UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES / AVM PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU
Impacto do SPED através do cruzamento das obrigações acessórias federais.
Rachel Luz Peck
ORIENTADOR:
Gisele Leite
Rio de Janeiro 2017
DOCUMENTO PROTEGIDO PELA LEIDE DIREITO AUTORAL
UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES / AVM PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU
Apresentação de monografia à AVM como requisito parcial para obtenção do grau de especialista em Gestão e Planejamento Tributário.
Por: Rachel Luz Peck
Impacto do SPED através do cruzamento das obrigações acessórias federais.
Rio de Janeiro 2017
AGRADECIMENTOS
Agradeço a Deus por ter me dado saúde e
inteligência para superar e conseguir chegar onde eu estou.
Agradeço a instituição pelo excelente ambiente oferecido aos alunos.
Agradeço aos meus professores pela ajuda e orientação que me foram dados.
A todos os meus amigos da Pós-graduação.
Agradeço a minha orientadora, Gisele, que se
DEDICATÓRIA
Dedico este trabalho aos meus amigos, aos meus queridos pais, Hélcio e Amélia Luz, à minha amada filha Maria Luíza e ao meu querido marido Jorge
RESUMO
O estudo é realizado mediante as obrigações tributárias acessórias na esfera federal, assim como o cruzamento dos dados feito pela Secretaria da Receita Federal do Brasil realizados através da fiscalização. O objetivo principal deste estudo é verificar quais são as obrigações acessórias mais relacionadas exigidas através da entrega de demonstrativos e declarações de informações, com o propósito de evidenciar de que maneira o fisco utilizará os dados informados para cruzar as informações fiscais e comerciais das empresas. Além disso, o presente estudo buscou identificar e analisar quais os possíveis impactos e contribições que o SPED trará na gestão das informações contábeis e gerenciais. Entre eles estão a necessidade de melhorar a capacitação do conhecimento dos contabilistas através de exigências mínimas anuais de atualizações para que os profissionais mais qualificados, tenham condições de realizar um trabalho eficiente e eficaz para gestão e controle da entidade que ele representa, ocasionando um aumento da agilidade das informações corretas e confiáveis que impactará positivamente na tomada de decisão dos gestores.
METODOLOGIA
A pesquisa está classificada em três grupos: quanto aos objetivos, quanto aos procedimentos e quanto a abordagem. Quanto aos objetivos a pesquisa é descritiva. Para Gil (1999, p.4) a pesquisa descritiva “têm como objetivo primordial a descrição das características de determinada população ou fenômeno”. Quanto aos procedimentos, foi utilizada a pesquisa bibliográfica e documental. Para conhecimento do significado de linguagem, bem como sua história e aplicação nas diversas profissões, foi necessário proceder uma pesquisa bibliográfica. Para conhecer o projeto SPED e sua legislação foi realizada pesquisa documental. A abordagem da pesquisa é de natureza qualitativa, pois pretende-se qualificar e não quantificar os aspectos abordados.
Segundo Beuren (2012, p.92) “a abordagem qualitativa visa destacar características não observadas por meio de um estudo quantitativo. ”
Palavras-chaves: SPED – Cruzamento de informações – Obrigações acessórias .
A proposta é que no final da leitura da pesquisa seja possível de maneira simples e objetiva, entender os fatores que influenciaram a importância do SPED no cruzamento das obrigações acessórias.
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
CF: Constituição Federal
CIDE: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CLT: Consolidação das Leis do Trabalho (Decreto-Lei 5.452/43) CNAE: Classificação Nacional de Atividades Econômicas
COFINS: Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social CSL ou CSLL: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido
CST: Código Situação Tributária
CTe Conhecimento De Transporte Eletriônco CTN: Código Tributário Nacional
DACON: Declaração de Apuração das Contribuições Sociais DANFE: Documento Auxiliar da Nota Fiscal Eletrônica
DARF: Documento de Arrecadação de Receitas Federais DBF: Declaração de Benefícios Fiscais
DCIDE: Declaração de Dedução de Parcela da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico
DCP: Demonstrativo do Crédito Presumido
DCTF: Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais
DERC: Declaração de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos Internacionais
DIF: Declaração Especial de Informações Fiscais
DIMOB: Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias DIMOF: Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira DIPJ: Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica DIRF: Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte
DITR: Declaração do Imposto sobre a Propriedade Rural DNF: Demonstrativo de Notas Fiscais
DSPJ: Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica ECF: Escrituração Contábil Fiscal
EFD: Escrituração Fiscal Digital EPP: Empresa de Pequeno Porte
E-SOCIAL Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e trabalhistas
E-LALUR Livro Eletrônico de Escrituração e Apuração do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido
FCPJ: Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica
GFIP/SEFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social) / Sistema Empresa de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social.
GPS: Guia da Previdência Social
IBGE: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas
ICMS: Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre a Prestação de Serviços de Transporte Interestaduais e Intermunicipais e de Comunicação
IN: Instrução Normativa
INSS: Instituto Nacional de Seguridade Social IPI: Imposto sobre Produtos Industrializados IR: Imposto de Renda
IRF: Imposto de Renda na Fonte
IRPF: Imposto de Renda – Pessoa Física IRPJ: Imposto de Renda – Pessoa Jurídica ISS: Imposto Sobre Serviços
LALUR: Livro de Apuração do Lucro Real LC: Lei Complementar
NCM: Nomenclatura Comum do Mercosul OS: Ordem de Serviço
PASEP: Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PER/DCOMP: Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e da Declaração de Compensação
PMATA Projeto de Modernização da Administração Tributária e Aduaneira PIS: Programa de Integração Social
RAIS RELAÇÃO ANUAL DE INFORMAÇÕES SOCIAIS RF: Região Fiscal
RFB: Receita Federal do Brasil
RIPI: Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados RIR/99: Regulamento do Imposto de Renda
RPS: Regulamento da Previdência Social
SELIC: Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SRF: Secretaria da Receita Federal
SRRF: Superintendência Regional da Receita Federal
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO 11
CAPÍTULO I
SPED-Sistema Público de Escrituração Digital 16
CAPÍTULO II
Obrigações Acessórias Perante a Receita Federal 23 CAPÍTULO III
Cruzamento das Obrigações Acessórias 30
CONCLUSÃO 42
BIBLIOGRAFIA 47
ÍNDICE 51
INTRODUÇÃO
O estudo tem por finalidade representar o trabalho de conclusão de curso de Pós-Graduação de Gestão e Planejamento Tributário, cujo o objetivo é analisar os impactos do SPED através do cruzamento das obrigações acessórias Federais.
O SPED é uma ferramenta tributária de inovação tecnológica que atua em toda área contábil, que vive um momento de grande de modernização, tendo em vista que os novos procedimentos precisarão agregar novas informações e responsabilidades para os profissionais deste setor.
A implementação do Sistema Pública Escrituração Digital (SPED) é algo importante para organização governamental em geral e tem como objetivo a adoção de um método eficiente e que venha substituir a sistemática atual da escrituração contábil e fiscal na nova era da tecnologia. Contudo, a profissão contábil terá que se preparar para atender as demandas dessas mudanças importantes desse meio e suas consequências para seus clientes e a sociedade em geral.
De acordo com Silva (2003, p. 03), “ o profissional contábil precisa ser visto como um comunicador de informações essenciais à tomada de decisões, pois a habilidade em avaliar fatos passados, perceber o presente e predizer eventos futuros pode ser compreendido como fator preponderante ao sucesso empresarial. ”
Entretanto, há muito tempo o contador vem sendo visto e continua, pelos microempresários como um funcionário indireto do governo, apenas para cálculos e preenchimentos de guias e formulários para atender o fisco, essa foi à maior injustiça causada à profissão, dentro da nova tendência mundial, com a internacionalização do comércio e dos serviços, esse profissional tem obrigação de mostrar a sociedade o quanto à profissão foi injustiçada, mostrando que as informações prestadas pela contabilidade são de importância inquestionável para a tomada de decisão.
Segundo Montaldo (MARION, 2001, p. 39) o contador: Deve desempenhar aqui um papel importante nas negociações inter- regionais, assessorando, pesquisando, trazendo informações e elementos que assegurem o fluxo de informação contínua, que leva a uma tomada de decisão racional, devendo oferecer um serviço socialmente útil e profissionalmente eficiente, que não seja apenas fruto da experiência e da formação universitária recebida, mas também de seu compromisso de incrementar e renovar constantemente o caudal de seus conhecimentos em prol da unidade regional.
O SPED surgiu através da possibilidade de conceber um projeto eminentemente digital com a eliminação do mundo fiscal em papel.
Surgiu com a Certificação Digital, criada pela Medida Provisória 2.200-2, de 17/08/2001. A garantia de autenticidade, integridade e validade jurídica de documentos em forma eletrônica foi possível com a instituição do ICP Brasil.
O Serpro iniciou o projeto Sped, aproveitando-se da vasta experiência no desenvolvimento de aplicativos e soluções no ambiente e-gov (governo eletrônico).
O SPED foi Instituído pelo Decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007, ele faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento do governo federal (PAC 2007-2010) em consonância com tópico referente ao aperfeiçoamento do sistema tributário. O programa de desenvolvimento tem por objetivo principal promover a aceleração do crescimento econômico no País, o aumento dos níveis de emprego e a melhoria das condições de vida da população.
O projeto do SPED consiste na modernização da sistemática atual do cumprimento das obrigações acessórias, transmitidas pelos contribuintes às administrações tributárias e aos órgãos fiscalizadores, utilizando-se da certificação digital para fins de assinatura dos documentos eletrônicos, garantindo assim a sua validade jurídica apenas na sua forma digital.
No âmbito da Receita Federal, faz parte do projeto de modernização da administração tributária e aduaneira, que tem por finalidade a implantação de novos processos apoiados por sistemas de informação integrados, de forma que haja tecnologia da informação e que a infraestrutura seja adequada às entidades.
Para Duarte (2009): Com o Sped a sociedade presencia uma nova era do conhecimento, onde serão importantes as habilidades humanas, para que se usufrua das informações da melhor maneira possível na entidade.
Estruturado sobre três pilares, nota fiscal eletrônica, Sped fiscal e Sped contábil, este projeto via alterar e modernizar a cultura organizacional das empresas. Essa nova modernização trará muitos impactos para as empresas e os contadores, pois, as informações requeridas pela receita federal, mediante o SPED, obrigam as organizações a terem um software de qualidade e bons profissionais que entendam do assunto, inclusive nas melhorias no processo gerencial da empresa.
Os primeiros passos do sistema foram dados com a Escrituração Contábil Digital (ECD), a Escrituração Fiscal Digital (EFD) e a NFe. Após a solidificação dessas ferramentas, é chegada a vez do EFD-Contribuições, ECF – e-Lalur (Livro de Apuração do Lucro Real eletrônico), e-Social, REINF e Central de Balanços.
Todos esses projetos têm impactos desde as esferas governamentais, especialmente nos órgãos envolvidos (Ministério do Trabalho e Emprego, Receita Federal, Previdência Social, Caixa Econômica Federal e Fundo de Garantia por Tempo de Serviço - FGTS), até os empresários e trabalhadores.
A disponibilização de informações tributárias em notas fiscais eletrônicas – instrumento capaz de envolver os estabelecimentos conveniados, a população a receita e a maior atenção ao cumprimento da legislação trabalhista graças ao e-Social são apenas dois exemplos de avanços trazidos pelo sistema e que estão intimamente ligados à promoção da justiça social.
Através do novo sistema foi possível levar a informação fiscal definitivamente para a era digital.
Após as novas ferramentas, veio a mudança do paradigma de declarações, que ficavam apenas no equipamento do contribuinte, e de todos os documentos fiscais em papel, que geravam riscos inerentes a essa situação.
A partir do SPED, os documentos fiscais passaram a ser eletrônicos e as escriturações passaram a ficar custodiadas em ambiente seguro.
Outro ponto de grande importância ao novo mundo digital do SPED, são que os Softwares Houser foram adquirindo cada vez mais um papel importante na gerencia das empresas, baseado no resultado da constante evolução da informática e do constante crescimento do número de empresas que necessitam de auxílio na tomada de decisões.
A contabilidade por sua vez, devido a todas as mudanças nos procedimentos e leis, também precisou evoluir, e se preparar para absorver a nova era.
Com isso, o profissional da área contábil, em função dos novos procedimentos inseridos, também precisou se atualizar para conseguir acompanhar as mudanças realizadas e exigidas nas novas obrigações.
Entre as vantagens do Sistema Público de Escrituração Digital destacam-se a redução de custos com a dispensa de emissão e armazenamento de documento em papel; a uniformização das informações que o contribuinte presta as unidades federadas; a simplificação e a agilização dos procedimentos sujeitos ao controle da administração tributária; a rapidez no acesso às informações; e a possibilidade de cruzamento entre os dados contábeis e fiscais.
O objetivo desse projeto baseia-se na integração dos fiscos federal/estaduais e, posteriormente, municipais, mediante a padronização, racionalização e compartilhamento das informações contábil e fiscal digital. Além disso, o Sped visa integrar todo o processo relativo às notas fiscais.
Procura-se reduzir os custos com o armazenamento de documentos e também minimizar os encargos com o cumprimento das obrigações acessórias.
A estratégia do Sped está em se discutir e propor iniciativas com resoluções conjuntas, criar um ambiente de testes e aprovar toda a metodologia, implementação e efetivação dos seus três pilares de abrangência: Nota Fiscal Eletrônica, Escrituração Contábil e Fiscal Eletrônica.
As administrações tributárias e os contribuintes serão os mais beneficiados com a implantação do projeto.
O SPED possui como premissas propiciar melhor ambiente de negócios para as empresas no País, eliminar a concorrência desleal com o
aumento da competitividade entre as empresas, o documento oficial é o documento eletrônico com validade jurídica para todos os fins, redução de custos para o contribuinte, promover o compartilhamento de informações, mínima interferência no ambiente do contribuinte, disponibilizar aplicativos para emissão e transmissão da Escrituração Digital e da NF-e para uso opcional pelo contribuinte, Criar na legislação comercial e fiscal a figura jurídica da Escrituração Digital e da Nota Fiscal Eletrônica.
Diante disso, o objetivo geral do trabalho propõe-se analisar o possível cruzamento das informações prestadas na DCTF com as demais obrigações acessórias prestadas ao fisco federal.
CAPÍTULO I
SPED – Sistema Público Escrituração Digital
Todo mundo sabe que o Brasil é o país da burocracia e do excesso de papéis. Tudo é tão complicado que, quando finalmente conseguimos entender determinados procedimentos, dá tanto trabalho para resolver que acabamos desistindo ou deixando para depois. Parece que nosso país, ainda que em passos lentos, vem fazendo alguns pequenos movimentos para mudar essa história confusa. Uma dessas ações constitui no SPED Fiscal.
O Sistema Público de Escrituração Digital, conhecido como SPED, faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento do Governo Federal (PAC 2007-2010). Ele se constitui na informatização da relação entre o Fisco e os contribuintes. A ideia é fazer com que a informatização traga mais agilidade para essa relação, proporcionando mais economia de tempo e de gastos, melhor controle da fiscalização e mais legitimidade e qualidade entre as informações trocadas.
Fonte: Cefis, Disponível em: https://blog.cefis.com.br/sped-fiscal/ Acesso em 17 de Jul.2017
1.1
-SPED - Sistema Público de Escrituração Digital
Com a criação do Sistema Público de Escrituração Digital - SPED, que tem por objetivo a Modernização da Administração Tributária e Aduaneira (PMATA), apoiados a várias ferramentas tecnológicas, a contabilidade passou a exigir alguns cuidados a mais em aspectos fiscais, contábeis e gerenciais, sendo que cada vez mais as habilidades dos profissionais da área prevaleceram. A escrituração digital é formada por vários projetos que vem para padronizar e agilizar as informações necessárias a serem enviadas para o fisco. Durante o processo de adequação desses projetos foram encontrados vários pontos positivos e negativos.
Entre as vantagens do Sistema Público de Escrituração Digital destacam-se a redução de custos com a dispensa de emissão e armazenamento de documento em papel; a uniformização das informações que o contribuinte presta às unidades federadas; a simplificação e a agilização dos procedimentos sujeitos ao controle da administração tributária; a rapidez no acesso às informações; e a possibilidade de cruzamento entre os dados contábeis e fiscais.
Mas quanto as desvantagens, as empresas começaram a se adequar às novas normas, no entanto, são muitas as dificuldades encontradas, especialmente na adaptação de rotinas e sistemas.
A adaptação ao sistema pode levar mais de seis meses dependendo da estrutura da empresa e da forma prioritária como ele é tratado.
As maiores dificuldades são justamente o treinamento de pessoas e a adaptação das rotinas necessárias para cumprir os prazos e os procedimentos técnicos previstos nas normas do SPED.
O lançamento de informações erradas no sistema digital, deixará a empresa na evidência do fisco, que cada vez mais tem colocado em prática o
"Big-Brother Tributário" onde os órgãos fiscalizatórios têm acesso à veracidade das informações prestadas pelo contribuinte pelas mais diversas formas de confronto de dados, fazendo com que os dados conflitantes sejam imediatamente checados pelo fisco.
O Programa Validador e Assinador - PVA, fornecido pelo Sped não valida as informações e números prestados, analisa somente se a estrutura está
em conformidade com as exigências do sistema. Assim, se o contribuinte reconhecer os fatos ou escriturar os livros de forma incorreta, estará sujeito às autuações fiscais.
A boa técnica contábil continua prevalecendo e os profissionais desatualizados ou desatentos serão alvo de intensa atividade fiscalizatória.
1.2 - Funcionalidades do SPED
O SPED Fiscal é uma obrigação acessória que faz parte do Projeto SPED. Trata-se de um arquivo digital que se constitui dos registros de todas as operações e cadastros que possam influenciar na apuração do IPI e ICMS.
A responsabilidade pela geração desse arquivo é da empresa contribuinte, que deve fazê-lo mensalmente. Para tanto, ela deverá extrair e submeter as informações ao Programa Validador e Assinador (PVA), que é fornecido pelo próprio SPED através do site da Receita Federal do Brasil.
Após ser validado pelo PVA, a legislação obriga que esse arquivo seja assinado digitalmente e transmitido, via Internet, ao ambiente SPED da Receita Federal. Essa assinatura deve ser feita por meio de um certificado digital (e- CNPJ), emitido por uma autoridade certificadora credenciada.
1.3 - Objetivos e Estratégias do SPED
O objetivo desse projeto baseia-se na integração dos fiscos federal/estaduais e, posteriormente, municipais, mediante a padronização, racionalização e compartilhamento das informações contábil e fiscal digital. Além disso, o Sped visa integrar todo o processo relativo às notas fiscais.
Com isso, busca-se reduzir os custos com o armazenamento de documentos e também minimizar os encargos com o cumprimento das obrigações acessórias.
A estratégia do Sped está em se discutir e propor iniciativas com resoluções conjuntas, criar um ambiente de testes e aprovar toda a metodologia, implementação e efetivação dos seus três pilares de abrangência: Nota Fiscal Eletrônica, Escrituração Contábil e Fiscal Eletrônica.
1.4 – Vantagens do SPED
Como o projeto do SPED ainda está em construção, algumas obrigatoriedades e processos estão também em andamento. Mas as vantagens já são perceptíveis. Uma vez que substitui arquivos em papel por versões digitais, o SPED reduz os custos de movimentação, de busca e de armazenamento de documentos. Além disso, o sistema simplifica a administração tributária da sua empresa na medida em que padroniza as informações prestadas ao governo.
Outra vantagem importante é a segurança na emissão e no controle da Nota Fiscal Eletrônica (NFE). Com o SPED, empresas e contadores passam a utilizar a assinatura digital, uma certificação que diminui a possibilidade de fraudes contra a sua empresa. A assinatura digital é obrigatória e dá validade jurídica à Escrituração Fiscal Digital (EFD). Para adquiri-la, você deve procurar uma empresa autorizada pela Receita Federal. Tenha mais informações no
site www.receita.fazenda.gov.br.
A implantação do SPED permite ainda que você tenha rapidez no acesso às informações, no controle e no cruzamento de dados
contábeis e fiscais. Rapidez, também, garantida na troca de informações entre os próprios contribuintes para usos distintos e simultâneos.
1.5 - Desvantagens do SPED
Desde que foi criado o Sistema Público de Escrituração Digital - SPED, as empresas começaram a se adequar às novas normas, no entanto, são muitas as dificuldades encontradas, especialmente na adaptação de rotinas e sistemas.
A adaptação ao sistema pode levar mais de seis meses dependendo da estrutura da empresa e da forma prioritária como ele é tratado.
As empresas fornecedoras de softwares que atendem aos escritórios contábeis já estão trabalhando a muito tempo na adequação das novas normas e na simplificação de todo o processo.
Os maiores entraves são justamente o treinamento de pessoas e a adaptação das rotinas necessárias para cumprir os prazos e os procedimentos técnicos previstos nas normas do SPED.
O lançamento de informações erradas no sistema digital, deixará a empresa na mira do fisco, que cada vez mais tem colocado em prática o "Big- Brother Tributário" onde os órgãos fiscalizatórios têm acesso à veracidade das informações prestadas pelo contribuinte pelas mais diversas formas de confronto de dados, fazendo com que os dados conflitantes sejam imediatamente checados pelo fisco.
O Programa Validador e Assinador - PVA, fornecido pelo Sped não valida as informações e números prestados, analisa somente se a estrutura está em conformidade com as exigências do sistema. Assim, se o contribuinte reconhecer os fatos ou escriturar os livros de forma incorreta, estará sujeito à autuações fiscais.
1.6 - Penalidades
A Lei 12.766/12 reduziu a multa pelo atraso na entrega do SPED.
Contudo, estabeleceu penalidades pelas informações incorretas ou omissas.
LEI no- 12.766, DE 27 DE DEZEMBRO DE 2012 Altera as Leis nos 11.079, de 30 de dezembro de 2004, que institui normas gerais para licitação e contratação de parceria público-privada no âmbito da administração pública, para dispor sobre o aporte de recursos em favor do parceiro privado, 10.637, de 30 de dezembro de 2002, 10.833, de 29 de dezembro de 2003, 12.058, de 13 de outubro de 2009, 9.430, de 27 de dezembro de 1996, 10.420, de 10 de abril de 2002, 10.925, de 23 de julho de 2004, 10.602, de 12 de dezembro de 2002, e 9.718, de 27 de novembro de 1998, e a Medida Provisória no 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, e dá outras providências.
A P R E S I D E N T A DA R E P Ú B L I C A
Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1o A Lei no 11.079, de 30 de dezembro de 2004, passa a vigorar com as seguintes alterações
Art. 8o O art. 57 da Medida Provisória no 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, passa a vigorar com a seguinte redação:
"Art. 57. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será intimado para apresentá-los ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitar-se-á às seguintes multas:
I – Por apresentação extemporânea:
a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mês-calendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido;
b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mês-calendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado
pelo auto arbitramento;
II – Por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$ l.000,00 (mil reais) por mês-calendário;
III – por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços.
§ 1o Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento).
§ 2o Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alínea b do inciso I do caput.
§ 3o A multa prevista no inciso I será reduzida à metade, quando a declaração, demonstrativo ou escrituração digital for apresentado após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício."
CAPÍTULO II
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS PERANTE A LEGISLAÇÃO FEDERAL
2.1. DAS OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS
Reciprocamente consideradas, as obrigações dividem-se em principais e acessórias. As primeiras subsistem por si, sem depender de qualquer outra, como a de entregar a coisa, no contrato de compra e venda. As obrigações acessórias têm sua existência subordinada a outra relação jurídica, ou seja, dependem da obrigação principal. É o caso, por exemplo, da fiança, da cláusula penal, dos juros etc.
O princípio de que o acessório segue o destino, a condição jurídica do principal, foi acolhido pela nossa legislação. O art. 92 do Código Civil preceitua que:
“Principal é o bem que existe sobre si, abstrata ou concretamente;
acessório, aquele cuja existência supõe a do principal”.
O art. 184, segunda parte, por sua vez diz que:
“À invalidade da obrigação principal implica a das obrigações acessórias, mas a destas não induz a da obrigação principal”.
Também o art. 233 do mesmo diploma proclama que:
“A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela embora não mencionados, salvo se o contrário resultar do título ou das circunstâncias do caso”.
Várias consequências de ordem jurídica decorrem da regra accessorium sequitur suum principale. Primeiramente, a invalidade da obrigação principal implica a das obrigações acessórias, mas a invalidade destas não induz a da obrigação principal.
Desse modo, nulo o contrato de empreitada (principal), por exemplo, nula será a cláusula penal (acessória) nele estipulada, mas a recíproca não é verdadeira.
Outra consequência do preceito citado é que, prescrita a obrigação principal, ficam prescritas igualmente as obrigações acessórias. Pode ocorrer, todavia, prescrição da obrigação acessória, sem que se verifique a da principal.
2.1.1 - ESPÉCIES
Há várias modalidades de obrigações acessórias, tendo algumas delas já sido mencionadas, como a fiança e os juros. Outras podem ainda ser lembradas, como, por exemplo:
a) a concernente aos direitos reais de garantia (penhor, anticrese, hipoteca), que sempre pressupõem a existência de um direito de crédito, cuja satisfação asseguram;
b) a decorrente do direito de evicção, uma vez que a obrigação do vendedor de resguardar o comprador contra os riscos da alienação supõe uma obrigação principal, o contrato de compra e venda, a que se subordina;
c) a atinente aos vícios redibitórios, visto que a obrigação de por eles responder depende de outra obrigação;
d) a relativa à cláusula penal, que constitui um pacto acessório em que se estipula uma multa para a hipótese de inadimplemento total da obrigação, cumprimento imperfeito ou retardamento;
e) decorrente de cláusula compromissória, pela qual as partes se obrigam a submeter-se à decisão do juízo arbitral, a respeito de qualquer dívida que porventura venha a surgir no cumprimento da avença.
O Código Tributário Nacional estabelece as normas que regem as obrigações tributárias de todos os contribuintes do país.
As duas obrigações tributárias estabelecidas são:
Obrigação tributária principal – Pagamento do tributo em si (Imposto, Contribuição, Taxa etc.)
Obrigação tributária acessória – Todos os demais trâmites burocráticos que servirão como base para o pagamento do tributo e futura fiscalização.
CTN - Lei nº 5.172 de 25 de Outubro de 1966 Dispõe sobre o Sistema Tributário Nacional e institui normas gerais de direito tributário aplicáveis à União, Estados e Municípios.
Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória.
§ 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente.
§ 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos.
§ 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária
Essas obrigações acessórias compõem grande parte dos serviços de um escritório de contabilidade.
Hoje em dia todas as declarações são enviadas pela internet e bombardeiam os governos municipais, estaduais e federal com inúmeras informações econômicas, financeiras e sociais de todos os setores da economia.
Como a maioria das fiscalizações são feitas eletronicamente, as declarações fiscais e sociais (GFIP/SEFIP, CAGED, DCTF, ECF, ECD, RAIS, CAGED, etc.) são responsáveis pela disponibilização da base de dados das empresas para o cruzamento de informações de possíveis irregularidades, assim como, são uma confissão de dívidas por parte da empresa.
Diante disso pode-se perceber a importância das obrigações acessórias no mundo atual.
O cumprimento de todas elas devem ser umas das maiores preocupações dos empresários, pois o descumprimento, na maioria dos casos, resulta em pesadas multas ou até, em alguns casos, na paralisação temporária das atividades, causando enormes prejuízos para a empresa.
As pessoas jurídicas e equiparadas, perante a Legislação Comercial, Fisco Federal, Ministério do Trabalho e Previdência Social, independentemente do seu enquadramento jurídico ou da forma de tributação perante o Imposto de Renda, estão obrigadas a cumprir com várias obrigações ou normas legais.
2.2 - Principais obrigações acessórias Federais:
Uma das maiores preocupações dos empresários deve ser o cumprimento de todas as obrigações acessórias de maneira correta e sem atrasos, pois o não cumprimento, na maioria dos casos, resulta em multas significativas ou até, em alguns casos, na paralisação temporária das atividades, causando enormes prejuízos para a empresa.
As pessoas jurídicas e equiparadas, perante a Legislação Comercial, Fisco Federal, Ministério do Trabalho e Previdência Social, independentemente do seu enquadramento jurídico ou da forma de tributação perante o Imposto de Renda, estão obrigadas a cumprir várias obrigações.
Atualmente, todas as declarações são enviadas pela internet.
Como a maioria das fiscalizações são feitas eletronicamente, as declarações fiscais e sociais são responsáveis pela disponibilização da base de dados das empresas para o cruzamento de informações, possibilitando que o governo descubra possíveis irregularidades.
As obrigações acessórias NF-e, EFD-ICMS-IPI; EFD-Contribuições, ECD, ECF, são algumas das mais importantes obrigações acessórias Federais vinculadas ao SPED e DCTF e DIRF, são obrigações acessórias que estão em fase de inclusão no SPED.
EFD ICMS/IPI – Escrituração Contábil Digital: trata-se de uma obrigação acessória estadual que compõe o Sistema Público de Escrituração Digital (SPED) e substitui a escrituração dos seguintes livros em papel: Registro de Entradas, Registro de Saídas, Registro de Inventário, Registro de Apuração do IPI, Registro de Apuração do ICMS, Controle de Crédito de ICMS do Ativo Permanente – CIAP e o de Controle de Produção e Estoque (este a partir de janeiro/2017, conforme Ajuste SINIEF 13/2015). O envio desta declaração
dispensa o contribuinte da entrega dos arquivos SINTEGRA, exceto em casos de regime especial (verifique e confirme as condições no seu estado).
DCTF – Declaração de Débitos Tributários Federais: declaração de competência da União, que contém informações relacionadas aos impostos federais, tais como IRPJ, IRRF, IPI, CSLL e outros.
EFD Contribuições: obrigação federal que compõe o SPED, a ser enviada pelas empresas na escrituração da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, nos regimes de apuração não-cumulativo e/ou cumulativo, bem como para a escrituração digital da Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta, incidente nos setores de comércio, serviços e industrias, no auferimento de receitas referentes aos CNAE, atividades, serviços e produtos (NCM) nela relacionados.
ECD – Escrituração Contábil Digital: trata-se de uma obrigação federal que compõe o Sistema Público de Escrituração Digital – SPED e que tem por objetivo a substituição da escrituração via papel pela escrituração transmitida por via digital dos seguintes livros:
I – Livro Diário e seus auxiliares, se houver;
II – Livro Razão e seus auxiliares, se houver;
III – Livro Balancetes Diários, Balanços e fichas de lançamento comprobatórias dos assentamentos neles transcritos.
ECF – Escrituração Contábil Fiscal: declaração de competência federal que substituiu a Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) a partir do ano-calendário 2014. Tal declaração visa informar todas as operações que influenciem a composição da base de cálculo e o valor devido do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).
DIRF – Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte: é uma declaração que tem como objetivo informar à Secretaria da Receita Federal do Brasil sobre as retenções de impostos efetuadas nos pagamentos e recebimentos realizados pela empresa. A DIRF é uma obrigação tributária devida por todas as pessoas jurídicas. Ela deve informar o valor do Imposto de Renda e/ou Contribuições na fonte, rendimentos pagos ou que foram creditados para seus beneficiários; residentes ou domiciliados no exterior o pagamento de
crédito, entrega, emprego ou remessa, mesmo que não haja retenção do imposto, incluindo os casos de alíquota zero ou isenções.
Mesmo possuindo tipo de tributações diferenciadas as obrigações acessórias do Lucro Real são as mesmas do Lucro Presumido, com exceção da escrituração do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR/ECF).
2.3. Livros Comerciais e Livros Fiscais
De acordo com a legislação, as empresas optantes pelo Lucro Real deverão adotar para os registros e controles das operações e prestações realizadas por elas, os seguintes livros comerciais e livros fiscais:
Livro Diário: que constitui o registro básico de toda a escrituração contábil, no qual devem ser lançados, dia a dia, todos os atos ou operações da atividade, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial da pessoa jurídica;
Livro Razão: as pessoas jurídicas deverão manter em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro Razão ou fichas utilizadas para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Livro Diário, devendo a sua escrituração ser individualizada e obedecer à ordem cronológica das operações;
Livro de Registro de Duplicatas: de escrituração obrigatória caso a empresa realize vendas a prazo com emissão de duplicatas, podendo, desde que devidamente autenticado no Registro do Comércio, ser utilizado como livro auxiliar da escrituração mercantil;
Livro Caixa: demonstra toda a movimentação financeira e bancária da empresa, podendo ser dispensado no caso de empresas que possuam livro Razão e livro Diário devidamente escriturados;
Livro Registro de Inventário: deve conter informações sobre as mercadorias, os produtos manufaturados, as matérias-primas, os produtos em fabricação e os bens em almoxarifado existentes na data do balanço patrimonial levantado ao fim de cada período de apuração;
Livro Registro de Entradas: que visa a identificação dos fornecedores e respectivas compras de bens destinados à industrialização e/ou comercialização;
Livro para Registro Permanente de Estoque: destinado às pessoas jurídicas que exercerem atividades de compra e venda, incorporação e construção de imóveis, loteamento ou desmembramento de terrenos para venda. Para as pessoas jurídicas que não exercerem essas atividades, o controle permanente de estoques não é obrigatório, mas a sua inexistência impossibilita a avaliação de estoques pelo método do custo médio;
Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur): livro em que são transcritas a apuração do lucro real, a apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), bem como demais informações econômico-fiscais da empresa. Vale ressaltar que, com o advento do SPED, este livro foi substituído pelo E-Lalur/ECF conforme Instrução Normativa RFB 989/2009, posteriormente revogada pela Instrução Normativa RFB 1.353/2013. Após tal revogação, o E-Lalur passou a ser disciplinado pelas normas da Escrituração Contábil Fiscal – ECF (Instrução Normativa RFB nº 1.422/2013).
IN RFB 1422/2013 ALTERADA PELA INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB Nº 1659, DE 13 DE SETEMBRO DE 2016
Publicado (a) no DOU de 14/09/2016, seção 1, pág.
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CAPÍTULO III
Cruzamentos das Obrigações Acessórias
3.1. Cruzamentos Digitais: SPED x Outras Obrigações Acessórias
O cumprimento das obrigações acessórias sempre amedrontou os contribuintes, tornando-se mais preocupante com o acompanhamento da administração tributária pelo meio do projeto SPED (Sistema Público de Escrituração Digital). Antes, o trabalho do fisco era manual e havia grande morosidade no levantamento de dados para análise, fazendo com que o contribuinte se “beneficiasse” de possíveis autuações fiscais.
A era digital e a modernização tecnológica dos órgãos governamentais estreitou muito a relação fisco x contribuinte e, como a Receita Federal do Brasil já possuía expertise no cruzamento de dados, com a IN 86 e o MANAD, o SPED tornou mais factível e mais fácil implantação.
O objetivo do SPED é promover a integração dos entes fiscalizadores, padronizar as informações contábeis e fiscais, racionalizar e uniformizar as obrigações acessórias com transmissões únicas de dados e tornar mais célere a identificação de ilícitos tributários.
No âmbito Federal atualmente, há mais de trinta obrigações acessórias representadas por declarações e arquivos digitais, dentre as principais estão: a DCTF, a DIPJ, a DIRF, a GFIP/SEFIP, a DITR, a DIMOB, a PER/DCOMP, a EFD-Contribuições, a EFD-IPI/ICMS, a ECD, o FCONT, a ECF, a DOI, a DIMOF, a DCIDE, a DECRED, a DEREX, a DICNR, a DMED, a DNF, a DSPJ, a DTTA, o MANAD, etc.
Pelo quadro abaixo, podemos ver o Antes e Depois do SPED para o fisco:
Fonte: Domingues e Pinho, Disponível em http://www.dpc.com.br/pt- br/especialista/22867 , Acesso em 17 de jul.2017.
É claro que em muitas fiscalizações ainda há a visita do auditor fiscal e a necessidade da conferência física dos documentos, mas é notória a redução deste tipo de trabalho.
Atualmente, a Receita Federal possui um computador desenvolvido pela IBM, batizado de “T-REX” que, aliado a um software com inteligência artificial, consegue efetuar o cruzamento de diversas obrigações fiscais com extrema eficiência, apurando-se no detalhe as mínimas inconsistências nos dados.
A quantidade destes cruzamentos vem se tornando cada vez mais comum, na qual, podemos citar alguns exemplos abaixo:
Fonte: Fonte: Domingues e Pinho, Disponível em http://www.dpc.com.br/pt-br/especialista/22867 , Acesso em 17 de jul.2017.
Hoje, as empresas não podem somente apurar e recolher os tributos no vencimento e declará-los para atender o prazo de uma determinada declaração, pensando em retificá-la futuramente. É necessário garantir a
Antes Depois
Conferência manual Auditoria eletrônica Auditava o passado Vê o presente e projeta o futuro
Atitude repressiva Atitude preventiva Isolada (esferas não se falavam) Integrada
Por amostragem Todas as operações
Fiscalização in loco (pessoalmente) Fiscalização à distância Provas em papel Provas eletrônicas
Generalista Especialista
SPED Fiscal X NF-e DCTF X DIPJ
SPED Fiscal X GIA DCTF X DIRF
SPED Fiscal X Sintegra DCTF X ECF
SPED Fiscal X SPED Contábil DCTF X PER/DCOMP
SPED Fiscal X EFD Contribuições SPED Contábil X MANAD
GIA X Sintegra SPED Contábil X ECF
qualidade das informações que são enviadas, validando o conteúdo antecipadamente e evitando possíveis transtornos com o fisco.
O contribuinte deverá manter suas operações, escriturações contábeis/fiscais e seus controles internos de maneira transparente e regular, a fim de evitar futuros questionamentos, mas com esta gama de exigências fiscais, torna-se cada vez mais complexo cumpri-las com qualidade.
O Fisco já fazia o cruzamento das informações dos contribuintes, antes da obrigatoriedade do SPED, porém dependia de um prazo maior, devido a uma análise manual com o levantamento de diversos documentos e as ações dos fiscais envolvidos.
Com a tecnologia desenvolvida, as escriturações digitais desde 2007, possibilitam uma otimização nas auditorias e nos resultados, por meio do cruzamento de informações dos contribuintes que, por sua vez, enviam distintas obrigações, identificando possíveis contradições na apresentação das informações em comum entre os arquivos apresentados.
As informações sobre a aquisição de insumos, ativos, mercadorias para revenda, transferências, remessas, operações de venda, entre outras, podem ser identificadas pelo Fisco, antes mesmo da apresentação de todas as obrigações envolvidas.
A partir da emissão de uma nota fiscal eletrônica, por exemplo, o Fisco consegue identificar quem são o remetente e o destinatário, quais são as mercadorias, quantidade física, valores, alíquota dos tributos, entre outras informações que estão envolvidas em cada operação dos contribuintes.
Dessa forma, antes mesmo da exigência da apresentação das obrigações acessórias que consolidam as informações da movimentação dos contribuintes a cada período, o Fisco já dispõe de uma prévia da apuração e, ainda mais, consegue comparar esses dados com os arquivos gerados para as demais obrigações acessórias.
Até uma prévia da movimentação de inventário o Fisco já possui com esse armazenamento de informações, conseguindo identificar inclusive o custo de cada mercadoria.
Esse tipo de informação é passível de defesa por parte dos contribuintes, pois quando se trata de mercadorias, podem ocorrer extravios, quebras entre outras contingências, as quais os contribuintes podem comprovar por meio de outros documentos, que nem sempre são exigidos para a apresentação das obrigações mensais.
Nota-se que os contribuintes estão cada vez mais expostos às fiscalizações e ao risco de autuações, principalmente com o cruzamento das informações prestadas por distintas obrigações.
Essas análises não são restritas apenas ao período fiscal vigente, pois o histórico de informações de cada contribuinte é mantido pelo Fisco para análise dos últimos cinco anos. Já as obrigações Estaduais variam conforme as exigências de cada unidade da federação e as obrigatoriedades previstas em seus regulamentos.
Todas essas obrigações possuem informações em comum, algumas apresentadas de forma consolidada por totais de operações enquanto outras são detalhadas para cada documento escriturado, no entanto, os totais devem ser idênticos para cada período de referência apresentado.
As obrigações acessórias possuem leiautes específicos, entretanto, as informações, que antes eram exigidas de forma sintética (consolidada), agora são demonstradas de forma detalhada (documento a documento). A composição da apuração dos tributos deve ser a mesma independente do arquivo gerado para o mesmo estabelecimento e data de referência.
Os cruzamentos mais analíticos podem ser observados nas operações que envolvam nota fiscal eletrônica, por exemplo, que devem ser apresentadas detalhadamente em obrigações como EFD Contribuições e SPED Fiscal possibilitando um controle minucioso entre os documentos emitidos e a escrituração apresentada.
Se aprofundando um pouco mais, o Fisco pode inclusive identificar o custo das mercadorias e a movimentação do estoque confrontando essas informações.
Por sua vez, com as constantes mudanças tecnológicas e com o aumento de informações exigidas pelo Fisco, muitas empresas tiveram que adaptar os seus sistemas de informações (Softwares, ERPs) para atender às
obrigações do SPED. Muitas corporações contrataram novas empresas de tecnologia para gerar esses arquivos em sistemas separados.
Os resultados dessas ações implicam em possíveis divergências apresentadas entre os arquivos apresentados, justificadas pela falta de sincronização dos dados contábeis e fiscais, que devem ser confiáveis e estar de acordo com as operações das empresas.
Além do cruzamento entre obrigações, o Fisco ainda efetua o cruzamento de informações individualmente em cada arquivo. Essas validações representam graves riscos para os contribuintes que não apresentarem a escrituração em conformidade com as legislações previstas para cada tributo.
Uma das principais validações é a conferência da classificação fiscal das mercadorias (NCM – Nomenclatura Comum do Mercosul) com a tabela do IPI (TIPI), que serve de base para outras validações, como a aplicação das alíquotas dos Tributos, por exemplo.
Se o cadastro de mercadorias não estiver de acordo com a NCM vigente na data de emissão dos documentos, a Receita Federal poderá questionar os valores dos tributos apurados para os itens cadastrados indevidamente, podendo inclusive glosar o crédito ou ainda exigir o complemento do imposto, se as NCMs classificadas indevidamente corresponderem às alíquotas menores que as previstas.
Há inúmeras possibilidades de validações com as quais o Fisco identificar inconsistências e em sua maioria, estão relacionadas a problemas cadastrais. Informações básicas como NCM + EX_IPI, Tipo de Item (finalidade), CST do ICMS, CST do IPI, CST do PIS e CST da COFINS, coerência entre CFOP e CST, coerência entre as alíquotas aplicadas para as operações internas e interestaduais de acordo com a Tabela de Municípios IBGE, entre outras, são fundamentais para determinar como os tributos foram apurados.
Por meio dos diagnósticos que representam os cruzamentos realizados pela Receita Federal, as empresas devem se prevenir e projetar quais ações serão necessárias para sincronizar as informações de distintos sistemas, mapear as origens dos problemas, manter a base cadastral atualizada e criar os processos de acordo com as exigências legais.
No entanto, efetuar auditorias eletrônicas pode auxiliar no diagnóstico de inconsistências antes de enviar os arquivos para o Fisco, atuando de forma preventiva. Essas auditorias simulam possíveis verificações e cruzamentos realizados pela Receita Federal, permitindo que os contribuintes possam corrigir os erros e tomar as medidas necessárias antes da entrega das obrigações.
As empresas que ainda estão despreparadas precisam melhorar seus processos internos e, sobretudo, conhecer melhor os processos do SPED que estão em constante atualização. Sem investimento em conhecimento, tecnologia, auditorias preventivas e planos de ações corretivas para a apresentação de arquivos consistentes com a legislação, os riscos de autuações serão inevitáveis.
Diante das mudanças, a principal preocupação dos contadores foi o grau de amarração das informações e a nova parametrização do sistema, visto que o SPED Fiscal é dividido por blocos com funções especificas.
Esses novos procedimentos aumentaram o grau de exigência para validação dos arquivos. Por exemplo, o SPED exige uma parametrização bem amarrada das informações, logo os escritórios de contabilidade tiveram muitas dificuldades com essas alterações, tendo em vista que, em regra geral, o software do escritório não interage com o Sistema ERP dos seus clientes.
Outrossim, ainda há críticas sobre o sistema, como no processo de validação do SPED, que não é consistido no cadastro de produtos se possui NCM valida, ou seja, isso pode gerar diversas entraves para os profissionais fiscais.
Mesmo assim, numa visão geral, o sistema tornou mais simples a interação de contadores com o Fisco, tornando o trabalho mais simples e menos burocrático.
Principais cruzamentos das obrigações acessórias realizadas pela Compliance-bks.
Fonte: Bks, Compliance. Sobre cruzamentos realizados pelo sistema Compliance. Disponível em , http://bkps.com.br/compliance-bks/. Acesso em 16.07.2017 às 8:46.
3.2 Comparativo DIPJ x ECF – Principais diferenças entre Fichas e Registros.
Todos os anos é comum divulgarmos nesta seção as normas para elaboração da DIPJ e alterações trazidas pelo programa aprovado pela Receita Federal do Brasil (RFB). Todavia, considerando a extinção da DIPJ e a instituição da Escrituração Contábil Fiscal (ECF), discorremos neste texto as principais diferenças entre estas obrigações acessórias.
A estrutura principal da ECF será recuperada do arquivo da Escrituração Contábil Digital (ECD), em registros específicos para o Plano de Contas e os saldos das contas contábeis referenciais. Através da recuperação da ECD e dos dados da ECF do ano anterior (este caso aplicável somente a partir da ECF/2016) o sistema preencherá o bloco “E” e efetuará alguns cálculos fiscais. A recuperação desses dados suprimiu o preenchimento das informações relativas à Ficha 05 da DIPJ (Despesas Operacionais).
Como a composição do LALUR terá origem no Plano de Contas da ECD, através dos registros nomeados “Contas Contábeis Relacionadas ao Lançamento da Parte A do e-LALUR” e “Números dos Lançamentos Relacionados à Conta Contábil” será feito o relacionamento de contas que dará origem às adições/exclusões para apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL. Através do registro “Identificação de Processos Judiciais e
Administrativos Referentes ao Lançamento”, deverão ser identificados processos judiciais ou administrativos que embasaram adições menores que as previstas na legislação ou falta de adição e exclusões maiores que as previstas na legislação na parte A do e-LALUR (tratamento diverso do regramento fiscal).
Em relação à parte B do LALUR, na DIPJ, a única informação declarada era o saldo acumulado da CSLL (Ficha 67). No entanto, na ECF, a parte B será informada integralmente através do Bloco M, por meio do relacionamento de contas informado no parágrafo anterior.
Além da mudança da forma de input de dados do LALUR, a ECF traz novos registros para detalhamento de algumas operações. Enquanto na DIPJ existia apenas uma Linha na Ficha 11 para informação do imposto pago no exterior, na ECF há registro específico para o “Demonstrativo de Resultados e de Imposto Pago no Exterior”, contendo tanto informações em relação ao imposto, como do resultado auferido no exterior, em Linha com as novas regras de tributação universal da renda trazida pela Lei 12.973/14.
Em relação às informações dos investimentos mantidos pela pessoa jurídica (PJ), foram criados os seguintes demonstrativos, no Bloco X:
Demonstrativo de Resultados no Exterior Auferidos por Intermédio de Coligadas em Regime de Caixa; Demonstrativo de Consolidação; Demonstrativo de Rendas Ativas e Passivas; e Demonstrativo de Estrutura Societária. As informações relativas às Participações Avaliadas Pelo Método de Equivalência Patrimonial (Bloco Y) congregam, além das informações contidas na Ficha 62 da DIPJ, outras informações, tais como tipo de relacionamento (controle, coligação etc.), se há Laudo de Avaliação e dados do respectivo registro.
A informação da quantidade de empresas em que a PJ participava como sócio ostensivo em Sociedades por Conta de Participação (SCP), antes informada em uma Linha na Ficha 67 da DIPJ, possui registro independente na ECF (Bloco O), contendo a identificação de cada SCP que a PJ participe.
Outra inovação não menos importante no conteúdo da ECF, refere-se Demonstrativo das Diferenças na Adoção Inicial, em alinhamento às regras instituídas pela Lei 12.973/14 e Instrução Normativa RFB nº 1.515/14. Nesse sentido, além da estrutura de subcontas para controle dos ajustes fiscais de alguns eventos, a ECF contém registro específico destinado à informação das
diferenças dos saldos societário e fiscal das contas contábeis em virtude da adoção inicial das normas contábeis internacionais. Somente as empresas que optaram pela adoção antecipada da Lei 12.973 em 2014 estão obrigadas ao preenchimento deste Demonstrativo na ECF/2015.
O Manual de Orientação publicado no dia 28/08/15, criou mais três registros: Y700 - Declaração de Informações de Operações Relevantes (DIOR) e Y710 - Tributos Vinculados a DIOR, destinados à declaração contendo ações de planejamento tributário instituída pela Medida Provisória 685; e Registro Y720 - Informações de Períodos Anteriores, a ser informado quando houver entrega em atraso da escrituração, para fins de cálculo da multa sobre o Lucro Líquido de períodos anteriores.
A penalidade pela falta de entrega da ECF corresponde a 0,25%, por mês-calendário ou fração, do lucro líquido antes do Imposto de Renda e da Contribuição Social, limitado a 10%. Quando não houver lucro líquido no período de apuração, será utilizado o lucro líquido do último período de apuração informado, atualizado pela SELIC, até o termo final de encerramento do período a que se refere à escrituração, para empresas optantes ou obrigadas ao Lucro Real.
A multa é limitada ao valor de R$ 100.000,00 para a PJ que no ano- calendário anterior auferiu receita bruta total, igual ou inferior a R$ 3.600.000,00;
e ao valor de R$ 5.000.000,00 para a receita superior a R$ 3.600.000,00. Há também redução em função do prazo em que a obrigação for cumprida, após o prazo fiscal: 90% em até 30 dias; 75%, em até 60 dias; 50%, antes de qualquer procedimento de ofício; e 25%, no prazo fixado em intimação.
Em caso de erro ou omissão dos dados declarados, a multa é de 3%
do lucro líquido, não inferior a R$ 100,00, do valor omitido, inexato ou incorreto.
A multa não será devida se o sujeito passivo corrigir as inexatidões, incorreções ou omissões antes de iniciado qualquer procedimento de ofício; e será reduzida em 50%, se forem estas forem corrigidas no prazo fixado em intimação.
Para empresas sujeitas a outros regimes de tributação, a multa é de R$ 500,00 por mês-calendário ou fração, podendo ser reduzida a 50%, quando a obrigação acessória for cumprida antes de qualquer procedimento de ofício.
Devido à complexidade da ECF e as penalidades envolvidas, fica evidente que as empresas devem se antever ao prazo fiscal, iniciando o quanto antes a elaboração desta nova obrigação acessória, cujo prazo fiscal encerra-se no dia 30/09.
3.3- ECD x ECF – Diferenciação
A Escrituração Contábil Digital (ECD) tem distinções em relação a outra obrigação exigida das pessoas jurídicas, a Escrituração Contábil Fiscal (ECF).
A ECD, destinada para fins fiscais e previdenciários é normatizada pela Instrução Normativa RFB 1.420/2013, atualizada pela IN1679 de 27/12/2016, enquanto a ECF objetiva prestar informações relativas a todas as operações que influenciem a composição da base de cálculo e o valor devido do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), sendo normatizada pela Instrução Normativa RFB 1.422/2013.
A ECD compreenderá a versão digital dos seguintes livros:
I – livro Diário e seus auxiliares, se houver;
II – livro Razão e seus auxiliares, se houver;
III – livro Balancetes Diários, Balanços e fichas de lançamento comprobatórias dos assentamentos neles transcritos.
Já a ECF, para os contribuintes que apuram o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica pela sistemática do lucro real, a ECF é o Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur). Para os demais contribuintes, constitui-se no leque de informações para a apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL.
A ECF substitui, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 2014 a DIPJ, tanto em relação às optantes pelo Lucro Real quanto às optantes pelo Lucro Presumido ou Arbitrado, bem como as entidades imunes ou isentas do IRPJ e CSLL (caso das Organizações Não Governamentais – ONGs).
3.4 – Cruzamento da ECF x demais obrigações Federais
Das informações do arquivo fiscal da ECF com os demais arquivos fiscais, destacando o SPED Fiscal, EFD Contribuições, SPED Contábil, FCONT,
DCTF, DIPJ e DIRF. Essas conciliações têm como objetivo demostrar as informações de dois ou mais arquivos fiscais em conjunto, comparando e apresentando possíveis divergências existentes nos valores declarados. Dessa maneira, garante-se a integridade e coerência entre os arquivos fiscais transmitidos. Abaixo, confira a relação das conciliações oferecidas para auxiliar na análise dos arquivos fiscais.
• ECF x SPED Fiscal: Confronto dos valores ICMS/IPI a recuperar/recolher.
• ECF x EFD Contribuições: Confronto dos valores de PIS/COFINS a compensar/recolher, valores apurados de créditos PIS/COFINS e valores apurados total de receitas.
• ECF x SPED Contábil: Plano de Contas, Saldos, Balanço Patrimonial e DRE.
• ECF x FCONT: Lançamentos de Expurgo e Inclusões.
• ECF x DCTF: Confronto dos débitos informados na DCTF.
• ECF x DIPJ: Balanço Patrimonial, DRE, Lançamentos do RTT, Informações Econômicas e Gerais, etc. (coerência com a forma antiga de preenchimento da declaração).
• ECF x DIRF: Confronto dos valores retidos na fonte
Fonte: Quirius. Sobre cruzamento ECF. Disponível em : http://www.quirius.com.br/ecf-cruzamento-de-informacoes. Acesso em 16.07.17 às 9:17.
Portanto, independente da maneira que sua empresa está atuando para gerar sua Escrituração Contábil Fiscal, lembre-se: é essencial garantir a total conciliação, integridade e consistência dos dados.
3.5 - A FISCALIZAÇÃO X CONTADOR
O Brasil é um país considerado como campeão em relação à corrupção e nesse ambiente, destaca-se a sonegação de impostos. De acordo com alguns levantamentos, evidencia-se que a estatística sobre sonegação fiscal é mais elevada quando analisadas em pequenas e médias empresas, tendo em vista que o pensamento dos empresários desse tipo de entidade pensa que os órgãos de fiscalização só concentram a atenção em empresas de grande porte, o que decididamente não é verdade. Neste sentido: “os principais tipos de sonegação ou fraude são: venda sem nota fiscal; com “meia” nota; “compra” de notas fiscais; saldo negativo de caixa; acréscimo patrimonial a descoberto (do 30 sócio); deixar de recolher tributos descontados de terceiros […], entre outros”. (DUARTE, 2011, p.66). Dessa forma, espera-se que com a eficácia e eficiência Sistema Público de Escrituração Digital – SPED a estrutura fiscal e tributária do país evolua cada vez mais uniformemente. Consequentemente a isso, a área de atuação do contador cresce rapidamente alcançando diversos níveis e devido a isso ele assume muitos papéis, sujeito a multas, caso sejam constatadas irregularidades nas informações prestadas. Para tanto, “cabe ao contador alertar o empresário sobre prazos e penalidades de uma declaração.
No entanto, é papel do empresário entregar, em tempo hábil, todas as
informações e documentos para o seu cumprimento”. (ALCAZAR, 2013). Por isso, observa-se que o fisco age através dos formatos digitais para vigiar – em tempo real – todos os processos empresariais e obter informações úteis e com validade jurídica sobre os contribuintes.
CONCLUSÃO
Na pesquisa realizada verificou-se que apesar do preparo dos contadores ainda existe uma visão superficial referente a funcionalidade e obrigação do SPED e seus benefícios para sociedade.
A sociedade ainda possui um conhecimento muito genérico sobre o assunto pesquisado, pois ainda não se adequou por completo para prestar assistência e tirar as dúvidas dos contribuintes ficando esse papel também a cargo do contador.
A demanda do SPED vem sendo observada pela sociedade como um meio de evitar a sonegação fiscal e de burlar as relações da legalidade na arrecadação tributária do cenário empresarial, obrigando dessa forma as empresas se estruturarem econômica e financeiramente, gerando uma estabilidade patrimonial com vistas ao retorno tributário arrecadado pelo ente federado, dessa forma como foco principal existe a geração de renda e bem- estar da sociedade.
Esse posicionamento produz um cunho dogmático, pois a classe empresarial ainda constrói barreiras ao avanço tecnológico e a redução da lucratividade pelo capital investido na empresa, na verdade o empresário procura meios para o lucro direto sem a percepção de que a fonte produtora é o retorno da arrecadação dos impostos como forma de minimizar os efeitos da carência social.
O SPED se tornará um elemento essencial no mundo empresarial, sem o qual não há a continuidade da gestão na empresa, pois a relação criada entre o fisco e o contribuinte é irreversível. Essa realidade nos aproxima da visão modernista do futuro mundo empresarial, que por sua vez, deve se adequar a mudanças e atitudes de gestão na empresa. Aliado a era do conhecimento não há mais condições de se retroceder na história que Lucca Paccioli vivenciou, pois, o mundo moderno exige novas tendências ao cenário econômico mundial.
Analisando o desenvolvimento da pesquisa sobre o SPED, observa-se que ainda carece de informações aos usuários do sistema.
À medida que esse processo for sendo alimentado por banco de dados perfeitamente corretos, o SPED se tornará uma realidade inquestionável,