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5. ANÁLISES E DISCUSSÕES

5.1 Categorias de Análise

5.1.7 O comportamento e as características dos atletas

Para os treinadores pesquisados as características dos jogadores podem influenciar na escolha do sistema tático ou estratégia de uma equipe, se faz importante saber como essas características e capacidades dos atletas podem ser identificadas na forma de jogar de cada um dos treinadores.

Quando perguntados sobre as características que os jogadores devem ter, TB fala que é importante, para um atleta que forme seu elenco, possuir algumas características como competitividade, boa tomada de decisão e resiliência, características estas segundo o treinador TB que podem dar retorno ao clube.

“ Quanto mais equilibrado possível, jogadores com competitividade, jogadores com uma boa tomada de decisão, jogadores com uma resiliência alta, é, jogadores dentro desse perfil, quanto mais passa o tempo e mais eu trabalhe, mais eu vejo futebol pelo caminho que ele tá tomando eu vejo que esse é o perfil de jogador que vai vencer e esse é o perfil de jogador que vai dar resultado para um clube, para um treinador, é esse perfil aí. ” (TB)

Essas características citadas por TB podem-se relacionar com que Frota (2012) quando expõe sobre tática individual de cada atleta e a sua importância para o desenvolvimento e evolução do jogo e da equipe. Quina (2001), também neste sentido relaciona que a disciplina tática que o atleta deve ter em campo possibilita um melhor rendimento em campo e consequentemente para o clube.

É importante destacar duas características citadas por TB a respeito do perfil de atleta que pode dar resultado para o clube. A boa tomada de decisão, importante para o jogador moderno, saber o que vai fazer com e sem a bola no momento da ação que está presente. E a resiliência, capacidade de se adapatar as mudanças, mudanças que constituem o jogo de futebol, pois segundo Pivetti (2012), o futebol é uma cascata de mudnças que vão se sucedendo.

TP quando questionado sobre as características que os jogadores devem ter, relacionou com a função que o atleta executa em campo. Para TP um jogador deve saber fazer bem a sua função e ter personalidade.

“ Acho que os atletas que saibam fazer a função né, hoje, hoje como você gostam de sair jogando você tem que ter, por exemplo, zagueiros que tenham essa qualidade de jogo, mas ao mesmo tempo tem que saber fazer essa marcação que geralmente o zagueiro tem que ter o contato físico né, o corpo a corpo. Os jogadores de meio-campo, os jogadores que eu, quando cheguei no Clube o Ricardo era um meia eu trouxe o Ricardo para fazer uma função mais atrás para ter qualidade de jogo, então, são jogadores leves, jogadores inteligentes que saibam jogar porque você precisa ficar com essa bola e na frente jogadores com velocidade, também dependendo gosto de atleta de referência, mas não aquele atleta fixo e sim aquele atleta, a gente tinha o Magno aqui que não era um atleta de área mas tinha muita presença de área. “ (TP)

“O que joga, né? Jogador ideal é o que joga né, você tem que botar o cara a jogar, se o cara jogar ele é o ideal”. (TP)

Essas funções que cada atleta deve exercer, de acordo com Saad e Costa (2005), significam as ações que cada jogador faz dentro do campo de jogo nas ações ofensivas e defensivas do jogo, estando ou não com a posse da bola. Na mesma linha, Gréhaigne (1992), também cita que os jogadores devem executar ações na fase de ataque como na fase defensiva, de acordo com os objetivos e finalidades da equipe.

A análise de um bom jogador para TP, passa pelo processo de formação individual do atleta, para a função que ele exerce em campo. Para o pesquisado o jogador deve saber fazer bem as ações que a sua posição executa. Como exemplo podemos citar que um zagueiro deve marcar bem, sair jogando, bom cabeceio e liderança.

Os pesquisados neste sentido falam coisas que parecem ser diferentes a respeito das características dos jogadores, mas ambos querem que seus jogadores saibam tomar decisões, que significa executar bem sua função em campo.

Nesse contexto, entende-se que, no futebol atual, um jogador para ter o status de “bom jogador” não necessita ser boa capacidade em apenas um fundamento e sim buscar aprimorar todos os fundamentos do jogo e principalmente, buscar o entendimento das ações que irá realizar.

Em relação a comparação das características dos jogadores do nordeste com outros centros do pais principalmente sul e sudeste, ambos os treinadores observam diferenças entre os jogadores cearenses e os jogadores das demais regiões, principalmente físicas. Mas TB coloca que isto está mudando ele observa características positivas e negativas em ambos os centros futebolísticos.

O treinador da categoria sub 20 (TB) fala que fisiologicamente há diferenças.

“Cara, entra na questão fisiológica né, fisiológica questão, isso ai não dá como a, não tem como a gente separar, o jogador que vem lá do sul pro jogador aqui do nordeste”. (TB)

“ [...] tá se aproximando muito, tá muito próximo sabe, já houve uma discrepância maior a nível de características né, andes se dizia que no nordeste tu encontrava muito jogador com velocidade, leve, e que, é com um cognitivo mais baixo e que no sul tinha jogadores mais lentos com um biótipo físico maior e com uma formação educacional maior, eu não, te confesso assim o que não, eu venho do sul né, minha origem eu sou gaúcho, já trabalhei no sul mas não vejo essa diferença sabe, vejo coisa positivas e negativas nos dois, nas duas regiões do pais então não, não tá tão latente essa diferença sabe. “ (TB)

“Organização, jogo solidário, organização, saber o que fazer quando não tem a bola e quando perde a bola”. (TB)

“O jogador especifico do Nordeste são jogadores mais rápidos né, você não vê muito jogador né, típico do Nordeste com muito, com lentidão, a gente tem especifico aí um que foi um grande jogador Rivaldo que saiu daqui de Recife, você me perguntou do Ceará, mas eu tô dizendo da região e aqui você tem atletas que são, você não vê atletas lentos oriundos do Ceará, é características da região do Nordeste. “ (TP)

Diferenças essas confirmadas por Vasconcelos (2011) que cita que a seca, fenômeno natural que atinge o estado do Ceará, também possui forte influência no biótipo do povo cearense e de seus atletas no qual, apresenta geralmente uma baixa estatura, característica essa, herdada geneticamente e adquirida a partir do ambiente influenciado pela história do estado. Características essas que podemos identificar em alguns dos grandes jogadores cearenses como Clodoaldo, Yarlei, Osvaldo, entre outros. Corroborando com as diferenças físicas Damo (1998) fala que no Sul do país, por conta da influência europeia sofrida pela região, o futebol é jogado com mais intensidade e pegada, sendo um jogo mais forte e com uma maior disciplina tática.

Já quando TB fala que estas características estão mudando Hirata (2014), relaciona a globalização do futebol como um processo de evolução do futebol brasileiro decorrente a influência da organização do futebol europeu.

Assim, no futebol atual, apesar de ainda haver diferenças no trabalho realizado em diferentes regiões, os anseios e os objetivos do futebol tem se tornado cada vez mais universais, diminuindo as diferenças entre atletas de diferentes regiões. Porém, apesar dessas diferenças, estarem cada vez menos perceptíveis, ainda se observa a baixa quantidade de jogadores cearenses nos grandes clubes da elite do futebol brasileiro.

Quando perguntados sobre as funções dos que os jogadores exercem em campo no setor defensivo, TB elege algumas características táticas individuais

importantes que os laterais e os zagueiros devem saber. Já TB coloca o goleiro com um jogador importante no processo defensivo e ofensivo da equipe.

“ [...] eu gosto de lateral que tenha qualidade de recompor e fazer a diagonal quando a jogada tá do lado contrário, do lado esquerdo, e tenha agressividade pelo corredor né, a gente tem aqui o Cametá hoje que faz isso muito bem né, apesar da estatura, ele faz isso bem, então é uma característica que eu gosto né, o atleta que joga do lado na lateral tem que ter agressividade tem que dar a condição de você pelos flancos né, e tem que saber fazer a diagonal, tem que saber fazer o feche quando a jogada tá do lado contrário né, e o confronto na individualidade, tem que tá; os dois zagueiros né, tanto o zagueiro do, o central e o quarto zagueiro hoje, prefiro zagueiros que tenham força na marcação mas que tenham condições de começar a jogar porque o jogo começa por eles né e lógico a mesma condição pro lateral no confronto individual ser muito forte nesse confronto.” (TP)

“[...] inclusive a gente treina o goleiro na nossa posse de bola que era exclusivo para os homens de linha, hoje a gente insere o goleiro, estamos inserindo os goleiros para que o goleiro tenha a percepção daquela bola rápida para saber dominar, pra saber passar o goleiro hoje tem que jogar com o pé. “ (TP)

A respeito da tática individual de cada atleta Frota (2012), descreve que esta é de suma importância para o desenvolvimento do jogador na função que exerce.

A respeito das funções específicas da defesa, Quina (2011) coloca que as mesmas ações dos zagueiros e laterais citadas pelo TB, como a ocupação de espaços, realizar cobertura de marcação tanto defensiva quanto ofensiva, e ao ter a bola, os zagueiros servirem como segurança para os meio-campistas e os laterais ajudar no apoio pelos lados do campo, tudo isso fazendo parte da organização da equipe.

Na mesma linha comentada por TB e Quina, Balzano e Oliveira (2014) descrevem que os laterais são jogadores com grande velocidade e resistência que podem fazer as ações defensivas e ofensivas como, apoio ao ataque utilizando as laterais do campo com cruzamentos e finalizações e marcar o seu setor do campo, fechando as diagonais quando a bola estiver no lado oposto. Em relação aos zagueiros, os autores também citam as funções identificadas pelo TP como o enfrentamento individual com o atacante, cobertura e a iniciação das jogadas de ataque.

Em relação ao goleiro, TB gosta de goleiros que consigam jogar com os pés, característica essa muito utilizada no futebol atual, principalmente em alguns países do futebol europeu.

Nesta linha comenta Quina (2011), que essas características ofensivas do goleiro são importantes, pois o goleiro acaba sendo o jogador a iniciar as jogadas ofensivas da equipe.

Deste modo, entende-se que os jogadores de defesa, no futebol atual não podem se caracterizar apenas como aquele “zagueiro rebatedor” ou aquele lateral que só ajuda no sistema ofensivo como acontecia em décadas passadas ou até mesmo um goleiro que só defenda e chute para frente, e sim, ter qualidade para ser eficiente nas duas funções, tanto de defesa, quanto de ataque. E o goleiro não deve ser um mero pegador de bolas.

Quando perguntados a respeito das características do setor de meio campo, ambos entrevistados colocaram que estes jogadores devem ter bom passe, tomada de decisão e agressividade para defender.

“ Boa tomada de decisão, inteligência, boa participação quando não tem a bola, ter agressividade no ponto regular de certo, ser um time que saiba usar profundidade que meu meio campo jogue e defenda em equilíbrio, essas são as, os pré-requisitos na escolha de um jogador de meio-campo. ” (TB)

“ Bom passe, são jogadores onde são o coração do time tem que ter um bom passe, tem que ter agressividade, o meu primeiro homem de contenção que a gente fala que é o volante tem que ter qualidade de jogo, tem que jogar também e o segundo volante tem que tá sempre chegando na área. ” (TP)

“ Meias a gente já disse são os jogadores inteligentes que saibam fazer a recomposição, saiba tomar a frente do adversário para que ele mude de direção, fazer a compactação, aí a gente está falando em ocupar espaço né, então esses meias têm que ter esse perfil porque assim você sempre fica com a sua equipe compactada. “ (TP)

Características essas que, de acordo com Quina (2011) e Balzano e Oliveira (2014) caracterizam os volantes e os meio campistas, onde em ações ofensivas tem como objetivo criar as jogadas para os atletas do setor ofensivo, e sem a bola, dificultar a saída do time adversário, realizando também as coberturas de marcação.

Essas características dos volantes da equipe do TP são confirmadas por Balzano e Oliveira (2014) quando o mesmo diz que os jogadores desta posição têm responsabilidade de fazer a ligação da defesa para o ataque além da função de marcação no setor de meio campo. Para Quina (2011), distribuir o jogo, e ditar o ritmo das ações são as principais funções do volante no momento de atacar.

Nos dias atuais, essa chegada do volante na área, citada pelo TP, é bastante cobrada pelos treinadores, para que essa chegada sirva como um elemento surpresa a fim de dificultar a ação defensiva do adversário.

Já as ações dos meio-campistas, identificados pelo TP e TB como os jogadores de maior inteligência da sua equipe, podem ser identificadas também nas falas de Balzano e Oliveira (2014) e Quina (2011) quando os mesmos falam que esses jogadores são os mais importantes da equipe, pois são responsáveis pela criação das jogadas ofensivas da equipe, apoiando os atacantes fazendo com que eles se coloquem em situações de finalizar, além de, por conta da dinâmica de jogo do futebol atual, também ajudar os companheiros na marcação fechando espaços.

Identifica-se na visão dos pesquisados e dos autores, que os jogadores que atuam no meio campo, como os jogadores de defesa, uma mudança de características do jogador desse setor do campo, numa comparação com o futebol praticado em anos anteriores. Na década de 80, o volante só desarmava e o “camisa 10 clássico”, era o jogador que armava o jogo, e eles só executavam estas funções na partida. Hoje com o futebol mais dinâmico é importante que os jogadores saibam exercer um maior número de funções dentro do jogo, tanto no processo ofensivo como defensivo.

Quando indagados sobre as características dos jogadores de ataque, tanto TP como TB relacionaram com a velocidade. TP também comentou, que é importante a figura do centroavante de área numa equipe. E TB ainda citou, que estes jogadores devem ter personalidade para não se abater com os erros.

“ [...] cara eu venho dando uma prioridade na maioria das vezes para jogadores de velocidade, de intensidade física alta sabe. Jogadores que agridam, jogadores com uma personalidade muito forte também, acho que se faz necessário isso no setor ofensivo, jogadores que não tenham medo do erro né que saibam erras que aprendam com o erro que o erro não, não tragam a eles uma, uma dificuldade de tomar uma próxima decisão. “ (TB) “ Você pode ter jogadores de lado eu trabalhem com velocidade, você pode ter jogadores de lado que façam muito bem a diagonal, pra entrar fazendo o facão”. (TP)

“ [...] você pode ter um homem de referência ai é muito relativo dentro daquilo que você imagine mas assim dentro do elenco você tem jogadores com velocidade vertical, você tem que ter jogadores com muita agressividade na diagonal pra fazer a entrada por trás desse homem de referência, são jogadores com essas características que eu gosto de ter no meu time, que se precisa e entendo que se faz necessário. “ (TP)

Esses jogadores de velocidade do setor ofensivo, citados por TP e TB, segundo Balzano e Oliveira (2014), são chamados de pontas ou segundo atacante,

que buscam uma grande movimentação a fim de abrir espaços no setor defensivo da equipe adversária, utilizando com bastante fluência os latos do campo. Falk e Pereira (2010) colaboram com as afirmações, citando que as características desses jogadores são jogadores de estatura média, possuem grande velocidade, força, percorrendo cerca de, 10,5 km durante uma partida.

Em relação ao jogador de área citado por TP, Quina (2011), os caracteriza como os jogadores responsáveis por finalizar em gol buscando sempre um bom posicionamento. Balzano e Oliveira (2014) complementam descrevendo que esses jogadores, devem se posicionar corretamente quanto à linha de impedimento; possuir uma boa técnica do cabeceio, pressionar a saída de bola adversária, dando combate aos defensores, e ser um bom finalizador.

No entanto com a pouca quantidade de centroavantes hoje no futebol brasileiro se faz cada vez mais necessário que estes atletas de velocidade preencham os espaços dentro da área adversária e também consigam finalizar as jogadas, buscando segundo Quina (2011) o melhor posicionamento para finalizar e fazer gols.

Essa união do atacante de velocidade com o centroavante é a formação de ataque mais utilizada no futebol brasileiro. Esta formação identifica o sistema tático 4.4.2, citado por Melo (2000).

O jogador de ataque que une velocidade, capacidade de entender o jogo, boa presença de área e finalização, são cada vez mais valorizados no futebol atual, pela importância de fazer gols para vencer os jogos. Entretanto, essa valorização também se dá pela escassez de jogadores com essas características de qualidade no cenário futebolístico nacional.