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2 REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA

4 MATERIAL E MÉTODOS

4.5 Procedimento da coleta de dados

Para levantar o incidente crítico (IC), foi utilizado um roteiro de entrevista semiestruturada. O instrumento foi composto pelos itens de caracterização sociodemográfica dos entrevistados (sexo, faixa etária, profissão, tempo de formação profissional, formação complementar, perfil da instituição, horário de trabalho e tempo de atuação do TRR); a definição do TRR, de acordo com a literatura, que foi lida pelo pesquisador a cada participante antes do início da realização da entrevista e as três perguntas em aberto (APÊNDICE A).

Torna-se pertinente salientar que as entrevistas representam uma forma de coleta de dados em que o entrevistador questiona verbalmente o participante do estudo, podendo ser desenvolvida face a face e com questões dissertativas (LOBIONDO-WOOD; HABER, 2001).

De acordo com Polit e Beck (2011), entrevistas semiestruturadas abrangem tópicos ou questões amplas, sendo utilizados roteiros para a sua realização. A entrevista possibilita que o entrevistado discurse a respeito do tema em foco sem para isso ater-se à indagação formulada (MINAYO, 2010), mas de

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maneira que todos os tópicos da entrevista sejam contemplados. De tal modo, as entrevistas semiestruturadas instigam os entrevistados a elencar os aspectos relevantes a respeito de determinado fenômeno e a delimitar o que é importante para eles (POLIT; BECK, 2011).

A TIC deve ser conduzida pelas seguintes etapas, segundo Dela Coleta (1974):

a) determinar os objetivos da atividade a ser executada (realizada com base na justificativa do estudo);

b) elaborar as perguntas a serem realizadas aos entrevistados que permitirão a construção dos incidentes críticos referentes às ações a serem analisadas (consta no roteiro de entrevista - APÊNDICE A);

c) delimitar a população do estudo (profissionais de saúde dos TRR); d) coletar os incidentes críticos;

e) analisar os conteúdos dos incidentes coletados, bem como o destaque de comportamentos emitidos;

f) agrupar e categorizar os comportamentos críticos;

g) levantar as frequências dos comportamentos críticos positivos e negativos.

O roteiro da entrevista semiestruturada foi idealizado pelo pesquisador e submetido, dois meses antes da coleta de dados, à validação aparente e de conteúdo por cinco docentes dos cursos da área de saúde (medicina, enfermagem e fisioterapia) de uma universidade estadual pública no estado do Paraná, que consentiram na participação do comitê de juízes, por apresentarem afinidade com a temática e a metodologia de pesquisa, conforme assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) (APÊNDICE B).

Foi solicitado ao comitê de juízes, no prazo de quinze dias, a leitura e avaliação do roteiro de entrevista inicial, com posterior devolutiva das análises realizadas quanto aos níveis de concordâncias. Após o término do prazo, obteve-se a devolutiva de todos os juízes, que consentiram na estruturação do roteiro de entrevista, previamente elaborado.

A etapa seguinte consistiu na realização de um estudo piloto, com o uso do roteiro de entrevista semiestruturada, com a participação de dois enfermeiros da unidade de internamento da clínica médica do hospital público, onde ocorrem os atendimentos do TRR, como forma de avaliar as condições reais dos procedimentos

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de coleta de dados. Ressalta-se que os dois participantes não fizeram parte do estudo definitivo.

Após a realização do teste-piloto, houve a necessidade da inclusão da palavra “detalhadamente” nas duas perguntas norteadoras de situação positiva e negativa, para que os entrevistados pudessem contribuir com maior riqueza de detalhes, sobre os fatos recentes que marcaram os atendimentos emergenciais realizados pelo TRR, em sua prática de trabalho.

Fizeram-se imprescindíveis as etapas de validação de aparência e conteúdo, aliadas à realização do teste piloto para que o instrumento de coleta se torne claro, compatível e coerente com objetivos da pesquisa. As coletas de dados foram conduzidas pelo próprio pesquisador, face a face, gravadas em meio digital, em dia e local previamente agendados, em comum acordo entre o participante e o pesquisador, em ambiente que garantia a privacidade para o entrevistado e entrevistador.

Para iniciar as entrevistas nos cenários de pesquisa, o pesquisador disponibilizou o comprovante de que estava regularmente matriculado no Programa de Doutoramento, bem como a permissão assinada pela Direção da Instituição e o parecer favorável do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (EERP-USP). A fase seguinte foi composta pela leitura, assinatura e entrega de uma cópia do TCLE aos profissionais de saúde participantes da pesquisa (APÊNDICE C) e uma breve explicação sobre a Técnica de Incidente Crítico, que consistia em informá-los sobre a contribuição dos relatos frente às situações recentes de seu cotidiano de trabalho, trazendo os comportamentos e as consequências decorrentes de determina ação.

Após o preenchimento dos dados sociodemográficos pelos participantes, foi realizado pelo pesquisador a leitura da definição do TRR, de acordo com a literatura (CHAN et al., 2008) e, a seguir, foi solicitado o relato de uma situação positiva e outra negativa decorrente do atendimento emergencial em código azul. A questão foi assim formulada: “Pense em uma situação positiva recente que você vivenciou ou presenciou durante o atendimento emergencial, em código azul, do time de resposta rápida na unidade de trabalho. Relate detalhadamente como aconteceu, o que as pessoas envolvidas fizeram e o que resultou dessa situação.” Não há necessidade de citar nomes de profissionais.

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de atendimento que fosse caracterizado como negativo pelo participante. A terceira pergunta dirigida ao entrevistado, foi: “Você gostaria de acrescentar alguma informação ou sugestão ao serviço de resposta rápida da instituição?”

A coleta de dados ocorreu entre o dia 15 de maio e 15 de julho de 2017, nas duas instituições onde aconteceu o estudo. Para auxílio no contato com os profissionais, foram solicitadas às coordenações, as escalas de trabalho. Mediante a escala o pesquisador abordava o profissional, no dia e horário do seu plantão, para verificar o interesse na participação do estudo e posterior agendamento da entrevista fora do seu horário de trabalho, para não ocorrer qualquer ônus ao atendimento do paciente, em virtude da sua ausência.

As entrevistas perduraram, em média, 20 minutos, sendo realizadas em ambientes em que não sofressem interferências internas ou externas, tais como salas de reuniões, salas de estudos, ou em consultórios disponíveis para a realização das entrevistas, sendo garantido e respeitado o anonimato dos respondentes.

Com as escalas disponibilizadas pelas duas instituições, não houve dificuldades de contato como os profissionais, sendo possível verificar aqueles que estavam usufruindo férias, licença maternidade, licença prêmio, atestado médico ou qualquer outro impedimento que inviabilizasse a coleta de dados no período estipulado.

Para a efetivação dessa coleta, o pesquisador permaneceu no hospital durante os três turnos de trabalho (matutino, vespertino e noturno) para a adequação do horário da entrevista agendada, que não fosse simultânea ao horário de trabalho dos entrevistados.

Durante as entrevistas, buscava-se desvelar o atendimento emergencial, em código azul, realizado pelos profissionais dos TRR frente à piora clínica do paciente nas unidades de internação não crítica e as sugestões ao serviço de resposta rápida da instituição, na visão de cada participante.

Nenhum dos profissionais abordado recusou-se a participar do estudo e após o término das entrevistas ao final do dia, os materiais das coletas de dados já eram transcritos, na íntegra, para garantir a fidedignidade dos relatos. Após o término das digitações das entrevistas os textos eram conferidos, um a um, pelo pesquisador, sendo excluídos os vícios de linguagem.

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