5 APRESENTAÇÃO DAS ANÁLISES/ RESULTADOS DA PESQUISA
5.2 Análise das entrevistas
5.2.2 Entrevista com as professoras-colaboradoras
Apresentamos, nesta seção, a entrevista realizada com a professora-colaboradora que nos acompanhou inicialmente, e também com a professora-colaboradora (Apêndice H – última aula-oficina) que contribuiu auxiliando-nos no término da SD. A entrevista com a primeira professora-colaboradora aconteceu no dia 12/11/2013, 3ª feira, às 10h20 minutos, numa sala reservada, no próprio campus. E a entrevista, com a segunda professora- colaboradora aconteceu no dia 04/12/2013, 4ª feira, das 7:30 às 9:00 horas, no último encontro com o grupo. As entrevistas, como antes mencionado, tiveram como objetivo
conhecer a visão e opinião, dessas profissionais, a respeito da experiência de ensino finalizada. É importante ressaltar que a primeira professora-colaboradora teve que ausentar-se, antecipadamente, por motivo de gestação. Isso veio a dar lugar à segunda professora-colaboradora. Seguem os dados da entrevista com a primeira professora- colaboradora.
Professora-pesquisadora: Em que medida a experiência desenvolvida contribuiu para
melhorar o desempenho dos alunos nas atividades de escrita?
Professora-colaboradora: Eu acredito que esse trabalho de produção textual...esse trabalho de
refacção do texto...de auto avaliação...isso...eh melhora e muito eh o aprendizado dos alunos é :: eu acredito que seja até muito mais efetivo do que o trabalho...é :: simplesmente com trabalho de regras e aprendizado de regras e conceitos...o trabalho com a prática... da produção... é muito mais efetivo... se aprende...é :: as habilidades através...desse trabalho...eu creio que... é um trabalho muito importante... e que ajudou bastante os alunos... a :: melhorar no que diz respeito... a prática da escrita.
Na resposta da primeira professora-colaboradora à primeira pergunta acima, percebemos que ela acredita num trabalho de produção escrita, nos moldes propostos na sequência didática posta em prática, em que, inicialmente, o aluno é estimulado a produzir um texto, na perspectiva de um gênero textual, e na visão do texto como processo, escrevendo uma primeira versão. Em seguida, é levado a perceber os problemas que o próprio texto apresenta e buscar a solução, seja perguntando ao colega, pesquisando em dicionário ou em materiais fornecidos em aulas anteriores, ou como última alternativa perguntando às professoras presentes. É perceptível que todas essas ações conduzirão o aluno a uma produção textual mais bem elaborada, se comparada àquela baseada somente em regras. A professora-colaboradora reconhece, ainda que implicitamente, que não se deve privilegiar apenas o uso da gramática. Essa opinião vem a ser reforçada na questão seguinte.
Professora-pesquisadora: Quais os pontos positivos e/ou negativos da experiência?
Professora-colaboradora: Olha...como eu havia falado eu acredito que... os pontos são muito
mais positivos do que negativos...né...um ganho... desse trabalho com produção escrita que geralmente não se tem nas aulas inclusive da nossa própria língua... e um trabalho com línguas ele requer... esse trabalho com a produção...((huhum)) seja oral seja escrita e :: é...eu acredito que se aprende muito mais dessa forma...a partir desse trabalho com produção escrita...né...principalmente pra quem... é:: deseja... alcançar uma...uma...uma linguagem melhor né...pra quem quer... ter um desenvolvimento melhor da língua seja materna seja estrangeira... eu acho que o trabalho com produção... faz com que a gente evolua muito mais...então este trabalho ele deve realmente ser feito... é :: na sala de aula.
A professora, indagada a respeito dos aspectos que considerou como pontos positivos e/ou pontos negativos da sequência didática, reforça, implicitamente, a visão amplificada do que vem a ser a aprendizagem por meio do conhecimento explícito, que significa estar ciente das regularidades subjacentes da língua, em que os aprendizes são instruídos a procurar pelas regras (ZIMMER e ALVES, 2005, p.130). A professora- colaboradora ressalta que – se aprende muito mais dessa forma – (sublinhado) e também que se tem um melhor desenvolvimento no idioma estudado. Além disso, é favorável que se faça um trabalho dessa natureza em sala de aula, e afirma que não existe sequer na LM. Apesar de haver mencionado, inicialmente, pontos negativos, não há apontado nenhum, inclusive, nos comentários.
Professora-pesquisadora: Que outros comentários você poderia fazer a respeito do que foi
desenvolvido?
Professora-colaboradora: De maneira geral é:: todos nós ganhamos... com a experiência...
todos nós aprendemos... não é...você com sua pesquisa eu como observadora...é:: e e os próprios alunos...eu acredito que pra eles foi bastante importante principalmente agora nessa reta final... de eles terem a oportunidade... de experimentar... de vivenciar... essa prática com a escrita... e de sair daqui... com...dentro do pouco tempo que nós pudemos... trabalhar com essa:: com essa questão da escrita... eu acredito que eles devem sair... é:: com outra visão... e já com um conhecimento a mais...e...da prática da escrita da língua estrangeira.
Nos comentários acima, reconhecemos na fala da professora-colaboradora, o seu acompanhamento, durante o tempo que esteve presente em sala de aula, a respeito do crescimento cognitivo dos alunos no tocante as produções textuais realizadas. O fato de observar que os alunos tiveram a oportunidade de experimentar, de vivenciar, efetivamente, a prática da escrita, dentro de uma nova visão, vai de encontro às palavras de Campos e Ribeiro (2013, p.23), em que as autoras ressaltam que “a escola trabalha os gêneros textuais desde sempre. O que muda é a maneira de se tratar o assunto. A abordagem hoje sugerida é a que privilegia a natureza social e interativa da linguagem”. Neste sentido, aprender gêneros textuais e dominá-los, é importante para que a aprendizagem de um novo idioma se efetive, pois é nas práticas sociais que a interação pela linguagem se concretiza.
Já a segunda professora-colaboradora participou somente das duas últimas aulas- oficina. Assim, não organizamos questões, apenas lhe solicitamos que nos transmitisse a sua visão, nesse curto espaço de tempo, a qual se restringiu a percepção dos resultados finais. A transcrição abaixo, na íntegra, se refere à opinião dessa profissional.
O pouco que eu pude acompanhar no trabalho...na pesquisa...assim...me pareceu muito interessante...realmente...eu gostei muito do trabalho...assim...o resultado principalmente que eu to acompanhando mais o resultado do que a...o inicio do trabalho...mais o resultado realmente foi satisfatório...eu pude ver a...o desenvolvimento do texto dos alunos...da produção deles tá...assim...excelente mesmo...i...quanto a utilização de textos...utilizo...assim... mais nunca tinha feito assim desta forma...assim...esse tipo assim de correção assim que a senhora utilizou...essa metodologia pra corrigir a...i...fazer a reescrita...realmente...pra mim...no momento foi algo novo...i...me pareceu assim uma coisa é:: como é que se...positiva...tanto pro professor... que pode acompanhar a evolução do aluno como pro aluno também...que vai se:: autocorrigir... né...ele vai ver onde foi que ele / vai identificar os erros e vai corrigir...muito bom mesmo...pretendo utilizar...já peço autorização ((risos)) pra utilizar aquela tabela de correção também que ficou bem interessante...muito bom mesmo...pra mim é só elogios pro trabalho e pro resultado dos alunos...realmente muito bom...satisfatório.
Os comentários da segunda professora-colaboradora nos parecem bastante significativos. Nota-se que diz ter ficado impressionada com os textos produzidos pelos alunos-colaboradores, e reconhece que não havia trabalhado o texto numa visão de processo. Demonstra haver gostado da metodologia empregada, com o uso dos procedimentos de escrita e reescrita do texto, que para ela representou algo novo, evidenciando, já nesse momento, uma contribuição do nosso trabalho à sua prática de ensino. Reconhece, também, a importância da aplicação prática da SD no tocante a evolução do desenvolvimento da escrita do aluno, e na forma como o professor pode acompanhar/ser partícipe dessa evolução, a qual estará refletida de maneira concreta nas produções textuais realizadas.
5.3 Análise das produções textuais dos alunos-colaboradores: fase do ensino implícito