o res da esquistossom o-se m an sôn ica, tan to n a África com o n as Am éri-c a s, e q u e até en tão vin ham sen do design ad os so d e d iap au sa ou d orm ên cia , isto é, ve ri f i c a

-va- se u m a p arad a d e crescim en to d o p ara s i t a d e n t ro d o m olu sco. No c am p o isso oco rria d a m esm a m an e ir a. Ca ra m u jos d e ssec ad os en -c o n t rad o s so b o solo, q ua n d o -co lo -cad o s e m águ a, ap ós algu n s d ias, elim in avam cerc á ri a s.

C No ca m p o d a ec olo gia, fo i o se u tr a b a l h o

re alizad o n a p er i f e ria d e Re c i f e4o p r i m e i ro a t ratar da com p etição en tre esp écies do gên ero

Bi o m p h al ar i a?

B Sim , essa foi a p r i m e i ra ob ser vaç ão sob re

com p etição en tre m olu scos d este gên ero, re a-lizad a sob con d ições que se p oderia cham ar de u m "exp er im en to n atural".

C De on d e veio esta id éia? Na ép oca n en h um

a r tigo p u b lic ad o t ra t a va d e c om p etição n este g ê n e ro.

B A c on sta ta çã o em p ír ica, já an t iga, é q u e

d uas esp écies de Bi o m p h al ar i an ão eram hab i-tu alm en te en con trad a s n o m esm o c ri a d o u ro. No No rd e s t e, p or exem p lo, g l ab ra t ae s t ra m i -n e aexist ia m n a m esm a re g i ã o, m as em c ri a-d o u ro s a-d ifere n t e s. Nesse estu a-d o p a rtim os a-d a t e o r ia segu n d o a q u al d u a s esp écies q u e ocu -p am o m esm o n ich o ecológico n ão co-h abitam u m m esm o cri a d o u ro. Du ran te tr ês an os o qu e vim os n o cam p o foi a gra d u a l su b stit u ição d e

B .g l a b ra t ap or B .s t ra m i n e aq u e, ap esar de

te-rem p roduzid o h íb ri d o s, estes n ão se m an tivram sob c on d iç õe s n a tu ra i s. Mu ito s a n os d e-p ois d esen vo l vem os um m od elo exe-p eri m e n t a l d e estu do em labora t ó rio e em cam p o qu e con -f i r m ou a su p eri o rid ad e com p etitiva de B .s t ra -m i n e as o b re B .g l a b ra t a5.

C No cam p o d a m a lac ologia m éd ica , q u ais

sã o os p esq u isad ores q ue o sen hor listaria co-m o ten d o sid o se u s p arc e i ros n a co co-m u n id ad e cien tífica? Havia m uitas disp utas?

B Eu n ão tive m u it os p r ob le m a s d e d isp u t a

ou op osição. No exter ior trab alh ei em co lab o-raç ão co m vários p esq u isad o re s, c om o Lo u is Ol i v i e r, Em ile Malek e Elm er Be r ry, d os E.U.A., C h ristop h er Wr igh t, d a In g l a t e r ra, e Ben gt Hu -b en d ic k, d a Su éc ia. O m eio a cad êm ico n ac io-n al era m u ito red u zid o e er am p o u cas as p es-so as q ue tra b a l h a vam em esq uistoses-som ose. O p r ob le m a m aior oc orreu co m a op o siçã o d e u m gran d e m ala co logista , o Dr. Wlad im ir Lob ato Pa ra e n s e, p ois, em d ois m om en tos d istin -t o s, n ossos -trab alh os con fli-tara m .

C O sen hor poderia falar m ais sobre estes ep i-sód ios?

B Em u m a op or t u n i d a d e, d e p a ssa ge m p or

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Me-Cad . Saúd e Púb l., Rio d e Jane iro , 13 (1):14 5 -15 5 , jan-mar, 19 9 7 sob diferen tes n om es, cau san d o m u ita con fu

-s ã o7. Pen sa m o s m u ito tam b é m n a s im p

lica-çõ es d e ord em p rátic a q u e p od er iam a d vir d a m od ifica ção b r usc a d e u m n om e já c on sagr a-d o, em p articu lar p or se tratar a-de um grup o a-d e ve t o res d e ta m a n h a im p ortâ n cia. As p ró p ri a s re g ras d e n om en clatu ra in tern acion al con tem -p la m a -p o ssib ilid ad e d e, q u an d o o u so d e u m n om e é con sagrado e se re f e re a u m org a n i s m o d e im p o rtâ n c ia econ ôm ica, p o d er-se p ed ir a susp en são d a re g ra d e pr i o ri d a d e. O Com itê In -t e rn acion al de No m e n c l a -t u ra Zoológica aca-tou o n osso p leito, e o Lobato ficou n u m a situ ação difícil, isolad o.

C Ho u ve um p eríodo duran te o qual, sim u

ltan e a m e ltan t e, o seltan h or t ra b a l h a va c om ec olo -gia/ b iolo gia d e m o lu sc os e ep id e m iolo-gia/ c o n t role d a esq u ist osso m o se e m p op u la ções h u m a n a s. Po n t ezin h a fo i a p r i m e i ra c om u n i-d ai-d e on i-de o se n h or tra b a l h o u ?

B Sim , você tem ra z ã o. O tra balho em Po n t

e-zin ha levou c erca d e seis an os e foi o p ri m e i ro estu d o d e c om u n id a d e, lo n gitu d in a l, em es-q u i s t o s s o m o s e8. Ou t ra in vestigação de cam p o, a valia n d o a efic ác ia d e m oluscicid a s, d ur o u c e rca d e 12 an os9. An tes d e Po n t ezin h a, n o en

-t a n -t o, eu já vin h a in ves-tiga n d o a esq u is-tosso- istosso-m ose e istosso-m p o p u laç õ es h u istosso-m an as. In iciei c oistosso-m m e u estu d o p ar a a c á ted ra d e m e d icin a p re-ve n t i va , co m p aran d o a m orb id a d e n a esq uis-to ssom ose em q u atr o localid a d es en d êm icas n o estado de Pe rn a m b u c o1 0. Po rt a n t o, é ve rd ad e, e st ávam o s faze n ad o várias coisas sim u lta -n e a m e -n t e. Eu já d esco-n fiava qu e os m oluscici-d as n ão tin h am tan to va lor n o c on trole oluscici-d a es-q u i s t o s s o m o s e. Foi u m a gra n d e lu t a m in h a, p rin cip alm en te qu an do ch egu ei em Ge n e b ra , on d e os m olu scicid as er am con sid er a d os co -m o d e -m uito valor n o con trole da esq uistosso-m o s e. Havia in teresses de certas euistosso-m p resas e da p r ó p ria OMS n o sen tid o d e difu n dir o u so d es-ses qu ím icos. Em Po n t ezin h a n ão se usou m o-lu sc ic ida n em h ou ve ên fase em tratam en to d e d o e n t e s. Na ép o ca o p rod u to d isp on ível era o a n t i m ô n i o, u m a d r oga m u ito t óxica. Qu a n d o in iciam os os trab alh os n essa localid ade houve i n c l u s i ve um ób ito associad o ao u so desta dro-ga. Su sp en d i en tão a qu im ioterap ia e com ecei a trab alh ar en fatizan d o sa n eam en t o e d e sen -volvim e n to co m u n it ár i o. Com isso c on segu i reduzir a esq uistossom ose n a área a n íveis bem b a i xo s. A co m u n id ad e re sp on d e u m u ito b em ao tra b a l h o. San eam os toda a região con str u i n -d o fossa s, e tc. D ep ois -d e Po n t e zin h a re a l i ze i o u t ro trab alh o qu e en vo l veu q uatro com un ida-des d a Zon a d a Mata em Pe rn a m b u c o. Este tra-balho tam bém d u rou u n s cin co an os.

C Pa rece-m e qu e, p ara a ép oca, sua estra t é g i a

foi m u ito in ova d o ra. Co m o foi o im p act o d e seu trab alho n a com un idad e cien tífica?

B De fato, o trab alh o em Po n t ezin ha foi va n

-g u a rd a p orq u e, n a ép oc a , e st avam to d os olh an d o ap en as p ara o con trole q uím ico. Co n -t u d o, n ão rec eb e u m u i-to c réd i-to, p r i n c i p a lm en te n o exteri o r. A ên fase d as p esqu isas cen -t ra vse m ais n o ve-tor e/ ou n o p arasi-ta. Tra b a-lh os d e co m u n id ad e n ã o goz a va m d e m u it o p re s t í g i o. Acho m esm o q u e este foi o p ri m e i ro estu do qu e se p reocu p ou realm en te em tra b a-lh ar com a com un id ad e a q uestão d o con tro l e d e um a en dem ia.

C Com o era co n st itu íd a su a e q u ip e? Ha v i a

o u t ros ep idem iologistas?

B N ã o, eu e ra só. Na rea lid a d e tín h am os u m

n ú m e ro m u ito lim itado de p esq uisadores e p re-d o m i n a vam os trabalh os em parasitologia e p a-tologia. No cam p o con tei com três assisten tes s o c i a i s. Foi a Ho rtên cia Holan da, edu cadora d o Mi n i s t é rio d a Sa ú d e, q u em m e colo cou à d is-p osiç ã o tr ês m o ça s, q u e fize ra m u m tra b a l h o e xc e l e n t e, p raticam en te vive ram n a com u n id a-d e. Ta m b ém tive b o n s técn icos a-d e la b ora t ó ri o qu e m e auxiliavam em p raticam en te tud o.

C Fa le-n os u m p ouco sob re su a p esq u isa

so-b re ep id em iologia d a esq u istossom ose, con di-ç ões de saú d e e p rodu tivida d e d os cort a d o re s d e c an a- d e-açú car em Ca t e n d e1 1. É u m tra b a-lho m u ito citado até hoje.

B A p esqu isa em Caten de foi o p ri m e i ro estu-d o clín ico-ep iestu-dem iológico realizaestu-d o n o cam p o, n a c om un id ad e. At é e n tã o, tod os os e stu d os e ram realizad os em h osp itais e lim itavam -se à a p resen taç ão d e tab elas de casu ística s segu n -d o as p rin cip ais form as clín icas -d a -d oen ça. As q u estões levan tad as n este estu do em Ca t e n d e rem etem a u m a sér ie d e p ergu n ta s qu e já n o s fazía m o s so b re o p e so e con ôm ic o d a esq uis-t o s s o m o s e. Na ép oc a só c on h ec ía m os o u uis-tro s três ou quatro estud os realizad os n a África com esta ab ord a gem . No sso trab alh o m ostrou q u e os p ort a d o res de form as gra ves de esquistosso-m ose tê esquistosso-m u esquistosso-m a red u çã o d e p rod u tivid ad e d a o rdem de 35%. Ch egam os tam b ém a fazer u m a e s t i m a t i va d a p erd a eco n ô m ica p ar a o Esta d o d e Pe rn am b u co ocasion a d a p ela esq u istosso-m o s e. Nesta ép oca havia certa falta de istosso-m ão-d e-o b ra n e-os en gen h e-os d evid e-o às m igrações p ara e-o sul d o p aís. Isto d esp er tou m u ito o in tere s s e d os d on os de en gen h o e d o gove rn o local p ara o p rob lem a da esqu istossom ose n o Estado.

C Cham a m in h a aten ção a su a cap acidad e de

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Cad. Saúde Púb l., Rio d e Jane iro , 1 3 (1 ):1 4 5-1 5 5, jan-mar, 1 9 97

n o rm alm e n te eram carim b ad os c o m o co n fi-d e n c i a i s. Co n t u fi-d o, tive u m a relação m u ito fi- difí-cil com m eu d ire t o r. Ao fin al, n ão q uis re n ova r o con trato e p re f e ri re t o r n ar ao Brasil, in clusive p o rq u e já tin h a u m con vite p ara Brasília e o u -t ro p ara Belo Ho ri zo n -t e.

C Qu e p on tos o sen hor destacaria d e seu p

e-ríod o n a OMS?

B Bem , a OMS é um órgão extrem am en te p

o-l í t i c o. Havia m u ita p ressão p or p ar te d e c ert a s e m p re s a s. Por e xem p lo, n a q u e la ép o c a h a via g ra n d e in teresse n o u so d e m o lu scic id as q u e, q uase sem p re, eram p recon izad os com o m edi-d a ú n ica edi-d e co n tro l e. Op u s- m e a c ola b o ra r com esse esq u em a e c h egu ei a ser m u ito p re ssion ado p ara d ar p are c e re s, etc. A Ba yer p ro d u -zia o Ba y l u s c i d e, e o gove rn o bra s i l e i ro ch egou a com p rar n ão sei q uan tas ton eladas do pro d u -t o, q u e fica ram a ap od recer p or aí, n os p orões da b uro c racia. Ven dia-se Bayluscide ao m un do i n t e i ro. Nessa ép o ca, u m p esqu isad or egíp c io m u ito con hecido – M. Fa rooq – ch egou a p u bli-c a r, e m u m m esm o n ú m er o d o Bolet im d a OM S, u n s qu atro ou cin c o tra b alh os segu id os exa ltan d o o Baylu sc id e n o con trole d a esq uis-t o s s o m o s e. Acon uis-tece qu e eu já h avia uis-tra b a l h a-do com m olu scicid as n o Brasil, em u m estud o de dez an os de du ração realizado em São Lou-ren ço d a Mata, e d uvidava d e su a factib ilidad e. Isso p orq u e, ap esar d o u so con tin u ado, o Ba y-lu scid e n ão in ter rom p eu a tran sm issão n a re-g i ã o. Além d isso, as dificu lda des d e a p lic ação, o cu sto eleva d o e o im p ac to am b ien ta l levava m m e a ve r q u e as ta n ta s d ific u ld a d es in e ren tes ao c on tr ole qu ím ico eram d e d ifíc il re -s o l u ç ã o. Por i-s-so era con tra, -salvo em -situ açõe-s m uito p art i c u l a re s.

Acon teceu q ue, n esse m om en to, o gove rn o egíp cio p ed iu à OMS q ue en viasse u m a com issão t écn ica ca p az d e avalia r o trab alh o d e Fa -ro o q. Era um a situ ação m u ito delicada. Ac a b a-m os in d o eu , re p rese n ta n d o a OM S, o p ro f e s-sor H. M. Gi l l e s, da Liver p oo l Sch ool of Tro p i-cal Me d i c i n e, e u m a eq u ip e d e p esq u isa d ore s egíp cios in d icad o s p elo p r óp r io gove rn o. Tra -ba lh am os p or c erca d e 30 dia s re ven d o p ap éis re f e ren tes à p esq uisa d e cam p o con du zid a p or Fa ro o q , em u m a região p róxim a a Alexan d ri a . Saiu en tão um trabalh o m ostran do a in coerên -cia dos resultados d e Fa ro o q1 2. Este n osso art

igo re p resen tou u m d u ro igolp e n os q u e d efen -diam o con trole q u ím ico.

C Pod e r íam o s d izer q u e o p rojet o q u e o se n h or coorden ou em Plan a ltin a (Di s t rito Fe d e -ral), com o p rofessor d a Facu ld ade d e Ciên cias da Saúde da Un i versid ad e de Brasília, foi o que p rojetos de lon ga d ura ç ã o, en vo l ven do estu dos

em b iologia/ ecologia d o m olusco, ep id em iolo-gia d a en d em ia em com u n idad es e estra t é g i a s d e con tro l e.

B Bom , eu tive certas facilida des n o Ce n t ro e

b on s fin an ciam en tos, p r in cip alm en te do exte-r i o exte-r. Eexte-ram texte-rab alhos caexte-ro s, exte-realizad os lon ge d e Re c i f e, e q u e re q u e re ra m re cu r so s d e vár i a s f o n t e s. Po r ou tr o la d o, co n tei c om eq uip e s m u ito bem tre i n a d a s, tan to n o cam p o com o n o l a b o ra t ó ri o. De m in h a p art e, vivia tem p o in te-g ra l p a ra a p e sq u isa q u a n d o a in d a n ã o h avia esta categoria n o p lan o d e carre i ra acad êm ica.

C Qu al era o seu segred o p ara con segu ir tan -tos fin an ciam en -tos d o exterior?

B Em p arte o m eu relac ion am en to com p

es-q u i s a d o re s n o exterior e com o gr upo da OMS, a lém d a con stân c ia d e m in h as p u b licaç õ es. A n t i g a m e n t e, o Na tion a l In stitut es o f He a l t h , qu e foi a in stitu ição q ue m e con cedeu m ais re-cu rsos p ar a p esq u isa, tin h a u m p r o g ra m a e s-p ec ific a m en t e volt ad o s-p ar a o u t ro s s-p aíses. Além d isso ap oiavam p rojetos de lon go p ra zo.

C E sob re su a exp eriên cia n os E.U.A., d e q u e

m a n e i r a con tr ib u iu p ara o se u cre s c i m e n t o p e s s o a l ?

B Re p resen tou m u ito. Pri m e i ro a vivên cia n o

e x t e ri o r, a op ortu n idade de ter freqü en tad o u m c e n t ro d e ren om e com o John s Ho p k i n s, para o estu d o d a saú d e p ú blica. Foi m u ito im p ort a n -t e -ta m b ém p ara ab rir m eu s hor i zon -te s p ara o c am p o d o soc ial n a saú d e p ú b lica. Na q u e l a é p o ca a s c on t ra d içõ es soc ia is já eram m u it o g ran d es n os E.U.A., p art i c u l a rm en te n o qu e se re f e re à qu estão racial. Eu vivi perto de u m a co-m un id ad e n e gra e assist i a d isc rico-m in ação ra-c ial, o q u e m e levou a refle tir sob re o tem a d a d i s c rim in ação tam b ém em n osso país.

C Fa le- n os d e sua exp er iên cia e m Ge n e b ra ,

n a O rgan ização Mu n d ial da Sa ú d e.

B Foi em 1969, qu an d o ac eitei o con vite q u e

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Cad . Saúde Púb l., Rio d e Jane iro , 13 (1):1 4 5-1 5 5, jan-mar, 1 9 97 e n vo l veu o m aior n úm ero de p esqu isadores

as-sociados e sub -p ro j e t o s ?

B Se m d ú vid a. Foi o p ro jet o m a ior e m elh or fin an c ia d o q u e co ord en ei, co n ta n d o c om vá-rios con vên io s e recursos a dvin dos d a Ke l l o g g Fou n d ation , In t e r A m e rican Foun dation , Fu n -ru ra l e Fu n d ações Hosp italar e d o Se rviço So-cial d o Di s t r ito Fe d e ral.

C Por q ue Pl a n a l t i n a ?

B Bem , fui atraído p or Brasília, ap esar d e su a situ aç ã o p olítica com p licad a. O reito r n essa ép oca era extrem am en te com p rom etid o com a d i reit a, o q u e n os t rou xe m u ita s d ificu ld a d es. O q u e m e a tra ía n a Un B era a b a se in ova d o ra s o b re a qu al foi assen tad a a Facu ldade de Ciên -cias Médicas (p oster i o rm en te ch am ad a Fa c u l-d a l-d e l-d e Ciên cia s l-d a Saú l-d e). A Fa cu ll-d a l-d e foi m o n t ad a co m u m sen t id o co m un it ár io m u ito avan çado p ara a ép oca, ten do com o base o Ho s-p ital Co m u n i t á rio de So b ra d i n h o. Chega n d o a Br asília , p en sei e m retom a r o t rab alh o d e So b ra d i n h o, qu e h avia sid o d estru íd o p e la s tan -tas in ger ên cias p olíticas q u e sofreu . Mas a p o-p ulação estava m u ito can sada e eu , en tão, o-p f e ri u m a área n ova, daí Plan altin a, qu e fica re-l a t i vam e n te p r óxim a d e So b ra d i n h o. A id é ia e ra sen sib ilizar alu n os e p ro f e s s o res p ara a d is-cu ssão em torn o de um n ovo m odelo de m edic in a edic om u n itá ria q u e edic o n tem p lasse a in te ra -ç ão d oc en t e- assisten cia l. O p ro g r am a d u ro u c e rc a d e 4- 5 a n os, q u an d o foi a b r u p t a m e n t e i n t e r rom pido p ela re i t o ria. Eu estava re t o rn a n d o d e u m a viagem ao exterior q u an d o en con -t rei o p roje-to d es-tr u í d o. O p róp rio rei-tor escreveu às agên cias d e fin an ciam en to com un ican -d o o seu ca n celam en to u n ilatera l m e n t e, sob a descu lp a de que estavam fazen do um a re f o rm a do en sin o m édico n a faculd ad e.

C Ap esa r d estes re ve s e s, q u a l foi o sa ld o d a

e x p e riên c ia d e Plan altin a p ara a p esq u isa, en -sin o e organ ização d e ser viços de saú de?

B Ap esa r d o tem p o te r sid o cu r t o, a ch o q u e

m u it os a p re n d e ram c on o sc o a trab alh ar em c o m u n i d a d e s. Ti vem os a ad esão total d o Ho s-p ita l d e Pla n alt in a e a c h o q u e o m a io r ga n h o foi n o ca m p o d o en sin o. Cr iam os u m siste m a d e en sin o p a rale lo n a Fa c u l d a d e, at ra vés d a o f e rt a d e vária s d iscip lin a s op ta tiva s p a ra as qu ais ori e n t á vam os os alu n os in teressados em saú d e p ú b lica. Dep ois cr iam os o in tern ato e a resid ên c ia em m ed ic in a p r e ve n t i va . Ho u ve p o uco tem p o p a ra p esq u isa, m a s, assim m e s-m o, saíras-m algu n s trabalh os sobre a estru t u ra-ção do p ro g ram a e an álise d os serviços d e saú-d e1 3e estu dos sob re con dições d e saúde d a co-m u n i d a d e1 4. Tam b ém foram apresen tadas d u a s

teses d e m estra d o1 5e várias com un icações em c o n g re s s o s. Mas re i t e ro q u e o tem p o p ara p es-qu isa foi curt o. Ao fin al, con segu i recursos com o CNPq p ara fazer a avaliação geral d o p ro g ra-m a e p ub licar u ra-m re l a t ó rio fin al1 6.

C Por fim , gostaria q u e n os falasse d e seu tra-b alh o com o ed itor e con sultor d e d iferen tes re-vistas cien tíficas n o Brasil e n o exteri o r.

B Min h a p ri m e i r a e xp er iê n cia m a is só lid a

n e ste ca m p o fo i e m Re c i f e , q u an d o p a ssei a ed itar as Pu b l ic ações Av u lsas d o Ce n t ro d e Pe s-qu isas Aggeu Ma g a l h ã e s, ain d a n os an os 50. Es-ta série foi cr iad a com o ob jetivo d e p er m itir a p u b lic aç ã o rá p id a d os re su lta d os d e n o ssa s p e s q u i s a s, n u m a ép oc a e m q u e n o Br asil n ão h avia m u itas op çõe s p ara p u blicar. Se g u í a m o s m ais ou m en os o fo r m a to d o q u e o s am er i c a-n o s ch a m a vam "o ccasio a-n al p a p ers" q u e t i-n h am a vai-n t agem d e i-n ão im p o r o s lim ites d e e sp aço q u e n or m alm en te se o b se r va m n a s g ran d es re v i s t a s. A desvan tagem é qu e a d ivu l-gaçã o era re s t r ita e ac ho q ue hoje ser ia m u ito d ifícil m an ter u m a p u blicação d esse tip o, p ois existem m eios m elhore s. Naqu ela ép oca tro c á-vam os sep aratas e éram os p ou cos. No m u n d o i n t e i ro éram o s u n s 20 o u 30 t rab alhan d o co m e s q u i s t o s s o m o s e. Dep ois a cabam os in terro m -p en d o esta séri e, um -p ou co até -p or -p ressão d o Mi n i s t é rio d a Sa ú d e, q u e vin ha editan do a Re -v i st a Bra s i l e i ra d e Ma la riologia e D oen ças Tro-p i c a i se n os p re s s i o n a va p ois n un ca p u blicáva-m os lá. Aléblicáva-m do qu e eu blicáva-m esblicáva-m o já estava p ub li-can do m ais em in glês, em revistas estra n g e i ra s. Pa rticip ei ativa m en te d o con selh o ed itorial d e v á rias revistas com o a d a Socied ade Bra s i l e i r a d e Medicin a Trop ical e as Mem órias do In s t i t u -t o Osw ald o Cru z. Por fim , jun tam en te com u m

g r upo da ENSP, fu n dam os os Ca d e rn os d e Sa ú -d e Pú blica, q ue hoje vejo tão bem estabelecido.

C Mu itas vezes ou ve-se o com en tário de p

es-q u i s a d o res associados a in stitu ições em p aíses d o "terc e i ro m u n d o" d e q ue há d iscr i m i n a ç ã o p or p arte d os ed itores d e revistas d o dito "p ri-m e i ro ri-m u n d o". Cori-m o foi n o seu caso?

B De m od o geral n u n ca t ive p rob lem a s co m m eu s art i g o s. Ce rta oc asião ten tei p u b licar n a

S c i e n c e. En viei d ois trab alh os q u e foram re c u -sados e, da terc e i ra vez, con segui que u m d eles fosse ac eito. De ou tra vez t en te i p ub lic ar e m

(10)

se-Cad . Saúd e Púb l., Rio d e Jane iro , 1 3(1 ): 14 5 -15 5 , jan-ma r, 19 9 7

rem feitas, etc. Não p osso dizer qu e ten ha sid o d i s c rim in ad o p or p arte d os e d itores p or estar t ra b alha n d o n o Brasil. O q u e ac on te ce é q u e n ã o h avia m u it o cu id a d o co m a se leç ão d o s t ra b alho s q u e saiam n a s re vista s cie n tífic as b ra s i l e i ra s. Vejo q u e ho je a situ açã o m u d o u e h á m u ito m ais p rofission a lism o n e st e c a m p o em n osso p aís.

C Com u m c ur rículo tão r i c o, ten d o p assad o

p o r d ifere n tes in stitu iç ões e d iverso s p aíses, t rab a lh ad o em t an t as fren t es q u e in clu íra m n ão som en te a p esq u isa básica e ap licad a, c om o ta om béom o en sin o d e grad u ação e p ósgra -du ação e a adm in istra ç ã o, qu e m en sagem o se-n h or d e ixar ia p a ra o e st u d ase-n te, em ise-n íc io d e c a r re i ra em p esqu isa?

B Que façam algum a coisa q ue ven h a de den

-t ro p ara fora. Qu e sejam p u ro s.

R e f e r ê n c i a s

1 Ba rb o sa, F.S., 1949. Em to rn o d e u m a qu estã o d e

n o m e n c l a t u ra b ot an ica m ed ica: Pa ra c o c c i d i o i d e s b ra s i l i e n s i s( Sp l e n d o re , 1912) Alm e id a , 1930, o agen t e e t io lo gico d a fo rm a b ra s i l e i ra d a "Bl a s t o-m ycose" (Gran u loo-m a Pa racoccid ioid ico). Jorn al d e Medicin a d e Pe r n a m b u c o, 36:429- 445.

2 Pellon , A.B. & Te i x e i ra, I., 1950. Distribu ição d a

Es-qu istossom ose m a n sôn i ca n o Bra s i l. Mo n o g ra f i a d a Divisã o d e Orga n iza ção Sa n i t á ria, Rio d e Ja-n e i ro : Mi Ja-n i s t é rio d a Sa ú d e.

3 Ol i v i e r, L. & Ba rb o sa, F.S., 1956. Ob se rvatio n s o n

ve ct or s o f sch ist o som ia sis m an son i kep t o u t of wa ter in th e la b ora t o ry. II. Jou rn al of Pa ra s i t o l o gy, 42:277-286 e Barb osa , F.S. & Barb osa, I., 1958. Dor-m an cy d u rin g th e lar va l st ages of th e t re Dor-m a t o d e

Sch i st osom a m an son iin sn a ils e stiva t in g o n t h e soil o f d ry n atu ral h ab itats. E c o l o gy, 39:763-764.

4 Barb osa , F.S., 1973. Possib le com p etitive d isp

lace-m e n t an d e vid en ce o f hyb r id ization b e tween two Brazilian sp ecies o f p lan orb id snails. M a l a c o l o g i a, 1 4 : 4 0 1 - 4 0 8 .

5 Barb osa, F.S.; Costa, D. P. P. & Arru d a, F., 1983. Co m

-p e t i t i ve d is-p lacem en t be twe en s-p ecie s of fre s h w a-ter sn ails. I. Lab o ra t o ry. 1a. Ge n e ra l m eth od ology.

(11)

Cad . Saúd e Púb l., Rio d e Jane iro , 13 (1 ):14 5 -15 5 , jan-mar, 19 9 7 6 Barb o sa, F.S.; Ca rn e i r o, E. & Bar b o sa, I., 1 961.

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7 Bar b osa , F.S.; Hu b en d ick, B.; Ma le k, E.T.A. &

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8 Bar b o sa , F.S.; Pin to, R. & So u za , O.A., 1971. Co n

-t ro l o f sch is-t oso m iasis m an son i in a sm a ll n o r-t h east Brazilian com m un ity. Tran saction s of th e Roy-a l Societ y of Trop i cRoy-a l M ed ici n e Roy-an d Hy g i e n e, 6 5 : 2 0 6 - 2 1 3 .

9 Barb o sa, F.S. & Co st a, D. P., 1981. A lo n g-t er m

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1 0 Barb o sa, F.S., 1965. Mo rb id a d e n a Esq u isto

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Revista Bra s i l e i ra de M alariologia e Doen ças Tro p i-c a i s, 3(n ú m ero esp ecial):3-159].

1 1 Ba rb osa, F.S., 1981. In cap acita ting effects of sch

is-t osom iasis m an son i o n is-th e p rod u cis-tiviis-ty of su gar-ca n e cu tte rs in n or t h e a s t e rn Bra zil. Am e r i c a n Jou rn a l of Ep i d e m i o l o g y, 114:102- 111 e Co s t a , D. P. P. & Ba r b osa , F.S., 1980. Esqu isto ssom ose e m t ra b a l h a d o res d a Usin a Ca t e n d e, Pe rn a m b u c o, Brasil. Revista de Saú d e Pú b lica, 14:469-474.

1 2 Gi l l e s, H .M.; Za ki, A.A.; So u ssa , M.H.; Sa m a a n ,

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1 6 Barb o sa, F. S., 1980.

Referências

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