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Não se prenda ao jogo do “ok, feito” Se acreditam os que as coisas não

im portam igualm ente, tem os de agir desse m odo. Não podem os ser direcionados pela ideia de que tudo tem de ser feito, elim inando coisas da lista, e de que isso é o que traz o sucesso. Não podem os ficar presos nesse j ogo, que nunca produz vencedores. A verdade é que as coisas têm m esm o valores diferentes entre si, e o sucesso vem quando nos preocupam os com o que é m ais im portante.

Às vezes, essa é a prim eira coisa que você faz. Às vezes, é a única. De qualquer m aneira, fazer a coisa m ais im portante é sem pre o m ais im portante.

5 MULTITAREFAS

“Fazer duas coisas ao mesmo tempo é não fazer nenhuma delas.” Publilius Syrus Então, se fazer a coisa m ais im portante é o m ais im portante, por que você tentaria fazer qualquer outra coisa ao m esm o tem po? Boa pergunta.

No verão de 2009, Clifford Nass procurou responder a ela. Sua m issão? Descobrir com o os fam igerados m ultitarefeiros faziam várias coisas ao m esm o tem po. Nass, professor da Universidade Stanford, disse ao New York Times que adm irava os m ultitarefeiros e considerava-se ruim nisso. Então, ele e sua equipe de pesquisadores aplicaram questionários a 262 estudantes para determ inar quão frequentem ente eles faziam várias coisas de um a só vez. Dividiram os suj eitos do teste em dois grupos, os m aiores e os m enores m ultitarefeiros, e com eçaram com a pressuposição de que os m ultitarefeiros m ais frequentes se sairiam m elhor. Mas estavam errados.

“Eu tinha certeza de que eles possuíam algum a habilidade secreta”, disse Nass. “Mas, no fim das contas, os m aiores m ultitarefeiros adoram irrelevâncias.” Foram ultrapassados em todos os sentidos. Em bora convencessem a si m esm os e ao m undo de que eram bons nisso, havia um pequeno problem a. Citando Nass: “Multitarefeiros eram m edíocres em tudo”.

Fazer de tudo ao mesmo tempo é uma mentira.

É m entira porque quase todo m undo aceita a ideia com o o certo a se fazer. Ficou popular a ponto de as pessoas chegarem a pensar que elas sem pre devem agir assim , fazendo o m áxim o que puderem ao m esm o tem po. Não apenas ouvim os falar sobre quem consegue ser m ultitarefa, m as tam bém ouvim os falar sobre com o podem os m elhorar nessa habilidade. Mais de 6 m ilhões de páginas na internet se dedicam a esse assunto, e sites sobre carreira listam a “m ultitarefa” com o um a habilidade a ser procurada por em pregadores e listada

com o qualidade pelos candidatos. Alguns chegaram a sentir orgulho de sua suposta habilidade e adotaram -na com o estilo de vida. Mas é m esm o um “estilo de vida”, visto que, na verdade, fazer m uita coisa ao m esm o tem po não é eficiente nem efetivo. No m undo dos resultados, em geral leva ao fracasso.

Quando você tenta fazer duas coisas ao m esm o tem po, ou não dá conta ou faz am bas m al. Se você acha que ser um m ultitarefeiro significa um j eito efetivo de concluir m ais, entendeu errado. Com o disse Steve Uzzell: “Fazer m uita coisa ao m esm o tem po é m eram ente a oportunidade de estragar m ais de um a coisa ao m esm o tem po”.

“Fazer muita coisa ao mesmo tempo é meramente a oportunidade de estragar mais de uma coisa ao mesmo tempo.” Steve Uzzell

MENTE DE MACACO

O conceito de hum anos fazendo m ais de um a coisa ao m esm o tem po tem sido estudado por psicólogos desde os anos 1920, m as o term o “m ultitarefas” só entrou em cena depois dos anos 1960, usado para descrever com putadores, não pessoas. Naquela época, 10MHz eram , pelo visto, algo tão incom preensivelm ente rápido que se fazia necessário todo um novo m undo para descrever a habilidade de um com putador de realizar diversas tarefas. Em retrospecto, a escolha do term o não foi das m ais felizes, um a vez que a expressão “m ultitarefa” é, em si, enganosa. Multitarefas refere-se a tarefas diversas que com partilham alternadamente um a m esm a fonte (a CPU), m as, na época, o conceito foi deturpado e interpretado com o se significasse diversas tarefas feitas simultaneamente. A alteração no significado induziu ao erro, visto que até m esm o os com putadores podem processar apenas um fragm ento de código por vez. Quando fazem m ultitarefas, trocam de um a para outra, alternando sua atenção até que todas sej am concluídas. A velocidade de os com putadores executarem diversas atividades alim enta a ilusão de que tudo acontece ao m esm o tem po. Assim , com parar com putadores com hum anos pode confundir.

As pessoas podem , de fato, fazer duas ou m ais coisas ao m esm o tem po, com o andar e falar, ou m ascar chiclete e ler um m apa; m as, com o os com putadores, não podem os nos focar em duas coisas de um a só vez. Nossa atenção vai de um a coisa para outra. Isso é tranquilo para os com putadores, porém traz sérias repercussões para os hum anos. Dois aviões recebem perm issão para pouso na m esm a pista. Dá-se o rem édio errado para um paciente. Um bebê é largado sem cuidado na banheira. O que todas essas tragédias em potencial têm

em com um são pessoas tentando fazer coisas dem ais ao m esm o tem po, esquecendo-se de fazer o que de fato deveriam .

É estranho, m as, de algum m odo, com o tem po, a im agem do ser hum ano m oderno tornou-se a de um m ultitarefeiro. Acham os que conseguim os; então, acham os que devem os. Crianças m andam torpedos enquanto estudam , ouvindo m úsica ou assistindo à TV. Adultos dirigem falando ao telefone, com endo, m aquiando-se ou até se barbeando. Fazem algo num a sala enquanto conversam com outra pessoa, em outra sala. Todos têm os sm artphones em punho antes m esm o de pôr os guardanapos no colo. Não é que tem os tem po de m enos para fazer todas as coisas que precisam os fazer; é que sentim os que precisam os fazer coisas dem ais no tem po que tem os. Então duplicam os e triplicam os, na esperança de dar conta de tudo.

E lá vem o trabalho.

O escritório m oderno é um carnaval m ultitarefa de dem andas que nos distraem . Enquanto você tenta concluir um proj eto, alguém tem um acesso de tosse num a baia próxim a e lhe pede um a pastilha para a garganta. O sistem a de com unicação vive m andando m ensagens que qualquer pessoa nas proxim idades escuta. Você é alertado o tem po todo de e-m ails que pipocam na caixa de entrada enquanto o feed da rede social fica tentando lhe atrair a atenção e seu celular vibra interm itentem ente sobre a m esa ao receber outra m ensagem de texto. Um estoque de correspondência fechada e pilhas de trabalho não concluído encontram -se em plena vista, e pessoas passam constantem ente pela sua m esa ao longo do dia, perguntando-lhe coisas. Distração, perturbação, ruptura. Focar num a só tarefa é exaustivo. Pesquisadores estim am que os trabalhadores são interrom pidos a cada onze m inutos e, no fim , perdem quase um terço do dia recobrando-se dessas distrações. E, no entanto, em m eio a tudo isso, ainda acreditam os poder em ergir e fazer o que tem que ser feito, cum prindo nossos prazos.

Mas estam os nos enganando. Multitarefar é um a roubada. O prem iado poeta Billy Collins resum iu bem : “Cham am os isso de m ultitarefa, o que faz soar com o se fosse possível fazer várias coisas ao m esm o tem po... É o que um budista cham aria de m ente de m acaco”. Tem os a im pressão de dom inar as m ultitarefas, m as estam os apenas enlouquecendo.

FAZER MALABARISMOS É UMA ILUSÃO

Chegam os a esse ponto naturalm ente. Com um a m édia de 4 m il pensam entos por dia voando para dentro e para fora de nossas cabeças, é fácil entender por que tentam os fazer tudo de um a vez. Se trocar de pensam ento a cada catorze segundos é um convite para m udarm os de direção, então som os

continuam ente estim ulados a tentar fazer m uitas coisas ao m esm o tem po. Enquanto fazem os um a, estam os apenas a segundos de distância de pensar em outra que poderíam os fazer.

A história sugere que nossa existência levou os seres hum anos a evoluírem para a capacidade de dar conta de várias tarefas ao m esm o tem po. Nossos ancestrais não teriam durado m uito se não pudessem se preocupar com predadores enquanto colhiam frutas, brigavam ou apenas sentavam -se à beira do fogo depois de um dia duro de caçada. A tendência de equilibrar m ais de um a tarefa por vez não está apenas no núcleo de nossos corações, m as foi, m uito provavelm ente, necessária para nossa sobrevivência.

Mas fazer m alabarism os não é m ultitarefa.

Fazer m alabarism os é um a ilusão. Para um observador casual, o m alabarista trabalha com três bolas ao m esm o tem po. Na verdade, ele pej a e j oga as bolas independentem ente, em rápida sucessão. Pega, j oga, pega, j oga, pega, j oga. Um a bola por vez. É o que os pesquisadores cham am de “alternar tarefas”.

Quando você se alterna entre um a tarefa e outra, voluntariam ente ou não, duas coisas acontecem . A prim eira é quase instantânea: você decide alternar. A segunda é m enos previsível: você tem que acionar as “regras” para o que vai fazer (vej a a figura 6).

Alternar duas tarefas sim ples – com o assistir à TV e dobrar roupas – é rápido e relativam ente indolor. Contudo, se você está trabalhando num a planilha e um colega aparece na sala para discutir um problem a, a com plexidade relativa dessas tarefas torna im possível alterná-las facilm ente. Sem pre leva certo tem po com eçar um a tarefa nova e recom eçar a que você largou, e não há garantia de que você vá retom á-la exatam ente de onde parou. Há um preço a pagar. “O custo em term os de tem po extra gasto com a alternância de tarefas depende de quão com plexas ou sim ples elas são”, diz o pesquisador Dr. David Mey er. “Pode variar de aum ento de 25% ou m enos no tem po gasto para tarefas sim ples, até m ais de 100% ou m ais para tarefas m uito com plicadas.” Alternar tarefas tem um preço, e poucos percebem que o estão pagando.

CANAIS CEREBRAIS

Então, o que acontece quando fazem os duas coisas de um a só vez? É sim ples. Nós as separam os. Nosso cérebro tem canais, e, com o resultado, som os capazes de processar diferentes tipos de inform ação em diferentes partes dele. É por isso que você pode falar e andar ao m esm o tem po. Não há interferência de canais. Mas vej a a pegadinha: você não está focado de verdade em am bas as atividades. Um a está acontecendo no plano da frente, e a outra, no plano de fundo. Se você estivesse tentando ensinar um passageiro a pousar um DC-10, pararia de andar. Igualm ente, se você estivesse atravessando um desfiladeiro sobre um a corda, provavelm ente, pararia de falar. Dá para fazer duas coisas de um a vez, m as não há com o focar efetivam ente em duas coisas ao m esm o tem po. Até m eu cachorro, Max, sabe disso. Quando estou grudado num j ogo de basquete na TV, ele m e dá um a bela cutucada. Pelo visto, o cafuné que faço no plano de fundo deve ser m uito sem graça.

Muitos pensam que, se seus corpos funcionam sem direcionam ento consciente, significa que estão fazendo várias coisas ao m esm o tem po. Isso é verdade, m as não da form a com o colocado. Muitas de nossas ações físicas, com o respirar, são dirigidas por um a parte diferente de nosso cérebro da parte responsável pela atenção. Com o resultado, não há conflito de canais. Estam os certos quando dizem os que algo está “na frente ou no ponto central” ou “no topo da m ente”, porque é lá que o foco acontece: no córtex pré-frontal. Quando você foca, é com o se colocasse um holofote no que im porta. Você pode até dar

atenção a duas coisas, m as isso é cham ado “atenção dividida”. E não confunda: se você foca em duas coisas, sua atenção se divide. Se você foca em um a terceira, deixa cair algum a coisa.

O problem a de tentar focar em duas coisas de um a só vez aparece quando um a tarefa dem anda m ais atenção ou quando se solicita um canal que j á está em uso. Quando sua esposa está descrevendo o m odo com o os m óveis da sala foram rearranj ados, você aciona o córtex visual para enxergar o arranj o com os olhos m entais. Se, por acaso, você estiver dirigindo nesse m om ento, essa interferência de canais significa que você passa a ver o sofá novo e a com binação de cadeiras, e fica efetivam ente cego ao carro brecando bem na sua frente. Sim plesm ente não dá para enfocar efetivam ente duas coisas im portantes ao m esm o tem po.

Toda vez que tentam os fazer duas ou m ais coisas sim ultaneam ente, estam os dividindo nosso foco e prej udicando todos os resultados no processo. Abaixo, apresentam os um a lista m ostrando com o fazer m uitas coisas de um a vez nos causa curto-circuito:

1. Existe um lim ite para a capacidade cerebral em determ inado m om ento. Divida-a quanto quiser, m as haverá um preço a ser pago, em tem po e efetividade.

2. Quanto m ais tem po você gasta focado em outra tarefa, m enor é a possibilidade de retornar à tarefa inicial. É assim que se acum ulam arestas por aparar.

3. Alterne entre um a atividade e outra, e você vai perder tem po conform e seu cérebro se reorienta para a tarefa nova. Esses m ilissegundos se acum ulam . Pesquisadores estim am que perdem os 28% de nosso tem po num dia norm al de trabalho devido à ineficácia de m ultitarefar.

4. Multitarefeiros crônicos desenvolvem um senso distorcido de quanto tem po levam para fazer as coisas. Quase sem pre, eles acreditam que as tarefas levam m ais tem po para ser feitas do que o realm ente necessário. 5. Multitarefeiros com etem m ais erros do que as dem ais pessoas. Costum am

tom ar m ais decisões equivocadas porque favorecem novas inform ações em detrim ento das antigas, m esm o quando estas são m ais valiosas. 6. Multitarefeiros passam por m ais estresse, que reduz a expectativa de vida e

esm aga a felicidade.

Com resultados de pesquisas a respeito tão claros, parece insano que – sabendo que fazer m uito de um a vez leva a erros, decisões equivocadas e estresse – tentem os agir dessa form a m esm o assim . Talvez sej a apenas tentador dem ais. Trabalhadores que usam com putadores durante o dia trocam de j anelas ou checam e-m ail ou outros program as quase 37 vezes por hora. Estar num

am biente que distrai provoca ainda m ais distração. Ou talvez sej a o barato. Quem troca m uito de m ídia chega a sentir prazer com a alternância – um j orro de dopam ina –, o que pode ser viciante. Sem isso, talvez se sintam entediados.

Independente do m otivo, os resultados são óbvios: fazer várias coisas ao m esm o tem po nos desacelera e nos faz pensar m ais devagar.

LEVADOS À DISTRAÇÃO

Em 2009, o repórter Matt Richtel, do New York Times, ganhou o Prêm io Pulitzer de Reportagem Nacional com um a série de artigos (Driven to Distraction [Levados à distração]) sobre os perigos de dirigir m exendo no celular ou enviando torpedos. Ele constatou que dirigir distraidam ente era responsável por 16% de todas as fatalidades no trânsito e por quase m eio m ilhão de acidentes anualm ente. Ao dirigir, até um a sim ples conversa ao telefone rouba 40% de nosso foco e, surpreendentem ente, pode ter o m esm o efeito que dirigir alcoolizado. Os dados eram tão alarm antes que m uitos estados e m unicípios dos Estados Unidos tornaram crim e usar o celular ao dirigir. Faz sentido. Em bora alguns de nós j á tenham os vestido a carapuça, j am ais perdoaríam os o m esm o delito se com etido por nossos filhos. Basta um a pequena m ensagem de texto para transform ar a picape da fam ília num aríete m ortal de duas toneladas. Fazer m ais de um a coisa por vez pode causar m ais de um tipo de acidente.

Sabem os que m ultitarefar pode ser até fatal quando há vidas em j ogo. Na verdade, esperam os que pilotos e cirurgiões dediquem foco total ao que fazem , excluindo qualquer outra coisa. E esperam os que qualquer profissional dessas áreas que sej a pego fazendo o contrário sej a severam ente punido. Não aceitam os argum ento algum e não tem os tolerância algum a para qualquer coisa que não sej a a concentração total desses profissionais. E, no entanto, aqui estam os todos nós – fazendo o oposto. Não valorizam os nosso trabalho ou não o encaram os com seriedade? Por que toleraríam os fazer várias coisas ao m esm o tem po quando estam os executando nosso trabalho m ais im portante? Mesm o que nosso em prego não envolva cirurgia invasiva, isso não significa que o foco é m enos crítico para nosso sucesso ou para o sucesso dos outros. Seu trabalho m erece o m esm o respeito. Pode não parecer agora, m as a conectividade de tudo o que fazem os significa, no fim das contas, não som ente que cada um de nós tem algo a fazer, m as que esse algo m erece ser bem feito. Pense assim : se realm ente perdem os quase um terço de nosso dia de trabalho para as distrações, qual é a perda acum ulada ao longo da nossa carreira? Qual é a perda para outras carreiras? Para os negócios? Se você pensar nisso, talvez descubra que, se não encontrar um j eito de resolver o problem a, pode acabar perdendo sua carreira ou seu próprio negócio. Ou pior, fazer com que outras pessoas o percam

tam bém .

Além do trabalho, que tipo de dano as distrações desencadeiam em nossas vidas pessoais? O escritor Dave Crenshaw foi correto ao dizer: “As pessoas com quem vivem os e trabalham os no dia a dia m erecem atenção com pleta. Quando prestam os atenção dividida a elas, dando-lhes bocados de nosso tem po, alternando-as com outras coisas, essa alternância custa m ais caro do que apenas o tem po envolvido. Acabam os prej udicando os relacionam entos”. Toda vez que vej o um casal j antando e um parceiro tenta se com unicar francam ente enquanto o outro m anda torpedos por baixo da m esa, lem bro-m e da verdade sim ples da frase acim a.

BOAS IDEIAS

1. A distração é algo natural. Não se sinta m al quando for distraído. Todo m undo

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