Em 2008, quando foi criado16, o IFRN possuía cinco unidades de ensino – Na- tal - Central, Mossoró, Natal - Zona Norte, Ipanguaçu e Currais Novos – atendendo 15.603 estudantes, em cursos de formação inicial e continuada (FIC), técnicos de nível médio (nas formas integrada – para adolescentes e na modalidade de educação de jo- vens e adultos – e subsequente), de graduação (superior de tecnologia e licenciatura) e 15 Entendida no sentido de a Instituição pautar-se nos princípios da democracia e da justiça social, envolvendo a sociedade e per- mitindo que a mesma participe, democraticamente, da tomada de decisão concernente ao destino da escola e da sua administração. (CASTRO, 2009).
16 O IFRN foi criado mediante transformação do Centro Federal de Educação Tecnológica do Rio Grande do Norte (CE- FET-RN). No entanto, sua origem institucional data do início do século XX, sob a denominação de Escola de Aprendizes Artífices do Rio Grande do Norte (1909). Depois, denominou-se Liceu Industrial de Natal (1937), Escola Industrial de Natal (1942), Escola Industrial Federal do Rio Grande do Norte (1965), Escola Técnica Federal do Rio Grande do Norte (1968) e CEFET-RN (1999).
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de pós-graduação (especialização). O Quadro 1 apresenta a matrícula por unidade de ensino e tipo de curso, nesse ano.
UNIDADE DE
ENSINO FIC INTEGRADOTÉCNICO SUBSEQUENTETÉCNICO GRADUAÇÃO PÓS-GRADUAÇÃO TOTAL
Natal – Central 5.241 1.797 1.335 1.814 234 10.421 Mossoró 1.746 613 406 25 38 2.828 Natal – Zona Norte 558 346 138 0 40 1.082 Currais Novos 120 344 179 0 40 683 Ipanguaçu 177 363 9 0 40 589 Total 7.842 3.463 2.067 1.839 393 15.603
Quadro 1: Matrículas por unidade de ensino e tipo de curso, em 2008. Fonte: Elaborado pelo autor, a partir do Relatório de Gestão do IFRN 2008. (IFRN, 2008).
Nesse ano, o IFRN, ainda sob a institucionalidade de CEFET-RN, orientava suas ofertas educacionais e práticas pedagógicas pelo Projeto Político-Pedagógico (PPP), construído a partir de 2004 e finalizado de 2005. Nesse documento, a Insti- tuição assumiu como função social:
Promover a educação científico-tecnológico-humanística visan- do à formação integral do profissional-cidadão crítico-reflexivo, competente técnica e eticamente e comprometido efetivamente com as transformações sociais, políticas e culturais e em condi- ções de atuar no mundo do trabalho na perspectiva da edificação de uma sociedade mais justa e igualitária. (CEFET-RN, 2005, p. 77).
Como concepção de formação profissional técnica de nível médio, o CE- FET-RN prezava pelo ser humano “[...] multidimensional em sua estrutura física, emocional e racional. Deve estar em permanente busca de associação, constituin- do os diversos grupos que viabilizam sua sobrevivência, tais como: família, escola, mundo do trabalho, da participação social, política, cultura e do lazer.” (CEFET-RN, 2005, p. 37).
Essa concepção de formação profissional adotada no PPP-2004 é, em ou- tras palavras, a formação humana integral do profissional-cidadão, comprometido com as transformações sociais, políticas e culturais e capaz de atuar no mundo do trabalho e/ou prosseguir estudos.
A formação humana integral representa uma ruptura com a formação uni- lateral decorrente da divisão social do trabalho na sociedade capitalista, na qual uns são destinados a pensar (trabalho intelectual) e outros a executar (trabalho manual), e diz respeito ao fato de o ser humano ser integralmente desenvolvido em todas as suas potencialidades – social, moral, ética, intelectual, artística, afetiva, emocional, laboral etc. – a fim de que possa compreender as relações que se estabelecem nas atividades socioculturais e no mundo do trabalho, ampliar sua leitura de mundo e exercer de forma autônoma e ativa sua cidadania em todos os processos sociais. (SILVA, 2014).
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10 anos depois, em decorrência da expansão da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (RFEPCT) promovida pelos governos Lula da Silva (2003-2010) e Dilma Rousseff (2011-2016), o IFRN teve seu espectro de atuação ampliado para todo o Estado do Rio Grande do Norte, atingindo, em 2018, 21 campi: Apodi, Caicó, Canguaretama, Ceará-Mirim, Currais Novos, Ipanguaçu, João Câma- ra, Lajes, Macau, Mossoró, Natal – Central, Natal – Cidade Alta, Natal – Zona Nor- te, Nova Cruz, Parelhas, Parnamirim, Pau dos Ferros, Santa Cruz, São Gonçalo do Amarante, São Paulo do Potengi e Educação à Distância. A distribuição geográfica dos campi pode ser observada na Figura 1.
Figura 1: Disposição geográfica dos campi do IFRN, em 2018.
Fonte: Assessoria de Comunicação Social e Eventos do IFRN.
Em 2017, o IFRN atendeu 36.144 estudantes, em cursos de formação inicial e continuada (FIC), técnicos de nível médio (nas formas integrada – para adolescentes e na modalidade de educação de jovens e adultos – e subsequente), de graduação (supe- rior de tecnologia e licenciatura) e de pós-graduação (aperfeiçoamento, especialização e mestrado). O Quadro 2 apresenta a matrícula por unidade de ensino e tipo de curso, nesse ano.
CAMPUS FIC INTEGRADOTÉCNICO SUBSEQUENTETÉCNICO GRADUAÇÃO PÓS-GRADUAÇÃO TOTAL
Apodi 340 583 217 116 0 1.256
Caicó 459 689 205 168 0 1.521
Canguaretama 297 341 120 172 94 1.024
Ceará-Mirim 322 521 203 0 37 1.083
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CAMPUS FIC INTEGRADOTÉCNICO SUBSEQUENTETÉCNICO GRADUAÇÃO PÓS-GRADUAÇÃO TOTAL
Ipanguaçu 280 638 148 323 0 1.389 João Câmara 260 508 94 206 72 1.140 Lajes 224 278 86 0 0 588 Macau 248 589 111 210 12 1.170 Mossoró 601 719 740 230 170 2.460 Natal – Central 884 1.940 1.896 1.727 339 6.786 Natal – Cidade Alta 160 341 276 246 107 1.130 Natal – Zona Norte 167 654 167 318 0 1.306 Nova Cruz 378 549 267 165 0 1.359 Parelhas 246 274 91 0 0 611 Parnamirim 350 620 350 112 173 1.605 Pau dos Ferros 617 685 7 172 0 1.481 Santa Cruz 833 605 189 232 0 1.859 São Gonçalo do Amarante 329 501 125 278 0 1.233 São Paulo do Potengi 265 446 70 0 0 701 Educação a Distância 455 0 2.232 547 955 4.392 Total 8.633 12.122 7.605 5.559 2.022 35.941
Quadro 2: Matrículas por unidade de ensino e tipo de curso, em 2017. Fonte: Elaborado pelo autor, a partir do Relatório de Gestão do IFRN 2017. (IFRN, 2017).
Os dados revelam que, em uma década, as matrículas no IFRN, considerando todos os tipos de ofertas educacionais, saltaram de 15.603 para 35.941, ou seja, cresce- ram 130,35%, e que, especificamente, as matrículas nos cursos técnicos de nível médio (integrado e subsequente) saíram de 5.530 para 19.727, aumentando em 256,73%.
Ademais, enquanto em 2008, o número de matrículas nos cursos técnicos de nível médio (5.530) representava 35,44% do total de matrículas (15.603), em 2017, esse índice foi de 54,89% (19.727 de 35.941), superando a meta legalmente estabelecida para os Institutos Federais pela Lei nº 11.892/2008, de, no mínimo, 50% de suas vagas para atender esse tipo de curso.
A transformação do CEFET-RN em IFRN, além de acarretar mudanças es- truturais e organizacionais, exigiu o redimensionamento do PPP-2004 e, conse- quentemente, uma nova função social, a (re)definição das finalidades e dos objetivos institucionais, das ofertas educacionais, das práticas pedagógicas e dos referenciais orientadores de todas as ações institucionais. Assim, o novo PPP do IFRN começou a ser construído em 2009, sendo finalizado no início de 2012. (SILVA, 2014).
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Pelo PPP-2012, a ação formativa do IFRN é pautada nos seguintes princípios: justiça social, com igualdade, cidadania, ética e emancipação; gestão democrática; integração, na perspectiva interdisciplinar; verticalização do ensino e sua integração com a pesquisa e a extensão; formação humana integral; inclusão social; natureza pú- blica, gratuita e laica da educação; educação como direito social e subjetivo; e demo- cratização do acesso e garantia da permanência do educando. (IFRN, 2012).
Em decorrência desses princípios, o IFRN assumiu como função social:
Ofertar educação profissional e tecnológica – de qualidade refe- renciada socialmentee de arquitetura político-pedagógica capaz de articular ciência, cultura, trabalho e tecnologia – comprometi- da com a formação humana integral, com o exercício da cidadania e com a produção e a socialização do conhecimento, visando, so- bretudo, à transformação da realidade na perspectiva da igualda- de e das justiças sociais. (IFRN, 2012, p. 18).
Como concepção de formação profissional técnica de nível médio, a “[...] for- mação omnilateral que favorece, nos mais variados âmbitos, o (re)dimensionamento qualitativo da práxis social”. (IFRN, 2012, p. 18).
Assim, a função social do IFRN presente no PPP-2012 ratifica àquela do PPP-2004, no sentido de que as ofertas educativas na Instituição tem o fito de formar o profissional-cidadão, ou seja, um sujeito com domínio dos conhecimentos científi- cos, tecnológicos e culturais, qualificado tanto para o mundo do trabalho quanto para o exercício da vida pública e, assim, capaz de contribuir com o desenvolvimento econô- mico, social, político e cultural do Estado e da região, na perspectiva da transformação.
Já a concepção de formação profissional presente tanto no PPP-2004 quanto no PPP-2012 aponta para o fato de que a Instituição não deseja atrelar suas ofertas formativas rigidamente ao mercado de trabalho, mas sim orientá-las para uma for- mação mais completa, por meio de um currículo integrado destinado, por um lado, à superação incondicional da dualidade entre cultura geral e cultura técnica e, por ou- tro, a promover o desenvolvimento do educando em todas as suas dimensões (laboral, intelectual, social, cultural, ética, lúdica etc.).