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Capítulo Três - Robe Transparente

Laurel pulou acordando na total escuridão com um sólido bater de um helicóptero que se aproximava. Ela lutou para se sentar, e, sentou piscando e confusa em uma cama que não era a dela. O quarto desconhecido estava à meia luz da claridade que vinha do banheiro adjacente.

Droga – não era um sonho estranho então. Ela ainda estava aqui...

Uma batida forte soou na porta dela. O braço fino de Yasmina serpenteou do corredor para ligar o candelabro de ferro preto.

“Rafiq,” ela disse, entrando mais e apontando para o céu.

Laurel ainda parecia meio adormecida porque Yasmina fez um gesto com a mão simulando os rotores do helicóptero, e, disse novamente, “Rafiq.”

“Rafiq,” Laurel concordou, acenando com a cabeça furiosamente. Ela saiu da cama e fez o seu melhor para indicar que ela precisava dos jeans e da camiseta. De forma alguma ela encontraria o porco em um robe transparente e nada mais.

Yasmina sacudiu a cabeça e imitou um movimento de torcer a roupa com os punhos ossudos morenos.

Laurel bateu a mão na testa e fechou os olhos. Bem, ela podia adicionar seus tênis e o boné ao robe, mas era isso. Não era um visual legal! Parecia que até o seu sutiã e calcinha tinham sido lavados pela inesperada criada pessoal.

Ela passou o robe bem transparente pelo seu corpo, esperando conseguir uma camada dupla de tecido, pelo menos, sobre seus seios e virilha. Não havia outras roupas visíveis no quarto escuro; o candelabro só dava um pouco de luz; Yasmin tinha se mandado – provavelmente porque ela não poderia ser de mais ajuda.

O bater do helicóptero era agora ensurdecedor. Os rotores sacudindo cortavam o ar, e, soava como se fosse pousar bem próximo à causa. Alguns minutos depois, um silêncio desconfortável soou, prejudicado apenas pelos guinchos distantes de passarinhos acordando.

Laurel enfiou os pés nos tênis, tendo dificuldade em amarrá-los com seus dedos que pareciam ser só polegares. Então ela penteou seus cabelos recém lavados com os dedos. Ela estava tão pronta quanto poderia estar e ela faria o discurso da sua vida.

Ela andou com uma falsa confiança pelo corredor para onde as luzes brilhavam mais forte e o ar estava entremeado de aromas deliciosos de comida.

“Ah, você chegou a salvo, Srta. Kiwi,” a voz rouca disse. Ela girou e se achou sendo inspecionada por olhos escuros perfurantes.

Olhos que sem sombra de dúvida estavam apreciando a excelente visão da sua bunda debaixo de apenas uma camada de tecido fino.

“Não graças a você,” ela disse, sentindo uma vermelhidão correr pescoço acima.

“Você acha que não?” A pergunta foi suave, mas ela sentia o aço por trás dela.

“Deixando-me lá sozinha para caminhar todo esse trajeto? Em tanto calor?”

“Levando-a para longe de dois animais perigosos? Oh por favor...” As pálpebras dele se fecharam. Você preferia que eu deixasse você se defender? Estou certo de que você teria se saído bem, uma garota grande e forte como você.”

Laurel se esticou ao máximo em sua altura e fechou os punhos.

“Eu vejo que eles te deram um surra,” ela disse com satisfação, indicando o machucado coagulado sobre o olho dele.

“Talvez. Talvez não.” Ele não pareceu incomodado pela resposta dela.

Yasmina foi em direção à ele com uma tigela de água, antisséptico e uma esponja. A pequena mulher derrubou seu equipamento sem nenhum cuidado com a mesa, colocou Rafiq em uma das cadeiras da mesa, com menos cerimônia ainda, pôs uma pequena toalha sobre o ombro dele, e, atacou a ferida com tenros golpes e muito clique da língua e ai ai ais.

Rafiq sofreu essa atenção sem comentários e seu olhar escuro intenso prendeu uma Laurel furiosa e envergonhada onde estava.

Ela apertou ainda mais o robe ao redor dela e cruzou os braços sobre os seios. Ela se amaldiçoaria se virasse e mostrasse a bunda novamente...

Por que danado ela colocou os tênis? Eles deviam parecer ridículos debaixo de um robe bonito com os bordados suntuosos de ouro. O piso era de pedra amaciada com tapetes com padrões suaves – ela não precisava de solos emborrachados duros.

O porco parecia entretido, maldito seja. Como se ele positivamente gostasse do embaraço dela. Depois de tudo que ele a sujeitou naquela tarde, ele agora tinha a pachorra de rir?

Tendo-a subjugado e segurado-a no chão com seu corpo masculino nojento?

E algemado-a, e, brincado com o cabelo dela?

E manuseado-a para dentro daquele bunker odioso ao agarrar o rabo de cavalo dela?

Gravado-a sem permissão, e colocado-a para atravessar o inferno de ter aquelas armas enfiadas no rosto dela?

Gritado com ela para impressionar os amigos dele?

Ela sabia que podia continuar nisso por muito tempo, empilhando acusação sobre acusação.

“Eu espero que isso doa,” ela disse, olhando os esforços de Yasmina.

“Bem muito, obrigada.”

“Bom. Excelente. Serve bem pra você. Pelo menos você pode me levar de volta à Kalal no helicóptero agora – exceto pela parte que ela lavou minhas roupas e eu não tenho nada pra vestir.”

Ele acenou e intensificou o olhar, correndo os olhos sem pressa do topo da cabeça dela até os tornozelos e os sapatos incongruentes.

“Sim, eu posso ver que você não está usando nada,” ele finalmente concordou. “Elas te caem muito bem, essas roupas inexistentes. Você é uma diversão agradável da tortura de Yasmina.”

Laurel fumaçou, mas conseguiu de alguma forma segurar a língua e não reagir a pilhéria dele. Agora ela precisava muito das suas habilidades de voar mais do que ela precisava de defender o orgulho.

Yasmina ouviu seu nome e deu em Rafiq uma leve patinha na bochecha. Ele jogou algumas palavras suaves na direção dela e então retornou a atenção dele para Laurel.

“Bem, você não pode viajar se não tem nada pra vestir, certo, Srta. Kiwi? A Federação Internacional de Aviação proíbe com base que os pilotos podem se distrair e inaptos pra voar.”

“O que!?” Os olhos dela flamejaram com a insolência dele.

Os olhos muito mais escuros dele a encararam. Certamente ele tinha a língua colada na bochecha e estava tentando aborrecê-la?

E de qualquer forma, esse piloto está faminto. Ele precisa ser alimentado e descansar antes de voar novamente.” Ele virou a atenção de volta pra Yasmina, deixando Laurel impressionada e em silêncio.

~♥~

“O que você preparou pra gente?”

“Cozido de carneiro com cominho e tomates, Meu Senhor Rafiq.

Pêssego fatiado para acompanhar seu café.”

Yasmina deu uma última olhada na testa dele e pareceu tão satisfeita quanto poderia ficar.

“Ela fez pra gente cozido de carneiro, minha velha enfermeira e babá. Nós não podemos voar e desapontá-la.” Ele sorriu para a expressão indignada de Laurel. “Nós comeremos e então veremos.”

“Nós comeremos e então voaremos,” a garota disse.

“Talvez.” Os olhos dele continuaram a passear pelo corpo dela, parando agora nas mãos pequenas dela com as unhas rosa perolado, depois na garganta pálida dela que tinha tanto o atraído enquanto ela engolia o suco de laranja depois da marcha frenética deles pela areia rodopiante, então para a linha do pescoço desenhada no robe onde seus seios estavam pressionados pelos braços dela segurando o tecido com força.

Ela não tinha sido feita pro gosto de Nazim e Fayez. Ele sabia bem demais qual seria o destino dela se ele não tivesse intervindo.

Ela seria descartável no momento em que as gravações foram completas.

E ele teria que deixá-los tê-la porque muito tempo e planejamento fora gasto na missão, e, tantas outras vidas estavam em risco por conta disso. A cena que a mente dele insistia em

montar gelava o sangue dele. Ela era uma coisinha bonita – macia e jovem, feroz mas não sofisticada. Ela não teria chance.

“Eu não posso jantar vestindo só isso,” ela contestou, olhando pro tecido.

Rafiq tirou seu cérebro de estupro e assassinato para o pequeno problema do robe transparente.

“Yasmina tem poucas roupas e ela ficaria envergonhada se você pegasse qualquer uma delas.”

“Mas... isso não é decente.”

“Pobre Srta. Kiwi. Eu a segurei embaixo de mim nessa tarde por muitos minutos então eu estou bem familiarizado com seu corpo.

Por que você deveria ficar preocupada com isso?”

“Você é nojento!”

“Eu sou realista. Não há outras vestimentas de mulher no local.

Apesar de que...”

Ele empurrou a cadeira, ficando ereto e colocando a toalha no tampo da mesa.

Ele gostava do olhar de surpresa dela enquanto ele puxava a camiseta da cintura das suas calças. Ele desabotoou o botão mais próximo do topo, se moveu pro próximo e pro próximo. Os olhos dele mandaram um desafio malicioso pra ela enquanto ele progredia pra baixo. Como ele esperava, Laurel achou impossível desviar o olhar. Ela engoliu.

Ele viu o pequeno movimento convulsivo e algo deu um chute profundo em seu estômago. Então ele estava a excitando um pouco? Não tanto quanto as curvas compactas dela naquela confecção transparente estavam o afetando!

Ele afastou as partes da camiseta desabotoada e parou, seu torso ainda meio encoberto pelo tecido, mas agora à mostra para ela do pescoço até o umbigo.

~♥~

Laurel engoliu novamente e limpou a garganta. Certamente ele era feito de leite achocolatado, moldado suavemente e grosso? A luz da lamparina brilhou no peito dele, escuro e musculoso e o quente

vestígio de carne tensa embaixo. Ela deixou os olhos dela correrem pelo quadril estreito dele e de volta pro rosto dele.

Meio sorriso acariciava os lábios dele.

Maldito seja. Você sabe que eu estou gostando da vista...

“Sim, você ficaria mais vestida com minha camiseta,” ele disse.

“Está limpa. Eu tomei banho e me troquei antes de voar para cá.”

Ele tirou a vestimenta cor de canela e segurou próximo ao nariz dele.

Ela ficou desapontada ao perceber que a camiseta escondia muito do corpo dele, mas ela ainda tinha a visão de seus ombros largos e o comprimento delicioso dos braços dele em retorno.

Compensação razoável, ela decidiu depois de alguns segundos elétricos.

“Eu acho que seu robe bonito pode ter sido deixado aqui” - ele pontuou a frase com uma pausa cheia de significado - “por uma amiga.” Uma sobrancelha escura tinha arqueado?

Uma namorada! De repente Laurel não podia esperar para se livrar daquilo. Ela agarrou a camiseta laranja dele e saiu correndo pro quarto para trocar.

~♥~

O estômago de Rafiq se contorceu novamente ao ver as nádegas dela parecidas com pêssego por baixo do tecido transparente. Duas mãos cheias. Ou deveria ser mão cheia? O que diabos isso importava, contanto que fossem as mãos dele que estivessem cheias?

Em breve seria bom.

Em breve seria tão bom. A missão de hoje tinha ido bem, mas tinha sido nervosa e fisicamente exaustiva. Ele trabalhou duro com o cérebro e ainda mais duro com o corpo. O perigo de ser descoberto tinha sido constante. O perigo pelo qual Laurel passou foi horrendo.

O corpo dele precisava de alívio.

Ele duvidava que Laurel seria a pessoa a prover esse alívio no humor atual dela. Ela não sabia ainda que ela dormiria no profundo do deserto hoje à noite, e, ele seria aquele que decidiria quando ela poderia ir embora.

Ela ficaria, apesar do tanto que ela queria ir embora. E isso não ajudaria nadinha no humor dela.

~♥~

Laurel encarou-a si mesma no espelho comprido e de moldura ornada. Ele devia saber – claro que sim. O cavalheirismo do porco era até certo ponto. Ela poderia agora estar vestida do pescoço até meia coxa mas o último botão da camisa dele ficava bem no nível da virilha dela. E a roupa dela de baixo ainda não estavam disponíveis, com certeza ainda úmidas e sem poder ser vestida.

Rafiq tinha uma figura esguia e reta, e sua camiseta fora cortada para seguir as linhas do corpo dele. As curvas femininas de Laurel testavam os limites da vestimenta. Ela não estava melhor assim. Ela estava pior assim! Agora ela tinha que agarrar e puxar a camiseta pra baixo em qualquer momento que estivesse na presença dele, e, ser muito cuidadosa ao sentar.

Ela sentiu novamente a mínima fragrância apimentada dele na camiseta. Não exatamente apimentada, mas algo exótico e oriental.

Ela virou o rosto de lado e cheirou o tecido. O balançar aterrorizante da viagem de van voltou ao cérebro dela. Mais uma vez ela sentiu o corpo dele a prendendo e ouviu os comentários rudes e a risadas dos homens no banco da frente. Homens rudes, de vida difícil, todos eles.

Uma bolha de suspeita apareceu no cérebro dela. Por que um terrorista nojento agora estaria vestido numa camiseta assim? Ela correu os dedos pela manga, admirando o tecido suave e bem trabalhado e a costura meticulosa. Mais cedo, a camiseta dele tinha parecido abrasiva enquanto ele estava sobre ela. Mas essa caía bem na sua pele desnuda, mesmo que não estivesse nem de longe a cobrindo suficientemente.

Então ele se achava um homem de estilo?

Acabe com a diversão dele, Laurel, ela murmurou. Ela andou pelo quarto, pensando em como fazer, verificando o armário vazio e as gavetas do criado mundo esculpido, e, achando nada nem um pouco útil.

Mas haviam toalhas no banheiro adjacente. Um banheiro largo e luxuoso. Por que ela não tinha pensado nelas antes? Com grande deleite ela envolveu uma delas ao redor do quadril e colocou a sobra por cima fazendo uma saia instantânea.

Ela rebolou de volta pra grande cozinha, com uma confiança descoberta melhorando bastante o seu humor.

“Um encaixe perfeito,” ela disse. “Obrigada.”

Ela gostou do jeito que Rafiq cerrou os olhos e a olhou. Bem, ela tinha criatividade! Se ele estava esperando ver as pernas desnudas dela e talvez um pouco da bunda debaixo da barra da camiseta dele, ele estava sem sorte. Agora eles estavam envolvidos em uma toalha grossa e ela tinha fechado todos os botões da camisa. Sua única preocupação era que os seios dela talvez estivessem visíveis pelo linho fino.

Ela olhou pra ele enquanto ele sentava de peito nu à mesa, um copo grande de suco de fruta na frente dele. Sua vez de aproveitar a vista. O corpo dele podia estar relaxado e cansado, mas ele ainda era digno de ser inspecionado.

Eu lhe darei um gostinho do mesmo, ela jurou, mandando seus olhos correrem por ele, assim como ele fizera com ela. Ele parecia em forma de lutar. Longas horas na academia? Ou a célula terrorista a que ele pertencia insistia que os homens dela treinassem duro? A sua marcha do deserto parecia uma segunda natureza para ele. Ele mal suou no tempo que a levou para o vale rochoso.

“Como você pode ver agora, estou decente o suficiente para ser voada de volta pra Kalal,” ela disse, sentando e tomando um gole do próprio suco.

“Como você pode ver, eu ainda estou longe de estar pronto pra voar você pra qualquer lugar.”

“Então quando?”

“Depois.”

“Depois do jantar então?”

“Nós veremos.”

“Sim, nós certamente veremos.”

Seus olhos negros tinham sombra de fatiga, mas certamente depois de descansar por um tempo e se alimentar ele estaria bem?

“Fique quieta, Srta. Kiwi,” ele murmurou.

Ela continuou a sua inspeção agradável do corpo dele.

Ele tinha cicatrizes! Um pequeno calombo em um ombro. Longas linhas riscadas no braço esquerdo dele. Quanto mais ela olhava, mais cicatrizes achava. Um pedaço de pele enxertado no lado da garganta dele. Bem curados, mas arranhados definidos sobre o peito dele. Era por isso que ele só tinha aberto parcialmente a camiseta e então segurou para manter seu corpo coberto enquanto ele pretendia cheirar? Ele estava envergonhado da sua aparência?

Bem, ele não precisava se preocupar em sua relutante opinião.

Se ele fosse mais peludo, muitas das cicatrizes ficariam escondidos.

Mas ele era maravilhosamente liso e parecia flexível. Apenas um mínimo de cabelo preto grosso aparecia no meio da sua barriga lisa e desaparecia calça abaixo.

Repentinamente, ela queria tratá-lo como se fosse uma das crianças, e, passar os dedos pela pele amarronzada dele para acalmar as feridas que deviam ter causado a ele dor inimaginável.

Quão absurdo! Mas quando e como ele tinha sido tão machucado?

“Aquilo era uma bala?” ela perguntou, tentando esconder a preocupação, apontando pro calombo no ombro dele.

Ele suspirou e se esticou.

“Essa aqui, sim.”

Ela sabia que os olhos dela deviam estar arregalados de choque.

“E as outras?”

“Não.”

“Então como você ficou tão machucado?”

“Como você viu hoje, eu levo uma vida ativa.”

“Bem são muitos machucados para você ganhar do seu trabalho.”

“Teria sido – sim.” O rosto dele se fechou e ele virou de lado para evitar o questionamento dela. Laurel fumaçou com a insolência dele.

“Yasmina,” ele chamou, indicando que ele estava pronto pra comer.

Instantaneamente a babá obediente chegou com jogos americanos e pratos de jantar, seguido de uma caçarola de um cozido cheirando a tempero. Então ela trouxe um prato com arroz e nozes, e, uma salada verde que Laurel logo descobriu ter um sabor

amargo mas refrescante. Ela não tinha comido nada em nove horas e fez justiça à comida.

~♥~

Rafiq assistiu-a com alegria, grato pela distração que a refeição trouxe. Ele não tinha nenhum desejo de explicar o corpo machucado dele para ela.

“Yasmina ficará satisfeita com seu apetite.”

A garota olhou da sua comida por um momento. “Ela foi realmente sua babá?”

“Claro – do meu nascimento até meus dezessete anos.”

“Dezessete anos é um pouco velho pra ter uma babá.”

“Ela será minha pela minha vida inteira. É o jeito do nosso povo.”

“Então o que acontece aos dezessete anos?”

Rafiq comprimiu os lábios. Ele realmente não queria responder isso. “Você faz muitas perguntas, Srta. Kiwi.”

“Laurel.”

“Laurel,” ele repetiu, concordando

“Então o que aconteceu?”

Diabos, ela era determinada! Ele deveria explicar? Ele precisava de um pouco de cooperação da parte dela ou a missão inteira ainda podia falhar. Ele não tinha nenhum desejo de mantê-la algemada pelas próximas duas semanas.

Ele se manteve em silêncio por um período de tempo, batendo o garfo dele contra a unha.

“Meus pais foram assassinados, e, eu tinha que me esconder,”

ele finalmente disse.

As palavras chocantes a dilaceraram. Ela ficou ali sentada, sem piscar, o encarando.

“Sério?” A voz dela tinha virado um sussurro rouco.

“Sério.” A voz dele também estava rouca com memória e tristeza.

“Então quem é você? Alguém bem importante?”

Ele respirou bem fundo.

“Eu sou o rei legítimo.”

Ela enrugou o pequeno nariz empinado dela.

“E eu sou a Rainha da Nova Zelândia,” ela disse.