2 MÉTODO LABANIANO
DINÂMICAS Como?
Fatores: peso, espaço
Para uma melhor compreensão sobre os elementos coreológi- cos, vale citar as considerações feitas por Medeiros (2011) em relação ao corpo dançante, ao movimento, às ações corporais, às movimenta- ções relacionadas ao espaço, aos fatores de movimentos, ao espaço e ao som. Fatores relacionados aos níveis alto, médio e baixo, às progressões que o corpo executa em linhas retas ou curvas desenhadas ao chão, à criação de figuras geométricas, dentre tantas outras possibilidades de experienciar o corpo em movimento na dança.
A partir desta fundamentação e contextualização da Coreolo- gia, foi lançada a proposta para as turmas em criar uma coreografia que contemplasse os elementos do movimento, não necessariamente todos. Outros pontos que foram articulados e pensados pelos alunos/ dançarinos foram a criação do figurino, a maquiagem, os persona- gens, o cenário e a produção do release. Durante as aulas de dança, a professora ia registrando através de imagens e vídeos as experiências dos movimentos. Em 20h/aula, os procedimentos pedagógicos foram assim elaborados:
1) Exposição dialogada da proposição da construção da coreo- grafia a partir da metodologia labaniana. Slide apresentando Rudolf Laban e a Coreologia. Divisão dos grupos. A turma de Edificações foi composta por 4 grupos: 2 grupos de 6 pessoas e 2 de 8 pessoas. A turma de Meio Ambiente foi composta por 4 grupos de 8 pessoas. A escolha dos integrantes dos grupos ficou a critério dos próprios alunos, que se reuniram por afini- dade e em alguns casos por moradores do mesmo município39.
2) Apreciação da coreografia Onqotô do Grupo Corpo40. Foi solici-
tado para os alunos que anotassem quais elementos coreológi- 39 É importante destacar que em uma mesma sala de aula, há moradores de vários municípios que compõem o Território do Potengi.
40 O Grupo Corpo nasceu na capital mineira, Belo Horizonte, em 1975 e se dedica integralmente à dança contemporânea.
cos eles conseguiam perceber na coreografia. Esses elementos foram discutidos em sala de aula.
3) Vivência prática da Eutonia41, como acolhimento e como pos-
sibilidade de provocar a percepção do corpo. Vivência das ações corporais: caminhar, deslizar, saltar, girar, retorcer, cair, gesticular, parar, recolher. Essas ações foram em alguns momentos acompanhadas por música e em outros momentos pelo silêncio.
4) Apreciação do filme “Vem dançar”, com a proposição em des- construir preconceitos a respeito da participação na dança pelo gênero masculino, como também, da possibilidade de os alunos se permitirem vivenciar vários estilos de dança. 5) Contextualização teórica sobre as danças populares e vivência
da Ciranda e do Coco de Roda.
6) Leitura de textos poéticos e composições de células coreo- gráficas a partir das movimentações no espaço (frente, trás, direita, esquerda, diagonal).
7) Vivência prática do Forró, Xote, Xaxado e do Samba. Após a aula, em círculo, debate sobre a contextualização sócio-his- tórica dessas danças.
8) Distribuição de papéis com resumos sobre várias danças; Balé, Salsa, Merengue, Rumba, Tango, Valsa. Depois, ao som das músicas, os alunos construíram células coreográficas dessas danças.
9) Trabalho em grupo da análise coreológica sobre a coreografia Maria, Maria42 do Grupo Corpo.
41 A Eutonia compreende um método de consciência corporal criado por Gerda Alexander (1940) que consiste em despertar a sensibilidade da pele com proposição de
recuperar a imagem do corpo.
42 Coreografia criada em 1976, espetáculo que teve a trilha original composta por Milton Nascimento, o roteiro desenvolvido por Fernando Brant e a coreografia cria- da pelo argentino Oscar Araiz. Esta obra permaneceu seis anos em tour por pelo menos
10) Apreciação do vídeo de Pina Baush43 e vivência prática dos
fatores de movimento: peso, tempo, espaço e fluência. 11) Vivência prática da dança a partir de objetos espalhados pela
sala. Os alunos tiveram que criar movimentos a partir da inte- ração com o objeto, com o outro e com outros objetos. Estes movimentos eram criados individualmente, em duplas, em trios, em quartetos.
12) Apresentação de células coreográficas a partir dos elementos escolhidos por cada grupo, como também tiveram o livre arbí- trio na escolha das danças e das músicas que iriam apresentar. 13) Apreciação de vídeos do Tango, da Valsa, Street Dance. Vivên- cia prática das movimentações relacionadas ao espaço: níveis, progressões, projeções e suspensão do corpo.
14) Apreciação de vídeos do Grupo Parafolclórico e do Grupo de dança do Marista de Natal. Vivência prática das movimenta- ções relacionadas ao espaço: distância, movimentos sucessi- vos, simultâneos e figuras geométricas.
2.1 DANÇANDO
Da 15ª à 20ª aula de Educação Física, cada grupo ocupava um espaço físico do IFRN/SPP (sala de aula, ginásio, auditório) para finalizar a sua coreografia. A professora acompanhava a composição das coreografias, porém, deixando o grupo ter autonomia nas escolhas pretendidas. Che- gou o grande dia da apresentação, com o auditório lotado pelos alunos da Instituição, servidores e convidados da comunidade de São Paulo do Potengi. Os grupos se apresentaram com coreografias que alternaram entre Street Dance, Forró, Tango, Valsa, Axé, entre outros. As coreo- catorze países.
43 Foi uma coreógrafa, dançarina, pedagoga de dança e diretora de balé alemã.
Conhecida principalmente por contar histórias enquanto dança, suas coreografias eram baseadas nas experiências de vida dos bailarinos e feitas conjuntamente.
grafias foram intituladas de: “Em busca do latino-americano”, “Se seus olhos falassem, o que diriam?”, “Procurando por recrutas”, “Calor do sertão”, “Deixa se envolver”, “Dance dream”, “Manifeste-se” e “Mundo dos poderosos”. Cada coreografia deveria ter entre dois a cinco minu- tos e deveriam contemplar os requisitos solicitados por uma ficha de análise disponibilizada no início do semestre.
Figura 2 - I Mostra de Arte e Cultura do IFRN/SPP.