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ARTIGO
ORIGINAL
Impact
and
seasonality
of
human
rhinovirus
infection
in
hospitalized
patients
for
two
consecutive
years
夽
Jaqueline
Leotte
a,
Hygor
Trombetta
a,
Heloisa
Z.
Faggion
a,
Bernardo
M.
Almeida
b,
Meri
B.
Nogueira
c,
Luine
R.
Vidal
ce
Sonia
M.
Raboni
a,c,∗aUniversidadeFederaldoParaná(UFPR),HospitaldeClínicas,DivisãodeDoenc¸asInfecciosas,Curitiba,PR,Brasil bUniversidadeFederaldoParaná(UFPR),HospitaldeClínicas,DivisãodeEpidemiologiaHospitalar,Curitiba,PR,Brasil cUniversidadeFederaldoParaná(UFPR),HospitaldeClínicas,LaboratóriodeVirologia,Curitiba,PR,Brasil
Recebidoem27dejunhode2016;aceitoem29dejulhode2016
KEYWORDS
Humanrhinovirus; Acuterespiratory infections; Respiratoryvirus
Abstract
Objectives: Toreportepidemiologicalfeatures,clinicalcharacteristics,andoutcomesofhuman rhinovirus(HRV)infectionsincomparisonwithothercommunityacquiredrespiratoryvirus(CRV) infectionsinpatientshospitalizedfortwoconsecutiveyears.
Methods: Thiswasacross-sectional study.Clinical,epidemiological,andlaboratorydataof patientshospitalizedwithacuterespiratorysyndromeinatertiarycarehospitalfrom2012to 2013werereviewed.
Results: HRVwasthemostcommonCRVobserved(36%,162/444)andwaspresentinthe majo-rityofviralco-detections(69%,88/128),mainlyinassociationwithhumanenterovirus(45%). MostHRV-infectedpatientswereyoungerthan2years(57%).Overall,patientsinfectedwith HRVhadalowerfrequencyofsevereacuterespiratoryinfectionthanthoseinfectedwithother CRVs(60%and84%,respectively,p=0.006),buthadmore comorbidities(40%and27%, res-pectively;p=0.043).However, inthe adjustedanalysis thisassociationwas notsignificant. ThemortalityratewithintheHRVgroupwas3%.DetectionofHRVwasmoreprevalentduring autumnandwinter,withamoderatelynegativecorrelationbetweenviralinfectionfrequency andtemperature(r=−0.636,p<0.001)butnocorrelationwithrainfall(r=−0.036,p=0.866).
Conclusion: HRVisusuallydetectedinhospitalizedchildrenwithrespiratoryinfectionsandis oftenpresentinviralco-detections.ComorbiditiesarecloselyassociatedwithHRVinfections. Theseinfectionsshowseasonalvariation,withpredominanceduringcolderseasons.
©2016PublishedbyElsevierEditoraLtda.onbehalfofSociedadeBrasileiradePediatria.Thisis anopenaccessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense(http://creativecommons.org/licenses/ by-nc-nd/4.0/).
DOIserefereaoartigo:
http://dx.doi.org/10.1016/j.jped.2016.07.004
夽 Comocitaresteartigo:LeotteJ,TrombettaH,FaggionHZ,AlmeidaBM,NogueiraMB,VidalLR,etal.Impactandseasonalityofhuman
rhinovirusinfectioninhospitalizedpatientsfortwoconsecutiveyears.JPediatr(RioJ).2017;93:294---300.
∗Autorparacorrespondência.
E-mail:[email protected](S.M.Raboni).
2255-5536/©2016PublicadoporElsevierEditoraLtda.emnomedeSociedadeBrasileiradePediatria.Este ´eumartigoOpenAccesssob
PALAVRAS-CHAVE
Rinovírushumano; Infecc¸ões
respiratóriasagudas; Vírusrespiratório
Impactoesazonalidadedainfecc¸ãoporrinovírushumanoempacientesinternados pordoisanosconsecutivos
Resumo
Objetivos: Relatarascaracterísticasepidemiológicas,ascaracterísticasclínicaseosresultados dasinfecc¸õesporrinovírushumano(RVH)emcomparac¸ãoaoutrasinfecc¸õesporvírus respira-tóriosadquiridosnacomunidade(VRCs)empacientesinternadospordoisanosconsecutivos. Métodos: Estefoiumestudotransversal.Foramrevisadososdadosclínicos,epidemiológicose laboratoriaisdepacientesinternadoscomsíndromerespiratóriaagudaemumhospitalterciário de2012a2013.
Resultados: ORVHfoi o VRC mais comum observado (36%, 162/444) e esteve presente na maiorpartedascodetecc¸õesvirais (69%,88/128),principalmente emassociac¸ão ao entero-vírushumano(45%).AmaioriadospacientesinfectadosporRVHpossuíamenosde2anos(57%). Demodogeral,ospacientescomRVHapresentaramumamenorfrequênciadeinfecc¸ão respi-ratóriaagudagravequeospacientesinfectadosporoutrosVRCs(60%e84%,respectivamente, p=0,006),porém maiscomorbidades(40%e27%,respectivamente;p=0,043).Contudo,em umaanáliseajustada,essaassociac¸ãonãofoisignificativa.AtaxademortalidadenogrupoRVH foi3%.Adetecc¸ãodeRVHfoimaisprevalenteduranteooutonoeinverno,comumacorrelac¸ão negativamoderadaentreafrequênciadeinfecc¸ãoviraleatemperatura(r=-0,636,p<0,001), porémnenhumacorrelac¸ãocomaprecipitac¸ão(r=−0,036,p=0,866).
Conclusão: ORVHénormalmentedetectadoemcrianc¸asinternadascominfecc¸õesrespiratórias e normalmenteestá presenteem codetecc¸ões virais. Ascomorbidades estãoestreitamente associadasainfecc¸õesporRVH.Essasinfecc¸õesmostramvariac¸ãosazonal,compredominância duranteasestac¸õesmaisfrias.
©2016PublicadoporElsevierEditoraLtda.emnomedeSociedadeBrasileiradePediatria.Este ´
eumartigoOpenAccesssobumalicenc¸aCCBY-NC-ND(http://creativecommons.org/licenses/ by-nc-nd/4.0/).
Introduc
¸ão
Osrinovírushumanos(RVHs)pertencemàfamília Picornavi-ridae,gêneroEnterovírus,esãodivididosemtrêsespécies (RVH-A,RVH-BeRVH-C),comcercade100sorotiposnessas espécies.1,2 Orecentedesenvolvimentode técnicas
mole-culares altamente sensíveis na caracterizac¸ão do genoma doRVHpossibilitouoreconhecimentodasespéciesRVH-C.3
Jáexistecomprovac¸ãodequeessasnovasespéciespodem ser mais virulentas e estar mais fortemente associadas a infecc¸ões dotrato respiratório inferior doque o RVH-Ae HRV-B.4
ORVHéacausamaiscomumdeinfecc¸õesdotrato respi-ratóriosuperior,responsávelporpelomenos50%doscasos deresfriadocomum. Issolevaaumfardoeconômico con-siderável em termos deconsultas médicas e absenteísmo escolarenotrabalho.2,4OsRVHstambémtêmsido
associa-dosaefeitosnasviasaéreasinferioresqueresultamem mor-bideze mortalidadesignificativas,1como exacerbac¸õesda
doenc¸apulmonarcrônica,bronquiolitegraveemneonatos ecrianc¸as,bemcomopneumoniafatalemidososeadultos imunocomprometidos.4,5 Em geral, as infecc¸ões por RVH
ocorremduranteaprimaveraeooutono6esemanifestam
demaneiradiferente, dependedotipodeinfecc¸ão,trato respiratórioinferiorousuperior.Asinfecc¸õesdotrato respi-ratóriosuperiornormalmenteincluemsintomasderesfriado comum,porémpodemapresentarotitemédiaagudae rinos-sinusite.Poroutro lado,asinfecc¸õesdotratorespiratório
inferiorpodemcausarsintomasgraveseresultarem bron-quioliteepneumonia.4
No Brasil, desde a pandemia de gripe A em 2009, os hospitaisdereferênciatêmfeitovigilânciaativapara detec-tarosvírusrespiratórios. Essavigilância incluinotificac¸ão einvestigac¸ãolaboratorialde casosque atendemaos cri-tériosdediagnóstico dainfecc¸ão respiratóriaagudagrave (SARI).Esse monitoramento da infecc¸ão respiratória viral resultoueminformac¸õesimportantessobreacirculac¸ãode outrosvírusrespiratóriosadquiridosnacomunidade(VRCs). Nesteestudo,relatamosascaracterísticasepidemiológicas, ascaracterísticasclínicaseosresultadosdasinfecc¸õespor RVHemcomparac¸ãocomoutrasinfecc¸õesporVRCem paci-entesinternados em umhospital de referência no suldo Brasilpordoisanosconsecutivos.
Métodos
Selec¸ãodepacientesecoletadedados
umaamostracoletada duranteo mesmo período sintomá-ticoforamconsideradosumúnicocasoeapenasoprimeiro resultadofoiavaliado,entãoonúmerodedetecc¸õesvirais respiratórias não foi superestimado. Foram revisados os prontuáriosmédicos easfichas denotificac¸ãodegripede pacientescomvírusrespiratóriosdetectáveis,comfocona epidemiologia,nasmanifestac¸õesclínicas,noresultado,nos achadoslaboratoriais e nodiagnóstico daSARI.A SARIfoi definidacomoumasíndromegripalcomsintomasde gravi-dade(dispneiaousaturac¸ãodeoxigênioabaixode95%).
Durante o estudo, 1.002 casos foram identificados em ambas as bases de dados. Desses, foram excluídos cinco casosdevidoaofatodeospesquisadoresnãoconseguirem acessarosprontuáriosmédicose,alémdeles,foram excluí-dos mais 242, pois as amostras não foram enviadas para detecc¸ãoviral. Assim,foram incluídos 755 pacientescom amostrasrespiratóriasinvestigadasparadetecc¸ãodevírus respiratórios.OConselhodeRevisãodeÉticaInstitucional aprovouoestudo(número18714013.4.0000.0096).
Detecc¸ãodevírusrespiratórios(VRs)
Os VRs foram detectados com uma técnica de multi-plex transcriptase reversa seguida de reac¸ão em cadeia dapolimerase (RT-PCR). Ogenoma viralfoi extraído com o kit de extrac¸ão de RNA viral altamente puro (Roche Inc.,Mannheim,Alemanha)de acordocomasorientac¸ões do fabricante. A síntese da primeira cadeia de cDNA foi atingida com o uso de iniciadores aleatórios e um sis-temade transcric¸ãoreversa ImProm-II (PromegaInc.,WI, EUA). O cDNA resultante foi então submetido à técnica de PCR com o kit de detecc¸ão Seeplex® RV15 ACE
(See-geneInc., Coreia do Sul), deacordo com o protocolo do fabricante.EssatecnologiademultiplexdePCRpossibilita umadetecc¸ãosimultâneade15vírusrespiratórios: adeno-vírushumano(AdV),metapneumovírushumano(MPV),vírus parainfluenzatipo1,2,3e 4(PIV-1,PIV-2,PIV-3ePIV-4), gripeA(FLUA), gripeB(FLUB), vírus sincicialrespiratório tipo A e B (RSV-A, RSV-B), rinovírus humano tipos A/B/C (RVH), enterovírus humano (EV), bocavírus humano (BoV) ecoronavírushumanotipos229E/NL63(alfacoronavírus)e OC43/HKU1(betacoronavírus).
Análiseestatística
OsdadosforamcompiladoscomosoftwareJMP,versão5.2.1 (SASInstituteInc.,Cary,NC,EUA),eanalisadoscomo soft-wareGraphPadPrism,versão5.03(GraphPadSoftwareInc. CA,EUA).Ostestesparamétricosenãoparamétricosforam usadosconformeadequado.Ocoeficientedecorrelac¸ãode Spearmannãoparamétricofoiusadoparaanalisarosdados meteorológicos.Asvariáveiscomumvalordep<0,05 asso-ciadonaanáliseunivariadaeaquelasconsideradasfatores deconfusão (idade etempodeinternac¸ão)foram subme-tidas àregressão logísticamultivariada paraidentificaros preditoresindependentesparadoenc¸agrave.Todosos valo-resdepforambicaudaiseumvalorde<0,05foiconsiderado significativo.
Dadosmeteorológicos
AcidadedeCuritibaficanosuldoBrasiletemumclima tem-perado.Osdadossobreasmedic¸õesmensaisdetemperatura eprecipitac¸ãoforamfornecidospeloSistemaMeteorológico doParaná(Simepar).
Resultados
Das amostras, 444 (444/755; 59%) deram positivo para infecc¸ão por VRC, inclusive 201 (201/444; 45%) casos em 2012 e 243(55%) em 2013. Osvírus maisfrequentemente detectados foram RVH (37%) e RSV (36%) (fig. 1). Havia 162casospositivosparaRVHduranteoperíododoestudo: 83 (51%) em 2012 e 79(49%) em 2013, com 282casos de outras infecc¸ões por vírus respiratórios durante o mesmo período.
Paraavaliaroperfilepidemiológicoeo impactoclínico das infecc¸ões por RVH, os dados de pacientes infectados por RVH foram comparados com os daqueles com outras infecc¸ões por VRC, grupos 1 e grupo 2, respectivamente (tabela1).Paraessaanálise,foramincluídosapenasoscasos cominfecc¸õesúnicaseexcluídososcominfecc¸ões hospita-lares,jáque,paraospacientescominfecc¸õeshospitalares quejáestavamnohospital,seriaesperadoqueeles apresen-tassemalgumadoenc¸adebase,oquepodesuperestimara gravidadedasinfecc¸ões.Amaiorpartedospacientes
infec-120
100
180
60
N
40
20
0
RVH A/B/C VSR EV FLU PIV ADV MPV CoV BoV
Único vírus Codificação viral
Tabela1 Comparac¸ãodoperfilclínicoeepidemiológicodospacientesinternadoscomRVH---emcomparac¸ãocomoutroVRC ---monoinfecc¸ões,2012-2013
RVH(grupo1) n=60(%)
VRC(grupo2) n=196(%)
Análisesnão ajustadasvalordep
Análisesajustadas valordep
Sexo
Masculino 35(58) 92(47) 0,14
-Idade
<2anos 34(57) 138(70)
2a5anos 9(15) 15(8)
5a14anos 4(7) 10(6)
14a50anos 7(12) 11(7)
>50anos 6(9) 17(9)
Faixaetária,anos 1,3 0,6 0,16 NS
(IIQ) (0,2-8) (0,2-2,8)
Tempodeinternac¸ão
<5dias 30(50) 49(25)
5a15dias 24(40) 109(55)
15a30dias 4(7) 19(10)
>30dias 2(3) 19(10)
Média,dias 4,5 7 0,0032 NS
(IIQ) (2-9) (4,2-12)
Sintomas
Febre 37(62) 168(85) 0,001 NS
Tosse 55(92) 189(96) 0,15
Dispneia 56(93) 183(93) 0,95
Achadosradiológicos
Ausente 34(57) 76(39)
Normal 6(10) 18(9) 0,98
Infiltradointersticial 8(13) 38(19)
Consolidac¸ãopulmonar 9(15) 35(15)
Padrõesmisturados 2(3) 13(9)
Outrosachadosa 1(2) 16(9)
Comorbidades
Sim 24(40) 52(27) 0,043 0,033
Imunossupressão 10(17) 23(12) 0,37
Doenc¸apulmonarcrônica 10(17) 24(12) 0,37
Doenc¸acardíacacrônica 5(8) 9(5) 0,067
Ventilac¸ãomecânica 12(20) 36(18) 0,72
UTI 18(30) 65(33) 0,60
Falecimento 2(3) 6(3) 0,53
DiagnósticodeSARI 36(60) 165(84) 0,006 NS
IIQ,intervalointerquartil;NS,nãosignificativo;RC,razãodechance;RVH,rinovírushumano;SARI,infecc¸õesrespiratóriasagudasgraves; UTI,unidadedeterapiaintensiva;VRC,vírusrespiratórioadquiridonacomunidade.
Valoresemnegritosãoestatisticamentesignificantes.
a Derramepleural,atelectasia.
tadosporRVHtinhamenosde2anos(57%),53%commenos de1anoe37%commenosde6meses.Osgruposnão mostra-ramdiferenc¸aestatisticamentesignificativacomrelac¸ãoà idademédia.Osexofoidistribuídodeformadesigualentre osgrupos.
As principais manifestac¸ões clínicas observadas em ambososgruposincluíramfebre,tosseedispneia.Contudo, o grupo positivopara RVHapresentou umaproporc¸ão sig-nificativamentemenordecasoscomfebre(62%,p=0,001) e mais comorbidades do que o outro grupo (40% em
Jan/2012Fev/2012Mar/2012Abr/2012Mai/2012Jun/2012Jul/2012Ago/2012Set/2012Out/2012Nov/2012Dez/2012Jan/2013Fev/2013Mar/2013Abr/2013Mai/2013Jun/2013Jul/2013Ago/2013Set/201 3
Out/2013Nov/2013Dez/2013
40
35
25
15 30
20
10
N/Temperatura ºC Precipitação/mm
3
5
0
–5
400
350
250
150 300
200
100
50
0
RVH Outra RV Temperatura Precipitação
Figura2 Infecc¸ões por rinovírus humano: dadossobre sazonalidade, temperatura média mensal e precipitac¸ão,2012-2013, Curitiba,Brasil.RVH,rinovírushumano;RV,vírusrespiratórios.
RVH e outro grupo VRC, apenas a maior prevalência de comorbidadesanterioresnogrupoRVHfoisignificativa. Os pacientessem comorbidadesapresentaram maior propen-sãode1,6(ICde95%:1,04-2,34)vezesdesereminfectados porVRCsemvezdeRVH,emcomparac¸ãocomospacientes comcomorbidades.
Apesar de a maioria dos raios X de tórax de casos infectados por RVH ter sido perdida (53%), foram descri-tas alterac¸ões radiológicas em 85% dos exames. A maior partedosachadosobservadosfoiinfiltradointersticial(33%) econsolidac¸ãopulmonar(28%),semdiferenc¸asignificativa entreambososgrupos.
Uma doenc¸a gravefoi definida como aquela que exige suporteventilatóriomecânicoouinternac¸ãoemUTIouóbito duranteainternac¸ão;nãofoiencontradadiferenc¸a signifi-cativaentreosgrupos.Dois pacientesinfectadosporRVH morreram durante a internac¸ão, ambos de complicac¸ões infecciosasrespiratórias.
ORVHapresentouastaxasmaiselevadasdecoinfecc¸ão (69%) das 128 amostras com maisde um VRC detectado. OsvírusmaisdetectadoscomRVHforamEV(40/88;45%)e RSV(29/88;33%),conformemostradona figura1.Em52% dos casos,a codetecc¸ão envolveuRVH maisoutro vírus e em16%doscasosoRVHfoiassociadoadoisoumaisvírus. Em65casos,oRVHfoioúnicovírusdetectado.
Foi feita uma comparac¸ão das características clínicas entreospacientescomRVHmonoinfectadoseaquelescom RVH coinfectados e não foi encontrada relac¸ão entre a codetecc¸ão viral e a gravidade da doenc¸a (p=0,717). As característicasclínicas associadasde formasignificativaà codetecc¸ãodoRVHforam:idadeentre6-48meses(RC=3,2; ICde95%:1,3-8,1), durac¸ãodainternac¸ão demaisde30 dias(RC=9,7;ICde95%:2,5-36,8)eausênciade diagnós-ticodeSARI(RC=4,0;ICde95%:1,7-9,3).Comoacoinfecc¸ão comRVHsozinhanãoestárelacionadaadoenc¸asgraves,foi feitauma segunda análise para comparar a gravidade da doenc¸aentreospacientescoinfectadosporRVHeos paci-entesinfectadosporoutrosVRCs. Apresenc¸aouausência decodetecc¸ãodoRVHnãoforamassociadasàgravidadeda doenc¸a(p=0,196).
Oscasos de infecc¸ão por RVH ocorreram durante todo o período do estudo (fig. 2). Maio a agosto foram os meses que apresentaram maior número de infecc¸ões por RVH em 2012, atingiram o pico em agosto (17 casos; 10%).Em2013,asazonalidadedainfecc¸ão porRVHfoide marc¸o a maio, atingiu o pico em maio (19 casos; 12%).
Em comparac¸ão com a distribuic¸ão mensal dos casos de RVHcomtemperaturamédia(◦C)eprecipitac¸ão(mm),foi
demonstrada umacorrelac¸ão negativa entreo númerode casosdeRVHeatemperaturamédia(rs=-0,636,p<0,001), porémnãohouvecorrelac¸ãosignificativacomaprecipitac¸ão (rs=-0,036,p=0,866).
Discussão
Desdeaimplantac¸ão dainvestigac¸ão sistemáticanosvírus respiratórios em pacientes internados com SARI, o RVH foi encontrado com alta frequência, sozinho ou codetec-tado comoutros vírus respiratórios.Comoalgumas dessas infecc¸õespodemterumprognósticoruim,inclusiveóbito,é essencialconheceremelhorcaracterizaressainfecc¸ãopara estarpreparadoparaseudiagnósticoprecoce,seumanejo clínicoadequadoesuaprevenc¸ãodedisseminac¸ão nosoco-mial.
Aalta frequência doRVH encontrada em amostras clí-nicasdepacientescomSARIfoisemelhanteàrelatadapor Kimetal.7emumhospitalterciárionaCoreiadoSul.Kim
et al.8 analisaram uma populac¸ão pediátrica internada e
encontraram uma prevalência de 48%, ao passo que Wal-ker &Ison9 encontraramumaprevalênciade14% emuma
populac¸ãoadultainternada.Essadiferenc¸aentreasfaixas etáriasfoiobservadanesteestudo,enfatizaamaior vulnera-bilidadedascrianc¸asaessainfecc¸ão,provavelmentecomo consequência de um processo inflamatório mais intenso motivadopelainfecc¸ãoprimáriaouporcondic¸ões anatômi-casfavoráveisdotratorespiratórioemcrianc¸asmaisnovas. O RSV foi o primeiro patógeno identificado como associadoadoenc¸asrespiratóriasgravesemcrianc¸as. Con-tudo,desdeodesenvolvimentodetécnicasmolecularespara detectarRVH,essevírustemsidoofocodosúltimos estu-dos nessaárea.Atualmente, ainfecc¸ão porRVH temsido associadaa exacerbac¸õesdedoenc¸as pulmonarescrônicas e pneumonia fatal em pacientes nos extremos da idade ou com comorbidadespré-existentes.4,5 A importância de
umestudo que avalieascaracterísticas dasinfecc¸ões por RVH em umhospitalterciário temcomo base essasnovas preocupac¸ões.Marconeetal.10relataramummaiornúmero
cená-rioquecontribuiuparaumamaiorpreocupac¸ãoarespeito dainfecc¸ãoporRVHnoambientehospitalar.
Estudos anteriores relataram que a taxa de infecc¸ão porRVHemhospitaisvariade21%-41%.8,11,12Contudo,essa
variac¸ão é provavelmente explicada pelas diferenc¸as na idade e nas características clínicasdos pacientes analisa-dos em cada estudo. Apesar de este estudo ter incluído todas as faixas etárias, observamos uma predominância de pacientes pediátricos infectados por RVH, em grande parte pacientes com menos de um ano. Além disso, o grupocom RVHapresentouumamaiorproporc¸ãode paci-entes com comorbidades pré-existentes que o grupo com outros VRCs identificados.6,7,11---14 Entre as comorbidades
observadas neste estudo,as doenc¸as pulmonarescrônicas foramfrequentesnogrupoRVH,umacorrelac¸ãoquejáfoi demonstradaemoutroestudosemelhante,14 ecorroboraa
forteassociac¸ãoentreainfecc¸ãoporRVHeasexacerbac¸ões das doenc¸as pulmonarescrônicas, como doenc¸a pulmonar obstrutivacrônica(DPOC),asmaefibrosecística.4
Das 444 amostraspositivas para VRCs, 128 (29%) apre-sentarampelomenosdoisvíruscodetectados, manteve-se a expectativa de 10%-31% encontrados em indivíduos internados.7,8,15Osvírusmaisfrequentementecodetectados
comRVHforamEV(45%);RSV(33%)eAdV(18%); compatí-velcomospadrões relatadosanteriormente.14,15 Contudo,
aaltafrequênciadacodetecc¸ãodeEVeRVHpoderesultar dousopelaregião 5’NTR dogenoma viralparaidentificar ambos os patógenos, o que podeter reduzido a especifi-cidadedotesteRT-PCR.16 As formasmaisadequadaspara
discernirentreessasespéciesseriafazeraRT-PCRseguida deumasequência denucleotídeosde amplicons.17 O alto
níveldeduplainfecc¸ãoqueenvolveRVHeRSVnormalmente é explicadopela coexistênciadesses vírus durante todoo anoe por sua variac¸ão sazonal semelhante,15 porém essa
hipótesenãoéunânime.12
EmcontrastecomosachadosrelatadosporGokaetal.,15
este estudo nãomostrou associac¸ãoentre agravidade da doenc¸aeascodetecc¸õesvirais.Adicionalmente,não acre-ditamosqueoRVHtemumainfluênciaprotetoranoscasos em que esteve envolvido na codetecc¸ão, pois não houve diferenc¸assignificativasnagravidadedadoenc¸aaose com-pararem os grupos com ou sem codetecc¸ão do RVH. Da mesmaforma,em contradic¸ãocom nossosachados,Asner et al.18 observaramum aumento na gravidade da doenc¸a
em crianc¸asinfectadasapenasporRVH.Dentreosfatores prováveis associados a esses achados contrastantes estão (i)aanáliseemdiferentesgruposdepacientes (ambulatori-ais e internados),(ii)aavaliac¸ãode umpequenonúmero de pacientes e (iii) a adoc¸ão de diferentes critérios de gravidade.
A febre foi menos frequente em pacientes infectados por RVH em comparac¸ão com outros VRCs.19,20 Os
acha-dosderaiosXdetóraxforamnormaisem17%,mostraram infiltrado intersticialem 33% econsolidac¸ão pulmonarem 28% dos casos, sem diferenc¸a significativa entre os gru-posRVHe outrosVRCs.Essespadrõessãosemelhantesaos relatadosporFicaetal.11 em adultosinternadosnoChile.
Houve um número significativamente menor de casos de SARIdiagnosticadonospacientesinfectadosporRVHdoque outros VRCs. Em geral, 14% (110/770) dos pacientes com SARIforaminfectadosporRVH.Issocoincidecomumestudo anterior.20
Os relatos sobre a sazonalidade da infecc¸ão por RVH, inclusive um estudo da Argentina,10 que está
geografica-mente próxima ao sul do Brasil, mostram sua circulac¸ão principalmente no outonoe na primavera.7,8,19 Apesar da
presenc¸a doRVH em quasetodososmeses doperíodode estudo,diferentespicosforamobservadosem2012e2013 enenhumpicoocorreunaprimavera.Em2013,amaior pre-valênciadainfecc¸ãoporRVHocorreunooutono,seguidado inverno,evice-versaem2012.Aanálisedosdados meteoro-lógicosencontrouumacorrelac¸ãonegativaentreonúmero decasosdeRVHe atemperaturamédia,porém nenhuma correlac¸ãosignificativacomaprecipitac¸ão.Contudo,para estabelecermaisprecisamenteasazonalidadedasinfecc¸ões porRVH,aanálisedeveincluirmaisanos.
Esta pesquisa teve algumas limitac¸ões: (i) tratou-se deum estudo retrospectivo e alguns prontuários médicos estavam incompletos; (ii) as espécies do RVH não foram identificadas,oqueteriageradodadosimportantes,jáque osgenótipos relatados têm virulência diferente; (iii) esta análise foi feita apenas com pacientes internados, o que podetersuperestimadooimpactodainfecc¸ãoporHRSV;e (iv)nãofoipossívelavaliarafrequênciadainfec¸ão nosoco-mialporRVH,dadosessenciaisparaasmedic¸õespreventivas nosambientesmaisafetados.Contudo,estefoioprimeiro relato sobreasinfecc¸ões por RVH na região e é necessá-ria uma análise essencial dos dados sobre a dinâmica de dispersão e o impacto desses vírus respiratórios sobre a comunidade.
Conclusão,oRVHtemumaaltaprevalêncianascrianc¸as internadas e esteve presente em casos de doenc¸a grave, inclusive óbito. Contudo, não foi observada uma relac¸ão dependenteentreapresenc¸adeRVHemcodetecc¸õesvirais eagravidadedadoenc¸anesteestudo.Osconflitosna litera-turaexigemumaanáliseprofundadoscasosdecodetecc¸ão queenvolvemoRVH,comumaanálisedosdadospara deter-minarseu impacto,poisa falta de padronizac¸ãoentreos estudos provavelmente contribui para a divergência nos dados.A infecc¸ão por RVH está intimamente associada a comorbidades,principalmente doenc¸as pulmonares crôni-cas, e é um importante fator nas exacerbac¸ões dessas doenc¸aspulmonaresdebase.Asestac¸õesmaisfriasforam operíodocommaiorfrequênciadas infecc¸õespor RVHno suldoBrasil,portantodeveserumperíododealertapara osmédicos comrelac¸ãoacrianc¸as pequenasafetadaspor infecc¸õesrespiratórias,principalmenteaquelascom comor-bidades,comodoenc¸apulmonarcrônica.Ospacientescom esseperfildevemcoletaramostrasrespiratóriaspara iden-tificar uma possível infecc¸ão viral e, caso um RVH seja detectado, a equipe médica deve estar pronta para um manejoadequadocomrelac¸ãoapossíveisresultadosruins.
Financiamento
OSMRépatrocinadoporumaparceriacomoConselho Naci-onaldeDesenvolvimentoCientíficoeTecnológico(CNPq).
Conflitos
de
interesse
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