3 ALTERNATIVAS PARA A DESTINAÇÃO FINAL AMBIENTALMENTE
3.2 MODELOS DE PLANTAS DE RECICLAGEM / BENEFICIAMENTO 47
Conforme estabelecido pela Deliberação Normativa do COPAM nº 155, uma área de reciclagem é um local onde ocorre o processo de transformação de um resíduo para fins de reaproveitamento (DN COPAM nº 155).
Os tipos de plantas de reciclagem variam em função dos tipos de resíduos a reciclar - papel, de vidro, plásticos. A seguir, serão apresentadas com detalhes, as plantas de reciclagem de resíduos volumosos e as plantas de reciclagem de RCC.
Área de reciclagem de resíduos da construção civil: é uma área destinada ao recebimento e transformação de resíduos da construção civil Classe A, já triados, para produção de agregados reciclados (NBR 15.114, 2004).
Para que os resíduos sejam reciclados e reaproveitados como matéria prima, as características do produto reciclado devem ser compatíveis ao uso futuro ao qual ele será destinado. A reciclagem dos RCC contaminados com materiais não inertes produz reciclada de pouca aceitabilidade. Por isso, é fundamental a segregação dos materiais inertes o qual possui maior potencial de reciclagem e reuso em outras obras, ou até mesmo, na mesma obra em que foi gerado. O ideal é que a equipe esteja capacitada para realizar a segregação e triagem dos RCC no momento da geração do resíduo, ainda no canteiro de obras.
Figura 7 - Fluxo do resíduo em uma Planta de reciclagem de RCCV. Fonte: Elaboração própria, Consórcio, IDP-FR, 2015.
Assim como as ATT’s, sugere-se que as áreas de reciclagem apresentem:
Cercamento da área em operação para impedir o acesso de pessoas estranhas e animais.
Os acessos internos e externos devem ser protegidos, executados e mantidos de maneira a permitir sua utilização sob quaisquer condições climáticas.
Sinalização na(s) entrada(s) e na(s) cerca(s) que identifique(m) o empreendimento; quanto às atividades desenvolvidas e quanto à aprovação do empreendimento.
Anteparo paisagístico para proteção de ventos predominantes, como, por exemplo, cerca viva arbustiva ou arbórea no perímetro da instalação.
Sinalização dos diversos elementos.
Área de operação com superfície plana para recebimento dos materiais.
Área de armazenamento temporário dos resíduos recebidos; com contêineres de grande volume (9 a 15 m3 de capacidade) para os resíduos a reciclar; Área específica para o armazenamento temporário de resíduos não recicláveis; Área de reciclagem.
Área de armazenamento dos materiais reciclados.
Área coberta e protegida para armazenamento temporário os resíduos classe D por no máximo 90 dias.
Sistemas de proteção ambiental que contemple:
- sistema de controle de poeira tanto nas áreas de descargas e manejo como nas zonas de acumulação de resíduos;
- dispositivos de contenção de ruído em veículos e equipamentos;
- sistema de proteção das águas superficiais: sistema de drenagem das águas de escoamento superficial na área de reciclagem, capaz de suportar uma chuva com período de recorrência de cinco anos, compatibilizado com a macrodrenagem local, para impedir o acesso de águas precipitadas no entorno na área de reciclagem e o carregamento de material sólido para fora da área.
- Revestimento primário do piso das áreas de acesso, operação e estocagem, executado e mantido de maneira a permitir a utilização sob quaisquer condições climáticas.
Equipamentos de segurança.
- A área de reciclagem deve dispor de equipamentos de proteção individual, de proteção coletiva, de proteção contra descargas atmosféricas e de combate a incêndio.
- Iluminação e energia: o local da área de reciclagem deve dispor de iluminação e energia que permitam uma ação de emergência em qualquer momento.
A área necessária para uma Planta de Reciclagem ou beneficiamento pode ser estimada em função do material a ser reciclado e do maior ou menor volume (m3) de
resíduos recebidos por um período determinado de tempo. O Quadro 14, a seguir, apresenta uma recomendação do Ministério do Meio Ambiente para determinadas capacidades de recebimento de 40 m3/dia a 320 m3/dia.
Quadro 14 - Área básica demandada para o gerenciamento dos resíduos.
Tipo de instalação Capacidade Área demandada
Reciclagem RCCV 40 m3/dia 3.500 m2
Reciclagem RCCV 80 m3/dia 4.500 m2
Reciclagem RCCV 160 m3/dia 9.000 m2
Reciclagem RCCV 320 m3/dia 11.000 m2
Fonte: Elaboração própria a partir do manual para implantação de sistema de gestão de resíduos de construção civil em consórcios públicos, 2010. Ministério do meio ambiente de Brasil.
As plantas de reciclagem podem ser classificadas em níveis, de 01 a 03, que variam conforme o nível de tecnologia empregado nas operações, conforme já explicado anteriormente no Produto 04, a diferença básica entre estes é:
Nível 01: demanda somente uma limpeza do terreno para execução das tarefas de classificação visual dos produtos descarregados por tamanho e um processo de trituração dos elementos maiores. Estas plantas geralmente são instaladas em Áreas de Triagem e Transbordo, e constituem o primeiro passo para as plantas de níveis superiores.
Nível 02: geralmente são utilizadas para o tratamento de materiais de obra capazes de produzir materiais reciclados que podem ser reutilizados nas próprias obras ou em outras. Nestas plantas é feito o processo de britação ou fragmentação e a classificação granulométrica dos produtos obtidos para posterior venda. Reduzindo drasticamente o volume de resíduo recebido a ser depositado no aterro.
Nível 03: são plantas de tratamento de materiais específicos usadas para resíduos volumosos (madeira, metal, plástico) limpos derivados de outras frações que permitem um aproveitamento quase integral de seus componentes. Geralmente, são instalações fixas e capazes de triturar o resíduo até alcançar a granulometria praticada no mercado ou estabelecida em contrato de compra e venda do material reciclado. Realiza-se, ao mesmo tempo, a limpeza das impurezas e separação de itens indesejados. As plantas de nível 3 para RCC são denominadas nesse Produto como Plantas de produção de agregados reciclados. São plantas de tratamento de materiais limpos, previamente segregados, que permitem um aproveitamento quase integral dos seus componentes. Geralmente são instalações fixas, robustas e os produtos obtidos são de grande qualidade.
Plantas móveis: podem ser utilizadas nas próprias obras ou em lotes pré- fixadas por um período de tempo. Obras de grande porte, geralmente quando a há demanda para uso de agregados em processos de pavimentação, por exemplo, são as mais indicadas para reciclagem “in situ” de materiais pétreos, como o concreto, aglomerado asfáltico e materiais cerâmicos limpos. A fabricação de agregados reciclados deve estar sempre sujeita às especificações técnicas e ensaios descritos nas normativas vigentes e exigidas para a obra e uso em questão.
O Quadro 15 a seguir apresenta as vantagens e desvantagens das plantas de reciclagem que são sugeridas para a recuperação das frações reutilizáveis dos resíduos gerados nas atividades de construção civil possibilitando que estes sejam comercializados e/ou reutilizados em outras obras, sejam elas públicas ou privadas. Quadro 15 - Vantagens e desvantagens das Plantas de reciclagem.
Plantas de reciclagem
Vantagens Desvantagens
Redução do volume total de resíduos não beneficiados. Geração de resíduos que devem ser dispostos corretamente de acordo com a sua composição.
Diminuição da exploração de recursos naturais para fabricação, e consequente redução dos impactos socioambientais relacionados.
Beneficiamento e valorização dos resíduos gerando produtos comercializáveis, geralmente de custo mais baixo ao empreendedor.
Geração de emprego, renda e inclusão social. Criação de novos postos de trabalho para mão de obra com baixa qualificação.
Incentivo à valorização dos RCCV e consolidação da importância do descarte correto.
Amenização dos impactos socioambientais causados pelo descarte inadequado dos resíduos, tais como a multiplicação de vetores de doenças, o comprometimento da paisagem e do tráfego de pedestres e veículos.
Fonte: Elaboração própria, Consórcio, IDP-FR, 2015.
Os materiais que podem ser encaminhados a uma planta de reciclagem são frações recuperáveis dos RCCV, já segregados, resultantes de quase todas as instalações da coleta de RCCV:
URPV.
Postos de descarga de entulho. Pontos Limpos.
Obras privadas ou públicas.
Dentre os aspectos ambientais que devem ser levados em consideração, podem ser citados:
Ocupação do solo. Consumo de água. Consumo de energia.
Geração de águas residuais que devem ser tratadas para atendimento à legislação ambiental vigente.
Geração de ruído que deve atender à legislação ambiental vigente. Geração de poeira e material particulado.
Geração de resíduos.
No que se refere aos aspectos legais, devem ser atendidas todas as exigências previstas no processo de licenciamento pelo órgão ambiental, seja ele municipal ou estadual.