⇒ Ainda não foi implantada a rede de coleta e tratamento de esgoto no local do empreendimento, uma vez que este ainda não começou a ser construído;
⇒ A CASAN irá tratar o esgoto proveniente do empreendimento, mas é o empreendedor que terá de arcar com os custos da implantação da rede coletora; ⇒ O Sistema Costa Leste já está em funcionamento a dois anos e poderá atender à
demanda de água gerada pelo empreendimento.
5.5 Principais impactos e aspectos técnicos do empreendimento
• Quanto aos impactos sobre os sítios arqueológicos
Para os peritos do Ministério Público Federal (2002), os Sítios Arqueológicos num total de 6 registros (IPHAN), localizam-se no Canal da Barra da Lagoa, mais especificamente na área de influência direta do empreendimento “Porto da Barra”. Os Sítios Arqueológicos tipo oficina lítica, estão instalados nas rochas situadas nas margens do Canal da Barra da Lagoa; localizando-se na área de influência direta de empreendimento e debaixo da ponte pênsil (oficina lítica).
Os impactos negativos mais importantes são aqueles vinculados ao derrocamento, que podem abrir fissuras ou mesmo partir a rocha matriz onde as Oficinas Líticas estão localizadas. Mudanças no nível da água alterando as temperaturas das rochas podem também agravar no comprometimento da conservação das Oficinas Líticas. Conforme proposto no projeto apresentado ao IPHAN, as obras de derrocamento apesar de não afetarem diretamente os Sítios Arqueológicos tipo oficina lítica, serão limítrofes a eles.
Para os peritos do empreendedor (2003), a oficina lítica existente às margens do canal, próxima à Ponte Pênsil será resgatada pois um dos pilares da ponte se assenta sobre ela. O novo projeto de ponte apresentado à Prefeitura terá seus pilares localizados fora da oficina lítica. O derrocamento não atingirá nenhum sítio arqueológico e será acompanhado pelo IPHAN.
• Quanto ao aumento do consumo de água
Para os peritos do Juiz (2002), existem cinco fluxos de água doce em torno da Lagoa da conceição, além do manancial do Rio Vermelho que dista aproximadamente 7.000 metros da área do empreendimento. Este rio poderia atender a uma população de até 5.000 habitantes. Também está prevista a futura implantação do sistema Costa Leste- Sul, a partir de uma captação da Lagoa do Peri, que poderia beneficiar a região da Barra da Lagoa, e prover o empreendimento de um fornecimento regular de água.
Para os peritos do MPF (2002), não foi realizado no EIA/RIMA um levantamento detalhado do aqüífero subterrâneo que poderá ser utilizado no empreendimento em questão. Os rios que deságuam na Lagoa não poderão ser usados para captação, por se situarem distante do local do empreendimento. A região não apresentava até recentemente água de qualidade para os próprios munícipes e contribuintes. O abastecimento atual da Barra da Lagoa vem da Lagoa do Peri (desde 1999), porém este abastecimento só poderá abastecer no futuro um total de 147 mil habitantes (incluindo toda a Planície do Campeche, Lagoa da Conceição, Armação, Pântano do Sul).
• Quanto aos impactos sobre o sistema viário
Para os peritos do MPF (2003), o impacto sobre o sistema viário é um dos tópicos menos trabalhados pelo EIA/RIMA. A solução indicada a partir da duplicação da SC 406, não considera os lucros internalizados pelo empreendedor e os custos externalizados para o Estado advindos da construção desta obra.
Para o peritos do Juiz (2002), deverá ocorrer um aumento no fluxo de veículos auto- motores em torno de 750 unidades, mas o maior movimento de veículos deverá ocorrer somente até o empreendimento. Além disso, um dos trechos de SC 406 que apresenta maior fluxo de veículos já se encontra com planos aprovados para a duplicação.
Os peritos do empreendedor (2003) argumentam que o problema do trânsito independe da implantação do empreendimento, e é comum a todas as cidades brasileiras, dependendo para o seu equacionamento de políticas públicas. O empreendedor é um agente pró-ativo nesta questão, atuando da seguinte forma:
- o Projeto contempla um volume de construções inferior ao que permite o Plano diretor;
- a ocupação do empreendimento se dá ao longo do ano e não somente na alta temporada;
- o empreendedor considera como alternativa o acesso aquático;
- uma rota alternativa utilizada com freqüência nos períodos de tráfego intenso é o deslocamento pelo Rio Vermelho até a SC 401.
• Quanto ao tratamento de esgoto do empreendimento
Para os peritos do MPF (2002), no EIA/RIMA, não há um detalhamento do sistema de tratamento de esgoto proposto e tão pouco o local da Estação. O RIMA afirma que “a disposição do esgoto deverá merecer atenção na próxima fase de estudo, onde, através de uma análise benefício x custo, poder-se-á concluir sobre a melhor alternativa” (p. 51). Isto é considerado pelos peritos uma falha de procedimento em termos de implantação do empreendimento. “Como é possível realizar um EIA/RIMA, e submetê- lo á análise pública, deixando-se para depois o estudo específico sobre um aspecto central do impacto ambiental do empreendimento?”
Também é apontada a ausência de medidas referentes à adoção de tratamento não- convencional dos resíduos sólidos (coleta e tratamento seletivo dos resíduos), o que permitiria diminuir a sobrecarga exercida pelo empreendimento sobre o sistema convencional da Prefeitura Municipal de Florianópolis.
Para os peritos do Juiz (2002), no EIA/RIMA o empreendedor se compromete a tratar o esgoto gerado pelo empreendimento através de um sistema compacto composto por lodo ativado, sendo depositado em uma área de 12.000 m² do empreendimento, onde ocorrerá a infiltração no solo. Embora exista uma boa permeabilidade do solo, não foi abordada no EIA/RIMA a distância do lençol freático, bem como os possíveis riscos de contaminação da água.
Para os peritos do empreendedor (2003), todos os esgotos gerados, inclusive o das embarcações serão tratados. Para isso a CASAN está em fase de conclusão do sistema de tratamento de efluentes de toda a Barra da Lagoa, incluindo a demanda proporcionada pelo empreendimento.
• Quanto à descaracterização do manguezal e marismas
Para os peritos do Juiz, durante o processo de ocupação da Barra da Lagoa e áreas adjacentes ocorreu e está ocorrendo uma descaracterização do manguezal e dos marismas existentes nessa região, decorrente das atividades antropogênicas e da ocupação desordenada (não planejada e ilegal) das margens do canal da Barra.
Na área onde está sugerida a instalação do projeto Porto da Barra Ltda. não existe um ecossistema manguezal bem estabelecido, sendo observadas durante visita técnica apenas algumas pequenas manchas de espécimes de marismas (Spartina alternifolia) e do mangue Laguncularia racemosa. Teoricamente seria possível a recuperação destes ecossistemas, sendo que o tempo de recuperação estará inversamente relacionado com o estágio de degradação do local.
O empreendedor compromete-se a respeitar a faixa de 15 metros da margem do canal, não realizando edificações nesta faixa, o que não se observa na maioria das áreas ocupadas no entorno, onde as edificações ocuparam a margem do canal.
Se após o estabelecimento do empreendimento forem respeitadas as questões de controle ambiental e se o ambiente apresentar uma boa qualidade, poderá ocorrer o estabelecimento de novos ecossistemas (micro-ambientes), nas áreas internas onde serão abertos os novos canais.
Para os peritos do Ministério Público Federal (2002), houve descaracterização da área por aterramentos feitos em datas passadas, para a realização de festas locais e por ação de prepostos do empreendedor. Este fato foi constatado pelo IBAMA, em 06/10/95, quando o instituto autuou a empresa pela supressão e aterro do manguezal, bem como a retilinização do canal da Barra. Em 1991 a área do empreendedor abrigou a Festa da Tainha, através da qual a empresa buscaria “justificar” a eliminação da cobertura vegetal e o aterramento parcial.
A recuperação da área é possível, desde que sejam suspensas quaisquer interferências que alteram as condições mínimas de suporte a este ecossistema. A retirada do aterramento é fundamental para o retorno das áreas inundáveis, caso contrário, a nova situação instalada poderá comprometer a fauna aquática, ocorrer a erosão das margens e o aumento de áreas atingidas pela enchente.
Para os peritos do empreendedor (2003), a área do terreno do empreendedor era utilizada no período da colonização açoriana para a agricultura, e o terreno mantém
praticamente inalteradas suas características desde sua aquisição pelo empreendedor. A implantação do empreendimento resgatará a vegetação da borda do canal (como proposto no EIA/RIMA). Não houve supressão de manguezal nem aterros na área, e tampouco a retilinização do Canal executados pelo empreendedor. O empreendedor entrou com defesa administrativa contra a referida autuação do IBAMA, comprovando- se que a mesma era descabida.
• Quanto aos impactos às espécies migratórias
Para os peritos do MPF (2002), os alevinos de tainhas e pós-larvas de camarão certamente serão afetados pelo forte ruído provocado pelos motores dos barcos. Além disso, a exposição de formas jovens à maior carga de poluentes estacionados no Canal da Barra poderá impactar negativamente o comportamento e a sobrevivência destes animais.
Para os peritos do Juiz (2002), o aumento do fluxo de embarcações no canal e o conseqüente incremento no nível de ruído alterará o padrão de migração das espécies do mar para o canal. No entanto a iluminação poderá atrair a comunidade zooplanctônica, concentrando uma biomassa significativa destes organismos na região iluminada, o que poderá ocasionar uma atração de larvas de camarões e peixes para estes locais. No entanto estas duas hipóteses precisam ser comprovadas através de experimentos científicos.
Para os peritos do empreendedor (2003), já existe um fluxo de embarcações de recreio e de pescadores e que este fluxo aumenta independentemente da presença ou não do empreendimento, sem nenhuma espécie de controle.
O impacto real sobre a migração somente poderá ser avaliado através de um monitoramento permanente. Além disso, o movimento das embarcações é em sua maioria diurno e concentra-se mais nos finais de semana, portanto pode não causar nenhum ou pouco impacto sobre a migração, que pode ocorrer à noite. Há a necessidade de se realizar estudos para identificar o ciclo de vida das espécies estuarino- residentes e seu comportamento migratório, com ou sem o empreendimento, pois os impactos já existem. O PBA apresenta uma proposta nesse sentido, assim será possível determinar corretamente os impactos sobre a biota.
• Quanto aos impactos do aumento do número de embarcações para o ecossistema lagunar
Para os peritos do Juiz (2002), o solapamento das margens do canal da Barra atualmente é provocado não pelo fluxo de água, mas sim pelas marolas originadas pelo movimento das embarcações. Portanto, se não houver controle da velocidade das embarcações que transitam no canal ocorrerá o agravamento da situação já existente, ocasionado problemas para os proprietários de imóveis às margens do canal.
Os impactos sobre o meio biótico ocorrerão tanto na fase de construção do empreendimento como na operação, sendo que estes impactos serão concentrados principalmente nas áreas imediatamente adjacentes ao empreendimento, com comprometimento reduzido dos complexos bióticos presentes na Lagoa da Conceição e mesmo nos trechos mais afastados do Canal da Barra da Lagoa.
Caso não exista um controle da eliminação de resíduos (domésticos, óleos, combustíveis, tintas anti-incrustantes, etc.) e a implantação de um programa preventivo de segurança de navegação e acidentes com poluentes, o ecossistema da Lagoa da Conceição poderá sofrer sérias conseqüências, principalmente se ocorrer algum acidente associado a períodos de maré de enchentes, que poderão transportar os resíduos para o interior da Lagoa da Conceição.
O maior fluxo de embarcações também aumenta sobremaneira o risco de acidentes no canal e conseqüentemente de eventos poluentes. Para a minimização dos riscos e danos, deveria haver uma ação coordenada entre o poder público, o empreendedor e a sociedade organizada, no sentido de providenciar fiscalizações intensas e continuadas sobre a conduta dos usuários do canal, sobre as condições de manutenção das embarcações, a instalação e manutenção de equipamentos de sinalização náutica, etc.
Para os peritos do empreendedor (2003), o empreendimento implantará um rigoroso sistema de monitoramento para a manutenção das condições ambientais do ecossistema lagoa-canal-mar e para o disciplinamento da navegação. O Canal já é utilizado por um número determinado de embarcações, tanto de pesca como de recreio, sem nenhuma fiscalização, sendo evidenciada esta situação no EIA/RIMA, onde é mostrada a necessidade de um ordenamento, fiscalização e educação dos usuários.
• Quanto aos impactos da rede de canais sobre a Lagoa da Conceição
Para os peritos do MPF (2002), o projeto do empreendedor prevê que os canais artificiais (3.200 m) seriam dragados sem contato com o canal principal, deixando-se 5 selos de 50 m (LAI 52/97), que seriam abertos após a construção das 9 pontes (10 m) ‘venezianas’ que interligariam as ilhas. Sem os muros, a erosão seria continua, fato que se agravaria com a retirada da vegetação fixadora dos sedimentos no canal da Barra.
As modificações na morfologia do canal, caso instalado o empreendimento, repercutiriam no ecossistema lagunar até onde se propaga a onda de maré, como já foi observado com as obras da CIDASC, em 1982, obras estas consideradas pelos especialistas como a maior agressão já realizada contra a Lagoa da Conceição.
As escavações e a derrocagem do leito e das margens do canal da Barra revolveriam e suspenderiam os sedimentos, soterrando a vegetação e a fauna submersa de todo o canal (LAI item B18). O sedimento obstruiria as brânquias dos peixes, crustáceos e moluscos, causando-lhes a morte por asfixia ou por soterramento.
Segundo o PBA (1997) “o empreendimento criará um ‘novo ecossistema aquático com características próprias distintas do canal principal da Barra, como por exemplo, o menor fluxo da água, o maior tempo de residência, assim como a taxa de sedimentação, as variações diárias serão mais marcantes e o aporte de poluição química será mais direto, etc. (pág. 8 PBA)”. Para os peritos, mesmo no ‘ecossistema criado’ serão necessárias dragagens contínuas porque o aumento do fluxo (6%) na entrada possibilitará a entrada de mais sedimentos, seja da Lagoa na maré vazante, seja do mar na montante.
Portanto, a implantação do empreendimento causaria a ruptura da dinâmica das linhas laterais do canal da Barra, alterando o reabastecimento de areia, o fluxo de entrada da maré e a vida do ecossistema lagunar, incluindo a sociedade humana residente e flutuante.
Quanto às modificações na margem do canal, o empreendedor sugere a colocação de telas de fibra naturais biodegradáveis, para propiciar uma proteção contra a erosão do terreno e fertilizar o solo arenoso (LAI 052 B.14), tarefa que, segundo os peritos do MPF, não é impossível, mas de difícil concretização e resultado satisfatório, face ao “novo fluxo criado”.
a construção dos canais internos for realizada como está previsto, a seco, utilizando-se escavadeiras hidráulicas e depois a abertura para o canal da Barra, não haverá aumento na turbidez das águas do canal. O principal impacto dos canais internos da marina será a possibilidade de criação de áreas de estagnação dentro dos mesmos, o que poderá levar ao estabelecimento de ambientes anóxidos e com altas taxas de deposição de sedimentos finos. Portanto, caberá ao empreendedor identificar tais áreas e tomar as medidas necessárias para minimizar os efeitos dessa situação.
Quanto à modelagem hidrodinâmica apresentada pelo EIA, fica claro que não está correta e portanto não permite avaliar as variações do fluxo da corrente que resultará dos trabalhos de aumento do calado do canal.
Além disso, o estado da arte para a avaliação da estabilidade de embocaduras de canais de maré está ainda em desenvolvimento e a adoção de uma ou outra abordagem pode levar a diferentes conclusões. É necessário que o Poder Judiciário defina que o ônus da manutenção das características de profundidade e largura do canal deve recair sobre o empreendedor, independente dos usos futuros que o canal venha a ter.
Para os peritos do empreendedor (2003), em épocas passadas o Canal da Barra possuía meandros e os canais artificiais de alguma forma irão recompor esses meandros. O modelo matemático da circulação das águas formulados no EIA/RIMA e em estudos adicionais induziram a um desenho dos canais de modo que não ocorra a estagnação das águas. Além disso os estudos mostram que não haverá transporte significativo de sólidos, com desprezível risco de assoreamento pela movimentação das águas no canal principal e nos canais artificiais, sendo que estes poderão beneficiar a biota marinha.
Quanto a possíveis influências na hidrodinâmica do Canal da Barra, os estudos não apontaram nada de significativo neste sentido. Foi realizado um estudo complementar com registros de maré, correntes e parâmetros físico-químicos da água e sedimentos que servirão como subsídios para melhoria e aferição do Modelo hidrodinâmico desenvolvido.
Haverá um maior fluxo que permitirá uma maior taxa de renovação das águas da Lagoa da Conceição, levando a uma melhoria da sua qualidade. Pode ocorrer também um aumento da salinidade. Atualmente a salinidade média da Lagoa é de 27 ppm. Devido à fixação do Canal da Barra, a Lagoa passou da condição mixohalina (salobra) para eurihalina (marinha). A possibilidade de aumento da salinidade da água da lagoa
será acompanhada pelo Plano de Monitoramento, e em caso da necessidade de diminuição da troca de água entre a lagoa e o mar, o EIA/RIMA prevê dispositivos de redução da vazão facilmente aplicáveis, para permitir um controle do fluxo de água e preservar a salinidade da Lagoa. Uma possível hipersalinização da lagoa só ocorreria caso houvessem mudanças climáticas acentuadas, com drástica redução de chuvas e alta evaporação, padrão que não é apontado pelos registros históricos do Instituto de Nacional de Meteorologia (INMET).
• Quanto aos resíduos de combustíveis sobre a fauna e flora
Para os peritos do Juiz (2002), o EIA/RIMA não trata diretamente dessa questão, mas descreve resumidamente os possíveis efeitos da contaminação por hidrocarbonetos. Ressaltam que todos os produtos provenientes de petróleo podem ficar retidos nos sedimentos finos dos manguezais e marismas, sendo posteriormente incorporados às plantas. Para a fauna, o óleo livre ou emulsificado pode interferir nos processos respiratórios, e provocar asfixia. Em experimentos com aves marinhas alimentadas por peixes impregnados com óleo, as mesmas apresentaram alterações fisiológicas e comportamentais.
Para os peritos do MPF (2002), os motores usados nas embarcações (lanchas, veleiros, iates e jet-ski), de dois ou quatro tempos, quando em funcionamento lançam uma média de 25 a 30% do combustível bruto na água. Os óleos lubrificantes e combustíveis como gasolina, diesel, ou a mistura gasolina-diesel contém longas e cíclicas cadeias de hidrocarbonetos de difícil degradação como o tolueno, benzeno, xileno, naftaleno, indano, fenóis, formaldeído e também metais pesados que têm efeito cumulativo, mutagênico e cancerígeno. Estes poluentes dissolvidos na água causam danos à biota, em nível celular, metabólico e fisiológico, além de lhes conferirem sabor e odor característico.
Para aos peritos do empreendedor (2003), os impactos que podem ocorrer serão identificados e quantificados pelo Monitoramento e aplicadas as medidas corretivas se necessário. As principais medidas são o controle, a fiscalização e a educação ambiental, além do monitoramento permanente proposto pelo PBA.
• Quanto aos possíveis danos sobre a pesca
Para os peritos do Juiz (2002), a pesca realizada na região de implantação do empreendimento e áreas internas adjacentes (principalmente Lagoa da Conceição) pode ser definida como desportiva ou de subsistência. O EIA/RIMA não apresenta informações sobre a importância da Lagoa da Conceição sobre as atividades de pesca realizadas pela comunidade da Costa da Lagoa.
No EIA/RIMA são feitas considerações sobre a compatibilização da pesca artesanal com o empreendimento Porto da Barra. Está comprovado que a região que apresenta uma maior atividade pesqueira, com um maior envolvimento da comunidade artesanal e importância econômica para a região e a área externa ao Canal da Barra da Lagoa, ou seja, em mar aberto. As obras e a instalação do empreendimento Porto da Barra poderão prejudicar o recrutamento da fauna nesta região, e a produção a ser capturada. Também os efluentes (domésticos, combustíveis, óleos) que podem ser oriundos do empreendimento podem prejudicar as características organolépticas dos pescados da região, presentes tanto na área interna como externa ao canal da Barra da Lagoa.
“Externamente, se existirem acidentes ou não ocorrer um rigoroso monitoramento da qualidade da água na área sob influência do empreendimento, os moluscos (mariscos-gastrópodes) apresentarão características impróprias para o consumo, pois estes organismos são tradicionais bio-acumuladores e são coletados nos costões adjacentes ao canal da Barra da Lagoa, pela própria comunidade local.” (ACP,fl. 1674, 2002)
Para os peritos do empreendedor (2003), caso a poluição por esgotos, tintas e combustíveis não for devidamente controlada, poderá haver comprometimento tanto da