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ARTIGO
DE
REVISÃO
Association
between
dietary
pattern
and
cardiometabolic
risk
in
children
and
adolescents:
a
systematic
review
夽
Naruna
Pereira
Rocha
a,∗,
Luana
Cupertino
Milagres
a,
Giana
Zarbato
Longo
b,
Andréia
Queiroz
Ribeiro
be
Juliana
Farias
de
Novaes
baUniversidadeFederaldeVic¸osa(UFV),ProgramadePós-Graduac¸ãoemCiênciadaNutric¸ão,Vic¸osa,MG,Brasil
bUniversidadeFederaldeVic¸osa(UFV),DepartamentodeNutric¸ãoeSaúde,Vic¸osa,MG,Brasil
Recebidoem11deoutubrode2016;aceitoem3denovembrode2016
KEYWORDS
Dietary; Patterns; Cardiovascular; Children; Adolescent
Abstract
Objective: Toevaluatetheassociationbetweendietarypatternsandcardiometabolicrisk fac-torsinchildrenandadolescents.
Datasource: ThisarticlefollowedtherecommendationsofPRISMA,whichaimstoguidereview publicationsinthehealtharea.Thearticlesearchstrategyincludedsearchesintheelectronic databasesMEDLINE viaPubMed,Scopus,andLILACS.Therewasnodatelimitationfor publi-cations.ThedescriptorswereusedinEnglishaccordingtoMeSHandinPortugueseaccording toDeCS. Onlyarticles ondietarypatternsextracted by theaposteriori methodology were included.Thequestion tobeansweredwas:howmuchcanan‘‘unhealthy’’dietarypattern influencebiochemicalandinflammatorymarkersinthispopulation?
Datasynthesis: Thestudies showed anassociationbetween dietarypatternsand cardiome-tabolic alterations. The patterns were characterized as unhealthy when associated to the consumption ofultraprocessed products,poor infiber andrich insodium, fat,and refined carbohydrates.Despitetheassociations,inseveralstudies,thestrengthofthisassociationfor someriskmarkerswasreducedorlostafteradjustingforconfoundingvariables.
Conclusion: Therewasapositiveassociationbetween‘‘unhealthy’’dietarypatternsand car-diometabolicalterationsinchildrenandadolescents.Someunconfirmedassociationsmaybe
DOIserefereaoartigo:
http://dx.doi.org/10.1016/j.jped.2017.01.002
夽 Comocitaresteartigo:RochaNP,MilagresLC,LongoGZ,RibeiroAQ,NovaesJF.Associationbetweendietarypatternandcardiometabolic riskinchildrenandadolescents:asystematicreview.JPediatr(RioJ).2017;93:214---22.
∗Autorparacorrespondência.
E-mail:[email protected](N.P.Rocha).
Dietarypatternandcardiometabolicrisk 215
relatedtothedifficultyofassessingfoodconsumption.Nevertheless,studiesinvolvingdietary patternsandtheirassociationwithriskfactorsshouldbeperformedinchildrenandadolescents, aimingatinterventionsandearlychangesindietaryhabitsconsideredtobeinadequate. ©2017PublishedbyElsevierEditoraLtda.onbehalfofSociedadeBrasileiradePediatria.Thisis anopenaccessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense(http://creativecommons.org/licenses/ by-nc-nd/4.0/).
PALAVRAS-CHAVE
Alimentac¸ão; Padrões; Cardiovascular; Crianc¸as; Adolescente
Associac¸ãoentrepadrãoalimentareriscocardiometabólicoemcrianc¸as eadolescentes:umarevisãosistemática
Resumo
Objetivo: Avaliaraassociac¸ãoencontradanosestudosentrepadrãoalimentarefatoresderisco cardiometabólicosemcrianc¸aseadolescentes.
Fontedosdados: Este artigo seguiu as recomendac¸ões do Prisma, que objetiva orientar as publicac¸õesderevisãonaáreadasaúde.Aestratégiadebuscadosartigosincluiupesquisasnas baseseletrônicasMedlineviaPubMed,ScopuseLilacs.Nãohouvedatalimitedepublicac¸ão. OsdescritoresforamusadoseminglêsdeacordocomMeSHeemportuguêssegundoosDeCS. Apenasartigosdepadrãoalimentarextraídospelametodologiaaposterioriforamincluídos.A perguntaaserrespondidafoi:quantoumpadrãoalimentar‘‘nãosaudável’’podeinfluenciar nosmarcadoresbioquímicoseinflamatóriosdessapopulac¸ão?
Síntesedosdados: Osestudos demonstraramhaverassociac¸ãoentreospadrõesalimentares ealterac¸õescardiometabólicas.Ospadrõeseramcaracterizadoscomonãosaudáveis marca-dospeloconsumo deprodutosultraprocessados,pobresem fibrasericosemsódio, gordura ecarboidratosrefinados.Apesardasassociac¸ões,emváriosestudos,aforc¸adessaassociac¸ão paraalgunsmarcadoresderiscoerareduzidaouperdidaapósosajustesparaasvariáveisde confusão.
Conclusão: Houve associac¸ão positiva entre os padrões alimentares ‘‘não saudáveis’’ e as alterac¸õescardiometabólicasemcrianc¸aseadolescentes.Algumasassociac¸õesnãoconfirmadas podemestarrelacionadasàprópriadificuldadedeavaliaroconsumoalimentar.Apesardisso, estudosqueenvolvempadrõesalimentaresesuaassociac¸ãocomfatoresderiscodevemser feitosemcrianc¸aseadolescentescomobjetivodeintervenc¸õesemodificac¸õesprecocesnos hábitosalimentarestidoscomonãoadequados.
©2017PublicadoporElsevierEditoraLtda.emnomedeSociedadeBrasileiradePediatria.Este ´
eumartigoOpenAccesssobumalicenc¸aCCBY-NC-ND(http://creativecommons.org/licenses/ by-nc-nd/4.0/).
Introduc
¸ão
O excesso de peso na infância e adolescência tem sido motivodegrandespreocupac¸õesnomundo.1,2Poucosesabe sobreascomplicac¸õesqueaobesidadeinstaladanoinícioda vidapodecausaremlongoprazo.3,4Diantedasincertezas, muitasassociac¸õestêmsidofeitasparamelhorcompreensão dasconsequênciasdosobrepesoedaobesidadeno apare-cimentodecomplicac¸õescardiometabólicasaindanoinício davida.1,5
Algumas conexões estabelecidas entre a gênese da obesidadeeaalterac¸ãodemarcadoresderisco cardiovas-culares como citocinas inflamatórias, proteína C reativa, parâmetros bioquímicostradicionais (colesteroltotal, tri-glicerídeos,glicose, insulina),dietae atividadefísicatêm sidoavaliadosem estudoscom adultosemuitojásesabe sobre a direc¸ão dessas relac¸ões.4,6 No entanto, observa--se que essesestudos nãosão muito comuns em crianc¸as e adolescentes e ainda são necessárias mais informac¸ões consistentes sobre o comportamento dos fatoresde risco cardiometabólicoseinflamatóriosnesseperíodo.3,5
Adietaconsisteemumfatorderiscomodificávele impor-tante na etiologiadas doenc¸as, visto o crescente número deestudosepidemiológicosqueabordamsuarelac¸ãocom oaparecimentodasdoenc¸ascrônicas.7---9 Ametodologiade identificac¸ão dopadrãoalimentar de populac¸ões específi-castemsinoamplamenteusadanosestudosobservacionais etemsidoútilparaidentificararelac¸ãoentredietaefatores deriscocardiometabólicos.8,10,11
Os padrões alimentares podem informar melhor sobre asrelac¸õesdieta-doenc¸adoqueaavaliac¸ãodosalimentos ounutrientes isolados,porqueelesconsiderama ingestão dietéticatotal ea inter-relac¸ão entremuitos alimentose nutrientes,bemcomoosseusefeitossinérgicos.7,9Elestêm sido amplamente usados devido ao entendimento de que osnutrientes sãoraramenteconsumidos isoladoseque as investigac¸ões apenasdos nutrientes subestimamas possí-veisinterac¸õesentrenutrientesouentrealimentoseentre outroscomponentesdadieta.8
inflamatóriosemcrianc¸aseadolescentes.7,10Considerando queainfânciaéumafasedeformac¸ãodoshábitos alimen-tares,aadoc¸ãodepráticassaudáveisdealimentac¸ãonesse períodopodetrazerconsequênciasfavoráveisparaoresto davida.
Nessesentido,oobjetivodesseartigoderevisão sistemá-ticafoiavaliaraassociac¸ãoencontrada nosestudosentre padrãoalimentar e fatoresde riscocardiometabólicos em crianc¸ase adolescentes. Nossahipótese é que ospadrões alimentares não saudáveis estão associados às alterac¸ões dessesmarcadoresderisconogrupoavaliado.
Métodos
A revisão sistemática foi feita de acordo com as recomendac¸ões do Preferred Reporting Items for Sys-tematicReviews and Meta-Analyses(Prisma) queobjetiva orientaraspublicac¸õesderevisãosistemáticaemetanálises naáreadasaúde.12Aestratégiadebuscadosartigosincluiu pesquisasnas bases eletrônicas Medline (National Library
of Medicine, Estados Unidos) via PubMed, Scopus, Lilacs
(Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde)e SciELO (Scientific Eletronic Library Online) sem datalimitedepublicac¸ão.
Aidentificac¸ãoeaselec¸ãodosartigosemtodasasbases dedadosforamfeitassimultaneamentepordois pesquisa-doresnoperíododetrêsmeses,entrefevereiroeabrilde 2016.Aspalavrasusadascomodescritoresforam:diet,
diet-tary, patterns, risk, cardiovascular,biomarkers, children,
adolescent,health.Osdescritoresforamusadosem inglês
deacordocomMedicalSubjectHeadings(MeSH)eem por-tuguêssegundoosDescritoresemCiênciasdaSaúde(DeCS). As buscas nas bases de dados foram feitas com as palavras-chavecomosoperadoresbooleanosrepresentados pelostermosconectoresAND,OReNOT.Dessaformaforam usadasasseguintescombinac¸ões:dietarypatternsANDrisk
ANDcardiovascularANDadolescent; dietarypatternsAND
riskANDcardiovascularANDchildren;dietarypatternsAND
biomarkers AND cardiovascular AND adolescent; dietary
patternsANDbiomarkersANDcardiovascularANDchildren;
dietarypatterns ANDhealthANDcardiovascular AND
ado-lescent; dietary patterns AND health AND cardiovascular
ANDchildren;diet ANDrisk ANDcardiovascular AND
ado-lescent; diet AND risk AND cardiovascular AND children.
Essascombinac¸õesforamusadasparaostermosOReNOT respectivamenteemtodasasbasesdedadospesquisadas.
Arevisãobuscouestudosqueavaliarampadrão alimen-tarapenaspelametodologiaa posteriori,que consisteno uso de técnicas de análise multivariada para extrair os padrões13equeassociaramopadrãoencontradocomfatores de risco cardiometabólicos em crianc¸as e/ou adolescen-tes. Os artigos que contemplavam apenas a identificac¸ão dopadrãoalimentarouquesomenteassociavamo padrão às medidas antropométricas não foram inclusos, visto que nosso objetivo era detectar o quanto um padrão alimentarclassificadocomo‘‘nãosaudável’’poderia influ-enciar nos marcadores bioquímicos e inflamatórios dessa populac¸ão.
Comocritériosdenãoinclusão,destacam-seestudos fei-toscomadultos,gestantes,crianc¸asmenoresdedoisanos,
artigosderevisão,comentáriosdeespecialistasepublicados emidiomasquenãooportuguêseoinglês.
A identificac¸ão e a selec¸ão dos artigos nas bases de dadosforam feitaspor doispesquisadores de forma inde-pendenteesistemática,quefizeramaidentificac¸ãoinicial pelostítulosdaspublicac¸õesencontradaspelosdescritores e,posteriormente,pelosresumosobtidosporbusca eletrô-nica.Apósaselec¸ãodaspublicac¸õespelostítuloseresumos, umanovaavaliac¸ãofoifeitapelosdoispesquisadores,que determinaramdeformaconsensualosestudosaseremlidos na integraeincluídos na revisão.As referênciasdos estu-dosselecionadosforamrastreadas,comvistasàinclusãode outrosartigosdepotencialinteresse.
Resultados
Foram identificados 364 artigos sobre o tema. Das 50 publicac¸õesselecionadas paraleitura doresumo e lei-turacompleta,apenasseteartigosapresentaramoscritérios estabelecidos para essa revisão sistemática, dois foram encontrados por meio das referências dos artigos primei-ramenteselecionados(fig.1).
Asprincipaiscaracterísticasdosestudoscomolocal,ano depublicac¸ão,delineamento,idadedosparticipantes, aná-lise estatísticausada para derivac¸ão do padrãoalimentar e asdemaisvariáveis avaliadasencontram-se descritosna
tabela1.Osartigosdiferemquantoaotipodedelineamento equantoàidadedaamostra,amaiorparte(78%)édotipo transversal.
Atabela2apresentaosfatoresdeconfusãoidentificados eincluídosnosmodelosderegressão,ospadrões alimenta-residentificadoseclassificadosdeacordocomadefinic¸ãode cadaautoreosprincipaisresultadosdosartigos.Osfatores de confusão foramdescritosporque são importantespara osajustesnecessários nasanálises estatísticasdeformaa aumentaraprecisãodaforc¸adeassociac¸ão.Namaiorparte daspublicac¸õesosautoresfizeramasanálisesdivididasem modelosajustadosprimeiramentepelosexoeidadee, pos-teriormente,poroutrasvariáveisquepoderiaminfluenciar nascaracterísticasdopadrãoalimentarenaassociac¸ãocom osmarcadoresderiscocardiometabólicos,taiscomo esco-laridade dospais,níveldeatividadefísica,renda, estágio puberaleingestãoenergéticatotal.10,14,15
Durantealeituradosartigos,osautoresdescreverama dificuldadedeabordaraassociac¸ãoentrepadrãoalimentar e fatoresderisco cardiometabólicosnogrupode crianc¸as eadolescentes,umavezquehápoucainformac¸ão disponí-velsobreosefeitosdospadrõesalimentaresnasalterac¸ões cardiometabólicasnogrupopediátrico.9,10,16 Entretanto,é importante avaliar aassociac¸ão entrepadrãoalimentar e doenc¸as crônicas não transmissíveis na infância e adoles-cência, visto que as alterac¸ões cardiometabólicas podem influenciarnasaúdeatualefuturadessegrupo.17
Dietarypatternandcardiometabolicrisk 217
Publicações identificadas nas bases de dados com os descritores: diet, patterns, risk, cardiovascular, health, children, adolescent, “diettary patterns”
em fevereiro a abril de 2016 (n = 464).
Artigos finais:
Artigos repetidos: 7; artigos com adultos: 5; determinação apenas do padrão alimentar: 9; avaliação apenas da dieta por QFA, registro ou
R24hrs: 13; utilização de metodologia a priori: 10.
1ª etapa de refinamento: pesquisa pelo título e dos
critérios de elegibilidade.
Artigos Selecionados: 7 artigos mais 2 artigos selecionados
na busca reversa.
Publicações pré-selecionadas: 50 artigos para leitura do
resumo/texto completo.
Artigos finais: 9 artigos
Figura1 Processodeselec¸ão,avaliac¸ãoeinclusãodosestudos.
‘‘elevado consumo de proteína e gordura’’15 e ‘‘rico em gordura’’.10 Apenasumtrabalhonãorelacionouospadrões identificados,manteveapenasosnomesdosalimentosque pertenciamacadagrupo.8
Na metodologia de quatro estudos, houve auxílio dos paisouresponsáveisparaaavaliac¸ão doconsumo alimen-tardas crianc¸as.10,14,15,18 O estudo de Parket al.(2013)14 fezaavaliac¸ãodietética em umsubgrupo dasuaamostra (503 participantes), os autores explicaram que essa prá-ticafoiadotadadevidoadificuldadespráticasnacoletados dados.
Deumamaneirageralfoiobservadaumaassociac¸ão posi-tiva entre umpadrão alimentar ‘‘não saudável’’ e maior riscocardiometabólicopelosestudos.7---10,14---18
Segundo Apannahetal. (2015),10 opadrãoidentificado como denso energeticamente, rico em gordura e baixo em fibras esteve associado a alterac¸ões cardiometabóli-cas, como elevada concentrac¸ão de insulina e resistência à insulina em ambos os sexos. Já Karatzi et al. (2014)8 encontraramquedoscincopadrõesalimentares identifica-dos,apenasopadrãocaracterizadopor‘‘margarina,doces elanchessalgados’’esteveassociadoàresistênciaainsulina apósosajustespelosfatoresdeconfusão.
Bibilonietal.(2013),16 emestudocom219meninasde 12a19anos,identificaramqueopadrãoalimentar ociden-talesteveassociadoamaiorconcentrac¸ãodeadiponectina einterleucina6(IL-6).Noentanto,osautoresobservaram queainflamac¸ãofoimaisinfluenciadapeloíndicedemassa corporal(IMC) e pelarazãocinturaestatura (RCE)doque pelopadrãoalimentaridentificado.
Park et al. (2013),14 em estudo com crianc¸as pré--púberes coreanas, identificaram dois padrões alimenta-res (‘‘balanceado’’ e ‘‘ocidental’’), não foi encontrada associac¸ãocomasalterac¸õesmetabólicasnosmeninos.Nas meninas,amédiadaconcentrac¸ãodostriglicerídeos redu-ziu no maior quintil de consumo do padrão balanceado (média:72,6; DP: 8,27; p=0,032).O padrão ‘‘ocidental’’
demonstroutermaiorpontuac¸ãonacategoriacommaisde umfator derisco para SM nogrupo das meninas(média: 29,5;DP:1,37;p=0,026).
Shang etal. (2012),17 ao avaliar5.267 crianc¸as e ado-lescentes de 6 a 13 anos, encontraram que o ‘‘padrão ocidental’’esteverelacionadoamaioreschancesde obesi-dadeequeascrianc¸aseadolescentescommaiorpontuac¸ão nos padrões ‘‘ocidental’’ e de ‘‘transic¸ão’’ apresenta-vammaioreschancesdeobesidadeabdominal.Nãohouve associac¸ão entre os padrões alimentares identificados e hipertensãoarterial,hipertrigliceridemia, hipercolesterole-mia,dislipidemiaeSM.Noentanto,opadrão‘‘ocidental’’ apresentoumaiores valoresmédios depeso, IMC, períme-tro da cintura, pressão sistólica e diastólica e maiores concentrac¸ões de glicose, LDL-c e triglicerídeos e esteve inversamenteassociado à concentrac¸ãodeHDL-c, quando comparadocomopadrão‘‘saudável’’.
Romero-Polvo etal.(2012)15 encontraramque crianc¸as eadolescentescompadrãoalimentar‘‘ocidental’’ apresen-taram1,92vezmaiorchanceparaaresistênciaàinsulina. Dishchekenian et al. (2011)9 encontraram associac¸ão positiva entre o padrão ‘‘em transic¸ão’’ composto pre-dominantementepelo consumo dearroz, massas,feijões, óleos,carnes vermelhas, embutidos e docese o aumento das concentrac¸ões de insulina, glicemia, triglicerídeos e os níveis de pressão arterial diastólica. No padrão fast food, os autores encontraram associac¸ão positiva com a concentrac¸ão deLDL-c,níveis depressãoarterialsistólica ediastólicaenegativacomoHDL-c.
R
ocha
NP
et
al.
Tabela1 Característicasdosestudosavaliados
Autor/ano País Delineamento Idade(n) Métododereferência Análiseestatísticaa Antropometria Exames
Appannahetal., 201510
Austrália Coorte 14(n=1611)e17 anos(n=1009)
QFAsemiquantitativo referenteshá12meses anteriores
Regressãopor reduc¸ãodepostosb
Altura,peso,IMC, PC
Insulina,glicose,TG, HDL-c,LDL-ceHOMA-ir
Karatzietal., 20148
Grécia Transversal 9a13anos (n=1912)
Recordatóriode 24horas(2diasda semanae1fimde semana)
Análisepor componentes principaisc
Peso,altura,PC Insulina,glicosee HOMA-ir
Biblionietal., 201316
Espanha Transversal 12a17anos (n=219)
QFAsemiquantitativo validadoreferentea 12mesesanteriores
Análisepor componentes principais
Peso,alturaPC, RCE
Adiponectina,leptina, TNF-␣,PAI-1,IL-6
Parketal.,201314 Coreia Transversal 8e9anos (n=1008)
Recordatóriosde 24horas(feitoem3 dias)
Análisepor componentes principais
PC,IMC,pressão arterial
Glicose,CT,TG,HDL-c, ALT,ASTeCT/HDL-ce TG/HDL-c
Shangetal., 201217
China Transversal 6a13anos (n=5267)
Recordatóriode24 horas(2diasdasemana e1fimdesemana)
Análisede agrupamento
Peso,altura,IMC, pressãoarteriale PC
Glicose,CT,TG,HDL-c, LDL-c
Romero-Polvo etal.,201215
México Transversal. 7a18anos (n=916)
QFAsemiquantitativo referentea12meses anteriores
Análisepor componentes principais
Peso,altura,IMC, PC,%gordura corporal(DEXA)
Glicose,insulina, HOMA-ir
Dishchekenian etal.,20119
Brasil Transversal 14a19anos (n=76)
Registroalimentarde 4dias(3diasdasemana e1fimdesemana)
Análisepor componentes principais
Peso,altura, pressãoarterial
CT,LDL-c,HDL-c,TG, glicemiaeinsulina
Ambrosinietal., 20107
Austrália Corte transversal decoorte
14anos (n=1139)
QFAsemiquantitativo referentea12meses anteriores
Análisepor componentes principais
Peso,altura,PC, pressãoarterial
CT,LDL-c,HDL-cTG, glicemia,insulinae HOMA-ir
Mikkiläetal., 200718
Finlândia Coorte 3a39anos (n=1200)
Recordatóriode 48horas
Análisepor componentes principais
Altura,peso,IMC epressãoarterial
PCR,CT,LDL-c,HDL-c, VLDL-c,ApoA1s, ApoB,triacilglicerol, insulinaehomocisteína
ALT,alaninaaminotransferase;ApoA1,apolipoproteínaA1;ApoB,apolipoproteína;AST,aspartatoaminotransferase;CT,colesteroltotal;DEXA,absorciometriaderaios-xdeduplaenergia; HDL-c,lipoproteínadealtadensidade-colesterol;HOMA-IR,homeostasismodelassessment---insulinresistance;IL-6,Interleucina6;IMC,índicedemassacorporal;LDL-c,lipoproteína debaixadensidade-colesterol;PAI-1,inibidordofatorativadordeplasminogênio1;PC,perímetrodacintura;PCR,proteinaCreativa;QFA,QuestionáriodeFrequênciaAlimentar;RCE, relac¸ãocinturaestatura;TG,triglicerídeos;
Dietarypatternandcardiometabolicrisk 219
Tabela2 Fatoresdeconfusão/interac¸ão,padrõesidentificadoseresultadosprincipaisdosartigosavaliados
Autor/ano Fatoresde confusão/interac¸ão
Padrõesidentificados Resultadosprincipais
Appannahetal., 201510
Atividadefísica,fumo, sexo,idade,
subnotificac¸ãodietética,
1.Denso energeticamente. 2.Ricoemgordura. 3.Pobreemfibra.
Elevadapontuac¸ãodospadrõesalimentaresesteve associadaamaiorchancedepertenceraogrupode elevadoriscometabólicoparaosmeninos(OR:1,20, IC95%:1,01-1,41),masnãonasmeninas(OR:1,03, IC95%:0,87-1,22)quandoajustadospelaatividadefísica efumo.Elevadapontuac¸ãodospadrõesalimentares esteveassociadaamaiorconcentrac¸ãodeinsulina(Fe M-ß:3,0;IC95%:1%-7%)eHOMA-IR(FeM-ß:4,0;IC95%: 1%-7%)emambosossexos.
Karatzietal., 20148
Sexo,consumodo desjejum,estágio puberal,perímetroda cintura,IMCdospais, situac¸ãosocioeconômica, pesoaonascereatividade física.
1.Batatafrita,carne vermelhaebebidas adoc¸adas.
2.Carnesprocessadase queijo.
3.Margarina,docese lanchessalgados. 4.Legumesefrutas. 5.Maiorconsumodeovoe menorconsumodepeixe.
Opadrãoalimentarcontendomargarinas,docese lanchessalgadosestevepositivamenteassociadoao HOMA-IR(ß=0,08;p=0,02)apósajusteparaosfatores deconfusão.Ascrianc¸asqueapresentarammaior adesãoaessepadrãoalimentar(consumonomaior tercil)tiveram2,51vezesmaisprobabilidadedeter resistênciaàinsulinaemcomparac¸ãocomascrianc¸asno primeirotercil,(IC95%:1,30-4,90).
Bibilonietal., 201316
Idade,atividadefísica, tabagismo,ingestão energética,IMCeRCE.
1-Dietadomediterrâneo. 2-Dietaocidental.
Apontuac¸ãodadietaocidentalfoiinversamente relacionadacomasconcentrac¸õesplasmáticasde adiponectinaeIL-6apóscontroleparapossíveisfatores deconfusão(ß=-0,177;p<0,050eß=0,183;p<0,050, respectivamente)ecomajusteadicionalparaoIMCe RCE(ß=-0,168;p=0,050eß=0,177;p<0,050, respectivamente).
Parketal., 201314
Idade,sexo,ingestão energética,altura, pressãoarterial.
1.Padrãobalanceado. 2.Padrãoocidental.
Nasmeninas,aconcentrac¸ãomédiadostriglicerídeos reduziunomaiorquintildeconsumodopadrão balanceado(Média:72,6;DP:8,27;p=0,032).Amaior pontuac¸ãonopadrãoocidentalestevepresentenas meninas,queapresentarammaisdeumfatorderisco paraSM(Média:29,5;DP:1,37;p=0,026).Nenhuma associac¸ãofoiencontradaparaosexomasculino. Shangetal.,
201217
Sexo,idade,pesoao nascer,perfilalimentarno 4◦mêsaonascimento,
ingestãoenergéticatotal, atividadefísica,pesodos pais,anosdeescolaridade erendadospais.
1.Padrãodietético saudável.
2.Padrãodetransic¸ão. 3.Padrãoocidental.
Aconcentrac¸ãodeglicoseemjejumestevemais elevadanaamostracompadrãoalimentarocidentaldo quecompadrãosaudável(4,53mmol/Lvs.4.46mmol/L, p=0,0082).Crianc¸ascomopadrãoocidentaltiveram maioresconcentrac¸õesdeLDL-c(2,156mmol/Lvs. 2.07mmol/L,p=0.0023)emenoresconcentrac¸õesde HDL-c(p<0,001)comparadascomasqueapresentaram opadrãosaudável.Crianc¸ascomoperfildopadrão ocidentaltiveram1,80vez(IC95%:1,15-2,81)mais chancesdeseremobesasdoqueasdopadrãosaudável. Opadrãoalimentardetransic¸ão(OR:1,31,IC95%: 1,09-1,56)eocidental(OR:1,71;IC95%:1,13-2,56) estiveramassociadosaobesidadeabdominal. Romero-Polvo
etal.,201215
Sexo,idade,maturac¸ão sexual,IMC,atividade física,tempodetela, ingestãoenergética,uso demedicac¸ão,
suplementose multivitamínicos.
1.Padrãoocidental. 2.Padrãoprudente. 3.Padrãoelevado consumode proteína/gordura.
Aresistênciaàinsulinaesteveassociadaaosmaiores quintisdeconsumodopadrãoalimentarocidental(OR: 1,92;IC95%:1,08-3,43).Osoutrospadrõesidentificados nãotiveramassociac¸ãosignificativa.
Dishchekenian etal.,20119
Sexo,idade,cor,renda, escolaridadematerna, IMC.
1.Padrãotradicional. 2.Padrãoemtransic¸ão. 3.Padrãofastfood.
Tabela2 (Continuac¸ão)
Autor/ano Fatoresde confusão/interac¸ão
Padrõesidentificados Resultadosprincipais
Ambrosinietal., 20107
Sexo,ingestãoenergética, atividadefísica,tempode tela,escolaridade materna,estadocivildos pais,IMCePC.
1.Padrãoocidental. 2.Padrãosaudável.
AmédiadoIMCePCnãovarioudeacordocomosquartis paracadapadrãoalimentar.Paraasmeninas,aschances deriscometabólicoeramaproximadamente2,5vezes maiores(p<0,05;IC95%:1,05-5,98)noquartilmaisalto dopadrão‘‘ocidental’’emcomparac¸ãocomomenor. Mikkiläetal.,
200718
Idade,fumo,consumo energéticototal,fumo, atividadefísicaeanosde seguimentonoestudo.
1.Padrãotradicional. 2.Padrãosaúde consciente.
Opadrãosaúdeconscientefoiassociadoamenores fatoresderisco,masprincipalmente,entreasmulheres. Aconcentrac¸ãodeCT(ß:-0,06;p=0,02),LDL-c(ß: -0,07;p=0,01),ApoB(ß:-0,07;p=0,03)ePCR(ß: -0,09;p=0,04)tiveramrelac¸ãonegativacoma pontuac¸ãodopadrãosaúdeconscienteemmulheres, todosafetadospelainserc¸ãodoIMCnomodelofinal. Alémdisso,apontuac¸ãodopadrãosaúdeconsciente apresentouassociac¸ãoinversaindependentementedas concentrac¸õesdehomocisteína(F-ß:-0,11;p=0,03e M-ß:-0,14;p<0,01)emambosossexos.
ApoB,apolipoproteínaB;ß,coeficientederegressãoß;CT,colesteroltotal;IC95%,intervalodeconfianc¸ade95%;F,feminino;HDL-c, lipoproteínadealtadensidade-colesterol;IMC,índicedemassacorporal;LDL-c,lipoproteínadebaixadensidade-colesterol;M, mascu-lino;OR,oddsratio;PAD,pressãoarterialdiastólica;PAS,pressãoarterialsistólica;PC,perímetrodacintura;PCR,proteínaCreativa; TG,triglicerídeos.
como colesterolsérico total,IMC e perímetro da cintura, entreadolescentesdo sexofeminino. O padrãoalimentar ‘‘saudável’’esteveassociadoa menoresconcentrac¸õesde glicosenosadolescentesdosexomasculinoefeminino.
Mikkiläetal. (2007),18 ao avaliaro consumo alimentar decrianc¸aseadolescentesemumestudodecoorte, iden-tificaram os padrões alimentares ‘‘tradicional’’ e ‘‘saúde consciente’’. O segundo padrão alimentar esteve inver-samente associado aos fatores de risco cardiovasculares, entretantoosresultadossugeremqueessepadrãoalimentar émaisumindicadordeumestilodevidaglobalsaudáveldo quesomenteescolhasalimentaresadequadas.
Discussão
Osresultados dosestudosdemonstraram haverassociac¸ão positiva entre os padrões alimentares não saudáveis e alterac¸õescardiometabólicas.7---10,14---18Entretanto,é impor-tante compreender que em vários estudos a forc¸a dessa associac¸ão para algunsmarcadores de risco erareduzida, enquantooutrosperdiamapós osajustesparaasvariáveis deconfusãoouinterac¸ão.7,9,10,14---17
Essesresultados chamama atenc¸ão,visto que diversos fatoresrelacionadosao consumo alimentare a alterac¸ões cardiometabólicas,comorenda,sexo,idade,pesoaonascer, escolaridadedospais,atividadefísicaedisponibilidadede alimentosnodomicílio, podem alterar aassociac¸ão entre dietaedoenc¸a,éimprescindívelavaliá-los.
A incapacidade de identificar relac¸ões positivas entre alguns fatores de risco e os alimentos não saudáveis em estudostransversais podeser parcialmente explicadapor mudanc¸as noshábitosalimentares ourestric¸ões alimenta-res quando já se têm alterac¸ões da composic¸ão corporal em crianc¸as/adolescentes, como sobrepeso e obesidade, conhecido como causalidade reversa.11,19 Outra incapaci-dadeparaidentificarassociac¸õespositivaséqueestimara verdadeiraingestão dietética é muitas vezes complicado,
vistoquepodemocorresubnotificac¸õesnosrelatos,quando ainformac¸ãoéesquecida.Essaimprecisãodificulta a aná-lisedaingestãoenergética,demacroemicronutrientes,e suasassociac¸õescomasalterac¸õescardiometabólicas.20
A maiorparte dos estudos identificou o padrão carac-terizado como não saudável marcado pelo consumo de alimentos ultraprocessados, pobres em fibras e ricos em sódio,gorduraecarboidratosrefinados.7---10,14---18
Observa-se que o consumo elevado de alimentos com maiordensidade energética, rico em gorduras e ac¸úcares refinadosestádiretamenteassociadoaoaumentoda lipogê-nese,àsecrec¸ãodelipoproteínasdemuitobaixadensidade, à oxidac¸ãoreduzida eao maioracúmulodeácidosgraxos nos tecidos e no sangue.21 A substituic¸ão doconsumo de alimentostradicionaisesaudáveisporalimentosebebidas ultraprocessadoseprontosparaconsumoestáassociadaao aumentodasprevalênciasdeexcessodepesoededoenc¸as crônicasjáapresentadasnopúblicopediátrico.22,23Deforma contrária,oconsumoadequadodealimentossaudáveis auxi-lianareduc¸ãodascarênciasnutricionaisecontribuiparaa manutenc¸ão dopeso corporal e na prevenc¸ão dedoenc¸as crônicas.24Éimprescindívelestimularascrianc¸aseos ado-lescentesnãoapenasoconsumodiáriodeumaalimentac¸ão adequada,mastambémareduc¸ãodoconsumodealimentos ultraprocessados.
Osartigos selecionados para esta revisão foram aque-lesqueabordaramapenasametodologiaaposteriori.Essa, porsuavez, consisteem ummétodoexploratórioqueusa técnicasdeanálisemultivariadaparaextrairospadrões ali-mentares.Nessaabordagem,ospadrõesmaisrelevantesda populac¸ãoavaliadasãoidentificadosapartirdecorrelac¸ões entre os dados coletados nos inquéritos alimentares.13,25 Essa metodologiadeavaliac¸ãodoconsumo alimentar per-miteabordarasinterac¸õesexistentes entreosnutrientes, osalimentoseosdemaiscomponentesdadieta.
Dietarypatternandcardiometabolicrisk 221
a populac¸ão, visto que orientac¸ões voltadas para os alimentos sãomais facilmente interpretadas e praticadas pelapopulac¸ãodoqueasrelacionadasaosnutrientes.18
Apesar da importância de estudos com padrões ali-mentares, poucos trabalhos foram feitos com crianc¸as e adolescentes.Algumasdificuldadessãorelatadas,taiscomo a necessidade de avaliar a ingestão dos alimentos na presenc¸a dos pais e ao fato de as doenc¸as não estarem instaladas aindanesta fase,o que diminuio interesse de investigaraspopulac¸õessaudáveis.5,10,25Alémdisso,muitos fatores derisco cardiometabólicos que podem ser usados paraverificarassociac¸õesentredietaedoenc¸anãotêm pon-tosdecortedefinidosparacrianc¸aseadolescentes.5,6,26Éo queocorrecomadefinic¸ãodesíndromemetabólica,queaté omomentonãotemcritériosbemestabelecidose,devido a isso, é difícil saber sua real prevalência na populac¸ão pediátrica.14,27
Observa-sequealgunsmarcadoresderiscoamplamente usadosemadultosaindanãosãoavaliadoscomfrequência em crianc¸as eadolescentes, comoé o casodaproteína C reativa,é necessáriaadefinic¸ão depontos decortee sua relac¸ãocomalterac¸õescardiometabólicasem fases preco-cesdavida.5
Têm-se ainda as limitac¸ões relacionadas à própria investigac¸ãodoconsumoalimentardiantedosmétodos usa-dos, da falta de validac¸ão dos instrumentos, tabelas de composic¸ãoalimentaresquenãocontemplammuitasvezes os alimentos analisados, diversidade na composic¸ão dos produtosindustrializados,dificuldadedemensuraro porcio-namentodosalimentosebebidaspelosentrevistados,além dasubnotificac¸ãodosdados.9,28
Independentemente dacomplexidadedessaassociac¸ão, asavaliac¸õesdos padrões alimentares e dos demais fato-resderiscocardiometabólicosemcrianc¸ase adolescentes devem ser feitas, uma vez que esse público é facil-mente influenciado pelo meio em que vive, pela mídia de alimentos, por colegas, família e valores sociocultu-raisadotados.9,17,29 Reconhecendo que as prevalências de sobrepeso e obesidadeestão cada vez maiores nos países desenvolvidoseemdesenvolvimentoequeesseacréscimo doexcessodepeso temelevadooscustoseconômicosdos países e das próprias famílias acometidas pelo problema, informac¸ões acerca do consumo alimentar e alterac¸ões de fatores de risco cardiometabólicos devem ser sempre avaliadas.2,17,30
Alguns estudos descreveram que a obesidade infantil podeinduzir aalterac¸õesprecoces dometabolismo,levar aumquadrodedislipidemiaeintolerânciaàglicose, para-lelamenteàsalterac¸õesdosistemaoxidativoeinflamatório, oinícioprecocedaobesidadepodemoldarumfenótipo pró--inflamatóriomaisgravedoqueaobesidadeadulta.4,27,31
Bibiloni et al. (2013)16 referem que o processo infla-matório existe no tecido adiposo de crianc¸as obesas, é umaalterac¸ão precoceem humanos.Nessaperspectiva,a identificac¸ãoeaprevenc¸ão,depreferêncianainfância,dos fatoresderisco associadosaalterac¸õescardiometabólicas podemseramelhorestratégiaparaevitaraprogressãoeo acometimentopordemaisefeitosindesejáveisàsaúde.2
Por ser a dieta um dos fatores de risco modificá-veis e importantes na etiologia das doenc¸as crônicas, a identificac¸ão de padrões alimentares caracterizados por consumo de alimentos ‘‘não saudáveis’’ no período da
infância e adolescência pode ser útil para o desenvolvi-mentodeestratégiasquemelhoremoshábitosalimentares dessepúblicoe,consequentemente,reduzamaprevalência dessesfatoresderiscoaolongodavida.7
Osautoresrelatamqueospadrõesalimentaressão espe-cíficosparadeterminadaspopulac¸ões,vistoqueelespodem variarcomo sexo,a idade,cultura, etnia,condic¸ão soci-oeconômicae disponibilidadedosalimentos,éimportante analisá-losem diferentesgrupos, para verificarasua real aplicabilidade.9,11
A especificidade da populac¸ão quanto ao tipo do padrão alimentar consumido em func¸ão das característi-cas socioculturais faz com que existam dificuldades nas comparac¸ões, mesmo que algumas semelhanc¸as possam ser observadas.11,18 Diante disso, deve-se ter cautela na comparac¸ãodosestudos,vistoquemuitosdiferemquantoao tamanhoamostral,númerodeacompanhamentos,métodos estatísticosemétodosdeavaliac¸ãodoconsumoalimentar.32
Conclusão
Houve associac¸ão positiva entre os padrões alimentares ‘‘não saudáveis’’ e as alterac¸ões cardiometabólicas pela maior parte dos estudos com crianc¸as e adolescentes. Algumas associac¸ões que não puderam ser confirmadas podemestar relacionadasà própriadificuldade deavaliar o consumo alimentar. Alguns pontos devem ser conside-rados na avaliac¸ão darelac¸ão dieta-doenc¸a,tais como as limitac¸õesdoinquéritodietéticoselecionado,astabelasde composic¸ão de alimentos incompletas, as subnotificac¸ões poresquecimentosouomissãoeatémesmo anecessidade deauxíliodospaisouresponsáveisparaofornecimentodas informac¸ões.
Diantedacomplexidadedessaassociac¸ão,éimportantea avaliac¸ãodospadrõesalimentaresemdiferentespopulac¸ões de interesse, uma vez que eles podem variar de acordo comsexo,idade,disponibilidadedealimentosnodomicílio, diferenc¸as socioculturais, entre outras. Por mais seme-lhantesqueosresultadospossamparecer,ascomparac¸ões e extrapolac¸ões dos dados para outras populac¸ões são incertas.
Osestudoscompadrõesalimentarese suasassociac¸ões comfatoresderiscocardiometabólicosdevemserfeitosem crianc¸as eadolescentes,dadoqueasprevalênciasde obe-sidadeedecomorbidadesassociadassãocadavezmaiores nessepúblico,paraqueintervenc¸õesprecocessejamfeitas comoobjetivodereduzirosdanosàsaúdeemcurtoelongo prazo,alémdareduc¸ãodoscustosimplicadosnoscuidados dascomplicac¸õesdesaúde.
Conflitos
de
interesse
Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.
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