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LINHAS INTRODUTÓRIAS COM EMBASAMENTO TEÓRICO

No documento IFRN 10 anos de criação.pdf (14.27Mb) (páginas 188-191)

Este artigo é resultado de uma pesquisa consolidada no Programa de Pós- -Graduação em Educação Profissional do IFRN (PPGEP-IFRN) e apresenta um estu- do sobre formação política e participação dos estudantes no Ensino Médio Integrado (EMI) no campus Natal-Central (CNAT). O objetivo do estudo foi investigar as circuns- 51 Licenciada em Pedagogia, Mestra e Doutora em Ciências da Educação, desde 2009, pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), onde atualmente desenvolve experiência acadêmica no Curso de Bacharelado em Jornalismo. Possui ha- bilitação Lato Sensu para atuar como Psicopedagoga Clínica e Institucional desde 2007. Atua profissionalmente com imersão na tríade ensino-pes- quisa-extensão por meio do trabalho docente que desenvolve na oferta de Educação Superior do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN). Participa como Docente do Programa de Pós-Graduação Acadêmica do IFRN, o PPGEP; bem como também como Docente do Mestrado Profissional em Ensino de Física, o MNPEF. No âmbito das atividades de ensino com pesquisa, atuou como Coordenadora Institucional do Programa PIBID/IFRN, experiência em que acompanhou práxis docentes, orientou pesquisa-ação e realizou pesquisas sobre Forma- ção inicial e continuada de Professores, apoiada pela agência de fomento CAPES, no período de 2013 até 2018. Atualmente, ainda com o apoio da agência de fomento CAPES, exerce a Gestão Institucional do Programa Residência Pedagógica/IFRN, oportunidade que possibilita a continuidade da produção de conhecimento sobre o ethos da formação e do trabalho docente, com duração até 2020. No concernente a prática da Extensão, coordena o Projeto Capital Cultural e Práxis do IFRN desde 2017. É membro do Grupo de Pesquisa Escola Contemporânea e Olhar Sociológico (ECOS), vinculado ao CNPq, realizando investigação no campo das ciências da educação junto a linha de pesquisa Sociologia educacional e ação pedagógica, na UFRN. No Jornalismo, é responsável pelo diálogo sobre os conceitos do Campo da Educação com a sociedade local do Rio Grande do Norte por meio dos veículos: Jornal eletrônico local Potiguar Notícias, TV digital PNTV e da rádio 87 FM de Natal.

52 Mestre em Educação Profissional pelo IFRN (2016) e graduado em Administração pela Universidade Potiguar (2008). Atualmente, exerce a função de Administrador no Ministério do Trabalho no Rio Grande do Norte - MTb/RN. Tem interesse por desafios que objetivem desenvolver projetos de aperfeiçoamento do serviço público com repercussão na melhoria da sociedade. 53 Licenciado em educação artística - habilitação em Artes Cênicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN. Especialista em Gestão Escolar pelo Instituto de Ensino Superior Presidente Kennedy - IFESP e em PROEJA pelo IFRN. Mestre em Educação e Doutor em Educação (formação e profissionalização docente), ambos pela UFRN. Tem experiências na área da Educação básica e Pós-graduação em Educação. Atualmente, exerce a função de Editor-chefe da Revista Diálogos de Exten- são-PROEX/IFRN e atua como Docente no Programa de Pós-Graduação em Educação Profissional e Tecnológica - PROFEPT. 54 Mestre em Educação Profissional pelo IFRN (2016), graduada em Pedagogia pela Universidade Federal do Rio Gran- de do Norte (2008), graduada em Psicologia pela Universidade Potiguar (2004) e Especialista em Gestão de Pessoas e Comporta- mento Organizacional pela Universidade Potiguar (2008). Atualmente Psicóloga do IFRN Campus Natal-Central e docente do Estado do Rio Grande do Norte.

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tâncias (espaços e tempos pedagógicos) disponibilizados pelas práxis cotidianas do Instituto que concorrem para a formação e participação política dos estudantes de ensino médio do IFRN-CNAT.

O trabalho se organiza em duas seções: a primeira discute o Projeto Político Pedagógico (PPP) enquanto importante documento institucional balizador da cultura institucional do IFRN; e a segunda analisa a compilação de dados obtidos pela apli- cação de questionário eletrônico. Para tanto, fez-se necessário realizar comparações entre as pretensões presentes nas linhas do PPP enquanto documento institucional do IFRN e a opinião dos estudantes sobre a formação política e a participação em ques- tionário eletrônico. O recorte temporal da investigação compreende o intervalo entre 2011 e 2016.

Investigar sobre a relação entre os estudantes do ensino médio, a formação política e a participação no IFRN-CNAT, compreendendo o diálogo convergente como um caminho possível para pensar o conjunto das relações de produção e os seus reba- timentos na estrutura econômica da sociedade, é um desafio necessário para pensar como alcançar o desenvolvimento de consciências sociais por meio da resistência na perspectiva da formação política e da participação dos jovens estudantes.

Refletir sobre essa complexidade nos move a indagar: quais os desafios e as possibilidades concretas para se desenvolver na Educação Profissional integrada ao Ensino Médio a formação política e participativa entre os estudantes de ensino médio do IFRN CNAT, para além dos condicionantes reducionistas impostos pela ditadura da flexibilidade?

Para a realização da investigação, foram consultados referenciais teóricos específicos dos campos da política educacional e da educação profissional (FREIRE, 2011; PARO, 2003; MÉSÁROS, 2008; RAMOS, 2004; MOURA, 2013), o PPP, como dis- tinto documento institucional, e estudantes de ensino médio integrado.

O capital financeiro exerce influência no cenário socioeconômico das re- formas educacionais no Brasil, destacadamente a partir da década de 1990, quando houve uma constante migração de teorias e modelos de organização e administração empresariais e burocráticos para a escola.

A perspectiva do trabalho flexível passou a girar em torno de valores como reducionismo, fragmentação e precarização, trazendo consigo uma nova forma de compreender a condição humana, desintegrada de sua complexidade. Os referidos valores capitalistas tributados aos trabalhadores colocam a competitividade e a pro- dutividade no centro do debate sobre desenvolvimento humano. Essa lógica também altera a forma de reconhecer e de perceber os outros sujeitos sociais, inclusive per- mitindo espaços de proliferação da intolerância por meio dos sentidos autoritários destinados às identidades culturais, de gênero e de diversidade. Esse debate se estende ao chão escolar quando o interesse é pensar sobre a formação política e a participação de estudantes da educação.

Dito de outra forma, a formação política pode desvelar o espectro visível da contradição entre capital e trabalho, aprofundando a compreensão dos estudantes acerca das desigualdades econômicas e sociais produzidas pelo modo de produção ca- pitalista, tornando indissociável a luta política da luta econômica.

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Frigotto, Ciavatta e Ramos (2005, p. 47) explicam que por meio da educação é possível a conscientização necessária para a emancipação, na medida em que esta promove a compreensão das determinações históricas e das condições de existência humana a partir do desenvolvimento material da sociedade e das relações sociais que nela se estabelecem.

Sobre esse desenvolvimento da sociedade, Marx (2010) lança o olhar sobre a constituição do Estado, quando fala da sociedade política e da sociedade civil, e afirma essas serem separadas apenas metodologicamente. Marx (2010) ainda diz que ambas, na realidade prática, constituem uma unidade dialética na qual consenso e coerção se modificam. Dessa forma, tanto a sociedade política como a sociedade civil colaboram uma com a outra no seio do Estado, sendo, ainda, instrumentos da classe dominante para o exercício de sua hegemonia.

Para Frigotto, Ciavatta e Ramos (2005, p. 48), construir uma sociedade pau- tada nos interesses da classe popular, que possibilite formar indivíduos emancipados, é uma premissa necessária para a transição de uma sociedade alienada para uma so- ciedade verdadeiramente livre, do ponto de vista social, econômico e político.

A respeito da transformação social, Paro (2010) afirma que, nesta sociedade capitalista, precisa-se extrapolar as meras reformas de iniciativa da classe que detém o poder, mas deve haver o comprometimento com a “superação da maneira como se encontra a sociedade organizada” (PARO, 2010, p. 120). Ou seja, não se pode conceber a transformação social por meio de uma simples atenuação dos antagonismos, deve- -se suplantar a sociedade dividida em classes sociais.

Diante das discussões apresentadas, delineiam-se, brevemente, dois cená- rios superpostos, de forma análoga ao debate sobre educação em tempos de exclusão, dissertado por Arroyo (2011).

No primeiro cenário, destaca-se a negatividade da exclusão social e não-tra- balho, “existindo uma relação pelo avesso: a impossibilidade de pensar em qualquer projeto educativo [...]” não havendo “nada a fazer, como educadores, não tem mais sentido o sistema escolar, a construção de um projeto educativo ou de um sistema pú- blico de educação” em que neste panorama “cada um deve se virar, se tornar empregá- vel, sobreviver.” (ARROYO, 2011, p. 270).

No segundo cenário, com o qual pactua-se nesta pesquisa, entende-se que há oportunidade de educabilidade e possibilidade de humanização dos sujeitos, cons- tituindo-se por meio dos sindicatos e movimentos sociais, podendo “retomar nossos sonhos educativos por que ainda poderão brotar se vinculados às lutas pelo direito ao trabalho e à inclusão social.” (ARROYO, 2011, p. 271).

Considerando essas proposições teóricas e metodológicas, salienta-se que o objeto de estudo dessa pesquisa extrapola o ambiente escolar, estando situado em um contexto mais amplo da sociedade em que as relações entre sujeitos sociais são enten- didas, a partir do movimento dinâmico e contraditório da realidade concreta.

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