Ao estudar reflexos incondicionados, você aprendeu que, durante sua evolução, os organ ism os passaram por m udanças que os tornaram o que são hoje (caracte rísticas das espécies, anatômicas, fisiológicas e com portam entais). Essas m u d an ças tornaram esses organismos mais adaptados ao m undo em que vivem, ou seja, aum entaram suas chances de sobreviver e de se reproduzir. Essas m udanças ocorreram tanto no aspecto anatômico, m odificando a forma desses organismos; no aspecto fisiológico, modificando seu funcionam ento; como ocorreram no as pecto com portam ental, modificando a forma como eles reagem ao m undo que os cerca. De certa forma, podemos dizer, então, que os organismos, durante sua evolução, a p ren d eram novas m aneiras de interagir com seu m undo. Todos os organismos nascem, em maior ou m enor grau, preparados para se relacionar com o m undo que os cerca, ou seja, nascem com um rep ertório co m p o rta m e n ta l in a to . Aos com portam entos inatos dos organismos, dam os o nom e de reflex os in con d icion ad o s.
Esses reflexos incondicionados são de grande im portância para a sobrevi vência das espécies. Em psicologia, definimos um reflexo como um a relação entre um estím u lo e um a resp osta, referindo-se o estímulo a aspectos (m udan ças) do a m b ien te e a resposta a aspectos (m udanças) do organism o. Um reflexo
Primeira revisão do conteúdo
C om portam ento respondente C om portam ento O perante Definição Relação entre um estímulo e uma
resposta na qual o estímulo elicia a resposta
Comportamento que produz alterações no ambiente e é afetado por essas alterações Contingência S - » R R - C
Tipo de comportamento Comportamento e lk ia d o Comportamento em itido Diferenciação em
linguagem leiga
Comportamento involuntário Comportamento voluntário Tipo de aprendizagem Emparelhamento SS
(estímulo-estímulo)
Por meio das conseqüências Extinção Apresentação do estímulo
neutro na ausência do estímulo incondicionado
Quebra da contingência (o comportamento deixa de produzir a conseqüência que produzia) Principais autores
relacionados
Ivan Pavlov; John B. Watson B. F. Skinner Comportamentos
relacionados
Emoções, sensações, secreções glandulares e respostas fisiológicas em geral
Movimentos dos músculos voluntários, fala (comportamento verbal), raciocínio e uma infinidade de outros comportamentos Exemplo 1 Reflexo pupilar: aumento na
luminosidade elicia a contração da pupila
Fala: quando falamos, modificamos o comportamento de outras pessoas
Exemplo 2 Fobias: após ser atacado por um cão, ver tal animal elicia taquicardia e sudorese
Evitar o contato com cães quando se tem medo deles
pode ser representado pelo seguinte diagrama: S -► R, no qual a letra S representa o estímulo, a letra R representa a resposta, e a seta significa que o estímulo elicia a resposta, isto é, que o estímulo produz a resposta. Percebemos a existência e a im portância dos reflexos incondicionados quando encostamos nosso braço em um fio eletrificado e tomamos u m choque (estímulo), o que faz com que a m usculatura do braço contraia-se (resposta). Nesse exemplo, a in te n sid a d e d o estím u lo (sua força) pode ser dada em Volts, e a m a g n itu d e d a resp o sta (a força da resposta) pode ser m edida pela força que seu braço faz ao se contrair.
Vimos que os reflexos incondicionados possuem algum as propriedades, as quais estudam os. Uma dessas propriedades, cham ada lim iar d e p ercep ção, diz que, para que um estím ulo possa eliciar um a resposta, a intensidade do estí mulo deve estar acima de um certo valor. Denominamos esse valor de lim iar.
Moreira & M edeiros
Estímulos com intensidade acima do limiar eliciam respostas, e estímulos com intensidade abaixo do lim iar não eliciam respostas.
Nos reflexos incondicionados, a intensidade do estímulo é diretam ente pro porcional à m agnitude da resposta. Isto quer dizer que, quanto maior a intensi dade do estímulo, m aior será a m agnitude da resposta. Por exemplo, quanto m ais forte for o choque elétrico, maior será a força da contração do braço. Uma outra relação entre intensidade e m agnitude refere-se ao tempo decorrido entre a apresentação do estím ulo e a ocorrência da resposta. Conhecemos esse tempo por latên cia . Nos reflexos incondicionados, quanto maior a intensidade do es tímulo, m enor será a latência da resposta; são, portanto, medidas inversam ente proporcionais.
Outras propriedades dos reflexos são verificadas quando um determ inado estím ulo é apresentado sucessivamente em curtos intervalos de tempo, ou seja, quando há eliciações sucessivas desse reflexo. Em alguns reflexos, eliciações sucessivas podem fazer com que a m agnitude da resposta dim inua, fenômeno cham ado de h ab itu açã o . Já em outros reflexos, ocorre o contrário, ou seja, eliciações sucessivas aum entam a m agnitude da resposta, fenôm eno cham ado de p o ten ciaçã o .
O com portam ento reflexo ou co m p o rta m en to resp o n d en te está intim a m ente ligado ao que denom inam os de emoções. Sentir medo na presença de estímulos ameaçadores, sentir raiva ao termos os movimentos restringidos, sentir excitação quando os órgãos genitais são manipulados, sentir sensações prazerosas ao ingerir determ inadas substâncias; todos esses são exemplos de reflexos inatos, pois circunscrevem a apresentação de um estímulo que elicia um a resposta, e não dependem (essas relações) de um a história de aprendizagem.
Mais interessante ainda que conhecer as relações entre ambiente e organismo, as quais se traduzem em emoções, é saber que novas relações do mesmo tipo podem ser aprendidas; foi o que estudam os no Capítulo 2 (os reflexos condiciona dos e o condicionam ento pavloviano).