A ECONOMIA DOS TRANSPORTES

No documento j (páginas 21-29)

Reconhecem os economistas queas bases fundamentais eessenciaisdavidaeconômicasão:aproduçãoe o consumo, istoé,o

homem

produz paraconsumir.

Em verdade, tentando-se observar a atividade econô-mica, deduz-sequeoconsumoconstituiofime a produção o meio.

Em estudando a vida econômica, compreendendo os fatores que concorrem para a sua atividade, iremos en-contraros fatores permanentesda produção,comosejam:a natureza, através das matérias fornecidas pela terra, pelo mar, pela atmosfera, e o trabalho

êstedecorrenteda ação humana

.

A

tais fatores costumamos economistas aditar um ter-ceiroelementoconstituído docapital.

Entretanto, quem observar a evolução da vida econô-mica, conhecer a sua história, pesquisar as suas múltiplas manifestações, investigar o seu aperfeiçoamento, perceberá

17

que, nestes últimosduzentosanos, surgiu

um

elemento novo que, de maneiradecisiva, tem concorrido para a eficiência demaior e melhor produção: é progressotécnico.

O

progressotécnico,atravésdeseusmúltiplosprocessos e manifestações desenvolve,sem cessar,as matériasnaturais

utilisáveise osefeitosdotrabalhohumano.

Equeéo progressotécnico?

Não

seráoprogressocientíficoencaradonosfatos eco-nômicos? Atravésdo progresso técnico,o

homem

vai domi-nando as dificuldades. Derivado, como é,

duma

atividade científica experimental,vai representar

uma

capacidade de ação maiseficaz adquirida pelo

homem

graças ao esfôrço intelectualsôbre os elementosmateriais.

Perguntar-se-á:

se o progressotécnico não surgisse, nãointerviessenavidados povos, manifestar-se-iam os fenô-menos econômicos contemporâneos? Apresentar-se-iam nos seus efeitose nas suas reações,comoseapresentam,

em

be-nefícioda humanidade?

A

produçãoteriasidotão crescente?

Quem,certamente,no exame de taisdetalhes, na pes-quisa detaisetantas circunstâncias,procura sentire obser-varovalordo progressotécnicocomofatordeterminanteda evoluçãoeconômica contemporânea, há-deconcluirque não

existirianenhum fenômenoeconômico esocialda época pre-sente senãoocorresseo progressotécnico,queprovocou

uma

produção semprecrescente,e, consequentemente,

um

consu-mo,deigual sorte,sempreascencional

Enquanto constituem fatoresda produçãoa naturezae 18

o trabalho humano,

em

relaçãoao consumoos fatores con-correntes paraa suaconstituição são precisamente a produ-ção e as necessidades humanas. Eé issoclaro, pois,que o

homem

não poderá consumir oqueêlenãoproduz,e, inver-samente,não poderáêleproduzirutilidadequenãoconsome.

A

análise de tudo leva-nos ao estudo do rendimento, comodecorrênciadaprecisãoe rapidezda açãohumana

em

dominar asdificuldades.

Na

investigaçãodetaisrendimentos iremosconcluirquanto à sua origem,que provêmdaprópria natureza e constituem expressãodotrabalho humano.

Não

há mais dúvida dequeo progressotécnicotrouxe melhoria de rendimento

em

cada hectare de terra, como, também se pode crêrque o progresso técnico levou a

um

maior rendimentoo trabalhohumano. Écertoquehojenão seprocurainvestigar sefoiutilisadamatéria prima,masqual a quantidade absorvidanumahoradetrabalho.

Considerando queo progresso do rendimento da natu-reza nãoé proporcional aodorendimentodotrabalho, per-gunta-se: qual dêles constituifator mais importante para o

homem?

Certamente, através da análise dos fatos econômicos irerrtos deduzirda maiorvalia

em

relaçãoaorendimentodo trabalho "humano,cuja medida irá determinaraquelas apre-ciações queAndré Siegfried exprimiu numasíntese da evo-lução humana: "Je m'imagine que, lorsque les homens, de chasseurs etnômadequ'ilsetaint,sontdevenus,auneolitique, agriculteurs et sedentaires, une crise de pareille magnitude

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a duseproduire. Lechangementd'âge humainauquel nous assistons actuellement

me

parait d'aussigrande porteé: peut être dira-t-onplus tard,en enparlant, quec'estl'âgede la machine,

comme

nous parlonsde l'âge paleolithiqueou neo-lithique"

.

Éo"século técnico",de quenosfalaSombart, que, atra-vésdeordens de progressos técnicos, tanto veiu refletir no aumentogeraldo mundo, no incrementode sua população, com a diminuiçãodemortalidade: "por

uma

parte, acrescen-taSombart, pelo aperfeiçoamento da higiene,dos meiosde lutacontra as endemias,edatécnicamédia

em

geral;e,por outra,pelo aperfeiçoamentodatécnicaprodutiva,edos trans-portes, que,aseu turno, abriram apossibilidadede assegu-rarasubsistênciaa tôda a população". (ElBurguês).

Vivêndo o

homem

permanentementenodesejode satis-fazer as suas necessidades, esta atividade que poderiamos chamar deatividadeeconômica,leva-oa tomar contactocom o

mundo

exteriorea atuar sôbreêle. Daí considerarmosque tôda modificaçãodanatureza, provocada pelo trabalho hu-mano, conduz à produção, e, consequentemente, provoca o transporte

.

Tôda invenção técnica põe constantemente o

homem

econômico

em

contacto comarealidade, sustentaVierkandt, eêste domíniodo

homem

sôbre a natureza criaasformas com que semanifestaa vidaeconômica, através dosmodos e sistemasda produção, adistribuição, asorganizaçõesde tôdaíndole.

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Eis porque se deve considerar a real importância dos transportes na vida econômica: com seu valor financeiroe técnico,constituem, sem dúvida,

um

dos grandes problemas daépoca. Suaorganização,comreflexona produção, éde enormesignificado prático.

Indiscutivelmente,a naturezadafunçãodaprópria orga-nização dostransportesdeve constituir

um

marco da econo-miageral.

Diz-nos Bonaviaquea"Humanidadeestáatarefada, es-timulandoa natureza e aajudandoa transformar a semente

em

fruto,o mineral

em

metal.

A

matéria é maisdesejável

em um

determinadolugarque

em

outro,

em uma

época do ano que

em

outra,e, assim, sedesenvolveotransporte,a distri-buição,e todoo mecanismocomercial".

A

função dos trans-portes, continua Bonavia, é levaras mercadorias depontos nos quais sua utilidadeé relativamente,baixa para aqueles outrosnosquaisé relativamentealta".

Claroestáqueos serviçosdetransportesconstituem

uma

partevitaldacorrentedeutilidadesque comprendeosistema econômico.

Emverdade,subsistena produçãoaatividadepelaqual ohomem,procura novos meios para satisfazersuas necessi-dades, transformando a matériatomada à natureza e pon-do-a

em

condiçõesdeserutilizada. Eaprodução

uma

"cria-çãodeutilidades",na expressãode Zamora,paraquemtais utilidades podemconsistir: a) notransportedecoisasde

um

sítio

em

quenãosãoúteis,aolugar

em

queserãoutilizadas.

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criando, dest'arte, a utilidade espacial; b) na conservação das coisas por longo tempo, para usá-lasquando,

em

ver-dade, forem úteis, constituindo a utilidade temporal; c) na transformação das matérias primas,como propósitode lhes dar

uma

formaadequada aofimaquesedestinamcriando, dêste modo,a utilidadeformal

.

Eiremos melhor observar osreflexosdovalordos trans-portes se fizermos rápido apanhado da evolução humana, através de evolução do processo econômico. Verificaremos que tôdas as sociedades que antecederam ao capitalismo, desde oclã primitivo,composto porváriasdezenas de pes-soas,atéà sociedadefeudal, integradapor milharesde indi-víduos,foram organismos fechados, que, quase inteiramente, se bastavam asi mesmos, sem necessidade de trocas. Era certoque,

em

taissociedades, seobservava, dealguma ma-neira, a divisão dotrabalho, masos benseram produzidos exclusivamente para o consumodireto da comunidade pro-dutora, entre cujosmembros eramdistribuidos.

Com

o surgimentodo capitalismo, coma utilização da riqueza, novas formas e fórmulas se manifestaram, levando a modificações no regime econômico,que poderemosdestacar sob alguns dosseguintes aspectos: a)nãoseproduz para o consumodiretodosprodutos,mas comoobjetivodetroca;

b) ocorre,por assimdizer,

uma

limitaçãodaatividadeda pro-dução

em

relaçãoa

um

determinado

bem

ou a

um

número reduzidodebens, pela unidade produtora;c) a interligação entre

uma

unidade produtora e outra para efeito detroca 22

de bens produzidosconstitui ponto vital de subsistência; d) osefeitos da produção determinaramos recursos quetanto beneficiam aos elementos participantes da própriaatividade de

uma

emprêsa.

Com

o aparecimento desta novaera,aqueZamora de-nomina de "era da utilização das riquezas", está evidente queos transportestiveram

um

papel muitoparticular

em

sua funçãodereduzirao mínimoos efeitos doobstáculoda dis-tância.

"Efetivamente, ladistancia esun obstáculoque la orga-nizacióndelostransportes tienecomofin,ycomoefecto pra-tico, eldereducirlo;enelcumplimientodecomoenesta fun-ción,eltransportistadebe,sinrecurriramedidasarbitrarias, inspirarse amplamiente en lascircunstancias econômicasdei tiempo ydei lugary tender a favorecerel acceso a las re-giones másalejadas deloscentros de produción". (Paul de Croote).

Considere-se que,comadestruiçãoou reduçãodo obstá-culodadistância, comoseopera a criaçãodenovas utilida-desdolugar,-êste princípioparece decorrentedo fundamento de queo "transportecumpresua verdadeira missãoquando beneficiaaos consumidores,extendendo omercadoe fazendo desaparecer asvantagens quetalvezrepresentem

um

semi-monopólio, queos produtores individuaispodem derivar da situação". (Bonavia).

Eis porque o princípio da necessidade do transporte é vitalna vida econômica,cujanecessidadesesitua,

em

síntese,

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nodespachodemercadoriasoudepessoasde

um

lugarpara outro

.

Quantoàs formasquereveste, naprática,esta necessi-dade, são variadas. Para suasatisfaçãoexistemdiversos mo-dosdetransportes, oriundosdetécnicas diversas.

Daíconeiderar-se, de

modo

exclusivo, quetôda organi-zação detransporte constitui fatorpreponderantedaprópria organizaçãoeconômica.

24

III

O

BRASIL

- EXPANSÃO

TERRITORIAL

- EVOLUÇÃO

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