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A Implementação da

Responsabilidade Social

nas Pequenas e Médias Empresas

no Norte de Portugal

Motivações, Vantagens e Obstáculos

Liliana Patrícia Ferreira de Freitas Martinha Susana Alves Pereira Estela Maria dos Santos Ramos Vilhena

Dissertação apresentada ao Instituto Politécnico do Cávado e do Ave para obtenção do Grau de Mestre em Sistemas Integrados de Gestão – Qualidade,

Ambiente, Segurança

Abril 2014

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A Implementação da

Responsabilidade Social

nas Pequenas e Médias Empresas

no Norte de Portugal

Motivações, Vantagens e Obstáculos

Liliana Patrícia Ferreira de Freitas Martinha Susana Alves Pereira Estela Maria dos Santos Ramos Vilhena

Dissertação apresentada ao Instituto Politécnico do Cávado e do Ave para obtenção do Grau de Mestre em Sistemas Integrados de Gestão – Qualidade,

Ambiente, Segurança

Abril 2014

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DECLARAÇÃO

Nome: Liliana Patrícia Ferreira de Freitas Endereço eletrónico: [email protected] Telemóvel: +351 917 430 862

Cartão de cidadão: 12101447 Título da dissertação: □

A Implementação da Responsabilidade Social nas Pequenas e Médias Empresas no Norte de Portugal – Motivações, Vantagens e Obstáculos

Orientadoras:

Doutora Martinha Pereira Doutora Estela Vilhena

Ano de conclusão: 2014

Designação do Curso de Mestrado: Mestrado em Sistemas Integrados de Gestão – Qualidade, Ambiente, Segurança

1. É autorizada a reprodução integral desta Dissertação apenas para efeitos de investigação, mediante declaração escrita do interessado, que a tal se compromete;

2. É autorizada a reprodução parcial desta Dissertação (indicar, caso tal seja necessário, nº máximo de páginas, Ilustrações, gráficos, etc.), apenas para efeitos de investigação, mediante declaração escrita do interessado, que a tal se compromete;

3. De acordo com a legislação em vigor, não é permitida a reprodução de qualquer parte desta dissertação.

Instituto Politécnico do Cávado e do Ave, ___/___/______

Assinatura: ________________________________________________

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“A maior quantidade de tempo que se desperdiça é a que se gasta a não começar”.

(Dawson Trotman, 1956)

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A todos os que, de alguma forma, contribuíram para a elaboração desta dissertação.

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AGRADECIMENTOS

A elaboração desta dissertação, dentro dos prazos preestabelecidos, teria sido impossível sem o entusiasmo, estímulo e apoio de várias pessoas. Deste modo, quero expressar o meu reconhecimento e gratidão, sabendo, no entanto, que será sempre insuficiente.

Às organizações que participaram no meu estudo porque, sem elas, este trabalho, não se teria tornado efetivo.

Às minhas orientadoras, Doutora Martinha Pereira e Doutora Estela Vilhena, pelas sugestões, orientações transmitidas e pela disponibilidade demonstrada, ao longo deste ano.

Aos meus pais, Manuel e Glória, por me educarem com garra suficiente para vencer obstáculos.

Aos amigos pelo empenho e dedicação indispensáveis à realização desta dissertação.

A todos os colegas de curso, mas em especial à Gabriela Viana pela bondade, sabedoria, paciência e inesgotável força. Sem ti o caminho não teria sido percorrido até ao fim.

Não posso deixar de agradecer também aos amigos Pedro Viana e Goretti Fernandes.

Obrigada por todos os maus e bons momentos que passamos juntos, pelas angústias e alegrias que partilhamos, pelos fins-de-semana vividos.

Estou-vos grata pela vossa amizade!

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RESUMO

Portugal tem vindo a incorporar a responsabilidade social de uma forma crescente.

Para além da integração nas políticas públicas, também o setor privado e a sociedade civil têm desempenhado um importante papel na evolução do conceito de responsabilidade social. Este conceito é cada vez mais vivido e partilhado pelos portugueses.

A norma SA 8000 é a primeira norma auditável a nível mundial, que permite às organizações a sua certificação em Sistemas de Gestão de Responsabilidade Social. Apesar da responsabilidade social das empresas (RSE) apenas possa ser assumida pelas próprias, as partes interessadas, como os trabalhadores e os consumidores, podem ter um papel fulcral ao incentivarem as empresas a implementarem práticas socialmente responsáveis, ao nível das condições de trabalho, do meio ambiente ou dos direitos humanos. Desta forma, uma das funções da RSE é contribuir para a minimização das consequências sociais da atual crise da economia, de forma a colaborar na construção de uma sociedade mais forte, que possa evoluir para um sistema económico sustentável.

Neste sentido, elaborou-se o presente estudo, tendo como principal objetivo estudar e perceber o comportamento das Pequenas e Médias Empresas (PME) já certificadas em sistemas de gestão de qualidade e/ou ambiente e/ou segurança e das PME não certificadas, no Norte de Portugal, face à responsabilidade social, nomeadamente ao nível das motivações, vantagens e obstáculos.

Para tal, optou-se por realizar uma investigação quantitativa, do tipo exploratório- descritiva. O instrumento de recolha de dados selecionado foi o inquérito por questionário, sendo um dirigido às PME não certificadas e outro às PME já certificadas em sistemas de gestão de qualidade e/ou ambiente e/ou segurança. A amostra analisada é composta por 60 PME, todas localizadas na região Norte de Portugal. Os questionários foram enviados por e-mail, entre os meses de Janeiro e a primeira semana de Março de 2014 e, os seus resultados foram posteriormente analisados com recurso ao programa Statistical Package for the Social Sciences (SPSS).

No decurso desta pesquisa, e em forma de conclusão, verificou-se algum desconhecimento por parte das organizações que participaram neste estudo, relativamente à responsabilidade social. Os resultados obtidos foram muito similares entre as PME já certificadas em sistemas de gestão da qualidade e/ou ambiente e/ou segurança e as PME não certificadas, no Norte de Portugal, nomeadamente ao nível dos principais indicadores, motivações, vantagens e obstáculos na implementação da responsabilidade social.

Relativamente às motivações gerais que podem influenciar na implementação de um sistema de responsabilidade social, todas as variáveis geraram concordância dos participantes. As duas variáveis que reuniram total concordância nas PME não certificadas foram o “Respeito do proprietário/ dirigente da organização pelos valores ou compromissos éticos, com vista à melhoria das condições de trabalho” e as “Pressões externas dos clientes para a implementação da responsabilidade social”. Nas PME já certificadas em sistemas de gestão da qualidade e/ou ambiente e/ou segurança, todos os inquiridos concordaram com as variáveis apresentadas, sendo a variável

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“Benefícios internos, relativamente ao aumento de nível de satisfação e motivação dos colaboradores”, a que obteve maior percentagem de respostas.

Já quando questionados sobre se pensa implementar a curto prazo um sistema de gestão da responsabilidade social, a generalidade (93,33%) das PME já certificadas em sistemas de gestão da qualidade e/ou ambiente e/ou segurança, responderam não. Também a maioria (76,67%) das PME não certificadas em sistemas de gestão, não ponderam implementar/ certificar um sistema de gestão da responsabilidade social.

Palavras-Chave: Certificação; Pequenas e Médias Empresas; Responsabilidade Social; SA 8000.

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ABSTRACT

Portugal has been incorporating social responsibility in a growing way. In addition to integration in public policy, also the private sector and civil society have played an important role in the evolution of the concept of social responsibility. This concept has been shared and lived more and more each day by the Portuguese people.

The SA8000 is the first auditable global norm that allows organizations to be certified in Management Systems of Social Responsibility. Although companies social responsibility (CSR) can only be taken by themselves, stakeholders, such as workers and consumers, may have a key role to encourage companies to implement socially responsible practices, in terms of working conditions, the environment or human rights. Thus, one purpose of CSR is to contribute to the minimization of the social consequences of the current crisis in the economy, in order to collaborate in building a stronger society, which can evolve into a sustainable economic system.

In this sense, the present study was prepared with the main objective to study and understand the behavior of Small and Medium Enterprises (SMEs) already certified in quality management and/or environmental and/or safety and SME systems not certified in the north of Portugal, in view of social responsibility, particularly with regard to motivations, advantages and obstacles.

To this end, we chose to conduct a quantitative ,exploratory and descriptive research.

The selected tool for collecting data was the questionnaire survey, directed to non-certified SMEs and other SMEs already certified in quality management and/or environmental and/or security systems.

The sample consists of 60 SMEs, all located in northern Portugal. The questionnaires were sent by e- mail between the months of January and first week of March of 2014 and the results were further analyzed using the software Statistical Package for Social Sciences (SPSS).

In the course of this research, and as a conclusion, there was found some ignorance on the part of the organizations that participated in this study concerning social responsibility. The results were very similar between SMEs already certified for quality management systems and/or environmental and/or safety and SMEs that are not certified, in northern Portugal, particularly in key indicators: motivations, benefits and obstacles in implementing social responsibility.

Regarding the general motivations that may influence the implementation of a social accountability system, all variables generated concordance of participants. The two variables that met full compliance in SMEs were not certified "Respect the owner/manager of the organization with the values or ethical commitments, to improve working conditions" and "External pressures from clients to the implementation of social responsibility". SMEs already certified for quality management systems and/or environmental and/or safety, all respondents agreed with the variables presented, with the variable "internal benefits relating to increased satisfaction and motivation” that obtained the highest percentage of responses.

But when asked if they think the short term to implement a system for managing social responsibility, the majority (93.33%) of SMEs already certified for quality management systems and/or

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environmental and/or safety, said no. Also the majority (76.67%) of SMEs not certified management systems, not ponder implement/certify a management system for social responsibility.

Key Words: Accreditation; Small and Medium Enterprises; Social Responsibility; SA 8000.

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ÍNDICE

AGRADECIMENTOS ... V RESUMO ... VII ABSTRACT ... IX ÍNDICE ... XI ÍNDICE DE FIGURAS ... XIII ÍNDICE DE TABELAS ...XIV ÍNDICE DE GRÁFICOS ...XV SIGLAS E ABREVIATURAS ...XXII

PARTE I ... 1

INTRODUÇÃO, REVISÃO BIBLIOGRÁFICA E OBJETIVO DA INVESTIGAÇÃO ... 1

CAPITULO I ... 3

INTRODUÇÃO ... 3

1.1 ENQUADRAMENTO GERAL DA TEMÁTICA DE INVESTIGAÇÃO ... 5

1.2 TEMA E MOTIVAÇÃO PARA A SELEÇÃO DA PROBLEMÁTICA DE INVESTIGAÇÃO ... 11

1.3 ORGANIZAÇÃO E ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO ... 13

CAPITULO II ... 15

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ... 15

2.1 ENQUADRAMENTO TEÓRICO ... 17

2.2 DEFINIÇÃO DE PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS (PME) ... 32

2.3 AS EMPRESAS E A RESPONSABILIDADE SOCIAL ... 36

2.4 A CERTIFICAÇÃO ... 45

2.5 A EVOLUÇÃO DA SA 8000 EM PORTUGAL ... 48

2.6 FATORES DE MOTIVAÇÃO PARA A EVOLUÇÃO DA RESPONSABILIDADE SOCIAL PELAS EMPRESAS ... 53

2.7 VANTAGENS E OBSTÁCULOS ... 57

CAPITULO III ... 61

OBJETIVOS E QUESTÕES DE INVESTIGAÇÃO ... 61

3.1 OBJETIVOS ... 63

3.2 QUESTÕES DE INVESTIGAÇÃO ... 63

PARTE II ... 67

(16)

METODOLOGIA, TRATAMENTO DE DADOS, CONCLUSÃO E LIMITAÇÕES DA INVESTIGAÇÃO 67

CAPITULO IV ... 69

METODOLOGIA DE INVESTIGAÇÃO ... 69

4.1 METODOLOGIA ... 71

4.2 TIPO DE ESTUDO ... 74

4.3 DELIMITAÇÃO DO UNIVERSO ... 75

4.4 ACESSO AOS DADOS ... 76

4.5 CONSTRUÇÃO E DESCRIÇÃO DO INSTRUMENTO PARA RECOLHA DE DADOS ... 77

4.6 APLICAÇÃO DO QUESTINONÁRO PARA RECOLHA DE DADOS... 92

4.7 POPULAÇÃO INQUIRIDA ... 94

4.8 CODIFICAÇÃO E TRATAMENTO DOS DADOS ... 94

CAPITULO V ... 97

APRESENTAÇÃO E TRATAMENTO DE DADOS ... 97

5.1 RESULTADOS ESPERADOS ... 99

5.2 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DE DADOS ... 100

5.3 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ... 151

CAPITULO VI ... 157

CONCLUSÃO E LIMITAÇÕES DA INVESTIGAÇÃO ... 157

6.1 CONCLUSÃO ... 159

6.2 LIMITAÇÕES E RECOMENDAÇÕES PARA TRABALHOS FUTUROS ... 164

CAPITULO VII ... 165

BIBLIOGRAFIA ... 165

ANEXOS ... 173

(17)

ÍNDICE DE FIGURAS

Figura 1 - A empresa cidadã (adaptado de Srour, 2003, p.317)... 27 Figura 2 - Definição de PME (Fonte: http://ec.europa.eu/enterprise/policies/sme/facts-figures-

analysis/sme-definition/index_pt.htm)... 34 Figura 3 - Empresas Autónomas (Fonte: http://ec.europa.eu/enterprise/policies/sme/facts-figures-

analysis/sme-definition/index_pt.htm)... 35 Figura 4 - Empresas Parceiras (Fonte: http://ec.europa.eu/enterprise/policies/sme/facts-figures-

analysis/sme-definition/index_pt.htm)... 35 Figura 5 – Empresas Associadas (Fonte: http://ec.europa.eu/enterprise/policies/sme/facts-figures-

analysis/sme-definition/index_pt.htm)... 36 Figura 6 – Pirâmide da RSE (adaptado do modelo de Archie Carroll, 1991). ... 41 Figura 7 - O trinómio económico-social-ambiental da RSE (adaptado de Rego et al., 2006). ... 42 Figura 8 - A pirâmide da responsabilidade social da empresa (ligeiramente adaptada de Carroll, 1991

e Schwartz & Carroll, 2003). ... 43 Figura 9 - Complementaridade de normas e certificações na gestão integrada (Gruninger & Oliveira,

2002). ... 46 Figura 10 - Estudo das percentagens para a variável Referencial (ais) de sistemas de gestão, no qual (ais) se encontra certificada. ... 117 Figura 11 - Estudo das percentagens para a variável Se sim, qual/quais os sistemas de gestão que a

organização implementaria primeiro... 142

(18)

ÍNDICE DE TABELAS

Tabela 1 - Caraterização das PME (Adaptado da fonte: http://ec.europa.eu/cgi-bin/etal.pl). ... 34

Tabela 2 – Normas Não Certificáveis. ... 48

Tabela 3 - Normas Certificáveis. ... 48

Tabela 4 - Variáveis relativas ao Grupo I (caracterização da empresa). ... 79

Tabela 5 - Variáveis relativas ao Grupo I (indicadores de responsabilidade social). ... 80

Tabela 6 - Variáveis relativas ao Grupo II (motivações gerais que podem influenciar na implementação de um sistema de responsabilidade social). ... 81

Tabela 7 - Variáveis relativas ao Grupo III (vantagens que podem surgir após a implementação de um sistema de responsabilidade social). ... 82

Tabela 8 - Variáveis relativas ao Grupo IV (principais obstáculos que podem influenciar na implementação de um sistema de responsabilidade social). ... 83

Tabela 9 - Variáveis relativas ao Grupo V (sistemas de gestão). ... 84

Tabela 10 - Variáveis relativas ao Grupo I (caracterização da empresa). ... 86

Tabela 11 - Variáveis relativas ao Grupo I (indicadores de responsabilidade social). ... 87

Tabela 12 - Variáveis relativas ao Grupo II (motivações gerais que podem influenciar na implementação de um sistema de responsabilidade social). ... 88

Tabela 13 - Variáveis relativas ao Grupo III (vantagens que podem surgir após a implementação de um sistema de responsabilidade social). ... 89

Tabela 14 - Variáveis relativas ao Grupo IV (principais obstáculos que podem influenciar na implementação de um sistema de responsabilidade social). ... 90

Tabela 15 - Variáveis relativas ao Grupo V (sistemas de gestão). ... 91

(19)

ÍNDICE DE GRÁFICOS

Gráfico 1 - Estudo das frequências para a variável Sub-região onde se localiza a empresa. ... 101 Gráfico 2 - Estudo das frequências para a variável Principal setor de atividade da organização. ... 102 Gráfico 3 - Estudo das percentagens para a variável Volume de negócios ou balanço total da

organização, em euros. ... 103 Gráfico 4 - Estudo das percentagens para a variável A organização promove a sua participação, com

o intuito de melhorar as condições de trabalho – Quadro 1. ... 103 Gráfico 5 - Estudo das percentagens para a variável A organização assegura a existência de

procedimentos que permitem e garantem o respeito pelos direitos de personalidade, de

maternidade e de paternidade, assim como, a existência de normas e processos de denúncia e combate a qualquer forma de discriminação – Quadro 1. ... 104 Gráfico 6 - Estudo das percentagens para a variável A organização assegura o equilíbrio entre a

formação profissional e a vida pessoal dos colaboradores – Quadro 1. ... 104 Gráfico 7 - Estudo das percentagens percentagens para a variável A organização assegura que não

são atingidos os limites legalmente estabelecidos em termos de número de horas de prestação de trabalho suplementar – Quadro 2. ... 105 Gráfico 8 - Estudo das percentagens percentagens para a variável A organização assegura a

existência de procedimentos internos que avaliem periodicamente a política remuneratória e de benefícios e o desenvolvimento da carreira profissional dos colaboradores – Quadro 2. ... 105 Gráfico 9 - Estudo das percentagens percentagens para a variável A organização assegura a

prestação de serviços de segurança, higiene e saúde no trabalho aos seus colaboradores e assegurar formação em SHT, para além do legalmente definido – Quadro 2. ... 106 Gráfico 10 - Estudo das percentagens para a variável A organização assegura o respeito pelas

normas legais e convencionais, em matéria de contratos de trabalho – Quadro 3. ... 107 Gráfico 11 - Estudo das percentagens para a variável A organização tem em consideração as

preferências pessoais dos seus colaboradores na sua tomada de decisão, nomeadamente em questões de mobilidade – Quadro 3. ... 107 Gráfico 12 - Estudo das percentagens para a variável A organização encontra com os seus

colaboradores, formas de redução de despesa que não passem pela cessação de contratos de trabalho – Quadro 3. ... 108 Gráfico 13 - Estudo das percentagens para a variável Respeito do proprietário/ dirigente da

organização pelos valores ou compromissos éticos, com vista à melhoria das condições de trabalho. ... 109 Gráfico 14 - Estudo das percentagens para a variável Benefícios internos, relativamente ao aumento

de nível de satisfação e motivação dos colaboradores. ... 109 Gráfico 15 - Estudo das percentagens para a variável Melhoria da relação da organização com

clientes e outros parceiros de negócio. ... 109 Gráfico 16 - Estudo das percentagens para a variável Aumento da fidelização dos consumidores. . 110

(20)

Gráfico 17 - Estudo das percentagens para a variável Melhoria das relações públicas com a

comunidade local e com as diversas autoridades públicas. ... 110 Gráfico 18 - Estudo das percentagens para a variável Pressões externas dos clientes para a

implementação da responsabilidade social. ... 110 Gráfico 19 - Estudo das percentagens para a variável Melhoria das relações entre a organização e os

seus clientes. ... 111 Gráfico 20 - Estudo das percentagens para a variável Melhoria da imagem da organização e

credibilização da sua “marca” ... 111 Gráfico 21 - Estudo das percentagens para a variável Melhoria do conhecimento e do cumprimento

da legislação. ... 112 Gráfico 22 - Estudo das percentagens para a variável Melhoria da qualidade da gestão. ... 112 Gráfico 23 - Estudo das percentagens para a variável Diminuir a taxa de absentismo e dos conflitos

laborais. ... 112 Gráfico 24 - Estudo das percentagens para a variável Possibilidade da organização se diferenciar da

concorrência. ... 112 Gráfico 25 - Estudo das percentagens para a variável Incentivar ao aumento da produtividade e à

melhoria dos resultados. ... 113 Gráfico 26 - Estudo das percentagens para a variável Aumentar o nível de satisfação e envolvimento

dos colaboradores. ... 113 Gráfico 27 - Estudo das percentagens para a variável Aumento da capacidade de aprendizagem e de

inovação. ... 113 Gráfico 28 - Estudo das percentagens para a variável Reunião de mais informação relativamente à

comunidade e ao ambiente. ... 113 Gráfico 29 - Estudo das percentagens para a variável Estímular o aumento das qualificações e

competências. ... 114 Gráfico 30 - Estudo das percentagens para a variável Redução de custos operacionais (energia;

economia de materiais; redução da poluição; etc.). ... 114 Gráfico 31 – Estudo das percentagens para a variável Estímulo para o crescimento de vantagens

competitivas (consumidores/ clientes). ... 114 Gráfico 32 - Estudo das percentagens para a variável Melhoria da “performance económica”. ... 114 Gráfico 33 - Estudo das percentagens para a variável Dificuldade em avaliar o impacto das práticas

de responsabilidade social. ... 115 Gráfico 34 - Estudo das percentagens para a variável Reduzida sensibilização/ informação relativa à

responsabilidade social das empresas (RSE). ... 115 Gráfico 35 - Estudo das percentagens para a variável Falta de tempo e de recursos financeiros

(custos do processo de certificação). ... 116 Gráfico 36 - Estudo das percentagens para a variável Cumprimento da regulamentação/ legislação

aplicável. ... 116

(21)

Gráfico 34 - Estudo das percentagens para a variável Inexistência de relação entre as atividades RSE

aplicadas e a estratégia da organização. ... 116

Gráfico 38 - Estudo das percentagens para a variável Incapacidade negocial para influenciar as práticas de responsabilidade social (os consumidores/ fornecedores ainda não levam em conta os critérios de responsabilidade social, no momento da aquisição dos seus produtos/ serviços). ... 116

Gráfico 39 - Estudo das percentagens para a variável Pensa implementar a curto prazo um sistema de gestão da responsabilidade social... 118

Gráfico 40 - Estudo das percentagens para a variável Se sim, o sistema de responsabilidade social a implementar/ certificar é a SA 8000... 118

Gráfico 41 - Estudo das percentagens para a variável Remuneração ... 119

Gráfico 42 - Estudo das percentagens para a variável Estratégia de desenvolvimento sustentável. 119 Gráfico 43 - Estudo das percentagens para a variável Horário de trabalho ... 119

Gráfico 44 - Estudo das percentagens para a variável Diálogo com as partes interessadas da organização. ... 120

Gráfico 45 - Estudo das percentagens para a variável Motivação dos colaboradores. ... 120

Gráfico 46 - Estudo das percentagens para a variável Gestão dos perigos/ riscos através da definição de objetivos, metas e responsabilidades. ... 120

Gráfico 47 - Estudo das percentagens para a variável Aspetos da sociedade onde se insere ... 120

Gráfico 48 - Estudo das percentagens para a variável Confiança dos clientes, acionistas, comunidade e restantes partes interessadas. ... 121

Gráfico 49 - Estudo das percentagens para a variável Liberdade de associação e Direito à negociação coletiva. ... 121

Gráfico 50 - Estudo das percentagens para a variável Encorajamento efetivo da comunicação interna e externa ... 121

Gráfico 51 - Estudo das percentagens para a variável Trabalho forçado ... 121

Gráfico 52 - Estudo das percentagens para a variável Trabalho infantil. ... 122

Gráfico 53 - Estudo das percentagens para a variável Práticas disciplinares. ... 122

Gráfico 54 - Estudo das percentagens para a variável Discriminação. ... 122

Gráfico 55 - Estudo das percentagens para a variável O incentivo à inovação na organização ... 123

Gráfico 56 - Estudo das percentagens para a variável A melhoria das relações entre colaboradores, gerentes, clientes, consumidores, fornecedores e restantes partes interessadas ... 123

Gráfico 57 - Estudo das percentagens para a variável A melhoria do desenvolvimento social da organização ... 123

Gráfico 58 - Estudo das percentagens para a variável A melhoria do desenvolvimento sustentável da organização ... 124

Gráfico 59 - Estudo das percentagens para a variável A melhoria das condições de trabalho da organização em geral ... 124

(22)

Gráfico 60 - Estudo das percentagens para a variável O aumento do progresso económico da

organização ... 124 Gráfico 61 - Estudo das percentagens para a variável A redução de custos da organização ... 124 Gráfico 62 - Estudo das percentagens para a variável O aumento do progresso ambiental da

organização ... 125 Gráfico 63 - Estudo das percentagens para a variável O aumento da competitividade da organização

... 125 Gráfico 64 - Estudo das frequências para a variável Sub-região onde se localiza a empresa ... 126 Gráfico 65 - Estudo das frequências para a variável Principal setor de atividade da organização .... 127 Gráfico 66 - Estudo das percentagens para a variável Volume de negócios ou balanço total da

organização, em euros ... 128 Gráfico 67 - Estudo das percentagens para a variável A organização promove a sua participação,

com o intuito de melhorar as condições de trabalho – Quadro 1 ... 128 Gráfico 68 - Estudo das percentagens para a variável A organização assegura a existência de

procedimentos que permitem e garantem o respeito pelos direitos de personalidade, de

maternidade e de paternidade, assim como, a existência de normas e processos de denúncia e combate a qualquer forma de discriminação – Quadro 1... 129 Gráfico 69 - Estudo das percentagens para a variável A organização assegura o equilíbrio entre a

formação profissional e a vida pessoal dos colaboradores – Quadro 1 ... 129 Gráfico 70 - Estudo das percentagens percentagens para a variável A organização assegura que não

são atingidos os limites legalmente estabelecidos em termos de número de horas de prestação de trabalho suplementar – Quadro 2 ... 130 Gráfico 71 - Estudo das percentagens percentagens para a variável A organização assegura a

existência de procedimentos internos que avaliem periodicamente a política remuneratória e de benefícios e o desenvolvimento da carreira profissional dos colaboradores – Quadro 2 ... 130 Gráfico 72 - Estudo das percentagens percentagens para a variável A organização assegura a

prestação de serviços de segurança, higiene e saúde no trabalho aos seus colaboradores e assegurar formação em SHT, para além do legalmente definido – Quadro 2 ... 131 Gráfico 73 - Estudo das percentagens para a variável A organização assegura o respeito pelas

normas legais e convencionais, em matéria de contratos de trabalho – Quadro 3 ... 131 Gráfico 74 - Estudo das percentagens para a variável A organização tem em consideração as

preferências pessoais dos seus colaboradores na sua tomada de decisão, nomeadamente em questões de mobilidade – Quadro 3 ... 132 Gráfico 75 - Estudo das percentagens para a variável A organização encontra com os seus

colaboradores, formas de redução de despesa que não passem pela cessação de contratos de trabalho – Quadro 3 ... 132 Gráfico 76 - Estudo das percentagens para a variável Respeito do proprietário/ dirigente da

organização pelos valores ou compromissos éticos, com vista à melhoria das condições de trabalho ... 133

(23)

Gráfico 77 - Estudo das percentagens para a variável Benefícios internos, relativamente ao aumento de nível de satisfação e motivação dos colaboradores ... 133 Gráfico 78 - Estudo das percentagens para a variável Pressões externas dos clientes para a

implementação da responsabilidade social ... 134 Gráfico 79 - Estudo das percentagens para a variável Aumento da fidelização dos consumidores .. 134 Gráfico 80 - Estudo das percentagens para a variável Melhoria das relações públicas com a

comunidade local e com as diversas autoridades públicas ... 134 Gráfico 81 - Estudo das percentagens para a variável Melhoria da relação da organização com

clientes e outros parceiros de negócio ... 134 Gráfico 82 - Estudo das percentagens para a variável Redução de custos operacionais (energia;

economia de materiais; redução da poluição; etc.) ... 135 Gráfico 83 - Estudo das percentagens para a variável Melhoria do conhecimento e do cumprimento

da legislação ... 135 Gráfico 84 - Estudo das percentagens para a variável Aumento da capacidade de aprendizagem e de

inovação ... 136 Gráfico 85 - Estudo das percentagens para a variável Melhoria da imagem da organização e

credibilização da sua “marca” ... 136 Gráfico 86 - Estudo das percentagens para a variável Aumentar o nível de satisfação e envolvimento

dos colaboradores ... 136 Gráfico 87 - Estudo das percentagens para a variável Melhoria da qualidade da gestão ... 136 Gráfico 88 - Estudo das percentagens para a variável Possibilidade da organização se diferenciar da

concorrência ... 137 Gráfico 89 - Estudo das percentagens para a variável Melhoria das relações entre a organização e os

seus clientes ... 137 Gráfico 90 - Estudo das percentagens para a variável Estimular o aumento das qualificações e

competências ... 137 Gráfico 91 - Estudo das percentagens para a variável Reunião de mais informação relativamente à

comunidade e ao ambiente ... 137 Gráfico 92 - Estudo das percentagens para a variável Estímulo para o crescimento de vantagens

competitivas (consumidores/ clientes) ... 138 Gráfico 93 - Estudo das percentagens para a variável Melhoria da “performance económica” ... 138 Gráfico 94 - Estudo das percentagens para a variável Incentivar ao aumento da produtividade e à

melhoria dos resultados ... 138 Gráfico 95 - Estudo das percentagens para a variável Diminuir a taxa de absentismo e dos conflitos

laborais ... 138 Gráfico 96 - Estudo das percentagens para a variável Reduzida sensibilização/ informação relativa à

responsabilidade social das empresas (RSE) ... 140 Gráfico 97 - Estudo das percentagens para a variável Inexistência de relação entre as atividades RSE aplicadas e a estratégia da organização ... 140

(24)

Gráfico 98 - Estudo das percentagens para a variável Dificuldade em avaliar o impacto das práticas de responsabilidade social ... 140 Gráfico 99 - Estudo das percentagens para a variável Falta de tempo e de recursos financeiros

(custos do processo de certificação) ... 139 Gráfico 100 - Estudo das percentagens para a variável Incapacidade negocial para influenciar as

práticas de responsabilidade social (os consumidores/ fornecedores ainda não levam em conta os critérios de responsabilidade social, no momento da aquisição dos seus produtos/ serviços) ... 139 Gráfico 101 - Estudo das percentagens para a variável Cumprimento da regulamentação/ legislação

aplicável ... 140 Gráfico 102 - Estudo das percentagens para a variável Pensa a curto prazo implementar/ certificar

algum sistema de gestão ... 141 Gráfico 103 - Estudo das percentagens para a variável Pensa implementar um sistema de gestão da

responsabilidade social ... 143 Gráfico 104 - Estudo das percentagens para a variável Se sim, o sistema de responsabilidade social a implementar/certificar é a SA 8000 ... 143 Gráfico 105 - Estudo das percentagens para a variável Trabalho infantil ... 146 Gráfico 106 - Estudo das percentagens para a variável Motivação dos colaboradores ... 145 Gráfico 107 - Estudo das percentagens para a variável Trabalho forçado ... 147 Gráfico 108 - Estudo das percentagens para a variável Gestão dos perigos/ riscos através da

definição de objetivos, metas e responsabilidades ... 147 Gráfico 109 - Estudo das percentagens para a variável Liberdade de associação e Direito à

negociação coletiva ... 146 Gráfico 110 - Estudo das percentagens para a variável Confiança dos clientes, acionistas,

comunidade e restantes partes interessadas ... 145 Gráfico 111 - Estudo das percentagens para a variável Discriminação ... 145 Gráfico 112 - Estudo das percentagens para a variável Estratégia de desenvolvimento sustentável 145 Gráfico 113 - Estudo das percentagens para a variável Práticas disciplinares ... 146 Gráfico 114 - Estudo das percentagens para a variável Diálogo com as partes interessadas da

organização ... 144 Gráfico 115 - Estudo das percentagens para a variável Horário de trabalho ... 147 Gráfico 116 - Estudo das percentagens para a variável Encorajamento efetivo da comunicação

interna e externa ... 146 Gráfico 117 - Estudo das percentagens para a variável Remuneração ... 147 Gráfico 118 - Estudo das percentagens para a variável Aspetos da sociedade onde se insere ... 144 Gráfico 119 - Estudo das percentagens para a variável O aumento do progresso económico da

organização ... 149 Gráfico 120 - Estudo das percentagens para a variável A melhoria do desenvolvimento social da

organização ... 150

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Gráfico 121 - Estudo das percentagens para a variável O aumento do progresso ambiental da

organização ... 150 Gráfico 122 - Estudo das percentagens para a variável A melhoria do desenvolvimento sustentável da

organização ... 148 Gráfico 123 - Estudo das percentagens para a variável O aumento da competitividade da organização

... 148 Gráfico 124 - Estudo das percentagens para a variável A redução de custos da organização ... 149 Gráfico 125 - Estudo das percentagens para a variável O incentivo à inovação na organização ... 149 Gráfico 126 - Estudo das percentagens para a variável A melhoria das relações entre colaboradores,

gerentes, clientes, consumidores, fornecedores e restantes partes interessadas ... 149 Gráfico 127 - Estudo das percentagens para a variável A melhoria das condições de trabalho da

organização em geral ... 150

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SIGLAS E ABREVIATURAS

AA 1000 – AccountAbility 1000

AEP – Associação Empresarial de Portugal CE – Comissão Europeia

CEPAA – Council on Economic Priorities Accreditation

EMAS – Eco-Management and Audit Scheme (Sistema Comunitário de Ecogestão e Auditoria) GRI – Global Reporting Initiative

IAPMEI - Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação IBM – International Business Machines

IDE – Integrated Development Environment (Ambiente Integrado de Desenvolvimento) I&D – Investigação e Desenvolvimento

IEFP – Instituto de Emprego e Formação Profissional INE – Instituto Nacional de Estatística

IPAC – Instituto Português de Acreditação OIT – Organização Internacional do Trabalho ONG – Organizações Não Governamentais PIB – Produto Interno Bruto

PME – Pequenas e Médias Empresas RS – Responsabilidade Social

RSE – Responsabilidade Social das Empresas RSO - Responsabilidade Social das Organizações SA 8000 – Social Accountability 8000

SAI – Social Accountability International

SGRS – Sistema de Gestão de Responsabilidade Social SPSS – Statistical Package for the Social Sciences UE – União Europeia

WBCSD – World Business Council for Sustainable Development

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PARTE I

INTRODUÇÃO, REVISÃO BIBLIOGRÁFICA E

OBJETIVO DA INVESTIGAÇÃO

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(29)

CAPITULO I

INTRODUÇÃO

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INTRODUÇÃO

“Somos cada vez mais moradores da mesma casa. O bem-estar de todos é fundamental para a paz e a vida em nosso planeta. Ao usar seu poder para criar um mundo ambientalmente sustentável e socialmente justo, as empresas – isoladamente ou agrupadas em organizações – estarão exercendo na plenitude sua responsabilidade social e ajudando a construir um mundo melhor – e mais seguro – para todos.”

Grajew, 2001.

1.1 ENQUADRAMENTO GERAL DA TEMÁTICA DE INVESTIGAÇÃO

Francès (1982) afirma que os problemas de trabalho encontram-se irremediavelmente e de forma permanente na ordem do dia.

As questões relacionadas com a responsabilidade social, no que concerne ao seu âmbito mais restrito (devolução à sociedade de parte dos lucros acumulados), não são recentes (Blowfield & Murrey, 2008). Já na era pós-revolução industrial, diversos gestores tentaram colmatar a ausência de condições socioeconómicas dos seus colaboradores, através da construção de “cidades”

no interior das empresas, com escolas, hospitais, residências e diversas infraestruturas necessárias ao bem-estar dos seus colaboradores.

Se estivermos atentos ao cenário mundial no qual atualmente nos encontramos, é fácil percebermos as inúmeras transformações que diariamente ocorrem, tanto a nível político, como a nível económico, cultural e social. Cada vez mais, existe uma aproximação de interesses entre as organizações e a sociedade, em geral. Contudo, esta tendência de relacionamento e a vontade de compartilhar objetivos, já começou há algum tempo.

Branco (1965) salienta que, “na sociedade contemporânea”, caracterizada pelo progresso económico constante e voltada para os objetivos de crescimento económico e bem-estar social, os problemas da empresa, tanto económicos como sociais, têm vindo a assumir cada vez maior importância. É um fenómeno paralelo à evolução da própria empresa e da imagem que dela tendem a criar, tanto os seus proprietários, como colaboradores, fornecedores, entidades oficiais e a opinião pública, em geral. Até aos inícios do século XX, a empresa surge exclusivamente, como centro de produção, apenas com o intuito da obtenção de lucros e na inteira dependência dos detentores dos capitais.

No que respeita à situação dos trabalhadores na empresa e perante a empresa, são bem conhecidos os factos, nomeadamente a falta de condições de higiene e fisiológicas do trabalho, e também, psicológicas. Às máquinas era atribuído um maior apreço, pois eram caras e difíceis de obter, em contrapartida a mão-de-obra era abundante e fácil de substituir, com baixa remuneração e destituída de poder coletivo de negociação.

Bicalho (2003) refere que os primeiros estudos que destacam a responsabilidade social tiveram início, na década de 50, nos Estados Unidos, e nos anos 60 na Europa. Contudo, as primeiras manifestações sobre esta temática surgiram, no início do século, em trabalhos de Charles

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Eliot (1906), Arthur Hakley (1907) e John Clarck (1916). Somente em 1953, nos Estados Unidos, é que o tema recebeu atenção e ganhou espaço, com o livro Social Responsabilities of the Businessman, de Howard Bowen, considerado o “pai” da responsabilidade social das empresas (RSE) (Rego et al., 2006).

Até à data, bastava apenas às empresas fazerem doações em dinheiro após, por exemplo, a ocorrência de alguma catástrofe natural, ou simplesmente doarem parte dos seus lucros aos colaboradores, para serem consideradas socialmente responsáveis. Era uma forma simples da empresa ganhar alguma visibilidade na sociedade (Escoval, 2010). A partir da década de 70, a responsabilidade social deixa de ser uma simples curiosidade e transforma-se num novo campo de estudo.

Os países da Europa Ocidental recorreram a práticas de responsabilidade social, como forma de combate aos problemas económicos do mercado. Surgindo assim associações de profissionais interessados em estudar o tema, tais como: American Accouting Association e American Institute of Certified Public Accountants (Abreu et al., 2005).

Escoval (2010) acrescenta que na década de 80, as organizações começaram a adotar uma postura muito mais dinâmica, quer ao nível estratégico/comercial, quer ao nível social. As empresas alteraram as suas estratégias e ideias de inovação.

Portugal iniciou o seu percurso na RSE ligeiramente mais tarde do que a maioria dos países industrializados (Rego et al., 2006). No entanto, já são muitos os debates e estudos académicos, que sustentam a importância desta temática e, cada vez mais, este tema encontra-se presente na comunicação social. Também no que concerne às empresas, cada vez mais são conhecidas iniciativas neste domínio.

Atualmente existe já uma consciencialização das empresas para a necessidade da procura de equilíbrios sociais e preservação do ambiente, ao mesmo tempo que desenvolvem o seu crescimento económico, contribuindo assim para a obtenção de níveis elevados de desenvolvimento sustentado, a nível global (Santos et al., 2006).

As organizações planeiam a sua estratégia a longo prazo e apostam no envolvimento comunitário corporativo, para demonstrarem desta forma, ações socialmente responsáveis, capazes de captarem as necessidades sociais, de forma a desenvolverem e conquistarem novas ideias e tecnologias, novos produtos/serviços ou novos mercados.

No entanto, é fulcral definir metas claras e coerentes para o sucesso das ações socialmente responsáveis. Aparentemente é um paradoxo, o facto de as empresas utilizarem as ferramentas de gestão de recursos mais modernas, no seu dia-a-dia, ao mesmo tempo que, renunciam do profissionalismo no tratamento da sua responsabilidade social (Escoval, 2010). Em muitos países, incluindo Portugal, esta responsabilidade social encontra-se ainda em fase de crescimento. Muitas empresas entendem que ao assumirem a responsabilidade social, beneficiam a sociedade, pois ao serem lucrativas, geram novos postos de trabalho e contribuem para o bem-estar da sociedade. Outras, porém, sofrem pressões externas (associações, sindicatos, etc.), para

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reduzirem as atividades eticamente questionáveis, de forma a atenderem às responsabilidades económicas, legais e éticas.

Cada vez mais, as organizações reconhecem que o facto de ignorarem os problemas sociais pode interferir com a sua aceitação pela sociedade, o que poderá mais tarde ser um fator destrutivo. Hoje as organizações procuram uma melhoria da sua imagem, reputação e credibilidade junto da sociedade, ao mesmo tempo que pretendem alcançar melhores resultados e aumentarem assim, os seus lucros (Escoval, 2010).

Para Almeida (2010), a sociedade tornou-se mais vigilante relativamente à atividade empresarial e muitas empresas foram obrigadas a repensar os critérios éticos da sua conduta, face à pressão da concorrência externa e à existência atualmente de um mercado tendencialmente global.

Seabra et al. (2008) defendem que a importância da integração da responsabilidade social das organizações (RSO) tem vindo, nos últimos anos, a ser reconhecida. Alguns estudos demonstraram a simbiose entre práticas empresariais responsáveis e a competitividade no mercado.

Os benefícios que podem advir da gestão estratégica da responsabilidade social serão entre outros:

aumento da fidelização dos clientes; aumento da motivação dos recursos humanos; aumento do interesse dos fornecedores em integrar uma cadeia de valor forte no mercado; melhoria da relação com o público e restantes partes interessadas, nas atividades da empresa; entre outros (Seabra et al., 2003, citado por Seabra et al., 2008).

Por outro lado, existem algumas empresas, fortemente empenhadas numa abordagem proactiva da responsabilidade social, procurando estratégias para a resolução de problemas sociais diversos, podendo assim denominar-se como empresas socialmente sensíveis.

Procuram prevêr problemas futuros e implementam ações para evitar o aparecimento dos mesmos, ou se não for possível, minimizar as suas consequências (Escoval, 2010). A responsabilidade social revela-se então um fator decisivo para o desenvolvimento e crescimento das empresas.

De acordo com Santos et al. (2006), as pequenas e médias empresas (PME) são a maior “driving force” do crescimento europeu e uma importante parte da economia portuguesa. Em Portugal, no ano de 2002, as PME criaram 81,5% do emprego e contribuíram em 71,1% do volume de negócios, a nível nacional.

Vau (2005) descreve que o tecido empresarial português é constituído fundamentalmente por PME que, de acordo com a Associação Empresarial de Portugal (AEP), garantem 85% do emprego no país.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) de 29 de Junho de 2012, em 2010, existiam em Portugal 1 168 964 empresas. Deste total, 99,9% eram micro, pequenas e médias empresas.

O volume de negócios atingiu os 356 390 milhões de euros (em 2010), dos quais 60,6% foram gerados por PME e a maioria das empresas portuguesas (61,8%) encontravam-se com sede nas regiões do Norte e de Lisboa.

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Ainda de acordo com os dados do INE, relativos ao ano de 2010, o maior crescimento no volume de negócios das empresas, verificou-se nas empresas das regiões do Centro (4,8%) e do Norte (4,7%).

Em Março de 2013, o INE divulgou os principais resultados relativamente à estrutura e evolução do setor empresarial português no ano de 2011. No que concerne ao setor empresarial, em 2011, encontravam-se em atividade 1 136 697 empresas, com 3 850 591 trabalhadores e com um volume de negócios gerado de 389 814,1 milhões de euros, das quais 99,9% correspondiam a micro, pequena e médias (PME). O volume de negócios criado pelas PME representou 53,4% do valor total e decresceu 5,3%, face ao ano anterior. No setor não financeiro, o número de PME também descresceu, na ordem dos 2,8%, face a 2010 (INE, 2013).

A maior concentração de PME localizou-se na região Norte, com cerca de 360 mil PME (360 197), 32,4% do total de PME. A dimensão média das PME foi de 2,64 trabalhadores por unidade empresarial.

Dado que, a União Europeia tem vindo a valorizar a importância das PME, ao nível da Responsabilidade Social (RS), pelo seu contributo ao nível da criação de emprego, do desenvolvimento do crescimento económico e do aumento da coesão social, e tendo em conta a importância das PME na economia Portuguesa (onde o maior número de empresas em 2010, concentrava-se na região Norte de Portugal), optou-se por estudar a implementação da Responsabilidade Social, junto destas empresas, tendo resultado o presente estudo.

Segundo Rebelo (2010), parece consensual afirmar que vivemos num ambiente económico inteiramente novo na economia, principalmente devido à atual crise económica e financeira, na qual nos encontramos. Esta perturbação dos mercados financeiros, provocou danos sociais consideráveis, nomeadamente um aumento significativo do desemprego, assim como, um aumento das situações de desigualdade social, pobreza e exclusão social. Neste contexto, depreende-se que as empresas possam contribuir para o cumprimento de objetivos sociais e ambientais, mediante a integração da responsabilidade social, enquanto investimento estratégico, no núcleo da empresa, nos seus instrumentos de gestão e nas suas operações, ao mesmo tempo que procuram aumentar os seus lucros.

De acordo com Escoval (2010), as empresas podem contribuir para o cumprimento de objetivos sociais e ambientais, mediante a integração da responsabilidade social, enquanto investimento estratégico, no núcleo da empresa, nos seus instrumentos de gestão e nas suas operações, ao mesmo tempo que procuram aumentar os seus lucros.

Cada vez mais, para conquistar o consumidor, as empresas precisam de provar que assumem uma postura correta, tanto na relação com os funcionários, como com os seus fornecedores, consumidores e clientes, assim como, evidenciar o cumprimento da legislação, o respeito pelo meio ambiente e pelos direitos humanos. Deste modo, a responsabilidade social de uma empresa deve ser entendida como uma aposta, um investimento e nunca como um encargo (Rebelo, 2010).

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O guia de auto-avaliação da igualdade de género nas empresas (2008) refere que as consequências da globalização, desde a abertura dos mercados, aos sucessivos escândalos éticos que têm surgido a nível internacional, fizeram com que a sociedade evoluísse no sentido do aumento da responsabilização das empresas pelos seus impactes na sociedade. Atualmente, são analisadas não só pelos seus resultados financeiros, mas também, e cada vez mais, pelo seu desempenho social e ambiental.

Surgiram assim, novos critérios éticos que influenciam a percepção das diversas entidades que interagem com as empresas, aos mais diversos níveis. As comunidades em que estas se inserem, a sociedade, clientes, fornecedores, colaboradores, etc., exigem novas responsabilidades às empresas: cidadania, envolvimento com a comunidade, desenvolvimento humano, inclusão social, diálogo social e igualdade de género.

No que concerne às práticas desenvolvidas pelas PME, relativamente à responsabilidade social, os dados quantitativos são escassos e refletem pouco a realidade portuguesa, assim como, os obstáculos e dificuldades que os empresários atravessam (Santos et al., 2006).

Em Outubro de 2011, surgiu uma nova definição da responsabilidade social das empresas, apresentada na comunicação da Comissão ao Parlamento Europeu, ao Conselho, ao Comité Económico e Social Europeu e ao Comité das Regiões, denominada “Responsabilidade social das empresas: uma nova estratégia da UE para o período de 2011-2014”.

De acordo com esta nova definição, a responsabilidade social das empresas é “a responsabilidade das empresas pelo impacto que têm na sociedade”

Livro Verde, COM (2011), 681.

A complexidade deste processo está diretamente relacionada com a dimensão das empresas e a natureza das suas operações, pois continua a ser um processo informal e intuitivo, para a maioria das PME (Livro Verde, COM (2011), 681).

São muitas as empresas da União Europeia (UE) que ainda não assimilam as preocupações sociais e ambientais, nem no seu funcionamento, nem nas suas orientações estratégicas. Além do mais, existe uma pequena minoria de empresas europeias, que continuam a ser acusadas de atentar contra os direitos humanos e de cumprir as leis fundamentais do trabalho.

Apenas 15 dos 27 Estados-Membros da UE adotaram medidas, de forma a promover a responsabilidade social das empresas, a nível nacional.

A comunicação da Comissão ao Parlamento Europeu, ao Conselho, ao Comité Económico e Social Europeu e ao Comité das Regiões, em 2011, denominada “Responsabilidade social das empresas: uma nova estratégia da UE para o período de 2011-2014” refere que, no âmbito da Aliança Europeia para a Responsabilidade Social das Empresas, identificaram-se oito áreas prioritárias de atuação da UE:

 Sensibilização e intercâmbio das melhores práticas;

 Apoio a iniciativas multilaterais com as partes interessadas;

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 Cooperação com os Estados-Membros;

 Informação dos consumidores e transparência;

 Investigação;

 Educação;

 Pequenas e médias empresas;

 Dimensão internacional da responsabilidade social das empresas (Livro Verde, COM (2011), 681).

Desta forma, a responsabilidade social das empresas começou a evoluír. Os indicadores de melhoria são:

“ – O número de empresas da UE que subscreveram os dez princípios de responsabilidade social das empresas do Pacto Global das Nações Unidas aumentou de 600 em 2006 para mais de 1900 em 2011.

– O número de organizações com instalações registadas no âmbito do Sistema Comunitário de Ecogestão e Auditoria (EMAS) passou de 3 300 em 2006 para mais de 4 600 em 2011.

– O número de empresas da UE que assinaram acordos empresariais transnacionais com organizações de trabalhadores mundiais ou europeias, abrangendo por exemplo normas laborais, aumentou de 79 em 2006 para mais de 140 em 2011.

– A Business Social Compliance Initiative, iniciativa europeia destinada às empresas com o fito de melhorar as condições de trabalho nas respectivas cadeias de abastecimento, aumentou a sua participação de 69 em 2007 para mais de 700 em 2011.

– O número de empresas europeias que publicou relatórios de sustentabilidade, em conformidade com as orientações da Global Reporting Initiative, aumentou de 270 em 2006 para mais de 850 em 2011”

Livro Verde, COM (2011), 681.

Em Portugal, de acordo com dados da Social Accountability International (SAI) de Junho de 2013, já existem trinta e sete empresas certificadas em responsabilidade social, segundo a norma SA 8000. A primeira empresa a conseguir a certificação na SA 8000 foi a NOVA DELTA – Comércio e Indústria de Cafés, S. A., do grupo NABEIRO, com sede em Campo Maior - Portalegre, em 2002.

Vau (2005) acrescenta que ao serem produtivas e culturalmente compatíveis com as circunstâncias e expectativas nacionais, as empresas legitimam a sua existência. Contudo, como a influência é mútua, as organizações também podem contribuir para a evolução da cultura portuguesa.

A forma como a empresa vai construir o seu relacionamento público e social, é que vai determinar a maior ou menor pró-atividade da cultura da empresa.

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1.2 TEMA E MOTIVAÇÃO PARA A SELEÇÃO DA PROBLEMÁTICA DE INVESTIGAÇÃO

“Formular o problema consiste em dizer, de maneira explícita, clara, compreensível e operacional, qual a dificuldade com a qual nos defrontamos e que pretendemos resolver, limitando seu campo e apresentando suas características. Desta forma, o objetivo da formulação do problema da pesquisa é torná-lo individualizado, específico, inconfundível”

Rudio, 1978, citado por Marcone & Lakatos, 2003.

Para formular um problema de investigação, é necessário previamente escolher um domínio ou tema de investigação que faça referência a uma situação problemática e estruturar uma questão que orientará o tipo de investigação a realizar, dando-lhe um significado. A escolha de um problema de investigação deverá obedecer aos seguintes passos prévios: a) selecionar uma área ou um tema que provoque interesse da parte do investigador; b) expor uma questão de investigação preliminar que representa a interrogação face à área em estudo; c) refletir sobre os tipos de questões pivôs; d) demarcar o tipo de questão de investigação em relação ao estudo dos conhecimentos na área escolhida; e) realizar uma análise crítica da questão que conduzirá ao seu enunciado final (Fortin, 2000).

Vera (1976) acrescentam que o tema é o assunto que se pretende desenvolver ou provar. Trata-se de:

“Uma dificuldade, ainda sem solução, que é mister determinar com precisão, para intentar, em seguida, seu exame, avaliação crítica e solução”

Vera, 1976, citado por Marcone & Lakatos, 2003.

As ideias para a seleção do assunto podem ter origem na experiência pessoal ou profissional, em estudos e leituras, na observação e/ou descoberta de discrepâncias entre trabalhos, assim como, da analogia com temas de estudo de outras áreas científicas ou disciplinas. Após a seleção do assunto, o próximo passo é a sua delimitação. Deve optar-se por temas não muito amplos, pois muitas vezes estes conduzem a divagações, discussões intermináveis, repetições ou

“descobertas” já superadas. O problema deve ser analisado relativamente aos diversos pontos que a seguir se apresentam, antes de ser considerado apropriado:

A) Viabilidade (eficazmente resolvido através da pesquisa);

B) Relevância (trazer conhecimentos novos);

C) Novidade (atual e adequado, de forma a possibilitar novo enfoque e/ou soluções);

D) Exequibilidade (poder chegar a uma conclusão válida);

E) Oportunidade (atender a interesses gerais e particulares) (Marcone &

Lakatos, 2003).

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Ainda Marcone & Lakatos (2003) referem que a escolha do tema deve ser adequado, preciso, bem determinado e específico, de acordo com a disponibilidade de tempo, interesse e motivação do investigador. A escolha do tema significa:

A) Selecionar um assunto segundo as inclinações, as possibilidades, as aptidões e as tendências de quem se propõe a elaborar um trabalho científico;

B) Encontrar um objeto que mereça ser investigado cientificamente e tenha condições de ser formulado e delimitado em função da pesquisa.

Para estas autoras, qualquer investigação nasce de um problema teórico/prático sentido. Este dirá o que é relevante ou irrelevante observar, os dados que devem ser selecionados.

Para esta seleção, é necessário existir uma hipótese, conjetura e/ou suposição, para orientação do investigador.

A responsabilidade social tem uma importância crescente, sendo esta visível a diversos níveis. Verifica-se uma maior consciencialização das organizações, ao nivel da normalização e certificação, através da implementação de normas recentes, para a certificação dos sistemas de responsabilidade social. Isto provoca um grande impacto não só no interior das organizações, mas também na opinião pública, em geral.

Atualmente, a maioria dos exemplos de casos de aplicação da RSE são as grandes empresas, tais como, Microsoft, MacDonalds, EDP, entre outras, que apresentam publicamente as suas ações neste domínio e já as assumem como um dado adquirido na sua gestão estratégica.

Contudo, nas pequenas e médias empresas (PME), ainda não existe uma preocupação real para a temática da responsabilidade social, apesar de as PME, em 2008, já constituirem 99,6% da totalidade das empresas nacionais de acordo com os dados do Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação - IAPMEI (IAPMEI, 2008) e 99,9% em 2013 (INE, 2013).

Assim, pretende-se que o estudo se realize em PME na região Norte de Portugal já certificadas em sistemas de gestão de qualidade e/ou ambiente e/ou segurança e empresas não certificadas. A população alvo para aplicação dos questionários são os gestores de topo ou os diretores de departamentos responsáveis pelas áreas de qualidade e/ou ambiente e/ou segurança, ou quando estes não existirem, recursos humanos, administrativo/financeiro, jurídico, entre outros.

De acordo com dados do Instituto Português de Acreditação (IPAC), atualizados em 2013/11/04, existem em Portugal 5147 empresas certificadas com a Norma ISO 9001:2008, das quais 1547 encontram-se na região Norte de Portugal, 991 empresas certificadas segundo a Norma ISO 14001:2012, em que 270 localizam-se na região Norte de Portugal e 66 empresas certificadas em Sistemas de Gestão de Segurança e Saúde do Trabalho - OHSAS 18001:2007 e NP 4397:2008 (apenas 12 na região Norte de Portugal).

Como estudante do Curso de Mestrado em Sistemas Integrados de Gestão, Qualidade, Ambiente e Segurança, o motivo que me levou à escolha deste tópico foi uma admiração pessoal pelo tema da responsabilidade social mas também, uma inquietação em analisar as principais motivações, vantagens e obstáculos, que podem advir da implementação da

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responsabilidade social pelas PME, no Norte de Portugal. Os dados existentes em Portugal são muito escassos, pelo que, pretende-se contribuir para a resposta a esta questão.

Os dados quantitativos sobre a situação das PME, em Portugal, são escassos e pouco precisos. Não se conhecem quais as práticas de responsabilidade social que as PME mais utilizam, a avaliação que delas fazem os empresários e as dimensões mais valorizadas (Santos et al., 2006).

“A formulação do problema prende-se ao tema proposto: ela esclarece a dificuldade específica com a qual se defronta e que se pretende resolver por intermédio da pesquisa”

Marcone & Lakatos, 2003.

Assim, a questão de investigação (problema de investigação) visa: A Implementação da Responsabilidade Social nas Pequenas e Médias Empresas no Norte de Portugal – Motivações, Vantagens e Obstáculos.

1.3 ORGANIZAÇÃO E ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO

A dissertação encontra-se estruturada em duas grandes partes (Parte I e II).

A “Parte I – Introdução, Revisão Bibliográfica e Objetivo da Investigação”, é composta pela Introdução (Capítulo I), pela Revisão Bibliográfica (Capítulo II) e pelos Objetivos e Perguntas de Investigação (Capítulo III).

No Capítulo I, de forma global, procedeu-se ao enquadramento geral do tema da investigação, à sua introdução e motivação para a problemática de investigação e à explicação da estrutura da dissertação.

Após o capítulo introdutório, apresenta-se a revisão bibliográfica (Capítulo II), onde se procede ao enquadramento teórico da temática da Responsabilidade Social. O Capítulo seguinte (Capítulo III) compreende os objetivos e as perguntas de investigação.

Na “Parte II – Metodologia, Tratamento de Dados, Conclusão e Limitações da Investigação”, descreve-se o trabalho de investigação propriamente dito. É constituída pela metodologia utilizada na investigação (Capítulo 4 – Metodologia de Investigação), os resultados do estudo quantitativo (Capítulo 5 – Apresentação e Tratamento de Dados), a que se seguem as conclusões (Capítulo 6 – Conclusão e Limitações da Investigação), as referências bibliográficas (Capítulo 7 - Bibliografia) e os anexos.

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CAPITULO II

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

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REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

“Diante da ambiguidade e da crescente complexidade das práticas empresariais contemporâneas – fruto das novas exigências de eficiência, inovação e competitividade –, a reflexão ética serve de base para que se tenha coesão organizacional e que se crie um escudo contra crises através da adoção de políticas de responsabilidade social. (…) Em um mundo globalizado, no qual a competição muitas vezes resvala para a concorrência desleal, em que a capacidade de ação da cidadania militante ganha dimensão inédita, adotar um posicionamento responsável tem muito a ver com a sobrevivência das empresas e, certamente, pode vir a ser uma vantagem diferencial entre elas”

Srour, 2003.

2.1 ENQUADRAMENTO TEÓRICO

2.1.1 Génese do Conceito de Responsabilidade Social das Empresas (RSE)

O discurso sobre RSE não é uniforme, nem coerente, em todo o mundo nem mesmo, no interior de cada país ou entre empresas do mesmo setor, uma vez que, as organizações têm discursos e práticas distintas. A discussão sobre os limites da responsabilidade empresarial despertou a atenção da sociedade para determinados comportamentos empresariais moralmente condenáveis. Criou também pressão nos gestores, para a minimização dos impactos negativos e para a sua contribuição ativa no desenvolvimento social (Almeida, 2010).

Branco (1965) descreve que só em meados do século XX, a atenção prestada à vida da empresa começou a adquirir importância com o surto do progresso técnico, o desenvolvimento económico, a tendência para a concentração industrial (formação de grandes empresas), a profissionalização das funções diretivas, a evolução das correntes sindicais e do nível cultural dos trabalhadores, os movimentos doutrinários e ideológicos que contribuíram para criar nos responsáveis das empresas uma mentalidade aberta às inovações e atenta às suas responsabilidades sociais, entre outros, contribuindo assim, para a remodelação da estrutura interna das empresas e, no conjunto social, para lhes atribuir um papel muito diferente daquele que fazia parte da mentalidade dos séculos passados.

Já anteriormente e, tendo em conta o panorama mental e social existente tinham surgido alguns núcleos de oposição às ideias características dessa época, tais como, Robert Owen, que em 1800, rejeitou o emprego a crianças e procurou melhorar as condições físicas do trabalho e Andrew Ure, em «Philosophy of manufactures» (Londres, 1835), insiste no fator humano e preconiza para os operários: «chá quente, tratamento médico, um aparelho para ventilação, pagamentos na doença» (Davis, 1957, citado por Branco, 1965).

Na época, estas não foram ideias com grande repercussão, contudo à medida que decorrem os anos do século XIX, a reação acentua-se. Surgem as associações de socorros mútuos, os sindicatos, o «Manifesto Comunista», as greves e outras manifestações de luta de classes, o movimento social cristão culminado com a «Rerum Novarum». Dentro desta estrutura ideiológica,

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