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DITADA PELO MERCADO

4.1.2.1 CENTRAL ÚNICA DOS TRABALHADORES (CUT)

A central brasileira, como parte da CCSCS, organiza a sua política em tomo à rejeição das políticas neoliberais aplicadas pelo govemo de Cardoso. Nesse sentido é vital para eles se organizar no nível internacional para se enfi'entar a desafios também intemacionais:

“O movimento sindical do sul vem buscando fortalecer suas visões sobre a conjuntura no debate sindical internacional e para que sua voz seja ouvida, tem sido construídas várias redes de atuação e intercâmbio, envolvendo centrais sindicais da Africa, América Latina e Ásia, com uma decisiva participação da CUT que deverá ser fortalecida no próximo período. Isto vale também para a política frente às Empresas Multinacionais que são o motor da globalização neoliberal Enfrentar estas políticas, exige capacitação, informação e articulação internacional por de empresas" (CUT 2000).

Outra avaliação que a CUT faz da conjuntura atual, diz respeito à necessidade do movimento sindical se aliar com outras associações sociais, nomeadamente as ONGs:

“Não vamos derrotar o neoliberalismo sozinhos. O fato dos países membros da OMC não terem conseguido iniciar uma nova rodada de negociações para liberalizar ainda mais o comércio mundial, particularmente na área de serviços, investimentos e compras governamentais, devido às divergências existentes entre os governos, somado a uma grande mobilização sindical e popular durante a III Conferência da OMC em Seattle, é um indício muito importante do desgaste de 20 anos de políticas neoliberais pelo agravamento da pobreza e desemprego, apesar das promessas do contrário. Para o sucesso desta mobilização, bem como uma mais recente havida em Washington durante a reunião da direção do FMI, foi fundamental o trabalho conjunto dos sindicatos, organizações sociais, ONG's, Universidades, Igrejas, partidos políticos e pequenos empreendedores" (CUT 2000).

Segundo o seu discurso devem ampliar a aliança. A CUT foi uma das entidades que lançaram a REBRIP (Rede Brasileira pela Integração dos Povos) que visava articular o trabalho da ASC’'* (Aliança Social Continental) no Brasil.

Entidade surgida a partir da Conferência de Ministros da ALCA em Belo Horizonte em 1997 e da Conf^r|í}cia de Chefes de Estado das Américas em Santiago em 1998, que articula a oposição à ALCA e à

O não pagamento da dívida externa é outra das reivindicações que, embora seja feita no nível nacional, tem uma abrangência intemacional;

“È o momento da CUT retomar com força a bandeira do não pagamento da divida externa, apoiar as iniciativas da sociedade como o Jubileu 2000, bem como, apoiar o perdão da divida dos países mais pobres, sem condicionantes"" (CUT 2000).

M ercosul

Sobre o bloco, a avaliação da confederação é crítica, já que o Mercosul estaria em crise e nenhum governo estaria tomando as medidas adequadas para solucioná-la. Para relançar o bloco e, sobretudo, para mudar a sua orientação;

“A crise pela qual vem passando o MERCOSUL, principalmente após a desvalorização da moeda brasileira, somente pode ser enfrentada fazendo o que sempre defendemos: retomar a integração com uma nova política de complementação econômica, criação fundos para financiar a reconversão produtiva e respeito aos direitos fundamentais dos trabalhadores e da sociedade, ao invés da lógica meramente comercial que tem norteado o processo até o momento"\C\JY 2000).

Muito embora, o Mercosul não faça aquilo que os sindicatos gostariam, a central brasileira tem uma avaliação da participação dos sindicatos no Mercosul bastante positiva e julga que “o movimento sindical regional conseguiu se inserir rapidamente no debate

político em tom o da integração regionaT" (CUT 1997). Os espaços abertos nas instituições.

Fórum ConsuUivo Econômico e Social, o Sub-grupo 10, o Observatório de Emprego, a Declaração Sócio-Laboral e a Comissão Sócío-Laboral, são avaliados como conquistas. Mesmo assim, a capacidade para fazer pressão junto a outros sindicatos do Mercosul tem sido muito fraca.

As reivindicações com respeito ao Mercosul e à ALCA constituem elementos prioritários na sua política, segundo as suas palavras. Os mecanismos que poderiam ajudar a cumprir tal objetivo seriam segundo um documento de 1997;

‘''Consolidar a presença da ORIT no âmbito continental reforçando seu papel de representante legítima dos trabalhadores"". A CUT quer promover a descentralização

da ORIT no sentido de tomar à organização mais representativa.

construção de uma proposta alternativa de desenvolvimento econômico sustentável que considere os interesses dos setores mais vulneráveis da sociedade, bem como o respeito ao meios ambiente e aos direitos hiimari^|.

Promover conjuntamente medidas sobre temas comuns aos trabalhadores da região como o desemprego, o mercado informal, as privatizações, a reforma do Estado, a abertura comercial e a violação dos direitos sindicais.

Favorecer o intercâmbio com as centrais AFL-CIO e CLC, "cuja participação ativa é

imprescindível para enfrentar a questão do livre comércio nas Américas e para o fortalecimento da O R IT \

Ampliar as manifestações em favor da dimensão social dos acordos de livre comércio que venham a se desenvolver no continente.

Deseja-se "tornar a Coordenadora um instrumento ainda mais eficaz e capaz de se

contrapor a lógica antisocial do processo de integração vigente, criar condições para uma solidariedade concreta entre os trabalhadores da região contribuindo para a formulação de uma integração alternativa que prioriza políticas de emprego, o

progresso e a ampliação dos direitos sociais".

Aprimorar a participação dos sindicatos de base nos temas relativos à integração regional, já que as iniciativas realizadas enfrentaram problemas de coordenação.

Constituir fóruns permanentes de debates e formulação de políticas e ação conjunta. Especificamente sobre a mulher afirmam a necessidade de:

"Incentivar a participação das mulheres trabalhadoras no Mercosul, especificamente nos debates referentes à saúde, educação, capacitação e formação profissional, emprego e seguridade social Para isso é importante consolidar e fortalecer a Comissão de Mulheres da Coordenadora do Mercosul (CMCM) ”.

Sobre a ALCA a CUT afirma quer:

"{...)aprofundar com seus sindicatos e a sociedade civil a discussão a respeito dos interesses que estão por trás da iniciativa da ALCA, seus impactos sobre os países latino-americanos e as estratégias sindicais para defender uma integração com base na justiça e o progresso sociaF.

Aprofundar as alianças com setores sociais que combatam a lógica exclusivamente comercial de tais acordos (CUT 1997).

Além disto precisa-se: “(...) avançar para ações coordenadas entre as empresas que

atuam no MERCOSUL, envolvendo nossas organizações por ramos, implementar nas atividades de organização, mobilização e até de negociações supra-nacionais"{C\JT

2000).

Avaliação

Segundo o Relatório Brasil no Mercosul (Ponte et alii 2000:159-60) a intervenção do sindicalismo na questão da mundialização econômica e da formação dos blocos regionais realiza-se em uma condição extremamente desfavorável ao desenvolvimento das suas lutas. As propostas sindicais apenas teriam acompanhado as idéias empresárias em uma paisagem de recuo ante a ofensiva neoliberal que substituiu a mão de ferro dos militares. Neste sentido, articulam-se as campanhas procurando garantir os direitos trabalhistas que os empresários procuram estreitar e a defesa da contribuição compulsória como meio de sobrevivência econômica para os sindicatos’^. Por exemplo, no Brasil, as propostas sindicais no fiindo abriram mão de muitas das anteriores reivindicações. As emendas á Reforma Trabalhista proposta em 1999, visavam ampliar o poder de negociação entre empregados e empregadores, mas isto permitia flexibilizar os direitos trabalhistas assegurados pela Constituição de 1988.

As cessões dos sindicatos são gerais, na Argentina, no Chile, etc., sendo a globalização e as supostas melhores opções de concorrência, que justificam a implantação de bancos de horas, contratos por prazo determinado, tempo parcial, suspensão temporária do contrato, etc. (Ponte et alii 2000:161). No entanto, estas medidas encontram-se muito condicionadas à relativa estabilidade que os govemos de Argentina e Brasil conseguiram no final dos 90;

“Com a alta da inflação em 1999, a volta de métodos anteriores de ação, como tentativa de sobrevivência, tomou os sindicatos mais fortes. Quer dizer, não se discute apenas o banco de horas e outras medidas propostas pelas empresas para não se desempregar, e sim negocia-se também ajustes salariais. Mas esse cenário difere bastante daquele em que os sindicatos corriam atrás da reposição salarial. A inflação ainda está abaixo dos dois dígitos, o desemprego continua alto e as privatizações em andamento transformam os setores. Tudo isso atua contribuindo para a desmoralização de categorias cujas direções recuam na conflitualidade. Ou seria a representatividade que está em declínio, incapaz de aglutinar interesses fragmentados? ” (Ponte et alii 2000:160).

A participação nas instituições tem sido fraca com poucas proposições. O máximo conseguido até agora são os acordos logrados para ações conjuntas, como no caso das metalúrgicas. Em abril de 1999, o sindicato dos metalúrgicos do ABC e o sindicato dos

No entanto, este ponto é origem de controvérsia até no movimento sindical. No Brasil a CUT, é contrária a qualquer contribuição compulsória. Força Sindical defende o fim da contribuição sindical e da assistencial, mas a manutenção da contribuição confederativa e a CGT defende a manutenção da contribuição sindical, a

metalúrgicos da Argentina, assinaram um acordo com a Wolskwagen que garantia direitos de organização sindical. Mais além desse desdobramento específico, a intervenção sindical no Mercosul tem encontrado limites políticos e institucionais.

4.1.2.1 M OVIM ENTO DOS TRABALHADORES SEM TERRA fMST)

O MST a diferença do seu colega europeu, a CPE, ocupa-se principalmente do acesso à posse da terra dos milhões de camponeses que carecem dela. A situação dos camponeses brasileiros é muito pior, e seria impensável que o MST reclamasse, como a CPE reclama na UE, subvenções e ajudas que no Mercosul não existem. Mesmo tendo essa preocupação tão premente, como é conseguir que os camponeses obtenham terras e não sejam mortos por isso, o pensamento do MST abrange outros campos. Porém, não encontramos documentos específicos relativos ao Mercosul dado o caráter eminentemente nacional e as vezes nacionalista do movimento. A questão dos transgênicos é importante dentro do Mercosul dada a diferente legislação entre os países, e dado o peso que a produção agrícola tem nas exportações.

Transgênicos

A crítica dó MST aos transgênicos é muito forte, e apóia-se em três elementos;

1- A dependência econômica, gerada pelo monopólio das indústrias que produzem os transgênicos e que acabarão acrescentado o preço das sementes e dos adubos químicos atrelados a elas:

“Estamos enfrentando uma nova fase da dominação capitalista no campo. Fruto das revoluções tecnológicas ocorridas nos últimos anos (informática, química fina, micro- eletrônica e biotecnologia/genética), as grandes empresas fornecedoras de insumos para a agricultura estão se modernizando e buscando novas formas de garantir e ampliar os seus mercados consumidores, além de garantirem a dependência dos agricultores aos seus produtos” (MST).

2- Aspecto Ambiental. As conseqüências provocadas pela destruição da biodiversidade não são conhecidas nem estudadas:

“Pode ocorrer a troca de genes entre plantas cultivadas que sofreram alteração e as plantas selvagem aparentadas das anteriores. Além de estimular o uso de agrotóxicos, que aumentarão a poluição do solo e da água, e de estimular o desenvolvimento de plantas e

não ser que os benefícios das negociações contemplassem apenas os trabalhadores associados (Ponte et alii

animais resistentes a uma ampla gama de antibióticos e agrotóxicos” (MST http://mst. org. br/meioambiente/meioambiente2. htm).

3- Aspecto da Segurança Alimentar. Também não são conhecidos todos os efeitos que estes alimentos provocarão em animais e pessoas. Os efeitos constatados aumentaram as alergias, reduziram os efeitos dos antibióticos e, em alguns casos, desenvolveram doenças.

4.2. ESFERA AMBIENTAL.

4.2.1 W W F BRASIL

O escritório regional ftinciona desde 1971. As suas principais reivindicações atingem ao enorme potencial ecológico do país;

• Estabelecer um sistema de áreas protegidas mais extenso e melhor desenvolvido e organizado.

• Transformar o atual sistema de lavoura para que garanta a sustentabilidade ambiental. • Conservar e desenvolver sustentavelmente à Amazônia e a mata atlântica, o cerrado, o

Pantanal e os litorais.

• Uma política nacional, e uma sociedade que valore e participe ativamente na

conservação e desenvolvimento sustentável do Brasil.

http;//www.panda.org/resources/inthefield/latin_esp/latin,htm

4.2.2 GREENPEACE

As delegações argentina e brasileira de Greenpeace, não possuem também não, uma política de bloco, como acontecia entre a seções européias. Porém, analisando as reivindicações que trabalham nos seus respectivos âmbitos nacionais podem-se extrair as suas preocupações, pedidos e avaliações principais. Várias temáticas destacam mas, entre elas, a questão dos transgênicos é capital.

Transgênicos

A problemática dos transgênicos cobra especial importância dada a diferente legislação existente nos dois países principais do Mercosul. Enquanto no Brasil existe uma proibição de cultivo, e comercialização na Argentina tais negócios encontram-se liberalizados.

As campanhas nos dois países exigem aos seus govemos maior controle destes produtos. Na Argentina, informando na etiquetagem dos produtos, no Brasil proibindo o cultivo, transporte e comercialização ilegal.

Desenvolvem-se várias campanhas para informar às populações de aquelas empresas que não cumprem as normativas vigentes em cada país. Pedem a participação cidadã, não comprando os produtos que usam elementos transgênicos, e exigindo aos govemos a aplicação das leis vigentes e a implantação de novos controles mais rígidos até se comprovar que os produtos transgênicos não encobrem nenhum perigo para a saúde das pessoas.

Florestas

Dada a peculiaridade brasileira, que concentra uma grande parte dos recursos florestais e da diversidade animal e vegetal do mundo, Greenpeace Brasil desenvolve campanhas para acabar com a exploração incontrolada dos recursos florestais e a contaminação e desflorestação produzida na bacia do Amazonas e outras regiões do país.

Poluição

Recentes desastres como o acontecido nas ilhas Galápagos, no Equador têm destacado novamente a importância, reclamada há tempo por Greenpeace, do controle das indústrias petroleiras, e outras potencialmente poluidoras. O transporte via marítima de elementos tóxicos também precisa de um maior controle, da mesma maneira que a acumulação desses produtos. Os países mais pobres começam a tentar tirar benefícios de sua situação

subordinada aceitando acumular essas substancias, como a Argentina.

http://www.greenpeace.org