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Uma metodologia alternativa: “Qualitative action-project method”

A INFLUÊNCIA DA FAMÍLIA NA CONTRUÇÃO DE PROJECTOS VOCACIONAIS

4. As principais investigações da influência da família nos projectos vocacionais no âmbito da teoria da acção contextual

4.1. Uma metodologia alternativa: “Qualitative action-project method”

Embora exista abundante literatura, mencionada ao longo deste capítulo, que sustenta e confirma uma relação de influência entre variáveis familiares no desenvolvimento vocacional dos adolescentes e jovens, sublinhando que este está profundamente impregnado de processos familiares, estes estudos referenciados por uma parte substancial da literatura da especialidade, limitam as suas avaliações às percepções que os adolescentes e jovens evocam sobre as variáveis do contexto familiar ou parental nos seus projectos vocacionais, recorrendo a metodologias quantitativas, através de instrumentos de auto-relatos. Tais estudos necessitam de ser complementados com novas metodologias para compreender, processualmente, como emergem estes projectos vocacionais no seio da família, quais os ingredientes psicossociais que activam o desenvolvimento destes projectos e como se explicam as diferenças dos resultados a partir de processos diferenciados (Young et al., 2001).

Para responder a esta lacuna, partindo da conceptualização da teoria da acção contextualizada, Richard Young e colegas têm vindo a desenvolver uma metodologia de investigação qualitativa, com procedimentos rigorosos e sofisticados (“qualitative action-project method”), recorrendo à gravação video de conversas conjuntas entre pais e filhos sobre os projectos vocacionais dos adolescentes, e à avaliação de como estes se integram noutros projectos familiares ao longo do tempo. A partir da análise dos vídeos, monitorizando o processo durante seis meses, concluindo com uma última entrevista conjunta, tenta-se compreender como os projectos vão emergindo, construindo e transformando no seio da família, como resultado de um processo intencional de orientação de objectivos conjuntos através das relações estabelecidas entre pais e filhos nas conversas e acções conjuntas sobre a temática dos percursos vocacionais (Valach &

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Young, 2004; Young et al., 2001). De seguida, apresentam-se brevemente algumas conclusões das investigações realizadas, a partir do início deste século, no contexto desta proposta conceptual e metodológica.

Young e colegas (2001) analisaram as influências da família, nomeadamente dos pais, no processo de desenvolvimento vocacional dos seus filhos, para examinarem os processos através dos quais pais e filhos interagem na realização de acções conjuntas, intencionalmente orientadas por objectivos, para a construção de percursos vocacionais. Durante seis meses acompanharam, através do “qualitative action-project method” acima referido, vinte díades de pais e filhos que se disponibilizaram a participar na investigação sobre o projecto familiar de desenvolvimento vocacional. Partindo do projecto identificado pelos pais e filhos, envolveram-nos, através de procedimentos de questionamento, na exploração conjunta de interesses de formações e profissões, valores, mediada pela comunicação, em ordem a construírem estratégias conjuntas para implementar trajectórias vocacionais congruentes com os objectivos traçados. Os investigadores identificaram cinco factores que potenciavam o sucesso dos projectos vocacionais da família: (a) o envolvimento dos pais e adolescentes em acções intencionalizadas dirigidas por objectivos comuns; (b) uma comunicação aberta; (c) a identificação conjunta de métodos congruentes para atingir os objectivos; (d) promoção da autonomia e da identidade do adolescente em relação aos pais; (e) e a disponibilização dos pais para garantirem, na sua agenda, um apoio activo aos adolescentes.

Também concluíram que este projecto vocacional integra e se inter-relaciona com outros projectos familiares, ou seja, com os projectos de cada elemento da família, que são todo e parte dos projectos da família. Assim, Young e colegas identificam fortes ligações entre o projecto vocacional com, pelo menos, quatro projectos da família: (a) o projecto relacional da família, que mostra como a família, no seu seio, exprime sentimentos, partilha afectos e garante apoios afectivos e efectivos; (b) o projecto de parentificação, que sinaliza como os pais se envolvem e assumem o seu papel de pais, garantindo apoios seguros e diferenciados aos seus filhos, em função do seu grau de autonomia e nível de desenvolvimento; (c) o projecto cultural da família, ou seja, como a família tenta salvaguardar as suas raízes e singularidades sem perder a cultura que a identifica como família; (d) e o projecto de identidade, que aponta como os vários

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elementos da família se vão diferenciando e construindo as suas identidade pessoais, preservando, simultaneamente, a identidade sistémica da família.

Contudo, é o projecto relacional que tem uma maior relevância no desenvolvimento vocacional dos adolescentes (Young, 2004). Daí tornar-se imprescindível, que os pais garantam aos seus filhos uma base segura de afectos e ternura, para que possam explorar o mundo com confiança para realizarem investimentos vocacionais. É, no entanto, importante reconhecer que as actividades conjuntas realizadas entre pais e filhos, com objectivos mais diferenciadas, como o lazer, a exploração vocacional, a educação, a saúde… são momentos privilegiados para fortalecer e desenvolver as dimensões do projecto relacional da família.

Refere-se, ainda, um estudo de Young e colegas (2003) realizado com seis díades de famílias canadianas de origem chinesa, seguindo a mesma metodologia, para analisar as especificidades do projecto de desenvolvimento vocacional da família. Os autores chegam às mesmas conclusões do estudo anterior, ao verificarem que o projecto vocacional faz parte do projecto da família e está interligado com outros projectos, onde o projecto relacional se salienta como a força energética e catalizadora de construção dos outros.

Os resultados indicam que os valores e o sucesso na carreira, nestas famílias, estão muito relacionados com o protagonismo dos pais em incentivar e apoiar os seus filhos para investirem num curso de sucesso (neste caso, nas áreas das novas tecnologias) e, deste modo, garantirem às próximas gerações uma ascensão social no país de acolhimento. Por isso, os pais fazem um forte investimento para realizarem, intencionalmente, acções conjuntas com os adolescentes para atingirem determinados objectivos de sucesso familiar nos investimentos vocacionais dos filhos. Este protagonismo parental têm uma forte adesão por parte dos filhos, porque sentem os seus significativos como figuras de apoio, autoridade e respeito, para lhes proporcionarem uma base segura, para delinearem percursos de realização e ascendência social, pela valorização da dimensão da formação, em determinadas áreas do saber, percepcionadas como geradoras do futuro sucesso profissional (Ishii-Kunz, 2000; Kim, Atkinson & Umemoto, 1999). Contudo, verifica-se que estas famílias canadianas de origem chinesa não abdicam do seu projecto cultural de origem, não se anulando num processo puro de assimilação da cultura dominante, mas aculturam-se, salvaguardando a sua identidade

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cultural, assumindo um projecto de desenvolvimento vocacional da família (Kim, Atkinson & Yang, 2001). Esta investigação é ilustrativa, a partir de um processo retrospectivo e prospectivo, de como os valores culturais são construídos e mantidos neste processo de acção dirigida por objectivos intencionais, ao longo do tempo, na interacção familiar.

Concluindo: esta proposta de metodologia de investigação qualitativa apresenta- -se como um promissor contributo à Psicologia Vocacional, alicerçando-se numa cuidadosa e contínua hermenêutica entre a observação e a teoria e, condição indispensável para garantir um rigoroso controlo epistemológico das metodologias qualitativas, evitando interpretações ideologizadas ou impressionistas do investigador.

5. Principais conclusões da revisão da investigação sobre a influência da família na

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