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CONHECIMENTO 1 CONCEITO

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Academic year: 2021

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CONHECIMENTO

1 CONCEITO

No sentido correto da palavra, conhecer é elucidar a realidade.

Etimologicamente a palavra elucidar vem do latim lucere, cujo significado é trazer luz. Assim, conhecer significa trazer luz à realidade. E somente com aquisição do conhecimento é possível desvendar a verdade presente na realidade, tornando-a inteligível, transparente, clara, cristalina (LUCKESI).

O ato de conhecer é o processo de interação efetuado entre o indivíduo e a realidade, permitindo descobrir a sua forma de ser ou, pelo menos, adquirir res-postas provisórias para um problema definido.

O conhecimento, portanto, é o primeiro passo para a libertação. E o saber crítico metodológico assegura aos indivíduos uma situação de competência, auto-nomia e liberdade.

Na antiguidade, já havia preocupação científica, embora faltassem métodos e observação dos acontecimentos. Pode-se dizer que o conhecimento é uma amoldagem do sujeito com o objeto. Na busca do conhecer, o sujeito toma posse do objeto, porém essa posse é parcial, pois não temos a capacidade intelectual e a aptidão de sentir e verificar a abrangência total de um objeto, e sim parte dele. No que se refere à ciência, trata os conhecimentos de várias maneiras, procuran-do leis gerais que abriguem certo número de fatos particulares. A ciência é sem-pre algo incompleto: acumula conhecimentos e está constantemente se renovando por meio de novas descobertas.

No decorrer dos tempos, as ciências prosperam e formam necessárias di-visões para melhor compreensão, mas é evidente que qualquer modalidade da ci-ência se ramifica em outras áreas do saber, ou seja, estão relacionadas umas com as outras. As diversas classificações foram feitas por necessidades e exigências do progresso científico.

2 O CONHECIMENTO E SEUS NÍVEIS

O homem não age diretamente sobre as coisas. Sempre há um intermediá-rio, um instrumento entre ele e seus atos. Isto também acontece quando se faz ência, quando investiga cientificamente. Ora, não é possível fazer um trabalho ci-entífico, sem conhecer os instrumentos. Sabemos pouquíssimo, e aquilo que sa-bemos sabemo-lo muitas vezes superficialmente, sem muita certeza . A maior par-te de nosso conhecimento somenpar-te é provável. Exispar-tem cerpar-tezas absolutas incon-dicionais, mas estas são raras.

O que é conhecer? É uma relação que se estabelece entre o sujeito que co-nhece e o objeto conhecido. No processo de conhecimento o sujeito cognoscente se apropria, de certo modo, do objeto conhecido. O conhecimento sempre implica uma dualidade de realidades: de um lado, o sujeito cognoscente e, de outro, o ob-jeto conhecido, que está possuído, de certa maneira, pelo cognoscente. O pensa-mento é conhecipensa-mento intelectual.

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2.1. O Conhecimento Empírico

O conhecimento empírico é adquirido pela aprendizagem informal, ou pela experiência do cotidiano. Tal conhecimento não se fundamenta em procedimentos metodológicos, simplesmente desconhece o rigor dos métodos. O conhecimento empírico, também chamado vulgar, é o conhecimento do povo, obtido ao acaso, após inúmeras tentativas.

Pelo conhecimento empírico, o homem simples conhece o fato e sua ordem aparente, tem explicações concernentes à razão de ser das coisas e dos homens e tudo isso obtido das experiências feitas ao acaso, sem método, e de investiga-ções pessoais feitas ao sabor das circunstâncias da vida ou então sorvido do sa-ber dos outros e das tradições da coletividade ou, ainda, tirado da doutrina de uma religião positiva.

2.2. O Conhecimento Teológico

O conhecimento teológico por sua vez, baseia-se na fé e na crença em algo superior ao ser humano. Ele provém das revelações do mistério, do oculto, por algo que é interpretado como mensagem ou manifestação da divindade. O conhe-cimento revelado - relativo a Deus - aceito pela fé teológica, constitui o conheci-mento teológico. É aquele conjunto de verdades a que os homens chegaram, não com o auxílio de sua inteligência, mas mediante a aceitação dos dados da revela-ção divina. Vale-se de modo especial do argumento de autoridade.

São os conhecimentos adquiridos nos Livros Sagrados e aceitos racional-mente pelos homens, depois de terem passado pela crítica histórica mais exigen-te. O conteúdo da revelação, feita a crítica dos fatos aí narrados e comprovados pelos sinais que a acompanham, revestem-se de autenticidade e de verdade. Pas-sam tais verdades a serem consideradas como fidedignas, e por isso são aceitas. Isto é feito com base na lei suprema da inteligência: aceitar a verdade, venha don-de vier, contanto que seja legitimamente adquirida.

2.3. O Conhecimento Filosófico

A filosofia procura conhecer a natureza profunda das coisas e seus fins. Ela é um modo de atuar inacabado, é a investigação constante, de um interrogar e um exercício reflexivo realizado pela busca de um conhecer e não sua posse. O co-nhecimento filosófico tem por origem a capacidade de reflexão do ser humano e por instrumento exclusivo raciocínio. Pode-se afirmar que, por meio desse conhe-cimento, chega-se ao conhecimento científico.

O conhecimento filosófico distingue-se do científico pelo objeto de investiga-ção e pelo método. O objeto das ciências são os dados próximos, imediatos, per-ceptíveis pelos sentidos ou por instrumentos, pois, sendo de ordem material e físi-ca, são por isso suscetíveis de experimentação (método científico = experimental). O objeto de filosofia é constituído de realidades mediatas, não perceptíveis pelos

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sentidos e que, por serem de ordem suprassensíveis, ultrapassam a experiência (método racional).

O filosofar é um interrogar, é um contínuo a si e à realidade. A filosofia não é algo feito, acabado. A filosofia é uma busca constante de sentido, de justifica-ção, de possibilidades, de interpretação a respeito de tudo aquilo que envolve o homem e sobre o próprio homem em sua existência concreta.

A tarefa fundamental da filosofia resume-se na reflexão. A filosofia procura refletir sobre este saber, interroga-se sobre ele, problematiza-o. Filosofar é interro-gar principalmente pelos fatos e problemas que cercam o homem concreto, inseri-do em seu contexto histórico. A máquina substituirá o homem? Também o homem será produzido em série, em tubos de ensaio?

A filosofia procura compreender a realidade em seu contexto mais univer-sal. Não há soluções definitivas para grande número de questões. Entretanto, ha-bilita o homem a fazer uso de suas faculdades para ver melhor o sentido da vida concreta.

2.4. O Conhecimento Científico

No que tange ao conhecimento científico, ele precede do conhecimento em-pírico dos fatos ou dos objetos observados e os transcende, para procurar conhe-cer a realidade além de suas aparências superficiais. O conhecimento científico resulta da pesquisa metodológica, sistemática do contexto factual; procura anali-sar, a fim de descobrir suas causas e concluir as leis gerais que o orientam. É veri-ficável, na prática por demonstrações ou por testagem, explica e demonstra com clareza e precisão, descobre relações de predomínio, igualdade ou subordinação com outras descobertas, e estabelece leis gerais e universais válidas para todos os casos da mesma espécie. O conhecimento científico vai além do empírico pro-curando conhecer, além do fenômeno, suas causas e leis.

Para Aristóteles o conhecimento só se dá, de maneira absoluta, quando sa-bemos qual a causa que produziu o fenômeno e o motivo, porque não pode ser de outro modo; é o saber através da demonstração.

2.5. Caracterização do Conhecimento

Certo, porque sabe explicar os motivos de sua certeza, o que não acontece

com o empírico;

Geral, no sentido de conhecer no real o que há de mais universal e válido para

todos os casos da mesma espécie. A ciência, partindo do indivíduo concreto, procura o que nele há de comum com os demais da mesma espécie;

Metódico e Sistemático, pois o cientista não ignora que os seres e fatos estão

ligados entre si por certas relações. O seu objetivo é encarar e reproduzir este encadeamento. Alcançando-o por meio de conhecimento ordenado das leis e princípios. A ciência, assim entendida, é resultado da demonstração e da expe-rimentação, só aceitando o que foi provado. A ciência não é considerada como

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algo pronto, acabado ou definitivo. Não é a posse de verdades imutáveis. Atu-almente a ciência é entendida como uma busca constante de explicações e so-luções, de revisão e reavaliação de seus resultados e tem a consciência clara de sua falibilidade e de seus limites. Por ser algo dinâmico, a ciência busca re-novar-se e reavaliar-se continuamente. Ciência é processo de construção. 2.6. Histórico do Método Científico

A ciência , nos moldes em que se apresenta hoje, é relativamente recente. Só na Idade Moderna da História adquiriu o caráter científico que tem atualmente. Entretanto, desde o início da humanidade já se encontravam os primeiros traços rudimentares de conhecimentos e técnicas que constituiriam a futura ciência.

A revolução científica, propriamente dita, registra-se nos séculos XVI e XVII, com Copérnico, Bacon e seu método experimental, Galileu, Descartes e outros. Não surgiu porém, do acaso. Toda descoberta ocasional e empírica de técnicas e conhecimentos referentes ao universo, à natureza e ao homem, desde os antigos babilônios e egípcios, a contribuição do espírito criador grego sintetizado e ampli-ado por Aristóteles, as invenções feitas na época das conquistas prepararam o surgimento do método científico e o espírito de objetividade que vai caracterizar a ciência a partir do século XVI, ainda de forma vacilante e agora de modo rigoroso.

Aos poucos o método experimental é aperfeiçoado e aplicado em novos se-tores. Desenvolve-se o estudo da química, da biologia, surge um conhecimento mais objetivo da estrutura e funções dos organismos vivos no século XVIII. Já no século seguinte, verifica-se uma modificação geral nas atividades intelectuais e in-dustriais. Surgem novos dados relativos à evolução, ao átomo, à luz, à eletricida-de, ao magnetismo, à energia. No século XX, a ciência, com seus métodos objeti-vos e exatos, desenvolve pesquisas em todas as frentes do mundo físico e huma-no, atingindo um grau de precisão surpreendente não só na área das navegações espaciais e de transplantes, como nos mais variados setores da realidade.

2.7. Formação do Espírito Científico

De pouco adiantaria o conhecimento e o emprego do instrumental metodo-lógico, sem aquele rigor e seriedade de que o trabalho científico deverá ser reves-tido.

2.8. Natureza do Espírito Científico

O espírito científico, na prática, se traduz por uma mente crítica, objetiva e racional.

A consciência crítica levará o pesquisador a aperfeiçoar seu julgamento e a desenvolver o discernimento, capacitando-o a distinguir e separar o essencial do acidental, o importante do secundário.

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2.9. Qualidades do Espírito Científico

Como virtude intelectual, ele se traduz no senso de observação, no gosto pela precisão e pelas ideias claras, na imaginação ousada, mas regida pela ne-cessidade da prova, na curiosidade que leva a aprofundar os problemas, na saga-cidade e poder de discernimento.

Moralmente, o espírito científico, assume a atitude de humanidade e reco-nhecimento de suas limitações, da possibilidade de certos erros e enganos.

Qualidades:

1) O espírito científico é uma atitude ou disposição subjetiva do pesquisador que busca soluções sérias, com métodos adequados, para o problema que enfren-ta. Essa atitude não é inata na pessoa. É conquistada ao longo da vida, à custa de muitos esforços e exercícios. Pode e deve ser aprendida, nunca porém transmiti-da.

2) A consciência crítica levará o pesquisador a aperfeiçoar seu julgamento e a desenvolver o discernimento, capacitando-o a distinguir e separar o essencial do acidental, o importante do secundário.

3) Criticar é julgar, distinguir, discernir, analisar para melhor poder avaliar os elementos componentes da questão. A crítica, assim entendida, não tem nada de negativo. É, antes, uma tomada de posição, no sentido de impedir a aceitação do que é fácil e superficial. O crítico só admite o que é suscetível de prova.

4) A consciência objetiva, por sua vez, implica o rompimento corajoso com todas as posições subjetivas, pessoais e mal fundamentadas do conhecimento vulgar. Para conquistar a objetividade científica, é necessário libertar-se de toda a visão subjetiva do mundo, arraigada na própria organização biológica e psicológi-ca do sujeito e ainda influenciada pelo meio social.

5) A objetividade é a condição básica da ciência. O que vale não é o que al -gum cientista imagina ou pensa, mas aquilo que realmente é. Isso porque a ciên-cia não é literatura.

6) A objetividade torna o trabalho científico impessoal a ponto de desapare-cer, por exemplo, a pessoa do pesquisador. Só interessam o problema e a solu-ção. Qualquer um pode repetir a mesma experiência, em qualquer tempo, e o re-sultado será sempre o mesmo, porque independe das disposições subjetivas.

7) A objetividade do espírito científico não aceita meias soluções ou soluções apenas pessoais. O “eu acho”, o “creio ser assim” não satisfazem a objetivi -dade do saber.

8) Finalmente, o espírito científico age racionalmente. As únicas razões ex-plicativas de uma questão só podem ser intelectuais ou racionais. As “razões” da

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arbitrariedade, do sentimento e do coração nada explicam nem justificam no cam-po da ciência.

9) O possuidor do verdadeiro espírito científico cultiva a honestidade. Evita o plágio. Não colhe como seu o que os outros plantaram. Tem horror às acomodações. É corajoso para enfrentar os obstáculos e os perigos que uma pesquisa possa oferecer.

10) O espírito científico não reconhece fronteiras. Não admite nenhuma in-tromissão de autoridades estranhas ou limitações em seu campo de investigação. Defende o livre exame dos problemas. A honestidade do cientista está relaciona-da, unicamente, com a verdade dos fatos que investiga.

Todas essas qualidades e virtudes intelectuais e morais existem, indubita-velmente, desde que há homens sobre a face da terra, ao passo que a ciência é uma aventura do espírito bem recente. Aristóteles, certamente não sentia falta de nenhuma das virtudes supracitadas e, no entanto, sua Física nada tem de científi-co, no sentido moderno da palavra. Trata-se, portanto, de reconhecer que o espí-rito científico é, antes de tudo, um produto da História. É uma progressiva aquisi-ção das técnicas que exigem pesquisas exatas e verificáveis.

Pouco a pouco, institui-se um mundo científico ou, como diz Bachelard, uma “ cidade científica”, cujos costumes e leis constituem o espírito científico. Este é, portanto, o espírito de um grupo, quase um espírito de corporação no qual cada aprendiz de sábio é iniciado; quase como os novos membros de um clube, ou como os calouros das grandes escolas são iniciados pelos veteranos, no espírito e tradições do grupo. Iniciação nas técnicas de trabalho, familiaridade no manuseio dos instrumentos de laboratórios, habilidade no trato com fontes bibliográficas não se aprendem num dia.

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