1.Introdução
2. O esporte e a cognição
A atribuição do valor cognitivo à atenção é comum nas pesquisas científicas no âmbito do esporte, que tendem a interpretar o fenômeno sob o prisma dos processos de alta ordem, ou top-down, considerados operações centradas nas diretrizes internas do sujeito, estabelecidas pelos processos cognitivos e influenciadas pela atividade
mnemônica e de representações mentais (Pashler, Johnston; Ruthruff, 2001, citado por Antunes; Iwanaga, 2013). Segundo os autores, o cognitivo nos ajuda a pensar nos
próximos passos em que nossos adversários vão dar em nossa direção, pois aí temos que prever seus passos sempre os antecipando.
E, com isso, a cognição vai desenvolvendo- se, aguçando ficando cada vez melhor.
A atividade esportiva necessita da orientação e manutenção da atenção em estímulos relevantes ao longo do evento esportivo, todavia, a atenção seletiva, cujos esforços dos pesquisadores do desporto contemporâneos estão em clarificar seus fundamentos, constitui um processo mental complexo que precisa ser investigado desde as características físicas do objeto (Chen, 1998, Filgueiras, 2011, Posner, 1994), os processos atentivos top-down e down-up ( Pashler; Johnston, Ruthruff, 2001; Rossini; Galera, 2006) e atividade cerebral sensoperceptiva visual e atencional (Faw, 2003; Filgueiras, 2010; Kolb; Wishaw, 2003;
Linden, 2008). (citado por;ANTUNES; IWANAGA, 2013)
Assim, segundo os autores, o nosso senso de atenção mental, visual, perceptivo e cognitivo tem como estímulos a atividade física como uma orientação para que fique cada vez melhor suas capacidades e habilidades.
A memória é definida como função cognitiva responsável pela retenção e repetição de uma informação aprendida. No entanto, estudos contemporâneos mostram que a memória é essencial para coordenar os demais processos mentais de trabalho proposto por Baddley. (apud Antunes; Iwanaga, 2013)
Historicamente, a memória é dividida de duas formas: função e tempo de armazenamento (MATTOS, apud ANTUNES; IWANAGA, 2013). Quanto ao tempo de armazenamento, a memória é dividida em três períodos: sensorial, curto e longo prazo.
A memória sensorial ou memória motora é aquela que dura por apenas alguns milissegundos e que serve estritamente para dar uma resposta automatizada a uma informação. Quando queimamos o dedo no fogo ou sentimos uma irritação dérmica, é a memória sensorial que avisa ao corpo para tirar o dedo ou coçar a região irritada.
Entende-se como memória de curto prazo aquela que fica por menos de 24 horas e cuja utilidade é estritamente trabalhar com a informação para depois descartá-la ou armazená-la permanentemente. Decorar um número de telefone, o endereço de e-mail
de um amigo ou o contato de um recém-conhecido numa rede social são exemplos de memória de curto prazo. Pode até ser que você vá se lembrar dessas informações mais tarde, mas geralmente você as esquece depois que as usou em seu próprio propósito. A memória de longo prazo é aquela que dura desde mais de um dia até a vida toda. O endereço do trabalho novo e até seu próprio nome são exemplos de informações armazenadas por longos períodos de tempo (WISHAW; KOLB; apud ANTUNES;
IWANAGA, 2013)
De acordo com os autores, então podemos classificar a memória em três situações: curta, longa e sensorial, que nos diz o que fazer em cada momento que se é pedido um tipo de memória nossa.
Quando o atleta está aprendendo um novo golpe, o primeiro passo é entender o processo envolvido no movimento. A biomecânica é muito importante, mas anda em paralelo com a eficácia do golpe. Para tanto, o início do treinamento deve ser acompanhado por diversas sessões de repetição e elaboração verbalizada dos procedimentos do golpe. Pensamos que o atleta deseja aprender ou aprimorar seu chute giratório. Os primeiros movimentos serão aprendidos a partir do que foi relatado pelo mestre e o que foi observado pelo desportista. Para isso, o córtex sensório motor e outras áreas corticais como uma memória como o córtex pré-frontal e córtex parietal são utilizadas por se tratar de uma memória episódica, de conteúdo mais explícito. Neste momento, técnicas como vídeo feedback são essenciais, pois permitem que o atleta elabore melhor o procedimento. Nessa fase, o feedback verbal do mestre é essencial, contudo vai perdendo a eficácia ao longo das repetições. (Boyer et al, Gazzaniga; Heatherton, 2009).
O que os autores estão dizendo é que quanto mais repetições se faz mais melhora sua técnica e mais apurado fica seu senso de cognição. Para chegar à perfeição do golpe ensinado pelo mestre.
2.1.O judô e a educação
Como sabemos, o ano de 2016 foi o ano Olímpico e este evento foi realizado no Brasil, e para nos, indivíduos brasileiros, a cultura do esporte está enraizada; seja ela por meio de futebol (paixão nacional), prática de artes marciais, ou mesmo a prática de exercícios para a manutenção da saúde e aprimoramento do corpo; percebe-se que pode haver o estímulo em aprender através da cultura esportiva do brasileiro. Sendo assim, o intuito deste trabalho foi mostrar que, através das artes marciais, em especial o Judô, conseguimos desenvolver a atenção dos alunos, aumentando o nível de concentração deste e o forçando a ver tudo aquilo que era pragmático e estático em algo desafiante e empolgante.
Segundo estudos, aprendemos:
O Judô é uma arte marcial esportiva, ou seja, uma atividade física com origem e fundamentos militares. Foi criado no Japão, em 1882, pelo professor de educação física Jigoro Kano, que ao criar esta arte marcial, tinha como objetivo criar uma técnica de defesa pessoal que além de desenvolver o físico, desenvolvesse o espírito e a mente do indivíduo. Esta arte marcial chegou ao Brasil no ano de 1922, em pleno período da imigração jáponesa no país. (Monteiro, 1998)
O Judô é a arte em que se usa ao máximo a força física e espiritual, e a vitória, representa um fortalecimento espiritual alcançado através de detalhes percebidos por meio de alta concentração e elaboradas técnicas de estratégia.
Sendo assim, fica claro o motivo de escolhermos o Judô dentre tantas artes marciais: primeiro por se tratar de uma arte militar (com regras, hierarquia e desenvolvimento pessoal), e, em segundo, pela experiência pessoal vivida pelos integrantes deste trabalho.
Agora queremos explicar de maneira clara a relação entre esporte e aprendizado, e como o esporte nos auxilia em um melhor sistema de ensino.
Foi comprovado que, no ensino brasileiro existe um grande déficit de atenção entre os alunos, o que compromete e muito o aprendizado, principalmente nas crianças;
o que corrobora que a pessoa cresça e, de maneira proporcional, este déficit evolua.
Concentração é a capacidade que uma pessoa tem de manter seu pensamento num único assunto, com disciplina, sem permitir que esse se desvie para outras coisas. Mas manter a atenção durante todas as aulas não é nada fácil. Isso depende da motivação enquanto aluno, das metas que deseja atingir, mas também de uma aula que traga estímulo para toda a turma.
(BARROS, 2016).
A arte marcial sendo utilizado por crianças e adolescentes também pode ajudar na auto confiança, por meio do aprimoramento do autoconhecimento. Sendo assim, o Judô que no cenário atual tem como sua principal característica a competição; que desenvolve nesse estudo um estímulo para seu aprendizado através da concentração e análise estratégica , que proporcionam satisfação ao aluno de vencer um desafio por meio da falta de atenção de seu adversário.
O aluno pode manter algumas atitudes que irão auxiliá-lo na concentração, como: não pensar em assuntos que não dizem respeito as aulas; não fazer uso de ipod, mini games, e outros; deixar as conversas para o recreio, se desligar dos barulhos alheios, vindos das ruas; manter os olhos voltados para o professor bem como para suas explicações; anotar os conteúdos apresentados.(BARROS,2016).
Essa falta de atenção ou concentração tem como significado uma inércia da atenção ou uma lentidão para mobilizar a atenção, podendo em alguns momentos ter causas emocionais; como briga em casa, separação dos pais; o que conduz a criança a vivenciar um elevado grau de ansiedade, desinteresse por determinados assuntos e tarefas, dificuldades de aprendizagem, baixo autorendimento escolar e falta de postura quanto à realização de diversas tarefas. A concentração é importante para a realização de qualquer tarefa, quem seja física quer seja mental. Associada a concentração está a atenção, uma vez que é necessário estarmos atentos para atingir um certo nível de concentração.
Segundo Barros (2016), fazer tarefas e estudar em casa deve se tornar um hábito , o que também é uma forma de ajudar a se concentrar nas aulas pois, quando conhecemos a matéria, o raciocínio fica melhor.
E para atingirmos essa atenção e consequentemente a concentração, é crucial que pais e professores exerçam um trabalho de equipe para que ambos possam partilhar hábitos rotinas e comportamentos da criança. Possam elaborar um plano do qual
constem atividades a serem realizadas. É fundamental que seja a própria criança, sob a supervisão, avaliar os seus comportamentos, quer sejam positivos ou não.
Nesse papel é que a arte do Judô entra, não somente como uma atividade aeróbica para queimar calorias ou dissipar energia, mas como um suporte psicossocial, familiar e individual que mostra ao indivíduo que cada erro cometido pelo adversário ou por si próprio, bem analisado e concentrado, transforma se em meio para se alcançar a vitória nos combates dentro e fora da academia.
Com o esporte, podemos dizer que as crianças crescem com um objetivo de vida, buscam crescer vigorosamente com muito menos medo de encarar a vida em suas formas prazerosas, não deixando que seus medos se tornem obstáculos na obtenção de suas conquistas.
Para nós, faz todo o sentido, pois não devemos ter medo de nos arriscar e se cairmos, com a queda nos reerguemos com muito mais força de vontade, atentos as falhas que nos fizeram cair e concentrados para atingir resultados melhores e diferentes.
O Judô contribui de várias formas para a vida de uma pessoa:
Ele contribui para manter e fortalecer a saúde;
Ele garante o envolvimento dos reflexos físicos e mentais e reações;
Ele leva a autoconfiança e ao relaxamento, na sua prática regular;
Contribui para uma filosofia prática de vida;
Ele usa exercícios de respiração e meditação;
Ele ajuda a desenvolver a concentração;
Contribui para aumentar a força de aptidão física;
No Dojo (salão de treinamento), você pode conhecer pessoas interessantes de um caráter forte;
Ele fornece uma maneira agradável para passar o tempo Veaceslev, 2010).
Enfim, a prática de atividades esportivas favorece e muito o desenvolvimento das pessoas. Mas gostaríamos de realizar um adendo, o Judô assim como qualquer outra atividade de desenvolvimento pessoal, físico ou espiritual só se torna eficaz se houver um profissional bem preparado e capacitado, ou seja, o papel do professor é importante para cada aluno na sua melhoria contínua.
A ação do professor para com seu aluno, é determinante para que este se torne aplicado nos estudos, vida social, nas suas competições ou até mesmo nos treinos.
2.2 Desenvolvimento das Crianças e Adolescentes
De acordo com Neofit (2010), o Judô pode ser utilizado como fonte de formação de uma forma atraente na educação da criança e do adolescente e pode ajudar a melhorar a psicomotricidade seu crescimento e estimular sua.
O Judô em nosso país está se desenvolvendo muito, pois existe uma abertura recreativa e educacional muito grande para as crianças e adolescentes, que veem no seu conteúdo de treino uma forma divertida e muito atraente de aprender e de liberar suas energias ( medos, dúvidas, ansiedades), através de uma abordagem bem simples de trabalho que para as crianças permitem aprender o básico da vida, sendo estimulados a todo momento, desenvolver suas capacidades por meio da concentração.
Também podemos trabalhar as principais características do jovem com cada exercício aplicado de forma com que aprendam corretamente, aperfeiçoem suas qualidades, amenizem seus defeitos, focando no seu desempenho funcional, na sua maneira correta de executar as atividades como se fosse um passo no dia a dia. “[…] o Judô para crianças de idade pré escolar, pode levar à implementação do conceito de formação no início do Judô, e assim, maximizar os efeitos do processo de aprendizagem durante a educação.”(NEOFIT, 2010).
O papel da Educação é a preparação intelectual, moral, dos alunos para assumir sua posição na sociedade, com um compromisso da Educação com a Cultura e os alunos menos capazes deverão esforçar-se para superar suas dificuldades. (MONTEIRO,1998)
Na Educação Física, existe a preocupação com o ato motor, afastando-se do entendimento mais amplo do seu projeto educacional. Aqui eles mostram que o professor pode ajudar seus alunos sem os menosprezar, e sim fazendo com que cada um deles pensarem em si como homens de bem e que podem tudo o que quiser basta que se esforcem pelos seus desejos passando por todas as dificuldades e imprevisto imposto em seus caminhos.
No caso da Educação Física, o objetivo do trabalho pedagógico é desenvolver as habilidades motoras de acordo com o conhecimento que o aluno já possui.
(MONTEIRO,1998).
A Educação Física tem como objetivo trabalhar o corpo junto com a mente pois, todos precisam de suas habilidades motoras em perfeito estado de atenção, para que o que seja pedido pela mente o corpo reaja.
Segundo Monteiro (1998), a Educação Física escolar dá-se valor aos processos mentais e habilidades cognitivas do que a conteúdos organizados racionalmente.
Se usarmos as habilidades em cada matéria, conseguimos usar cada parte do psicológico da criança e até mesmo do corpo da criança.
O método de ensino baseia na ideia de “aprender fazendo”, valorizando as tentativas experimentais, a pesquisa, a descoberta e o trabalho de grupo.(MONTEIRO, 1998).
A cada descoberta que a criança faz com qualquer atividade é um tipo de aprendizagem motora e cognitiva de qualquer tipo de qualidade de vida para tal. Por isso os adultos tem que ver o que faz na frente das crianças pois são a referência delas.
O papel do professor é auxiliar o desenvolvimento livre e espontâneo da criança.
Aprender a se torna uma atividade de descoberta pessoal. (MONTEIRO,1998).
Com a ajuda do profissional de cada área específica, as descobertas são totalmente descontraídas, e cada criança se desenvolve em um determinado tempo específico, para que sua aprendizagem seja completamente inalterada em seu tempo. “A avaliação é dada pelo profissional, através dos êxitos e esforços do aluno”.
(MONTEIRO,1998).
A cada avaliação dada pelo profissional é uma descoberta do quanto a aprendizagem do seu aluno foi ou está boa em relação ao de aula. A partir do momento em que sua avaliação está melhorando, é sinal de que seu aprendizado cognitivo está plenamente de acordo com seu repertório motor e cognitivo.
3. Objetivo
O objetivo desse trabalho foi mostrar que o Judô pode ser inserido no ambiente escolar, pois pode ser trabalhado na matéria da Educação Física. Como conteúdo curricular.