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A UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA – UEL

CAPÍTULO V – UMA EXPERIÊNCIA DE MUDANÇA NA EDUCAÇÃO MÉDICA

5.1 A UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA – UEL

A UEL está localizada na cidade de Londrina, município com aproximadamente 500 (quinhentos) mil habitantes, situado no norte do estado do Paraná, na Região Sul do Brasil. Integra o Sistema Paranaense de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, cuja coordenação compete à Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior – SETI, com outras cinco universidades estaduais públicas.

A criação da UEL deu-se em 1971, com a reunião das cinco faculdades então existentes em Londrina: a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras; Direito; Odontologia; Medicina; Ciências Econômicas e Contábeis. Foi reconhecida pelo Governo Federal em 07 de outubro de 1971, através do Decreto-Lei nº 69.324, dando- se, então, por concluído, o processo de sua implantação, quinze anos depois da criação das duas primeiras faculdades isoladas. Em 1987 foi implantado o ensino gratuito na Instituição e, em 1991, transformou-se em Autarquia Estadual.

Atualmente, se caracteriza como entidade de direito público, com autonomia didático-científica, administrativa e de gestão patrimonial e financeira em

política educacional, sem fins lucrativos, mas é dependente financeiramente do Governo Estadual, de onde se origina a maior parte dos recursos que asseguram sua operação e manutenção.

O regime jurídico do pessoal docente e técnico-administrativo é regulado pelo Estatuto dos Funcionários Civis do Paraná (Lei no 6.174/70) e Estatuto, Regimento Geral e Regulamento de Pessoal da Universidade. Na legislação universitária segue as formalidades legais previstas nas Leis Estaduais e Federais.

No contexto regional, a UEL é a segunda universidade em porte do Estado do Paraná, sendo menor que a Universidade Federal do Paraná, e a maior Instituição de Ensino Superior Estadual do Sul do país, sendo superada apenas pelas universidades federais. No contexto nacional, situa-se entre as trinta maiores do Brasil em termos de captação de recursos e qualificação de seu corpo docente.

A Instituição recebe alunos oriundos, principalmente, do norte do Paraná, interior de São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, além de outros Estados do Brasil e de países da América Latina, como o Peru, Paraguai e Argentina e de outros continentes, através dos Programas de Estudantes Convênio de Graduação (PEC-G) e de Pós-Graduação (PEC-PG) da Fundação CAPES/MEC.

A UEL formulou, no final de 1998, através de um amplo processo de reflexão conjunta que envolveu suas lideranças formais, proposições de Visão e Missão institucional. (ALMEIDA, 2001).

Visão da UEL:

Universidade pública, democrática e com autonomia plena, reconhecida no cenário nacional e internacional, principalmente no MERCOSUL, por sua excelência na produção e difusão do conhecimento. Uma Universidade centrada na formação ética do cidadão, comprometida com o desenvolvimento científico-tecnológico, sócio-econômico, cultural e político do país, em especial de Londrina e região, transformando a sociedade e contribuindo para a melhoria da qualidade de vida da população. (ALMEIDA, 2001, p.27).

Missão da UEL:

Produzir conhecimento e torná-lo acessível ao maior número de pessoas, em parceria com a sociedade, de forma democrática e eficiente, por meio de um ensino inovador e de qualidade, articulado com a pesquisa, a extensão e a prestação de serviços. Uma instituição formadora de profissionais éticos, com a cultura geral, competência técnica, flexibilidade intelectual e comprometidos com a mudança social. Uma Universidade com atuação na geração e na transferência de tecnologia; na valorização e na disseminação da produção cultural e científica de Londrina e região. Enfim, uma instituição relevante que seja reconhecida pela sua contribuição para a melhoria da qualidade de vida da população. (ALMEIDA, 2001, p. 28).

O campus da UEL tem uma área física de 235,57 hectares (2.355.731,81 m2) e 174.236,57 m2 de área construída. Para o desenvolvimento de suas atividades acadêmicas e administrativas, a UEL conta com a seguinte estrutura: 09 Centros de Estudos, 56 Departamentos, 06 Pró-Reitorias, 06 Órgãos Executivos da Reitoria, 02 Coordenadorias, 10 Órgãos Suplementares, 06 Órgãos de Apoio, entre estes a 01Prefeitura do Campus e 02 Assessorias.

Atualmente oferece 43 Cursos de Graduação, sendo que 11 são da área de Ciências Biológicas e da Saúde, 24 da área de Humanidades e 08 da área de Ciências Exatas e Tecnológicas. Estão matriculados nos cursos de graduação 13.978 alunos.

Para o desenvolvimento de suas atividades acadêmicas, a UEL dispõe de um quadro docente composto por 1.653 docentes, dos quais 79% (setenta e nove porcento) com dedicação exclusiva e/ou com 40 horas/semanais. A política de aperfeiçoamento adotada pela Universidade, ao longo dos anos, tem levado a uma constante qualificação do pessoal docente, que se encontra assim distribuído:

TABELA 1

Qualificação Docente UEL

Corpo Docente N. º de Docentes %

Graduados 240 4,96 Especialistas 318 11,43

Mestres 620 40,60 Doutores 491 43,01

TOTAL 1669 100 Fonte: DAAI – Posição: fev/2007

O quadro técnico-administrativo da Universidade é composto por 3.539 funcionários. Destes, 1.662 atuam no Hospital Universitário representando 47% (quarenta e sete porcento) do total.

Em relação à pós-graduação, a UEL conta com 33 cursos “stricto sensu”, sendo 08 doutorados e 25 mestrados. No doutorado estão matriculados 275 alunos e no mestrado, 991 alunos. A UEL conta ainda com 82 cursos “lato sensu”, sendo 96 especializações e 42 residências. O número de alunos matriculados é de 2.173 nas especializações, 127 na residência médica e 58 nas demais residências. No total, a UEL tem atualmente 3.624 Alunos de Pós-Graduação.

No que se refere à Pesquisa, a UEL possui 839 Docentes Pesquisadores, 843 projetos em andamento e 365 grupos de pesquisas cadastrados junto ao CNPq, onde participam 2.960 alunos atuantes.

A UEL possui ainda 4 Pólos de Extensão à comunidade nas regiões norte, sul, leste e oeste de Londrina. São cinco Programas de Extensão com 407 docentes. Atualmente estão sendo desenvolvidos 164 projetos onde participam cerca de 1.152 estudantes.

Em seu aspecto deliberativo, se estrutura através do Conselho Universitário, instância máxima, composto pelas Câmaras de Legislação e Recursos e de Finanças e Orçamento; do Conselho de Administração e do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão, composto pelas Câmaras de Graduação, de Pós-Graduação, de Pesquisa e de Extensão. O Conselho de Interação Universidade – Sociedade, órgão consultivo e propositivo, constitui-se em um espaço privilegiado de interlocução da Universidade com os vários setores da sociedade. (COLEGIADO, 2005c).

Para atender aos seus objetivos institucionais e com finalidade social, científica, cultural, técnica e esportiva, a UEL dispõe de 10 Órgãos Suplementares, distribuídos em diferentes áreas de atuação. Eles representam um forte elo de ligação entre a Universidade e a Sociedade através da prestação de importantes serviços à comunidade. Estão subordinados administrativamente à Reitoria e vinculados academicamente aos Centros de Estudos para fins de integração de suas atividades com a comunidade interna e externa.

A Universidade Estadual de Londrina privilegia e valoriza o ambiente universitário para viabilizar o processo de disseminação e apreensão do conhecimento produzido pela sociedade, através da integração de suas atividades de ensino, pesquisa e extensão, enfatizando a riqueza da diversidade. O Projeto Político- Pedagógico Institucional da UEL deixa isto bastante claro nos princípios gerais e finalidades da Universidade. (COLEGIADO, 2005c).

Conseqüentemente, o Estatuto da UEL, aprovado pelos Conselhos Superiores em dezembro de 2003, deixa clara a intenção em oferecer uma formação humanista e ética, interagindo com a comunidade e com a realidade social, indispensável à formação da cidadania. Neste sentido, o ensino de graduação torna-se a base do tripé universitário e a UEL privilegia as especificidades de cada curso, oferecendo autonomia aos colegiados e fomentando as discussões dos Projetos Político-Pedagógicos de cada curso.

A UEL, desde o momento de sua fundação, assumiu o propósito de desenvolver um ensino de qualidade para atender à demanda regional de formação

superior, capacitando centenas de pessoas para ocupar os cargos de liderança político- administrativo-social de Londrina e região. Com o tempo, teve que redefinir seu papel em função do crescimento da instituição, do incremento na área de pesquisa acadêmica e científica em função da qualificação do corpo docente, do aumento das exigências dos órgãos estaduais e federais quanto às funções sociais a serem desempenhadas pelas universidades, das dificuldades crescentes quanto ao provimento de receitas pelo governo do estado, e da necessidade de se adaptar às novas tendências impostas pelos cenários da globalização. (HANSEN, 2001).

Para alcançar esse propósito, a UEL esteve sempre voltada aos movimentos de qualificação da Educação Superior. Suas lideranças estiveram sempre envolvidas nos debates nacionais ocupando posições de destaque em entidades de representação nacional como os Fóruns de Pró-Reitores e a ABRUEM, Associação Brasileira de Universidades Estaduais e Municipais entre outras, participando inclusive do Comitê Assessor do Programa de Avaliação Institucional das Universidades Brasileiras – PAIUB, constituído pelo MEC/SESu, enquanto ocupou a presidência da ABRUEM.

Em função disso e do seu compromisso com a qualidade, esteve envolvida desde o início da década de 1980 com a questão da avaliação. Participou dos dois editais do PAIUB para financiamento dos processos de avaliação institucional e mesmo concorrendo com as universidades federais, obteve a aprovação de seu projeto nos dois momentos, o que fez com que a avaliação do ensino, da pesquisa, da extensão e da gestão universitária se tornasse uma rotina da comunidade acadêmica em meados da década de 1990, ainda quando em muitas instituições nem se falava em avaliação, menos ainda em auto-avaliação e em avaliação institucional.

Naquele momento, entre 1993 e 1997, a UEL contou com assessoramento de especialistas em avaliação da educação superior e conseguiu realizar um processo bastante participativo, envolvendo todos os segmentos da comunidade universitária, a comunidade externa local, e ainda, pares de outras instituições de ensino superior. O trabalho foi reconhecido no cenário nacional e serviu de referência para muitas instituições de ensino superior. Com isso, despertou a

administração da universidade e os colegiados dos cursos de graduação para a importância da avaliação.

Mesmo com a extinção do PAIUB e sua substituição pelo Provão, a avaliação continuou sendo valorizada internamente. Como relatado, a sistemática de avaliação do ensino superior brasileiro foi sendo constituída de maneira fragmentada, através das implementações de políticas de avaliação do Governo Federal e das iniciativas das instituições e demais entidades do ensino superior, atendendo ora às demandas externas, ora propondo mecanismos próprios de avaliação.

Da mesma forma que a evolução das políticas de avaliação da Educação Superior foi desenvolvido o processo de avaliação institucional da UEL, que em dados momentos submeteu-se às políticas governamentais, ao mesmo tempo em que propunha ações avaliativas mais condizentes com a sua realidade institucional, se antecipando e se contrapondo às limitações da avaliação de produto, valorizando a dinâmica da avaliação de processos. (PERIM e ZANETTI, 2001).

Embora todo esse processo tenha sido muito significativo, assim como ocorreu com a política nacional de avaliação, durante os anos que se seguiram, a avaliação institucional perdeu espaço na UEL, mas ainda assim esse movimento teve reflexos positivos junto à comunidade universitária, principalmente no que diz respeito à avaliação dos cursos de graduação. Atualmente, mesmo sendo desobrigada por lei pelo fato de ser uma universidade estadual, a UEL participa do ENADE e realiza as demais ações que integram o SINAES.

Hoje a UEL se destaca como uma das boas universidades do sul do país, com uma respeitável produção acadêmica e com uma forte influência no desenvolvimento regional do Norte do Paraná, e é no ensino de graduação que continua sendo referência nacional.

Além dos excelentes resultados que muitos cursos da UEL vêm obtendo ao longo dos anos nas avaliações nacionais, alguns cursos se destacaram especialmente pelas inovações implementadas no processo de ensino-aprendizagem,

tais como a adoção de metodologias ativas de ensino, o enfoque formativo na avaliação do estudante, e o ensino centrado no aluno como sujeito da construção do conhecimento.

Essas mudanças, pioneiras no cenário nacional, acompanhando as tendências mundiais, se deram essencialmente no Centro de Ciências da Saúde, particularmente nos cursos de Medicina e Enfermagem.

Na UEL, os Cursos de Graduação estão vinculados aos Centros de Estudos. O Centro de Ciências da Saúde agrega cinco Cursos de Graduação: Odontologia, Enfermagem, Farmácia e Bioquímica, Fisioterapia, e Medicina, sobre o qual trata-se a seguir.