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METODOLOGIA DE TRABALHO PARA A IDENTIFICAÇÃO E DESCRIÇÃO DAS POLISSEMIAS DE UM TERMO

4. ONTOLOGIA E ORGANIZAÇÃO DO CONHECIMENTO

4.5. A ontologia como uma ferramenta evolutiva

O progresso e a evolução são características inerentes aos domínios de especialidade, dessa maneira, a necessidade de representação de uma área do conhecimento requer uma reflexão referente às questões teóricas e metodológicas sobre a ontologia.

O conhecimento pode mudar conforme as necessidades de denominação das novas realidades. Desse modo, a ontologia como uma ferramenta que representa o conhecimento de uma área de especialidade necessita de um sistema operativo preparado para suportar essas mudanças, de forma que a atualização da ferramenta não comprometa a uniformidade, a consistência e a coerência em relação aos outros elementos da versão anterior.

As ontologias são ferramentas complexas, cujo desenvolvimento e manutenção origina vários problemas, dentre eles: as alterações na estrutura da ontologia que deve obedecer aos princípios da coerência.

Assim, pensar na evolução de uma ontologia traz grandes desafios, dentre os quais, podemos mencionar: a formalização, a manutenção da consistência da ontologia após a mudança.

A necessidade de evolução de uma ontologia é inevitável. Falar sobre a evolução dessa ferramenta pode referir-se tanto a uma mudança que ocorre a nível

formal, isto é, a aplicação de uma nova versão para refletir as mudanças que ocorrem no domínio de especialidade; na incorporação de funcionalidades adicionais que estejam de acordo com uma mudança nas necessidades dos utilizadores ou ainda na utilização dessa ferramenta; a compatibilidade entre sistemas; a estruturação do sistema; a carência de sistemas que possam representar a evidência da variação nos domínios especializados.

Enfim, várias são as situações, seja de nível técnico ou metodológico, que convergem para uma evolução da ontologia. Não devemos esquecer de mencionar que esses processos apresentam custos elevados.

A mudança é uma característica que ocorre em função da própria evolução e que obriga a redimensionar o uso da ontologia. Nesse sentido, a implementação de modificações para responder a necessidade dessas mudanças pode beneficiar o uso e as novas aplicações dessa ferramenta. Dentre essas tarefas, podemos referir: a gestão e manipulação dos dados em função dos objetivos; a necessidade de comunicação entre fontes de informações heterogêneas; a informação recebida de fontes externas; a fusão da informação de difererentes ontologias e assim por diante.

Vários são os autores que evidenciam o crescimento do número de ontologias que passam por um processo evolutivo.

Nesta ótica, Flouris uso o termo “ontology change” no seu sentido mais amplo, abrangendo todo e qualquer tipo de mudança. Para o autor, essas mudanças dizem respeito as alterações na própria ontologia, resultantes de fatores externos, modificações ditadas pela engenharia da ontologia, etc. :“the term ontology change will be used in a broad sense, covering any type of change, including changes to the ontology in response to external events, changes dictated by the ontology engineer, changes forced by the need to translate the ontology in a different language or using different terminology and so on.” (Flouris, 2006:2).

Por sua vez, Akinsola refere que a alteração nas ontologias pode ocorrer a nível de sua estrutura informática, isto é, essas mudanças ocorrem a nível da adição ou remoção de argumentos, ou de predicados, ou ainda de axiomas: “Some established ways of altering ontology are: adding or removing arguments, changing arguments’

classes, changing arguments’ types, adding or removing predicates, adding or removing axioms.” (Akinsola, 2008:17).

A ontologia ainda pode sofrer alteração em função das mudanças que ocorrem nos domínios de especialidade, que pode ocorrer sob a forma de novas descobertas ou mudança no ponto de vista de um certo especialista, provocando, por sua vez, uma nova organização e nova sistematização na estrutura conceitual do domínio em questão.

Desse modo, a mudança numa ontologia pode ocorrer em relação à própria realidade, ou então, na terminologia utilizada pelo especialista em função da observação da realidade que o rodeia.

A evolução de uma ontologia diz respeito à inserção de um novo conceito no sistema conceitual existente.

Akinsola refere que, por vezes, a variedade de representações e de processos de atualização contínua das ontologias geram discrepâncias em relação a falta de entendimento mútuo sobre essas ferramentas: “Because of the variety in representation used by modellers and the process of continual updating of ontologies, discrepancies tend to arise leading to agents having an internal understanding of only their personal ontologies rather than a mutual understanding.” (Akinsola, 2008:iii).

Tendo em conta estas divergências, o conceito de “ontology evolution” absorve significações diversas, como apontam Plessers et al. (2007). Para tentar contornar essa variedade de conceitos, os autores definem a evolução de uma ontologia como um processo de adaptação dessa ferramenta a mudanças surgidas num dado domínio de especialidade. Nessa definição, Plessers et al. mantêm tanto a consistência da ontologia em si, bem como a consistência de acordo com os artefatos: “At this moment, there exists no generally accepted definition of ontology evolution in the research community. The term ‘ontology evolution’ is often used with (slightly) different meanings. Therefore, we first define what we mean by ontology evolution. We define ontology evolution as the process of adaptation of an ontology to arisen changes in the corresponding domain while maintaining both the consistency of the

ontology itself as well as the consistency of depending artifacts.” (Plessers et al., 2007:39).

No quadro das mudanças e das evoluções que ocorrem na ontologia, atualmente, nos deparamos com propostas para a construção dessas ferramentas, tendo em conta uma abordagem temporal. Tal necessidade gira em torno da evolução inerente aos domínios de especialidade. Assim, uma ontologia deve ser pensada como uma ferramenta que constantemente deve ser atualizada.

A evolução deve ser uma característica inerente à concepção de uma ontologia, se considerarmos que a variação participa do conhecimento especializado. Contudo, uma ontologia desse tipo deve ser capaz de sistematizar os conceitos de um termo.

Sassi et al. referem a necessidade de gerir a mudança numa ontologia. Os autores atentam para o fato de que a gestão da mudança exige mecanismos que definem especificações de como o conhecimento pode ser alterado e de como manter a consistência do conhecimento após cada alteração. Nas palavras dos autores: “Change management requires defining mechanisms specifying how knowledge can be changed and how to maintain the consistency of knowledge after each change.” (Sassi et al. 2010:31).

Diante desse quadro da evolução das ontologias, é necessário que essa evolução seja sistematizada, considerando que esse processo possa privilegiar todo e qualquer objetivo de trabalho desenvolvido no âmbito dessas ferramentas computacionais.