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TIPOS DE MEDIUNIDADE

No documento Curso de Mediunidade (páginas 92-95)

Estudando a Mediunidad

7. TIPOS DE MEDIUNIDADE

Embora as classificações sejam humanas e sirvam apenas para facilitar o melhor entendimento do assunto, já que os fenômenos mediúnicos não obedecem a qualquer critério que possamos criar para eles, vamos aqui citar dois critérios que julgamos importantes neste nosso estudo, para melhor compreensão da própria mediunidade e de suas consequências.

a) QUANTO À NATUREZA

Segundo Edgard Armond, no seu livro MEDIUNIDADE, quanto às causas ou razões de ser, podemos dividir a mediunidade em dois grandes grupos: natural e de prova.

Mediunidade natural é aquela que advém da evolução ética e intelectual do próprio indivíduo como Espírito, aumentando, em consequência, sua percepção espiritual. Segundo Armond, no livro PRÁTICA MEDIÚNICA, “é faculdade própria do Espírito, conquista sua, quando já adquiriu possibilidades maiores, quando atingiu graus mais elevados na

escala evolutiva. (...) O Espírito, já convenientemente evoluído, é senhor de uma sensibilidade apurada que lhe permite vibrar normalmente em planos superiores, sendo a faculdade puramente espiritual”.

EmMEDIUNIDADE, ele ainda acrescenta que:

“A mediunidade natural, sendo um sinal de desdobramento ou apuração de sensibilidade, dá ao indivíduo mais amplo conhecimento do mundo material em que vive e, ao mesmo tempo, lhe proporciona conhecimentos mais ou menos dilatados dos planos de vida situados em outros mundos.

“Portanto, em qualquer ponto do Universo em que esteja o indivíduo, ela se exerce com as mesmas características e consequências, sendo, pois, como dissemos, um fenômeno de constatação e aplicação universais.

“Quanto maior o grau, o índice dessa sensibilidade, tanto maior a intuição e, consequentemente, tanto maior o campo que o indivíduo abrange na percepção dos fenômenos e dos aspectos da vida cósmica.

“É claro que os que possuem hoje sensibilidade já evoluída, colhem o que plantaram em vidas anteriores, recebem o resultado das experiências que já realizaram, das provas que suportaram, e seu número é restrito”.

Já mediunidade de prova, também chamada por Armond de mediunidade‐tarefa, é aquela recebida em determinadas condições, para utilização imediata. Segundo ele, em Mediunidade, “... é a posse de faculdades não propriamente conquistadas pelo possuidor, ou fruto de sua superioridade espiritual, mas dádiva de Deus, outorga feita a uns e outros, em certas circunstâncias e ocasiões, para que, no seu gozo e uso, tenham oportunidade de resgatar dívidas, sair de um ponto morto, de um período de letargia ruinosa, despertando, assim, para um novo esforço redentor”.

EmPRÁTICA MEDIÚNICA, ele diz também que:

“(...) é capacidade transitória, de emergência, obtida por graça, com auxílio da qual o Espírito pode apressar sua marcha e redimir‐se. (...) foi fornecida ao médium (por) uma condição física especial que lhe permite servir de instrumento aos Espíritos desencarnados para suas manifestações”.

“O Espírito, ao encamar‐se, já trazendo em seu programa a missão mediúnica, recebe um corpo físico apropriado, o qual, desde a matriz, sofre as adaptações necessárias — mormente no campo do sistema nervoso cerebral, que é afinado para vibrar ao contato das radiações perispirituais.

“Por outro lado, como já dissemos, todo Espírito tem um tônus próprio, uma vibração e luz próprias, que variam segundo suas características morais; quando, pois, o Espírito, ao encarnar, se prende aos ligames do corpo físico, passa a irradiar, através deste, uma gama, vamos dizer, somática, global, destes característicos, radiações estas que formam o que, comumente, se chama aura individual. Como resultado, pois, do processo de adaptação sofrido pelo corpo físico e de sua interpenetração pelas radiações áuricas individuais, adquire o médium um grau determinado de sensibilidade que lhe permite sentir, mais ou menos intensa ou amplamente, as impressões do plano hiperfísico”.

É o que diz também Ramatís, no livro MEDIUNISMO, afirmando que:

“Há grande diferença entre o médium cuja faculdade é aquisição natural, decorrente de sua maturidade espiritual, e o médium de prova, que é agraciado

imaturamente com a faculdade mediúnica destinada a proporcionar‐lhe o resgate de suas próprias dívidas cármicas. Através de processos magnéticos, que ainda vos são desconhecidos, os técnicos do Astral hipersensibilizam o perispírito daqueles que precisam encarnar‐se com a obrigação de trabalhar, pelo da mediunidade, a favor do próximo, e também empreender a sua própria recuperação espiritual.

“No Além existem departamentos técnicos especializados, que ajudam os espíritos a acelerar determinados centros energéticos e vitais do seu perispírito, despertando‐lhes, provisoriamente, a sensibilidade psíquica para maior receptividade dos fenômenos do mundo oculto, enquanto se encontram encarnados. Esse é o mandato mediúnico ou a transitória faculdade concedida a título de empréstimo pelo Banco Divino”.

EmMEDIUNIDADE, Armond afirma ainda que:

“Recebendo essa prova de misericórdia de Deus, concedida, quase sempre, pela intercessão de Espíritos amigos interessados no seu progresso ou a pedido próprio, de duas uma: ou o beneficiado cumpre eficientemente a tarefa retificadora e, neste caso, sobe um degrau na trajetória espiritual, ou fracassa e, então, sofre as consequências naturais de sua obstinação ou fraqueza.

“É claro que não estamos subestimando ou desmerecendo aos médiuns pessoalmente, mas, simplesmente, classificando‐os segundo seus valores mediúnicos; todos merecem o maior respeito e suscitam em nós, pela própria natureza edificante de suas tarefas, os melhores sentimentos de afeto e solidariedade.

“Essa condição generalizada de inferioridade espiritual é também a razão pela qual a mediunidade de prova traz consigo esse cortejo doloroso de perturbações físicas e psíquicas que lhes transforma a vida, muitas vezes, em longo martírio.

“E ainda a razão porque a faculdade não é, na maioria dos casos, estável, permanente, segura, mas flutuante, incerta e alternativa, demonstrando altos e baixos, acusando períodos, mais ou menos prolongados, de atividade intensa ou de estagnação.

“E nem podia deixar de ser assim, porque esta mediunidade de prova, em si mesma, como já vimos, não é estável, mas transitória, e outorgada ao Espírito, por tempo determinado, para determinado fim.

“Os próprios guias desses médiuns, e mesmo de grupos de trabalho, possuem qualidades correspondentes, estão em igualdade de condições, muito embora no desempenho de missões úteis e na posse, como é natural, de um certo adiantamento ou superioridade sobre aqueles que protegem ou auxiliam; como auxiliares de entidades mais elevadas, que dirigem agrupamentos mais amplos, cumprem, assim, seu dever e obtêm, por esse modo, oportunidade de, a seu turno, se melhorarem e evoluírem.

“Daí o inconveniente de se confiar sistemática e cegamente nos guias, sem o emprego criterioso da razão e sem se levar em conta as diferenças que decorrem das desigualdades dos planos em que atuam uns e outros”.

b) QUANTO AOS EFEITOS

Quanto aos efeitos provocados pelos fenômenos mediúnicos, podemos dividir a mediunidade em dois tipos básicos.

Mediunidades de efeitos físicos que, segundo Allan Kardec, em O LIVRO DOS MÉDIUNS, é aquela que se traduz por fenômenos materialmente tangíveis, como sons

(fenômenos de voz direta e tiptologia), movimentos (levitação) ou deslocamento de corpos sólidos (aporte).

Já Edgard Armond, no livro MEDIUNIDADE, a define como “a mediunidade em que fenômenos objetivos se revelam, envolvendo elementos materiais pesados, permitindo exame direto, do ponto de vista científico”.

Para ele, “nesta modalidade de feitos físicos, o médium não é agente, não é produtor de fenômenos, mas, unicamente, um elemento que fornece parte dos fluidos necessários à produção de fenômenos; e dizemos parte dos fluidos, porque há também necessidade de outros fluidos que o médium não possui e que são retirados de outras fontes”.

Armond inclui neste grupo também as curas, entendendo que o efeito final do fenômeno é material, uma vez que se dá no corpo físico do assistido ou paciente, e a materialização, já que a figura formada pelo Espírito comunicante, a partir do ectoplasma do médium e de elementos da natureza, é passível de exame físico, toque ou mesmo análise laboratorial.

E mediunidades de efeitos intelectuais, que é aquela cujo produto tem influência moral e/ou intelectual, aquela que produz fenômenos que não podem ser atestados do ponto de vista material, mas podem ser percebidos pelo conteúdo que apresentam ou informam, ou pelos sentimentos e pensamentos que inspiram, por não poderem ter vindo do próprio médium, nem de sua personalidade atual.

Estão nesta categoria a psicofonia, a psicografia e a psicopictografia (ou pintura mediúnica), por exemplo.

Dentro de cada uma dessas categorias de efeitos, poderíamos ainda dividir as mediunidades em vários outros grupos, usando diversos outros critérios, dependendo da finalidade e da profundidade do estudo que se faz.

No documento Curso de Mediunidade (páginas 92-95)