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Denise Aparecida da Luz Santos1*, Ana Alice De Carli1

1*Universidade Federal Fluminense. [email protected]

RESUMO

A Constituição Federal de 1988 traz no caput de seu art. 5º o direito à vida, e no art. 6º o direito à saúde – ambos direitos fundamentais. Ocorre que tanto a vida com dignidade, como a saúde em sua plenitude dependem da concretização de outros direitos, a exemplo do saneamento básico. Aliás, o implemento de políticas de acesso aos serviços de saneamento básico configura-se necessário para o bem-estar da vida em todas as suas formas (CARLI, 2013). Diante desta constatação, justifica-se, sob as perspectivas social, ambiental e jurídica, o presente ensaio, cuja pesquisa é exploratória. Diante disso, refletir sobre o acesso universal ao direito fundamental de saneamento básico como questão de Estado e não apenas de governo é essencial quando se pensa em uma sociedade que busca a justiça social em um plano mais amplo, e que visa à prevenção de doenças e o equilíbrio da Pachamama. De acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), seis em cada dez pessoas não possuem acesso a um saneamento básico adequado, ou seja, 4,5 bilhões de pessoas, não possuem acesso a água e tratamento de esgoto adequado. No Brasil, conforme dados disponibilizados pelo Portal do Saneamento Básico, “aproximadamente 95 milhões de brasileiros não possuem acesso a saneamento básico”, sendo que dentro deste conceito estão inseridos também o abastecimento de água, limpeza urbana, gestão de resíduos sólidos, drenagem das águas pluviais urbanasetc. Ainda, acrescente-se que cerca de 45% da população residente no Brasil não são abrangidos por um sistema de captação e distribuição de água e saneamento adequados, contribuindo de maneira efetiva para a proliferação de doenças transmitidas pela água não tratada, como a diarreia, leptospirose e hepatite A. Para Oscar López Goldaracena - um dos defensores do processo contínuo de universalização do saneamento básico -“o acesso a um saneamento básico deve ter sua aplicação amparada nos preceitos da disponibilidade, qualidade e acessibilidade” (GOLDARACENA, 2004, p.19). A disponibilidade se funda na premissa de que o saneamento deve ser tratado de forma continua e disponível a todas as pessoas, devendo ser ofertado à população em geral com qualidade, ou seja, independentemente da condição financeira, do local ou da cultura (GOLDARACENA, 2004). Em um contexto nacional, apesar de não estar disposto expressamente na Constituição Federal do Brasil de 1988 como um direito fundamental, o acesso ao saneamento básico está implícito em todo o sistema normativo constitucional, uma vez que tal direito está intrinsecamente vinculado a outros preceitos fundamentais como a dignidade da pessoa humana, e os direitos à água potável e à saúde. Com efeito, o art. 3°, IV, da Carta maior de 1988 dispõe, in verbis: “promover o bem-estar de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”. Nessa perspectiva é preciso pensar e agir para que toda a população possa ter acesso a qualidade de vida, o que implica o reconhecimento de que a implementação de sistemas de serviços de saneamento básico não pode mais esperar. Nesse cenário, vale trazer à luz alguns pontos da Lei nº 11.445/07 (Política Nacional de Saneamento Básico), que criou o Comitê Interministerial de Saneamento Básico (CISB). O referido comitê tem, dentre suas funções institucionais, coordenar as políticas públicas de saneamento em uma esfera federal, uma vez que, a organização dos sistemas de captação deveria ser responsabilidade dos municípios ou dos estados-membros. Ocorre que muitas vezes o que se constata é a falta ou mesmo o sucateamento dos sistemas; seja por má gestão, seja por faltade conhecimento técnico. Desse modo, o CISB busca trabalhar em conjunto com os governos regionais e locais, com vistas a criar soluções e meios de

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aplicação de um plano de saneamento, para preservar e garantir o direito ao saneamento básico para todos. Ainda, o diploma normativo do saneamento básico, em seu artigo 3°, elenca alguns dos princípios que regem a sua política nacional, dentre os quais estão: a concretização de uma saúde pública de qualidade, a proteção do meio ambiente, a universalidade, a continuidade e a sustentabilidade econômica, vide a seriedade das consequências da não implementação de tal sistema, se fazem presente. A concretização de um cenário harmônico e condizente com as normas do direito ocorrerá mediante maior eficiência do poder público para com as medidas por ele mesmo estipuladas, simultaneamente com uma maior fiscalização da efetivação dos projetos aplicados, a fim de, evoluir positivamente de maneira gradual. Um aspecto importante é a contribuição da população, uma vez que, consciente, é capaz de não só unir forças ao estado para melhorar o quadro, mas também, para pressionar a ocorrência de melhorias, de forma a concretizar a proteção à saúde e bem-estar de todas as formas de vida. Por fim, destaca-se que a metodologia adotada foi a pesquisa exploratória, com fundamento na doutrina e na legislação, e, bem assim, em sitescuja temática de saneamento é examinada. REFERÊNCIAS

CARLI, Ana Alice De. Água e seus instrumentos de efetividade: educação ambiental, normatização, tecnologia e tributação. São Paulo: Ed. Millennium, 2013.

EDITORA FORÚM. 5 mudanças do novo marco do saneamento básico que você precisa saber. Disponível em: <http://www.editoraforum.com.br/noticias/5-mudancas-do-novo-marco-do-saneamento-basico-que-voce- precisa-saber/>. Acesso em: 29 abr. 2019.

GOLDARACENA, Oscar López. Los Derechos humanos al agua y saneamento. ISBN 9974-39-731-6. Montevideo, Uruguai, 2004.

ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DE SAÚDE. OMS: 2,1 bilhões de pessoas não têm água potável em casa e mais do dobro não dispõem de saneamento seguro. Disponível em: <https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5458:oms-2-1-bilhoes-de-

pessoas-nao-tem-agua-potavel-em-casa-e-mais-do-dobro-nao-dispoem-de-saneamento-seguro&Itemid=839>. Acesso em: 25 abr. 2019.

PORTAL SANEAMENTO BÁSICO. Portal inédito sobre Saneamento Básico revela os impactos da falta dessa infraestrutura na renda, empregos e doenças. Disponível em: <https://www.saneamentobasico.com.br/impactos-saneamento-basico-impactos/>. Acesso em: 26 abr. 2019.

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