Matt
A visita à casa de Patty poderia começar o dia da melhor maneira ou péssimo, dependendo do estado em que ela se encontrava. O complexo era um pouco impreciso, mas nem ele nem ela podiam fazer nada a respeito.
O tempo e a idade haviam distorcido o revestimento cinza da frente do prédio. Era relativamente pequeno, com duas unidades no andar de cima e duas unidades embaixo. Tinta verde, velha e rachada e ferrugem marcavam a grade de metal ao longo do segundo andar. Patty tinha um dos apartamentos do térreo.
O medo se acumulou em seu estômago quando ele bateu. Quem atenderia a porta, Patty normal ou cuspindo fogo? Sua pobre mãe ainda estava escandalizada com o veneno que Patty vomitou na casa outra noite.
Ele não teve que esperar muito. A porta se abriu para revelar sua velha amiga, recém-banhada, suas tranças puxadas para trás em um rabo de cavalo baixo. Ela usava jeans e uma camiseta Gorillaz.
Ela ergueu o quadril e sorriu quando o viu ali. — Não conseguiu ficar longe, hein?
Ele ergueu o pacote de Pampers. — Achei que você poderia usar isso.
Grunhindo, ela deu um passo para o lado para deixá-lo entrar.
Ele podia sentir o cheiro de produtos de limpeza, que acompanhavam a ausência de poeira e sujeira na pequena sala de estar. Qualquer que fosse seu trabalho misterioso, obviamente não pagava muito, mas pelo menos Patty fez o seu melhor com o lugar que tinha.
Jimmy estava sentado no cercadinho que Matt comprara para ele, logo abaixo da luminária projetada para pendurar sobre a mesa da cozinha que Patty havia empurrado para o lado. Ele balbuciou para si mesmo ao empilhar vários blocos de plástico coloridos.
— Você pode colocá-los no balcão da cozinha. — Ela gesticulou para um local livre ao lado da pia.
Ele fez o que ela pediu, então abriu o zíper da bolsa de fraldas em seu ombro. — Trouxe um pouco de leite e algumas coisas que pensei que ele poderia gostar. — Ele colocou meio galão na geladeira, que estava quase vazia, exceto por uma sacola do McDonald's, enrolada em cima, e algumas fatias de queijo.
A despensa não parecia muito melhor, embora houvesse algumas latas de SpaghettiOs, um pouco de arroz seco e uma caixa de cereais sem marca. Ele acrescentou três sacos de purê de batata instantâneo, o favorito de Jimmy, junto com latas de feijão verde, frango e atum. O armário ainda parecia um pouco vazio quando ele terminou, mas foi uma melhoria.
— Você não tem que fazer tudo isso, sabe? — Patty esfregou a nuca. — Eu tenho um trabalho. Só não fui ao mercado ainda.
— Eu sei, Pat. — Ele quase estendeu a mão para ela, mas puxou a mão de volta no último minuto. — Alguma palavra em uma programação permanente? Posso ajudar com o cuidado da criança, se você precisar.
Ela acenou para ele. — Meus turnos são principalmente à noite. Faz mais sentido para Jimmy ficar com minha mãe.
Ele engoliu seu desapontamento com o fato de que ela não se ofereceu para deixar Jimmy ficar com ele. Ele não teve tempo para lutar novamente. Pelo menos o trabalho parecia estar fazendo-a feliz. Não só era bom para Jimmy, mas Patty era sua melhor amiga há anos. Ele queria isso para ela também.
— Antoine e eu terminamos. — Ela cruzou os braços, quase desafiando-o a cdesafiando-onsiderar issdesafiando-o uma cdesafiando-oisa bdesafiando-oa.
De jeito nenhum ele pisaria em uma mina terrestre como sua vida amorosa. Mas era uma coisa boa. E isso explicava por que ela estava de tão mau humor na noite anterior. Ela estava melhor sem ele, no entanto. Ele não a tratava direito, mas ela aceitou. Talvez ela tenha pensado que precisava, para mantê-lo. Mas a Patty com quem ele cresceu sempre foi dura e independente. Matt gostava mais dela assim, pelo menos quando ela não estava tentando explodir suas bolas.
— Lamento se você está triste com isso, mas estou feliz que você tenha um emprego que a faz feliz. — Ele derramou todo o encorajamento que pôde em seu sorriso. — Estou muito orgulhoso de você.
Patty ergueu a mão, e os anos de hábito o fizeram fechar a boca tão rápido que seus dentes de trás estalaram. — Não é apenas a vida que eu pensei que teria, mas está melhorando. Vai ficar cada vez melhor.
— Bom, — ele murmurou. Patty sonhava em se tornar uma ilustradora de histórias em quadrinhos. Ela tinha um talento incrível também. Ele não conseguia se lembrar da última vez que a vira com o lápis. E ele não estava tocando no assunto com uma vara de seis metros. — Obrigado por me dar um tempo com Jimmy no próximo fim de semana.
— Tanto faz, — ela resmungou. — Dê a ele um beijo e vá. Eu tenho coisas para fazer.
Ela não teve que dizer a ele duas vezes. Ele pegou seu filho e o girou, suas perninhas rechonchudas voando atrás dele.
— Da! Da-dee!— A felicidade descarada de Jimmy por estar em seus braços sempre tirava seu fôlego.
Ele parou de girar e abraçou o filho contra o peito. — Você está tendo um bom dia com a mamãe?
Jimmy saltou com entusiasmo em seus braços. — Bami. Bami. Bami.
Esse era novo. Matt ergueu as sobrancelhas para Patty.
Ela suspirou. — Ele está falando sobre Bambi. Assistimos umas dez vezes esta semana, incluindo uma vez esta manhã. É o novo favorito dele.
— Ei, — ele arriscou. — Ouvi dizer que eles podem lançar uma nova minissérie Serenity.
Ela balançou a cabeça. — É só um boato. Eles acabaram com o quadrinho. Nunca foi tão bom quanto o show.
Firefly sempre foi uma das favoritas dela.
— Mas é canônico. Você sabe que se há algo mais nessa história, você não pode recusar. — Ele sorriu.
— Pare de tentar me bajular com conversa nerd. — Patty sorriu. — Agora vá.
Embora seu coração quisesse que ele ficasse mais tempo, ele colocou o filho de volta no cercadinho e deu uma pequena saudação a Patty. — Se você precisa de qualquer coisa, é só ligar.
— Eu vou. E, ei, sinto muito por dizer toda essa merda na frente da sua mãe. Vou me desculpar com ela na próxima vez que a vir.
Sua mãe a perdoaria. Ela amava Patty como uma filha.
Da casa de Patty, ele partiu para o primeiro dos três empregos de bartender que encontrou online antes de sair de casa. Seus termos de pesquisa haviam retornado com quatrocentos e setenta e seis acertos, mas ele passou uma hora reduzindo-os, primeiro descartando qualquer experiência anterior que exigisse, depois aquelas que especificavam as horas em que ele estaria no canteiro de obras. Mesmo que nenhum dos lugares em sua lista funcionasse, ele ainda tinha muitas outras opções.
Ele não estava procurando uma discoteca ou qualquer lugar onde a música estivesse muito alta ou o lugar muito lotado. Grandes multidões podiam significar mais dinheiro, com certeza, mas ele tinha muito a
aprender e sabia que essa já seria uma prova de fogo. Se esquentasse muito, ele queimaria vivo.
Ele escolheu lugares com nomes que ele equiparou a um bar que os caras poderiam gostar: Frank's Place, The Spot e Closing Time.
O Spot estava mais próximo e do lado de fora parecia exatamente como ele esperava. Um pequeno prédio autônomo, quase como uma cabana com duas janelas escuras, ambos com letreiros de neon apagados exibindo marcas de cerveja. Um carro estava estacionado no modesto estacionamento e, quando Matt se aproximou da porta, ouviu o som abafado da música saindo. Ele não percebeu que era R & amp, B até que entrou. Uma velha canção de Luther Vandross.
Lá dentro, um cara solteiro e idoso com um sobretudo gasto estava sentado em uma banqueta do bar, tomando uma bebida em um copo alto. Seus olhos nunca ergueram os olhos da madeira cheia de cicatrizes do bar, a pele escura da mão que ele havia enrolado em sua bebida espiava das luvas sem dedos. Apenas o leve aperto de sua mandíbula traiu sua consciência de Matt parado atrás dele.
— Posso ajudar?
Ele se assustou com a voz da mulher. Concentrado no homem, ele nem mesmo a notou do lado oposto da estrutura envolvente.
Quando ela saiu das sombras, ele pode ver que ela era uma mulher branca e corpulenta na casa dos quarenta anos, seu cabelo escuro puxado
para trás em um rabo de cavalo. Ela usava jeans preto, uma camiseta regata vermelha e uma expressão suspeita. — Senhor?
— Sim, — Matt murmurou, seus olhos fazendo uma rápida inspeção da sala. Ele avistou duas mesas vazias do outro lado da sala, mas a luz fraca o impediu de distinguir muitos detalhes. — Estou aqui para trabalhar como bartender.
Ela ergueu as sobrancelhas, dois arcos pretos desenhados à mão acima dos olhos, e lançou um olhar crítico da cabeça aos pés. — O pagamento é de cinco dólares por hora, mais gorjetas. Dias de fim de semana apenas.
Seus olhos voltaram para o velho no banquinho. Se essa fosse a clientela diurna média, ele duvidava que receberia muitas gorjetas. Ele poderia ganhar mais dinheiro trabalhando no McDonald's. Mas como sair daqui sem ser rude?
O desconforto deve ter aparecido em seu rosto porque o barman o dispensou. — Não pense assim. Saia daqui.
OK. Próxima parada.
A Closing Time acabou se situando entre um restaurante mexicano e uma loja de artigos esportivos em um shopping center. O estacionamento tinha apenas algumas vagas abertas nos fundos, mas não havia como dizer quantas dessas pessoas estavam comendo, fazendo compras ou bebendo durante o dia. Empurrando os ombros para trás, ele cobriu a distância até a porta em longas passadas.
Embora algum tipo de revestimento na janela o impedisse de ver, quando ele cruzou a soleira, ele percebeu que o efeito era apenas para um lado. Ele podia ver claramente o estacionamento e, mais importante, o sol se misturava à iluminação do teto, iluminando todos os cantos da sala.
Como o The Spot, o bar tinha o formato oval, de modo que ficava de frente para os dois lados da sala, mas as semelhanças terminavam aí. O espaço era claro e limpo, a madeira escura do bar, sem marcas. Pleather vermelho cobria as banquetas do bar, e as cabines do lado esquerdo da sala tinham estofamento combinando. O lado direito apresentava quatro mesas altas e redondas e quatro dardos, dois dos quais estavam em uso. Dois jogos de fliperama no estilo antigo ficavam em um canto e duas mulheres jogavam sinuca bem no fundo.
Ele contou cerca de vinte pessoas, a maioria do lado direito, mas um casal dividiu uma cesta de batatas fritas em uma mesa. O quarto cheirava um frango empanado.
Todos pareciam ter sua idade, exceto o homem atrás do bar que o cumprimentou com um sorriso fácil. As rugas ao redor dos olhos e os cabelos grisalhos o faziam parecer perto dos cinquenta. — O que você quer? Longnecks são dois por um agora.
Ele devolveu o sorriso do homem, embora duvidasse de projetar a mesma facilidade. — Estou aqui por causa do trabalho. — Ele estendeu a mão e o cara apertou. — Meu nome é Matt York.
— É um prazer, Matt. Eu sou Tom, e estou muito feliz em conhecê-lo.
Acontece que Tom era o dono do lugar e servia como bartender e cozinheiro de pratos rápidos por enquanto, já que dois de seus funcionários fugiram juntos, deixando seus entes queridos para trás.
Tom esfregou o queixo bem barbeado. — Diga-me que você não está interessado em nenhum drama de relacionamento.
Ele definitivamente não estava. Ele tinha drama suficiente para durar toda a vida. — Não senhor. Estou apenas tentando ganhar algum dinheiro extra para ajudar a cuidar da minha mãe e do meu filho.
O sorriso amigável de Tom de alguma forma ficou ainda mais caloroso. — Um homem de família? Oh, eu gosto de encontrar caras como você. Quantos anos têm seu filho?
Matt tirou o telefone do bolso de trás e acendeu a foto de Jimmy na tela inicial. — Ele fez um ano em novembro.
— Parece meu neto. — Tom sorriu para a foto de Jimmy e chamou a atenção de Matt para uma foto postada em uma das vigas.
Tom não parecia negro, mas a criança na foto era. E, com certeza, ele lembrava Matt de seu próprio filho. — Sim senhor.
— Eu aprecio o que você está tentando fazer. Mostra-me que és o responsável, que é o que procuro. Só peço que seja pontual, trate bem os meus clientes e não cause problemas. —Ele puxou uma prancheta debaixo da barra, e isso fez o rosto de Robby piscar atrás dos olhos de Matt. — Basta preencher este formulário e, se estiver tudo certo, você pode começar
amanhã. Por enquanto, são apenas dias de fim de semana. Tudo bem com você?
Era perfeito. Ele se pegou balbuciando a música de Beyoncé tocando nos alto-falantes enquanto trabalhava no formulário. Ele até riu enquanto entregava o jornal e avistou três caras reencenando os passos de dança do vídeo.
Ele saiu com a promessa de voltar na manhã seguinte às onze para seu primeiro turno.
As duas horas seguintes desapareceram com um sanduíche de peru preparado às pressas e um curso intensivo em um site recomendado por Tom, aprendendo algumas receitas básicas de bebidas. Ele estava estudando tão intensamente que quase saltou da pele quando o alarme do telefone tocou.
Quatro e quinze. Robby disse a ele quatro horas. Quinze minutos não era rude, mas não era desesperador, ou assim ele disse a si mesmo enquanto ligava seu PlayStation. Ele mal colocou o fone de ouvido antes de uma mensagem aparecer em sua tela de Robby, convidando-o para jogar.
Quando ele aceitou, a voz familiar de Robby o acolheu de volta. — Estou tão feliz por você estar aqui. Minha equipe está levando uma surra.
— Deixe-me entrar em posição. — Ele rapidamente colocou seu personagem no lugar para fornecer fogo de cobertura. E assim como na noite anterior, ele entrou em um ritmo fácil com seu colega de trabalho, e sua equipe saiu por cima quando o tempo acabou.
— Coma terra! — Robby cantou enquanto as pontuações apareciam na tela. — Você arrasa nisso, Matt. Há quanto tempo você joga?
— Sempre. Desde que me lembro. Mas todos nós crescemos no PlayStation, certo?
Robby não respondeu.
Ele tentou novamente. — E você? Você jogava Final Fantasy quando era criança ou sempre gostou de atiradores?
— Eu não joguei até ficar mais velho. Minha família, a cidade onde cresci era meio isolada. Ninguém tinha um PlayStation. A maioria das pessoas nem tinha internet. Era muito rural.
Matt queria perguntar o que ele fazia para se divertir sem jogos ou internet, mas algo na voz de Robby o fez suspeitar que as perguntas seriam indesejáveis. Como ele havia feito tão facilmente em toda sua vida, ele estava tentado a deixar o silêncio prevalecer.
Não. Não desta vez. — Você nunca vai acreditar, mas segui seu conselho.
— Hã?
Está certo. Se empenhe. — Sobre barman. Eu peguei um trabalho paralelo. Eu começo amanhã.
— Impressionante! — O orgulho na maneira como Robby disse que era quase palpável. O tropeço em sua conversa foi esquecido.
— Estive estudando algumas das receitas básicas de bebidas, mas se alguém pedir algo que não consigo encontrar no site, estou ferrado.
Robby fez um barulho de desacordo. — Você pode pesquisar qualquer coisa no Google. Vai ser ótimo. Não se preocupe.
— Acredito que sim. — Ele exalou. — Eu realmente preciso do dinheiro. As pessoas dependem de mim.
— Como seu filho.
— Sim. Jimmy. E minha mãe. Eu tenho que fazer o certo por eles.
— Se alguém pode, é você.
Uma brasa de orgulho queimou em seu peito com as palavras encorajadoras de Robby. Pela primeira vez, ele pensou que talvez pudesse.
Robby
Robby se amaldiçoou silenciosamente por jorrar, mas a maneira como Matt falou sobre estar lá para seu filho, bem, o garoto tinha sorte. Ele se preparou para ser desligado, mas em vez disso, Matt riu.
— Obrigado, Rob. É bom ter alguém acreditando em mim. Estou muito feliz que estamos saindo.
Foi uma coisa boa Matt não poder ver o rubor queimando suas bochechas. De jeito nenhum ele seria capaz de esconder sua paixão inchada cara a cara. Eles tocaram por mais uma hora ou mais antes que o cronômetro apitasse em seu telefone. Por mais que estivesse se sentindo melhor, prometeu a si mesmo que compareceria a outra reunião esta noite.
— Eu tenho que desligar, mas mal posso esperar para ouvir tudo sobre o novo show na segunda-feira.
— Não vou omitir um único detalhe. Eu prometo.
O plano, embora fosse pequeno, o fez se sentir com três metros de altura enquanto dirigia para o centro. O sentimento o convenceu de que ele realmente nem precisava da reunião, mas ele foi. Além de Thomas, havia todos os novos rostos. Apenas duas das cadeiras dobráveis estavam abertas esta noite.
O dragão sempre cavalgou forte no sábado.
Robby não tinha muito para compartilhar esta noite, mas ele se apresentou, então se recostou para ouvir os outros oferecendo suas verdades.
Um cara que começou a tomar Oxy após um acidente de carro e não conseguia parar.
Uma enfermeira que perdeu a licença roubando comprimidos de um armário trancado.
Uma criança que roubou dos pais para comprar heroína.
Então, uma pessoa pequena, de pele escura e andrógina se levantou, vestindo jeans e um moletom cinza. Um lenço torcido cobria seus cabelos. Mas o que mais o impressionou foram os grandes olhos castanhos, orlados de cílios escuros. Aqueles olhos pareciam mais velhos do que o tempo. — Meu nome é Sara e sou uma viciada. A primeira vez que tomei comprimidos de um estranho foi depois da minha primeira noite dormindo na rua.
O coração de Robby acelerou, sabendo como o resto da história se desenrolaria.
Apenas, isso não aconteceu. Sara fechou a boca e retomou seu assento tão rapidamente que as pernas dianteiras da cadeira levantaram-se brevemente do chão.
Ele precisava falar com ela. Deixá-la saber que ele entendeu.
Levou toda sua paciência para esperar o resto da reunião, mas assim que Thomas encerrou a noite, Robby foi direto para ela na mesa com o café velho. Seus olhos endureceram instantaneamente quando ela percebeu que ele a havia procurado.
— Vê algo que você gosta, boneca? — O tom agudo em sua voz grave o lembrou de dezenas como ele tinha ouvido ao longo dos anos. O tipo que diz que um bom ataque é a melhor defesa.
Ele ergueu as mãos. — Eu só quis me apresentar. Ver se você poderia falar com alguém.
Ela zombou. — Falar, hein?
— Sim. E para ter certeza de que você teria um lugar para dormir esta noite. — Quantas noites ele se perguntou onde encontraria um lugar seguro para descansar?
— Você é precioso, mas sim. Eu fico no Q-Center ao lado. — Ela inclinou a cabeça. — E não, não estou convidando você para se juntar a mim.
— Q-Center? — Ela devia estar falando sobre o lugar com a bandeira do orgulho na janela que ele tinha visto na outra noite.
Sara suspirou. — Sim. Q. Como quiser. É um centro comunitário, e às vezes um lugar para dormir para as pessoas que precisam. Um lugar seguro.
Seu olhar deslizou pela sala antes de se concentrar de volta nela. — Um lugar seguro pode ter feito uma diferença real para mim alguns anos atrás. Adoraria ver.
A garota-heroína pegou alguns biscoitos da mesa antes de se afastar.
Sara o observou por um momento antes de olhar para sua xícara de café. — Eu disse que não era um convite.
— Eu não quero dizer esta noite. Talvez amanhã? Não estou procurando fazer você se sentir insegura em sua casa. — Mas algo dentro dele praticamente gritou que precisava ver em primeira mão.
— Nada está me tirando de lá. Você não. Ninguém. Eles não me deixam mais ficar no abrigo para mulheres. Não desde que algum idiota me
considerou trans. — Ela engoliu mais da mistura queimada. — Não é seguro no abrigo masculino. E as ruas...
— Eu sei. Ninguém está seguro lá.
— Eu sei. Ninguém está seguro lá.