Para Skinner (1968/2003a; 1974/1976), com porta m ento precorrente de atentar pode ser entendido como um com p o rtam ento im p o rtan te para u m a análise do pensar. M uito da atenção é costum eiram ente entendido como parte do pensar. Se o indivíduo se encontra diante de um problem a, ou seja, de um a situação em que não há resposta disponível, ele se com porta m elhorando sua chance de reforço em itindo respostas preliminares, que m udam o ambiente e facilitam a emissão da resposta que lhe falta. Assim, os organismos atentam para os estímulos do am biente, externo ou interno, para responder a eles de m odo mais eficaz, m elhorando, assim, as chances de reforço.
C ontudo, o que pode ser entendido como atentar para algum estímulo? A análise do atentar abre cam inho para um ponto im portante da análise skinneriana, o qual nos rem ete à análise de um cam po com um ente tratado na Psicologia: o cam po das sensações.3 Se Skinner repudia qualquer visão m entalista de estudo do com portam ento hum ano, deve, então, explicar como o organismo atenta para um determ inado estímulo, sem o uso de qualquer evento cognitivo em meio a sua explicação. D ito de outra maneira, deve explicar do que está tratando quando diz que um organismo atenta a um dado estado de coisas e responde a ele de alguma maneira sem apelar para conceitos que im pliquem armazenagem de representações ou esta belecimento de cópias internas dos objetos do m undo, as sensações.
O atentar, em alguns casos, pode ser fruto de nossa dotação genética, quando, po r exemplo, olham os em direção ao local no qual um barulho alto foi produzido. N o entanto, o atentar pode ser tam bém resultado das contingências de reforço e são estes os casos que mais nos interessam neste texto.
Nas ocasiões em que o atentar é fruto das contingên cias de reforço, o processo principal verificado é a discri m inação. Segundo Skinner (1953/1965), em geral, aa variáveis envolvidas neste tipo de com portam ento precor rente não são óbvias, porém podem ser identificadas. C estímulos se to rn am “interessantes” na m edida em qu; respostas emitidas em sua presença são reforçadas. Assiir as leituras frequentes de textos espalhados pelo m etrô c _. pontos de ônibus, por exemplo, tornam -se reforçador!: porque a comunidade verbal estabelece reforçadores concr- cionados a elas ou porque o indivíduo pode ser reforçac: por passar a ter acesso a um produto ou a serviços. Ler : m apa da estação do m etrô pode ser reforçador se o incL- víduo conseguir pegar o trem correto e, assim, chegar ac seu destino etc.
Algum as direções im portantes para a com preensã: do atentar em u m a perspectiva skinneriana p od em ser dadas por estudos sobre a atenção. Skinner (19 5 3 /1 9 6 ' pp. 122-123) relata que um pom bo foi consequenciado ac bicar um disco som ente quando um a luz colocada sobrr aquele objeto estivesse piscando. O animal aprendeu rapi dam ente não som ente a bicar o disco na presença da luz. mas tam bém a olhar para a lâm pada antes de bicá-lo. C com portam ento de olhar para a lâm pada pode ser exp -
:ado em termos de reforço condicionado, pois olhá-la era reforçado quando a luz piscava. Depois de estabelecido : bicar diante da luz piscando, foi disposta um a série de uzes na gaiola de m odo que qualquer um a delas pudesse ;er a luz a piscar com o um estím ulo discrim inativo. O pombo, então, passou a olhar para todas as luzes em um ‘raivém com a cabeça até um a delas ser acesa. Q uando o pom bo estava olhando em ou tra direção que não a da .uz que acendia, ele podia vê-la com parte do cam po dsual e im ediatam ente voltava-se para ela. A luz, nesse raso, “captava a atenção” do pom bo, no sentido de que o m im ai agora procurava por ela para responder ao disco e obter, assim, a comida. Esse experim ento m ostra que 3 com portam ento precorrente de atentar pode ser ensi- rado. O pom bo não somente aprendeu a atentar para a -impada que acendia, mas também aprendeu a com portar
; de maneira a procurar por ela. Com o com portam ento precorrente, o atentar, nesse caso, melhorava as chances ie reforço do animal, que agora podia responder ao disco Be maneira eficaz.
Assim, quando o objetivo é ensinar a pensar, Skinner 1968/2003a) salienta que o atentar, como comportamento r recorrente, deve fazer parte de um a série de com porta mentos. No caso de uma sala de aula, por exemplo, é neces sário que os alunos sejam ensinados a responder apenas
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características especiais do am biente, a fim de que a rprendizagem seja mais efetiva. Se o aluno “dispensa sua ::enção” aos estímulos corretos, ele poderá, assim como : pom bo de nosso exemplo, m elhorar as suas chances de retorço. Então, se um professor deseja, de algum modo, ensinar seus alunos a pensar, o prim eiro cam inho a ser percorrido é ensiná-los a atentar para os estímulos rele-mtes.
Podem ser identificados dois estágios distintos quando ínalisamos o atentar: atentar para determ inado estado ce coisas e responder a esse estado de coisas de alguma maneira. O reforço como consequência no segundo estágio fortalece o primeiro estágio (Skinner, 1968/2003a, p. 122).
V eja m o s um exemplo simples: um indivíduo está em um : jarto escuro e deve acender a luz do cômodo. Apertar : interruptor da luz seria a resposta que solucionaria o rroblema. Entretanto, procurar por um interruptor deve Kr um a resposta condicionada: o indivíduo deve ter sido exposto a contingências anteriores, quando acender um n terru p to r pôde ter sido reforçado pelo aparecimento de luz, da mesma maneira que o pom bo de nosso exemplo interior foi reforçado com as pelotas de comida por bicar :■ disco diante de um a luz piscando. Assim, o atentar para
determ inado estado de coisas é mais do que um a simples resposta de sensoriar o ambiente, ou seja, de responder a estímulos por meio de receptores dos sentidos.
Visto assim, quando o atentar ocorre, ele m u d a em algum sentido o am biente do indivíduo. Então, identi fica-se um a im portante noção no Behaviorismo Radical, a saber, a de que o am biente não é físico para Skinner em um sentido realista do term o: o am biente m u d a de acordo com a história de reforço do indivíduo, ou seja, de acordo com as contingências. Se o com portam ento de apertar um interruptor foi reforçado anteriorm ente, logo, o interruptor pode passar a ser um estímulo discrim ina tivo na situação de escuridão. Caso contrário, poderíamos sensoriá-lo, mas não responder a ele de maneira alguma, e, neste sentido, a luz do cômodo continuaria provavel m ente apagada.
D iante de to da essa análise, podem os increm entar a relação do com portam ento precorrente atentar e o pensar: o atentar funciona com o um precorrente im portante quando o assunto é pensar, porque m uda o am biente do indivíduo. O aluno que pode atentar para os estímulos corretos m ud a seu am biente de m odo a responder a ele de m aneira eficaz. E m u m exemplo dado por Skinner (1968/2003a), se o aluno deve calcular a área de um para lelogramo, é im portante que ele possa ver que a protube rância de um dos lados com pleta a reentrância do outro lado. Q uando ele atenta para os estímulos dessa maneira, o paralelogramo pode ser agora visto como um retângulo e sua área pode ser calculada (pp. 136-137).4
O problem a central é que o com portam ento precor rente pode ser, e na m aioria das vezes acaba sendo, um com portam ento encoberto e, por não ser óbvio para o observador ou para o professor, acaba sendo negligen ciado. Em um a atividade de resolução de problemas, por exemplo, a consequência reforçadora é dada apenas quando a resposta aberta acontece. Em geral, tal resposta aberta já é a resposta final, que resolve o problema. Ignoram-se, assim, as respostas precorrentes, como o atentar para determ i nados estímulos, que foram necessárias para a emissão do com portam ento de solução. O que parece ser im portante frisar é que, para Skinner (1968/2003a; 1974/1976), o com portam ento permanece encoberto apenas se as contin gências assim o mantiverem, ou seja, com consequências
40 aluno resolveria o problema do retângulo considerando-se que ele tenha um a história de reforço e, assim, saiba o que é um retângulo e como calcular sua área.
124 Temas Clássicos da Psicologia sob a Ótica da Análise do Comportamento
arranjadas os com portam entos encobertos podem voltar a ter a form a aberta.