DOMICILIARES EM DOIS BAIRROS NA CIDADE DE PAULO AFONSO-BA: ESTUDO DE CASO
2. METODOLOGIA 1 Descrição da Área
3.8. ANÁLISE DO PROGRAMA DE COLETA SELETIVA DA CIDADE DE ARACAJU SE
VIEIRA, Lusilene Santos Grupo de Resíduos Sólidos do Instituto Federal de Sergipe (GRS/IFSE) [email protected] SANTOS, Renilza Conceição Vieira
GRS/IFSE [email protected]
SILVA, Aline C. UFPE [email protected] VITORINO, Kelma M. Nobre GRS/IFSE [email protected]
RESUMO
A coleta seletiva, embora apresente benefícios ambientais, econômicos e sociais, é pouco desenvolvida na cidade de Aracaju/ SE, conforme mostram pesquisas acadêmicas e dados sobre saneamento do país. O presente artigo tem como objetivo apresentar diagnóstico da análise feita a partir de dados coletados acerca da coleta seletiva realizada no município de Aracaju, situado no estado de Sergipe. Os dados são baseados em informações obtidas junto a órgãos ambientais municipais que direta ou indiretamente participam da referida coleta na cidade. Ao final são abordadas possíveis melhorias da coleta seletiva no município, assim como suas dificuldades diagnosticadas.
PALAVRAS-CHAVE: Diagnóstico, Coleta seletiva, Aracaju (SE)
1. INTRODUÇÃO
Um dos maiores problemas da sociedade contemporânea é gerir a quantidade de resíduo produzido diariamente, no Brasil a quantidade ultrapassa 1,2 kg/hab.dia (DIAS et al., 2012; JUCÁ et al, 2014). Costa (2011) afirma que esse excesso de quantitativo está diretamente ligado a forma de vida moderna, fazendo, portanto, que exista uma ligação de interdependência entre a redução de resíduos e a mudança dos padrões de consumo. Também, os autores Scarpa e Soares (2012) ressaltam que a extração de recursos naturais está acima da capacidade de regeneração do planeta, sendo que a geração de resíduo causa diversos impactos a estes e na saúde pública. Assim, analisa-se que o uso sustentável de tais recursos ainda seria uma meta muito distante de ser alcançada.
O aumento exponencial da geração de resíduos sólidos trouxe não só preocupação como também a necessidade de produzir alternativas para gerir esse quantitativo. Foi neste contexto que surgiu a coleta seletiva, como nos relata Santos (2011) ao citar que o interesse econômico da busca da matéria prima fez com que se procurasse uma nova abordagem para resolver o problema da destinação dos resíduos, necessitando uma dimensão socioeconômica na tomada de decisão. Além de ser uma ação indispensável e de grande desafio para a gestão de resíduos sólidos urbanos, a coleta seletiva é um gerador de emprego e renda se
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considerarmos para além da coleta seletiva domiciliar, a coleta realizada por catadores, sendo assim considerada uma alternativa bastante viável (TCHOBANOGLOUS et al., 1993; SANTOS, 2011).
É importante destacar que a coleta seletiva agrega valor ao resíduo, quando otimizado seu reaproveitamento, apresentando redução de volume nos materiais que são dispostos em aterros e, portanto, aumentando a vida útil destes, além de contribuir com a diminuição dos impactos gerados (PASSOS et
al.,2014). Para Agamuthu, Khidzir e Fausiah apud Silva (2014) uma política de gestão de resíduos sólidos
urbanos (RSU) somente seria de fato eficaz quando os resíduos fossem geridos de uma forma consistente, devendo conter assim incentivo à coleta seletiva objetivando a eficiência na prestação dos serviços.
Apesar da primeira experiência com coleta seletiva no Brasil dar-se em 1985 foi em 1990 que as administrações municipais do Brasil começaram a destacar a coleta seletiva quando estabeleceram parcerias com catadores organizados em cooperativas (EIGENHEER, 1993 apud ROCHA, 2011). A partir da década de 1990 o governo federal e as administrações municipais do Brasil começaram a destacar a coleta seletiva e a inclusão social dos catadores de lixo quando estabeleceram parcerias com catadores organizados em cooperativas, que futuramente iriam se tornar um modelo socioeconômico (BESEN e RIBEIRO, 2007; SILVA et
al., 2011). Em 1998, Jacobi e Teixeira compartilhavam suas análises sobre a construção de políticas públicas de reciclagem e coleta como genuína alternativa de inclusão social de grupos marginalizados sendo, portanto, possível uma gestão por intermédio de políticas que não estejam refém exclusiva do livre mercado.
Neste contexto, a legislação brasileira, em sua Lei Federal nº 12.305/10 (BRASIL, 2010) que trata da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), consolidou as necessidades de implementação da coleta seletiva no país, instrumentando não só a reciclagem e reutilização, como também, inovando na inclusão de catadores e na logística reversa como formas de otimizar a coleta seletiva. Também, a PNRS determinou o fim dos lixões que deveriam ser substituídos por aterro sanitários em todos os municípios até o ano de 2014, prorrogado prazo para 2018, além disso, a referida Lei disserta sobre a importância e obrigatoriedade estados e municípios elaborassem um plano de gerenciamento para pôr em pratica a coleta seletiva, a educação ambiental e a integração entre setor público e privado.
Aracaju (SE) foi uma das cidades que eliminou o lixão antes do prazo determinado. Segundo os dados do IBGE (2015) a cidade conta com 632.744 mil habitantes uma área total de 181, 85 km2, um PIB de 12.211,00, com 39 bairros e está dentre os munícipios que apresentaram mudanças com a Lei Federal 12.305/2010, quando desativou o seu antigo “lixão da terra dura”. Tendo em vista tais informações mencionadas o presente artigo tem por objetivo apresentar um diagnóstico com a atual situação da coleta seletiva no município de Aracaju (SE), mostrando-se, portanto, como um analise descritiva dos fatos e dados coletados durante a pesquisa.
2. METODOLOGIA
Uma pesquisa implica em atender três requisitos básicos independente do problema. São eles: a existência de uma pergunta que se deseja responder, elaboração e descrição de um conjunto de passos para obter a informação e indicação do grau de confiabilidade na resposta obtida (LUNA, 2010). Nesse sentido, o estudo de caso se justifica na presente pesquisa pela necessidade de avaliar a gestão da coleta seletiva, observando como e porque é adotada a forma de gestão destes materiais potencialmente recicláveis. A pesquisa foi realizada de forma indutiva, para a formulação de hipóteses explicativas e de planificação de políticas públicas visando a gestão adequada dos resíduos sólidos urbanos (ALMEIDA, 2012).
Inicialmente, foi feita a delimitação da área a ser estudada, desta forma, escolhido o município de Aracaju, no estado de Sergipe, nordeste brasileiro. Para a obtenção dos dados foram realizadas pesquisas bibliográficas e estudo de campo através da técnica de aplicação de questionários junto a órgãos municipais, Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SEMA) e Empresa Municipal de Serviços Urbanos (ENSURB).
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Do ponto de vista de seus objetivos, essa pesquisa caracteriza-se como um método exploratório, pois busca proporcionar maior familiaridade com o problema, promovendo, maior conhecimento sobre o tema pesquisado. Foram consideradas normas e legislações, levantamento de alternativas e estudo de viabilidade com a observação de aspectos sociais, econômicos, políticos e técnicos, além dos ambientais. O questionário aplicado conta com dezesseis questões subjetivas e abertas, que foram respondidas por representantes dos órgãos responsáveis pela gestão e gerenciamento da coleta seletiva no município.
A pesquisa bibliográfica baseou-se na análise de diversos periódicos e demais obras publicadas referentes à gestão da coleta seletiva, além de consultas em sites oficiais como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2010) e análise de documentos oficiais como, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Concluindo a etapa de leitura, para melhor embasamento, foi iniciada a busca em campo. É importante citar o uso de instrumentos da informática para elaborações gráficas, necessárias como forma de facilitar a compreensão do leitor e também seu modo de exposição.
Notifica-se também a observação como técnica de coleta de dados com base na indicação de (KUARK; MANHÃS; MEDEIROS, 2010 pg.62) que cita: “A observação deve ser exata, completa, imparcial, sucessiva e metódica”. Por fim, aponta-se que o início das pesquisas ocorreu no mês de agosto de 2015, sendo até o mês de abril de 2016 coletados dados para elaboração do presente diagnostico. Sendo assim dar-se início a apresentação e discussão dos resultados.
3. RESULTADOS