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Unidade Episódio e CA Como é observada a busca D

No documento DOUTORADO EM EDUCAÇÃO (CURRÍCULO) (páginas 116-121)

D

a forma como exposto na modulação Fase, o significado da “aula hospitalar” fica atravessado pelos espaços em que elas ocorrem, pela equipe de atendimento da área da Saúde, pela participação do acompanhante nas ações escolares (pai, mãe, tio e outros) e pela participação da escola de origem na condução das situações de ensino.

Por sua vez, na modulação Episódio, a necessidade de situar o espaço hospitalar, para a composição do cenário de atuação no intervalo de tempo do estudo, ora se estabelece em função da demanda – em termos de porcentagem, em média, 31,3% das aulas hospitalares ocorrem na Quimioteca, 14,5% nos Quartos de Internação, 54% na Brinquedoteca e 0,2% em outros espaços –, ora pelo ritmo imposto à atuação – no período de estudo, que compreende os meses de junho de 2005 até junho de 2006, atuou-se com aproximadamente 4.100 aulas hospitalares, que têm em média 30 minutos.

Entretanto, colado a estes episódios, existe a abertura de espaço para a interpretação dos mundos objetivo/social e/ou pessoal/social das interações e, com isto, explicita-se um conjunto de situações que orientam as ações de aproximação das experiência pessoais de cada um dos professores estagiários às dos outros. Tem-se os primeiros indícios de raciocínio escolar, que emergem da racionalização dos atos de fala dos professores estagiários que serão considerados na modulação Intervenção.

Dissemos que a Unidade Episódio da análise modular comporta núcleos de significações das ações e que palavras-chave representam esses núcleos. Como na Unidade Fase anteriormente sistematizada, a produção do primeiro dia está representada na TABELA-5.2.1-COMO É OBSERVADA A BUSCA? (D1). As tabelas para os

TABELA-5.2.1-COMOÉ OBSERVADAA BUSCA? (D1)

AÇÃO TÉCNICO-ESTRATÉGICA – BUSCADE RAZÕES

Palavras-chave Enunciações

Atividade de ensino 24, 28, 34,36,48,56 Relato onde busca motivo 9,15,23,26

Observação empírica 10,16,18

Relato de exposição 19,22

AÇÃO NORMATIVA – BUSCADE COORDENAÇÃODAS AÇÕES

Questiona a situação de ensino 39,46,57 Questiona a situação hospitalar 7

Questiona a situação saúde/escola 6

AÇÃO INTERPRETATIVA – BUSCADE INTENÇÕES

Reconhecimento da ação 1,8,12,13,14,27,29,30,33,41,42,49,55,59,62 Descreve a situação de ensino 5,17,25,31,45,47,50,51,58

Descreve a relação com a escola de origem 20,21,43,44 Descreve a situação hospitalar do aluno 35,37,40,54 Descreve o que vivencia 2,3,4

AÇÃO COMUNICATIVA – BUSCADE CONSENSO

Contextualização que leva à mobilização 60,61,64

Nos quatro itens que se seguem, para cada um dos eixos de análise, são estabelecidas significações acerca da modulação Episódio. Nesse momento, fala-se da realidade normativa e da sociedade nas esferas: externas, internas, social e da linguagem e desloca-se a interpretação, da enunciação em si, para o rol de enunciações dos alunos atendidos por um professor no dia em análise.

5.2.1. Unidade Episódio: Ação Técnico-Estratégica

Q

Q

uando os professores estagiários reportam-se ao mundo socialmente objetivado, fazem-no por ações que dizem respeito à: (a) Atividade de Ensino,

e34 <<dei uma revista para ele procurar figura. >>P5, ou ainda,

que denotam preocupações técnicas com o cumprimento do proposto pela escola de origem; (b) Observação empírica,

e18 <<ela não vai à escola >> P 5, ou ainda, e371 << ela sabe muito. Faz tudo. >>P6

que falam de informações retiradas da aula hospitalar, mas não exploram motivos. Dizem respeito a uma contemplação da realidade, onde se experimentam impressões análogas às que já se vivenciou. Existe um permanente silêncio por entre essas falas, que dizem respeito a uma reserva em se referir à escola, a saberes, ao que ali se está a viver. Uma reserva que é como um prelúdio de que existem assuntos importante a serem ditos; (c) Relato de exposição,

e22 << a diretora explicou que a escola é construtivista e não tem 2ª, 3ª e 4ª. A criança tem que chegar onde pode. P5 >>, ou ainda,

e83 << disse que semana que vem vai começar a estudar, mesmo que a matrícula não conseguir. P2 >>

nas quais não estão contempladas as repercussões que as demandas sugerem: como aquelas, assumidas pelas escolas de origem ao se acomodarem à situação da promoção automática, trazendo como respaldo explicativo as concepções de aprendizagem ou ainda a legislação vigente. Outro olhar para a mesma questão pode estar na posição do professor hospitalar que, por não questionar no momento da intervenção hospitalar, as proposições postas pelos – alunos, escola de origem, familiares, comunidade hospitalar - muitas vezes também acomoda o aluno à sua situação de paciente. Fala-se novamente aqui de fragmentos de uma realidade exterior. (d) Relato onde busca motivo,

e15 << eu tentei desenhar, mas não deu. P5 >>, ou ainda,

e135 << eu acho que com o T., vai ser assim, com muita calma. P6 >>

que apontam um repertório de motivos descontextualizados das necessidades dos alunos, imobilizando novas construções.

5.2.2. Unidade Episódio: Ação Normativa

N

N

os atos de fala Normativos, o professor estagiário ocupa o lugar de um sujeito que, em atitude social e não objetivante, ao coordenar suas ações : (a) Questiona a

situação hospitalar,

e112 << a mãe queria que ele estudasse geografia, eu achei melhor não forçar. P9 >>

ao confrontar o momento da aula hospitalar com aquele em que se encontra o aluno. Nestas situações, fala da dificuldade da relação ensino/aprendizagem em função do tratamento, da escolaridade do aluno e da posição paternalista da família; (b)

Questiona a situação saúde/escola,

e6 << o câncer é no cérebro, ele vai operar novamente, não sei que tipo de operação será agora. Ele ainda é um pouco lento, demora para dar respostas. P2 >>, ou ainda,

e127 << estuda compulsivamente. Não quer parar de estudar. P6 >>

ao confrontar as questões hospitalares e retroagir para as posições assumidas no momento da aula. Saúde e Escola são duas instâncias que ficaram como que em suspensão. (c) Questiona a situação de ensino,

e39 << estava lendo com muita dificuldade um livro infantil. P5 >>, ou ainda, e403 << vi que já sabia fazer as expressões de todos as formas possíveis. P8 >> ao examinarem uma norma do saber escolar atribuindo valoração normativa a ela.

5.2.3. Unidade Episódio: Ação Interpretativa

A

A

o fazer uso das ações Interpretativas, o professor estagiário descreve e reconhece suas ações, por meio de suas vivências com o ambiente sócio-cultural pré- estabelecido, expressando-as. Surgem aí dilemas, quando o grupo, em contato com o meio, vivencia situações de ensino que não fazem parte do seu repertório, do seu background de saberes da docência. Assim, (a) Descreve a relação com a escola

e43 << as lições dele, da escola, são chatas, às vezes é só cobrir ponto. P5 >>, ou ainda, e67 << mas ele não falta às aulas. P2 >>

quando atua no contexto segundo suas próprias representações, (b) Descreve a

situação de ensino,

e31 << Ele não sabe ler, mas junta tipo B+A, só algumas. P5 >>, ou ainda, e186 << Ele continua com problema no L. P7 >>

quando enfrenta conflitos com o conjunto de saberes culturalmente postos em práticas já estabelecidas (c) Descreve a situação hospitalar do aluno,

e37 << O pai hoje estava junto. P5 >>, ou ainda,

e66 << Está na 4ª série, pelo que entendi teve uma dor de cabeça muito forte e hoje tomou antibiótico. P2 >>

quando revisa os sentidos sociais da profissão, (d) Descreve o que vivencia2,

e4 << Dei aula para o J., ele é de Tocantins. P2 >>, ou ainda,

e167 << Ela lia e hoje disse que não estava conseguindo ler nada. P7 >>,

quando revisa as tradições dos conteúdos do ensinar e do aprender, (e)

Reconhecimento da ação,

e8 << Ajudei a p5 na aula da M.P2 >>, ou ainda, e96 << O Bruno já entende de 0 até 9 .P6 >>

quando, por meio de práticas culturalmente consagradas e que permanecem significativas, atuam no contexto.

5.2.4. Unidade Episódio: Ação Comunicativa

A

A

o fazer uso das ações Comunicativas, as professoras e os professores estagiários constituem a realidade com a linguagem, nesse sentido, põem em circulação

estruturas intersubjetivas da cultura escolar com contextualizações que levam à mobilização, como em:

e125 << Ele conhece as letras, mas precisa de mais trabalho. P7 >>,

em que o professor encaminha ao grupo uma solicitação para ser desenvolvida com

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