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1 INTRODUÇÃO 1.1 TEMA

1.3 PROBLEMA DE PESQUISA

Os profissionais da educação superior já vêm apresentando questionamentos e críticas quanto às políticas públicas implementadas para a educação superior com a Reforma do Estado, por estarem regidas pelas ideias de Gestão e por critérios utilizados pela iniciativa privada. Chauí (2003, p. 6; 14; 12) aponta que essa reforma “definiu a universidade como uma organização social e não como uma instituição social” e que seria necessário

“criar novos procedimentos de avaliação que não sejam regidos pelas noções de produtividade e de eficácia e, sim, pelas de qualidade e de relevância social e cultural” e definir a sua autonomia universitária “pelo direito e pelo poder de definir suas normas de formação, docência e pesquisa”.

Nesse mesmo sentido, Braga (2012, p. 13) afirma que a reforma do Estado idealizada por Bresser Pereira, dentre outros, pretendia, sob a influência das teorias neoliberais predominantes na Europa e nos Estados Unidos e pelos organismos internacionais, “aproximar a gestão pública da gestão privada, na chamada administração gerencial, focada em resultados e nos cidadãos”.

Dessa forma, previamente a implementação de uma unidade de Controle Interno, como propõe o Tribunal de Contas, ou na forma de Plano, como impôs o Governo do Estado do Paraná, faz-se imprescindível aprofundar-se nos conceitos utilizados por essas entidades, para que se possa refletir sobre a sua aplicação na realidade da educação superior paranaense, considerar as práticas utilizadas pelas instituições de educação superior de excelência, aproveitando a experiência dessas instituições, para a partir disso, posicionar-se com relação à forma e os fundamentos de um Controle que proporcione orientação, aperfeiçoamento e motivação contínuos de seus colaboradores e suas atividades; que assegure a eficiência operacional, a adesão às políticas e objetivos estabelecidos pela comunidade acadêmica; que possibilite detectar e prevenir desvios, erros e irregularidades, que podem afetar negativa e significativamente o desempenho da instituição, e proporcione a obtenção melhores resultados e a otimização da utilização dos recursos públicos investidos.

No entanto, o próprio conceito de Controle Interno é definido por diversas perspectivas, inclusive dentro de cada área, mas, com relação à realidade organizacional, é especialmente tratado pela: Administração, Ciências Jurídicas e Ciências Contábeis. No âmbito da Administração, o conceito de Controle Interno perpassa pelas discussões acerca dos conceitos da Função Controle, Controle de Gestão e Controle Estratégico; no âmbito das Ciências Jurídicas, o conceito envolve as discussões especialmente sobre o Controle da Administração Pública e, ainda,sobre tutela, sistema de controle interno, autocontrole, controle hierárquico, supervisão, inspeção, auditoria e correição, ouvidoria e pareceres vinculantes; e das Ciências Contábeis, envolve as discussões acerca dos conceitos utilizados pela Contabilidade Gerencial.

Apesar de o Governo do Estado do Paraná propor apenas a implementação de um Sistema, a análise das finalidades e objetivos desse Controle Interno proposto compreendem os conceitos utilizados pelas áreas supramencionadas e atividades que compõem o rol de uma unidade de

Controladoria. A avaliação da atuação das organizações universitárias pelo mesmo Sistema aplicado a todas instituições públicas do Estado não cumprirá com a finalidade proposta, tendo em vista que não estarão sendo consideradas a complexidade e a diversidade das atividades desenvolvidas pelas instituições universitárias, que diferem significativamente das atividades desenvolvidas pelas outras prestadoras de serviço público do Estado.

Nesse sentido, Oliveira et. al. (2011, p. 84) consideram de elevada importância a vinculação do sistema de controles com a estratégia e a estrutura organizacional. Destacam que os responsáveis pelo desenho e implantação dos sistemas de controles de gestão estratégica devem cuidar de orientar o comportamento e a tomada de decisão por parte das pessoas que integram a organização para o alcance dos objetivos, metas e operações que sejam consentâneos com as expectativas explicitadas nas diretrizes estabelecidas, devendo preferencialmente utilizar diferentes mecanismos que sejam coerentes com a cultura, a estrutura e a estratégia da organização e considerar o possível efeito desses mecanismos nas relações com o ambiente externo (clientes, fornecedores, sindicatos, meio ambiente, etc.).

Robbins; Decenzo (2004, p. 285-286) destacam que qualquer sistema de controle abrangente precisa reconhecer a diversidade de atividades e que algumas atividades são mais difíceis de medir em termos quantificáveis, mas uma vez determinados os critérios apropriados é possível verificar se está havendo o desempenho esperado.

Gomes (1997, p. 28) aponta sobre a necessidade de o controle prever e preparar a organização para as mudanças ambientais a que está sujeita. Para o autor, há a necessidade de as organizações disporem de uma estratégia que lhes permita adaptar-se ao meio ambiente em função de seus planos de ação e de sua estrutura organizacional, o que não tem sido previsto pelos sistemas de controle, pois a maior parte atribuiu ênfase aos aspectos formais e racionais no desenho dos sistemas, deixando de considerar seu funcionamento na prática e o contexto social e organizacional.

Dessa forma, é imprescindível uma unidade de Controladoria na própria instituição universitária para que coordene essas atividades, cujos conceitos envolvidos considerem a realidade institucional, o ambiente em que está inserida, os objetivos, metas e diretrizes estabelecidas pela comunidade acadêmica coerentemente com a cultura, a estrutura e a estratégia da organização e sendo respeitadas a diversidade das atividades realizadas internamente e as relações com seu ambiente externo: clientes, fornecedores, sindicatos, entre outros.

Para Padoveze (2010), a Controladoria é um órgão administrativo de apoio não de assessoria. Todavia, a definição do escopo e da estrutura de uma Controladoria requer, previamente, a análise dos diferentes conceitos de

Controle. Por essa razão, a presente pesquisa pretende analisar os conceitos utilizados pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, pela Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC, e os considerados pelas sete universidades estaduais paranaenses: UEM, UEL, UNIOESTE, UNICENTRO, UEPG, UENP e UNESPAR, pela legislação paranaense, além dos presentes nas fontes bibliográficas das áreas mencionadas.

Entende-se que a análise e discussão de tais conceitos em relação à realidade da educação superior e da Administração Universitária poderão esclarecer sobre a estrutura e as funções de uma Controladoria nestas instituições.

Assim, diante de tudo o que foi apresentado, indaga-se de que forma pode ser estruturado uma unidade de Controladoria apropriada às instituições públicas estaduais paranaenses de educação superior, o que se constitui no problema da presente pesquisa.

1.4 OBJETIVOS