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7 ANÁLISE DE DADOS

7.2 ANÁLISE DA APLICAÇÃO E DA OBSERVAÇÃO DOS JOGOS

7.2.2 Percepções das crianças sobre a prática dos jogos cooperativos

7.2.2.1 Alegria e entusiasmo pelo jogo cooperativo

Segundo os pesquisados, os momentos vividos pelos jogos cooperativos foram bem empolgantes e atraentes para todo o grupo que relatou nesses comentários o fato de ter sido muito legal o jogo. Assim, ser legal para todos representa que os participantes se sentiram bem em estar naquele momento jogando com o outro. Dessa forma, apareceram 38 verbalizações: “Eu achei legal o jogo” e mais 20 excertos a seguir que destacam essa questão:

Aluna L: Legal. Não sei o porquê. Eu achei legal mesmo (jogo “Dança das cadeiras cooperativas”).

Aluna ME: Eu achei boa a brincadeira... (jogo “Dança das cadeiras cooperativas”).

Aluno K: Achei legal porque... não sei. Porque tinha cadeira, tinha música (jogo “Dança das cadeiras cooperativas).

Aluna NA: Achei muito legal [...] (jogo “Dança das cadeiras cooperativas”). Aluna NO: Foi muito massa... Achei muito legal (jogo “Dança das cadeiras cooperativas).

Aluno J: Achei bommmm o jogo [...] (jogo “Quebra-cabeça cooperativo”). Aluno A: Eu achei legal porque acertei 5 e 1 (jogo “Dado bola”).

Aluno K: Eu achei legal [...] eu já tinha brincado com o dado e já conhecia (jogo “Dado bola”).

Aluno G: Eu achei legal... Eu já tinha brincado com o dado (jogo “Dado bola”).

Aluna A: Eu achei legal... A parte que mais gostei foi a de jogar as moedas no balde (jogo “Cubra seu dinheiro”).

Aluno G: Eu achei legal. Porque nós estávamos fazendo as histórias. Achei fácil porque... porque... todo mundo tava falando. Eu mais gostei foi a da Peppa (jogo “Criação de histórias).

Aluno P: Achei legal, porque... consegui achar todas as cores (jogo “Cor”). Aluna L: Achei legal e foi fácil de achar as cores (jogo “Cor”).

Aluno G: Achei legal a brincadeira. Achei fácil identificar as cores. Eu sabia o que era esquerda e direita (jogo “Cor”).

Aluno J: Os animais foram fáceis de imitar. Já conhecia todos os animais. Achei legal de fazer as imitações e de desenhar (jogo “Famílias”).

Aluna L: Eu achei legal o jogo. Achei fácil imitar os animais. Já conhecia esses animais (jogo “Famílias”).

Aluna ME: Achei bonito as corujas. Achei fácil o jogo. Gostei de brincar (jogo “Hoot owl hoot).

Aluna NO: Foi divertido o jogo do balão porque a gente tem que se equilibrar o balão na cabeça e jogar um para o outro (jogo “Duas pessoas, uma bexiga”). Aluna NA: Foi divertido o jogo porque eu estava brincando com o balão (jogo “Duas pessoas, uma bexiga”).

Nas assertivas, a questão de ser legal nos remete ao fato de que a ludicidade propicia momentos de descontração, diversão e até o prazer dos que estão participando daquela vivência. Essas sensações favorecem uma satisfação para o jogador que oportuniza a vontade de continuar jogando, que representam uma das características dos jogos abordadas por Huizinga (1939/2012) do caráter não sério e do prazer promovido pela ação de jogar. Logo, a intensidade do jogo e seu poder de fascinação leva o ser humano a exercitar e a superar seus limites e desafios.

Além disso, a alegria e a comunhão compartilhada entre os pesquisados correspondem à expectativa da visão dos jogos cooperativos defendida por Orlick (1989, 2002), Brotto (1999, 2003), Brown (1994) e Soler (2006, 2011).

Os jogos já mencionados anteriormente também revelaram o aspecto da satisfação e do entusiasmo por grande parte dos pesquisados. Todavia, será destacado mais um para exemplificar essa subcategoria, como é o caso do jogo “Eco-nome”, aplicado no dia 09/06/2015, na própria sala de aula, em que foi solicitado aos participantes que falassem o nome e, em seguida, fizessem um movimento dentro da formação de um círculo para que os outros pudessem repeti-los até que todos se apresentassem.

Inicialmente, a pesquisadora fez a demonstração, falando e fazendo o movimento de baixar para os 13 jogadores presentes. Durante esse momento, mostravam-se atentos e empolgados em querer participar do jogo, pulando e balançando os braços. Em seguida, um menino falou o nome e fez o movimento de dança árabe. Assim, os colegas sorriram, repetiram o gesto e falaram o nome do colega no próprio lugar em vez de ir ao centro do círculo. Já o segundo jogador fez o gesto de dar socos, e todos imitaram com perfeição o movimento. Depois, o terceiro falou o nome e pulou. Assim, os outros continuaram a imitá-los adequadamente, conforme se percebe nas Figuras 25 e 26 abaixo:

Figuras 25 e 26 – Remexendo o corpo no jogo “Eco-nome”

Fonte: Arquivo pessoal da pesquisadora

Observou-se que durante a realização desse jogo, os participantes sorriam e faziam os gestos alegremente, demostrando estarem contentes e felizes ao compartilharem esses momentos juntos com os colegas. Neste sentido, é coerente afirmar que os educandos foram receptivos a essa proposta de jogo cooperativo e a realizaram da melhor forma possível, atendendo à sua necessidade, que é se divertir. Veja a seguir alguns relatos que abordam esse fato do jogo:

Aluno P: Achei legal e só um pouco fácil o jogo (jogo “Eco-nome”).

Aluno G: Achei legal porque as crianças estavam dançando. Achei fácil o jogo porque a gente tinha que falar o nome e fazer o movimento (jogo “Eco- nome”).

Aluna E: Achei legal o jogo e foi fácil o jogo, porque a gente tava falando o nosso nome (jogo “Eco-nome”).

Aluno M. E: Achei legal. Achei fácil. Eu consegui fazer todos os movimentos (jogo “Eco-nome”).

Aluna L: Eu achei legal e fácil o jogo, porque as crianças tinham que falar os nomes (jogo “Eco-nome”).

Vale ressaltar também que os pesquisados destacaram em suas falas que gostaram muito de ter participado dos jogos em que apareceram 35 discursos recorrentes sobre a questão conforme descrito neste trecho: “Eu gostei do jogo”, e nos mais de 23 relatos que se apresentam justificando o que mais gostaram e só afirmando seu contentamento diante das situações vividas nos jogos, como pode ser visualizada nas verbalizações abaixo:

Aluno G: Eu gostei porque tinha música [...] (jogo “Dança das cadeiras cooperativas”).

Aluna ME: Eu gostei porque estava se escondendo no calhambeque (jogo “Achados e perdidos”).

Aluno K: Eu gostei do jogo dos achados e perdidos [...] (jogo “Achados e perdidos”).

Aluno A: Eu gostei de montar o quebra-cabeça. Porque eu montei em todas as mesas... em todas as mesas (jogo “Quebra-cabeça cooperativo”).

Aluno G: Gostei da brincadeira [...] (jogo “Tênis boliche”).

Aluno P: Gostei de brincar dessa brincadeira [...] (jogo “Tênis boliche”). Aluno J: Eu gostei de ter jogado (jogo “Tênis boliche”).

Aluno M.E: Eu gostei porque tinha caixas para brincar. Tinha bola, eu joguei forte (jogo “Tênis boliche”).

Aluna A: Eu já tinha brincando com o dado. Eu gostei de brincar com o dado (jogo “Dado bola”).

Aluno A: Eu gostei da brincadeira do dado porque ele era mais divertido (jogo “Dado bola”).

Aluna NO: Eu gostei do jogo das moedas (jogo “Cubra seu dinheiro”). Aluno J: Eu gostei da brincadeira [...] (jogo “Cubra seu dinheiro”).

Aluna E: Eu gostei mais da história da Peppa (jogo “Criação de histórias”). Aluna NA: Gostei da brincadeira (jogo “Abraço musical”).

Aluna E: Eu gostei da brincadeira (jogo “Abraço musical”). Aluno G: Gostei da brincadeira (jogo “Abraço musical”). Aluna A: Eu gostei da brincadeira (jogo “Abraço musical”).

Aluna NA: Gostei da brincadeira. Achei fácil de achar as cores (jogo “Cor”). Aluna NA: Gostei de jogar (jogo “Hoot owl hoot”).

Aluna NO: Sim, gostei do jogo da coruja (jogo “Hoot owl hoot”).

Aluno K: Gostei de brincar do jogo da coruja. Gostei de brincar do tabuleiro, da coruja e do sol (jogo “Hoot owl hoot”).

Aluna L: Gostei do jogo da coruja (jogo “Hoot owl hoot”).

Aluna E: Gostei da brincadeira [...] Minha colega foi junto comigo e foi mais fácil ir junto (jogo “Amarelinha cooperativa”).

Diante dessas colocações, é possível perceber que nos jogos predominaram o sentimento de contentamento e prazer por parte dos entrevistados em virtude de ter o colega do lado, pelo fato de algo ter lhe agradado e chamado a sua atenção. E esses fatores colaboraram para que a experiência lúdica fosse boa e agradável, promovendo uma adequada condução da ação do jogar e a continuidade da vontade de experimentar essas sensações positivas. Isso pode ser corroborado com os estudos de Cortez (1999), ao relatar a experiência com esses jogos em um grupo de alunos do 3° ano do ensino fundamental, no qual demonstraram alegria e satisfação a maior parte do tempo.

Para exemplificar essa questão, é necessário destacar alguns momentos vividos pelos participantes durante o jogo chamado “Lista de compras”, realizado no dia 01/06/2015, na sala de aula, em que os jogadores tinham de procurar produtos escondidos dentro da sala com uma lista desses itens a serem encontrados. Além disso, os participantes precisavam se organizar para propor estratégias.

A pesquisadora escondeu os objetos pela sala, e as crianças estavam ansiosas para descobrirem qual era o jogo. Foi solicitado que se organizassem e elas se separaram em duplas ou trios. Entretanto, uns dois procuraram sozinhos. No momento da procura, elas expressavam entusiasmo pelo desafio. Vasculhavam todos os cantos da sala, abaixavam, olhavam para cima

e para os lados até encontrarem os objetos. Quando os achavam, os jogadores demonstravam alegria e sorriam por ter conseguido desvendar o mistério dos lugares. Veja nas Figuras 27 e 28, abaixo, alguns instantes desse jogo:

Figuras 27 e 28 – A hora da busca dos objetos no jogo “Lista de compras”

Fonte: Arquivo pessoal da pesquisadora.

A maioria ajudava o colega a procurar e dizia quais os produtos que ainda faltavam para o grupo. Nos itens finais, foram dadas dicas para facilitar o andamento do jogo e o último produto foi almejado por todos, contagiando a sua descoberta e a descontração no final. Seguem alguns discursos que complementam essa questão:

Aluno G: Sim, gostei da brincadeira. Ahhh (jogo “Lista de compras”). Aluna L: Gostei da brincadeira e achei fácil (jogo “Lista de compras”). Alunos J, K, NO, M. E e P: Gostei de brincar [...] (jogo “Lista de compras”). Aluna A: Gostei de brincar. Achei fácil o jogo (jogo “Lista de compras”). É necessário lembrar que as crianças gostam de brincar e de jogar e é nessas ações que se adquirem experiências, conforme se postula Winnicott (2013). É nessas vivências que se assimilam hábitos e aprendem regras para o meio em que vivem (SANTOS, 2011), além do exercício da cooperação, da integração entre os participantes e das habilidades motoras, intelectuais e afetivas. Assim, as experiências por meio dos jogos cooperativos foram em grande parte alegres, positivas e cooperativas, concordando com que Orlick (1989) disse sobre a possibilidade de se introduzir comportamentos e valores por meio dos jogos que afetarão a sociedade, ao longo do tempo. Isso também pode ser corroborado com a fala da professora ao destacar que esses jogos podem estimular atitudes positivas no seguinte trecho: “Ahhh, com certeza. Saber respeitar a vez do próximo, saber o próprio cooperar, né? Ajudar o próximo, né?”.

Ainda sobre os aspectos das impressões das crianças, notou-se, ao longo da realização dos jogos, um aspecto de facilidade na ação de jogar que será descrita a seguir.