Eliane Valderlise1, Leonardo Teixeira1, Luzia
Wasilkosky
1 e Pollyana W. M. Pawlowytsch41Acadêmico de Psicologia da Universidade do Contestado, Campus Mafra
2Docente do curso de Psicologia da Universidade do Contestado Campus Mafra, mestre em Desenvolvimento Regional (PMDR) Universidade do Contestado Campus Canoinhas, pesquisadora do
NUPESC – UnC/Mafra – orientadora do estudo, [email protected] Palavras-chave: adolescência, drogas, escolares.
INTRODUÇÃO
O uso de drogas na adolescência tem se apresentado como uma das maiores preocupações da saúde pública, de forma que estudos direcionados tanto ao seu uso quanto aos fatores de risco para este uso mostram-se cada vez mais presentes. No que se refere ao consumo de drogas licitas e ilícitas observa-se uma preocupação mundial nas ultimas décadas, principalmente devido a sua cada vez mais alta incidência em indivíduos cada vez mais jovens e também ao riscos provocados a saúde devido seu uso (2). Considerando que é durante a adolescência que a personalidade e a individualidade do jovem é formada e também é neste momento que o uso da droga se faz mais presente este estudo busca identificar o entendimento que o adolescente possui quanto ao uso da droga e aos fatores de riscos existentes neste ambiente. Este estudo tem vínculo com a linha de pesquisa Comportamento, Saúde e Meio Ambiente do Núcleo de Pesquisa em Saúde Coletiva e Meio Ambiente (NUPESC/UNC). A linha de pesquisa que rege este projeto é saúde, meio ambiente e qualidade de vida.
MATERIAL E MÉTODOS
Participaram deste estudo 41 escolares de um Centro de Educação Municipal de um município do interior do estado de Santa Catarina, destes 46,3% são do gênero feminino e 53,7% do gênero masculino. Com idades compreendidas entre 12 e 17 anos. A participação no estudo foi voluntária e o critério de inclusão nesta pesquisa foi à autorização dos pais ou responsáveis com a assinatura do Livre Consentimento Esclarecido. Como instrumento foi utilizado um questionário estruturado elaborado pelos pesquisadores baseados na literatura atual buscando atender os objetivos propostos pelo estudo. Para a aplicação do instrumento de coleta de dados houve apenas um encontro com os alunos autorizados para participar da pesquisa. O instrumento de coleta foi confidencial e anônimo sendo que todos os dados foram tabulados e trabalhados em conjunto por meio de análise estatística.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
O número de meninos que já fizeram uso de drogas licita 42,86 % maior que o numero de meninas. O que nos leva a refletir que o consumo de drogas licita é um dos fatores de risco para o consumo de drogas ilícitas, e também um fator que dependendo do nível de consumo, pode causar dependência e outros problemas, para o adolescente nesta fase de mudança. A sociedade onde os sujeitos participantes do estudo vivem tem um número significante de usuário de drogas, ou até mesmo colegas de sala ou de grupos de amigos, dependendo as variáveis, isto, pode ser um fator de risco para o adolescente experimentar droga. O numero de meninos e meninas que responderam que não conhecem o que são e quais são os fatores de risco para o uso e abuso de drogas é 5% maior que os que referem conhecer os fatores de risco. Porém as respostas dos adolescentes quanto ao conhecimento destes fatores esteve direcionada com relação a consequências físicas que a droga causa quando o individuo já esta em uso, o que indica um desconhecimento ou falta de reconhecimento de comportamentos que são riscos para o uso e abuso das drogas. Chiapetti e Serbena (2) apontam que estudos desenvolvidos em diversas partes do mundo revelam que a introdução ao consumo de drogas tem ocorrido cada vez mais precocemente, principalmente com a utilização de drogas lícitas, afirmam também e que tal uso ocorre de forma cada vez mais pesada. No Brasil pesquisas como a que foi realizada pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicoativas (CEBRID) a respeito do uso indevido de drogas por estudantes dos antigos 1º e 2º graus, em dez capitais brasileiras, reforçam esses achados. É no período da adolescência, com a vontade de tornar-se independente da família, que as drogas costumam ser experimentadas por muitos jovens. A grande maioria dos que virão a tornarem-se dependentes usaram drogas pela primeira vez entre os 14 e os 18 anos.
CONCLUSÕES
A compreensão do adolescente sobre as drogas e seus fatores de risco parecem ser assuntos bastante complexos e alvo de muitas discussões, tanto por parte dos próprios adolescentes como por parte da sociedade em geral. Este estudo apontou que existe um desconhecimento por arte dos adolescentes quanto aos fatores de risco e que muitas vezes as orientações dadas aos mesmos concentram-se em sinais e sintomas da dependência química não esclarecendo aos mesmos onde existe maior ou menor risco para o contato as drogas deixando-os muitas vezes vulnerável aos riscos sociais. Segundo Newcomb (4), os fatores de risco para o uso de drogas incluem aspectos culturais, interpessoais, psicológicos e biológicos. São eles: a disponibilidade das substâncias, as leis, as normas sociais, as privações econômicas extremas; o uso de drogas ou atitudes positivas frente às drogas pela família,
conflitos familiares graves; comportamento problemático (agressivo, alienado, rebelde), baixo aproveitamento escolar, alienação, atitude favorável em relação ao uso, início precoce do uso; susceptibilidade herdada ao uso e vulnerabilidade ao efeito de drogas.
REFERÊNCIAS
1. ALBERTANI, M. B.; SCIVOLETTO, S.; ZEMEL, M. de L. S. - Prevenção do uso indevido de drogas: fatores de risco e fatores de proteção. Secretaria Nacional - Antidrogas, UFSC, 2004..
2. CHIAPETTI, Nilse; SERBENA, Carlos Augusto. Uso de álcool, tabaco e drogas por estudantes da área de saúde de uma Universidade de Curitiba. Psicol. Reflex. Crit., Porto Alegre, v. 20, n. 2, 2007 .
Disponível em <http://www.scielo.br/ scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102- 9722007000200017&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 03 mar. 2013.
3. KESSLER, Felix et al . Psicodinâmica do adolescente envolvido com drogas. Rev. psiquiatr. Rio Gd. Sul, Porto Alegre, 2013. Disponível em <http://www.scielo .br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-81082003000 400005&lng=pt&nrm=iso >. acessos em 01 mar. 2013.
4. NEWCOMBE, Nora. Desenvolvimento infantil: abordagem de Mussen. 8.ed. Porto Alegre: Artes
Médicas, 1999. 561 p. ISBN 85-7307-497-3
Figura 1. Uso de drogas lícitas por parte dos participantes do estudo.
Figura 2. Contato dos participantes do estudo com usuários de drogas.
Figura 3. Entendimento do adolescente quanto aos fatores de risco para o uso e abuso de drogas.
15 5 2 6 13 36,6% 12,2% 4,9% 14,6% 31,7%
Sim Não Não
Respondeu Sim Não
Masculino Feminino 14 7 1 12 7 34,1% 17,1% 2,4 29,3% 17,1%
Sim Não Não Resp Sim Não
Masculino Feminino 12 9 1 9 10 29,3% 22,0% 2,4% 21,95% 24,39%
Não Sim Ñ Respondeu Não Sim
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