NAS ONDAS DO RÁDIO
2. PROCESSO E PROJETO EDUCATIVO
2.2. A CONSTRUÇÃO DO PROJETO
O ensino baseou-se por muito tempo em um sistema em que o professor detinha o conhecimento e transmitia para seus alunos. A avaliação da aprendizagem se dava por meio de testes que verificavam basicamente a memória do aluno. Conforme Nogueira (1998, p. 38), “toda essa gama de informações adquiridas e necessárias para responder estas baterias de testes se perderão logo após os alunos saírem das escolas”. O autor lembra que, fora da escola, eles encontrarão uma sistemática muito diferente da escola. No mercado de trabalho, provavelmente
terão de aplicar projetos, como um projeto de arquitetura, um projeto publicitário ou um projeto em qualquer área técnica.
Um projeto não precisa ser desconectado da programação acadêmica. Pode, e até deve ser programado e proposto juntamente com os alunos, a fim de intensificar o processo de aprendizagem dos conteúdos e, principalmente, possibilitar diversificação de ações, formas e vivências que venham ainda propiciar uma amplitude de desenvolvimento das diferentes competências. (NOGUEIRA, 1998, p. 39)
Ainda de acordo com Nogueira (1998, p. 39), trabalhar com projetos é usar “ferramentas que possibilitam melhor forma de trabalhar os velhos conteúdos de maneira mais atraente e interessante”.
Além disso, a construção do projeto é focada na participação do aluno, percebendo individualmente as diferentes formas de aprender, bem como os níveis individuais de interesse, de dificuldade e de potencialidade.
Entre as vantagens de se trabalhar com projetos – e é o caso do projeto “Nas ondas do rádio” – está a grande possibilidade de se propiciar estímulos por meio da riqueza de materiais, de experiências e de vivências, em face dos mecanismos de ação e interação. Nesse processo o aluno vai “pensar sua forma de pensar”, fazendo reflexões e descobertas por meio dos mecanismos utilizados.
2.3. INTERDISCIPLINARIDADE
A interdisciplinaridade acontece quando uma área do conhecimento se une a outra com o objetivo de trabalhar um assunto (abrangente) ou temas (restritos) que estão interligados ou se complementam. Conforme Hilton Japiassu (apud NOGUEIRA, 1998, p. 27), “a interdisciplinaridade se caracteriza pela intensidade das trocas entre os especialistas e pelo grau de integração real das disciplinas, no interior de um projeto específico de pesquisa”.
Foi dessa forma que o projeto “Nas ondas do rádio” buscou integrar disciplinas, além da Língua Portuguesa, para facilitar e ampliar o conhecimento dos alunos acerca do veículo rádio. A disciplina de história propiciou ao projeto uma pesquisa sobre como surgiu o rádio, bem como sobre a sua evolução. Os alunos
puderam verificar sua grande importância como fonte de informação e entretenimento. Além disso, o projeto utiliza o relato pessoal, que serviu para concretizar as informações adquiridas por meio da pesquisa.
O professor de Informática teve participação fundamental no auxílio da pesquisa histórica, bem como na edição e gravação de vinhetas. Já a disciplina de Física serviu para explicar a diferença entre as transmissões AM e FM e a professora de Teatro aproveitou para trabalhar oratória e dicção em suas aulas. No projeto interdisciplinar, apesar de aparecerem de forma distinta, é visível que as disciplinas se complementam por meio do objeto de estudo. Conforme Nogueira (1998, p. 26), “a problemática em questão conduzirá a unificação”.
2.4. A TECNOLOGIA
É fato que a tecnologia aparece no cenário atual como algo imprescindível para as pessoas. Os equipamentos tecnológicos se fazem presentes em diversos locais, nas escolas, nos ambientes de trabalho e nos lares. O investimento em tecnologia é tanto que, muitas vezes, fica difícil de as pessoas acompanharem a evolução de alguns equipamentos.
Antigamente, os educadores queixavam-se da televisão, pois os jovens passavam boa parte do dia em frente à “telinha”, visto que os televisores tenham se propagado, atingindo todas as classes sociais. Hoje, o equipamento eletrônico mais utilizado é, sem dúvida, o computador. Como o rádio e a televisão, o computador, inicialmente, era um equipamento caro e a que nem todos tinham acesso, mas a realidade foi mudando e o aparelho também passou a fazer parte da vida de muitos lares, independentemente da classe social.
Estamos vivendo um momento de transformações estruturais globais devido à revolução tecnológica, em especial nas áreas da informação e da comunicação, com profundas mudanças culturais, estas pressionadas violentamente pela chamada globalização com especial destaque para o papel da mídia. (BARRETO, 2001, p. 29)
O computador trouxe consigo a internet, que passou a fazer a grande diferença, pois a produção digital de textos, sejam eles quais forem, alcançou um índice elevadíssimo em comparação à produção de gêneros comuns ao rádio e à televisão. Por meio da rede, os textos chegam em segundos às mãos, ou melhor, às telas dos leitores, sejam elas telas de microcomputadores, notebooks, tablets ou de aparelhos de celular.
A Sociedade da Informação, entre tantos outros fatores, tem na rede mundial Internet um de seus pilares mais sólidos. Podemos mesmo arriscar a afirmar que a Internet foi a detonadora desse processo que terminou envolvendo todo o planeta. Assim, precisamos entendê-la não como uma questão meramente tecnológica, mas essencialmente, como um fator de cultura. (BARRETO, 2001, p. 37)
Inicialmente, pensou-se que a internet, por meio dos computadores, acabaria com os outros meios de comunicação. Contudo verificou-se que a internet é, na verdade, um instrumento, inclusive utilizado pelas emissoras de rádio e televisão. Foi o mesmo que aconteceu com o surgimento da televisão, quando as pessoas acharam que o rádio perderia seu espaço e se tornaria obsoleto, contudo esse meio de comunicação se mantém vivo até hoje, embora tenha tido que se adaptar às novas tecnologias.
Para Bellei (2010), um meio se adapta a novas tecnologias, mesmo que sofra alterações ou produza mudanças na forma de comunicação. Sendo assim, é como se não houvesse uma contraposição, mas uma adaptação. O rádio se adaptou a essa nova tecnologia, que é o computador, e se adaptará a tantas outras que ainda virão. Chartier (1994) destaca que todas as mudanças decorrentes da informatização são como uma revolução, mais importante do que a de Gutenberg. De acordo com o autor, “Ela não somente modifica a técnica de reprodução do texto, mas também as estruturas e as próprias formas de suporte que o comunica aos seus leitores” (p. 97). Pensando assim, vemos a tecnologia como grande facilitadora no que diz respeito ao acesso à comunicação.
O projeto “Nas ondas do rádio” destaca-se pelo uso de um veículo de comunicação que, como todos os outros, foi se moldando diante do avanço tecnológico. O mais importante de tudo é que ele apresenta, além da comparação
de como a comunicação se dá com outros veículos, toda a história e a evolução do rádio, permitindo ao aluno fazer associações e chegar a conclusões próprias.
2.5. O RÁDIO
O rádio é um veículo de comunicação que utiliza emissões de ondas eletromagnéticas para transmitir mensagens sonoras a distância, destinadas a uma audiência ampla. De acordo com Ferraretto (2001), a tecnologia é a mesma da radiotelefonia, que transmite a voz sem fios. Segundo ele, essa tecnologia “passou a ser utilizada, na forma que se convencionou chamar de rádio, a partir de 1916” (p.
23). O russo radicado nos Estados Unidos David Sarnoff vislumbrou a possibilidade de as pessoas possuírem um aparelho receptor em suas casas.
Foi nos anos 1940 que o rádio destacou-se como o mais importante veículo de massa. No Brasil, o surgimento da radionovela, dos programas humorísticos e de auditório fizeram que o rádio também imperasse na década seguinte, a qual chamamos de fase de ouro do rádio brasileiro.
Sob o aspecto da construção da linguagem de um veículo essencialmente sonoro, o gênero radionovela trouxe grande contribuição, uma vez que, através de adaptações e histórias inéditas, explorou o aspecto sugestivo e a sonoridade através da performance da voz – que encantava e despertava ódio – e da introdução de elementos sonoros, tais como efeitos (amadoristicamente produzidos no decorrer das gravações ou irradiações ao vivo), trilhas sonoras e músicas especialmente produzidas para determinados personagens. (SILVA, 1999, p. 30)
A busca incessante do rádio é deixar marcada sua mensagem na memória das pessoas, no caso, os rádio-ouvintes. De acordo com Silva (1999), mesmo que a linguagem do rádio conte com a ausência da escrita, como a linguagem das sociedades arcaicas, elas diferem, pois, esta última conta com a presença física do emissor. Na transmissão radiofônica há a ausência da presença física do emissor, “uma voz sem corpo, ou seja, uma voz que, com o advento das tecnologias de transmissão e estocagem de sons, separa-se da fonte que a produziu” (p. 42).
Conforme destacam Barbeiro e Lima (2003), o texto jornalístico segue normas universais. Os autores lembram que, em qualquer veículo, seja impresso ou eletrônico, “o redator deve ser claro, conciso, direto, preciso, simples e objetivo” (p. 74), mas, além disso, o texto do rádio em relação aos outros veículos deve ser instantâneo, pois o ouvinte só tem uma oportunidade de entender o que está sendo dito.
Levando em consideração a técnica, o programa de rádio pode perfeitamente alcançar êxito, mesmo tendo só a emissão sonora como instrumento. Contudo, além da técnica, quem escreve para o rádio também precisa se colocar como ouvinte e criar um elo que conta com a sensibilidade nesse processo. Baquero (1991, p. 23) destaca que “Escribir diaria o frecuentemente um guión radiofônico es estar sensibilizado ante el entorno, sus necesidades, ilusiones y problemas, y desde ello crear”.
Sendo assim, o rádio teve de criar técnicas que assegurassem a assimilação e memorização de sua mensagem. Essa questão é prevista no projeto “Nas ondas do rádio”, pois contempla o estudo de manual de redação de rádio. Várias atividades são previstas antes do processo de criação de um programa de rádio no intuito de inserir os alunos no mundo do rádio.
Considerando o que aponta Silva (1999, p. 78), que o rádio é “uma arte acústica cujo trabalho consiste em representar o mundo para o ouvido”, o programa de rádio deve, inclusive, ter uma preocupação com a trilha sonora, pois a música é utilizada com funções diferentes, de acordo com o tipo de programa em que é empregada. Esse veículo de comunicação possui uma técnica bem elaborada, pois, conforme ressalta Ferraretto (2001, p. 193), “A mensagem não depende apenas da palavra em si, mas de sua articulação oral, muitas vezes associadas à utilização de músicas e efeitos”.
Outra questão bastante importante que o projeto trabalha é a notícia, pois, diferentemente dos outros veículos, toda credibilidade deve ser transmitida por meio da segurança do locutor. Aspectos como a dicção são fundamentais para a compreensão da notícia, mas, antes disso, de acordo com Ferraretto (2001, p. 194), o redator, “com base em determinados critérios, torna o acontecimento uma mensagem jornalística”.
Analisando todos esses aspectos, pode parecer que o veículo rádio seja algo bastante complexo para ser trabalhado em sala de aula, contudo, com as devidas ferramentas e atividades que contemplem esse universo, trabalhar com ele resulta em algo prazeroso para os alunos. Além disso, os resultados colhidos são efetivamente reais e fazem a diferença no processo educacional.
2.6. NAS ONDAS DO RÁDIO
Segue um relatório sucinto das atividades desenvolvidas no projeto “Nas ondas do rádio”.
3. METODOLOGIA
As atividades foram desenvolvidas por meio de: − aulas expositivas;
− textos em áudio; − textos escritos;
− pesquisa na internet no Laboratório de Informática; − gravações no Laboratório de Informática;
− trabalhos em grupo; − relato de experiência; − visita de campo; − exposição de objetos.