Capítulo 3 A jornada do próximo humano
5. Corpo estendido
O humano passou por várias mudanças ao longo da história. Foi definido e redefinido de várias maneiras, tanto na religião, na mitologia e na antropologia quanto na filosofia. Bem sabemos que sua história é extremamente complexa, com várias nuances e possibilidades que tornam difícil defini-lo como algo fechado ou acabado.
Rotulá-lo como pós-humano, pós-orgânico ou trans-humano é assumir que esteja passando por uma crise, que se encontra esgotado e que precisa ser superado. Para isso, a única solução seria incluir os aparatos tecnológicos não para repará-lo, mas para hibridizá-lo. Se para alguns é motivo de medo, para outros é visto com otimismo, com esperança.
Essa ideia parece exagerada ‒ estaríamos separando ou criando uma nova era na humanidade apenas por causa de pequenos ajustes e pequenas intervenções. O corpo está sendo potencializado agora, passando por um prolongamento, uma extensão, fruto, principalmente, da aceleração do conhecimento, do crescimento da sociedade e dos novos arranjos de nossas crenças (LATOUR, 2013, p. 50-52), mas nunca deixou de ser corpo.
O corpo parece estar padecendo de seu próprio sucesso. Atingimos alto grau de sofisticação principalmente pelos avanços tecnológicos, pelas novas possibilidades na medicina, na gestão genômica, pela especialização em diversas áreas, pela produção de alimentos mais eficientes, pelo poder de adaptação aos mais inóspitos e diferentes ambientes e pela incansável necessidade humana de se superar e de surpreender. Uma inquietação só possível na literatura de ficção ou no cinema e que agora parece ser real. Segundo Costa,
Esse cenário, gerador de enormes expectativas, ultrapassa em muito a simplicidade dos sonhos de vida longa e eterna juventude que o cidadão comum alimenta. Sua complexidade reside, sobretudo, na evidência de que a manipulação da vida nos coloca diante de questões que jamais havíamos enfrentado: que tipo de ser “humano” se deseja ser? Que tipo de sociedade se quer construir? (COSTA, 2016, p. 16).
Esse novo ser humano está aberto à expansão com possibilidades de extensões, tornando-se mais biológicos ao mesmo tempo em que sua vitalidade está mais aberta à mecanização.
Na visão darwinista, pode-se afirmar que a evolução é incessante. Até pouco tempo acreditava-se que a nossa evolução tivesse se interrompido, mas estamos sempre nos adaptando às condições climáticas e alimentares. Nós somos o animal que mais testa seus próprios limites32.
Esse corpo incrementado já não é um ciborgue ou híbrido, não é uma máquina-corpo, e sim um corpo bioprogramado e editado no DNA, porque recebe o artificial e sofre alterações genéticas para melhor adaptar-se aos novos ambientes e desafios do cotidiano. O corpo propicia isso porque tem condições de sofrer alterações, e existe tecnologia para essa curadoria do corpo. Um corpo que não é menos biológico só porque está mais aberto à mecanização. Em outras palavras, trata-se de um corpo estendido ‒ é a máquina no biológico, e não o contrário. Um cenário diferente da proposta de ciborgues, em que o maquínico pode se sobressair ao humano.
Isso abre caminho para um novo humano, não híbrido, não ciborgue, mas editado e estendido. Esse próximo humano projeta uma nova geração de pessoas que está aberta a alterações profundas, que aceita intervenções, que projeta esperança, que busca a felicidade a qualquer custo, realizando isso em seu corpo. Longe de ser monstro, é corpo.
32 Estudos recentes mostram que populações andinas se adaptaram à altitude onde o ar é mais
rarefeito. Aborígenes conseguem sobreviver às variações de temperatura, principalmente crianças. Cf. MAIS que humano. National Geographic Brasil, No. 205, abril de 2017, p. 37-40.
Conclusão
Os temas abordados nesta tese apresentam um cenário de complexidade que pode pontuar os rumos de nossa história. A tecnologia e os saltos biotecnológicos mudaram nossa forma de ver o corpo, suscitando questionamentos sobre as mudanças operadas pelas novas tecnologias e suas influências em nosso dia a dia. Hoje dispomos de inúmeros dispositivos eletrônicos para controlar nossa vida e desenvolvemos uma ampla necessidade (e em muitos casos, desejos) de governar nossa vida e tomar decisões sobre nosso corpo baseando-se na informação. Hoje o paciente vai ao consultório médico com seu tratamento e diagnóstico prontos, aguardando uma visão do profissional que irá atendê-lo.
Essas mudanças são muitas e estão trazendo novos desafios e dilemas, reais ou não, sobre o futuro, mas, acima de tudo, de como controlar nosso presente. Isso suscita algumas indagações: Até que ponto as intervenções no corpo serão reais? Quais as consequências para o futuro da humanidade? Quais os dilemas da proposta do pós-humanismo? Quais os caminhos da influência da biopolítica? Quem é esse novo humano? Este trabalho intenta postular algumas destas respostas, que não são absolutas, mas sugestivas no atual estado da arte.
As intervenções no corpo revelam um caminho de muitas possibilidades. O homem e a máquina estão e, possivelmente, estarão em constante interação, assim como as intervenções moleculares, que poderão, na maioria dos casos (talvez em todos), se não agora, no futuro, resolver problemas no âmbito biológico e ampliar a vitalidade do corpo, tanto em busca da melhor qualidade de vida quanto na busca pela longevidade saudável.
Os textos literários e os filmes, como os apresentados neste trabalho, despertam um interesse no leitor/espectador pelo futuro. Alguns casos são bem assustadores, como Frankenstein, no qual a criatura se revolta contra o criador, e outros catastróficos, como Metrópolis, Robocop, Matrix, Blade Runner e O
Exterminador do Futuro, que revelam mundos apocalípticos. Outras produções são
mais positivas, como A.I. – Inteligência Artificial, O Homem Bicentenário e as séries de TV, como O Homem de Seis Milhões de Dólares, que destacam o estranhamento do humano frente a essas mudanças e intervenções para auxiliar ou
suprir necessidades humanas. A produção cultural e seus artefatos sugerem um futuro tecnológico menos hostil do que se supunha; um futuro, ou presente, em que as máquinas farão parte do humano e farão intervenções para seu aprimoramento.
Grande parte do discurso presente nas produções de ficção científica e nos meios de comunicação sugere e colabora para que o estranhamento do humano em relação à incorporação maquínica, ou à edição genética, seja socialmente aceitável. Mesmo as experiências consideradas aberrações ‒ algumas delas relatadas neste trabalho ‒ têm sido mais aceitáveis, como a de alguém que possui um braço mecânico, ou vários chips implantados no corpo, ou, ainda, a instalação de uma antena no couro cabeludo pra identificar cores. Claro que quando associada às tecnologias assistivas elas tomam outra proporção. A reparação do corpo é mais vital; trazer de volta movimentos outrora perdidos, ou nunca realizados, é uma prática justificável, mas muitas vezes contestada, como as experiências do pesquisador Nicolellis com seu exoesqueleto.
As tecnologias assistivas trazem também a esperança, um motor que anima e move milhares de pessoas envolvidas em pesquisas científicas e dispostas a grandes investimentos. Essas experiências despertam grande interesse do público e trazem grande alento àqueles que hoje convivem com essas limitações. Mas como pensar o futuro?
Cada vez fica mais claro que as alterações mais significativas no corpo serão no nível molecular, na edição genética, uma prática que pode alterar os genes considerados defeituosos ou obsoletos para os novos desafios da contemporaneidade. Os aparatos maquínicos devem resolver problemas do presente, mas serão muito utilizados devido ao grandes interesse de corporações que desenvolvem esses equipamentos, motivando especialistas em biomedicina a recomendá-los em seus tratamentos.
De certa forma, as alterações no corpo, tanto no nível molecular como no maquínico, não projetam uma pós-humanidade, nem uma era de ciborgues, mas uma possibilidade de construir um novo humano cada vez mais biológico. É por meio do corpo biológico que virão as mudanças: um corpo aberto às extensões.
É bem provável que estejamos no auge da evolução, mas, por estarmos no meio das mutações biotecnológicas, pode-se dizer que estamos construindo os
alicerces do próximo humano, que está aberto às inovações. O estranhamento diminuiu, é aceitável. Qualquer alteração que seja justificada como um bem maior, ou que tenha a expectativa de vir a dar certo, é bem-vinda e vem consumindo grande parte dos fundos de pesquisas em universidades e empresas em todo o mundo.
E como pensar esse novo humano com artefatos maquínicos dentro do campo discursivo da biopolítica? O corpo realmente passa por interferências sem limites em busca do prolongamento da vida sadia. Esse humano, aparentemente, não está obsoleto; suas ambições é que aumentaram. O corpo está sendo vítima de seu próprio sucesso ao ser encorajado pelo ambiente biopolítico, com profissionais de saúde e bem-estar, e pelo interesse ativo em sua própria saúde. Também está sendo motivado por profissionais, cientistas e pessoas que vivem em função do corpo como um produto, e que atraem, com entusiasmo, consumidores para seus próprios produtos. Essa obsessão pelo corpo, pelo bem-estar, leva as pessoas a investirem em novos tratamentos, em uma vida mais saudável, em dietas, em produtos oferecidos por esses profissionais e tantos outros que, em muitos casos, têm um efeito placebo.
Esse corpo, na contemporaneidade, precisa ter mais vitalidade do que nunca. Nesse ambiente tecnológico, cercado de dispositivos maquínicos, as cobranças sociais são grandes, principalmente por mais agilidade, versatilidade e dinamismo. Isso parece acelerar o tempo, dando a sensação de que não estamos prontos para continuar e de que precisamos de uma atualização ou um upgrade, como um equipamento de informática ou uma máquina.
Essa atualização do corpo pelos aparatos maquínicos leva ao período que Nikolas Rose chama de otimização da vida, termo emprestado do mundo corporativo e da informática que tem como objetivo trazer todos os aparatos disponíveis e imagináveis para tornar esse corpo “ótimo”, mais eficiente para absorver as novas necessidades da atualidade. Mas ótimo para quê? Ou para quem? Para o próprio mercado que o criou.
O processo industrial e a cobrança do capitalismo pela produtividade levam à necessidade de ser mais eficiente. A comparação com a máquina é descabida: criar um corpo-máquina é desfigurar o corpo, é deixar de ser humano. O corpo tem sido castigado há séculos, mas mostrou sua fragilidade no período pós-revolução
industrial. Para resolver isso seria necessário, então, a inserção da máquina no biológico, não só pelas novas possibilidades que se apresentam, mas também pelos interesses nesse ambiente biopolítico como um mercado de muitas novidades, com demanda de produtos e serviços para quem possa comprar.
Para aqueles que não podem comprar, a máquina no biológico e a edição genética podem provocar, para os mais pessimistas, uma desigualdade biológica. De um lado, cria-se super-humanos, aqueles que têm condições financeiras de comprar os serviços e produtos ao contratar uma assessoria genética; e de outro lado, figuram os que não podem obter esses serviços, gerando uma massa de “inúteis”. Uma distopia proporcionada pela tecnologia.
Essa distopia, nos dias de hoje, já é gerada pela dificuldade de acesso a melhores tratamentos, medicamentos mais eficazes, pronto atendimento, pesquisas científicas, diagnósticos mais precisos, consultas com especialistas de forma mais prolongada e assertiva, próteses mais sofisticadas e com rejeição diminuta, além do acesso a tratamentos alternativos ou experimentais. Em um futuro não tão distante, a angústia será por equipamentos e procedimentos cirúrgicos mais eficazes e menos invasivos e por próteses inteligentes, além da edição precisa no DNA, eliminando o que é considerado ruim e potencializando o humano com melhores movimentos e performance para o trabalho, esportes de alto rendimento, música e produção intelectual, entre outras demandas humanas. De certa forma, estaremos criando vencedores em detrimento dos que serão perdedores.
No passado, como nos dias atuais, a desigualdade econômica provocou a dificuldade de acesso à melhor assistência. No Brasil, em particular, o abismo econômico é visto em vários (se não em todos) serviços públicos, em especial na saúde. Não bastasse a dificuldade de atendimento médico em casos de emergência ou urgência, há também dificuldade em marcar consultas e realizar exames por meio do Sistema Unificado de Saúde (SUS). Nesse cenário, o acesso às novas tecnologias genéticas será muito mais restrito se levarmos em conta a dificuldade de atividades desse tipo no serviço público, o que contribui para essa desigualdade genética.
O discurso do pós-humanismo ou pós-orgânico é a obsolescência do corpo, é sua preparação para superar o atual. Essa necessidade pertinaz de aperfeiçoar o corpo pode esconder as angústias e limitações do humano. Fazer um upgrade do
corpo, otimizá-lo, é algo como retirar o que incomoda e reparar com impressões positivas. Isso pode estar presente também nos sentimentos e nas sensações. A genética pode instituir uma forma de extirpar a dor, o sofrimento, a tristeza, escapando de ter que lidar com os problemas do cotidiano. É como servir de antecipação para o humano prever suas frustrações, corrigindo preventivamente antes que provoque reações adversas e prejudique sua jornada rumo ao sucesso na vida. O humano parece insatisfeito com a opressão do cotidiano e quer ultrapassar isso corrigindo o biológico.
É certo que a dor, o sofrimento, as frustrações fazem parte do humano, é de sua natureza. Corrigir, reparar, dar novo ânimo à obsolescência sentimental pode trazer gerações de seres amorfos, sem estrutura definida, sem sentimentos, com desvios de caráter, ou simplesmente estanques, que não podem ser corrigidos, graças às transformações provocadas pelas alterações descabidas e sem limites. Se deficiências na educação provocam tais anomalias de caráter, o que dirá as alterações genéticas, se não forem bem direcionadas?
Uma dessas tentativas, citada anteriormente neste trabalho, é a possibilidade de clonagem. Colocada em práticas décadas atrás aos humanos, atraiu discussões ético-religiosas e trouxe pânico sobre sua aplicação. Estaríamos convivendo com seres clonados (possivelmente, os melhores) ao nosso redor, sem a capacidade de reconhecê-los ou de controlá-los? As experiências foram frustrantes e os clones não passaram de alguns animais e plantas. Nem mesmo o desejo de ter de volta animais de estimação perdidos pela morte teve sucesso e a clonagem ficou para o futuro, que poderá, quem sabe, aperfeiçoá-la. Uma série de leis, tratados e acordos foram discutidos mundo afora, sendo a prática até proibida em alguns países. A clonagem causou um rebuliço na comunidade científica, exigindo maior controle e vigilância dos projetos de pesquisa.
Agora o medo real é a preparação de humanos como máquinas, ou sermos substituídos pelos seres híbridos, que, hipoteticamente, serão melhores. Essa visão, por vezes preocupante, foi apresentada pelas artes, nas últimas décadas, em relação ao novo humano, jogando luz sobre essas discussões e revelando também essa angústia de melhorar o que é considerado ruim e aperfeiçoar o que é de bom grado no corpo. A busca da superação esconde a frustração. O que querem esses defensores do pós-humanismo é evitar isso no futuro, é tornar o corpo mais
refratário, resistente às vicissitudes da vida humana, que são, no entanto, inerentes a ela.
E o que caracteriza esse novo humano? Ele parece ser mais suscetível à obsolescência do que o atual. Os fatos recentes, como implantes de chips, próteses e outros elementos artificiais, estão contribuindo para o corpo híbrido, mas não nos tornam menos biológicos. O cenário biopolítico colabora para o imaginário de um corpo ilimitado e manipulável a serviço do capital, com muitas possibilidades comerciais de serviços médicos e informáticos; as novas tecnologias deixam de preocupar-se com a saúde e doença e passam a agir no presente para garantir o futuro com mais excelência nos corpos. O corpo está sendo manipulado com recombinações genéticas ímpares, mas, em contrapartida, esse humano continua humano. E, por fim, estamos produzindo um corpo ainda mais biológico, que se estende para receber os aparatos maquínicos, sem deixar de ser humano.
A máquina no biológico, portanto, nos apresenta um corpo estendido, mais aberto ao maquínico e mais humano. Nesse momento, faz-se necessário resgatar as hipóteses apresentadas neste trabalho, de alguma forma ou totalmente. Os recentes fatos, como implantes de chips, próteses e outros elementos artificiais, estão contribuindo para o corpo híbrido, mas não nos tornam menos biológicos. Novos materiais estão sendo desenvolvidos e a rejeição do corpo é quase nula. Os marca-passos, órgãos artificiais e próteses ortopédicas, como pinos e outras órteses, devem ser mais eficientes e inteligentes, controlados por softwares ou aplicativos de celular. Em tudo isso, não seremos menos, mas mais biológicos, porque o corpo terá que dar conta de tudo isso. Os seres não biológicos continuarão com suas tarefas de substituir o humano em tarefas insalubres ou manuais, para, quem sabe, liberar o desenvolvimento intelectual.
Esse imaginário de um corpo ilimitado e manipulável está a serviço do capital e de suas muitas possibilidades comerciais de serviços médicos e informáticos. Os investimentos em pesquisas de novas próteses, estímulos neurológicos para controlar braços e pernas mecânicas, novos tratamentos, entre outros, têm atraído grandes corporações, com grandes interesses comerciais. Isso já é visto em investimentos em medicamentos para doenças que atingem um número maior de pacientes, e que são, consequentemente, mais rentáveis. Talvez doenças com menos incidência, ou que atingem regiões mais pobres do planeta, não estejam no
alvo das indústrias, a não ser que ameacem países centrais, como ocorrido recentemente com o zika vírus e o Ebola.
A manipulação do corpo deve ser bem rentável para investimentos e gerar cada vez mais o interesse de grandes corporações em busca da lucratividade. No caminho dessas inovações virão os profissionais cada vez mais especializados em lidar com humanos que implantaram equipamentos no corpo, como biotécnicos de informática, psicólogos e terapeutas. Aceitar o corpo modificado será mais fácil, principalmente devido aos aparatos artísticos citados neste trabalho, que colaboram com isso.
As novas tecnologias deixam de preocupar-se com a saúde e a doença e passam a agir no presente para garantir o futuro com mais excelência nos corpos. O sonho da imortalidade ou de vida longeva ressurge, não com um corpo cansado ou enfastioso, mas com um corpo saudável e facilmente reparado. Longe do que a ficção científica criou, o corpo mais biológico é suscetível a essas intervenções e poderá sobrevier por mais tempo. Um grande enigma ainda é a questão cerebral e cognitiva. O corpo pode dar conta, pode ser estendido e receber os aparatos, mas o cérebro ainda constitui-se como uma incógnita em relação a seu longo funcionamento. Os dados humanos poderiam ser transferidos para um disco de armazenamento, como um HD de computador, e reutilizados em outro corpo. Dessa forma, estaríamos estendendo o conhecimento, e não o mantendo vivo no corpo original. A vida longeva ainda esbarra no cognitivo.
Visto que o corpo pode sofrer por suas limitações e rejeitar próteses, a intervenção mais significativa passa para o DNA, em sua edição. O corpo está sendo manipulado com recombinações genéticas, mas, em contrapartida, esse humano continua humano. Novos experimentos e softwares estão transformando nossas informações genéticas em números manipuláveis por algoritmos. Torna-se possível identificar e reparar o gene considerado defeituoso ou inaceitável e poderemos produzir humanos mais adequados, deixando de lado os inadequados.
O genoma humano ainda é uma incógnita, mas está sendo mapeado com mais precisão. Experiências com células-tronco ainda são incipientes e trazem pouco resultado. A descoberta de doenças de forma precoce é a melhor forma de antecipar o tratamento e levar à cura ou melhora da qualidade de vida.
A grande virada deve ser, de fato, antecipar as doenças por meio da alteração do DNA antes do humano nascer. Exames de pré-natal identificam-nas, mas pouco é possível fazer para modificar o que já se sabe. Pode-se interromper a gravidez em vários casos, mas a intenção é mais para preparar os pais do que