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Pegasus Lançamentos. Apresenta. Playing

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Sinopse

.

Harper Nugent pode ter um pouco de gordura extra no traseiro, mas seu meio-irmão chamando ela assim é a última gota… quando o gostoso jogador de rugby, Dexter Blake, testemunha o insulto, ele surpreende Harper, convidando ela para sair. Na frente de seu irmão idiota. Ponto! Claro, ela sabe que não é real, mas Dex não aceita um não como resposta.

A vida de Dexter Blake gira ao redor do rugby com uma regra dura e rápida: sem mulheres. Claro, sua mão esquerda está começando a se cansar, mas está focado em sua carreira por enquanto. Então ouve um repórter idiota menosprezar a garota curvilínea que ele estava secretamente cobiçando. O que um homem poderia fazer, além de convidá-la para sair? É só uma pequena vingança contra o homem, então ele colocará de volta a cabeça no jogo.

Mas o encontro é melhor do que esperado. Então acontece outro. E outro. E o calor entre eles... os coloca em chamas.

E de repente, esse falso relacionamento está ficando muito real...

AVISO: Embora cada livro conte a história de um casal, a série se trata do mesmo circulo de amigos, portanto, recomendamos que leia a série na ordem.

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Capítulo um

Dexter Blake gostava de mulher com uma grande bunda. E a garota alta e curvilínea ao lado tinha muito disso. Ela também tinha uma daquelas cinturas muito pequenas. E seios abundantes.

Encarar o peito dela era praticamente uma experiência religiosa.

Infelizmente, ela só tinha olhos para Chuck Nugent, o Cara Bonito1, repórter esportivo do Canal Cinco. Ele estava atualmente fazendo seu discurso de bajulação no campo, um cinegrafista o seguindo enquanto entrevistava os jogadores que ainda circulavam por suas entrevistas obrigatórias após o jogo.

Ela também estava impaciente com a atenção dele, se o ritmo fosse qualquer coisa.

Bastardo sortudo.

Quanto a Dex, ela poderia continuar andando. Assistir a tudo balançando era a cereja no topo do bolo está noite. Não havia nada melhor do que ganhar um jogo muito disputado da liga de rugby. Mas observar uma mulher de boa aparência exibindo suas curvas ficava em segundo lugar.

— Eu diria para não olhar agora, recompensa às seis horas, mas posso ver que você está à minha frente.

Dex sorriu para Tanner Stone, o capitão do Sydney Smoke e seu bom companheiro, quando parou ao lado dele e depois se abaixou para esticar os tendões.

— Eu não sei do que você está falando.

— Ei, Dex. — Disse Bodie Webb quando parou do outro lado. — Seu tipo de bunda na linha lateral.

1 Lembrando que embora Tanner não chame Chuck de Cara Bonito no livro 01, ele cita o fato das pessoas no geral acharem o Chuck com o rosto bonito e compatível com a televisão, então o Dex chama ele assim de maneira debochada.

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Um assobio baixo veio de trás deles.

— Espero que você esteja planejando pegar essa, Dex. — Lincoln Quinn murmurou quando também apareceu, acenando casualmente para algumas garotas adolescentes gritando por ele da multidão dispersa.

Dex riu.

— Desde quando todos vocês se transformaram em cafetões?

Linc deu um tapinha nas costas dele.

— Apenas ajudando.

— Obrigado. Posso conseguir eu mesmo uma mulher.

E infelizmente, por mais que a garota ao lado preenchesse todos os requisitos, a bunda dela estava fora dos limites. Um olhar dizia que era o tipo de garota que qualquer um amaria ter um relacionamento.

O tipo para casar. Fazer bebês.

Ela era do tipo de compromisso.

Mais de uma década evitando romances alertou Dex para os sinais e essa mulher não tinha nada casual escrito nela.

E ele não tinha relacionamentos. Sua carreira vinha primeiro. Ele lutou muito por seu lugar no time e aos trinta anos, provavelmente, só teria mais alguns anos. Não podia se dar ao luxo de tirar os olhos da bola por um segundo. Sabia como era fácil perder tudo. Que tudo podia dar errado quando menos esperasse.

Ele nunca voltaria a Perry Hill.

Haveria tempo para relacionamentos depois. Agora era o momento do rugby.

— Mas você não tem. — Disse Tanner.

— Só porque eu não ando por aí com uma ereção permanente como Linc...

— Ei!

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Todos ignoraram o protesto indiferente de Linc. O garoto arrogante usava seu tesão como uma medalha de honra ao mérito.

— Não significa que eu fique sem.

E se ficasse, não era da conta deles.

Chuck terminou sua entrevista com o capitão do time perdedor e vendo Tanner, foi em direção a eles.

— Cristo. — Disse Dex. — Idiota se aproximando.

Tanner suspirou.

— Melhor só pensar em nossos contratos e sorrir para câmera.

— Ooh, oláááá. — Ronronou Bodie. — Ela está vindo também.

O olhar de Dex voltou para a mulher, acompanhando seus passos enquanto corria atrás de Chuck. Seus quadris balançavam sedutoramente e seu peito se movia de maneira interessante sob sua camiseta.

Cristo, era um tesão.

— Chuck. — Ela chamou, correndo para alcançar ele.

Idiota. Dex nunca deixaria uma mulher atrás dele assim. Não quando ela podia andar na frente e ele podia verificar sua bunda deliciosa.

— Que porra ela vê naquele cara? — Perguntou Bodie.

Dex não tinha ideia, mas o desejo de estrangular o repórter mal- humorado – algo que sentia com frequência – voltou como a súbita descida de um gêiser2 no peito.

— Chuck. — Ela gritou, desta vez mais alto, quase o alcançando.

O idiota parou. Se virou. Então olhou ao redor como se estivesse envergonhado. Ele sussurrou:

— Que porra é essa, Harper? — Ele manteve a voz baixa, mas a ponta da fúria ressoou mais alto do que Dex tinha certeza de que

2 É uma espécie de fonte termal que, periodicamente, tem erupções, ou seja, através dele uma grande coluna de água quente é expulsa para o ar. Mais pra frente ele dá a entender como se na região do peito dela ficasse fumegante como o gêiser em erupção.

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Chuck gostaria. — Te disse para ficar na arquibancada, não me envergonhe correndo sobre o maldito campo com um jeans que você mal conseguiu enfiar em sua bunda. Tenho uma imagem para manter e isso não envolve ser seguido por garotas gordas.

A mandíbula de Dex flexionou enquanto os pelos se arrepiavam na nuca. Garota gorda? Ele podia ver daqui a mancha vermelha subindo por seu pescoço e o gêiser em seu peito ficou viscoso, como lava.

— Deus, ele é um estúpido. — Bodie sussurrou.

— Ei. — Dex rosnou.

Com lava queimando em seu peito, caminhou com determinação para Chuck e a mulher, que estava sussurrando algo de volta para o repórter que Dex não conseguia ouvir. Ele estava suado e sujo, todos seus músculos reclamavam, mas não prestou atenção a nada disso.

O desejo de derrubar o homem à sua frente o alcançou, mas quando chegou ao lado de Chuck, Dex tinha outro plano.

Um plano melhor.

Um que envolvia menos potenciais penalidades. E mais potenciais recomenpensas.

— Ei, Chuck. — Disse ele, se forçando a sorrir enquanto batia nas costas do repórter com força. Foi gratificante ouvir uma tosse tensa e involuntária do homem.

— Oh Dex, oi. — Disse Chuck, com um sorriso frágil, se virando como se estivesse tentando bloquear a mulher da vista de Dex.

Sem chance com aqueles ombros pequenos.

— Grande jogo está noite. — Chuck se entusiasmou. — E se puder me dar trinta segundos, seria bom.

— Na verdade, Chuck. — Dex olhou para a mulher e sorriu. Ela era ainda mais magnífica de perto, com um brilho irritado nas

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profundezas de seus olhos castanhos quase violeta. — Queria que me apresentasse à senhorita.

Foi divertido ver o Cara Bonito quase engasgar com a língua. Por um momento, Dex pensou que ele diria: garota, que garota? Mas finalmente se virou para reconhecer a mulher atrás dele.

— Claro. Essa é Harper... Nugent. Minha…

A mulher, Harper, cruzou os braços sobre o peito e todo o sangue correu da cabeça grande de Dex para a pequena.

— Vamos Chuck, você pode dizer isso. — Disse ela, com a voz seca com um sarcasmo divertido. — Começa com I. Irmããããã.

Algo se aliviou no peito de Dex. Então ela não ficava nua com o Cara Bonito. Deus existia.

— Passo! — Chuck disse rapidamente, sua voz afiada.

Ela revirou os olhos enquanto sorria para Dex e oferecia sua mão.

Ele notou distraidamente que havia marcas de tinta nos dedos dela.

— Prazer em te conhecer.

Dex era um homem alto. Grande. Não tão grande quanto a primeira linha da equipe, mas ele ainda tinha um metro e oitenta e dois, também tinha dificuldade em comprar camisas que não eram justas nos ombros. Essa mulher alta – porra, uma amazona – podia olhar ele diretamente nos olhos. Nunca conheceu uma mulher que poderia fazer isso em sandálias baixas e era um tipo estranho de excitação.

— O prazer é inteiramente meu. — Ele murmurou, devolvendo o cumprimento firme e seguro com um igual.

Ele gostava de uma mulher que pudesse dar um aperto de mão como um chefe.

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— Sim... de qualquer maneira. — Disse Chuck, sua expressão de dor, quando a mão de Harper caiu. — Harper precisa ir. Uma crise de namorada ou algo assim.

A sobrancelha de Dex se ergueu. Uma crise de namorada? Uma sensação esmagadora de decepção o atingiu no peito.

Ela era lésbica?

Ela riu e balançou a cabeça.

— Não esse tipo de namorada3.

Seu olhar foi atraído para sua boca, sexy e carnuda no meio de sua pele impecável e oliva. Ela não usava maquiagem, mas algum tipo de brilho labial claro que enfatizava a curva sensual de seus lábios.

Eles brilhavam, molhados e tentadores.

Dex riu também, quando o alívio fluiu como bolhas de champanhe em suas veias.

— Fico muito feliz em ouvir isso.

Chuck limpou a garganta.

— Sim. Bem. Preciso entrevistar a equipe. — Olhou diretamente para sua irmã.

— Bem. Só não esqueça de pegar Jace e Tabby depois que você terminar. Eles ficarão na arquibancada com Jenny enquanto você termina, mas ela não pode levar eles para casa e disse a sua mãe que você levaria seus filhos em vez de mim.

— Não vou esquecer eles, Harper. — Chuck respondeu impaciente.

Ela lançou um sorriso de desculpas para Dex e então se virou para ir embora. Ele e Chuck a observavam. O contorno de sua bunda sexy e arredondada no jeans realmente deixava Dex um pouco tonto. Era um espetáculo para ser visto.

3 A confusão aqui ocorre no inglês, porque Chuck diz “Girlfriend” que pode ser namorada ou amiga. E Dex já deduz que é namorada.

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— Deus, ela tem uma bunda gorda. — Chuck murmurou, desgosto ecoando em sua voz.

As mãos de Dex se fecharam em punhos. Que idiota monumental.

Ele abriu a boca antes pensar.

— Harper! Espere.

Ela olhou por cima do ombro, uma expressão intrigada fazendo um sulco entre as sobrancelhas.

— Dex... — Disse Chuck, colocando a mão no braço de Dex enquanto dava um passo na direção de Harper.

— Tanner está esperando. — Disse Dex, afastando a mão antes de correr a curta distância até onde ela parou.

— Oi. — Disse ela, jogando as longas mechas de seu rico cabelo escuro por trás do ombro, claramente ainda intrigada.

Ele sorriu.

— Esperava que você gostaria de sair comigo uma noite.

Ela piscou, o vinco entre as sobrancelhas quase cavernoso agora.

— Oh!

Dex riu de leve. Não era a resposta padrão que recebia das mulheres. Normalmente, elas tropeçavam em si mesmas para serem convidadas por ele. Porra, a maioria delas não esperavam para ser convidadas. Sabiam que ele geralmente não namorava, então ficavam mais do que felizes em fazer o convite.

Um homem com um ego menos saudável poderia se sentir insultado pela reação hesitante de Harper. Mas ele podia sentir que sua reticência era real quando ela olhou para os rapazes à sua esquerda, todos olhando e sorrindo, claramente falando sobre eles.

Seu olhar foi por cima do ombro até onde Chuck estava encarrando, se o formigamento entre as omoplatas de Dex fosse uma indicação.

Seu olhar voltou para ele.

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— Um...

Hmm. Talvez isso não fosse tão fácil quanto ele pensava. Olhou diretamente para o celular que ela segurava.

— Me dê seu telefone.

Ela olhou para ele por um momento, franzindo a testa um pouco mais.

— Por quê?

Dex soltou um suspiro exagerado e o arrancou de sua mão sem resistência.

— Está tudo bem. — Ele assegurou enquanto ela murmurava um protesto e seus dedos ocupados passavam por sua agenda de endereços. — Só vou colocar o meu número porque, obviamente, eu não tenho meu celular disponível para colocar o seu.

Ela cruzou os braços ao ver ele dar os detalhes e demorou duas vezes mais.

— Pronto. — Disse ele, passando o celular de volta para ela.

Ela olhou para a entrada e seu coração acelerou enquanto um sorriso curvava a boca. Ela arqueou uma sobrancelha para ele.

— Dex, o Garanhão?

Ele sorriu e encolheu os ombros.

— O que posso dizer?

— E o que você espera que eu faça com isso?

— Assim que você terminar com sua amiga, ligue e podemos marcar um horário e um lugar para nosso encontro.

— Bem, isso é um passo à frente do último cara que colocou seu número no meu celular, esperando que eu lhe enviasse nudes. — Ela disse, seu tom irreverente.

Dex piscou. Que porra era aquela?

— Absolutamente sem classe nenhuma.

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— Bem, para ser justa, ele pediu os nudes artísticos.

Ele riu.

— Ei. — Ele ergueu as mãos em falsa rendição. — Nunca disse que ficaria no caminho da expressão artística, se você se sentir inclinada com o meu número. Mas definitivamente não precisa.

Ela riu de volta e isso o agarrou pelas bolas. Como tudo mais sobre ela, era grande, rico e real. Mas então seu olhar passou por cima de seu ombro de novo e seu sorriso lentamente escorregou do rosto.

Dex soltou um suspiro exagerado.

— Você não vai ligar, vai?

Ela balançou a cabeça, um sorriso curvando sua boca brilhante.

— Não mesmo.

— Por quê?

Ela olhou para o meio-irmão de novo.

— Algumas coisas simplesmente não valem o incômodo.

Dex não podia concordar mais. Mas não achava que Harper Nugent fosse um incômodo. Implacável, ele pegou seu celular de novo, seus reflexos como relâmpagos após uma década de rugby profissional.

— Você não me deixa escolha. — Ele repreendeu enquanto rapidamente discava seu próprio número. — Oi, Dex, o Garanhão. — Disse ele, quando finalmente foi para caixa postal. — É Dex. — Ele balançou as sobrancelhas para Harper, ela sorriu e revirou os olhos.

— Estou ligando para lembrar de ligar para Harper Nugent e perguntar a ela sobre o encontro de novo. Não aceite não como resposta. Até mesmo... — Ele sorriu para ela. — Se ela oferecer nudes no lugar.

Dex apertou o botão final e passou o celular de volta para ela.

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— Pronto, agora você está no meu celular. E eu vou ligar.

Ela olhou para o celular, em seguida, para ele antes de dar uma olhada nos rapazes de novo. Linc estava sorrindo como um louco quando lançou à Dex dois polegares para cima.

— Claro que sim. — Disse ela, o sorriso apertado e educado em seu rosto fazendo Dex querer bater na cabeça de Linc.

Ela se despediu dele e se afastou, pela primeira vez em sua vida, Dex ansiava por algo diferente do rugby, além de infligir danos corporais a Linc.

O telefone de Harper tocou três horas depois. Estavam ela e uma garrafa de vinho com sua melhor amiga Em, que passava por uma crise com o namorado-número-dezesseis. Em era fofa, animada e pronta para qualquer coisa.

Só tinha péssimo gosto para homens.

Quando Em entrava em um relacionamento, se entregava completamente, algo que Harper sempre admirou, mesmo que sua amiga escolhesse sempre homens errados. O tipo que ficava por pouco tempo. Mas ela sempre tentava de novo e Harper ficava impressionada com a persistência e absoluta convicção de sua amiga de que a pessoa certa estava ali para todos.

Embora não esta noite. Harper neste momento tomava vinho, a bebida alcoólica escolhida por Em, que pensava seriamente em se tornar freira. Para provar sua seriedade, ela estava atualmente pesquisando como voltar a ser virgem.

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Então, Harper estava bêbada e completamente distraída quando atendeu o telefone.

— Oi. — Ela disse enquanto Em fazia barulho de engasgo com as fotos de um site que abriu.

— Ei, Harper.

Os cabelos na nuca se levantaram com consciência instantânea, como antes naquela noite, quando Dexter Blake a chamou para lhe dar um pouco de atenção.

Sua mente ficou em branco por um ou dois minutos. Ele ligou?

Claro que sim. Ela claramente era algum tipo de aposta ou desafio com seus companheiros de equipe. Aos vinte e três anos, não seria a primeira vez que era o alvo de algo assim. Te desafio a chamar a garota gorda para sair. Então risadas, um bufo e logo aplausos.

Alguns homens eram idiotas.

Mas foi tão bom, mesmo que momentaneamente, colocar seu meio- irmão hipócrita no lugar dele.

— Harper? É Dex, o Garanhão. Lembra de mim?

Sua voz era quente e cheia de diversão, Harper fechou os olhos.

Lembrar dele? Ela reviveu a pergunta umas dez vezes, sem importar que dissesse a si mesma que tudo foi uma piada de mau gosto. Foi a primeira coisa que ela disse a Em depois que sua amiga parou de chorar e pediu algo feliz para animá-la.

Então elas o procuraram no Google.

— Harper?

Sua voz foi mais aguda desta vez e Harper se recompôs, endireitando a cadeira.

— Sim. Claro... oi.

— Você parece meio... longe.

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Harper olhou para a garrafa de vinho vazia e para a garrafa que acabou de abrir.

— Bem... estou meio bêbada, então é provavelmente por isso.

Sua risada baixa parecia uma caricia em seu pescoço.

— A emergência da amiga?

— Sim.

Em olhou por cima do ombro.

— Quem é?

— Dex.

Suas sobrancelhas praticamente bateram na linha do cabelo.

— O cara do rugby?

— É a amiga? — Dex perguntou em seu ouvido.

— Sim. — Disse ela para os dois.

— Pergunte a ele se sabe como voltar a ser virgem.

Harper balançou a cabeça.

— Não vou perguntar isso a ele.

— Perguntar o que? — Sua voz soava tão deliciosa quanto divertida. Rouca e pretenciosa, percorrendo todo seu corpo. Como cobertura de chocolate.

Deus, ela amava cobertura de chocolate.

— Pode me perguntar o que quiser.

— Acredite em mim, você não quer saber.

— Você está brincando? — Em interrompeu. — Ele é um astro do rugby profissional. Todo mundo sabe que eles transam o tempo todo.

O que ele não sabe sobre a anatomia de uma mulher provavelmente não vale a pena saber. Ele saberá sobre voltar a ser virgem.

Harper achava mais provável que ele soubesse tirar a virgindade.

— Ela acabou de dizer voltar a ser virgem?

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E se Harper estivesse sóbria, teria prestado mais atenção às palavras sábias de Em sobre os hábitos de acasalamento dos esportistas profissionais e não a doce sedução em sua voz de chocolate. Ela suspirou.

— Sim.

— Por que alguém quer voltar a ser virgem? Porra... Alguém pode voltar a ser virgem?

— Não sei e sim, aparentemente, de acordo com a internet.

Espiritualmente e cirurgicamente.

— Isso parece... doloroso.

Harper riu.

— Sim. Para ambos.

— E sério, você quer um homem estranho com um bisturi perto de suas partes íntimas?

Ela estremeceu.

— Posso pensar em melhores usos para um homem perto das minhas partes íntimas. — Sua gargalhada foi alta em seu ouvido e ela percebeu o que disse. Seu rosto ardia. — Oh Deus, sinto muito. Eu disse isso em voz alta, não foi?

— Você com certeza disse, Harper Nugent.

— Sinto muito.

— Oh não. — Ele riu mais um pouco. — Você não pode retirar.

Harper gemeu internamente. Jesus. Onde estava seu filtro? Ela olhou para a garrafa de vinho. Em algum lugar no fundo desta garrafa, sem dúvida.

— Ok. Ignore então. É a bebida. Vinho branco me deixa sem filtro.

— Eu mal posso esperar para ver isso.

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Sua voz caiu uma oitava e ficou seca com o menor sinal de uma promessa. Foi direto para as partes íntimas já mencionadas e Harper realmente se moveu na cadeira para aliviar a dor súbita.

— Ela não fala sério, não é?

Levou um momento para perceber que ele seguiu em frente e ela saltou para a oportunidade com gratidão.

— Não. Ela está chateada. Tanto com os homens quanto no sentido alcoólico. — Em já havia tomado várias doses da vodca Schnapps quando Harper chegou. — Voltar a ser virgem é só uma das muitas opções que já discutimos esta noite. Acho que ela quer fazer uma boneca vodu agora.

Ele riu de novo.

— Eu gosto disso.

Harper suspirou, olhando para o deslumbrante cabelo cacheado e de cor caramelo, além das maçãs do rosto destacadas do perfil de Em.

Ela parecia um daqueles bebês de antigos anúncios de sabonete Pears. Só para os adultos.

— Ela é maravilhosa. Você deveria convidar ela para sair. Vocês fariam lindos bebês.

Houve uma longa pausa. Tempo suficiente para fazer Harper pensar, em algum lugar em seu cérebro viciado em álcool, que os bebês não estavam na agenda de Dexter Blake.

— Obrigado. — Disse ele, a voz baixa e divertida. — Mas acho que ficarei com meu plano original.

— Oh?

— Você e eu. Um encontro.

— Oh. — O estômago de Harper apertou. Ela viu como seus companheiros de equipe os olharam no campo. A maneira como o rapaz mais jovem levantou os polegares para cima. Ela poderia ter

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beijado Dex por seu timing, mas uma garota tinha orgulho, certo?

Além disso, ela nunca quis ser um saco de pancadas por estar acima de seu peso.

— Olha. Fico lisonjeada por você querer sair comigo, mas...

— Você deveria ir. — Em interrompeu.

Harper piscou para sua melhor amiga.

— O que?

— Eu disse que gostava dela. — Disse Dex em seu ouvido.

Em encolheu os ombros.

— Valeria a pena só para irritar Chuck. — E se fosse possível, Em não gostava de Chuck mais do que Harper.

Harper considerou aquele ângulo por um momento, a cabeça dela ainda girando um pouco. Era um argumento poderoso. Por que não?

E se Dex estava usando ela para ganhar algum tipo de aposta ridícula de fraternidade, por que ela não deveria usá-lo também?

— Ok, tudo bem. — Claramente havia um nível de bebida onde o orgulho diminuía rapidamente. — Mas não vou dormir com você. Nem te deixarei chegar perto de qualquer lugar das minhas partes íntimas.

Aquela risada baixa de novo. Se arrepiou diante da ousadia de seu corpo e Harper lutou contra o impulso de se alongar. E ronronar.

— Você sabe que disse isso em voz alta também, certo?

O sorriso preguiçoso na voz agitou ainda mais as coisas embaixo.

— Sim. Eu sei.

— Vou me comportar. Prometo que sequer levarei um preservativo.

Sobriamente Harper concordou, satisfeita com a admissão.

Harper, bêbada e desinibida, sabia muito bem que ele poderia arruiná-la sem a ajuda de um preservativo e estava perfeitamente bem com isso também.

Harper desinibida era perigoso. Teria que cortar essa vadia rápido.

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Capítulo dois

Na noite de quarta-feira, Harper sentou em uma mesa suja de tinta, batendo os dedos manchados.

Dex estava dez minutos atrasado.

Ou não iria aparecer. O que era mais provável.

Talvez só precisasse marcar um encontro, não ir em um, para ganhar a aposta? Talvez tivesse recebido uma oferta melhor de uma das muitas mulheres magras com quem ele foi fotografado?

A pesquisa obsessiva de Harper não foi boa para seu ego.

As mulheres se dividiam em duas categorias: torcedoras nos jogos, em camisas e cachecóis do Smoke, agarradas em seus braços suados pós-jogo ou criaturas glamorosas em vestidos de noite, com o braço ao redor delas enquanto posavam para a mídia em tapetes vermelhos.

Agora queria ter ficado bem longe da internet, porque claramente não era o tipo dele. Nem o tipo magro, nem o tipo pegajoso. Como Chuck se esforçou em apontar quando descobriu sobre o encontro e ligou para expressar seu descontentamento.

Felizmente, foi para caixa postal.

Caras como Dexter Blake não se envolvem com mulheres gordas quando podem ter supermodelos. E então ele terminou com um pedido para pensar sobre sua carreira. Pelo amor de Deus, não coma na frente dele ou faça qualquer coisa desesperada para me envergonhar.

Deus, ele era tão arrogante, era bom fazer algo para irritar ele.

Inferno, se não fosse por Jace e Tabby, ela não teria nada a ver com ele e sua mãe ou sua superficial adoração tóxica.

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Harper olhou para o relógio. Quinze minutos. Era cedo demais para se levantar? Mas então seu celular tocou e uma onda de alívio fluiu através dela enquanto olhava a mensagem de Dex.

Ack! Sinto muito. Tráfego horrível. Estou a cinco minutos daí.

Por favor não saia. Estive ansioso durante toda semana.

Harper sorriu apesar de todas as reservas. E se estivesse usando ela, estava sendo respeitoso sobre isso. Ela digitou a resposta.

Não vou sair. Estou tomando vinho. Tenha medo. Muito medo.

Ela tomou outro gole de vinho, consciente de que quase acabou e precisava estar sóbria para o caso de deixar escapar alguma outra coisa sobre suas partes íntimas. Gostou que fosse o rosto dele, que ela imaginou nas últimas quatro noites em que usou seu vibrador.

Ele chegou cinco minutos depois.

— Sinto muito. — Ele disse, puxando a cadeira a sua frente. — O treinador chegou atrasado. Griff estava com alguma coisa na bunda ou algo parecido. E então o tráfego.

Harper notou a falta de críticas na voz de Dex em relação ao seu treinador. Era mais prático, como se fosse uma ocorrência comum.

Griffin King, treinador de maior sucesso da união de rugby, era conhecido por ser duro.

Ela também pesquisou no Google.

— Está tudo bem. — Ela sorriu para ele, seu coração acelerando quando viu um cacho úmido de seu cabelo na gola e a sombra de barba em sua mandíbula. Se perguntou o que sentiria raspando em seu abdômen e apertou as coxas firmemente enquanto os músculos respondiam à imagem. Honestamente, era como se uma torneira tivesse sido aberta lá embaixo e a cada pensamento perverso – e eram frequentes – as coisas ficassem mais molhadas.

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Ela ergueu a taça.

— Eu tive companhia.

Ele sorriu.

— Isso significa que ficará sem filtro?

Seu olhar caiu para seus lábios e Harper lutou nervosa contra a vontade de lamber eles.

— Odeio te desapontar, mas é preciso mais do que meia taça.

E dizer a Dexter Blake que ela estava tão excitada por ele que usou o brinquedo de baterias, era algo que planejava levar para o túmulo.

— Bem, então. — Ele murmurou, seus olhos verdes claros de repente brilhando com malícia. — Vamos completar ela.

Harper sorriu enquanto apontava para o garçom. O olhar dela mudou para como a camisa de botões dele se esticava nos ombros.

Depois foi mais para baixo, para os pelos escuros que cobriam os antebraços fortes.

Forte o suficiente para segurar ela.

Apertou as coxas com mais força, desejando não ter vestido jeans enquanto a costura do meio pressionava torturantemente contra sua carne dolorida.

O garçom reconheceu Dex e perguntou se poderia fazer uma selfie com ele. Dex recusou educadamente, usando o bom humor para pedir uma folga, porque estava tentando impressionar uma garota. O garçom aceitou bem, deixando uma bebida e cardápio, prometendo voltar, mas Harper percebeu que a conversa incomodou Dex.

Ela olhou ao redor do bar, notando os olhares de lado quando as pessoas perceberam que tinham uma estrela no meio deles.

— Isso acontece com frequência?

— Vezes suficiente. — Seu tom era ríspido.

— Você não gosta?

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— Não me importo quando estou em um jogo ou fazendo algo oficial para o rugby. — Ele encolhe os ombros. — É parte do território.

Mas quando estou como um cidadão privado? — Balançou a cabeça.

— Bem... vamos apenas dizer que tento evitar tanto quanto possível.

Harper franziu a testa.

— Você evita ser reconhecido?

— Evito sair.

Exceto que ele saía. Ela o viu em sua tela de computador, alto e moreno, vestindo um smoking, andando no tapete vermelho com mulheres glamorosas no braço. Eram negócios do rugby também?

— Não precisamos ficar. — Disse ela. — Podemos ir a algum lugar mais silencioso e fora do caminho se quiser.

Ela escolheu o The Art Bar, um novo e moderno bar de vinhos e tintas, porque era casual e descontraído, conhecia os donos. Esteve ali várias vezes com os amigos. Pintando suas próprias obras-primas enquanto bebiam e comiam aperitivos em uma noite divertida, a atividade tirou a pressão da conversa, a maneira perfeita de contornar quaisquer silêncios constrangedores.

— Não, está tudo bem. — Ele balançou a cabeça instantaneamente e sorriu, ela sentiu que ele realmente queria estar ali. — Não consigo sequer desenhar um boneco, mas farei se quiser. Como funciona?

Harper explicou as regras. Ela disse a ele que haveria um tema e uma hora para pintar, depois falou sobre seus amigos Brianne e Kevin, que começaram o negócio há seis meses e que já era um grande sucesso. Ela falou até os aperitivos chegarem – deliciosos pãezinhos de primavera – duas telas vazias, um cavalete quadrado em miniatura e uma palheta de tintas, foram entregues em todas as mesas.

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— O tema desta noite é exuberante. — Anunciou Kevin. A maioria das mesas do restaurante tinha pelo menos oito pessoas, algumas ainda mais e haviam sussurros bem-humorados dos diferentes grupos. Havia muita empolgação, um zumbido baixo circulando rapidamente enquanto os participantes discutiam o tema.

— Esse é um assunto amplo. — Disse Dex.

Harper sorriu.

— Essa é a questão. Isso te dá muito espaço. Sabe o que pintar?

Seu olhar foi para sua boca e desceu pelo peito. Sua modesta camisa estava abotoada até o alto, não revelando nenhum decote reconhecível, mas de repente ela se sentiu nua sob a intensidade de seu olhar.

Seus mamilos endureceram e ficou feliz pela blusa larga, agradecida por estarem em uma mesa para dois.

— Oh sim. — Ele levou a garrafa de cerveja aos lábios e deu um longo gole. Sua garganta se moveu e Harper ficou consciente do arrepiado, do baque de sua pulsação no pescoço. — Você?

Atualmente, o limite exuberante de sua carótida parecia muito bom.

— Hum, sim. — Ela disse fracamente, voltando a atenção para a tela e mergulhando o pincel no pote verde, rapidamente delineando uma folha. E depois outra.

As florestas tropicais eram exuberantes, certo?

Ela ficou aliviada quando ele colocou um pincel no pote vermelho e começou a pintar em sua tela, com a cabeça para o lado.

Ela usou longas e lentas pinceladas enquanto o observava sorrateiramente pela franja. Ele era muito hipnótico. E sexy. Ela fantasiou sobre ele dando longos golpes em si mesmo, a fazendo gozar

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ao seu comando e quando sua fantasia atingiu o tom febril, aumentou a velocidade em seu vibrador.

Os músculos de seu abdômen se contraíram, segurando com a força do pensamento. Quem pensaria que traços longos e lentos poderiam ser tão excitantes?

— Então, Harper Nugent. — Disse ele depois de um minuto ou dois. — O que você faz?

Harper se assustou com a conversa inesperada. Ele parou os longos golpes enquanto esperava que respondesse e a pressão de seu corpo cedeu em um tremor prudente.

Ela teve orgasmos que não foram tão bons.

Sua respiração diminuiu lentamente, ela limpou a garganta enquanto se movia contra o banquinho para aliviar a dor entre suas coxas.

— Sou uma artista.

Ele estreitou os olhos.

— Que tipo de artista?

— Uma pintora… uma muralista para ser exata. Atualmente, de qualquer maneira.

— Ah. — Seu olhar foi para as mãos dela, já manchadas de tinta.

— Isso explica tudo.

O olhar de Harper seguiu o dele. Sem dúvida ele estava acostumado a mulheres com mãos muito mais glamorosas. Pele macia, dedos elegantes, unhas longas, brilhantes e pintadas. Suas mãos eram secas e ásperas. Com as mãos em tinta e solventes todos os dias, a pele de Harper era mais de crocodilo do que humana. Suas cutículas estavam manchadas com marcas do mais recente trabalho.

— Então... — Ele continuou, com um pouco de provocação em sua voz. — Escolheu este lugar para tirar o jogador de rugby de sua zona

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de conforto, hein? Estou aqui pintando meus dedos e você está criando algo que Picasso teria orgulho.

O sorriso era torto e encantador, Harper não pode deixar de sorrir.

— Não é uma competição.

— Tudo é uma competição, Harper.

Ele estava sorrindo, mas havia seriedade em sua voz. E de que outra forma um atleta de elite pensaria?

— Você não pode ganhar o tempo todo. — Ganhar o controle de sua mente confusa e excitada sobre seu corpo era mais que o suficiente para esta noite? — Mas com certeza vou chutar sua bunda esta noite.

Ele soltou uma risada surpresa.

— Eu sabia que havia uma tendência competitiva dentro de você.

Harper encolheu os ombros.

— E se serve de consolo, sou péssima no rugby. — Embora Deus soubesse, ela poderia ser derrubada por Dexter Blake.

Ele a olhou com admiração. Como se estivesse pensando exatamente a mesma coisa.

— É como qualquer outra coisa. Você só precisa praticar.

Ela arqueou uma sobrancelha.

— Como arte?

Ele lançou um olhar para a tela e fez uma careta.

— Touché4.

O garçom chegou com os dois pratos e o momento foi perdido. Ele ofereceu a ela uma lula frita cheirando divinamente e um pouco de Haloumi banhado em suco de limão, sal e um raminho.

Ela recusou.

— Você mal comeu algo. — Ele protestou.

4 Na esgrima, o termo é usado como um reconhecimento de um golpe, dito pelo esgrimista que foi golpeado.

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Harper encolheu os ombros.

— Eu não estou com fome. — Era uma mentira descarada, mas o maldito Chuck a deixou tão consciente sobre comer na frente de Dex que não arriscaria fazer isso, nem mesmo para irritá-lo. Só esperava que seu estômago roncando não ficasse mais alto.

— Você come. — Ela insistiu. — Parece que precisa de comida e água constantemente apenas para cumprir funções básicas.

Ele espetou um pedaço suculento de lula com o garfo, seu olhar fixo no dela.

— Uma pessoa precisa mais do que comida e água.

Suas próprias necessidades surgiram à superfície como uma mancha de óleo e algumas migalhas cobriram o canto da boca. O desejo de lambê-las foi tão real quanto o próprio batimento cardíaco.

— Sim, bem. — Disse ela, rompendo o contato visual para examinar o progresso de sua pintura. Pequenas criaturas da floresta estavam tomando forma, aparecendo atrás das exuberantes folhas verdes. — A comida é tudo o que é oferecido aqui essa noite, amigo.

E talvez se ela dissesse a si mesma frequentemente, acabaria com os sussurros maus da desinibida Harper, que parecia ter escapado da camisa de força em que foi contida desde o telefonema na outra noite.

Harper – as versões desinibida e a sóbria – não tinham problemas com encontros de uma noite. Ela não dava a mínima para o que dois adultos decidiam de comum acordo – mais poder para elas. Ela simplesmente não acreditava nisso para si mesma. Dormir com um homem – qualquer homem – no primeiro encontro não estava em sua agenda. E mesmo que quebrasse essa regra vitalícia, com certeza não seguiria esse caminho com um homem que sabia que estava usando ela tanto quanto ela estava usando ele.

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E se quisesse mais, ele e seus companheiros já teriam se divertido e estariam seguindo em frente. Para uma supermodelo. Isso abalaria sua confiança e ferraria sua psique por muito tempo.

— E pintura. — Acrescentou. — É pegar ou largar.

Um sorriso curvou seu lábio enquanto ele considerava por um momento. Refletindo suas opções talvez? Deus sabia que estava tão excitada por assistir à ação de seu pulso que ele poderia deslizar a mão sobre sua coxa e provavelmente ficaria mais alta do que Sally ficou por Harry.

E não haveria nada de falso nisso.

Harper quase caiu com alívio em sua cadeira quando ele pegou o pincel e o mergulhou na tinta branca antes de transferir para a tela, retomando as incessantes e longas pinceladas lentas.

— Você tem um trabalho atual? — Ele perguntou depois de um momento ou dois.

— Sim. — Ela disse, também voltando sua atenção para seu próprio trabalho. — Atualmente estou fazendo murais para o hospital infantil City Central.

— Mesmo? — Suas sobrancelhas se levantaram em interesse. — O time faz caridade lá. Faremos uma visita em breve. Como esse trabalho surgiu?

— Uma amiga minha tem uma filha com fibrose cística que entra e sai de lá muitas vezes. O lugar era tão deprimente, todas as paredes de bege-damasco. Parece que era a pintura original duas décadas atrás. Ela levantou alguns fundos e conseguiu permissão para pintar murais nas paredes da ala onde Maddy fica, para iluminar um pouco as coisas e deixar as crianças menos aflitas sobre estarem em um prédio gigante, estéril e hostil. Ela me sugeriu para os murais. Juntei alguns desenhos e recebi o aval.

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Ele assobiou, claramente impressionado.

— Isso parece incrível.

O entusiasmo em sua voz era genuíno e Harper se sentou um pouco mais alta. Ela estava tão acostumada com sua suposta família importunando para conseguir um bom emprego, que se esqueceu de que havia outra visão do mundo lá fora.

— Eu tenho um ótimo trabalho. — Ela sorriu.

— Há quanto tempo você faz isso?

— A primeira enfermaria foi há um ano, mas agora estou fazendo várias alas em todo o hospital. Também sou voluntária para ensinar algumas aulas de arte depois da escola à tarde.

— Eles têm uma escola?

— Certo. Algumas crianças são de longo prazo e têm tanto direito de ser educadas quanto outras.

— Faz sentido. — Ele disse. — Então... você é uma muralista profissional?

— Não. Sou uma artista gráfica, que é útil no estágio de design.

Mas também sei criar uma tela e simplesmente caí nessa e adoro.

— Isso é tão legal. Sua família deve estar muito orgulhosa.

Harper manteve o sorriso no lugar, mas era tenso e forçado.

— Acho que eles preferem que eu tenha um emprego de verdade.

Ele franziu a testa.

— Ser artista não é um trabalho de verdade?

— Bem... — Ela encolheu os ombros. — Para ser justa, nem sempre é estável e geralmente não é muito lucrativo.

— E é assim que medimos o valor do trabalho? O quão lucrativo é?

Harper soltou uma meia risada.

— É assim que muitas pessoas fazem.

— Estamos falando de Chuck agora, certo?

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— Meu meio-irmão... — Harper escolheu cuidadosamente a palavra. Não tinha muito tempo para Chuck, certamente não sentia que lhe devia alguma lealdade familiar, mas ele tinha que trabalhar com homens como Dex e também não queria foder nada para ele. — Vamos apenas dizer que não nos damos bem.

— Como você veio a ter a infelicidade de se relacionar com aquele idiota?

Harper piscou ante o desagrado na voz de Dex.

— Ele não é... querido?

E de acordo com Chuck – que teve a sorte de nascer com uma aparência clássica e elegante, além de um físico excelente – ele era o Sr. Popularidade. Aparentemente, todos os jogadores de futebol o amavam e com suas avaliações incomparáveis, estava sendo preparado para sediar a liga de rugby do estúdio quando a posição seguinte ficasse vazia.

Seu olhar percorreu o rosto de Dexter Blake. Ele não era classicamente bonito. Claro, era alto e largo, mas seu cabelo escuro era rebelde demais e não havia nada de limpo nas feições ásperas e pisoteadas que lhe davam a aparência bastante desgastada que muitos jogadores de rugby tinham.

Mas seu rosto fazia mais por ela do que o rosto bonito de Chuck.

— Querido? — Ele riu e foi música para os ouvidos de Harper. — Ele mal é tolerado. É um idiota total que se preocupa mais em parecer bem e ter o rosto na câmera do que com qualquer notícia esportiva contundente. Mas ei… o público feminino ama ele. — Sua testa franziu, acentuando a aparência rude. — Pelo visto.

O último foi dito com tamanha confusão que Harper riu.

— Está bem. Também não entendo.

Ela viu muito do seu coração feio para considerá-lo atraente.

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— Vocês têm um parentesco há muito tempo?

Harper pintou distraidamente a tela, não prestando muita atenção ao que estava criando, o pincel era tão parte dela quanto uma bola para Dex. Ela tomou um gole de vinho, tentando decidir se deveria entrar em todos os detalhes sórdidos. Por fim, com os longos e lentos golpes de Dex a distraindo, ela se viu querendo contar a ele.

— Eu tinha dez anos quando meu pai se casou com a mãe de Chuck. Ele tinha quatorze anos. É o menino de ouro, de acordo com minha madrasta Anthea.

— Então ele sempre foi um idiota?

A boca de Harper se levantou em um sorriso irônico.

— Bastante. Acho que ele se sente ameaçado por eu ser tão alta quanto ele e não uma garotinha bonita e delicada que o adora.

Costumava me chamar de arpão porque é isso que as baleias como eu precisavam.

A mão de Dex parou a meio curso e os nós dos dedos ficaram brancos.

— Você contou ao seu pai?

Harper tinha sorte por ter uma amiga como Em e uma década de mensagens positivas sobre o seu corpo que lhe deram um bom conhecimento de si mesma, mesmo que o peso esmagador de uma sociedade obcecada com a perfeição corporal acabasse com sua confiança de tempos em tempos.

— Ele ficou feliz depois de tanto tempo triste com a morte de mamãe. E Anthea é boa. Quer dizer... era fofa, pequena e loira e comia como um pardal, acho que meu tamanho 42 de sapatos era uma vergonha constante para ela, mas não realmente até depois que meu pai morreu há alguns anos e que Chuck ficou à frente de novo.

Especialmente desde sua grande indicação para os prêmios anuais de

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televisão. Qualquer um pensaria que ele estava disposto a um maldito prêmio Nobel.

— Então... se seu pai não está mais por perto, por que tem algo a ver com Chuck e sua mãe? — Ele perguntou, mergulhando seu pincel no vermelho de novo.

— Porque quando eu tinha doze anos eles tiveram gêmeos, Jace e Tabby. São meus irmãos e significam o mundo para mim. Quando papai morreu, eles tinham a mesma idade que eu quando perdi minha mãe em um acidente de carro, prometi a meu pai enquanto estava no hospital que sempre cuidaria deles. Então, aperto os dentes e finjo que tudo é saboroso.

— Você se envolve com eles?

Harper assentiu.

— Minha madrasta trabalha em tempo integral como designer de interiores e com meu trabalho sendo flexível, vou a escola os pegar e os levo às suas diferentes atividades no período da tarde até Anthea chegar em casa. Eles costumam ficar comigo nos fins de semana.

Ele pintou por uma ou duas vezes, seu olhar fixo na tela.

— Sinto muito pelo seu pai.

— Obrigada. — Harper lhe deu um sorriso triste.

Ele a olhou e devolveu a sua expressão, como se também soubesse um pouco sobre a dor. O som de uma mensagem entrando rompeu a intimidade que nascia.

— Sinto muito. — Harper fez uma careta, colocando sua taça de vinho para baixo para pegar seu telefone.

Normalmente, não olhava para o celular em um encontro – mesmo que falso, mas Harper estava esperando uma resposta sobre o gato malhado que não estava se sentindo bem.

Era de Anthea...

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Harper! Chuck acabou de me contar sobre esse encontro de pena ridículo.

Provavelmente é só algum tipo de aposta. Espero que você não envergonhe Chuck se jogando em Dexter Blake. Seja discreta e tenha mais respeito próprio!

Harper estava bem acostumada a Anthea ser a porta-voz de Chuck agora. Mas considerando o quanto ela fez por sua madrasta e o quanto suportou, esse nível de acidez realmente doeu.

Ok, sim, o encontro era falso, mas era mesmo tão ridículo que um homem do calibre de Dexter pudesse querer sair com ela?

Harper apertou o celular com força enquanto olhava para a tela, o coração batendo contra as costelas quando as palavras se enterraram como um parasita sob a pele. Ela estava começando a se sentir como personagem de conto de fadas. A versão ruim de um conto de fadas.

Madrasta malvada, meio-irmão de merda, pobre menina órfã oprimida.

E realmente não foi tão ruim assim, por chorar em voz alta.

Anthea simplesmente não entendia o valor de um bom coração sobre um bom corpo. Ela foi criada por uma mãe ex-rainha da beleza e um pai quase ausente que dirigia uma agência de modelos. E se fosse madrasta de outra pessoa, Harper poderia até sentir pena dela.

Mas ela não era.

Um súbito anseio por seu pai inchou em seu peito e uma inesperada onda de lágrimas quentes apareceu atrás de seus olhos.

— Está tudo bem?

Harper piscou furiosamente para reprimir a onda de lágrimas.

— Ah... claro. — Ela disse, colocando o telefone na mesa com os dedos trêmulos. Colocou um sorriso no rosto enquanto lutava para controlar suas emoções.

A última coisa que queria fazer era chorar na frente de Dex. Não tinha certeza de como os jogadores de rugby lidavam com encontros histéricos.

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— Harper! — A chamada do outro lado veio no momento certo. — Por aqui. — Kevin gesticulou para ela se juntar a ele. — Você precisa ver esta pintura.

Harper saltou na oportunidade de escapar. Uma chance de se recompor. Para se remover do peso do olhar preocupado de Dex.

Ela arrastou a cadeira para trás, agradecida.

— Não vou demorar. — Disse ela e fugiu para o outro lado do salão.

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Capítulo três

Dex piscou ao ver as costas de Harper Nugent. Que porra foi aquilo? Tudo estava bem, então sua pele morena se transformou em alabastro enquanto ela lia uma mensagem. Então olhou para ele com umidade nos olhos violetas.

Ele não teve absolutamente nenhum escrúpulo em pegar o celular dela e ler a mensagem que ainda estava na tela. Era tão horrível que precisou ler duas vezes.

Que porra era aquela?

Sua madrasta lhe enviou aquilo? Não era de admirar que Chuck fosse tão idiota, era obviamente genético.

Ser discreta? Embaraçar Chuck? Provavelmente um tipo de aposta?

Aposta? Que porra ela queria dizer com isso?

Dex deixou o celular cair, estremecendo com a grosseria, a raiva que sentiu no campo na outra noite ao ouvir o modo como Chuck conversava com a irmã. Harper era engraçada, espirituosa e gentil – esteve ali para se compadecer de sua melhor amiga, cuidar de seus irmãos, voluntariar seu tempo no hospital – qualquer homem teria sorte de estar com ela.

E isso sequer chegava perto de seus atributos físicos. A força de seu corpo amazônico, curvas que não acabavam, uma bunda que ele mal podia esperar para colocar as mãos, sua boca... cara, aquela boca, toda cheia e brilhante.

Exuberante.

Olhou para sua pintura – a representação 2D irremediavelmente inadequada. A plenitude não lhe fazia justiça. A umidade não estava

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certa. Os contornos de seus lábios não estavam tão perfeitamente definidos. Sua boca era um maldito trabalho de arte. Como captava isso?

Mais importante, como ela ainda estava solteira?

Ele olhou de volta para Harper para encontrá-la voltando a mesa, com uma taça de vinho na mão. O jeans se agarrava às coxas e quadris dela, o cabelo puxado em um rabo de cavalo, balançava atrás dela. As coisas moviam de forma interessante sob sua blusa.

— Sinto muito sobre isso. — Ela disse, um sorriso excessivamente brilhante fixo em seu rosto enquanto se sentava. — Você quer outra bebida? Posso pedir para o garçom.

Dex balançou a cabeça. Ele tomava só uma bebida quando estava em público. Muitos se metiam em problemas exagerando e agindo como idiotas.

— Não, obrigado.

— Você deveria ver algumas das outras pinturas. — Ela continuou, ainda brilhante como um botão. — Fico sempre espantada com a criatividade das pessoas.

Dex pegou o celular. Com certeza não se sentaria ali e fingiria que nada aconteceu ou deixaria as insinuações da vil mensagem que foram descobertas se instalar.

— Eu li a mensagem.

O peito dela inchou e por um momento, pensou que ela brigaria com ele por invadir sua privacidade e se importar com seus próprios assuntos. Ambos os quais ele merecia. Em vez disso, seus ombros caíram, seu sorriso desapareceu e ela olhou para seu vinho.

— Está tudo bem. — Ela descartou o assunto com um encolher de ombros. — Não se preocupe com isso.

Não se preocupar com aquilo? Ela estava louca?

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— Esse encontro não é uma aposta.

A incredulidade em seu rosto era cômica.

— Oh, vamos, Dex. — Disse ela rapidamente, seu olhar incrédulo.

— Eu vi todos os seus companheiros de rugby rindo e falando sobre nós, acenando para você na outra noite. Está bem. Eu entendo como essas coisas são. Também estou te usando para esfregar na cara de Chuck. Então estamos quites.

— Não. Está errada. — Ele disse enquanto tomava dois goles de seu vinho. — Ninguém me desafiou a te convidar para um encontro.

— Ok, claro. — Disse ela. — Talvez eles apostem em você. Tanto faz. Não há necessidade de ficar preso ao significado.

— Não. — Dex colocou a mão em seu coração. — Absolutamente não. Nenhuma aposta.

Ela acenou com a mão como se não tivesse importância.

— Por que estamos aqui, então? — Ela insistiu.

— Eu ouvi o jeito que Chuck falou com você no jogo na outra noite, não gostei.

Ela o olhou por longos momentos, em seguida riu, uma leve nota de incredulidade no som.

— Oh Deus. Estou em um conto de fadas e você é o príncipe que virá me resgatar do meu meio-irmão malvado.

— Ok, sim. Posso ser o príncipe corajoso. — Ele sorriu. — Eu posso ser o que você quiser.

Ela não pareceu impressionada com a oferta.

— Então eu sou um encontro de pena. Marque um para Anthea.

Dex estremeceu. Porra, a cadela não marcaria pontos com ele.

— Não. Acredite em mim, eu te desejei muito antes disso.

Ela levantou uma sobrancelha para ele, claramente incrédula.

— Então você ia mesmo me convidar para sair?

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Dex hesitou. O desejo de ser honesto em guerra com sua necessidade de proteger seus sentimentos.

Em última análise, a honestidade venceu.

— Não.

— É. — Ela assentiu triunfante. — Isso foi o que pensei.

— Não é assim. — Dex alcançou a mesa e deslizou a mão em seu antebraço. — Olha... — Ele suspirou. Por onde começar? — Eu não costumo namorar, tudo bem?

Ela bufou.

— Não de acordo com a internet.

Ele fez uma careta. Sabia o tipo de fotos que estavam na internet.

Selfies tiradas por fãs do sexo feminino em partidas, os compromissos oficiais e cerimônias de premiação que ele participou como parte de seus compromissos – contratuais e sociais – para o Sydney Smoke.

— Eu não namorei nenhuma dessas mulheres. Isso só acontece no território da porcaria oficial do Rugby.

— Oh, eu não sei. — Disse ela, tomando outro longo gole de seu vinho, movendo a mão no processo. — Eu também vi algumas não muito oficiais.

Dex riu.

— Aquele não sou eu. E de qualquer jeito, forma ou aspecto. — Mas ele sabia sobre elas. Sua cabeça manipulada digitalmente no corpo de uma estrela pornô, um pau de trinta centímetros pronto para a ação com uma gata peituda de joelhos na frente dele.

Dex não era exatamente pequeno no departamento, mas também não queria anunciar falsamente.

Ela olhou por um longo momento, como se estivesse desapontada.

— Então, por que você não namora?

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— Porque o rugby é minha prioridade número um no momento.

Tive que lutar muito para jogar profissionalmente, fui muito menosprezado no início da minha carreira.

Dex não tinha vontade de baixar o ânimo de novo ao falar sobre como foi difícil se libertar das circunstâncias de sua juventude e provar que era um concorrente digno. Também não queria que ela pensasse que ele tinha muito dinheiro, mesmo que a ideia de ficar de novo pobre fosse altamente motivadora.

— Mas estou aqui agora e aos trinta, provavelmente tenho só mais alguns anos, jogando em um nível de elite e os relacionamentos distraem.

— Mas muitos homens fazem isso. Se casam. Têm famílias.

— Certo. Isso funciona para eles. Eu? — Dex balançou a cabeça.

Ele foi descartado da seleção com muita frequência. — Trabalhei muito duro para entrar no time e há uma janela de carreira tão estreita nos esportes profissionais, que esse precisa ser o meu foco.

Haverá tempo para relacionamentos depois.

Ela inclinou a cabeça, considerando por um segundo.

— Você é gay?

Dex riu.

— Não. — E se ele não tivesse cem por centro de certeza sobre isso antes, então a perfeita bunda arredondada de Harper confirmaria.

— Então você é apenas... celibatário?

Ela parecia horrorizada e ele sorriu.

— Na maioria das vezes. Ocasionalmente me conecto, mas... — Ele encolheu os ombros. Foi surpreendido por uma ou duas mulheres no início de sua carreira, Dex aprendeu a ser cuidadoso.

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— Então você tem um desejo sexual muito baixo, o que é surpreendente, dada a quantidade de testosterona que deve bombear ou... passa muito tempo no chuveiro.

O comentário tirou uma risada de Dex. Ele olhou para o vinho dela – esta era sua terceira taça copo e estava terminando.

— Ah. Agora estamos chegando à inclinação da boca.

— Eu choco você?

— Não. Só que... isso pode ser porque não converso com muitas mulheres... masturbação não é um tópico que geralmente discuto com elas.

— Por que não? Você discute isso com os caras, certo?

Dex se mexeu desconfortavelmente em seu assento. Toda essa conversa sobre masturbação estava tendo um efeito previsível.

— Bem, podemos conversar sobre isso, mas não nos sentamos no vestiário tendo uma discussão séria sobre quantas vezes fizemos isso na noite anterior.

Ela arqueou uma sobrancelha.

— Quantas vezes?

O calor subiu nas bochechas de Dex enquanto pensava em quantas vezes nos últimos dias se masturbou pensando em Harper.

Cristo. Ele era como um adolescente excitado de novo.

— Dexter Blake, acho que você está corando. Para um homem que leu sem vergonha uma mensagem privada, acho que é um pouco tarde para ser puritano agora!

Ela sorria, obviamente se divertindo e ele relaxou. No que diz respeito à Dex, era uma grande melhora no brilho de lágrimas que a maldita mensagem causou.

E os dois podiam jogar esse jogo. Claramente desistiram da coisa da pintura.

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Ele ergueu as mãos em sinal de rendição.

— Ei, você quer falar de masturbação? Estou pronto para isso.

Mas está falando com um especialista aqui.

Seus lábios se curvaram, movendo o olhar para baixo.

— Especialista, hein?

— Um Jedi5. — Ele brincou.

Ela riu, mas saiu rouco, o som direto para suas bolas.

— Um Jedi?

Ele concordou.

— A porra do Obiwan6, baby.

— O que faz você pensar que eu não sou uma especialista?

Dex realmente tentou não pensar em Harper deitada gloriosamente nua em uma cama se tocando. Falhou. Seu pau subiu para vida, apreciando o visual.

— Afinal. — Ela continuou piscando para ele. — Posso ter ajuda.

Outro visual explodiu em seu cérebro. Harper gloriosamente nua em uma cama se tocando, um vibrador em forma de sabre de luz dentro dela.

Cristo. Ele realmente gostava dela desinibida.

Ignorando a imagem, ele pressionou.

— Especialistas praticam todos os dias. Quando foi a última vez que você fez isso?

— Ontem à noite. — Ela disse, respondendo sem sequer piscar. — E você?

Ele sorriu triunfante.

— Essa manhã. O que você pensa quando se toca?

— Ultimamente?

5 Personagem fictício da série Star Wars. Vários jedis formam uma ordem de guardiões da paz e da justiça, que dominam o "Lado da Luz" da Força, em contraposição aos Sith, no universo fictício da série. Se torna um Jedi seria ter um alto nível de conhecimento.

6 Grande mentor; tão sábio quanto Mestre Yoda e tão poderoso quanto Mestre Windu. Referência a série Star Wars.

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Não. Toda às vezes. Deus, ele queria todos os detalhes sujos. Mas se ela era a especialista que confessou, isso poderia demorar um pouco. Ele encolheu os ombros.

— Isso.

— Você.

Bam! O pau de Dex quase explodiu através de zíper. Ela poderia muito bem ter se inclinado e empurrado as mãos por sua calça.

Ela fantasiou sobre ele quando se tocou.

Ela sorriu como se soubesse exatamente o efeito que aquela pequena bomba teve.

— E você, Dex? — Ela ronronou. — O que pensou?

— Ultimamente?

Ele imitou.

— Claro. — Ela respondeu.

— Sua bunda.

Ela franziu a testa, parecendo insegura sobre si pela primeira vez.

— Minha... bunda?

— Oh sim. — Ele murmurou, seu pau pulsando. — Você tem uma bunda espetacular.

Ela franziu a testa como se a declaração tivesse realmente a confundido.

— Minha bunda?

Dex sorriu com sua falta de compreensão.

— Sua bunda. Acho que desenvolvi uma obsessão completamente anormal com isso.

— Oh... — A luz finalmente surgiu em seus olhos. — Você é um desses homens.

— Homens?

— Que gostam de bunda grande.

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— Eu sou. — Dex riu. — Eu realmente sou.

— Eu ouvi sobre o seu tipo, mas pensei que fosse apenas algum tipo de animal mítico. Como um unicórnio.

Dex perguntou se talvez deveria se sentir ofendido por ser comparado a uma criatura tão feminina. Preferia dragão.

— Oh, nós somos reais baby. Me dê uma mulher com quadris e peitos, coxas com as quais você pode quebrar nozes e uma bunda que eu possa agarrar, serei um homem feliz.

— Hmm, isso é engraçado. — Ela murmurou, deixando cair à cabeça para o lado um pouco enquanto o inspecionava. — Nenhuma daquelas mulheres que vi com você nas fotos parecia cumprir nenhum desses critérios.

Ele acenou com a mão desconsiderando.

— Elas normalmente são só garotas que as WAGS7 tentam me arrumar.

— Então você as usa?

— Não. Elas geralmente me usam.

Dex sabia disso com absoluta convicção. Foi educado e cavalheiro.

Porra, encantador. Passou um bom tempo com elas e ficaram mais do que felizes em ter suas selfies para mostrar na segunda de manhã ou postar em suas páginas no Facebook, além de implicar muito mais do que realmente aconteceu com Dexter Blake, primeiro Remador do Sydney Smoke.

Dex não se importava. Tudo fazia parte do acordo. Elas tinham um momento de celebridade e ele conseguia manter seu foco.

— E você não dormiu com nenhuma delas?

Ele balançou sua cabeça. Tanto quanto estava preocupado, todas elas foram muito legais, mas só olhava elas como adereços. Uma

7 Wives And Grilfriends – Termo para designar as esposas e namoradas dos jogadores, independente do esporte.

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acompanhante para um evento que precisava participar. Dex poderia colocar a mão em seu coração e dizer a Harper com total honestidade que nunca cruzou essa linha.

Mesmo que muitas tenham tentado.

— Não. Nenhuma.

Seu rosto mostrou incredulidade por um momento antes de rir, balançando a cabeça para ele.

— Uau. Você realmente deve se masturbar muito.

Dex riu também. Era bom saber que ajudou a banir aquele olhar ferido de antes, mesmo que seu cérebro estivesse morrendo lentamente por falta de suprimento adequado de sangue.

Um som de palmas interrompeu a risada.

— Ok senhoras e senhores, hora de colocar os pincéis para baixo e compartilhar suas obras-primas com seu grupo.

Ela arqueou uma sobrancelha para ele.

— Então o que você tem?

Dex olhou para a tela cheia de uma boca rosada gigante. A tinta ainda estava molhada, lhe dando o brilho que o mantinha acordado à noite. Parecia a versão infantil da capa do álbum dos Rolling Stones.

— Não é Michelangelo. — Ele murmurou enquanto girava para Harper ver.

Seus olhos foram para a tela.

— É um pouco artista pop. — Ela pensou. — Mas não é ruim para alguém que não consegue desenhar um boneco.

Seu elogio foi direto para o pau.

— Tive a inspiração certa. — Sua boca – sua viciante boca – se curvou para cima em um sorriso sexy e isso foi direto para o seu pau também.

— Bajular não te levará a nada.

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Dex sorriu. Ele não tinha tanta certeza disso. Ela parecia muito interessada em seus assuntos.

— Sua vez. Eu mostrei o meu. Hora de me mostrar o seu.

Ela piscou para a tela como se estivesse vendo pela primeira vez.

— Eu não tenho certeza do que é. — Disse depois de longos minutos. — Começou como uma floresta tropical, mas... — Ela parou quando virou a pintura.

Dex teve uma festa visual. Folhas verdes ricas de tamanho e tonalidade variadas emolduravam a pintura. Gotas de água cintilavam e brilhavam em algumas das folhas, rostos e olhos minúsculos espreitavam da folhagem. A vegetação invadiu a peça central que parecia muito com o H de uma trave.

Mas não havia nada de rugby nisso.

Parecia mais um mastro do que uma trave, com trepadeiras verdes e douradas girando ao redor das traves e flores tropicais brilhantes que desabrochavam intermitentemente. Uma dúzia de pequenos gambás de cauda de anel pendia da barra em poses variadas, todos claramente se divertindo.

Incrivelmente detalhado. O olhar de Dex observou a tela implacavelmente, da esquerda para direita, para cima e para baixo.

Cada vez, um par de olhos que não viu antes se tornava óbvio ou o brilho de uma flor se revelava. Era absolutamente fascinante.

Definitivamente exuberante. O tipo de lugar onde poderia imaginar Adão e Eva. Ou Tarzan e Jane. Fumegante e primitivo.

— Isso é uma trave de gol? — Ele perguntou quando finalmente tirou os olhos da tela.

— Sim. Não tenho certeza de onde veio.

Dex riu de sua óbvia confusão.

— Acho que Freud pode ter um dia de campo com isso.

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