da Matriz de Viana do Castelo
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Baptizado na Sé de Miranda do Douro (1718, Ago, 18). Foi apadrinhado por António de Sá Vilas Boas, governador da Praça e Maria da Conceição, da cidade do Porto, por procuração que enviou a Domingos Correia, de Miranda do Douro. Já a sua irmã Maria teve por padrinho um cónego da Sé de Évora que também enviou procuração.
1750 – casou com Maria de Morais Fortuna Descendência:
Tomé (1754)
Francisco Xavier de Morais Fortuna (1756) – mestre pintor Escolástica da Ascensão [(1776)
Rosa Maria
Actividade conhecida
Pedro Lopes Fortuna 1710 – recebeu diversos pagamentos pela pintura e douramento do novo retábulo da capela da Santa Cruz de Miranda
1719 – vivia em Miranda em «huas cazas ao Seminario Velho», emprazadas por 150 reis
1727 – vivia na Rua da Costanilha.
Luís Inácio Fortuna 1742 – ajuste30 do douramento e pintura do retábulo do Santo Cristo
da capela maior da Misericórdia de Freixo de Espada à Cinta. A obra devia ser terminada até ao S. João de 1743 e o valor da empreitada rondava os 300.000 réis. Na mesma igreja, também dourou a abóbada da cabeceira por 80.000 réis. O mestre Frutuoso Lourenço Ferraz foi o entalhador do retábulo. À sua morte é provável que a obra tivesse sido continuada por João Gomes, também entalhador.
Manuel Caetano
Fortuna 1754 – douramento do retábulo maior da Sé de Miranda do Douro1763 – pintura do tecto da igreja do convento de S. Bento, em Bragança
1764 – representação do Descimento da Cruz na capela do Senhor da Boa Morte em Sendim. Tela assinada e datada
1765 (?) – tecto do oratório do antigo paço episcopal de Bragança. Francisco Xavier de
Morais Fortuna Casou com Francisca da Costa Pimentel1797 – arrematação31 da pintura e douramento do retábulo-mor da
matriz de Mogadouro. Manuel Inácio de
Morais Fortuna (profissão indeterminada)
1795 – por meio de uma procuração estava envolvido na arrematação, pelo mestre João Manuel Cabral, dos trabalhos de pedraria e
carpintaria da capela maior de Sambade (cujo contrato divulgaremos proximamente).
Apesar da sua insuficiência, estas notas exemplificam por um lado as dificuldades de se avançar no conhecimento dos artistas e obras mas, por outro lado, também mostram como o trabalho pode dar alguns frutos. Apesar de sabermos hoje mais do que ontem, temos consciência de que neste domínio do conhecimento o caminho é 30 PINTADO, 2003: 127-131
passam a ocupar um lugar na História da Arte portuguesa donde estavam arredadas. Tal como sucederá com outras oficinas ou núcleos de artistas que conseguem manter assinalável coesão profissional de que são exemplos a oficina dos Pereiras, ou a de Veigas. Os primeiros tiveram o seu solar, como já noutros trabalhos mostrámos, na povoação de Parada (Bragança) e, a partir daí, durante mais de um século conseguiram passar para as gerações mais novas o conhecimento do ofício. Retábulos e quadros de tectos de caixotões alimentaram uma atmosfera especial em muitas igrejas da diocese. Diferente parece ser o caso dos artistas que durante o século XVIII tinham na Quinta de Veigas, da freguesia de Quintela de Lampaças, a sua base de irradiação. Embora tenhamos divulgado alguma documentação e realizações, a falta de espaço não nos permite apresentar uma visão de conjunto sobre a obra realizada. Diremos apenas que alguns entalhadores e pintores, oriundos do Minho e de S. Pedro da Croca, terra do bispado do Porto, aqui tiveram casa e aqui mantiveram oficina. Nomes como José Ferreira, José Machado, Francisco João, João Duarte Pinto ou Francisco Xavier Machado muito protagonismo tiveram na arte regional.
A atenção que temos votado aos artistas e artífices que se movimentaram nesta região transmontana durante a Idade Moderna, bem como a preocupação de iden- tificar e analisar as obras realizadas tem sido coroada com a revelação de algumas centenas de nomes. Na medida do possível as preocupações estendem-se também à valorização de todas as informações que possam complementar o esclarecimento da identidade de cada indivíduo. Contudo, muito do conhecimento que seria relevante para sentirmos o pulsar das preocupações essenciais não é de fácil apreensão. De modo que continuamos sem dominar completamente algumas facetas da realidade como as que, por exemplo, podiam aflorar nos momentos da arrematação de obras. Uma praxis que, como muitas vezes acontece na actualidade, pode desenvolver lances e combinações menos claras mas legais face ao direito. Uma praxis que nos pode confundir, ainda que com documentos na mão, quando não nos apercebemos das consequências da subcontratação ou do papel que muitas vezes desempenham os fiadores ou as testemunhas que, no escritório do tabelião, assinam os papéis dos contratos. Um mundo complexo em que a capacidade de problematizar as situações muito exige dos conhecimentos e argúcia dos historiadores.
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Fig. 1 - Painel do retábulo-mor da Sé de Miranda do Douro
Fig. 3 - Igreja matriz de Avantos. Auto-retrato de Damião Bustamante
Fig. 4 - Assinatura de Damião Bustamante na igreja de Balsamão