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Braz. j. . vol.83 número1

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Academic year: 2018

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www.bjorl.org

Brazilian

Journal

of

OTORHINOLARYNGOLOGY

ARTIGO

ORIGINAL

Immediate

effects

of

an

anchor

system

on

the

stability

limit

of

individuals

with

chronic

dizziness

of

peripheral

vestibular

origin

Almir

Resende

Coelho

a,∗

,

Ana

Paula

do

Rego

Andre

b

,

Júlia

Licursi

Lambertti

Perobelli

b

,

Lilian

Shizuka

Sonobe

b

e

Daniela

Cristina

Carvalho

de

Abreu

b

aUniversidadedeSãoPaulo(FMRP-USP),FaculdadedeMedicinadeRibeirãoPreto,ProgramaemReabilitac¸ãoeDesempenho

Funcional,RibeirãoPreto,SP,Brasil

bUniversidadedeSãoPaulo(FMRP-USP),FaculdadedeMedicinadeRibeirãoPreto,RibeirãoPreto,SP,Brasil

Recebidoem5deoutubrode2015;aceitoem21dedezembrode2015 DisponívelnaInternetem30dedezembrode2016

KEYWORDS Posturalbalance; Vestibulardiseases; Dizziness;

Hapticinformation

Abstract

Introduction:Thesymptomsassociated withchronicperipheralvestibulopathy exerta nega-tiveimpactontheindependenceandqualityoflifeoftheseindividuals,andmanyindividuals continuetosufferfromthesesymptomsevenafterconventionalvestibularrehabilitation.

Objective: Toevaluatetheacuteeffectofananchorsystemforbalanceevaluationofpatients withchronicdizzinesswhofailedtorespondtotraditionalvestibularrehabilitation.

Methods:Subjectsover50yearsofage,presentingwithchronicdizzinessandpostural instabi-lityofperipheralvestibularorigin,participatedinthestudy.Thelimitofstabilitywasevaluated inthreepositionsusingtheBalanceMaster® system:Position1,standingwiththearmsalong thebody;Position2,standingwiththeelbowsbentat90◦ (simulatingholdingtheanchors); andPosition3,withtheelbowsbentat90◦ holdingtheanchors.Thevariablesofmovement latency,endpointexcursionanddirectionalcontrolofmovementwereevaluated.

Results:Usingtheanchorsystem,significantreductionoftimeintheresponseatthebeginning ofthemovementcomparedtoPosition1(p<0.05);increasedendpointexcursionintheleft lateraldirectioncomparedtoPosition1(p<0.05);andmoredirectionalcontrolofmovement intheanteriorandposteriordirections(p<0.05)comparedtotheotherpositions,werefound.

DOIserefereaoartigo:http://dx.doi.org/10.1016/j.bjorl.2015.12.008

Comocitaresteartigo:CoelhoAR,doRegoAndreAP,PerobelliJL,SonobeLS,deAbreuDC.Immediateeffectsofananchorsystemon

thestabilitylimitofindividualswithchronicdizzinessofperipheralvestibularorigin.BrazJOtorhinolaryngol.2017;83:3---9. ∗Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](A.R.Coelho).

ArevisãoporparesédaresponsabilidadedaAssociac¸ãoBrasileiradeOtorrinolaringologiaeCirurgiaCérvico-Facial.

(2)

Conclusion:Whileusingthesystemanchor,individualswithchronicperipheralvestibulopathy showedanimmediateimprovementinthestabilitylimitinrelationtothemovementlatency, endpointexcursion,anddirectionalcontrolofmovementvariables,suggestingthatthehaptic informationaidsposturalcontrol.

© 2016 Associac¸˜ao Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia C´ervico-Facial. Published by Elsevier Editora Ltda. This is an open access article under the CC BY license (http:// creativecommons.org/licenses/by/4.0/).

PALAVRAS-CHAVE Equilíbriopostural; Doenc¸asvestibulares; Tontura;

Informac¸ãoháptica

Efeitosimediatosdeumsistemadeâncorasnolimitedeestabilidadedeindivíduos comtonturacrônicadeorigemvestibularperiférica

Resumo

Introduc¸ão:Ossintomasassociadosàvestibulopatiaperiféricacrônicatêmimpactonegativo naindependênciaequalidadedevidadosindivíduosemuitosdelescontinuamasofrerdesses sintomas,mesmodepoisdeterpassadopelareabilitac¸ãovestibularconvencional.

Objetivo:Avaliaroefeitoagudodeumsistemadeancoragemparaavaliac¸ãodoequilíbriode pacientescomtonturacrônicaquenãoresponderamàreabilitac¸ãovestibulartradicional.

Método: Participaramdoestudo indivíduoscommais de50 anosque seapresentaram com tonturacrônicaeinstabilidadeposturaldeorigemvestibularperiférica.Olimitede estabili-dadefoiavaliadoem trêsposic¸ões,comousodosistemaBalance Master®:Posic¸ão1,depé comosbrac¸ospendentesaolongodocorpo;Posic¸ão2,depécomoscotovelosflexionadosem 90◦(simulandoaposic¸ãodesegurarasâncoras);ePosic¸ão3,comoscotovelosflexionadosem 90◦ esegurandoasâncoras.Foramavaliadasasvariáveisdelatênciademovimento,oponto finaldaexcursãoeocontroledirecionaldomovimento.

Resultados: Comousodosistemadeâncoras,ocorreureduc¸ãosignificantenotempode res-postanoiníciodomovimentoemcomparac¸ãocomaPosic¸ão1(p<0,05);aumentonoponto finaldaexcursãonadirec¸ãolateralesquerda,emcomparac¸ãocomaPosic¸ão1(p<0,05);emais controledirecionaldomovimentonasdirec¸õesanterioreposterior(p<0,05),emcomparac¸ão comasdemaisposic¸ões.

Conclusão:Enquanto usavam o sistema de âncoras, os indivíduos com vestibulopatia peri-férica demonstraram melhoria imediata no limite da estabilidade em relac¸ão às variáveis latência de movimento, ponto final da excursão e controle direcional do movimento. Isso sugerequeainformac¸ãohápticaauxilianocontrolepostural.

© 2016 Associac¸˜ao Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia C´ervico-Facial. Publicado por Elsevier Editora Ltda. Este ´e um artigo Open Access sob uma licenc¸a CC BY (http:// creativecommons.org/licenses/by/4.0/).

Introduc

¸ão

Emsua maioria, ossintomasinformadospor idosos,como tontura,instabilidadepostural, perturbac¸õesdamarchae quedas,1podemserconsequênciasdediversasdoenc¸ascom

origemnosistemavestibular.2Essestranstornosdosistema

vestibularconstituemumproblemasignificativona assistên-ciaàsaúde.

A tontura é prevalente em 5-10% da populac¸ão mun-dial, é a sétima queixa mais frequente em mulheres e a quartamaisfrequenteemhomens.Aproximadamente47% doshomense61%dasmulherescommaisde70anossão afe-tadosportontura.Atonturaocorreem65%dosindivíduos com65anosoumaisquevivemnacomunidadeeem81-91% daquelesdemesmaidadetratadosemclínicasambulatoriais geriátricas.3

A deteriorac¸ão da func¸ão vestibular pode ocasionar quedascom muitasconsequências, inclusive com compro-metimentofísico(lesõesnostecidos,mudanc¸asnamarcha), alterac¸õespsicológicas(medodecair,depressão),mudanc¸as sociais(isolamento,dependência)e mudanc¸aseconômicas (custodosmedicamentos,reabilitac¸ão).

O controle postural, uma habilidade complexa que envolve a orientac¸ão postural e a manutenc¸ão do equilí-brio, depende de informac¸ões processadas centralmente, relacionadas amecanismos aferentes visuais, vestibulares e somatossensitivos4 da ac¸ão neuromuscular proporcional

dosmecanismoseferentes.Asinformac¸õesrelacionadasaos sistemas visual, vestibular e somatossensitivo devem ser integradaseselecionadaslevandoemcontaoambienteeo tipodetarefaaserfeitaparaamanutenc¸ãodaestabilidade postural.5

No caso de pacientes com transtornos vestibulares, podemocorrerdesordensnaintegrac¸ãosensóriaouno pro-cessamento das informac¸ões que geram conflito entre os sistemas visual, vestibular e somatossensitivo e isso pode explicarapermanênciadossintomasdotranstorno vestibu-larcrônico,porexemploempacientesincapazesdemodular ainformac¸ãosensitivadetal modoqueelasejaadequada paragarantiroequilíbriopostural.2

(3)

terapia caracterizada por sua ac¸ão fisiológica no sistema vestibular,que funcionanos mecanismoscentrais de neu-roplasticidadedemodoagerarmecanismosdeadaptac¸ão, habituac¸ãoousubstituic¸ãonosistemavestibularea melho-rarossintomasvestibulares.6

Acredita-sequeareabilitac¸ãovestibularpossapromover acuraem30%doscasos,alémdeconseguiroutros resulta-dospositivosem85%dosindivíduos.7Portanto,éimportante

procurarpormodosefetivosparamelhorarossintomas oto-neurológicoseimpedirquedas,bemcomo paraavaliac¸ões clinicamenteviáveisquepossamserintroduzidasnaprática clínicacotidianaparaessapopulac¸ão.

Mauerberg-Decastro8 desenvolveu uminstrumentocujo

objetivoéamelhoriadaestabilidadecorporal---osistemade âncoras---,quefuncionacomoummediadordainformac¸ão hápticaentreochãoe ocorpodoparticipante.Osistema háptico, ou feedback de contato, funciona por meio da explorac¸ãoativadoambiente(estático oudinâmico),que envolveainterpretac¸ãodeestímulosespac¸o-temporaisem suainterac¸ãocomdiversostiposdemecanorreceptores.9

O sistemadeâncoras podeajudaro sistemavestibular naobtenc¸ãodeumnovoajustamentodosmecanismos sen-sitivose/ouna melhoria dosistemasomatossensitivo com areduc¸ãodosconflitosnoprocessamentodasinformac¸ões, oque contribuiparaamelhoria doequilíbrio.Assim,este estudoteveporobjetivoaavaliac¸ãodosefeitosagudosdo sistemadasâncorasparaavaliac¸ãodoequilíbrionaposic¸ão ereta (limite de estabilidade) em indivíduos com tontura crônicadeorigemvestibularperiféricaquenão responde-ramàreabilitac¸ãovestibulartradicional.

Método

Amostra

Aamostrafoicompostaporindivíduoscommaisde50anos, de ambos os gêneros, que se apresentaram com tontura crônica e instabilidade deequilíbrio de origemvestibular periféricacomosuaprincipalqueixa.

EssespacientesforamadmitidosnaClínicaAmbulatorial de Otorrinolaringologia do Departamento de Oftalmolo-gia, Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabec¸a e Pescoc¸o da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMRP-USP),em RibeirãoPreto(SP),Brasil,na qualforam diagnosticadosporummédicoespecializadoem otorrinola-ringologia.

Ospacientes comtonturacrônica deorigemvestibular periférica (com sintomas que ocorriam havia pelo menos três meses após o primeiro episódio, sem tratamento)10

foramencaminhados aoDepartamento deFonoaudiologia, paratratamentocomreabilitac¸ãovestibular(RV) convenci-onal.Os pacientes que nãoresponderam positivamente à reabilitac¸ão durante pelo menos três meses foram enca-minhados ao Laboratório de Avaliac¸ão e Reabilitac¸ão do Equilíbrio(LaboratoryofAssessmentandRehabilitationof Equilibrium---Lare),paraparticipac¸ãonoestudo.

Oscritériosdequalificac¸ãoforam:indivíduosdeambosos gêneros;termaisde50anos;diagnósticodetonturacrônica ecomreduc¸ãodoequilíbrioposturaldeorigemvestibular periférica;tonturainespecíficaousensac¸õesdetonturacom etiologiaperiférica;episódios semanaise mensaisdurante

Incluídos (30)

Homens (0)

Mulheres (30)

Avaliados (40)

Excluídos (10)

Homens (3)

Vestibular central

(2)

MEEM baixo** (1)

Mulheres (7)

*RV (4)

MEEM baixo** (3)

Figura1 Fluxogramadaamostra(*RV:reabilitac¸ão vestibu-larconvencionalemprogresso;**MEEM,miniexamedoestado mental).

pelomenosseismeses;esintomasdevertigem,tonturae falta de estabilidadepostural que não responderam posi-tivamenteàRVconvencional,inclusive àreorganizac¸ãodo reflexovestíbulo-ocular(RVO).

Os critérios de exclusão para a pesquisa foram: uso demedicac¸ão(benzodiazepínicoseanticonvulsivantes)que afetasseoequilíbriooubloqueadoresdoscanais decálcio (cinarizinaeflunarizina);restric¸ãodamobilidade,limitac¸ão visualecomprometimentocognitivoqueimpedisseo desen-volvimento das avaliac¸ões e a intervenc¸ão proposta; ou presenc¸a de doenc¸a sistêmica sem qualquer controle far-macológico. Todos os pacientes que não atenderam aos critériosdequalificac¸ãoouquenãoconcordaram em par-ticiparnoprotocoloreceberamorientac¸õescomrelac¸ãoà importânciadareabilitac¸ão parao equilíbriopor meioda fisioterapia(fig.1).

Usamos o miniexame do estado mental (MEEM) para exclusãodosindivíduosqueseapresentassemcom compro-metimentocognitivo.3,11

EsseestudotransversalfoiaprovadopeloComitêdeÉtica paraPesquisacom SeresHumanos doHospitaldas Cínicas daFaculdade deMedicinadeRibeirãoPreto,Universidade deSãoPaulo(HCFMRP-USP),Brasil,protocolon◦3350/2013.

Todos os participantes foram informados com relac¸ão ao estudo e concordaram em participar, mediante consenti-mentolivreeinformado.

Medidasdedesfecho

Aavaliac¸ãodoequilíbriofoifeitaduranteotestedelimite deestabilidade(LDE),comousodosistemaBalanceMaster® (NeurocomInternational,Inc.,Clackamas,OR).12---14

(4)

transfira seu peso ao máximo possível em oito direc¸ões preestabelecidasemtornodoseueixocentral,emprega-se aestratégiadotornozeloemvezdoquadril,esemmudara base.Essesalvossãorepresentadosnomonitor,em tempo real,emfrenteaoindivíduo,emoitopontosdispostosem umcírculo.Cadapontoédivididoemângulosde45◦eauma

distânciadocentroquerepresentaumníveldedificuldade de100% do limite de estabilidade previamente calculado pelo aparelho, com base na altura do indivíduo. Neste estudo, os pontos foram estabelecidos e representados pelosnúmeros1(anterior),3(lateraldireito),5(posterior) e 7 (lateraldireito), para representar o deslocamento do COPnasdirec¸õesanteroposterioremediolateral.

Para evitar estratégias posturais inadequadas para o teste LDE, que não é intuitivo,15 foram concedidos cinco

minutos a todos os participantes para que se familiari-zassem com a plataforma, recebessem feedback visual e orientac¸õesconcernentesàsestratégiasparadeslocamento doCOPduranteosmovimentosaseremfeitos.

Oindivíduofoiavaliadoemtrêsposic¸ões:Posic¸ão1,de pécomos brac¸ospendentes ao ladodocorpo;Posic¸ão2, de pé com os cotovelos flexionados em 90◦ (simulando a

posic¸ão desegurar asâncoras);e Posic¸ão3,cotovelos fle-xionadosem90◦ esegurandoasâncoras(fig.2).Fizemosa

randomizac¸ão com oobjetivo de determinara ordem das posic¸ões.Houveumperíododecincominutosdedescanso entrecadaposic¸ão.

Osistemadeâncorassefundamentanodesenvolvimento deumaferramentanãorígida,queconsisteemcordas fle-xíveispresasaumpesonaextremidadequetocaochão,e oindivíduoseguraacordanaoutraextremidade.8

Naposic¸ãocomusodasâncoras,ovoluntárioseguraas âncorasdemodoamanteroscabosflexíveisestendidoseo pesoemcontatoconstantecomochão.

As variáveis avaliadas no teste LDE16 foram latência

de movimento (LM), média em segundos transcorridos desdeo estímulovisual atéo iníciodomovimento; ponto final da excursão (PFE),definido como a maioraltura de

deslocamento do COP no primeiro movimento em cada direc¸ão,medidoem percentualdedeslocamentocontrao máximo deslocamento possível, considerado como 100%; e controle direcionaldomovimento (CDM),definidocomo a capacidade do indivíduo de manter o eixo do movi-mento paralelo ao eixo-alvo e medido como percentual, para comparac¸ão da quantidade de movimento intenci-onal na direc¸ão do alvo vs. quantidade de movimento corretivo não direcionado para o alvo. Essa variável é calculada pela fórmula movimento intencional - movi-mento corretivo/movimento não pretendido e é expressa como percentual (%). Setodo movimento voluntáriotiver sidodirecionadoparaoalvoem umalinhareta,a quanti-dadedemovimentocorretivoéiguala0eoescoreé100%e osdadosobtidosnessaproximidadesãoconsideradoscomo melhores.

Com o objetivo de garantir a seguranc¸a de todas as avaliac¸õesnaplataforma, oinvestigadorresponsáveleum assistenteseposicionavampertodoparticipante,paraque fosseevitadoqualquerepisódiodequeda,eobservavamas estratégias demovimentofeitaspelos voluntáriosdurante ostestes.17

Cálculodotamanhodaamostra

Paraocálculodotamanhodaamostrafoiusadooprograma de computador GraphPadStatMate e a variável‘‘latência de movimento’’ do limite de estabilidade no sistema Balance Master® foiconsiderada como desfecho primário, o queresultou emumtamanhodaamostra=17,poderda amostra=0,9eerro␣=0,05.

Análiseestatística

Consideramos o valor médio de cada variávelem seguida a três experimentos em cada excursão de movimento. Todososdadosforamsubmetidosaumaanálisedescritiva e a um teste de normalidade (Shapiro-Wilk); para tanto,

Figura2 Posic¸ões adotadasduranteavaliac¸ões comouso doequipamentoBalanceMaster®.Posic¸ão1, depé comosbrac¸os pendentesaoladodocorpo;Posic¸ão2,depécomoscotovelosflexionadosem90◦ (simulandoaposic¸ãodesegurarasâncoras);

(5)

Tabela 1 Características antropométricas da amostra avaliada

Variáveis Média±DP(n=30)

Idade(anos) 64,65±8,69

Massacorporal(Kg) 72,57±7,66

Altura(m) 1,61±0,05

IMC(Kg/m2) 28,14±3,65

IMC,índicedemassacorporal.

empregamos o programa estatístico SPSS®, versão 13.0. Nenhum dos dadosmostrou distribuic¸ão normal; assim, a inferênciaestatísticafoifeitacomousodotestenão para-métrico (Kruskal-Wallis), para comparac¸ão das diferentes posic¸õescomesemousodosistemadeâncoras. Conside-ramosumníveldesignificânciade95%,combasenoteste

posthocdeTukey.

Resultados

A tabela 1 descreve as características antropométricas daamostrade30 voluntárias. Ospacientesrecrutados do sexomasculinonãoatenderamaoscritériosdeinclusãodo estudo.

Os dados a seguir descrevem o teste LDE, no qual as posic¸ões foram selecionadas de modo a representar asoscilac¸õesanteroposterior(1e5)emediolateral(3e7). Para avariávelLM, odeslocamentoanteriorfoi signifi-cantemente menor com o usodo sistemadeâncoras, em comparac¸ãocomasdemaisposic¸õesavaliadas(tabela2).

O pontodeexcursãomáxima (PFE)foimaiorquando a âncorafoiusadanaPosic¸ão1,istoé,semusodasâncoras, e naqual ovoluntário ficavacom osbrac¸ospendentes ao longodocorpo,naposic¸ãolateralesquerda(tabela3).

Foi observado maior controle direcional (valores mais próximos de 100%) durante o deslocamento nas direc¸ões anterior e posterior (p<0,05) com o uso das âncoras vs.

outrasposic¸ões.Issosignificaque o voluntáriotevemaior controledomovimentoaosedirecionarparaosalvos ante-rior e posterior, depois de ter feito menor número de movimentoscorretivosdurantearotina(tabela4).

Discussão

A literaturatem demonstrado que quanto melhor o equi-líbrio postural, maior será a capacidade funcional de

indivíduos com transtornos vestibulares periféricos crôni-cos;equequantomaiorocomprometimentodacapacidade funcional,maiorseráoriscodequedasparaessaspessoas.16

Avestibulopatiaperiféricapodeacarretarumacondic¸ão de disfunc¸ão crônica na qual as atividades feitas em determinadoambiente podem causar aferentes sensitivos conflitantes,particularmente quandodependem de maior controlepostural,o queafetao limitede estabilidadedo indivíduo.

OLDEfoiavaliadocomoobjetivodeidentificardéficits de equilíbrio em indivíduos com vestibulopatia periférica crônica.16 Estudosavaliaram oLDE porposturografia

com-putadorizada, de modo a medir a estabilidade funcional deindivíduos comdisfunc¸ão vestibular,o quepossibilitaa identificac¸ão depossíveis mudanc¸as na área elíptica e na velocidadedeoscilac¸ãodocentrodepressão.18---20

EmumarevisãosistemáticafeitaporRiccietal.(2010), queabordouareabilitac¸ãovestibularemadultosde meia--idade e idosos, os autores constataram que, além da avaliac¸ãodo equilíbriocorporalestático e dinâmicopelos testesclássicos,aposturografiacomputadorizadatinhasido usadanamaioriadosestudos,particularmentenotesteLDE dalatênciademovimento,pontomáximodeexcursão,eno controledirecionaldasvariáveisdemovimento.20

Amédiadeidadenapopulac¸ãodopresenteestudofoide 64,6anos.Deacordocomachadospublicados,alguns auto-ressugeremque aidade possaserumpossível fatorpara aperdadafunc¸ão vestibular,devidoàsalterac¸ões eletro-fisiológicaseestruturaisnosistemavestibular,quepodem terconsequênciasimportantesparaocontroleposturalem indivíduoscomapenas40anosequepodemcausarinúmeros sintomasotoneurológicos,comoatontura.21,22

Alémdisso, aprevalênciadeparticipantes mulheresno presente estudo confirma o que já foi descrito na lite-ratura --- que a tontura é mais prevalente em mulheres, numaproporc¸ão de2:1. Umapredisposic¸ão orgânicapara ostranstornos vestibulares pode estar relacionada a uma variac¸ãohormonalintrínsecae/outranstornosmetabólicos easmulheressofremomaiornúmerodequedas.23---25

No presente estudo, observamos benefícios imediatos com o uso do sistema de âncoras na melhoria do LDE, particularmenteemrelac¸ãoaomaiordeslocamentolateral esquerdo,aomelhorcontroledirecionalanterioreposterior eàmenorlatênciademovimentoanteriormente,em con-cordânciacomasvariáveisPFE,CDMeLM,respectivamente. Portanto, pode haver benefício com o uso do sistema deâncorascomomediadordainformac¸ãohápticaentreo

Tabela2 MédiaedesviopadrãodavariávelLM(latênciademovimento),emsegundos,dolimitedeestabilidade

Variáveis Posic¸ão1 Posic¸ão2 Posic¸ão3 Valorp

1×3 2×3

LM(1),seg 1,23±0,40 1,64±0,65 1,15±0,47 0,003a 0,003a

LM(3),seg 1,23±0,47 1,81±0,98 1,51±0,46 0,19 1,0 LM(5),seg 0,91±0,55 1,30±1,07 0,85±0,51 1,0 0,57 LM(7),seg 1,23±0,42 1,60±0,77 1,30±0,29 1,0 0,36

LM(1),deslocamentoanterior;LM(3),deslocamento lateraldireito; LM(5), deslocamentoposterior;LM(7),deslocamento lateral esquerdo.Posic¸ão1,depécomosbrac¸ospendentesaoladodocorpo;Posic¸ão2,depécomoscotovelosflexionadosem90◦(simulando aposic¸ãodesegurarasâncoras);Posic¸ão3,cotovelosflexionadosem90◦esegurandoasâncoras;1×3,posic¸ão1vs.posic¸ão3;2×3, posic¸ão2vs.posic¸ão3.

(6)

Tabela3 MédiaedesviopadrãodavariávelPFE(pontofinaldaexcursão),emporcentagem(%),dolimitedeestabilidade

Variáveis Posic¸ão1 Posic¸ão2 Posic¸ão3 Valorp

1×3 2×3

PFE(1)(%) 61,75±19,10 58,93±10,21 58,86±22,49 1,0 1,0 PFE(3)(%) 67,70±19,42 74,40±18,22 71,98±22,99 1,0 1,0 PFE(5)(%) 58,56±21,79 60,13±18,23 53,12±13,42 1,0 0,72 PFE(7)(%) 59,21±18,20 77,56±18,11 73,94±20,15 0,01a 1,0 PFE(1),deslocamentoanterior;PFE(3),deslocamentolateraldireito;PFE(5),deslocamentoposterior;PFE(7),deslocamentolateral esquerdo.Posic¸ão1,depécomosbrac¸ospendentesaoladodocorpo;Posic¸ão2,depécomoscotovelosflexionadosem90◦(simulando aposic¸ãodesegurarasâncoras);Posic¸ão3,cotovelosflexionadosem90◦esegurandoasâncoras;1×3,posic¸ão1vs.posic¸ão3;2×3, posic¸ão2vs.posic¸ão3.

aDiferenc¸asignificante(p<0,05)deacordocomotestedemúltiplascomparac¸õesdeKruskal-Wallis.

chãoeocorpodousuário,paramelhoriadodesempenhode equilíbrio.9,26

Ademais,essesistemaforneceinformac¸õessobreforc¸a, movimento, textura e forma (acelerac¸ão, gravitacional e inerte)envolvidosnapercepc¸ãomecânicadoambientepor meiodosesforc¸osdosistemacinestésicoedapele,como, porexemplo,otoquedeumdedocomalgumaestáticapara adiminuic¸ãodaoscilac¸ãodocorpo.26

Os benefícios do sistema de âncoras também foram observadosnoestudodeFreitasetal.11 emindivíduos

ido-sossaudáveisqueempregaramessesistema.Essesautores dividiramosparticipantesemtrêsgrupos,deacordocoma frequênciadeusodosistemadeâncoras(0%,50%e100%) naposic¸ãodepé.Alimitac¸ãodoperíododesessõesa50% melhorouocontroleposturalvs.usodosistemadeâncoras pormaistempo. Osautores sugeriram que esseresultado eradecorrentedousodainformac¸ãohápticapelosistema nervoso central, como forma de recalibrar o processo de integrac¸ãosensitiva,paramelhoriadocontrolepostural.15

Com o uso do sistema de âncoras, os voluntários no presente estudo foram capazes de mover mais o COP nodeslocamentolateralesquerdo(PFE)vs.condic¸õessemo usodasâncorasecomobrac¸opendentenosladosdocorpo. Portanto, o sistema de âncoras pode ser ferramenta importante na reabilitac¸ão em programas de equilíbrio corporal, porque uma reduc¸ão no limite da estabilidade emindivíduoscomcomprometimentodocontrolepostural pode causar dificuldade durante a execuc¸ão de tarefas na posic¸ão ortostática, por exemplo, ao pegar objetos, oumesmo quandoocorrecolisão dealguma forc¸aexterna comoindivíduo.16 Quanto menorolimitedeestabilidade,

piorseráacapacidadedoindivíduodesemovimentarsem alterar a base de suporte e issoo torna maispropenso a sofrerlesãoporquedas.17

Com relac¸ão à LM, os voluntários deste estudo leva-ram menos tempo para iniciar o movimento na direc¸ão anteriorcomousodosistemadeâncorasvs.condic¸õessem âncorasecomosbrac¸osaolongodocorpo.Issopodeestar relacionadoaofatodeque,aousarosistemadeâncoras,o indivíduopodesentirmaisconfianc¸aparasemovimentarem direc¸ãoaosalvos,comousodosistemahápticocomomeio auxiliaraosistemadecontrolepostural,demodoamantero COPdentrodolimitedeestabilidade,semmudanc¸anabase. Outro achado interessante deste estudo foi a variável CDM, na qual o uso do sistema de âncoras permitiu ao voluntário atingir os alvos predeterminados nas posic¸ões de deslocamentoanteriore posterior com maior controle e, portanto, com o deslocamento do COP com a mínima correc¸ãopossíveldomovimento.

Izquierdoet. al.(2011) trataram pacientesidosos com vestibulopatia periférica crônica com um programa de reabilitac¸ãodoequilíbriocorporal baseadona posturogra-fiadinâmicacomputadorizadaeobservaram,depoisdeduas semanasdetreinamento,umamelhoriade13,8%navariável CDMdolimitedeestabilidade.18 Esseachadofoisimilarao

obtidoemnossoestudo,noqualosistemadeâncoras impli-coumelhoriaimediatade10,06%nocontroledomovimento direcional.

Ofeitopositivoimediatoobtidocomousodosistemade âncorasemindivíduoscomtranstornovestibularequenão melhoraramdepoisdareabilitac¸ãovestibularconvencional sugerequeessaéumaferramentaquepodeserempregada

Tabela4 MédiaedesviopadrãodavariávelCDM,emporcentagem(%),dolimitedeestabilidade

Variáveis Posic¸ão1 Posic¸ão2 Posic¸ão3 Valorp

1×3 2×3

CDM(1)(%) 84,02±8,45 83,56±5,33 88,85±4,08 0,03a 1,0

CDM(3)(%) 86,63±4,81 81,38±4,61 80,15±7,53 1,0 1,0 CDM(5)(%) 68,82±22,81 63,34±20,71 78,88±7,99 0,001a 0,01a

CDM(7)(%) 78,21±14,06 85,36±3,81 87,12±4,82 0,01 1,0

CDM(1),deslocamentoanterior;CDM(3),deslocamentolateraldireito;CDM(5),deslocamentoposterior;CDM(7),deslocamentolateral esquerdo.Posic¸ão1,depécomosbrac¸ospendentesaoladodocorpo;Posic¸ão2,depécomoscotovelosflexionadosem90◦(simulando aposic¸ãodesegurarasâncoras);Posic¸ão3,cotovelosflexionadosem90◦esegurandoasâncoras;1×3,posic¸ão1vs.posic¸ão3;2×3, posic¸ão2vs.posic¸ão3.

(7)

comoestratégiaterapêuticaparaamelhoriadoequilíbrio, pormeiodarecalibragemdossistemassensitivos, principal-menteossomatossensitivos.

Considerando que essa é uma forma relativamente nova de explorac¸ãodas informac¸ões hápticas com a fina-lidadedemelhorarocontrole posturalem indivíduos com vestibulopatiaperiféricacrônica,omecanismofisiológicoe asformas pelasquaisosistemadeâncoraspodemelhorar o controle postural nesses indivíduos ainda não foram amplamenteexploradosnaliteratura.

Mas, se compararmos o uso das âncoras com modali-dades de biofeedback como forma de treinamento para melhoria do controle postural, podemos aderir à teoria de Horak, que diz que a informac¸ão sensitiva fornecida com frequência pode ser compreendida pelo sistema de controle postural como um sistema sensitivo extra, que pode ser empregado ou explorado mais profundamente emdetrimentodeoutrosistemaqueestejaemposic¸ãode desvantagemouquesejaimpreciso.25

Esteestudoérelevanteporquedemonstraqueosistema deâncoraspodemelhorarolimitedeestabilidadedo indiví-duo portador de disfunc¸ão vestibular crônica e ajudar no controle postural e, finalmente, podeser empregado em protocolosdeexercíciosparareabilitac¸ãodoequilíbrio.

Conclusão

O sistema de âncoras, mediante o uso da informac¸ão háptica para o controle postural, proporcionou melhoria imediatanolimite deestabilidadeemindivíduoscom ves-tibulopatiaperiféricacrônicaquenãotinhamrespondidoà reabilitac¸ãovestibular.

Conflitos

de

interesse

Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.

Agradecimentos

Osautores agradecem o apoio financeiroda Fundac¸ão de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Assistência do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. O apoio da equipe da Prof. PhD Camila Giacomo Carneiro Barros do Ambulatório de Otorrinolaringologia do Departamento de Oftalmologia, Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabec¸a e Pescoc¸o da Faculdade de Medicina deRibeirão Preto daUniversidade deSãoPaulo(FMRP-USP),emRibeirãoPreto(SP),Brasil.

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Imagem

Figura 1 Fluxograma da amostra (*RV: reabilitac ¸ão vestibu- vestibu-lar convencional em progresso; **MEEM, miniexame do estado mental).
Figura 2 Posic ¸ões adotadas durante avaliac ¸ões com o uso do equipamento Balance Master ®
Tabela 2 Média e desvio padrão da variável LM (latência de movimento), em segundos, do limite de estabilidade
Tabela 3 Média e desvio padrão da variável PFE (ponto final da excursão), em porcentagem (%), do limite de estabilidade

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