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Execução provisória

No documento Manual de Recursos.pdf (páginas 122-129)

Efeitos dos Recursos

8. Execução provisória

A regra é a de que a decisão somente produzirá efeitos após o

trânsito em julgado. Este pressupõe uma decisão fundada em cognição exauriente

e na concessão, ao vencido, da oportunidade de se valer dos recursos cabíveis.

254

Art. 497, 1ª parte/CPC – “O recurso extraordinário e o recurso especial não impedem a execução da sentença”

255

Art. 266, § 2º/RISTJ – “Os embargos serão juntados aos autos independentemente de despacho e não terão efeito suspensivo.”

Diga-se que um processo, hodiernamente, demore de um a dois anos até sentença em primeiro grau256, conforme a comarca. Havendo eventual recurso para os já abarrotados tribunais, demore mais dois ou quatro anos, em razão da visível precariedade de investimentos em pessoal.

Indaga-se: Seria racional o ordenamento permitir àquele que obteve tutela antecipada, fundada em cognição sumária, já gozar do bem almejado e não o permitir àquele que porta um título executivo judicial, fundado em cognição exauriente – que lhe confere certeza – tão-só pelo fato de não haver transitado em julgado? Absolutamente não. Inconcebível seria o sistema dar mais importância a algo provável do que a algo certo. Atento a isso, o legislador possibilitou a execução provisória da sentença257.

Para pleitear a execução provisória, preliminarmente, há de ser verificado se o recurso fora, ou não, recebido no efeito suspensivo. É o que se extrai do art. 521/CPC, ao dispor que:

Art. 521/CPC – “Recebida a apelação em ambos os efeitos, o juiz

não poderá inovar no processo; recebida só no efeito devolutivo, o apelado poderá promover, desde logo, a execução provisória da sentença, extraindo a respectiva carta.”

Se não fora atribuído efeito suspensivo ao recurso, possível será a execução provisória258. Esta far-se-á, no que couber, do mesmo modo que a definitiva, distinguindo-se apenas no que dispõe os incisos do art. 475-O/CPC, quais sejam:

256

BRASIL. Secretaria De Reforma Do Judiciário. Ministério Da Justiça. Análise da Gestão e Funcionamento dos Cartórios Judiciais. Brasília, 2007. p. 27. Disponível em: [ttp://www.direitogv.com.br/subportais/Direito GV/Relat%C3%B3rio%20de%20pesquisa%20- %20Cart%C3%B3rios%20Judiciais.pdf] Acesso em: 21 dez. 2009.

257

DIDIER JR. et ali trazem outro fundamento, não menos relevante, para a permissão, pelo legislador, da execução provisória da decisão judicial: “A execução provisória permite que o vencedor (credor) efetive uma decisão que lhe foi favorável, ainda que tenha sido impugnada por recurso. Justifica-se como forma de compensá-lo pelo fato de o vencido (devedor) ter recorrido. Além disso, desestimula a interposição de recursos meramente protelatórios, no intuito de postergar indefinidamente o início da atividade executiva; sem o efeito suspensivo, o recurso não impede a realização de atividade executiva. (Curso de direito processual civil. Execução. v.5. Salvador: JusPodivm, 2009. p. 191).

258

Art. 475-I, § 1º/CPC – “É definitiva a execução da sentença transitada em julgado e provisória quando se tratar de sentença impugnada mediante recurso ao qual não foi atribuído efeito suspensivo.”

I – “corre por iniciativa, conta e responsabilidade do exeqüente,

que se obriga, se a sentença for reformada, a reparar os danos que o executado haja sofrido;”

Ao intentar a execução provisória, o exequente há de estar ciente de que, se a sentença for reformada pelo juízo ad quem, terá ele de arcar com as perdas e danos decorrentes de seu ato.

II – “fica sem efeito, sobrevindo acórdão que modifique ou anule a

sentença objeto da execução, restituindo-se as partes ao estado anterior e liquidados eventuais prejuízos nos mesmos autos, por arbitramento;”

Na hipótese de eventual reforma, as partes deverão ser restituídas ao stato quo ante. Ex. se um bem fora penhorado em virtude da execução provisória, haverá a desconstituição da penhora, tornando o executado a poder dele dispor. Se foram penhoradas mercadorias de seu estabelecimento e ele perdera vendas com isso, os prejuízos hão de ser reparados pelo exequente, contra quem correm os riscos da execução provisória.

III – “o levantamento de depósito em dinheiro e a prática de atos

que importem alienação de propriedade ou dos quais possa resultar grave dano ao executado dependem de caução suficiente e idônea, arbitrada de plano pelo juiz e prestada nos próprios autos.”

A prática de atos satisfativos exige caução259 por parte do exequente. Sem a caução, o que ele pode fazer é promover a penhora de bens do executado para garantir que, quando do provimento final do recurso, os bens subsistam para a satisfação de sua pretensão.

Da análise dos seus incisos, percebe-se a cautela que há de ter aquele que tem um provimento a seu favor ao requerer a execução provisória, visto que todos os riscos correrão à sua conta. É necessário que esteja muito convicto de sua razão para que possa correr esse risco.

259

O §2º do art. 475-O/CPC traz algumas exceções a regra em comento, ao enunciar que: “§ 2º A caução a que se refere o inciso III do caput deste artigo poderá ser dispensada: I – quando, nos casos de crédito de natureza alimentar ou decorrente de ato ilícito, até o limite de sessenta vezes o valor do salário-mínimo, o exeqüente demonstrar situação de necessidade; II – nos casos de execução provisória em que penda agravo de instrumento junto ao Supremo Tribunal Federal ou ao Superior Tribunal de Justiça (art. 544), salvo quando da dispensa possa manifestamente resultar risco de grave dano, de difícil ou incerta reparação.”

Quadro Sinótico

Efeito devolutivo

Terá efeito devolutivo o recurso que devolver o processo para a apreciação de órgão competente. O efeito devolutivo do recurso tem por finalidade levar o processo à nova apreciação.

O efeito devolutivo pode ser analisado sob dois prismas: a extensão e a profundidade. A extensão consiste em definir o que se submete, mediante recurso, ao julgamento do órgão ad quem. É definir a exata medida em que a decisão será impugnada, podendo sê- la total ou parcialmente. Já a profundidade é determinar com que material o órgão ad

quem apreciará a matéria impugnada, e dentro dos limites desta.

Efeito regressivo (ou de retratação)

Nas hipóteses em que é permitido (exceções), o juiz poderá se retratar de sua decisão dentro de um prazo estabelecido em lei.

Hipóteses legais do juízo de retratação:

a) agravo - contra decisão interlocutória do juiz de primeiro grau (Arts. 523, §2o e 529/CPC) e contra decisões monocráticas nos tribunais (art. 557, §1o/CPC).

b) apelação – Somente nas hipóteses dos arts. 285-A, §1o e 296, ambos do CPC, e nas causas que observem o Estatuto da Criança e do Adolescente.

c) embargos infringentes do art. 34, §3º da Lei 6830/80 (Lei de Execução Fiscal). Efeito diferido (ou condicionado)

Quando incidir o efeito diferido, a devolução da matéria impugnada fica postergada para

momento ulterior.

Ex. agravo retido – é julgado somente quando da apelação. Efeito substitutivo

O julgamento proferido pelo tribunal substituirá a sentença ou a decisão recorrida no que tiver sido objeto de recurso

Efeito expansivo

Ocorrendo o efeito expansivo, o recurso extrapola seus limites, seja no que se refere ao

objeto sobre o qual repercutirá (efeito expansivo objetivo), seja no que se refere às pessoas que dele se beneficiarão (efeito expansivo subjetivo), e neste caso, o julgamento

do recurso enseja efeito mais abrangente que o reexame da matéria objeto do recurso. Divide-se em: efeito expansivo objetivo e efeito expansivo subjetivo.

O efeito expansivo objetivo incidirá quando a decisão (ou capítulo da decisão) recorrida for prejudicial à outra decisão ou a outro capítulo da decisão.

O efeito expansivo objetivo ocorrerá quando o recurso interposto por um só dos litisconsortes aproveitar a todos os demais. Ocorre nos casos de litisconsórcio unitário. Efeito translativo

O efeito translativo consiste na transferência das matérias de ordem pública ex officio ao juízo ad quem, independentemente, portanto, de requerimento do recorrente nesse sentido. É exceção ao efeito devolutivo (devolução apenas da matéria impugnada pelo

7. Efeito suspensivo

Através do efeito suspensivo, impede-se (ou suspende-se) a produção de efeitos da

decisão recorrida até o julgamento final do recurso.

Pode ele ser concedido ope legis (por força de disposição legal) ou ope judicis (a critério do juiz, desde que preenchidos determinados requisitos)

8. Execução provisória

A regra é a de que a decisão somente produzirá efeitos após o trânsito em julgado. Se o recurso não fora recebido no efeito suspensivo, é possível que a parte pleiteie a execução provisória da decisão, ou seja, a satisfação do bem almejado antes do trânsito

em julgado, que correrá por sua conta e risco.

Questionário

1. Distinga o efeito expansivo objetivo do efeito expansivo subjetivo. 2. Quais são os principais efeitos ligados à interposição dos recursos?

3. Em que medida o juízo ad quem pode apreciar a causa objeto de recurso? Poderá o tribunal manifestar-se sobre a) todo o objeto da causa; b) tão-só no que fora impugnado ou c) tão-só no que fora impugnado e algumas outras matérias ? Fundamente com base no efeito devolutivo e no efeito translativo.

4. Qual a ratio que levara o legislador a permitir a atribuição de efeito suspensivo à causa?

5. Distinga o efeito suspensivo ope legis do efeito suspensivo ope judicis.

Provas de Concursos

Prova Concurso Público TRT/MT Juiz do Trabalho Substituto – 1º Dia – Fevereiro/2006 (Questão 21)

Elaboração: TRT

6. Quanto aos efeitos dos recursos indique a alternativa incorreta:

a) O efeito devolutivo é desdobramento do princípio dispositivo, visto que impede o tribunal de conhecer matéria que não faz parte do recurso, ou seja, o recurso devolve ao tribunal somente a análise dos itens impugnados;

b) O efeito suspensivo do recurso inibe a decisão impugnada de produzir efeitos, impedindo, por exemplo, a sua execução provisória;

c) O efeito translativo autoriza que o tribunal conheça de certas matérias, ainda que não impugnadas, como as questões de ordem pública;

d) Pelo efeito substitutivo a decisão que acolhe o recurso substitui, nos limites da matéria devolvida, a sentença recorrida. Uma vez conhecido e rejeitado o recurso não se verifica o efeito substitutivo, visto que neste caso manteve-se incólume a sentença atacada;

e) Exceção ao efeito devolutivo ocorre com a possibilidade de o tribunal conhecer de questões discutidas e debatidas no processo, ainda que a sentença não as tenha julgado por inteiro, bem como de todos os fundamentos da ação ou da defesa.

Prova Concurso Público TRT/RJ Analista Judiciário – Área Judiciária – Dezembro/2004 (Questão 58)

Elaboração: TRT

7. A execução da sentença não é impedida pela interposição do seguinte recurso: a) embargos de terceiro;

b) agravo de instrumento; c) agravo regimental; d) extraordinário; e) apelação.

Prova Concurso Público TRT/PR Juiz do Trabalho Substituto – 2º Dia – 2006 (Questão 61)

Elaboração: TRT

8. Sobre execução provisória, é correto afirmar:

a) Tratando-se de crédito alimentar, até o limite de sessenta salários mínimos, é possível o levantamento de depósito em dinheiro, independentemente de caução, se o exeqüente demonstrar situação de necessidade.

b) Em qualquer situação, a prática de atos que impliquem alienação de domínio depende de caução prévia, suficiente e idônea.

c) Ainda que parcial a reforma da decisão exeqüenda, a execução provisória ficará integralmente sem efeito.

d) Os prejuízos que a execução provisória tenha causado ao executado, caso reformada a decisão objeto da execução, devem ser apurados em autos distintos, sob pena de se causar tumulto processual.

e) É cabível a execução provisória ainda que o recurso tenha sido recebido com efeito suspensivo.

Controvérsias doutrinárias e reflexões para aprofundamento da matéria

9. Ao julgar o recurso, pode o tribunal ir além do que fora impugnado (efeito translativo) e gerar uma eventual reformatio in pejus? Em que medida poderá fazê-lo? Somente dentro do que fora impugnado ou também no que não o fora? (vide item 6)

Doutrina correlata – reflexão:

FERREIRA FILHO, Manoel Caetano. Comentários ao código de processo civil. v.7.: do processo de conhecimento. Arts. 496 a 565. Ovídio Araújo Batista da Silva (coord). São Paulo: RT, 2001. p. 118/119.

NERY JR., Nélson. Princípios fundamentais: teoria geral dos recursos. 5.ed. São Paulo: RT, 2000. p. 415/420.

THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de direito processual civil. v.1. Rio de Janeiro: Forense, 2009. p. 561.

BUENO, Cassio Scarpinella. Curso sistematizado de direito processual civil. v.5.: recursos, processos e incidentes nos tribunais, sucedâneos recursais: técnicas de controle das decisões jurisdicionais. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 81/82.

Respostas

1. Vide item 5 e sub-itens. 2. Vide itens Cap. IV. 3. Vide itens 1 e 6. 4. Vide item 7. 5. Vide item 7. 6. D 7. D 8. A

Capítulo V

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