Dara Lourenna Silva Da Nóbrega Israel Filippe Fontes de Oliveira
3. SEQUELAS DO TRAUMA PARA OS DENTES DECÍDUOS E DENTES PERMANENTES
3.1 Repercussões em dentes decíduos
Conforme com Losso et al., (2011) existe uma diversidade de sequelas que podem acometer dentes decíduos após traumatismos dentários, podendo variar conforme a intensidade e o tipo de trauma. As injúrias mais comuns causadas em dentes decíduos são: hiperemia pulpar, descoloração coronária, necrose pulpar, cistos, fístulas, reabsorção radicular e abscessos (ALDRIGUI et al., 2012).
A hiperemia no núcleo pulposo é um tipo de lesão presente em traumatismos dentários independente do mecanismo de ação e intensidade. Durante a anamnese clínica é possível visualizar sangue no interior da região pulpar (CORRÊA-FARIA et al., 2015). O autor supracitado evidencia ainda que a descoloração coronária, de
caráter transitório ou permanente, acompanha o dente até a esfoliação. Os tons brancos opacos ou amarelados, estão associados a obliterações do canal pulposo, em decorrência da deposição de tecido mineralizado no interior do espaço radicu-lar. Embora ocorra a calcificação da região radicular, é comum que esses dentes sofram processo de rizólise.
Para Lopes (2015) existem casos que não acontece o processo de rizólise na raiz do dente decíduo, esse processo é denominado retenção prolongada. Nesses casos a exodontia deve ser preconizada. As reabsorções dentárias podem ser clas-sificadas como internas ou externas, sendo associadas ou não a outras alterações, como a necrose do núcleo pulposo. Quando a reabsorção é de caráter leve, deve ser realizado somente acompanhamento radiográfico. Em casos mais graves a exo-dontia é o tratamento padrão ouro (LOSSO et al., 2011).
As reabsorções dentárias ocorrem em aproximadamente 33% dos casos de traumatismos em dentes decíduos. Outras evidências patológicas podem não ser identificadas, contudo, em casos mais severos ocorre a perda precoce do dente. A reabsorção radicular externa pode ser identificada através do exame de imagem raio-x (FRANCISCO, 2013).
De acordo com Losso et al. (2011) a reabsorção substitutiva, conhecida como anquilose dental, pode surgir diante substituição de tecido dentário por tecido ós-seo, que ocorre de maneira progressiva. Clinicamente observa-se infraoclusão em relação aos dentes adjacentes e radiograficamente os sinais indicam ausência de continuidade do ligamento periodontal ao osso alveolar na área de fusão. Na maio-ria dos casos sugere-se a exodontia, em virtude da dificuldade de reabsorção fisio-lógica desse dente, o que pode causar a erupção retardada ou ectópica do dente permanente.
A anquilose inicial tem como sinal clínico a perda de mobilidade do dente e res-postas em relação aos testes de percussão com o som de característica mais me-tálico. A anquilose em sujeitos mais jovens impede o crescimento daquela porção do processo alveolar que contém o dente reimplantado resultando em infraoclusão (KRAMER et al., 2017).
Quando o trauma é de repetição existe dificuldade em relação a resposta bio-lógica do organismo para a reparação e cicatrização do dente decíduo e das estru-turas envolvidas. Existem casos que o paciente não se lembra de ter sofrido um trauma anterior e os achados radiográficos identificam as sequelas que podem so-mar-se a um novo trauma. Essas sequelas podem ser transitórias ou permanentes e apresentar diferentes tons (RAMOS-JORGE et al., 2014).
A necrose pulpar tem sido desafiadora no âmbito da odontologia em relação ao seu diagnóstico, pois somente o sinal clínico de descoloração acinzentada não é um preditor para a falta de vitalidade da polpa. Devem ser visualizadas alterações em tecidos moles, na sensibilidade, na percussão e palpação, além do aumento da
mobilidade (COSTA, 2015).
3.2 Repercussões em dentes permanentes
No que tange as sequelas em dentes permanentes, os traumatismos na den-tição decídua podem afetar o germe dentário que se encontra em processo de formação. As alterações podem variar conforme o tipo de trauma e o estágio de desenvolvimento do dente permanente, sendo que o estágio inicial de mineraliza-ção está mais vulnerável a sequelas (LOSSO et al., 2011).
A hipoplasia do esmalte é considerada em relação ao aspecto clínico como um defeito na parte estrutural associado a descoloração do dente em tom branco ou amarelo amarronzado, este fato atribui-se a destruição de ameloblastos antes da deposição do esmalte
Outra sequela em dentes permanentes conforme Losso et al. (2011) é caracte-rizada pela dilaceração, o que ocorre quando a porção do dente que já se encontra formada e dobrada ou torcida sobre si mesma e nessa nova posição continua em desenvolvimento. A dilaceração pode ocorrer na porção coronária e em sua forma precoce, na formação dentária ou radicular.
Dependendo da severidade do trauma pode ocorrer a remoção da camada de esmalte em formação, estimulando o odontoblasto adjacente a produzir dentina reparadora. Cabe ao odontopediatra esclarecer sobre essas sequelas para os res-ponsáveis da criança desde a primeira consulta, maximizando as chances dos pais de compreenderem e motivar o retorno da criança ao consultório para controle das sequelas até a troca da dentição (WANDERLEY et al., 2014).
Quando ocorre deslocamento da raiz do dente decido e afeta o germe do dente permanente podem ser observadas intrusões, luxações laterais e avulsões, além de fraturas. E, posteriormente ao trauma, podem surgir infecções apicais, cistos e retenções prolongadas (COUTINHO; BONECKER, 2013).
É de conhecimento de alguns profissionais o fato da avulsão seguida de um trauma, gerar riscos de lesionar o germe do dente permanente. Este fato pode ser justificado diante do dente no momento da avulsão não sair do espaço alveolar como se fosse um procedimento de exodontia. A raiz do dente pode sofrer intrusão no palato e então sair do alvéolo. Sendo assim, avulsão pode ocasionar sequela nos dentes permanentes (FRANCISCO, 2013).