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ÍNDIOS GUEREN NA SESMARIA DOS JESUÍTAS: Arranjos e conflitos na Barra do Rio de Contas

Rafael dos Santos Barros1

Resumo:

Este artigo descreve a formação e a dinâmica do aldeamento de índios Gueren na Vila de Barra do Rio de Contas, na primeira metade do século XVIII. O estudo se orienta na perspectiva do direito à terra e dos conflitos concernentes aos diferentes interesses de índios, colonos arrendatários de terras e missionários, representantes do Colégio da Bahia, detentor legítimo da sesmaria onde se inseria o aldeamento. O foco desse texto é um processo de demarcação de terras, a partir do qual se identifica os atores sociais, suas demandas e suas justificativas amparadas no direito e nos costumes sobre a posse e a propriedade da terra, considerando também a legislação indigenista e sua aplicação na resolução de conflitos desta natureza.

Palavras-chave: Gueren, aldeamentos setecentistas, conflitos, terras.

Abstract:

This article describes the formation and dynamics of Gueren Indians in the Village of Barra do Rio de Contas, in the first half of the eighteenth century. The study is oriented by perspective of land rights and the conflicts concerning to the different interests of natives, settlers and missionaries, College of Bahia’s representatives, legitimate possessor of theses maria where the village was established. The focus of this paper is a land demarcation process, from which it’s possible to identify social actors, their demands and the ir justifications supported by law and customs over the possession and ownership of land, considering also the Indians legislation and its application in resolving this kind of conflicts.

Keywords: Gueren, eighteeth century villages, conflicts, lands.

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2010-2011: Pesquisador: O espólio das terras jesuíticas do Camamu: direito, atores e conflitos na segunda metade do século XVIII. (UESC-ICB); Graduando em História pela Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC, membro do grupo de pesquisa História Agrária e Ambiental no Brasil Escravista. Contato: [email protected].

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Ano IV

A capitania dos Ilhéus, de acordo com a historiografia tradicional, é considerada fracassada em razão da resistência imposta ao processo colonizador pelos índios Aimoré, o que teria causado a “decadência” dos engenhos já no século XVI. Outro fator, além do normalmente citado para justificar uma suposta estagnação das atividades econômicas entre os séculos XVI e XIX, é o domínio jesuítico sobre amplos territórios da Capitania e sobre a mão de obra indígena, limitando a ação dos colonos. A nova historiografia (DIAS, 2007), pelo contrário, aponta um maior desenvolvimento da economia de abastecimento justamente nas terras jesuíticas, graças a um arranjo que colocava aldeamentos indígenas em locais estratégicos para a garantia da segurança dos colonos face aos grupos nativos hostis e a possíveis levantes de escravos.

No contexto de transição entre os séculos XVI e XVII, epidemias e conflitos concorreram para a eliminação de dois terços da população tupi da Capitania. Colonos e jesuítas intensificaram a prática dos descimentos de índios do sertão, procurando também pacificar e aldear tapuias tidos como inimigos, a exemplo dos Aimoré. Tradicionalmente vistos como implacáveis resistentes à ação colonizadora, os Aimoré, que passaram a ser denominados Gueren na Bahia seiscentista e setecentista, também estabeleceram relações pacíficas com os colonizadores, seja na condição de mão de obra em empreendimentos coloniais, seja como índios aldeados nas missões religiosas.

Na segunda década do século XVIII, próximo a então povoação de Barra do Rio de Contas, dentro, portanto, dos limites da grande sesmaria do Camamú dos jesuítas do Colégio da Bahia, foram aldeados índios Gueren na missão de Nossa Senhora dos Remédios. Corroborando a tendência historiográfica que entende o aldeamento como espaço de resistência adaptativa dos povos indígenas (ALMEIDA, 2003).

A legislação indigenista da Coroa, por sua vez, ao tempo em que distinguia índios mansos e gentios bravos, garantindo direitos aos primeiros e justificando a escravização dos últimos, deixava brechas que permitiam a flexibilidade de soluções de acordo com cada situação singular.

Discussão historiográfica

A política indigenista, mais precisamente, a legislação criada pela Coroa portuguesa para atender aos índios é, segundo Beatriz Perrone, contraditória e oscilante. A análise do processo histórico dos índios da capitania de São Jorge dos Ilhéus reafirma essa assertiva, pois a referida legislação ora atende aos interesses de Jesuítas, ora dos Colonos, ora dos

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índios. Os jesuítas defendiam a “liberdade” dos índios, no entanto, eram acusados pelos colonos do controle absoluto sobre aquela mão de obra e de impedi-los de utilizá-la para garantir o florescimento da Capitania. Para isso, os inacianos baseavam-se em princípios religiosos e morais, garantindo o controle dos aldeamentos. Já os colonos defendiam a escravização dos índios e com isso garantiriam o rendimento econômico da colônia. A Coroa, dividida entre o temporal e o espiritual, produziu uma legislação para tentar conciliar ambos os interesses, ao tempo em que precisava, também, estabelecer e manter uma política favorável às alianças com certos grupos indígenas (PERRONE-MOISÉS, 1992:115).

No período colonial, os gentios foram identificados em dois grandes grupos: índios amigos e gentios bravos. Nesse sentido, podem-se perceber duas políticas indigenistas distintas. Aos índios aldeados, era dada a liberdade e o direito de serem senhores de suas terras nas aldeias e passíveis de serem convocados ao trabalho remunerado, devendo ser bem tratados. No entanto, aos tapuias2 restavam os aldeamentos ou a guerra justa, caso houvesse resistência (ALMEIDA, 2003:25).

Os “índios de pazes” eram bastante úteis em qualquer região ameaçada por tapuias, tal como era o caso da Capitania dos Ilhéus. A ameaça Aimoré perturbou por longa duração o imaginário da população local. Dessa forma, os “índios amigos” eram trazidos de suas aldeias do interior para perto das povoações portuguesas e, posteriormente, eram catequizados e “civilizados”, tornando-se vassalos úteis. Deles dependiam os moradores, tanto pelo trabalho de produção de gêneros de primeira necessidade, quanto pela segurança das vilas. Além disso, eles eram os responsáveis pelos novos descimentos, pois conheciam bem a terra, a língua e eram exemplo aos outros índios (PERONE-MOISÉS, 1992:118).

A localização e a administração dos aldeamentos seguiram critérios bastante lógicos. Nesses espaços, deveriam viver apenas índios e missionários; sendo que a reunião de diferentes povos indígenas nas aldeias estava expressamente condicionada à vontade dos índios em questão, já que estas deveriam ser formadas, preferencialmente, por indivíduos da mesma nação, de modo que o horror da convivência com inimigos não levasse os índios a fugirem dos aldeamentos. No que se refere à administração, inicialmente estava a cargo dos jesuítas, os quais eram responsáveis pela organização política e social das aldeias.

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Segundo Monteiro (2003) os colonos dividiram os índios em duas categorias etnográficas genéricas: tupis e tapuias. Os primeiros eram os índios matinham frequentes contatos com os portugueses e se localizavam no litoral, enquanto o segundo eram caracterizados como verdadeiras “bestas antropofágicas”, localizando-se nos distantes sertões, sem muito contato com os portugueses. Noticia John Monteiro que a “satanização” desses índios servia como justificativa à dominação dessas população.

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Os aldeamentos da Bahia são objeto de pesquisa de muitos historiadores. Anteriormente, aqueles eram vistos como “locações” onde índios viviam limitados sob o comando dos missionários. No entanto, novas tendências historiográficas apontam para questões que não contribuem para aquela noção (ALMEIDA, 2003:25). Nesse sentido, um exemplo que não corrobora com a “perspectiva da submissão” são as exigências feitas pelos nativos às autoridades solicitando benefícios próprios “os quais poderiam ser os mais variados, como a nomeação de certas lideranças indígenas nos cargos de capitães de aldeia, sargento-mor e meirinho” (DIAS, 2007:185).

Se antes os aldeamentos eram vistos como meio de aculturação, grosso modo, agora são percebidos como lugares de resistências (ALMEIDA, 2003:136). Os aldeamentos se configuraram como uma invenção dos brancos, contudo foram assumidos pelos índios como localidade própria onde teriam a garantia da manutenção das terras coletivas e de certas liberdades.

Outra ideia muito presente na historiografia é a da incompatibilidade dos aldeamentos com a produção mercantil, pois os índios não se adaptavam ao trabalho sistemático e sua produtividade não ultrapassara os níveis da autossuficiência das comunidades. Dias contesta esta visão, afirmando que são numerosos os exemplos que demonstram o importante papel que esta mão de obra exerceu na construção e na reprodução da estrutura produtiva colonial em Ilhéus (DIAS, 2007:185).

Os Gueren, subgrupo dos Botocudo, foram descritos pelos jesuítas, cronistas e alguns ilustrados da sociedade dominante como verdadeiros “demônios antropofágicos”. Assim, a maioria dos trabalhos recentes a respeitos da Capitania dos Ilhéus também vêem esses índios com essa perspectiva, na medida em que só recentemente os historiadores voltaram os olhos para a história indígena (PARAISO, 1982).

As primeiras notícias acerca dos Gueren encontram-se nas obras de Gândavo (1576), Gabriel Soares de Souza (1587), Spinola (1620) e Navarro (1605). Para esses autores, os ataques que esses índios provocaram, além de destruir os canaviais, se constituíram como fatos desagregadores do sistema produtivo, motivando o deslocamento dos colonos da Capitania dos Ilhéus para outras áreas e decretando a falência das atividades agrário- exportadora (Apud, Paraíso, 1982).

Serafim Leite observa que, no século XVIII, encontrou a capitania dos Ilhéus molestada pelo assalto dos Aimoré. “Esse dispondo da mata difícil para esconderijo, e dado o seu estilo de vida, nômade e arisca, refratária a aldeamentos fixos, sempre perturbaram os Ilhéus ou seus confins”. Segue o autor afirmando que os Gueren viviam há muito na capitania

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sem terem domicilio certo e cometiam periodicamente alguns excessos nas povoações e fazendas.

Outro autor que defende essa perspectiva é João da Silva Campos, o qual afirma que os Gueren,

Viviam atemorizando os moradores da vila e distrito de Ilhéus com um terrível bandoleiro, que se amoitara em sitio inacessível, nos mais ínvios recessos daquelas frondosas matas, acaudilhado por truculenta malta de índios Guerens que lhe obedeciam cegamente. Destarte, justifica uma possível estagnação econômica da Capitania de Ilhéus à resistência dos populações indígenas que habitavam sua costa, a saber, os pataxós e os “terríveis aimorés,” os quais destruíram engenhos e roças, obrigando a população a refugiar-se na cidade da Bahia. (CAMPOS, 1937: 241)

No entanto, novas pesquisas e estudos históricos discordam dessa assertiva, a exemplo de Dias (DIAS, 2007:55) que questiona a suposta “onda devastadora” desses índios. Para tanto, argumenta que uma investigação mais atenta nos testemunhos de época revela certo grau de alarmismo nos discursos de então, os quais, muitas vezes, não correspondiam à real dimensão das ocorrências, uma vez que os colonos tentavam justificar a “bestialidade” dos índios para se apropriar de suas terras e explorar seu trabalho.

Maria Hilda Paraíso nota que, após o período de depopulação violenta sofrida pelos Tupiniquin, reiniciam-se o processo de expugnação dos grupos indígenas do interior, os chamados Aimoré. Após o seu intenso contato com colonos e jesuítas, os Aimoré passaram ser denominados de Gren, ou Gueren. No século XIX, quando se intensificaram os contatos com os colonos, passaram a ser denominados pelo cognome de Botocudo, por conta dos adereços utilizados nas orelhas e pescoço.

O direito à terra, na contemporaneidade, representa o principal foco de reivindicações das populações indígenas. No período colonial a política indigenista se manteve atrelada a questão da posse da terra. Conforme Losada (2009), no século XVII, O Alvará de 1º de abril de 1680 foi absolutamente claro sobre a posse e os direitos dos indígenas em relação aos territórios que ocupavam, mesmo quando estes estivessem encravados em sesmarias concedidas.

A pesar deste amparo na legislação, do ponto de vista prático, ao longo do período, os índios foram, gradativamente, perdendo suas terras. Com o fim da lei de Sesmaria em 1822, segundo Losada, a posse tornou-se a forma mais usual de aquisição de terras. Em tal contexto, observa-se então o beneficiamento de grupos locais dominantes, os quais não encontraram limitações ao processo de apropriação territorial, inclusive de terras indígenas, cuja situação na região em estudo não foi diferente.

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No século XVIII, há informações de alguns aldeamentos na capitania dos Ilhéus, como noticia Silva Campos, a saber: o de Nossa Senhora dos Remédios de São José da Barra do Rio das Contas, São Fidelis do Rio Una e o de Nossa Senhora da Conceição dos Índios Gren do Rio Itaípe, os quais tinham como objetivos a exploração das terras e da mão de obra indígenas. No entanto, esses aldeamentos ainda não foram objeto de estudos profundos que revelassem as suas respectivas histórias, seja por falta de fontes históricas, seja pela falta de interesses de pesquisadores.

Observando tal lacuna é que se pretende, neste estudo, analisar a demarcação das terras dos Gueren de Barra do Rio das Contas, a formação do aldeamento dos Remédios, a dinâmica de apropriação de suas terras, a disputa das Ordens Religiosas pela posse dos foros e as reivindicações feitas pelos índios através de seu procurador, trazendo à tona maiores dados e informações acerca deste aldeamento.

Índios Gueren na sesmaria dos jesuítas: arranjos e conflitos na Barra do Rio de Contas

Em fevereiro de 1547, o então governador geral do Brasil, Mem de Sá, doou ao Colégio da Bahia doze léguas de terras para os padres inacianos tirarem seus sustentos; entretanto, como a doação era muito extensa, os religiosos tiveram que atender a duas determinações: legitimar a propriedade sobre a terra, precavendo-se de futuras usurpações e fazer a terra tornar-se produtiva como determinava a legislação portuguesa de 1375. Acerca disso observa Costa Porto que:

Se, entretanto, o proprietário não poder por si lavrar todas as ditas herdade que houver, por serem muitas ou em desvairadas comarcas, a lei permite que lavre parte delas por si ou por quem ele quiser e lhe mais aprouver [...] e as mais os faça lavrar por outrem, ou a dê a lavradores que os lavre e se mei por sua parte, ou a pensão certa ou foro. (PORTO, 1980:28)

Foi o que fez o Colégio da Bahia. Passaram a alugar suas terras a arrendatários, os quais pagavam foros de 1% ao ano. Discorre Marcelo Henrique Dias que o modelo de colonização alocou colonos de condições modestas na sesmaria do Camamú. Assim, obrigatoriamente, os foros cobrados pela posse e uso das terras não eram tão elevados se comparados à região de economia de exportação. Posteriormente, “quando boa parte das terras que margeavam os rios navegáveis já estava ocupada, os valores dos foros foram aumentados, ao ponto do Colégio da Bahia reconhecer que as terras produtivas estavam mal aproveitadas”. (DIAS, 2011:60).

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Alguns conflitos pela posse e uso da terra foram identificados em tal região, ao exemplo do que informa uma representação do Vigário do Camamú, Padre Marcelino Francisco de Mello, na qual reclamava contra a demolição das paredes de um engenho que pretendia construir em terrenos, ilegalmente comprados por Manoel da Silva Malta, por se provar que era logradouro publico dos habitantes, não podendo, portanto a Câmara aliená-los. Refere-se também às acusações que o mesmo vigário fazia a diversos funcionários e que as investigações judiciais demonstraram não terem fundamentos. Percebe-se, na leitura dessa fonte, o quanto as terras do Camamú eram valiosas e disputadas, diferente do que apontam alguns autores (AHU - 1748, Cx. 54, D.110.70.).

No ano de 1728, o Conde de Sabugosa, em carta, descreve a fundação do aldeamento de Nossa Senhora dos Remédios na então povoação que dará origem a Vila de Barra do Rio de Contas anos depois. Segundo o Conde,

Os índios Guerens aquietaram-se depois da prisão de Figueira, que os instigava a molestar os colonos. Então, julgou oportuno o momento de reluzi-los, agradando-os com a remessa de presentes dos artigos que mais estimava e lhes eram úteis (Apud CAMPOS, 1937: 241).

O padre responsável por tal empreitada foi frei José de Maria, o qual conseguiu aldeá-los, catequizá-los e batizá-los. Para fundar a aldeia requisitou-se ao Colégio dos Jesuítas uma légua em quadra das que Ilhéus possuía. Dessa forma, o aldeamento de Nossa Senhora dos Remédios passou a possuir terreno próprio, fora da área da sesmaria do Camamú.

Silva Campos aponta para outra possível versão da fundação do aldeamento de Nossa Senhora dos Remédios dos índios Gueren:

No ano de 1728 andava em missões volantes pela capitania o capuchinho Italiano Frei Domingo de Osena e um frade arrábido português, Frei José. Pregando uma das missões na povoação da Barra, foram na assistir diversos índios Guerens mansos, que andavam nos matos próximos, nus, “a modo bruto”. Então, pediram os ditos padres que lhes ensinassem a doutrina e os aldeassem... O Conde de Sabugosa,ponderando no alívio que teriam os moradores comarçãos com semelhantes providências, vendo-o livre do roubo e outros graves incômodos que dos ditos selvagens sofriam, entendeu-se com o prefeito do Hospício da Piedade, nessa capital, para mandar ao dito fim um dos seus religiosos. E porque nenhum existisse disponível, recebeu tal incumbência o mencionado arrábido, acompanhado de um leigo Capuchinho barbado. Que os índios faziam questão de ter missionário de face sedeúba. Fundou-se assim o aldeamento. Frei José foi substituído no ano seguinte pelo Capuchinho Frei Bernardino de Milão, que nele assistiu até 1748. Agora, em 1757, o Capitão-mor André Ramos requeria ao governador em nome dos índios da dita aldeia que lhe desse pároco. (Apud, CAMPOS: 125)

Apesar das informações das fontes consultadas não chegarem a um consenso quanto à origem do aldeamento, se ocorreu a pedido dos índios ou não, pelo menos algumas

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informações são coerentes no que diz respeito ao administrador e sua ordem religiosa. Foi nessa conjuntura de conflitos agrários que se erigiu a Vila de São José da Barra do Rio das Contas, a qual está situada ao sul da Capitania dos Ilhéus, dentro dos limites das terras do Colégio da Companhia de Jesus, como afirma Borges de Barros:

Aos vinte e seis dias de 1732 do mês de Janeiro do dito ano nesta mesma povoação da Barra do Rio das Contas, onde o ouvidor desta Capitania do Ilhéus, o Capital Manoel da Fonseca Jordão , mandou convocar o povo desta dita povoação para feito de levantar Vila, e sendo junto todos os moradores delas e os oficiais da Comarca, que para servirem na dita Vila pelo mesmo povo foram eleitos em virtude da carta de criação, fez o dito ouvidor na dita povoação, Vila intitulada Vila nova de São José e Rio das Contas, levantando Pelourinho e fazendo todos os mais atos necessários para este efeito que, por ordem da Donatária desta Capitania dos Ilhéus, a Senhora Dona Anna Maria Athayde Castro, vice-comendadora do Real Convento de Nossa Senhora da Encarnação e Ordem Militar de Aviz na dita Carta de Ereção lhes é ordenado sem impugnação de pessoa alguma, e por haver feito notificar aos Procuradores das Câmaras das Vilas, Ilhéus e Camamú, cujos termos confinam com o desta Vila nova se assina, como constam das certidões dos oficiais, que fizeram as ditas notificações pelos ditos procuradores senão acharem ao tempo e dia, que lhe foi assinada com assistências dos oficiais da Câmara desta Vila Nova de São José e Rio de Contas, assinou o dito Ouvidor com parecer dos ditos oficiais da câmara três léguas de terra para a dita Vila Nova, que