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Posto que a memória gráfica, por ser memória, não é fixa e se expande, compondo-se de elementos que até então entendia-se como contemporâneos, cabe avançar tem- poralmente o olhar analítico, ultrapassando os limites propostos pelo recorte inicial da pesquisa para mostrar, com certa brevidade, algumas formas recentes pelas quais a Pinacoteca passou a se identificar.

Conforme pontuado anteriormente, os dados visuais mais recentes não faziam parte do acervo do Cedoc na data da última coleta de dados, no ano de 2015. Ali ainda não constavam peças gráficas institucionais, datadas após o ano de 2011, que atendessem aos critérios de tipologias definidos no recorte deste estudo, como os catálogos de obras do acervo e documentos oficiais em papéis timbrados. Este fato inviabiliza a análise das mudanças de identidade visual mais recentes sob a mesma perspectiva metodológica, pois, não havendo distanciamento temporal suficiente, tais formas de identificação ainda não se tornaram memória: continuam em uso pelo museu desde 2011. A título de atualização desta tese, coube definir as possibilidades de obtenção dos dados visuais mais recentes para inclusão neste relatório.

Duas mudanças significativas de identidade visual ocorreram nos anos de 2011 e 2016 respectivamente, culminando em outros tipos de fontes de dados visuais. Em 2011 a Pinacoteca passou a implantar uma significativa mudança de identidade visual projetada pela agência F/Nazca, com diferenças radicais em rela- ção à identidade anterior, criada por Carlos Perrone. Os dados visuais relacionados a esse projeto foram coletados do seguinte modo: algumas imagens do manual de identidade visual foram obtidas junto ao Cedoc – o material, composto por algumas folhas soltas, recém recebido foi escaneado, sendo essa a única peça que carregava a identidade naquele acervo em 2015; foi possível escanear a assinatura gráfica a partir de livros e observar um catálogo de exposição de obras do acervo da Pinacoteca – adquirido na loja do museu; algumas sinalizações internas e produtos à venda na loja do museu foram fotografados pela pesquisadora.

Recentemente a instituição passou por outra mudança radical, implantando um sistema de identidade visual a partir de 25 de janeiro de 2016, data do aniver- sário da cidade de São Paulo, escolhida para o lançamento. Foi possível fazer um

levantamento on-line em que sobressaíram imagens de divulgação da nova identi- dade nos veículos de comunicação junto aos textos de assessoria de imprensa, bem como o site institucional e divulgação da programação do museu em redes sociais. Posteriormente, em 2017, foi realizada uma visita ao museu com a intenção de ve- rificar as mudanças provocadas pela implantação da nova identidade, momento em que foram observadas as sinalizações externas e internas, além dos produtos à venda na loja do museu – fotografados pela pesquisadora. Foi possível adquirir na loja do museu alguns exemplares de produtos, incluindo um livro publicado pela Pinacoteca, que apresenta as características da nova identidade em seu projeto gráfico. Alguns e-mails foram trocados com o setor de comunicação interno da Pinacoteca, que es- clareceu dúvidas sobre a identidade atual e enviou para consulta o Guia Visual, ainda inacabado mesmo passado mais de um ano do lançamento do projeto.

Ao evidenciar o contexto atual do museu para o encerramento desta tese, amplia-se de modo significativo a coleta de dados visuais. Considerando-se dife- rentes fontes de dados, pela disponibilidade de peças gráficas e digitais em uso e circulação, toma-se como objetivo mostrar um panorama atual da identidade visual da Pinacoteca e complementar as análises de memória gráfica vistas até aqui.

Cabe mostrar a seguir os exemplos coletados dos dois recentes projetos de identidade para a Pinacoteca, cuja última atualização de 2016 compreende a identi- dade visual atual do museu.

Uma profusão de cores e o distanciamento da representação visual arquitetônica

A identidade visual desenvolvida pela agência F/Nazca em 2011 para a Pinacoteca, ainda sob gestão de Marcelo Mattos Araújo, teve reflexos significativos na assina- tura gráfica da instituição. Esta difere em relação à anterior, realizada pelo designer Carlos Perrone, que permaneceu em uso durante aproximadamente 13 anos.

Cabe citar as palavras de Fabio Mariano e Gilberto Tomé, que teceram alguns comentários sobre a nova assinatura:

(...) A nova identidade é marcada especialmente pela fonte estilizada e pela diversidade de cores. Foi mantida a referência arquitetônica do prédio, abs- traindo-se a imagem até superar a identificação imediata de sua fachada: no desenho, veem-se apenas os vãos das janelas e portas da fachada, os quais estabelecem um jogo cromático variável com o nome Pinacoteca. Vê-se também a combinação de duas fontes tipográficas sem serifas produzidas na década de 1990: a Din, da FontFont, e a Platelet, da Emigre. Ambas in- corporam um desenho modular e geometrizado – no caso da Platelet, com acabamentos mais delicados. O espacejamento desigual dos caracteres pro- voca certos agrupamentos silábicos inesperados, agindo diretamente sobre a pregnância da marca, o que pode ser associado, ainda que de modo discre- to, à ousada diversidade cromática do conjunto. A nova identidade visual abarca marcas da Estação Pinacoteca e da APAC (Associação Pinacoteca de Arte e Cultura, organização social que desde 2006 administra a Pinacoteca), orientando também a identificação de outros programas da instituição. (MARIANO; TOMÉ, 2013, p. 160)

Do projeto de Perrone nada restou: fonte, cores e desenho foram substituí- dos. A composição clássica com a fachada geometrizada do museu sobre seu nome deu lugar à efemeridade de uma identidade cuja combinação de cores aleatórias cria

Figura [166] Assinatura gráfica

da Pinacoteca e da Estação Pinacoteca. Fonte: Maringelli e Bevilacqua (2013, p. 160).

diversidade, ao invés da pregnância, característica visual endossada nos anos ante- riores. A combinação obrigatória determinada pelo manual define a mesma cor para as letras “PINA” e para o elemento gráfico ao centro do desenho, o arco pleno que se refere à antiga entrada do edifício, e permite que as cores de todas as outras unidades formais ou caracteres tipográficos sejam alteradas aleatoriamente, desde que mantida essa combinação, exemplificada no manual, entre as partes do desenho e algumas letras. A falta de contraste das letras amarelas sobre o fundo branco contribui para a falta de legibilidade, agravada pela má distribuição do espaço, ora por junções, ora por buracos de espaços entre as letras do logotipo, e pela alternância de cores entre os grupos de letras – características que contribuem para a falta pregnância visual desta assinatura como um todo.

Na página seguinte:

Figura [167] Manual de marca

2011 – medidas e área de proteção; tamanho mínimo –, Pinacoteca São Paulo. Original escaneado. Fonte: Acervo Cedoc / Pinacoteca de São Paulo.

Figura [168] Manual de marca

2011 – lâminas de combinação obrigatória e exemplos de combinações de cores –, Pinacoteca São Paulo. Original escaneado. Fonte: Acervo Cedoc / Pinacoteca de São Paulo.

Figura [169] Catálogo da

exposição das obras do acervo da Pinacoteca “Arte no Brasil: uma história na Pinacoteca de São Paulo”. Original escaneado. Fonte: acervo pessoal.

Partindo das categorias da Gestalt, enquanto teoria da percepção, embora exista uma ordem e uma proximidade na distribuição das formas das janelas e da antiga entrada no desenho inspirado na fachada do edifício da Pinacoteca, acontece uma segregação cromática entre as múltiplas unidades que tentam formar o todo, dificultando a percepção do fechamento do desenho como pertencente ao edifício (GOMES FILHO, 2004). O desenho que antes, na versão geométrica proposta por Perrone em 1998, se referenciava diretamente à fachada do edifício da Pinacoteca pela estrutura, coerência visual, fechamento e semelhança, que culminavam em um alto grau de unificação das partes, perde força no desenho de 2011 e apresenta um baixo grau de unificação, dificultando seu entendimento por semelhança. A par- tir dessas observações é possível entender que o desenho na assinatura gráfica da Pinacoteca de 2011 representa o museu de modo sutil e com certa distância, inefi- ciente no sentido da representação. A assinatura gráfica se sobressai pelo ar jovial, dado pela profusão da paleta cromática, mas também pela difícil leitura do nome da instituição – que pode ser lido com as quebras “PINA” “C” “O” “TE” “CA” – que, embora receba total destaque na composição, acaba diminuído pelos problemas pri- mários de legibilidade e pregnância citados.

A representação visual encontra um elo metafórico, embora bastante frágil formal e cromaticamente, com a estrutura arquitetônica do museu, cujo desenho foi diminuído em termos de proporção visual, ocupando pouco mais de 50% da largura total do conjunto, conforme demonstra a página de medidas e área de proteção do manual da identidade visual de 2011. A referência ao estado de São Paulo, foi gra- fada sem menção do termo “estado”, embora em materiais digitais e em publicações dessa fase se faça menção à nomenclatura completa “Pinacoteca do Estado de São Paulo”. Outros problemas de distribuição do espaço e equilíbrio fazem parte da es- trutura do conjunto, que permaneceu em uso por cerca de 4 anos.

Figura [170] A identidade da

Pinacoteca pode ser observada em imagens internas captadas em visita realizada em agosto de 2015. Entrada da loja do museu, totem de sinalização e, abaixo, produtos à venda na loja. Imagens captadas pela pesquisadora, agosto de 2015. Fonte: acervo pessoal.

Na última visita à Pinacoteca, realizada em 2017, foi possível adquirir na loja do museu um exemplar do catálogo da exposição “Arte no Brasil: uma história na Pinacoteca de São Paulo”6. Por compreender uma exposição de obras pertencentes

ao acervo do museu, os funcionários do museu o consideram como o catálogo do acervo da Pinacoteca, pois esta era a única publicação do gênero disponível para compra naquele momento.

Publicado pela primeira vez na gestão de Marcelo Mattos Araújo, em ou- tubro de 2011, e reeditado em 2013 nos idiomas português, espanhol e inglês, o catálogo e a exposição apresentam o acervo em ordem cronológica com obras que contextualizam o sistema de arte no Brasil desde o século XIX até a década de 1930 (PINACOTECA, 2013). O visual externo do catálogo traz um mosaico de cores vibrantes e o título da exposição no rodapé da primeira capa. Na quarta capa há o espaço para o código de barras no canto superior direito e no rodapé apenas as assi- naturas gráficas da Pinacoteca, negativada em branco sobre o fundo laranja, e do go- verno do Estado nas cores originais em tamanho maior. Internamente traz fotografias coloridas das obras junto aos textos sobre a obra e o artista. A gestão posterior, de Ivo Mesquita, entre 2012 e 2015, manteve em uso essa identidade.

Nesse pequeno espaço de tempo a identidade pôde ser vista em combinações de cores diferentes e, algumas vezes, com seus elementos visuais particionados ou espacejados, usados como textura, em publicações, impressos em geral, nos objetos vendidos na loja do museu, na sinalização interna do edifício, bem como no meio

6 A exposição “Arte no Brasil: uma história na Pinacoteca de São Paulo” fica em cartaz até 31 de de-

digital. As palavras “São Paulo” foram substituídas por “Loja / Shop” na entrada da loja do museu, e ainda por “110 Anos” em uma versão comemorativa, usada apenas nas cadernetas à venda no museu, versões que não foram observadas no manual de identidade fornecido pela agência F/Nazca. A sobriedade de uma identidade de um museu consolidada fica para trás e dá lugar ao novo, à novidade – que dura pou- co. Com a troca de gestão em que a direção da Pinacoteca foi assumida por Tadeu Chiarelli, esta identidade foi substituída por outra, renovada por inteiro.

Os pictogramas arquitetônicos e um sistema de identidade visual

No dia do aniversário da cidade de São Paulo, em 25 de janeiro de 2016, foi lançada no site e nas redes sociais a nova identidade da Pinacoteca e, além da identidade visual, um novo nome, ou apelido carinhoso, acompanhou as mudanças nessa data: “Pina_”. Uma mudança impactante é o novo nome “Pina_”, que pode vir acompa- nhado dos complementos “Luz”, se referindo ao museu, ou “Estação”, se referindo à Estação Pinacoteca. O nome “Pina_” é grafado sempre com o primeiro caractere maiúsculo e os demais minúsculos, seguido do underline. Há também uma grafia completa do nome “Pinacoteca de São Paulo”, grafado em caracteres maiúsculos, distribuídos em duas linhas alinhado à esquerda ou em uma única linha. A fonte utilizada foi a Cera7, de característica moderna, geométrica e sem serifas, projetada

pelo designer alemão Jacob Runge, da foundry TypeMates.

A identidade visual atual é formada principalmente por um conjunto de múltiplos elementos gráficos. As fachadas do edifício da Pinacoteca e da Estação Pinacoteca foram redesenhadas, com um mínimo de elementos geométricos, contor- nos e preenchimentos, sempre em preto, mantendo a mesma espessura. Um conjunto de elementos arquitetônicos desenhados como pictogramas figurativos – que podem também ser classificados como hipoícones diagramáticos (FARIAS, 2003) – fazem referência à estrutura externa do edifício e aos detalhes internos do museu: a escada

7 Informação obtida através do Guia Visual 2016 (inacabado), fornecido em arquivo digital pelo

Departamento de Comunicação da Pinacoteca.

Figura [171] Imagem de

lançamento da nova identidade visual da Pinacoteca, divulgada em 25 de janeiro de 2016. Fonte: Pinacoteca [s. d. c.].

caracol, o vaso, o banco de madeira, as colunas, o octógono, janelas e quadros, a es- cada externa com corrimão, entre outros.

O lançamento da identidade visual ocorreu na página do Facebook8 e no site9

do museu, que foram atualizados naquele momento. Diversos meios de comunicação impressos e on-line divulgaram breves reportagens sobre a nova identidade, trazendo algumas descrições, polêmicas e opiniões.

O jornal Folha de São Paulo trouxe uma reportagem sobre a nova identidade da Pinacoteca em que explora as opiniões de designers sobre a mudança, entre eles Gustavo Piqueira e Carlos Perrone:

Gustavo Piqueira, designer do escritório Casa Rex, pondera que ‘a Pinacoteca talvez não possua a quantidade necessária de elementos iconográficos que a simbolizem para sustentar um sistema de identidade múltiplo e móvel’. Identidade múltipla é o jargão usado para logotipos com elementos variados, que se moldam ao uso.

Já Carlos Perrone, autor do logotipo original, usado entre 1998 e 2011, acha que é mudança demais para 15 anos. ‘Até 1998, a Pinacoteca não tinha uma marca oficial. A primeira foi a minha, feita com base no desenho do prédio, feito por Ramos de Azevedo na virada do século. Depois disso, tivemos basi- camente uma marca por gestão’, reclama. Já a mudança do nome ele prefere ‘nem comentar’. (CUNHA, 2016)

A repercussão foi grande no momento do lançamento, gerando comentários nos veículos de comunicação que divulgavam a nova identidade e também nas redes sociais do museu. Cabe pontuar que esta pesquisa trouxe, nos capítulos anteriores, análises de todas as assinaturas gráficas da Pinacoteca anteriores ao momento atual, e que uma assinatura gráfica envolvendo um conjunto com um desenho relacionado à arquitetura do edifício já havia sido projetada e implantada pelo designer Rogério Lira, alguns anos antes da assinatura gráfica projetada por Carlos Perrone.

Outra polêmica bastante discutida nas redes sociais e reportagens foi a se- melhança com o sistema de identidade visual realizado dois anos antes pelo Estúdio White para a cidade do Porto, em Portugal10. Baseado em pictogramas que se re-

lacionam com pontos turísticos e detalhes arquitetônicos da cidade, o sistema de identidade da cidade do Porto também integra o nome da cidade com o uso aleatório dos pictogramas. Diversos meios de comunicação chamaram a atenção para essa dis- cussão, despertando tópicos como suspeitas de plágio, inspiração ou ainda de um su- posto modismo no campo do design gráfico (CULTURA..., 2016; CUNHA, 2016; EXAME, 2016; G1 SÃO PAULO, 2016; MARTÍ, 2016; VEJA, 2016).

8 Página que pode ser acessada em: <https://www.facebook.com/PinacotecaSP/>. 9 Página que pode ser acessada em: <http://pinacoteca.org.br/>.

10 O projeto da marca da cidade do Porto pode ser conferido na íntegra no portfólio do White Studio de

Portugal (WHITE, s. d.).

Figura [172] Comparação entre

as identidades da Pinacoteca e da cidade do Porto, em Portugal, mostra que ambos os sistemas são formados por uma série de pictogramas. Fonte: Veja... (2016).

O diretor da Pinacoteca, Tadeu Chiarelli, escreveu uma nota rebatendo as críticas na página do museu no Facebook, publicada na íntegra pelo jornal Metro:

Sobre o novo Logo da Pina

A logomarca anterior da Pinacoteca de São Paulo, devido às suas caracte- rísticas gráficas, tendia a desaparecer quando justaposta às logomarcas dos parceiros da Instituição nas peças de comunicação do Museu. Frente a essa questão, a Pinacoteca, no início de 2015, propôs à Agência F/Nazca (sua parceira pró-bono) que pensasse numa renovação do logo, buscando uma síntese entre a primeira logomarca da Pina e aquela então em vigência. A proposta da Agência foi uma remodelação completa da identidade visual da Pinacoteca, guardando a herança da marca anterior (a fachada do edifí- cio), simplificando a grafia do nome da Instituição e incorporando a expres- são ‘Pina’ às possibilidades de identificação do Museu. Durante todo o ano de 2015 a proposta foi discutida e ajustada pela equipe do Museu, até ser aprovada no final daquele ano.

Assim como outros museus do mundo, que buscando uma comunicação mais ágil com seu público, optaram por se definir por uma abreviação – caso do Met, como é conhecido o The Metropolitan Museum of Art de Nova York, ou Tate, que designa o conjunto de quatro museus que se originaram da Tate Gallery –, a Pinacoteca a partir de agora incorpora ao seu universo identi- tário a expressão “Pina”, usada há anos por muitos dos seus frequentadores. Quanto às conexões entre a nova imagem institucional da Pina e outras imagens institucionais, é importante frisar que o uso de pictogramas é algo bastante difundido no design atual pois integra uma tendência internacional cuja intenção é tornar a comunicação visual mais objetiva e capaz de alcan- çar uma boa interação com o grande público.

Tadeu Chiarelli, Diretor Geral (CULTURA…, 2016, n. p.)

Segundo a nota de Chiarelli, a Pinacoteca já era chamada de “Pina” por seus frequentadores, o que dividiu opiniões nos comentários das reportagens. Embora alguns tenham gostado da novidade, não parece ser comum do público frequentador, a julgar pelos comentários, chamar a Pinacoteca de “Pina_”, palavra que além de representar um nome, traz um significado muito pertinente ao museu. Paulo Vicelli, diretor de relações institucionais do museu, disse que muitas pessoas não sabem o significado da palavra Pinacoteca (CUNHA, 2016). É possível que o museu queira ampliar seu público com tal mudança, mas para isso de fato acontecer há um longo caminho cultural a ser percorrido, o que deveria ter antecedido ao novo nome.

Apesar da repercussão midiática no lançamento, a identidade visual foi obser- vada, em um primeiro momento, apenas em peças digitais. No site da Pinacoteca o nome “Pina_” e o uso do branco e preto, sem a presença dos elementos figurativos,

Figura [173] Site da Pinacoteca.

Imagem captada em maio de 2017. Fonte: acervo pessoal.

Figura [174] Postagens

realizadas na página do Facebook da Pinacoteca. Imagens captadas no final de janeiro de 2016. Fonte: acervo pessoal.

apresenta um visual limpo. O desenho da fachada aparece algumas vezes em peças como banners rotativos.

Na página do Facebook da Pinacoteca as postagens diárias que divulgam obras do acervo, frases e ações, por exemplo, trazem, na maioria das vezes, assina- turas diferentes. No primeiro exemplo, à esquerda, a postagem divulga uma obra da semana e o desenho da fachada do museu vem acompanhado, ao lado, do nome por extenso “Pinacoteca de São Paulo”. No segundo exemplo de postagem, que traz uma “frase da semana”, o nome aparece deslocado e distante do desenho da facha- da. E a terceira postagem, de uma ação educativa chamada de “Educateca”, traz os elementos em verde, e é assinada apenas com o desenho da fachada, sem a grafia do nome. A imagem fixa de perfil da página traz o logotipo “Pina_” junto a todas as postagens. Nas postagens mais frequentes não foram observados o uso dos demais desenhos apresentados no lançamento da identidade visual, vistos apenas em posta- gens esporádicas.

O desenho da fachada da Pinacoteca, do modo como foi representada na identidade visual de 2016, pode ser descrito como um hipoícone diagramático, se-