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ALGUMAS CONQUISTAS DO MOVIMENTO LGBTQIA+

No documento DIVERSIDADE E POLÍTICAS PÚBLICAS VOL. 1 (páginas 163-169)

GÊNERO NO CENÁRIO BRASILEIRO

3. ALGUMAS CONQUISTAS DO MOVIMENTO LGBTQIA+

O movimento LGBT “sob o mesmo guarda-chuva pretendem am-parar-se, além dos gays e das lésbicas, travestis, transexuais masculinos, femininos e os bissexuais” (CONDE, p.43, 2004). Não é uma proposta direcionada apenas para homens ou mulheres que possuem desejo/atração sexual por pessoas do mesmo sexo.

A abertura política possibilitava sonhar com uma sociedade mais democrática, igualitária e justa e, mais especificamente, trazia a esperança para o movimento gay de uma sociedade em que a ho-mossexualidade poderia ser celebrada sem restrições. Havia a cons-ciência de que a luta era árdua e que passava pela desconstrução dos parâmetros da homossexualidade, com seus consequentes tabus, e pela construção de identidades mais positivas, embasadas na valo-rização da autoestima, da autoimagem e do autoconceito de seus integrantes (FERRARI, p.105,2004).

Inicialmente, o movimento era exclusivamente por homossexuais, ti-nha como propósito a luta pela desconstrução da visão marginalizada da sociedade acerca da população gays. Tornando-se uma luta contra o auto-ritarismo “seja no interior de partidos políticos (de direita e de esquerda), seja nas relações entre homens e mulheres, seja também entre pessoas do mesmo sexo” (FRY E MACRAE, p.23,1985).

O Projeto de Lei nº 1.151 de 1995, elaborado pela Deputada Federal Marta Suplicy, que dispõe acerca da regulamentação da união entre pes-soas do mesmo sexo. Ele propõe o direito à herança, direito à nacionalida-de no caso nacionalida-de estrangeiros, nacionalida-declaração conjunta nacionalida-de imposto, seguro saúnacionalida-de conjunto, benefícios previdenciários. Não sendo aprovado, e substituído pelo Deputado Roberto Jefferson em 2001, alterando “união civil” por

“parceria civil”. O reconhecimento da união civil entre pessoas do mes-mo sexo é considerado pela comunidade LGBTQIA+ comes-mo uma con-quista histórica, quando em 2011 o Supremo Tribunal Federal reconhece a união civil.

Pode-se dizer, então, que desde 2011, na ordem jurídica brasileira, a união estável não pressupõe a diversidade de sexos para ser uma entidade familiar, devendo apenas haver uma convivência pública, contínua e duradoura com o objetivo de constituição de família.

Logo, embora a decisão do STF não vincule o Poder Legislativo, toda a legislação brasileira sobre união estável deve ser interpretada sem que haja como pressuposto a diversidade de sexos; além do que os demais órgãos do Poder Judiciário e a Administração Públi-ca devem, porque vinculados pela decisão do STF, agir de maneira a facilitar o reconhecimento dessas uniões e, inclusive, em virtude de comando constitucional, facilitar sua conversão em casamento (FARO E PESANHA, p.5, 2014).

Com a decisão pelo do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) em 2011, o casamento entre pessoas do mesmo sexo é possível, considerando que na leitura da Constituição Federal de 1988 não apresenta nenhuma vedação.

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) edita a Resolução n.º 175, para esquivar-se da negação dos cartórios para a realização do casamento entre gays, em que a resolução dispõe da proibição das autoridades competentes

ROGERIO BORBA DA SILVA (ORGS.)

de recusa a celebrar ou habilitar os casamentos civis entre pessoas do mes-mo sexo. (FARO E PESANHA, 2014).

As uniões homoafetivas são consideradas status de entidade familiar quando em 2011 o Supremo Tribunal Federal às reconhece, recebendo proteção são instituídas no Código Civil e na Constituição Federal de 1988. A Ação Direta de Inconstitucionalidade 4277, que estabelece que os casais homossexuais têm os mesmos direitos que os casais heterossexuais e seguem os princípios de liberdade, igualdade, dignidade, privacidade e intimidade (FEIJÓ E LIMA, 2016).

O Ministro Carlos Ayres Brito enfatizou que não devem existir interpretações preconceituosas e homofóbicas da Constituição e que a igualdade entre casais heteroafetivos e homoafetivos somente terá plena eficácia se possuírem os mesmos direitos à formação da família, neste caso, o reconhecimento da União homoafetiva e a possibilidade da adoção seria a forma mais concreta de entidade familiar (FEIJÓ E LIMA, p. 139, 2016).

Mott (2000) caracteriza a homofobia como um fenômeno social que resulta do medo contra homossexuais. Em 2012, um estudo elaborado pela Secretaria de Direitos Humanos (SDH) aponta que no mesmo ano foram realizadas 3.084 denúncias relacionadas à violação à população LGBTQIA+, que envolviam 4.851 vítimas e 4.784 suspeitos. Houve um crescimento de 166,09% de denúncias e 46,6% de violações em compa-ração com o ano anterior, onde houve 1.159 denúncias e 6.809 violações contra a comunidade LGBTQIA+ (BRASIL, 2013).

A Política Nacional de Saúde Integral de LGBTQIA+ é implemen-tada em 2010 pelo Sistema Único de Saúde, com isso, temos um novo momento, um reconhecimento dos efeitos da discriminação e exclusão do processo saúde-doença da população LGBT, com caráter transversal, e atendendo a individualidade dos gays, lésbicas, travestis, bissexuais, trans-sexuais. Com a política instituída, seus objetivos e diretrizes reduzem as desigualdades no âmbito da saúde desse grupo, assim ocorrendo mudan-ças na determinação de saúde (BRASIL, 2010).

Uma resolução editada pelo Conselho de Direitos Humanos em 2011, dando importância aos direitos LGBTQIA+ que acima de tudo são

direitos humanos. Tal resolução resulta na seguinte interpretação: os Es-tados que não respeitarem as pessoas LGBTQIA+ violarão diretamente os Direitos Humanos e Todos os Tratados de Direitos Humanos” (GORIS-CH, 2014). Logo, os países consignatários dos tratados internacionais de Direitos Humanos têm como obrigação respeitar os acordos realizados.

Por conseguinte, a luta da população LGBTQIA+ tem um logo per-curso a ser trilhado, entendido que os homossexuais se encontram sob a égide de um Estado omisso, intolerante, excludente que, apenas formal-mente, compreende a universalidade de direitos para homens e mulheres, sem exclusão de qualquer natureza (ANDRADE, 2015).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir de uma análise materialista do fenômeno da diversidade hu-mana, enquanto fruto do processo de individuação posto pelo trabalho, foi possível perceber sua centralidade no processo de complexificação social e os obstáculos para sua livre expressão devido a formas de sociabilidade baseadas na exploração, tal como sociabilidade burguesa. Nesse sentido, os movimentos sociais surgem enquanto formas de politizar a diversidade no sentido de reagir as desigualdades postas pelo modelo de organização social vigente.

Assim, o movimento LGBTQIA+ brasileiro, marcado por uma traje-tória demasiadamente densa de resistência e denuncia as múltiplas viola-ções de direito vivenciadas por esses sujeitos, surge, sobretudo, na década de 50, entretanto tem momentos de efervescência em contextos especí-ficos. Um desses momentos específicos é o da reabertura democrática, na década de oitenta, onde essa população solicitava respostas do Estado frente ao contexto epidemiológico do HIV/AIDS.

Todo esse trajeto, arduamente percorrido por essa população, ex-pressa-se em algumas conquistas que mesmo que ainda muito tímidas e parciais atuam enquanto elementos que minoram as situações de sub-jugação e exploração que são vivenciadas por esses sujeitos em sua vida cotidiana. Algumas delas expressam-se no reconhecimento da consti-tuição da sociedade conjugal composta por pessoas do mesmo sexo e, respectivamente, o reconhecimento dos direitos patrimoniais e sucessó-rios entre esses sujeitos.

ROGERIO BORBA DA SILVA (ORGS.)

Outrossim, é importante ressaltar que falar sobre a na possibilidade de concretização da livre expressão da diversidade sexual humana, a partir da superação da heteronormatividade, pressupõem mais do que apenas meros reconhecimentos legais. É necessário a construção de organização social e produtivo que não seja baseada na exploração e na opressão. Nesse sen-tido, torna-se necessário que agenda política do movimento LGBTQIA+

incorporem pautas anticapitalistas, pois apenas com a superação do modo de produção capitalista é possível conquistar a emancipação humana.

REFERÊNCIAS

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131-.146.

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A LIBERDADE DAS MULHERES NOS

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