Na noite de quarta-feira, Harper sentou em uma mesa suja de tinta, batendo os dedos manchados.
Dex estava dez minutos atrasado.
Ou não iria aparecer. O que era mais provável.
Talvez só precisasse marcar um encontro, não ir em um, para ganhar a aposta? Talvez tivesse recebido uma oferta melhor de uma das muitas mulheres magras com quem ele foi fotografado?
A pesquisa obsessiva de Harper não foi boa para seu ego.
As mulheres se dividiam em duas categorias: torcedoras nos jogos, em camisas e cachecóis do Smoke, agarradas em seus braços suados pós-jogo ou criaturas glamorosas em vestidos de noite, com o braço ao redor delas enquanto posavam para a mídia em tapetes vermelhos.
Agora queria ter ficado bem longe da internet, porque claramente não era o tipo dele. Nem o tipo magro, nem o tipo pegajoso. Como Chuck se esforçou em apontar quando descobriu sobre o encontro e ligou para expressar seu descontentamento.
Felizmente, foi para caixa postal.
Caras como Dexter Blake não se envolvem com mulheres gordas quando podem ter supermodelos. E então ele terminou com um pedido para pensar sobre sua carreira. Pelo amor de Deus, não coma na frente dele ou faça qualquer coisa desesperada para me envergonhar.
Deus, ele era tão arrogante, era bom fazer algo para irritar ele.
Inferno, se não fosse por Jace e Tabby, ela não teria nada a ver com ele e sua mãe ou sua superficial adoração tóxica.
Harper olhou para o relógio. Quinze minutos. Era cedo demais para se levantar? Mas então seu celular tocou e uma onda de alívio fluiu através dela enquanto olhava a mensagem de Dex.
Ack! Sinto muito. Tráfego horrível. Estou a cinco minutos daí.
Por favor não saia. Estive ansioso durante toda semana.
Harper sorriu apesar de todas as reservas. E se estivesse usando ela, estava sendo respeitoso sobre isso. Ela digitou a resposta.
Não vou sair. Estou tomando vinho. Tenha medo. Muito medo.
Ela tomou outro gole de vinho, consciente de que quase acabou e precisava estar sóbria para o caso de deixar escapar alguma outra coisa sobre suas partes íntimas. Gostou que fosse o rosto dele, que ela imaginou nas últimas quatro noites em que usou seu vibrador.
Ele chegou cinco minutos depois.
— Sinto muito. — Ele disse, puxando a cadeira a sua frente. — O treinador chegou atrasado. Griff estava com alguma coisa na bunda ou algo parecido. E então o tráfego.
Harper notou a falta de críticas na voz de Dex em relação ao seu treinador. Era mais prático, como se fosse uma ocorrência comum.
Griffin King, treinador de maior sucesso da união de rugby, era conhecido por ser duro.
Ela também pesquisou no Google.
— Está tudo bem. — Ela sorriu para ele, seu coração acelerando quando viu um cacho úmido de seu cabelo na gola e a sombra de barba em sua mandíbula. Se perguntou o que sentiria raspando em seu abdômen e apertou as coxas firmemente enquanto os músculos respondiam à imagem. Honestamente, era como se uma torneira tivesse sido aberta lá embaixo e a cada pensamento perverso – e eram frequentes – as coisas ficassem mais molhadas.
Ela ergueu a taça.
— Eu tive companhia.
Ele sorriu.
— Isso significa que ficará sem filtro?
Seu olhar caiu para seus lábios e Harper lutou nervosa contra a vontade de lamber eles.
— Odeio te desapontar, mas é preciso mais do que meia taça.
E dizer a Dexter Blake que ela estava tão excitada por ele que usou o brinquedo de baterias, era algo que planejava levar para o túmulo.
— Bem, então. — Ele murmurou, seus olhos verdes claros de repente brilhando com malícia. — Vamos completar ela.
Harper sorriu enquanto apontava para o garçom. O olhar dela mudou para como a camisa de botões dele se esticava nos ombros.
Depois foi mais para baixo, para os pelos escuros que cobriam os antebraços fortes.
Forte o suficiente para segurar ela.
Apertou as coxas com mais força, desejando não ter vestido jeans enquanto a costura do meio pressionava torturantemente contra sua carne dolorida.
O garçom reconheceu Dex e perguntou se poderia fazer uma selfie com ele. Dex recusou educadamente, usando o bom humor para pedir uma folga, porque estava tentando impressionar uma garota. O garçom aceitou bem, deixando uma bebida e cardápio, prometendo voltar, mas Harper percebeu que a conversa incomodou Dex.
Ela olhou ao redor do bar, notando os olhares de lado quando as pessoas perceberam que tinham uma estrela no meio deles.
— Isso acontece com frequência?
— Vezes suficiente. — Seu tom era ríspido.
— Você não gosta?
— Não me importo quando estou em um jogo ou fazendo algo oficial para o rugby. — Ele encolhe os ombros. — É parte do território.
Mas quando estou como um cidadão privado? — Balançou a cabeça.
— Bem... vamos apenas dizer que tento evitar tanto quanto possível.
Harper franziu a testa.
— Você evita ser reconhecido?
— Evito sair.
Exceto que ele saía. Ela o viu em sua tela de computador, alto e moreno, vestindo um smoking, andando no tapete vermelho com mulheres glamorosas no braço. Eram negócios do rugby também?
— Não precisamos ficar. — Disse ela. — Podemos ir a algum lugar mais silencioso e fora do caminho se quiser.
Ela escolheu o The Art Bar, um novo e moderno bar de vinhos e tintas, porque era casual e descontraído, conhecia os donos. Esteve ali várias vezes com os amigos. Pintando suas próprias obras-primas enquanto bebiam e comiam aperitivos em uma noite divertida, a atividade tirou a pressão da conversa, a maneira perfeita de contornar quaisquer silêncios constrangedores.
— Não, está tudo bem. — Ele balançou a cabeça instantaneamente e sorriu, ela sentiu que ele realmente queria estar ali. — Não consigo sequer desenhar um boneco, mas farei se quiser. Como funciona?
Harper explicou as regras. Ela disse a ele que haveria um tema e uma hora para pintar, depois falou sobre seus amigos Brianne e Kevin, que começaram o negócio há seis meses e que já era um grande sucesso. Ela falou até os aperitivos chegarem – deliciosos pãezinhos de primavera – duas telas vazias, um cavalete quadrado em miniatura e uma palheta de tintas, foram entregues em todas as mesas.
— O tema desta noite é exuberante. — Anunciou Kevin. A maioria das mesas do restaurante tinha pelo menos oito pessoas, algumas ainda mais e haviam sussurros bem-humorados dos diferentes grupos. Havia muita empolgação, um zumbido baixo circulando rapidamente enquanto os participantes discutiam o tema.
— Esse é um assunto amplo. — Disse Dex.
Harper sorriu.
— Essa é a questão. Isso te dá muito espaço. Sabe o que pintar?
Seu olhar foi para sua boca e desceu pelo peito. Sua modesta camisa estava abotoada até o alto, não revelando nenhum decote reconhecível, mas de repente ela se sentiu nua sob a intensidade de seu olhar.
Seus mamilos endureceram e ficou feliz pela blusa larga, agradecida por estarem em uma mesa para dois.
— Oh sim. — Ele levou a garrafa de cerveja aos lábios e deu um longo gole. Sua garganta se moveu e Harper ficou consciente do arrepiado, do baque de sua pulsação no pescoço. — Você?
Atualmente, o limite exuberante de sua carótida parecia muito bom.
— Hum, sim. — Ela disse fracamente, voltando a atenção para a tela e mergulhando o pincel no pote verde, rapidamente delineando uma folha. E depois outra.
As florestas tropicais eram exuberantes, certo?
Ela ficou aliviada quando ele colocou um pincel no pote vermelho e começou a pintar em sua tela, com a cabeça para o lado.
Ela usou longas e lentas pinceladas enquanto o observava sorrateiramente pela franja. Ele era muito hipnótico. E sexy. Ela fantasiou sobre ele dando longos golpes em si mesmo, a fazendo gozar
ao seu comando e quando sua fantasia atingiu o tom febril, aumentou a velocidade em seu vibrador.
Os músculos de seu abdômen se contraíram, segurando com a força do pensamento. Quem pensaria que traços longos e lentos poderiam ser tão excitantes?
— Então, Harper Nugent. — Disse ele depois de um minuto ou dois. — O que você faz?
Harper se assustou com a conversa inesperada. Ele parou os longos golpes enquanto esperava que respondesse e a pressão de seu corpo cedeu em um tremor prudente.
Ela teve orgasmos que não foram tão bons.
Sua respiração diminuiu lentamente, ela limpou a garganta enquanto se movia contra o banquinho para aliviar a dor entre suas coxas.
— Sou uma artista.
Ele estreitou os olhos.
— Que tipo de artista?
— Uma pintora… uma muralista para ser exata. Atualmente, de qualquer maneira.
— Ah. — Seu olhar foi para as mãos dela, já manchadas de tinta.
— Isso explica tudo.
O olhar de Harper seguiu o dele. Sem dúvida ele estava acostumado a mulheres com mãos muito mais glamorosas. Pele macia, dedos elegantes, unhas longas, brilhantes e pintadas. Suas mãos eram secas e ásperas. Com as mãos em tinta e solventes todos os dias, a pele de Harper era mais de crocodilo do que humana. Suas cutículas estavam manchadas com marcas do mais recente trabalho.
— Então... — Ele continuou, com um pouco de provocação em sua voz. — Escolheu este lugar para tirar o jogador de rugby de sua zona
de conforto, hein? Estou aqui pintando meus dedos e você está criando algo que Picasso teria orgulho.
O sorriso era torto e encantador, Harper não pode deixar de sorrir.
— Não é uma competição.
— Tudo é uma competição, Harper.
Ele estava sorrindo, mas havia seriedade em sua voz. E de que outra forma um atleta de elite pensaria?
— Você não pode ganhar o tempo todo. — Ganhar o controle de sua mente confusa e excitada sobre seu corpo era mais que o suficiente para esta noite? — Mas com certeza vou chutar sua bunda esta noite.
Ele soltou uma risada surpresa.
— Eu sabia que havia uma tendência competitiva dentro de você.
Harper encolheu os ombros.
— E se serve de consolo, sou péssima no rugby. — Embora Deus soubesse, ela poderia ser derrubada por Dexter Blake.
Ele a olhou com admiração. Como se estivesse pensando exatamente a mesma coisa.
— É como qualquer outra coisa. Você só precisa praticar.
Ela arqueou uma sobrancelha.
— Como arte?
Ele lançou um olhar para a tela e fez uma careta.
— Touché4.
O garçom chegou com os dois pratos e o momento foi perdido. Ele ofereceu a ela uma lula frita cheirando divinamente e um pouco de Haloumi banhado em suco de limão, sal e um raminho.
Ela recusou.
— Você mal comeu algo. — Ele protestou.
4 Na esgrima, o termo é usado como um reconhecimento de um golpe, dito pelo esgrimista que foi golpeado.
Harper encolheu os ombros.
— Eu não estou com fome. — Era uma mentira descarada, mas o maldito Chuck a deixou tão consciente sobre comer na frente de Dex que não arriscaria fazer isso, nem mesmo para irritá-lo. Só esperava que seu estômago roncando não ficasse mais alto.
— Você come. — Ela insistiu. — Parece que precisa de comida e água constantemente apenas para cumprir funções básicas.
Ele espetou um pedaço suculento de lula com o garfo, seu olhar fixo no dela.
— Uma pessoa precisa mais do que comida e água.
Suas próprias necessidades surgiram à superfície como uma mancha de óleo e algumas migalhas cobriram o canto da boca. O desejo de lambê-las foi tão real quanto o próprio batimento cardíaco.
— Sim, bem. — Disse ela, rompendo o contato visual para examinar o progresso de sua pintura. Pequenas criaturas da floresta estavam tomando forma, aparecendo atrás das exuberantes folhas verdes. — A comida é tudo o que é oferecido aqui essa noite, amigo.
E talvez se ela dissesse a si mesma frequentemente, acabaria com os sussurros maus da desinibida Harper, que parecia ter escapado da camisa de força em que foi contida desde o telefonema na outra noite.
Harper – as versões desinibida e a sóbria – não tinham problemas com encontros de uma noite. Ela não dava a mínima para o que dois adultos decidiam de comum acordo – mais poder para elas. Ela simplesmente não acreditava nisso para si mesma. Dormir com um homem – qualquer homem – no primeiro encontro não estava em sua agenda. E mesmo que quebrasse essa regra vitalícia, com certeza não seguiria esse caminho com um homem que sabia que estava usando ela tanto quanto ela estava usando ele.
E se quisesse mais, ele e seus companheiros já teriam se divertido e estariam seguindo em frente. Para uma supermodelo. Isso abalaria sua confiança e ferraria sua psique por muito tempo.
— E pintura. — Acrescentou. — É pegar ou largar.
Um sorriso curvou seu lábio enquanto ele considerava por um momento. Refletindo suas opções talvez? Deus sabia que estava tão excitada por assistir à ação de seu pulso que ele poderia deslizar a mão sobre sua coxa e provavelmente ficaria mais alta do que Sally ficou por Harry.
E não haveria nada de falso nisso.
Harper quase caiu com alívio em sua cadeira quando ele pegou o pincel e o mergulhou na tinta branca antes de transferir para a tela, retomando as incessantes e longas pinceladas lentas.
— Você tem um trabalho atual? — Ele perguntou depois de um momento ou dois.
— Sim. — Ela disse, também voltando sua atenção para seu próprio trabalho. — Atualmente estou fazendo murais para o hospital infantil City Central.
— Mesmo? — Suas sobrancelhas se levantaram em interesse. — O time faz caridade lá. Faremos uma visita em breve. Como esse trabalho surgiu?
— Uma amiga minha tem uma filha com fibrose cística que entra e sai de lá muitas vezes. O lugar era tão deprimente, todas as paredes de bege-damasco. Parece que era a pintura original duas décadas atrás. Ela levantou alguns fundos e conseguiu permissão para pintar murais nas paredes da ala onde Maddy fica, para iluminar um pouco as coisas e deixar as crianças menos aflitas sobre estarem em um prédio gigante, estéril e hostil. Ela me sugeriu para os murais. Juntei alguns desenhos e recebi o aval.
Ele assobiou, claramente impressionado.
— Isso parece incrível.
O entusiasmo em sua voz era genuíno e Harper se sentou um pouco mais alta. Ela estava tão acostumada com sua suposta família importunando para conseguir um bom emprego, que se esqueceu de que havia outra visão do mundo lá fora.
— Eu tenho um ótimo trabalho. — Ela sorriu.
— Há quanto tempo você faz isso?
— A primeira enfermaria foi há um ano, mas agora estou fazendo várias alas em todo o hospital. Também sou voluntária para ensinar algumas aulas de arte depois da escola à tarde.
— Eles têm uma escola?
— Certo. Algumas crianças são de longo prazo e têm tanto direito de ser educadas quanto outras.
— Faz sentido. — Ele disse. — Então... você é uma muralista profissional?
— Não. Sou uma artista gráfica, que é útil no estágio de design.
Mas também sei criar uma tela e simplesmente caí nessa e adoro.
— Isso é tão legal. Sua família deve estar muito orgulhosa.
Harper manteve o sorriso no lugar, mas era tenso e forçado.
— Acho que eles preferem que eu tenha um emprego de verdade.
Ele franziu a testa.
— Ser artista não é um trabalho de verdade?
— Bem... — Ela encolheu os ombros. — Para ser justa, nem sempre é estável e geralmente não é muito lucrativo.
— E é assim que medimos o valor do trabalho? O quão lucrativo é?
Harper soltou uma meia risada.
— É assim que muitas pessoas fazem.
— Estamos falando de Chuck agora, certo?
— Meu meio-irmão... — Harper escolheu cuidadosamente a palavra. Não tinha muito tempo para Chuck, certamente não sentia que lhe devia alguma lealdade familiar, mas ele tinha que trabalhar com homens como Dex e também não queria foder nada para ele. — Vamos apenas dizer que não nos damos bem.
— Como você veio a ter a infelicidade de se relacionar com aquele idiota?
Harper piscou ante o desagrado na voz de Dex.
— Ele não é... querido?
E de acordo com Chuck – que teve a sorte de nascer com uma aparência clássica e elegante, além de um físico excelente – ele era o Sr. Popularidade. Aparentemente, todos os jogadores de futebol o amavam e com suas avaliações incomparáveis, estava sendo preparado para sediar a liga de rugby do estúdio quando a posição seguinte ficasse vazia.
Seu olhar percorreu o rosto de Dexter Blake. Ele não era classicamente bonito. Claro, era alto e largo, mas seu cabelo escuro era rebelde demais e não havia nada de limpo nas feições ásperas e pisoteadas que lhe davam a aparência bastante desgastada que muitos jogadores de rugby tinham.
Mas seu rosto fazia mais por ela do que o rosto bonito de Chuck.
— Querido? — Ele riu e foi música para os ouvidos de Harper. — Ele mal é tolerado. É um idiota total que se preocupa mais em parecer bem e ter o rosto na câmera do que com qualquer notícia esportiva contundente. Mas ei… o público feminino ama ele. — Sua testa franziu, acentuando a aparência rude. — Pelo visto.
O último foi dito com tamanha confusão que Harper riu.
— Está bem. Também não entendo.
Ela viu muito do seu coração feio para considerá-lo atraente.
— Vocês têm um parentesco há muito tempo?
Harper pintou distraidamente a tela, não prestando muita atenção ao que estava criando, o pincel era tão parte dela quanto uma bola para Dex. Ela tomou um gole de vinho, tentando decidir se deveria entrar em todos os detalhes sórdidos. Por fim, com os longos e lentos golpes de Dex a distraindo, ela se viu querendo contar a ele.
— Eu tinha dez anos quando meu pai se casou com a mãe de Chuck. Ele tinha quatorze anos. É o menino de ouro, de acordo com minha madrasta Anthea.
— Então ele sempre foi um idiota?
A boca de Harper se levantou em um sorriso irônico.
— Bastante. Acho que ele se sente ameaçado por eu ser tão alta quanto ele e não uma garotinha bonita e delicada que o adora.
Costumava me chamar de arpão porque é isso que as baleias como eu precisavam.
A mão de Dex parou a meio curso e os nós dos dedos ficaram brancos.
— Você contou ao seu pai?
Harper tinha sorte por ter uma amiga como Em e uma década de mensagens positivas sobre o seu corpo que lhe deram um bom conhecimento de si mesma, mesmo que o peso esmagador de uma sociedade obcecada com a perfeição corporal acabasse com sua confiança de tempos em tempos.
— Ele ficou feliz depois de tanto tempo triste com a morte de mamãe. E Anthea é boa. Quer dizer... era fofa, pequena e loira e comia como um pardal, acho que meu tamanho 42 de sapatos era uma vergonha constante para ela, mas não realmente até depois que meu pai morreu há alguns anos e que Chuck ficou à frente de novo.
Especialmente desde sua grande indicação para os prêmios anuais de
televisão. Qualquer um pensaria que ele estava disposto a um maldito prêmio Nobel.
— Então... se seu pai não está mais por perto, por que tem algo a ver com Chuck e sua mãe? — Ele perguntou, mergulhando seu pincel no vermelho de novo.
— Porque quando eu tinha doze anos eles tiveram gêmeos, Jace e Tabby. São meus irmãos e significam o mundo para mim. Quando papai morreu, eles tinham a mesma idade que eu quando perdi minha mãe em um acidente de carro, prometi a meu pai enquanto estava no hospital que sempre cuidaria deles. Então, aperto os dentes e finjo que tudo é saboroso.
— Você se envolve com eles?
Harper assentiu.
— Minha madrasta trabalha em tempo integral como designer de interiores e com meu trabalho sendo flexível, vou a escola os pegar e os levo às suas diferentes atividades no período da tarde até Anthea chegar em casa. Eles costumam ficar comigo nos fins de semana.
Ele pintou por uma ou duas vezes, seu olhar fixo na tela.
— Sinto muito pelo seu pai.
— Obrigada. — Harper lhe deu um sorriso triste.
Ele a olhou e devolveu a sua expressão, como se também soubesse um pouco sobre a dor. O som de uma mensagem entrando rompeu a intimidade que nascia.
— Sinto muito. — Harper fez uma careta, colocando sua taça de vinho para baixo para pegar seu telefone.
Normalmente, não olhava para o celular em um encontro – mesmo que falso, mas Harper estava esperando uma resposta sobre o gato malhado que não estava se sentindo bem.
Era de Anthea...
Harper! Chuck acabou de me contar sobre esse encontro de pena ridículo.
Harper! Chuck acabou de me contar sobre esse encontro de pena ridículo.