3.6 DA ELEIÇÃO DA PRIMEIRA PRESIDENTE AO IMPEACHMENT
3.6.3 Autorizada a abertura do processo de impeachment da presidente
No dia 2 de dezembro, a bancada do PT na Câmara anunciou que votaria pela continuidade do processo de cassação de Eduardo Cunha no Conselho de Ética. No mesmo dia, Cunha autorizou a abertura do processo de impeachment da presidente baseado no requerimento feito pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Júnior. No dia 7 de dezembro, o vice-presidente da República, Michel Temer, enviou carta à presidente Dilma Rousseff na qual assinalou desconfiança do governo em relação a ele e ao PMDB (PORTAL G1, 2015).
Em 18 de dezembro, em nota à imprensa, o Palácio do Planalto anunciou o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, como o substituto de Joaquim Levy no comando do Ministério da Fazenda. Para Barbosa, o ajuste fiscal e a recuperação econômica tinham de andar juntos (PORTAL G1, 2015).
O ano de 2015 foi marcado pela recessão na economia e pelo pagamento das chamadas “pedaladas fiscais”. As receitas totais do governo cresceram 2,1%. Já as despesas totais
aumentaram 11,6%, ou seja, mais que cinco vezes a expansão das receitas. Como consequência, as contas do governo tiveram forte deterioração e registraram um déficit recorde de R$ 114,98 bilhões, ou 1,94% do PIB, segundo os dados divulgados pela STN. Foi o segundo ano seguido de déficit fiscal primário e, de longe, o pior resultado das contas públicas desde o início da série histórica, em 1997 (PORTAL G1, 2016).
Em 2015, a dívida pública federal teve um crescimento recorde de 21,7%, e subiu para R$ 2,79 trilhões, o maior valor da série histórica. Em valores nominais, o crescimento foi de R$ 498 bilhões. Esse aumento foi impulsionado, principalmente, pelas despesas com os juros. Em 2014, a dívida pública havia registrado um crescimento menor, de 8,15%, ou R$ 173 bilhões (PORTAL G1, 2016).
No dia 21 de janeiro de 2016, a cotação da moeda norte-americana fechou acima de R$ 4,16, na maior cotação da história do real, após a decisão do Copom de manter os juros em 14,25% ao ano. Diante das preocupações com o crescimento da China e com a queda do preço do barril de petróleo, os mercados financeiros buscavam investimentos considerados mais seguros, como o dólar, valorizando a moeda (PORTAL G1, 2016).
No dia 28, a Secretaria do Tesouro Nacional anunciou que as contas do governo tiveram forte deterioração e registraram déficit recorde de R$ 114,98 bilhões, ou 1,94% do PIB. Era o segundo ano seguido de déficit fiscal primário e o pior resultado das contas públicas desde o início da série histórica, em 1997 (PORTAL G1, 2016).
Em 23 de fevereiro, o marqueteiro do PT João Santana e a sua esposa foram presos na 23ª fase da Operação Lava-Jato, batizada de “Acarajé”. No dia 13 de março, o governo Dilma foi alvo da maior manifestação de rua em favor do impeachment. Ao menos 3,6 milhões de pessoas foram às ruas no País, segundo as Polícias Militares. Após os protestos, a presidente Dilma pediu diálogo com o Congresso para conter o impeachment. No dia 28, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) protocolou, na Câmara dos Deputados, um novo pedido de impeachment contra a presidente (PORTAL G1, 2016).
O principal índice de ações do mercado financeiro brasileiro, o Ibovespa, avançou 3,66% no dia 12 de abril, por ocasião da nova alta de preços de commodities no exterior e após a comissão especial do impeachment aprovar o parecer favorável à abertura do processo contra a presidente. No dia 17, por 367 votos favoráveis e 137 contrários, a Câmara dos Deputados aprovou a autorização para ter prosseguimento no Senado o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PORTAL G1, 2016).
Em 12 de maio, por 55 votos a favor e 22 contra, o Senado Federal aprovou a abertura do processo de impeachment e o afastamento por até 180 dias de Dilma Rousseff da
Presidência da República. Após ser notificado da decisão, o vice-presidente, Michel Temer, anunciou por meio de sua assessoria os nomes dos ministros do novo governo (PORTAL G1, 2016).
Em junho, os britânicos decidiram em referendo sair da União Europeia (UE). A opção de “sair” venceu, com quase 51,9% dos votos, a de permanecer no bloco europeu. A vitória da “Brexit” derrubou as Bolsas na Ásia e os mercados futuros da Europa e dos Estados Unidos, antes mesmo do resultado oficial ser anunciado. A libra esterlina, moeda do Reino Unido, teve forte queda e chegou a atingir a menor cotação frente ao dólar em 31 anos. O resultado do referendo também derrubou o então primeiro-ministro britânico, David Cameron (PORTAL G1, 2016).
No dia 17 de junho, o então governador em exercício do estado do Rio de Janeiro decretou estado de calamidade pública, a 49 dias do início da Olimpíada. Segundo o decreto, publicado em edição extraordinária do Diário Oficial do estado, a justificativa era a grave crise econômica e a queda na arrecadação do ICMS e dos royalties do petróleo (PORTAL G1, 2016).
No trimestre encerrado em julho, o Brasil alcançou mais de 11 milhões de desempregados e uma taxa de desocupação de 11,6%, a maior da série histórica divulgada pelo IBGE, que teve início em 2012 (PORTAL G1, 2016).
Em 5 de agosto, tiveram início os jogos olímpicos, na cidade do Rio de Janeiro. A abertura da Rio 2016, com quase 4 horas de luzes, fogos de artifício, coreografias e shows musicais, encantou o público do Maracanã e foi elogiada pela imprensa internacional. Os jogos encerraram-se no dia 21 (PORTAL G1, 2016).
Em 31 de agosto, o plenário do Senado Federal aprovou, por 61 votos favoráveis e 20 contrários, o impeachment de Dilma Rousseff, a então presidente foi condenada sob a acusação de ter cometido crimes de responsabilidade fiscal (PORTAL G1, 2016).
No dia 12 de setembro, o plenário da Câmara dos Deputados cassou, por 450 votos a favor, dez contra e nove abstenções, o mandato do ex-presidente da Casa, o deputado Eduardo Cunha. O processo de cassação foi motivado por quebra do decoro parlamentar. O deputado foi acusado de mentir à CPI da Petrobras, durante depoimento, ao negar ser o titular de contas no exterior. Esse processo de cassação foi o mais longo da história, a votação ocorreu dez meses após a abertura no Conselho de Ética (PORTAL G1, 2016).
Em outubro os brasileiros foram às urnas eleger vereadores e prefeitos nas eleições municipais; segundo analistas políticos, o PSDB saiu vitorioso nas urnas e o PT foi o partido que mais perdeu prefeituras (PORTAL G1, 2016).
Em 19 de outubro, o Copom decidiu baixar os juros básicos da economia. Era a primeira redução da taxa Selic em quatro anos. O Banco Central informou que a convergência da inflação para as metas, fixadas para 2017 e 2018, é compatível com uma política de corte de juros “moderada e gradual” (PORTAL G1, 2016).
Em novembro, o empresário bilionário, Donald Trump, surpreendeu o mundo, foi eleito o 45º presidente dos Estados Unidos ao derrotar Hillary Clinton, apontada como favorita na disputa pela Casa Branca em praticamente todas as pesquisas de intenção de voto (PORTAL G1, 2016).
Em 15 de dezembro, foi promulgada, em sessão solene do Congresso Nacional, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece regras, pelos próximos 20 anos, para o crescimento dos gastos públicos federais, de acordo com a inflação do ano anterior. Essa medida ficou conhecida como “PEC do Teto” (PORTAL G1, 2016).
O caos nas finanças estaduais não era privilégio apenas do estado do Rio de Janeiro. Ao final de 2016, os governos do Rio de Janeiro, do Rio Grande do Sul e de Minas Gerais, nessa sequência, decretaram estado de calamidade financeira, com o objetivo de atrasar os pagamentos das dívidas. No entendimento dos estados, essa condição possibilitava a flexibilização de algumas das regras da Lei de Responsabilidade Fiscal, sem que eles sejam punidos. No entanto, segundo especialistas, a lei não prevê a tal calamidade financeira (PORTAL G1, 2016).
A previdência dos trabalhadores do setor privado, em 2016, registrou um déficit recorde de R$ 149,73 bilhões, equivalente a 2,4% do PIB. Em comparação com 2015, quando o déficit do INSS somou R$ 85,81 bilhões, o aumento foi de 74,5%. Em 2014, o resultado negativo havia sido de R$ 56,69 bilhões (PORTAL G1, 2017).
Em 2016, em função da persistência do cenário de recessão na economia brasileira, as contas do governo tiveram forte piora e registraram um déficit recorde de R$ 154,25 bilhões, o maior em 20 anos, equivalente a 2,4% do PIB. No entanto, o déficit ficou abaixo da expectativa do governo para o ano, que era de até R$ 170,5 bilhões. Mas, o governo recebeu uma ajuda para cumprir a meta, a receita extra de R$ 46,8 bilhões, arrecadados com a repatriação de recursos de brasileiros no exterior. Esse foi o terceiro ano seguido com déficit primário. Em 2015, o déficit foi de R$ 114,9 bilhões e, em 2014, de R$ 17,21 bilhões (PORTAL G1, 2017).
Já a dívida pública federal subiu 11,42%, em 2016, para R$ 3,11 trilhões, alcançando um novo recorde. Ao final de 2015, a dívida estava em R$ 2,79 trilhões. Esse crescimento da
dívida pública estava relacionado, principalmente, com as despesas com os juros, no valor de R$ 330 bilhões (PORTAL G1, 2017).
Por fim, desde o período colonial que as finanças públicas brasileira, periodicamente, apresentam disfunções, mais uma vez o País encontra-se em uma encruzilhada fiscal. O autor faz votos para que as contas públicas sejam postas em ordem e que, em um futuro não tão distante, o Brasil volte a crescer, prioritariamente, com estabilidade e equidade.
4 METODOLOGIA DE PESQUISA
Esta pesquisa tem como objeto de estudo o aprimoramento da análise de formação de coalizões nos processos de mudança de política (institucional) a partir da identificação dos objetivos declarados, das alternativas políticas e das crenças dos atores envolvidos.
Nesta seção estão descritos os procedimentos metodológicos que subsidiaram a construção do estudo de caso, ao mesmo tempo que são caracterizados os processos de análise e coleta dos dados que possibilitaram a realização desta pesquisa.