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3  ALTERNATIVAS PARA A DESTINAÇÃO FINAL AMBIENTALMENTE

3.1  MODELOS DE PLANTAS DE TRIAGEM E TRANSBORDO 41 

Áreas de Triagem e Transbordo (ATT) podem ser um empreendimento privado ou público, e são destinadas ao recebimento e triagem de RCCV para posterior reuso, destinação ou disposição adequada.

A Lei nº 10.522, de 24 de agosto de 2012 institui, para o município de Belo Horizonte, o Sistema de Gestão Sustentável de Resíduos da Construção Civil e Resíduos Volumosos - SGRCC - e o Plano Municipal de Gerenciamento Integrado de Resíduos da Construção Civil e Resíduos Volumosos - PMRCC, e em seus Artigos 32 e 34 estabelece:

“Os resíduos volumosos devem ser triados nas Áreas de Triagem e Transbordo de Resíduos da Construção Civil e Resíduos Volumosos - ATTs, aplicando-se a eles, sempre que possível, processos de reutilização, desmontagem e reciclagem que evitem a sua destinação final a aterro sanitário. Os resíduos da construção civil devem ser integralmente triados, segundo a classificação definida pela Resolução CONAMA nº 307/2002, e devem receber a destinação ambientalmente adequada.”

Portanto, as Áreas de Triagem e Transbordo de Resíduos da Construção Civil e Resíduos Volumosos (ATTs) se caracterizam como instalações destinadas ao recebimento de RCCV de grandes geradores, públicos ou privados, e compromissadas com a sua total triagem. As atividades devem ser realizadas sem que haja prejuízo a saúde pública e ao meio ambiente e além da triagem podem ser feitas eventuais transformações e posterior encaminhamento para adequada disposição, conforme especificações da NBR 15.112/2004.

É importante destacar a importância da reutilização e reciclagem dos resíduos no canteiro de obras ou no local de geração. O manejo correto dos resíduos no interior do canteiro permite a identificação de materiais reutilizáveis, que geram economia tanto por dispensarem a compra de novos materiais como por evitar sua identificação como resíduo e passagem às demais fases do gerenciamento.

Devido a isto, a implantação de novas usinas de reciclagem para esses materiais deve ser incentivada, mesmo que seja necessário, para a sua viabilidade econômica, a aplicação da cobrança de taxas específicas.

Da mesma maneira, a etapa de triagem é uma fase relevante para o processo de gerenciamento dos RCC, pois, quando bem executada possibilita que estes sejam encaminhados para usinas de reciclagem e passem pelo procedimento de valorização

sem qualquer interrupção ou contratempo – presença de vigas de metal que podem, por exemplo, danificar equipamentos.

Haverá sempre a necessidade de uma reserva de parte da ATT para a recepção e processamento dos resíduos originados nas atividades de limpeza corretiva, recepção dos resíduos e armazenamento temporário dos resíduos captados na rede de pontos de entrega voluntária, etapa prévia ao transbordo.

A gestão pública deve completar em seu ciclo de iniciativas uma área que dê suporte ao cumprimento das exigências legais como solução para os resíduos de responsabilidade pública.

Em função dos passos que devem ser seguidos, é possível destacar dois modelos:  Áreas de Transbordo: instalação destinada exclusivamente ao Transbordo de

RCCV para o armazenamento de pequenos volumes de RCCV para que possam ser transportadas, em volumes maiores, às plantas de valorização ou aos Aterros Classe A.

 Áreas de Triagem e Transbordo: instalação de RCCV com dupla função: triagem, seleção e logística por meio do transporte de grandes volumes. Utilizada para triar e selecionar os RCCV retirando materiais não admissíveis nas etapas seguintes ou que não podem ser aceitos diretamente em outras instalações como as plantas de valorização ou Aterros Classe A.

Figura 5 - Entrada de resíduos volumosos (móveis e colchões) nas plantas de triagem. Fonte: TERSA. Planta de Tratamento de Resíduos Volumosos de Gavà (Barcelona-Espanha).

Figura 6 - Planta de triagem e transbordo. Fonte: Elaboração própria, Consórcio IDP-FR, 2015.

As ATT são normatizadas pela NBR:15112 de 2004 que prevê, dentre outras orientações técnicas:

 Cercamento no perímetro da área em operação, construído de forma a impedir o acesso de pessoas estranhas e animais.

 Portão junto ao qual seja estabelecida uma forma de controle de acesso ao local.

 Os acessos internos e externos devem ser protegidos, executados e mantidos de maneira a permitir sua utilização sob quaisquer condições climáticas com sinalização na(s) entrada(s) e na(s) cerca(s) que identifique(m) o empreendimento; quanto às atividades desenvolvidas e quanto à aprovação do empreendimento.

 Anteparo para proteção quanto aos aspectos relativos à vizinhança, ventos dominantes e estética, como, por exemplo, cerca viva arbustiva ou arbórea no perímetro da instalação.

 Portaria e balança.

 Sinalização dos diversos elementos.

 Área de operação: A área de operação deve ter sua superfície regular: - Área de recebimento;

- Área de armazenamento temporário dos resíduos recebidos; com contêineres de grande volume (de 9 a 15 m3 de capacidade), para os

seguintes resíduos:

 restos de obra (concreto, pedras, solos);  restos de obra (materiais cerâmicos);  metais;  madeira;  plásticos;  papel e papelão;  vidro. - Área de triagem;

- Área de armazenamento dos materiais segregados;

- Área de armazenamento temporário coberto para os resíduos classe D; - Área de eventual transformação dos materiais segregados;

 Sistemas de proteção ambiental: deverá ser implantado um sistema de proteção ambiental que contemple:

- sistema de controle de poeira, ativo tanto nas descargas como no manejo e nas zonas de acumulação de resíduos;

- dispositivos de contenção de ruído em veículos e equipamentos.

- sistema de proteção das águas superficiais: deve ser previsto um sistema de drenagem das águas de escoamento superficial na área de

reciclagem, capaz de suportar uma chuva com período de recorrência de cinco anos, compatibilizado com a macrodrenagem local, para impedir:

 o acesso, na área de reciclagem, de águas precipitadas no entorno;

 o carregamento de material sólido para fora da área.

- revestimento primário do piso das áreas de acesso, operação e estocagem, executado e mantido de maneira que permita a utilização sob quaisquer condições climáticas.

 Equipamentos de segurança:

- A ATT deve dispor de equipamentos de proteção individual, de proteção coletiva, de proteção contra descargas atmosféricas e de combate a incêndio;

- Iluminação e energia: O local da área de reciclagem deve dispor de iluminação e energia permitindo uma ação de emergência em qualquer momento.

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, a área aproximada necessária para estas infraestruturas varia de 1.000 a 5.000 m2, em função do maior ou menor volume de

resíduos a receber por dia.

Quadro 13 - Área básica demandada para o gerenciamento dos resíduos da construção civil.

Tipo de instalação Capacidade Área demandada

Triagem geral de resíduos 70 m3/dia 1.100 m2

Triagem geral de resíduos 135 m3/dia 1.400 m2

Triagem geral de resíduos 270 m3/dia 2.300 m2

Triagem geral de resíduos 540 m3/dia 4.800 m2

Fonte: Manual para implantação de sistema de gestão de resíduos de construção civil em consórcios públicos 2010. Ministério do meio ambiente de Brasil.

Nas áreas de triagem é realizada a seleção, classificação, avaliação e triagem das frações recuperáveis de RCCV, para que logo possam ser transportados em volumes maiores os materiais obtidos. Os materiais mais indicados para processamento em uma ATT são os RCCV misturados (sem contaminação) ou aqueles já previamente segregados que são derivados de praticamente quase todas as instalações de recebimento de RCCV sugeridas, ou seja:

 URPV.

 Postos de descarga de entulho (PDE).  Pontos Limpos.

Os materiais originados destas infraestruturas após a seleção, classificação, avaliação e separação das frações recuperáveis são:

 Frações recuperáveis de resíduos volumosos.  Resíduos inertes - Classe A.

 Resíduos recicláveis - Classe B.

 Resíduos para os quais ainda não existe processo de reciclagem viável – Classe C.

 Resíduos perigosos – Classe D.

O destino dos materiais originados no processo pode ser:  Unidades de reciclagem.

 Plantas de produção de agregados reciclados.  Plantas de produção CDR.

 Plantas de recuperação de energia.  Coprocessamento.

 Plantas de armazenamento e transferência de RCC.  Aterro Classe A

 Aterro sanitário.

Os modelos de plantas de triagem podem variar conforme o material admitido na entrada, a saber:

 Planta Fixa de triagem de RCCV: instalações que dispõem de maquinaria e equipamentos específicos para classificar os RCCV misturados ou separados na origem, bem como de sistemas de controle de armazenamento para potencializar o valor agregado dos produtos obtidos e otimizar o rendimento da produção. Têm como objetivo a obtenção de materiais recuperáveis. Por um lado, materiais pétreos limpos e, por outro, a madeira, os metais e os plásticos.  Planta fixa de triagem de RCC: instalação para o tratamento de resíduos da

construção onde se coletam, selecionam, classificam, trituram e valorizam as suas diferentes frações valorizáveis, com a finalidade de obter produtos finais aptos para a sua utilização. Estão orientadas para a reciclagem de materiais pétreos, principalmente concreto, aglomerado asfáltico e materiais cerâmicos limpos. A fabricação de agregados reciclados deve estar de acordo com as especificações técnicas e ensaios descritos nas normas vigentes.

 Planta fixa de triagem de RVol: instalação de tratamento de resíduos volumosos onde se coletam, selecionam, classificam, trituram e valorizam suas diferentes frações valorizáveis, com a finalidade de obter produtos finais aptos

para a sua utilização. Estão orientadas para a obtenção de materiais não pétreos, principalmente a madeira, os metais e os plásticos.

Sugere-se que todas as instalações, inclusive as móveis, estejam devidamente licenciadas pelo órgão publico responsável atentando ainda para todos os aspectos citados abaixo, para realização das atividades de gerenciamento de resíduos.

ASPECTOS AMBIENTAIS  Ocupação do solo;  Consumo de água;  Consumo de energia;

 Geração de águas residuais;  Geração de ruído;

 Geração de poeira;  Geração de resíduos.