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Mana vol.8 número1

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Academic year: 2018

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Texto

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Este texto foi apresentado no simpósio “Anthropology in Print, the Transformation of Scholarly Publications” realizado na 100aReunião da American Anthropological Asso-ciation (Washington, D.C., 28 de novembro-2 de dezembro de 2001), sob o patrocínio da Wenner-Gren Foundation for Anthropological Research, do qual participaram repre-sentantes de editoras científicas americanas e os editores de Annual Review of

Anthro-pology, American Anthropology, American Ethnologist, Social Anthropology e M ana. O objet ivo do simpósio f oi discut ir as t ransf ormações que o mundo das publicações antropológicas sofreu nas últimas décadas: as mudanças em revistas “estabelecidas” e a aparição de novas, o papel dos periódicos na definição de debates e questões, a rela-ção entre sociedades científicas e publicações, a hierarquia global das revistas, o papel de editores e pareceristas, e o surgimento de novos formatos (como os digitalizados). A preocupação principal da reunião foi imaginar maneiras de incentivar o intercâmbio de experiências, descentralizando a produção e a edição, de forma a favorecer a cria-ção de uma “comunidade internacional de antropólogos”. A participacria-ção de M ana foi especialment e signif icat iva pelo f at o de ser a única revist a present e no event o não editada em inglês.

Int rodução

N o e d itoria l d e se u p rim e iro n ú m e ro, p u b lica d o e m ou tu b ro d e 1995,

M an a. Estu d os d e A n trop olog ia S ocial a firm a va o d e se jo d e se r h e rd e ira d e

“ u m a p a rte d a h istória n a cion a l e in te rn a cion a l d a a n trop olog ia [...] u m p on to d e e n con tro e n tre a m b a s” . Esta a firm a tiva g a n h a se n tid o q u a n d o se le va e m con ta d ois fa tore s: (a ) su a p u b lica çã o e m p ortu g u ê s, re con h e ce n -d o-se ta n to o ca rá te r m a rg in a l -d e ste d iom a e m re la çã o à s lín g u a s -d om in a in te s in o â m b ito d a d iscip liin a , com o a e xistê in cia d e u m ca m p o d e p rod u -çã o e p u b lica -çã o a n trop ológ ica s n o e sp a ço n a cion a l b ra sile iro; e (b ) o n o-m e d a re vista tra zia e o-m b u tid a u o-m a d e cla ra çã o d e in d e p e n d ê n cia d e q u a l-q u e r con te xto n a cion a l a o m e sm o te m p o l-q u e a e xp re ssã o d e u m a von ta d e d e id e n tifica çã o com a s m e lh ore s tra d içõe s u n ive rsa lista s n a a n trop olog ia .

A PRO PÓ SITO DE M AN A

ESPAÇOS N ACION AIS E CIRCULAÇÃO

IN TERN ACION AL DE IDÉIAS

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Ta is d e cisõe s n ã o a p a re ce ria m com o n a tu ra is p a ra q u e m q u e r q u e d e cid isse p u b lica r u m p e riód ico cie n tífico lon g e d os g ra n d e s ce n tros in te rn a cion a is. Ta m p ou co fora m e scolh a s e vid e n te s p a ra os cria d ore s d e

M an a, p rofe ssore s e p e sq u isa d ore s d o Prog ra m a d e Pós-G ra d u a çã o e m

An trop olog ia Socia l (PPG AS) d o M u se u N a cion a l d a Un ive rsid a d e Fe d e -ra l d o Rio d e J a n e iro (UFRJ ). N a d iscu ssã o q u e p re ce d e u a cria çã o d a re vista , fora m le va n ta d a s ou tra s p ossib ilid a d e s. Por q u e n ã o, p or e xe m p lo, p u b lica r a re vista d ire ta m e n te e m in g lê s, ou e n tã o e m d ive rsa s lín -g u a s sim u lta n e a m e n te , in clu in d o te xtos ori-g in a is e m p ortu -g u ê s b e m com o e m e sp a n h ol, fra n cê s e in g lê s? Q u a n to a o n om e , p or q u e n ã o e sco-lh ê -lo e m u m a d a s d ive rsa s lín g u a s fa la d a s n o te rritório b ra sile iro? O u p or q u e n ã o sim p le sm e n te “ Estu d os d e An trop olog ia Socia l” ?

O cu ltivo d e u m a voca çã o cosm op olita a p a rtir d e u m lu g a r p e rifé ri-co re q u e r u m a a titu d e p a rticu la rm e n te re fle xiva a re sp e ito d a s re la çõe s e n tre os e sp a ços n a cion a is e in te rn a cion a is d e p rod u çã o e p u b lica çã o. H á n e sse ca so u m d e lica d o e q u ilíb rio e n tre a s a m b içõe s e a s lim ita çõe s, im p osta s p e la n e ce ssid a d e d e m a n te r u m a orie n ta çã o n a cion a l, p e lo d e se -jo d e e sta b e le ce r d iá log os e a firm a r le g itim id a d e p a ra a lé m d a s fron te ira s n a cion a is, e p e la re je içã o ta n to d o n a cion a lism o q u a n to d o n a cioce n tris-m o. N ã o h á tris-m e lh or op ortu n id a d e d o q u e e ste sitris-m p ósio p a ra totris-m a r cotris-m o ob je to a lg u n s d os e le m e n tos d e ssa re la çã o te n sa e n tre a m b içõe s e lim ita -çõe s, a tra vé s d e u m re la to sin té tico d a a in d a b re ve h istória d e M an a.

Not as bibliográf icas

Fora m p u b lica d os a té h oje tre ze n ú m e ros d e M an a. M e ta d e d os se u s a u tore s p e rte n ce a in stitu içõe s b ra sile ira s, e n q u a n to a ou tra m e ta d e d ivi-d e -se e n tre a q u e le s filia ivi-d os a in stitu içõe s situ a ivi-d a s n a Fra n ça (17% ), n a In g la te rra (10% ), n os Esta d os Un id os (6% ), e m ou tros p a íse s d a Am é rica La tin a (6% ) e e m ou tros p a íse s e u rop e u s (6% )1. Dos a rtig os p u b lica d os,

40% tra ta m d e ob je tos situ a d os e m te rritório n a cion a l, 40% e stu d a m ob je -tos situ a d os e m ou tros Esta d on a çã o, e os d e m a is 20% a b ord a m q u e stõe s re la tiva s à te oria crítica ou à h istória socia l ou con ce itu a l d a s ciê n -cia s so-cia is e m g e ra l.

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C u n h a , Lu iz Fe rn a n d o Dia s Du a rte , Pe te r Fry, Yon n e Le ite , J osé Se rg io Le ite Lop e s, J oã o Pa ch e co d e O live ira , M a riza Pe ira n o, Lyg ia Sig a u d , G ira ld a Se yfe rth , Ed u a rd o Vive iros d e C a stro, G ilb e rto Ve lh o e O tá vio Ve lh o), b e m com o p e sq u isa d ore s q u e ob tive ra m se u d ou tora d o re ce n te -m e n te e e stu d a n te s n a s e ta p a s fin a is d a p ós-g ra d u a çã o. Q u a n to a os a u to-re s e stra n g e iros, d ivid e m -se e n tto-re “ g ra n d e s n om e s” (ta is com o H ow a rd Be ck e r, Pie rre Bou rd ie u , M a ry Dou g la s e M a rsh a ll Sa h lin s), m e m b ros re -con h e cid os d e u m a g e ra çã o in te rm e d iá ria (com o, p . e x., Lu c Bolta n sk i, Rog e r C h a rtie r, Ph ilip p e De scola , Ulf H a n n e rz, M a rilyn Stra th e rn e J oa n n a O ve rin g ), e ta m b é m a u tore s m a is n ovos, cu ja s ca rre ira s e stã o e m con s-tru çã o n os p a íse s ce n tra is.

Primeira observação: naciocent rismo

A d istrib u içã o e n tre a u tore s b ra sile iros e e stra n g e iros n ã o corre sp on d e a u m a d ivisã o d e tra b a lh o a ju sta d a à loca liza çã o te rritoria l d os re sp e ctivos ob je tos, o q u e con tra d iz u m p rin cíp io ce n tra l n a h ie ra rq u ia d a p rod u çã o e p u b lica çã o in te rn a cion a is e m ciê n cia s socia is. Dos a rtig os d e a u tore s b ra sile iros2, h á vá rios q u e a b ord a m ob je tos situ a d os a lé m d a s fron te ira s

n a cion a is, e ou tros p a ra os q u a is a e xistê n cia d e fron te ira s é irre le va n te e m te rm os d a p e rsp e ctiva te órica a d ota d a3. Por ou tro la d o, a p e n a s u m a

p e q u e n a p a rte d os a rtig os d e a u tore s e stra n g e iros a b ord a p op u la çõe s situ a d a s d e n tro d o te rritório b ra sile iro (d e n tre os q u e o fa ze m , a m a ioria re fe re -se a socie d a d e s a m a zôn ica s). Por fim , ve rifica -se q u e os a u tore s n ã o-b ra sile iros q u e a p a re ce m e m M an a d ificilm e n te p od e ria m se r d e s-critos com o “ b ra silia n ista s” ou “ la tin o-a m e rica n ista s” — a o con trá rio d o q u e ocorre , p or e xe m p lo, com a q u e le s q u e p u b lica m e m p e riód icos e sp e -cia liza d os n a In g la te rra (com o o Jou rn al of Latin A m e rican S tu d ie s), n os Esta d os Un id os (com o o Jou rn al of Latin A m e rican A n th rop olog y ), ou n a Fra n ça (com o o Cah ie rs d ’Étu d e s su r le Bré sil Con te m p orain e ), e a in d a e m ou tra s re vista s d e ciê n cia s socia is e d ita d a s n o Bra sil4.

Segunda observação: inedit ismo

Ao con trá rio d a m a ioria d os p e riód icos d o g ê n e ro e d ita d os e m lín g u a s “ fra ca s” , q u e n orm a lm e n te tra ze m tra d u çõe s d e te xtos p re via m e n te p u b lica d os p or a u tore s e stra n g e iros e m su a s p róp ria s lín g u a s “ forte s” ,

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-b a lh os orig in a is, tra d u zin d o m a n u scritos in é d itos. A re vista p rocu ra p a rticip a r d os circu itos in te rn a cion a is e m ig u a ld a d e d e con d içõe s, se ja a tra -vé s d a s re fe rê n cia s a se u s a rtig os, se ja a tra -vé s d a re e d içã o d e te xtos ori-g in a lm e n te p u b lica d os e m M an a e m ou tros p e riód icos ou e m livros (e m in g lê s, fra n cê s, p ortu g u ê s ou e sp a n h ol). Pa ra os a u tore s e stra n g e iros, o in te re sse d e p u b lica r e m M an a é re su lta d o d e d ive rsos m otivos, a d e p e n -d e r -d o p a ís -d e orig e m , -d o m om e n to n a ca rre ira a ca -d ê m ica e -d a á re a -d e in te re sse . A m a ioria p a rticip a , d e u m a m a n e ira ou d e ou tra , d a a m p la e d e n sa re d e d e re la çõe s e n tre in d ivíd u os e in stitu içõe s q u e se con solid a , com o ve re m os a d ia n te , e m fu n çã o d a orie n ta çã o in te rn a cion a l d a a n tro-p olog ia b ra sile ira . N a ve rd a d e , tro-p ou cos d os a u tore s “ a tra íd os” tro-p a ra a re vista e stã o “ livre s” d e sse s vín cu los socia is. Por ou tro la d o, d e ve se con -sid e ra r q u e g e ra lm e n te a p u b lica çã o d e u m a rtig o e m p ortu g u ê s n ã o in via b iliza su a p oste rior p u b lica çã o e m u m a lín g u a “ forte ” , já q u e o p or-tu g u ê s é con sid e ra d o d e m a sia d a m e n te loca l p a ra rom p e r o in e d itism o d e u m te xto n o p la n o g lob a l.

Terceira observação: f undament alismo

O con te ú d o d os a rtig os e a filia çã o in stitu cion a l d os a u tore s e d os m e m -b ros d o C on se lh o Ed itoria l d e M an a im p lica m u m a con ce p çã o a m p la d e a n trop olog ia , q u e re je ita os fu n d a m e n ta lism os te óricos e d iscip lin a re s, tã o com u n s ta n to n o ce n tro com o n a p e rife ria . O s a u tore s “ n ã o-a n trop ó-log os” (e os “ n ã o-a n trop óó-log os” q u e fa ze m p a rte d o C on se lh o Ed itoria l, com o os sociólog os e h istoria d ore s) com p a rtilh a m u m a m e sm a se n sib ili-d a ili-d e in te le ctu a l, cu jos te rm os fora m cla ra m e n te ili-d e lin e a ili-d os n o e ili-d itoria l d o p rim e iro n ú m e ro d a re vista : rig or con ce itu a l vin cu la d o à p e sq u isa e m p írica m e tód ica , com o ob je tivo d e p rod u zir u m a visã o tota liza d ora d a vid a socia l e cu ltu ra l, q u e se ja com p re e n siva (e n ã o n orm a tiva ).

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Arg é lia ou n a Arg e n tin a ); m e io a m b ie n te e m ovim e n tos socia is n o Re in o Un id o; h á b itos d e le itu ra e lite ra tu ra p op u la r n a Eu rop a ; n a cion a lism o e e d içã o d e livros n o Bra sil; e con om ia e e con om ista s n a Fra n ça e tc. H á ta m b é m te xtos a b ord a n d o a s tra je tória s socia is e o con te ú d o d a s ob ra s d e a u -tore s con sa g ra d os (ta is com o Ba te son , M a u ss, Sa h lin s, We b e r ou Wu n d t) e se çõe s d e d ica d a s à p u b lica çã o d e con fe rê n cia s, d e b a te s e e n tre vista s5.

Em su m a , a o lon g o d e se u s se te a n os d e e xistê n cia , M an a con se g u iu torn a r-se u m a re vista a n trop ológ ica b ra sile ira , se m se r n a ciocê n trica ; u m a p u b lica çã o fe ita n o Bra sil, se m se r p rovin cia n a6; u m ca n a l p a ra a n trop

ó-log os n ã o-b ra sile iros, se m se r u m e sp a ço re se rva d o p a ra b ra silia n ista s; e u m a re vista d e a n trop olog ia q u e n ã o e voca n e n h u m fu n d a m e n ta lism o te órico ou d iscip lin a r.

A e ssa s ca ra cte rística s, d e ve -se a cre sce n ta r a in d a ou tra . M an a su r-g iu d a in icia tiva d e u m r-g ru p o forte m e n te coe so d e m e m b ros d e u m a in s-titu içã o q u e ocu p a lu g a r ce n tra l n a a n trop olog ia b ra sile ira . M a s a re vista b u sca se r m a is d o q u e u m ca n a l p a ra a d ifu sã o d os tra b a lh os fe itos n o

PPG AS7. A re d e d e in d ivíd u os q u e com p õe m o C on se lh o Ed itoria l, q u e

tive ra m se u s a rtig os p u b lica d os ou q u e a tu a ra m com o p a re ce rista s n ã o a p e n a s se e ste n d e p a ra a lé m d a s fron te ira s n a cion a is com o ta m b é m a b ra n g e os p rin cip a is g ru p os d e p e sq u isa n o Bra sil. Se m se r u m a p u b li-ca çã o d e u m a a ssocia çã o cie n tífili-ca (a in d a q u e vá rios d e se u s m e m b ros se ja m a tu a n te s n a s p rin cip a is a ssocia çõe s cie n tífica s d o p a ís), e se m se p re te n d e r re p re se n ta n te d e u m a “ a n trop olog ia n a cion a l” , M an a e xp re s-sa a con sciê n cia q u e os a n trop ólog os b ra sile iros p ossu e m d os e fe itos q u e su a in se rçã o n o ca m p o in te rn a cion a l te ve , e te m , n a con solid a çã o d a d is-cip lin a n o Bra sil8.

Uma singular vocação cosmopolit a

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Trê s d é ca d a s m a is ta rd e , e m 1968, e m u m m om e n to q u e coin cid e com a su b stitu içã o d a Eu rop a p e los EUA com o e ixo d a s re la çõe s in te r-n a cior-n a is, foi cria d o o p rim e iro Prog ra m a d e Pós-G ra d u a çã o e m Ar-n tro-p olog ia Socia l, n o M u se u N a cion a l d a Un ive rsid a d e Fe d e ra l d o Rio d e J a n e iro. O PPG ASn a sce u a p a rtir d e d ois g ra n d e s p roje tos d e p e sq u isa : u m d e le s e ra o “ Estu d o C om p a ra tivo d e Socie d a d e s N a tiva s d o Bra sil” , fin a n cia d o p e lo La tin Am e rica n Socia l Scie n ce Re se a rch C ou n cil; o ou tro e ra o “ Proje to d e Pe sq u isa H a rva rd -Bra sil C e n tra l” , q u e su rg iu a p a rtir d e u m con vê n io e n tre a Un ive rsid a d e d e H a rva rd e o M u se u N a cion a l. O PPG ASsu rg e ta m b é m sob os a u sp ícios d a Fu n d a çã o Ford e d a s ca d a ve z m a is a tiva s a g ê n cia s g ove rn a m e n ta is d e fom e n to a o d e se n volvim e n -to cie n tífico (ta is com o a C APES, o C N Pq e a FIN EP, cria d a s a p a rtir d o fin a l d os a n os 50). De sd e e n tã o, o PPG ASte m sid o se d e d e g ra n d e s p ro-je tos cole tivos d e p e sq u isa . Foi n o â m b ito d e sse s p roro-je tos q u e a m a ioria d os se u s a lu n os re ce b e u su a form a çã o, e é a e le s q u e e stá re fe rid a a g ra n d e m a ioria d os a rtig os p u b lica d os n a re vista M an a p or a u tore s lig a -d os a o PPG AS9.

Ao com p a ra r a con stitu içã o d a s ciê n cia s socia is n o Bra sil (e , e sp e ci-fica m e n te , a h istória d a a n trop olog ia n o M u se u N a cion a l) com ou tra s e xp e riê n cia s la tin o-a m e rica n a s, sob re ssa e m d u a s im p orta n te s ca ra cte rís-tica s: u m e le va d o g ra u d e con tin u id a d e in stitu cion a l e u m a con sid e rá ve l in d e p e n d ê n cia e m re la çã o a os p od e re s d o Esta d o e à lóg ica d a s lu ta s p olí-tica s. Q u a n d o foi cria d o o PPG AS, o p a ís p a ssa va p or u m d os p e ríod os m a is som b rios d e su a h istória re ce n te , se n d o g ove rn a d o d e sd e 1964 p or u m a d ita d u ra m ilita r. M a s, a o con trá rio d o q u e ocorre u e m ou tros p a íse s (n a vizin h a Arg e n tin a , p or e xe m p lo), o con te xto a u toritá rio p e rm itiu e a té m e sm o fa vore ce u a p rofission a liza çã o d a s ciê n cia s socia is. Por ou tro la d o, a in d a q u e os a n trop ólog os vie sse m já h á a lg u m te m p o p a rticip a n d o d a s a g ê n cia s g ove rn a m e n ta is volta d a s p a ra a a d m in istra çã o d a s p op u la çõe s n a tiva s, a p re se n ça e o p e so d o “ in d ig e n ism o” n a a n trop olog ia a ca d ê m ica b ra sile ira se m p re foi m e n or d o q u e n a ou tra a n trop olog ia n a cion a l forte d a Am é rica La tin a : a m e xica n a , cu ja p rod u çã o sofre u os e fe itos d a e xce s-siva p roxim id a d e a o Esta d o10.

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a u toritá rios. Por ou tro, u m a forte in te g ra çã o com re d e s in te rn a cion a is p ossib ilitou ta n to o in g re sso d e re cu rsos com o a le g itim a çã o a ca d ê m ica .

Esse “ jog o d u p lo” e n tre os p la n os n a cion a l e in te rn a cion a l e vid e n -cia ou tra q u a lid a d e d os a n trop ólog os e cie n tista s so-cia is b ra sile iros: a tra n sform a çã o d a lim ita çã o re p re se n ta d a p e lo u so d e u m a lín g u a p e rifé -rica n a virtu d e d o m u ltilin g ü ism o. Tod o e stu d a n te d e d ou tora d o n o p a ís d e ve le r a o m e n os q u a tro lín g u a s: p ortu g u ê s, in g lê s, e sp a n h ol e fra n cê s. Pa ra e sp a n to d os vizin h os la tin oa m e rica n os (e n ã o a p e n a s d e le s), a s p ra -te le ira s d a s b ib lio-te ca s d e ciê n cia s socia is n o Bra sil e stã o tom a d a s p or títu los e m d ive rsa s lín g u a s11.

Evid e n te m e n te q u e a a n trop olog ia h a via n a scid o n o Bra sil a n te s d a im p la n ta çã o d a p ós-g ra d u a çã o n o fin a l d a d é ca d a d e 60. Ela e sta va in i-cia lm e n te vin cu la d a a os m u se u s d e h istória n a tu ra l (com o p or e xe m p lo o p róp rio M u se u N a cion a l, q u e tin h a u m se tor d e a n trop olog ia ). A Associa -çã o Bra sile ira d e An trop olog ia (ABA) foi fu n d a d a e m 1955. C on form e m e n cion a d o, os in d ivíd u os q u e re ce b ia m form a çã o n a á re a se m p re tra b a lh a ra m e m a g ê n cia s e sta ta is d e d ica d a s à a d m in istra çã o d a s p op u la -çõe s n a tiva s (n o “ Se tor d e Estu d os” d o Se rviço d e Prote çã o a os Ín d ios, p or e xe m p lo)12. M u itos a sp e ctos d e M an a re ve la m a h e ra n ça d e ssa h

istó-ria13. A e xistê n cia d a re vista p od e se r com p re e n d id a n o con te xto d a p

ro-fission a liza çã o d a d iscip lin a e d a ve rtig in osa e xp a n sã o d o m e rca d o n a cio-n a l d e cocio-n su m o d e id é ia s e p u b lica çõe s re la ciocio-n a d a s com a a cio-n trop olog ia (e a s ciê n cia s socia is e m g e ra l).

M an a foi cria d a e m u m con te xto m a rca d o p or u m a e n orm e e xp a n

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p rog ra m a d e b olsa s p a ra e stu d a n te s d e n a çõe s e m d e se n volvim e n to, e a lé m d isso (a lg o a in d a m a is d ig n o d e n ota ) a s b olsa s re g u la rm e n te con -ce d id a s p a ra e stu d a n te s d e p ós-g ra d u a çã o p e la s a g ê n cia s fe d e ra is n ã o fa ze m d istin çã o e n tre b ra sile iros e e stra n g e iros. Essa con solid a çã o d o m e rca d o n a cion a l se con ju g a a u m (já n ã o m a is in cip ie n te ) m e rca d o su l-a m e ricl-a n o p l-a rl-a l-a p rod u çã o l-a n trop ológ icl-a b rl-a sile irl-a14. Eu m e sm o sou u m

e xe m p lo d a ca p a cid a d e d e a tra çã o d e sse d in a m ism o: n a scid o n a Arg e n -tin a , re ce b i n o M é xico m in h a form a çã o a ca d ê m ica in icia l n a d iscip lin a e (d o m e sm o m od o q u e os d ois ou tros p rim e iros e d itore s d e M an a) ob tive m e u títu lo d e d ou tor n o PPG ASd o M u se u N a cion a l.

Limit es e Ambições

Q u a n d o o p rim e iro n ú m e ro d e M an a foi p u b lica d o, h a via n o p a ís d ois ou tros p e riód icos im p orta n te s n a á re a . O m a is a n tig o e ra a Re v ista d e

A n trop olog ia, q u e su rg iu e m 1957 com o órg ã o oficia l d a ABA, e q u e , d e

s-d e 1978, h a via p a ssa s-d o a se r e s-d ita s-d o p e lo De p a rta m e n to s-d e An trop olog ia d a Un ive rsid a d e d e Sã o Pa u lo, se m a in d a con se g u ir re g u la riza r su a p e rio-d icirio-d a rio-d e . A ou tra p u b lica çã o e ra o A n u ário A n trop ológ ico, e rio-d ita rio-d a rio-d e srio-d e 1976 p e lo De p a rta m e n to d e An trop olog ia d a Un ive rsid a d e d e Bra sília . O s a n trop ólog os d o M u se u N a cion a l tin h a m vín cu los m a is forte s com e sse p e riód ico (e m fu n çã o, e n tre ou tra s coisa s, d e u m a h istória d e p roxim id a -d e s p e ssoa is e in stitu cion a is).

A p u b lica çã o d e p e riód icos d e a n trop olog ia e ra ta lve z o ú n ico p la n o d a in stitu cion a liza çã o d a d iscip lin a n o q u a l o g ru p o d e a n trop ólog os d o M u -se u N a cion a l a in d a n ã o -se h a via e n volvid o15, e m b ora o M u se u N a cion a l

tive sse p or m u itos a n os e d ita d o u m a cole çã o d e Bole tin s e o PPG ASoca -sion a lm e n te p u b lica sse a s Com u n icaçõe s, con te n d o a rtig os sob re p e sq u i-sa s e m a n d a m e n to n a in stitu içã o16. A cria çã o d e M an a e n volve u u m com

-p on e n te g e ra cion a l. Poré m , se a in icia tiva foi d os “ jove n s” (q u e se h a via m torn a d o p rofe ssore s d o PPG ASn os d ois a n os a n te riore s à p u b lica çã o d o p rim e iro n ú m e ro), n e la log o se e n g a ja ra m os ou tros cole g a s d o Prog ra m a .

M an a e stá lig a d a a u m fe n ôm e n o re la tiva m e n te re ce n te n a a n trop

o-log ia b ra sile ira : a a m p lia çã o d o n ú m e ro d e p e riód icos. Ta is p e riód icos trou xe ra m à ton a u m a d a s p rin cip a is ca ra cte rística s d o ca m p o d a s ciê n -cia s so-cia is n o p a ís: o p a p e l ce n tra l d os p rog ra m a s d e p ós-g ra d u a çã o, a g e n te s-ch a ve n a p rod u çã o d o con h e cim e n to, n a b u sca d e re cu rsos, n a p olítica a ca d ê m ica e , m a is re ce n te m e n te , n a p u b lica çã o d e re vista s17. Ao

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in stitu içõe s é re la tiva m e n te ra ra n o Bra sil. Ao m e sm o te m p o, e stá a u se n te a fig u ra d o p e sq u isa d or “ p u ro” , com o e xiste n a Fra n ça , fa ze n d o com q u e se ja n e ce ssá rio se vin cu la r a u m p rog ra m a e m a lg u m a u n ive rsid a d e p a ra p a rticip a r d o ca m p o a ca d ê m ico (e ta m b é m p a ra re ce b e r q u a lq u e r fin a n -cia m e n to d o C N Pq ).

A d in â m ica com p e titiva d o ca m p o e d itoria l n a cion a l re fle te ce rta -m e n te a d in â -m ica co-m p e titiva e -m q u e se e n volve -m in d ivíd u os e in stitu i-çõe s. A “ cu ltu ra d a a va lia çã o” im p ôs a o m icrom u n d o d a a n trop olog ia b ra sile ira o le m a p e rve rso d o p u b lish (se ja o q u e for) or p e rish18. Isso te ve ,

con tu d o, u m e fe ito in e g a ve lm e n te p ositivo n a re n ova çã o n ã o só d o con -te ú d o com o ta m b é m d o lay ou t e d a q u a lid a d e g rá fica d os p e riód icos.

É b a sta n te p rová ve l q u e a lg u m a form a d e ag g iorn am e n to su rja n a se q ü ê n cia d a a tu a l a b u n d â n cia d e re vista s. De q u a lq u e r m od o, a e sca s-se z d e m a te ria l n ã o s-se a p re s-se n ta n e ste m om e n to com o d ificu ld a d e . M an a te m m a n tid o u m a m é d ia e stá ve l d e a ce ita çã o d os m a n u scritos a p re se n ta -d os p or in -d iví-d u os vin cu la -d os a in stitu içõe s b ra sile ira s -d e p ou co m a is -d e 30%19. Assim , d o p on to d e vista d a p rod u çã o, a fa lta d e a rtig os n ã o p a re

-ce se r o p rin cip a l p rob le m a p a ra a p u b lica çã o d e re vista s cie n tífica s n o Bra sil (a in d a q u e oca sion a lm e n te e n con tre m os e d itore s “ à ca ça d e a rti-g os” ). Um a d ificu ld a d e m a is su til e m e rrti-g e d a p a rticip a çã o d os a n trop ólo-g os n os circu itos in te rn a cion a is: M an a com p e te p or a rtiólo-g os d e a u tore s b ra sile iros n ã o a p e n a s com re vista s p u b lica d a s n o p a ís, m a s ta m b é m com p e riód icos e d ita d os fora d o Bra sil, e m in g lê s ou fra n cê s — com o m ostra a cre sce n te fre q ü ê n cia d e a u tore s b ra sile iros e m re vista s in te rn a cion a is d e p rim e ira lin h a p u b lica d a s n a Eu rop a ou n os Esta d os Un id os.

Do p on to d e vista d a d istrib u içã o, a s com p lica çõe s sã o m u ito m a iore s. M an a é p u b lica d a se m e stra lm e n te , com u m a tira g e m d e 1.000 e xe m -p la re s -p or n ú m e ro. C e rca d e 100 d e le s se d e stin a m a u m a d a s -p rin ci-p a is fu n çõe s d os p e riód icos cie n tíficos b ra sile iros: e n riq u e ce r a s b ib liote ca s a tra vé s d e in te rcâ m b io com ou tra s p u b lica çõe s, ta n to n o Bra sil com o n o e xte rior. Ap e sa r d a p re se n ça irre g u la r n a s livra ria s (e d o fa to d e q u e , com o e m q u a se tod os os lu g a re s, ta m b é m n o Bra sil ra ra m e n te o p ú b lico com p ra re vista s cie n tífica s e m livra ria s), ce rca d e 150 e xe m p la re s costu -m a -m se r a li ve n d id os a ca d a se -m e stre . O p rob le -m a -m a is g ra ve d iz re s-p e ito à s a ssin a tu ra s: M an a n u n ca te ve m u ito m a is d o q u e 200 a ssin a n te s, e a s a ssin a tu ra s in stitu cion a is n ã o p a ssa m d e d u a s d ú zia s, n ú m e ros ce r-ta m e n te in im a g in á ve is p a ra re visr-ta s e q u iva le n te s p u b lica d a s n a Eu rop a ou n os Esta d os Un id os20.

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-tífica s: a s b ib liote ca s b ra sile ira s n ã o a com p a n h a ra m o d in a m ism o cre s-ce n te d o ca m p o cie n tífico n a cion a l. Um a p olítica a u tôn om a d e a q u isiçõe s n ã o ch e g ou a se r in stitu íd a (a s p re fe rê n cia s e a n im osid a d e s d os m e m -b ros d os d e p a rta m e n tos ta m -b é m p ossu e m u m p e so e xce ssivo n e sse a s-p e cto). O m a is g ra ve é q u e , a o lib e ra re m ca d a ve z m e n os re cu rsos s-p a ra a s b ib liote ca s, os M in isté rios d a C iê n cia e Te cn olog ia e d a Ed u ca çã o fra ca ssa ra m e m su a s te n ta tiva s d e m od e rn iza r e sssa á re a e stra té g ica p a ra o fu n -cion a m e n to d o ca m p o a ca d ê m ico.

C om o ocorre com tod a s a s re vista s cie n tífica s p u b lica d a s n o p a ís,

M an a é in te g ra lm e n te fin a n cia d a p or fu n d os d e a g ê n cia s g ove rn a m e n

-ta is. Da d o o p e q u e n o n ú m e ro d e a ssin a tu ra s, a p u b lica çã o d e re vis-ta s ci-e n tífica s n ã o é a tra ci-e n tci-e p a ra a s ci-e d itora s com ci-e rcia is. N o Bra sil, n ã o su rg iu n a d a q u e se p ossa com p a ra r a os e d itore s com e rcia is d e d ica d os a re vista s cie n tífica s q u e e xiste m n o m u n d o a n g lo-sa xã o. Ta m p ou co h á u m a tra d içã o d e fila n trop ia cie n tífica , n a lin h a d a q u e e m a lg u n s p a íse s ce n tra is g a ra n -te o fin a n cia m e n to d e b ib lio-te ca s.

Assim , a tu a lm e n te o Esta d o con tin u a a se r o p rin cip a l a tor n o ca m p o cie n tífico n a cion a l, a p e sa r d e a lg u n s m ovim e n tos e m se n tid o op osto p ro-m ovid os p e lo cre d o n e olib e ra l q u e a o lon g o d os ú ltiro-m os a n os se ro-m ostrou tã o in flu e n te n a s p olítica s p ú b lica s. Em fu n çã o d isso, é p a ra d oxa l q u e o m e sm o Esta d o q u e fin a n cia a p u b lica çã o d a s re vista s cie n tífica s n ã o d ê su -ficie n te a p oio à s b ib liote ca s p ú b lica s q u e d e ve ria m com p ra r ta is re vista s.

Ta m b é m é n a d istrib u içã o d e M an a q u e se torn a m a is e vid e n te a p o-siçã o d e re la tiva su b ord in a çã o q u e a re vista ocu p a n o e sp a ço in te rn a cio-n a l. M e cio-n os d e u m a d ú zia d e icio-n stitu içõe s e stra cio-n g e ira s a ssicio-n a m a re vista .

M an a é d istrib u íd a n o e xte rior m e d ia n te troca s e e sp e cia lm e n te a tra vé s

d os 150 e xe m p la re s d e ca d a n ú m e ro q u e sã o re p a ssa d os à re d e d e in d iví-d u os e in stitu içõe s “ a m ig os” iví-d a re vista . Prob le m a s se m e lh a n te s su rg e m com re la çã o a os p rin cip a is Ín d ice s d e C ita çõe s, u m a fre n te n a q u a l é p re -ciso b a ta lh a r p a ra a sse g u ra r a p re se n ça con sta n te d a re vista21.

A e xp a n sã o d a d ig ita liza çã o a b re n ova s p e rsp e ctiva s e p rob le m a s. Ap a re n te m e n te , o Bra sil n ã o e stá m u ito a tra sa d o n a e xp lora çã o d a s p ossi-b ilid a d e s e d ile m a s q u e e ssa s tra n sform a çõe s in trod u ze m n o m u n d o d a s re vista s cie n tífica s. Esta m os a tu a lm e n te p a ssa n d o p or u m p e ríod o d e tra n siçã o cu ja p rin cip a l ca ra cte rística é o livre a ce sso à s p u b lica çõe s d ig i-ta liza d a s, p or u m p e ríod o lim ii-ta d o, n a s b ib liote ca s p ú b lica s b ra sile ira s.

M an a m a n té m u m a h om e p ag e e e stá in te g ra d a à Scie n tific Ele tron ic

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Epílogo

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Not as

1 A d istrib u içã o d os a u tore s d a s re se n h a s e a rtig os b ib liog rá ficos é se m e

-lh a n te . C e rca d a m e ta d e d os livros re se n h a d os foi p u b lica d a p or e d itora s b ra sile i-ra s, e n q u a n to a ou ti-ra m e ta d e re fe re -se a livros e d ita d os e m in g lê s ou fi-ra n cê s.

2 N e sse con te xto, o a d je tivo “ b ra sile iro” re fe re se a o p e rte n cim e n to in stitu

-cion a l e n ã o à n a -cion a lid a d e .

3 Em te rm os n u m é ricos, 40% d os a rtig os p u b lica d os a b ord a m ob je tos situ a

-d os e m te rritório b ra sile iro. Esta p rop orçã o é e xtre m a m e n te a lta se com p a ra -d a à d os p e riód icos ce n tra is n o p la n o in te rn a cion a l, m a s é m u ito b a ixa se cote ja d a à d a q u e le s p u b lica d os e m ou tros p a íse s d a Am é rica La tin a e m e sm o à d e ou tra s re vista s d e a n trop olog ia ou ciê n cia s socia is e d ita d a s n o Bra sil, n a s q u a is a p or-ce n ta g e m d e a u tore s p e rte n or-ce n te s a in stitu içõe s e stra n g e ira s te n d e a se r m e n or q u e 10% .

4 A re sp e ito d o b ra silia n ism o e e sp e cifica m e n te d a s p u b lica çõe s d os b ra

si-lia n ista s n o Bra sil, ve r Pon te s (1995).

5 A re vista já p u b licou lon g a s e n tre vista s com N oa m C h om sk y, M a ry Dou

-g la s, Ke n H a le , Ulf H a n n e rz, Ad a m Ku p e r, C la u d e Lé vi-Stra u ss, Ab d e lm a le k Sa ya d , Isa a c Sch a p e ra , M a rilyn Stra th e rn , Sta n le y Ta m b ia h , Ra n g in u i Wa lk e r e Eric Wolf, e n tre ou tros.

6 A re sp e ito d a d istin çã o e n tre a a n trop olog ia d o Bra sil e a a n trop olog ia fe

i-ta n o Bra sil, cf. Pe ira n o (2000).

7 Do tota l, 20% d os a u tore s p u b lica d os n a re vista M an a e stã o lig a d os a o

PPG AS(com re la çã o a os a u tore s vin cu la d os a in stitu içõe s b ra sile ira s, e ssa p rop

or-çã o sob e p a ra 36% ).

8 M an a p ossu i u m a C om issã o Ed itoria l form a d a p e los p rofe ssore s d o PPG AS

e u m C on se lh o Ed itoria l com p osto p or p ou co m a is d e u m a vin te n a d e a n trop ólo-g os e cie n tista s socia is d o Bra sil e d e ou tros p a íse s. O e sp a ço d e d iscu ssã o cole ti-va d a p olítica e d itoria l d a re vista (e xe cu ta d a p e los e d itore s e p e la se cre tá ria d e re d a çã o) sã o a s re u n iõe s se m e stra is d a C om issã o Ed itoria l.

9 Pa ra u m a h istória d o PPG AS, cf. Le ite Lop e s (1992); ve r, ta m b é m , C a stro Fa

-ria (1993). Sob re o Proje to H a rva rd -Bra sil C e n tra l cf. M e la tti n e ste n ú m e ro d e M an a.

10A re sp e ito d a in stitu cion a liza çã o d a s ciê n cia s socia is n o Bra sil, ve r M ice li

(1989; 1995); sob re a a n trop olog ia socia l e sp e cifica m e n te , ve r C orrê a (1995). A re sp e ito d a s re la çõe s e n tre o in d ig e n ism o b ra sile iro e o m e xica n o, ve r Lim a (2000) e Ra m os (1998). Sob re a a n trop olog ia n a cion a l m e xica n a , ve r Lom n itz (2000). Sob re a re la çã o e n tre a p rod u çã o d o con h e cim e n to a n trop ológ ico e o tra Sob a lh o d os a n -trop ólog os n a s a g ê n cia s e sta ta is e O N G svolta d a s p a ra a d e fe sa d os d ire itos in d í-g e n a s, ve r O live ira (2000). Pa ra u m a a n á lise com p a ra tiva m a is í-g e ra l (q u e in clu i ou tros ca sos d a Eu rop a , Ásia e África ), ve r L’Estoile , N e ib u rg e Sig a u d (2000).

11N a orig e m d e ssa virtu d e e stá se m d ú vid a u m tra ço m a is g e ra l d a s e lite s

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12É in te re ssa n te ob se rva r com o os p rin cip a is a g e n te s d a p rofission a liza çã o

d a d iscip lin a n o p a ís circu la ra m p or e sse s e sp a ços a n te s d a fu n d a çã o d os p rim e i-ros p rog ra m a s d e p ós-g ra d u a çã o. O ca so m a is n otá ve l é o d e Rob e rto C a rd oso d e O live ira , o “ p a i d a a n trop olog ia a ca d ê m ica ” n o p a ís. Ele se g ra d u ou n a Un ive rsi-d a rsi-d e rsi-d e Sã o Pa u lo, foi p a ra o SPI, e p ou co d e p ois fu n d ou o PPG ASn o M u se u N a -cion a l. Sob re a a n trop olog ia a n te s e d e p ois d a e ra d a p ós-g ra d u a çã o n o Bra sil, cf. C orrê a (1995) e Ru b im (1997).

13O e xe m p lo m a is re ce n te é a p u b lica çã o, e m M an a, vol. 7, no2, d e 2001, d e

m a n u scritos orig in a is d e C u rt N im u e n d a jú , e n con tra d os n os a rq u ivos d o M u se u N a cion a l. N im u e n d a jú (q u e n a sce u e m J e n a ) foi u m d os p rim e iros e tn óg ra fos m o-d e rn os a tra b a lh a r e m te rritório b ra sile iro, n o in ício o-d o sé cu lo XX. Ele ta m b é m e ra lig a d o a o M u se u N a cion a l (ve r, ta m b é m , M e la tti, n e ste n ú m e ro).

14Tra ta -se d e u m a sp e cto d o p róp rio d in a m ism o d o m e rca d o e d itoria l b ra

sile iro e m ciê n cia s socia is (d e sd e os a n os 80, se n sive lm e n te m a ior d o q u e o m e rca -d o -d e livros p u b lica -d os e m e sp a n h ol). Ve r Sorá (1996).

15M u itos d os m e m b ros se n iore s d o g ru p o tive ra m , e se g u e m te n d o, p a p é

is-ch a ve n o m e rca d o n a cion a l d e livros d e a n trop olog ia e ciê n cia s socia is (in icia l-m e n te ju n to à s e d itora s col-m e rcia is, e l-m a is re ce n te l-m e n te ta l-m b é l-m ju n to à s e d itora s u n ive rsitá ria s).

16O su rg im e n to q u a se sim u ltâ n e o d a re vista H oriz on te s A n trop ológ icos (e d

i-ta d a p e la Un ive rsid a d e Fe d e ra l d o Rio G ra n d e d o Su l e voli-ta d a p a ra a p u b lica çã o d e n ú m e ros te m á ticos) re ve la q u e , n a q u e le m om e n to, ou tros a n trop ólog os, situ a -d os e m ou tros e sp a ços in stitu cion a is, tin h a m se n tim e n tos se m e lh a n te s.

17Pu b lica çõe s in stitu cion a is sã o o p a d rã o d om in a n te n a s re vista s d e ciê n cia s

socia is n o Bra sil. A p rin cip a l e xce çã o é , ce rta m e n te , a Re v ista Brasile ira d e Ciê n -cias S ociais, p u b lica d a p e la Associa çã o N a cion a l d e Pós-G ra d u a çã o e Pe sq u isa e m C iê n cia s Socia is (AN PO C S).

18A re sp e ito d a “ cu ltu ra d a a va lia çã o” (au d it cu ltu re ), ve r Stra th e rn (1997).

A p rolife ra çã o d e re vista s n o p a ís (cu jo ca p ítu lo m a is re ce n te é a cria çã o d e re vita s e d ivita d a s p or e stu d a n te s d e p óg ra d u a çã o) vita m b é m re fle te os cu stos d e cre s-ce n te s d e p u b lica çã o p e rm itid os p e la s n ova s te cn olog ia s.

19Sin tom a tica m e n te , e sse n ú m e ro ch e g a a 60% q u a n d o se tra ta d e a u tore s

e stra n g e iros, re ve la n d o u m p rin cíp io su b ja ce n te d e h ie ra rq u iza çã o. Por ou tro la d o, e m te rm os n a cion a is (e ce rta m e n te ta m b é m com re la çã o a ou tra s a n trop olog ia s p e rifé rica s), u m ín d ice d e 40% d e re je içã o d e m a n u scritos a p re se n ta d os p or a u to-re s e stra n g e iros é se m d ú vid a b a sta n te a lto.

20É im p ossíve l, con tu d o, q u a n tifica r u m d os p rin cip a is m e ca n ism os d e d

is-trib u içã o d os te xtos p u b lica d os e m M an a: a s fotocóp ia s d os a rtig os.

21H oje M an a e stá in d e xa d a e m An th rop olog ica l In d e x; C la se – C ita s La tin

o-a m e rico-a n o-a s e m C ie n cio-a s Socio-a le s y H u m o-a n id o-a d e s; Do-a to-a Ín d ice ; Sociolog ico-a l Ab str-a cts; Lin g u istic str-a n d Lstr-a n g u str-a g e Be h str-a viou r Ab strstr-a cts; Socistr-a l Plstr-a n n in g / Policy &str-amp; De ve lop m e n t Ab stra cts.

22O e n d e re ço d a re vista é : w w w.a lte rn e x.com .b r/ ~p p g a s/ m a n a .h tm l. O e n

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Ref erências bibliográf icas

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Resumo

M an a. Estu d os d e A n trop olog ia S ocial foi cria d a e m 1995 p or u m g ru p o d e p ro-fe ssore s e p e sq u isa d ore s d e u m a d a s m a is a n tig a s e tra d icion a is in stitu içõe s d e e n sin o e p e sq u isa e m a n trop olog ia n o Bra sil: o Prog ra m a d e PósG ra d u -a çã o e m An trop olog i-a Soci-a l d o M u se u N a cion a l (UFRJ). Foi con ce b id a com o u m ca n a l p a ra a d iscu ssã o d e p e sq u isa s orig in a is e m a n trop olog ia , le va d a s a ca b o p or a u tore s n ã o n e ce ssa ria m e n te se d ia d os e m in stitu içõe s b ra sile ira s e q u e n ã o n e ce ssa ria m e n te tive sse m o Bra sil ou a Am é rica La tin a com o se u h orizon te d e in d a g a çõe s e m p írica s. N e s-se s-se n tid o, a re vista foi b e m -su ce d id a , tra n sform a n d ose e m u m a vitrin e d a a n -trop olog ia fe ita n o Bra sil e d o d in a m is-m o d os d e b a te s in te rn a cion a is n a d isci-p lin a (isci-p u b lica n d o a rtig os ta n to d e jo-ve n s p e sq u isa d ore s q u a n to d e n om e s a ca d e m ica m e n te re con h e cid os). N o e n -ta n to, o u n ive rsa lism o q u e e xp rim e o con te ú d o d e M an a con tra sta com o fa to d e e la se r p u b lica d a e m p ortu g u ê s – lín -g u a n ã o a ssocia d a à s tra d içõe s in te le c-tu a is d om in a n te s n a d iscip lin a e q u e ocu p a lu g a r p e rifé rico n o circu ito in te r-n a cior-n a l d a s p u b lica çõe s cie r-n tífica s. C om b a se n e ssa e xp e riê n cia , o a rtig o d iscu te a lg u m a s q u e stõe s re la tiva s à s re la çõe s e n tre a form a çã o d e e sp a ços a ca -d ê m icos n a cion a is e a circu la çã o in te r-n a cior-n a l d e id é ia s e te oria s.

Palavras-chave Pu b lica çõe s C ie n tífi-ca s, C e n tro-Pe rife ria , C ircu la çã o In te r-n a cior-n a l d e Id é ia s

Abst ract

M an a. Estu d os d e A n trop olog ia S ocial w a s cre a te d in 1995 b y a g rou p of le ctu -re rs a n d -re se a rch e rs from on e of Bra zil’s old e st a n d m ost tra d ition a l in stitu tion s of te a ch in g a n d re se a rch in a n th rop olo-g y, th e De p a rtm e n t of Socia l An th rop ol-og y of th e M u se u N a cion a l in Rio d e J a n e iro. It w a s p la n n e d from th e sta rt to se rve a s a n ou tle t for th e d iscu ssion of orig in a l a n th rop olog ica l re se a rch , p ro-d u ce ro-d b y a u th ors n e ith e r n e ce ssa rily con n e cte d to Bra zilia n in stitu tion s, n or n e ce ssa rily focu sin g on Bra zil a n d La tin Am e rica a s th e loca tion for th e ir e m -p irica l re se a rch . Th e jou rn a l h a s -p rove n h ig h ly su cce ssfu l in a tta in in g th e se a im s: it h a s b e com e a sh ow ca se for b oth th e a n th rop olog y p rod u ce d in Bra zil a n d th e d yn a m ism of th e in te rn a tion a l d e b a te s in th e d iscip lin e (p u b lish in g orig -in a l p a p e rs b y b oth you n g re se a rch e rs a n d a ce d e m ica lly re n ow n e d a u th ors from va riou s cou n trie s). H ow e ve r, th e u n ive rsa lism d isp la ye d b y th e jou rn a l’s con te n t con tra sts w ith th e fa ct th a t it is p u b lish e d in Portu g u e se – a la n g u a g e n ot a ssocia te d w ith th e d iscip lin e ’s p re -d om in a n t in te lle ctu a l tra -d ition s a n -d occu p yin g a m a rg in a l p la ce in in te rn a -tion a l scie n tific p u b lish in g . Ba se d on th is e xp e rie n ce , th e p a p e r focu se s on a n u m b e r of issu e s con ce rn in g th e re la -tion s b e tw e e n th e form a -tion of n a -tion a l a ca d e m ic sp a ce s a n d th e in te rn a tion a l circu la tion of id e a s a n d th e ore tica l m od e ls.

Referências

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