2. A IMPORTÂNCIA ECONÓMICA DA PI
2.5 PI E INTERNET
Até há algum tempo atrás, poderia não ser tão fácil obter as informações necessárias à tomada de decisão no que respeita ao investimento em programas de I&D, não havendo muitas certezas sobre o resultado que tais investimentos poderiam produzir, incorrendo muitas vezes as empresas e os CIESP em atividades com grande margem para o fracasso ainda antes de estas terem sido iniciadas.
Regra geral as empresas mais inovadoras, a nível mundial, para se manterem a par dos avanços tecnológicos da concorrência adquiriam os produtos para os poderem testar e ficar a conhecer as novas implementações que lhes foram introduzidas89. Esse processo denomina-se engenharia reversa e consiste em ficar a conhecer o produto através da análise dos seus componentes90 e da
89 “Há empresas que adquirem produtos de seus concorrentes com o único objetivo de desmontá-
los até o último parafuso, para descobrir suas fragilidades e verificar a tecnologia utilizada. Não só para desenvolver produtos similares, mas para observar se algumas de suas patentes foram utilizadas” (Garber, 2001, p. 65).
90
“O reverse engineering é a designação nobre da cópia. O princípio de base do reverse engineering é extremamente simples. Parte-se de um produto de um concorrente e copia-se esse produto melhorando-o. Se bem que o princípio seja simples, é difícil encontrar casos confessados de reverse engineering nas nossas empresas europeias onde só é nobre o que é inteiramente criado internamente; contrariamente ao Japão onde é criminoso reinventar o que já existe.
forma como estão relacionados entre si para poderem funcionar de acordo com o propósito para que foram concebidos91.
Atualmente, apesar de se continuar a realizar esse tipo de desmontagem dos produtos da concorrência, em situações que se revelem onerosas e para evitar essa despesa podemos ficar a conhecer os produtos concorrentes e tecnologias em que estão a realizar investimentos de desenvolvimento para futura comercialização, graças à inovação nas tecnologias de informação e comunicação (TIC) e nas infraestruturas de telecomunicações que nos possibilitam o acesso a informações provenientes de várias fontes. Desta forma, qualquer organização pode evitar um sem número de despesas e surpresas desagradáveis, face ao crescente número de fontes de informação disponíveis (muitas delas de acesso gratuito), por exemplo, a partir da Internet, que rápida e facilmente poderão dotar a administração da empresa de factos relevantes para apoio na tomada de decisão (Jolly, 2002, 2009; Jolly & Philpott, 2004; Jolly & Philpott, 2009).
Algumas dessas fontes são os inúmeros fornecedores de informação de patentes, muitos deles de organismos governamentais e supranacionais que revelam a importância crescente atribuída à consulta pública dessa informação92.
A Internet trouxe inúmeras alterações e vantagens no acesso à informação. A quantidade, amplitude e velocidade com que podemos aceder à informação pretendida transformam este meio num dos veículos privilegiados para pesquisa e análise de informação. De acordo com Idris (2003), esta possibilidade de acesso à informação é que possibilita a criação de conhecimento aumentando a criação de riqueza. Baseia-se na geração e gestão do que ele designa por 3 “is”, a saber, Inovação, Informação e Ideias, suportados por um quarto “i” que é a Internet. Para ele, são o combustível que alimenta o incrível Admite-se contudo, cada vez mais, a lógica desta conceção japonesa e disso podemos ter exemplos e, por consequência, números.” (Ribault, Martinet, & Lebidois, 1995, pp. 127, 128)
91 “(…) [E]xamina atentamente produtos concorrentes. Os compramos, os desmanchamos e
emitimos relatórios para a comunidade de nossos engenheiros. Tentamos entender todos os pontos fortes e fracos, um por um. (…) Quando a Boeing lançou o jato 707 em 1958, a Air France comprou um. O levou para Toulouse, França, e lá o desmontou peça por peça. Não era para copiar a tecnologia, mas para entendê-la. E, hoje, coletamos informações sobre os concorrentes e suas inovações, não para imitá-las, mas para aprender com elas e liderar o mercado.” (Vezmar, 2002, p. 130). Cf. (Kim, 1997; Markides & Geroski, 2005; Schnaars, 1995; Shenkar, 2010)
92
Cf., por exemplo: Espacenet® a partir do INPI – http://pt.espacenet.com ou do EPO – http://www.epo.org/searching/free/espacenet.html; a Livraria Digital de PI do WIPO http://ipdl.wipo.int e a base de dados trilateral constituída pelos gabinetes de patentes americano, japonês e europeu - http://www.uspto.gov/web/tws/sh.htm. Para mais fontes Cf. Capítulo 4.
progresso tecnológico atual e a posse ou o acesso a esse meio e às informações por ele veiculadas são vitais para qualquer empresa que se quer manter no topo da sua área de atuação, pois isso permitir-lhe-á criar produtos inovadores ou encontrar formas inovadoras de produzir produtos já existentes com eficácia de custos (Ulrich & Eppinger, 2012). Todas estas possibilidades são aumentadas através da consulta da informação de patentes.
Arai (2000, p. 69) refere que “The patent information highway will have two major parts: a cyber patent office and an intellectual property digital library” o que, de acordo com a sua perspetiva, permitirá mudar a forma como as
empresas, universidades e outras instituições dedicadas à I&D usam este recurso de informação, contribuindo significativamente para o avanço da ciência e da tecnologia no seu país natal, o Japão.
De acordo com Maia (1996), as BDP permitem de forma rápida e eficiente: certificar-se da originalidade dos seus programas de pesquisa; pesquisar invenções com utilidade para posteriores inovações; obter uma perspetiva das novas tendências em atividades de I&D numa área particular de desenvolvimento tecnológico e monitorizar as estratégias de Marketing dos concorrentes descobrindo os países onde requereram proteção de patente.
A estes aspetos acrescentaríamos a possibilidade de exploração de ativos de PI através de licenciamentos, Franchising, alianças tecnológicas e joint-
ventures.
As possibilidades que a tecnologia moderna tem para oferecer no que respeita à pesquisa da informação de patentes pode revelar-se muito útil por permitir descobrir invenções com elevado potencial económico e que não estejam a ser devidamente exploradas pelos seus detentores, permitindo estabelecer contratos de licenciamento93 de tecnologia que conduzam à exploração do invento pelos interessados.
93 “(…) you may discover that others have already patented certain core technologies that you
need. If so, then consider licensing those to reduce R&D costs and shorten your time to market.” (Rivette & Kline, 2000, p. 115)