Organograma 01 − Estrutura hierárquica do mercado bancário
1.1 RESPONSABILIDADE CORPORATIVA SOCIAL E AMBIENTAL
No final da década de 1960, a questão ambiental passou a ser debatida em nível mundial e tomou força com a Conferência em Estocolmo, em 1972, que estabeleceu critérios e princípios comuns para preservação e melhoramento do meio socioambiental.
As empresas foram chamadas a mostrar sua parcela de responsabilidade para com os efeitos da exaustão dos recursos naturais, para com os índices de poluição e para com os limites de resiliência da natureza, diante de um processo de intenso consumismo e desconsideração com o futuro.
Inicialmente, as preocupações e pressões para um posicionamento sustentável foram direcionadas a organizações de setores industriais críticos como mineração, siderúrgico., químico e de energia. Mas, em pouco tempo, o raio ampliou-se e também foram incluídos indústrias consideradas limpas e setores empresariais ligados a negócios geradores de prejuízos sociais, ambientais ou ambos. (SENGE et al., 2009, p. 106).
Segundo Leff (2006), durante a Conferência de Estocolmo “foram apontados os limites da racionalidade econômica e os desafios apresentados pela degradação ambiental ao projeto civilizatório da modernidade”. Os acordos assinados nessa Conferência tiveram repercussões efetivas no Brasil, que, embora contrário, inicialmente, às medidas de proteção ao meio ambiente sugeridas pelo Clube de Roma, adotou postura de proteção ambiental no meio educacional e empresarial (VIOLA, 1998, p. 9).
Na década de 1980, a aprovação da Lei 6.938/1981, sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, a criação de órgãos para o controle ambiental e a continuidade do ensino nesse campo resultaram em maior conscientização da sociedade brasileira sobre a importância da responsabilidade a ser exercida pelas organizações e pela sociedade, em geral, para a melhoria da qualidade de vida e conservação ambiental. Nesta época, segundo Oliveira e Rizzo (2008), as organizações passaram a sofrer influência direta da regulamentação governamental, em termos ambientais, proporcionando, com isso, mudança progressiva em seu ambiente de negócios. Mas, até então as instituições financeiras ficavam à margem desse debate, a não ser bancos de desenvolvimento, mais ligados a questões sociais, e assim mesmo por pressões de organismos multilaterais como o Banco Mundial e o Banco Interamericano.
A partir da década de 1990, houve maior conscientização sobre a importância das temáticas “meio ambiente” e “desenvolvimento sustentável” e cobrança dos consumidores por procedimentos empresariais condizentes com a preservação ambiental. Esses temas geraram significativo interesse e motivação, tanto no meio acadêmico com a apresentação
de artigos quanto no meio empresarial com a instituição de prêmios, criação de departamentos especializados e peças publicitárias (VIOLA, 1998, p. 8).
Como resultado, empresas passaram a incorporar o termo “responsabilidade” em suas estratégias corporativas e naturalmente, em seus discursos mercadológicos. Surgiram campanhas institucionais sobre responsabilidade social e ambiental, demonstrativos de balanços sociais e utilização de fatores não-financeiros para direcionamento de investimentos e para realização de negócios. Simultaneamente, o surgimento de organizações não governamentais também reforçou o movimento de apoio à responsabilidade social que se afirmou na sociedade e por força de pressões externas, acabou por encampar, também o termo “ambiental”.
Na Figura 01 estão representados alguns diferentes nomes dados à responsabilidade corporativa, na literatura.
Figura 01 – Tipos de responsabilidade corporativa. Fonte: Elaboração própria.
Entre as diversas concepções de responsabilidade, que as organizações podem e devem exercitar em sua trajetória (Figura 01), incluem termos como social, ambiental, corporativo e a união desses termos, originando o socioambiental e social corporativo. Em toda essa gama de conceitos, as decisões devem pautar-se no voluntário, ou seja, no que exceder ao atendimento de legislação e às obrigações. O objetivo é tornar a sociedade mais justa entre seus pares e com o meio ambiente, até porque, o objetivo maior das organizações é servir à sociedade com seus produtos e serviços.
A responsabilidade social corporativa contempla, então, as estratégias organizacionais voltadas para seu público interno e externo e para seu entorno, que ultrapassa as obrigações legais e tem como parâmetros norteadores, a ética e a responsabilidade coletiva.
Responsabilidade social corporativa Responsabilidade ambiental Responsabilidade socioambiental Responsabilidade social Sus ten tabi lida de
Estão aí incluídos os programas de conscientização sobre valores e ética, sobre modos de consumo, de inclusão social, de aprimoramento técnico.
Organizações, independentes de tamanho e de vários setores, têm desenvolvido esse tipo de conscientização de seu público interno, incluindo códigos de ética e incentivos. Muitos programas empresariais vêm sendo validados por auditores ou empresas especializadas como meio de dar maior credibilidade ao discurso dessas organizações.
Algumas iniciativas tiveram como base os programas estipulados pela Agenda 21, Capítulo 30, com vistas ao fortalecimento do papel do comércio e da indústria, por meio de produção mais limpa e responsabilidade socioambiental desses intervenientes.
O comércio e a indústria, inclusive as empresas transnacionais, devem reconhecer o manejo do meio ambiente como uma das mais altas prioridades das empresas e fator determinante essencial do desenvolvimento sustentável. Alguns dirigentes empresariais esclarecidos já estão implementando políticas e programas de "manejo responsável" e vigilância de produtos, fomentando a abertura e o diálogo com os empregados e o público e realizando auditorias ambientais e avaliações de observância. Esses dirigentes [...] cada vez mais tomam iniciativas voluntárias, promovendo e implementando auto-regulamentações e responsabilidades maiores para assegurar que suas atividades tenham impactos mínimos sobre a saúde humana e o meio ambiente. (AGENDA 21, Cap. 30.3).
A responsabilidade socioambiental refere-se ao compromisso explícito ou não da organização em implantar estratégias voltadas para a melhoria da qualidade de vida dos colaboradores e demais partes interessadas e para o uso sustentável dos recursos naturais, de forma que a cadeia de intervenientes, inclusive a própria organização, seja envolvida e beneficiada pelas iniciativas.
Tanto as ações direcionadas ao público interno quanto ao público externo e ao meio ambiente devem estar alinhadas a comportamento ético e levar em consideração a influência de suas decisões sobre o meio ambiente e sobre a sociedade como um todo. A busca pela lucratividade deve pautar-se em atuação responsável que leve em consideração a ponderação do lucro pelos impactos sociais e ambientais decorrentes. Esse comportamento deve alcançar interação harmônica dos indivíduos entre si e o meio ambiente, visto que as organizações têm a cada dia, maior atuação como mediadoras de transformações.
Em linhas gerais, as organizações passaram a ser pressionadas para uma atuação responsável e mais participativa com a sociedade, ao mesmo tempo em que buscavam novas oportunidades em negócios, pelo exercício de práticas sustentáveis.
Não apenas no mercado financeiro, mas no mercado em geral, clientes e investidores já exigem prestação de contas em relação a ações atinentes ao meio ambiente e ao bem estar social, tanto em nível interno, quanto junto ao público consumidor. Ou seja, embora responsabilidade socioambiental possa não implicar ganhos financeiros diretos, em alguns
casos, pode-se verificar ganhos em termos de imagem institucional e de competitividade. Além disso, a empresa pode melhorar relacionamentos e parcerias com fornecedores e clientes, ao ser percebida como atuante nas esferas social e ambiental. Isso vem sendo feito pela comunidade financeira internacional com a adoção de acordos para disciplinamento de procedimentos, facilitando a credibilidade das instituições e o incremento dos negócios.
Há evidências de que empresas percebidas pelo público como socialmente responsáveis “aufiram maiores benefícios do que as que não o fazem. E estas são razões suficientes para que elas tenham políticas que expressem responsabilidades além das exigências legais” (CHEIBUB e LOCKE, 2003, p.5). Ou seja, a opção estratégica em prol de negócios sustentáveis tem mostrado vantagem competitiva principalmente em termos de imagem institucional e, também, ganhos diretos e concretos, advindos da preferência de investidores por investimentos de menores riscos.
Senge et al., (2009, p. 195) afirmam que ao assumir práticas sustentáveis de forma efetiva, torna-se desnecessária a utilização de campanhas publicitárias pelas organizações para mascarar estratégias ou pequenas mudanças incrementais sem sustentabilidade no longo prazo. Por outro lado, se no curto prazo empresas alcançarem resultados sem observância de ética e responsabilidade com o meio ambiente, social, econômico e cultural, mesmo que indiretamente, poderão sentir cobranças ao longo do tempo. Essa cobrança pode dar-se pela resposta normal da natureza com o fenecimento das espécies, pela obrigação de ressarcir prejuízos estipulados pela legislação, ou, até mesmo, pelo cumprimento de penas de reclusão aplicadas aos infratores.
Inclusive, no caso dos bancos que atuam com financiamentos, é de se esperar que as atitudes de responsabilidade socioambiental espelhem e atendam a princípios de prevenção e precaução em relação ao meio ambiente. Essas atitudes devem mostrar transparência das estratégias e políticas empresariais, permitindo o acompanhamento, pela sociedade, do desempenho e das ações das empresas, em diversas perspectivas e não apenas publicações de balanços financeiros.
Na prática, uma organização para ser percebida como social e ambientalmente responsável precisa incorporar em suas estratégias, investimento em tecnologias antipoluentes, conscientização do público interno e externo sobre a importância do respeito ao meio ambiente e, políticas e diretrizes em seu plano estratégico.
Em alguns casos, como vem sendo feito em alguns bancos, a reciclagem de papel, a utilização de papel reciclado, a implantação de programas de sensibilização do público interno e partes interessadas (stakeholders) para diminuição ou eliminação de desperdícios, são exemplos práticos de responsabilidade nas dimensões sociais e ambientais.
sociais e ambientais, que podem ser por meio de adesão a pactos e acordos socioambientais, que envolva toda a dinâmica produtiva, mesmo com referência a prestadores de serviços e outros indiretamente ligados ao processo produtivo.
Embora não suficiente para garantir a efetividade da responsabilidade socioambiental, esse tipo de engajamento tem crescido nas últimas décadas, em organizações de vários setores, inclusive no setor financeiro.
Reforçando o ponto de vista da ineficiência do que se tem feito, em termos de responsabilidade, Senge et al. (2009), argumentam que a atual onda de responsabilidade socioambiental das organizações não será bastante para lidar com os desequilíbrios entre o setor de negócios e o setor social.
Para englobar e reforçar as práticas de responsabilidade socioambiental, Furtado (2001) cita três eixos que devem ser observados pelas empresas: o eixo do desenvolvimento sustentável, o da cidadania e direitos humanos e o do relacionamento positivo da empresa com as partes interessadas.
O primeiro eixo, relativo ao desenvolvimento sustentável, deve contemplar as diversas dimensões da sustentabilidade, que poderão levar à maior longevidade empresarial por meio de ações e estratégias que respeitem o meio socioambiental e econômico-financeiro, dentre outros.
O segundo eixo está intimamente ligado à responsabilidade coletiva, missão maior e final que legitima a existência das organizações (ARENDT, 2004, p. 225), e que impacta diretamente o risco reputacional ou a imagem institucional. Essa mesma responsabilidade originou o Pacto Global das Nações Unidas que considera as empresas como protagonistas do desenvolvimento social das nações e, conseqüentemente, de uma sociedade mais justa.
Por fim, o terceiro eixo deve convergir para a governança corporativa, ou seja, para o compromisso de relacionamento ético e transparente com seus parceiros e com o público em geral, incluindo aí ações de responsabilidade que extrapolam as exigências legais.
Esses três eixos derivam do crescente nível de exigência dos consumidores e das partes interessadas (stakeholders) em governança socioambiental e corporativa, devendo ser observados pelas organizações que se comprometem com a responsabilidade socioambiental.
Esse comprometimento pode trazer além de reflexos positivos para a imagem da empresa (menor risco reputacional), maiores lucros, com a aceitação cada vez maior de um público preocupado com a conservação e preservação ambiental, com o respeito aos direitos humanos, com a ética e com o desenvolvimento sustentável.
De acordo com Arendt (2004, p. 225), “nenhum padrão moral, individual, pessoal de conduta será capaz de nos escusar da responsabilidade coletiva”. Assim, ao se assumir a responsabilidade coletiva, haverá reflexos nos níveis de governança corporativa, cujo
equilíbrio entre as dimensões da sustentabilidade resultará em responsabilidade corporativa. A governança corporativa é um dos pilares da sustentabilidade. Trata-se de um sistema de relacionamentos entre os dirigentes e as partes interessadas, o qual busca proteger os direitos destas, especialmente dos acionistas minoritários e os valores da organização. Alguns bancos brasileiros, a partir dos anos 2000, mostraram estratégiasnesse direcionamento junto à Bolsa de Valores de São Paulo – Bovespa e seus clientes.
Segundo o Código de Melhores Práticas de Governança Corporativa, a sistemática tem como objetivo: (i) aumentar o valor da sociedade; (ii) melhorar seu desempenho; (iii) facilitar seu acesso ao capital a custos mais baixos; e (iv) contribuir para sua perenidade.
Para tanto, os administradores devem adotar comportamento transparente, evitar conflito de interesses e concentração de poder, tendo algumas características como direcionadores das estratégias dessas organizações, conforme Quadro 01.
Princípios básicos de Governança Corporativa
Transparência Mais do que a obrigação de informar e o desejo de disponibilizar para as partes interessadas as informações que sejam de seu interesse e não apenas aquelas impostas por disposições de leis ou regulamentos. A adequada transparência resulta em um clima de confiança, tanto internamente quanto nas relações da empresa com terceiros. Não deve restringir-se ao desempenho econômico-financeiro, contemplando também os demais fatores (inclusive intangíveis) que norteiam a ação gerencial e que conduzem a criação de valor.
Equidade Caracteriza-se pelo tratamento justo de todos os sócios e demais partes interessadas (stakeholders). Atitudes ou políticas discriminatórias, sob qualquer pretexto, são totalmente inaceitáveis.
Prestação de Contas
(accountability)
Os agentes de governança devem prestar contas de sua atuação, assumindo integralmente as conseqüências de seus atos e omissões.
Responsabilidade
Corporativa Os agentes de governança devem zelar pela sustentabilidade das organizações, visando a sua longevidade, incorporando considerações de ordem social e ambiental na definição dos negócios e operações.
Quadro 01 – Princípios básicos de governança corporativa. Fonte – IBGC, 2009, p. 19.
Entre as características de uma organização que exercita melhores práticas de governança estão a participação, o estado de direito, a transparência, a responsabilidade, a orientação por consenso, a igualdade e inclusividade, a efetividade e eficiência e por fim, a prestação de contas (accountability) da organização. (IBGC, 2009, p. 19).
A prática da boa governança corporativa, então, deve incorporar (i) disponibilização das informações de forma transparente; (ii) tratamento justo de todos os sócios e demais partes interessadas; (iii) prestação de contas com responsabilidade pelas reações de suas ações e (iv) responsabilidade pela longevidade da organização (Quadro 01). Esses princípios têm por objetivo dar apoio ao desenvolvimento sustentável, além de dar confiabilidade e boa imagem reputacional junto à sociedade e seus acionistas.
Embora inicialmente, o código de governança corporativa, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa – IBGC fosse direcionado a empresas privadas, posteriormente, ampliou-se o foco para organizações em geral. A partir daí, o código pôde ser estendido a fundações, cooperativas, órgãos governamentais e sociedades anônimas, como bancos e outras instituições financeiras. As práticas em cada uma dessas organizações devem ser adaptadas à estrutura e à realidade próprias.
No mercado brasileiro, desde 2000, a Bolsa de Valores de São Paulo – Bovespa passou a classificar em níveis diferenciados de governança, empresas que negociam suas ações no mercado de capitais. Para fazer parte dessa lista de empresas, que revela comportamento de boa governança corporativa, essas precisam assinar um contrato em que se obrigam a cumprir os requisitos estabelecidos pela Bovespa e se sujeitam a punições em caso de infração do regulamento.
Há três classificações com crescente grau de exigência, sendo o Nível 1 e o Nível 2 de Governança Corporativa, os níveis de menores exigências e o Novo Mercado, o nível mais restritivo. Neste nível, a organização assegura a não emissão de ações preferenciais, no futuro, entre outras exigências, como o compromisso com transparência e com o alinhamento das informações contábeis junto ao mercado internacional. No caso, somente ações nominativas, que dão direito a voto, poderão ser emitidas, possibilitando o acesso de todos os sócios às decisões das assembléias.
Essa listagem da Bovespa reúne as empresas de capital aberto que se comprometem, voluntariamente, a cumprir determinadas regras de tratamento igualitário, respeito e ética com os públicos interessados (stakeholders). Diferentemente dos acordos socioambientais, o descumprimento de cláusulas de governança corporativa pode gerar multas e punições aos infratores.
Os bancos do Brasil e Nossa Caixa fazem parte do seleto grupo do Novo Mercado, indicando que cumprem exigências das boas práticas de governança corporativa em seu mais alto grau, incluindo aí, também o atendimento de normas internacionais de contabilidade. Essas normas procuram demonstrar, pelo menos teoricamente, transparência da dinâmica contábil da organização, em padrões comuns aceitos em nível internacional.
O Itaú Unibanco e o Bradesco fazem parte do Nível 1 de Governança Corporativa. O Santander Brasil faz parte do Nível 2 de Governança Corporativa, um nível menos restrito que o Novo Mercado, mas que também é um caminho de demonstração de compromisso com as práticas da boa governança corporativa de respeito igualitário aos acionistas.
O Novo Mercado é um segmento da Bovespa que lista as empresas que negociam suas ações na Bolsa e de forma voluntária se comprometem com práticas mais restritas de governança corporativa, como porexemplo, tratamento igualitário entre grandes acionistas e minoritários.
O BNDES, em seu papel de banco público, apóia a adesão de empresas ao Novo Mercado e em alguns casos, exige das empresas tomadoras de empréstimos, essa condição para o fechamento de operações de financiamento.
A participação no Novo Mercado tem influência positiva como estratégia de responsabilidade socioambiental, visto que deve mostrar conduta ética de administradores e auditores e menos ingerência política em sua administração. Tem-se assim, que as empresas pertencentes a essa listagem da Bovespa nos níveis 1 e 2 e no Novo Mercado, independente dos setores em que atuam, praticam a responsabilidade socioambiental em suas estratégias negociais.
No caso específico dos bancos, estes estariam alinhados ao que preconiza a Declaração de Collevecchio que tem como base o princípio da precaução e estabelece compromissos das instituições financeiras em termos de sustentabilidade, responsabilidade, prestação de contas, transparência, não provocação de danos sociais e ambientais, sustentabilidade dos mercados e da governança.
O tema sustentabilidade deve estar integrado às escolhas estratégicas da organização que se dispõe a atuar em conformidade às boas práticas da governança corporativa, com disseminação dessa cultura e consideração das questões ambientais e sociais nas operações e na definição de negócios.
Tem-se que um mercado que apresente um grande número de empresas efetivamente comprometidas com os princípios da boa governança torna-se mais robusto, com maiores chances de atrair mais investidores, ao mesmo tempo em que essas empresas podem ter suas ações valorizadas (ARANTES, 2006), e dar início a um ciclo virtuoso de negócios. Assim, a prática da boa governança corporativa é tida como um mecanismo que contribui para o crescimento sustentável no longo prazo, além de fortalecer mercados de capitais em países em desenvolvimento (IFC, 2008, p. 2), os quais são fontes de recursos para viabilização de projetos de infra-estrutura.